Este blog busca despertar nas pessoas a admiração pelo belo e maravilhoso!

A SUBLIMIDADE DO SACERDÓCIO

Prezados irmãos e irmãs, estamos em pleno período pascal no qual  celebramos , a cada dia, a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo , sobretudo por meio da Santa Missa que é o mais alto e perfeito ato de Religião do qual o homem pode participar, e oferecer a Deus,  unindo suas intenções à do Sacerdote celebrante, que ali age ” in persona Christi”,, ou seja na pessoa de Cristo. Sim, meus irmãos, na Celebração Eucarística, ele empresta seu aparelho vocal a Jesus, a tal ponto que no momento auge da celebração , ou seja na consagração das espécies do pão e do vinho,  opera-se o milagre mais extraordinário e grandioso que existe, a saber: a transubstanciação das espécies do pão e do vinho, no corpo, sangue, alma e divindade de Jesus, aquele mesmo Jesus, que se encarnou no seio da Virgem Maria, que nasceu numa gruta, e viveu 33 anos no meio dos homens fazendo o Bem, pregando a sua santa doutrina, realizando milagres de todas as naturezas, amparando, protegendo, ensinando,reerguendo , animando, admoestando, corrigindo homens e mulheres, e após passar por sofrimentos atrozes  foi crucificado e morto pregado numa Cruz . Mas ao terceiro dia, Ele ressuscitou gloriosamente,  ainda passou 40 dias com os homens, e tendo completado sua ação salvífica, ascendeu de corpo alma ao Céu.

 

Mas não nos deixou órfãos, pois instituiu a Igreja e o sacerdócio ordenado,  além de nos deixar a Sua Santa Mãe durante alguns anos animando, orientando e fortalecendo a Igreja nascente, formada por Ela, as santas mulheres, os seus apóstolos e discípulos.

Como se vê meus irmãos, Jesus deixou-nos dois tesouros, de valor inexcedível,  qual seja a Santa Igreja, o coração desta que é o Sacerdócio ordenado, cuja missão é ensinar, conduzir e santificar o povo de Deus, através da da pregação Palavra e sobretudo da administração dos sacramentos, entre os quais sobreleva o da celebração e da distribuição da Eucaristia.

Foi assim que, nesses tempos difíceis que vivemos, deparei-me com , um resumo da Carta encíclica ” Pieni l’animo”, de 28.07.1906, do Papa São Pio X, sobre o Sacerdócio, na qual tece considerações sobre os cuidados na escolha dos candidatos a tão sublime ministério, alertando os Bispos para uma  venenosa atmosfera que ja corrompia largamente os espíritos, cujos mortais efeitos, “contaminam a carne, desprezam a soberania e maldizem a majestade” (Jd, 1,8). Ou seja, segundo São Pio X,  a mais degradante corrupção dos costumes e  o desprezo aberto a toda autoridade, eram um estado de espírito que penetrava, desde então no santuário, infectando sobretudo os jovens sacerdotes neles produzindo devastações.

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Coincidentemente, tomei conhecimento de uma Carta do Papa Emérito Bento XVI, de 12 de abril do corrente ano, publicada em vários jornais do mundo inteiro , na qual o Papa emérito aponta, entre outros fatores, a influência da revolução sexual dos anos 60,  especificamente a Revolução de 1968, evento de escala sem precedente na História, sobre a formação e a vida dos sacerdotes desde então, cujos efeito funestos se fazem sentir mais do que nunca nos dias atuais.

Seguem abaixo alguns excertos da Carta Encíclica do Papa São Pio X :

SACERDÓCIO E ORGULHO DA MENTE

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“Com a alma cheia de salutar temor pelas severíssimas contas que deveremos prestar um dia a Jesus Cristo, Príncipe dos Pastores, a respeito do rebanho que Ele nos confiou, passamos os dias na permanente preocupação de preservar os fiéis, tanto quanto possível, dos perniciosíssimos males que afligem atualmente a sociedade humana.

Consideramos, assim, dirigidas a nós estas palavras do profeta: “clama em alta voz, sem constrangimento; fazei soar a tua voz como corneta” ( Is 58, 1). E seja de viva voz,seja por escrito não deixamos de advertir, de pedir, de repreender, excitando sobretudo o zelo de nossos irmãos no Episcopado para que cada qual exerça a mais solícita vigilância sobre a porção do rebanho a ele confiado pelo Espírito Santo.

CORRUPÇÃO DOS COSTUMES E DESPREZO POR TODA AUTORIDADE

É de maior gravidade o motivo que nos impele a elevar novamente a voz. Trata-se de solicitar toda a atenção de vosso espírito e toda a energia pastoral contra uma desordem cujos funestos efeitos já se fazem sentir; e se não arrancarmos com mão forte até suas mais profundas raízes, dela decorrerão consequências ainda mais fatais ao longo dos anos

De fato, temos sob os olhos cartas de vários de vós, veneráveis irmãos, transbordantes de tristeza e de lágrimas, deplorando o espírito de insubordinação e de independência que se manifesta cá e lá no meio do clero.

Em nossos dias, infelizmente, uma venenosa atmosfera corrompe largamente os espíritos; seus mortais efeitos foram já descritos pelo Apóstolo São Judas: “ Contaminam a carne, desprezam a soberania e maldizem a majestade” (jd1,8); ou seja, além da mais degradante corrupção dos costumes, o despreza aberto a toda autoridade e àqueles que a exercem. Mas o que enche de imensa dor nossa alma é o fato de que esse espírito penetre de algum modo até no santuário e infecta aqueles aos quais mais propriamente se deveria aplicar a palavra do Eclesiástico “ este é o povo da obediência e do amor”.

E é sobretudo entre os jovens sacerdotes que esse tão funesto espírito produz devastações espalhando entre eles novas e reprováveis teorias sobre a própria natureza da obediência. Coisa mais grave, como se quisesse conquistar com o tempo novos recrutas para a multidão nascente dos rebeldes, faz-se dessa máximas uma propaganda mais ou menos velada entre os jovens que no recinto dos seminários se preparam para o sacerdócio.

O SACERDÓCIO NÃO É UM OFÍCIO QUALQUER

Assim veneráveis irmãos, sentimo-nos ao dever de apelar à vossa consciência para que, sem qualquer hesitação, vos empenheis com vigor e perseverança na tarefa de destruir essa má semente fecunda e perniciosíssima consequências. Recordai-vos sempre o Espírito Santo deu-vos o encargo de governar. Lembrai-vos do preceito de São Paulo a Tito “ Repreende com toda autoridade. E que ninguém te menospreze”! )Tt2.15).

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Exigi severamente dos sacerdotes e dos clérigos aquela obediência que, se para todos os fiéis é de todo obrigatória, para os sacerdotes constitui a parte de seu dever sagrado.

Para evitar a multiplicação desses espíritos rebeldes, será muito útil, veneráveis irmãos, ter sempre a advertência do Apóstolo a Timóteo: “ A ninguém imponhas as mãos inconsideradamente” (I Tm5,22). De fato, a facilidade na admissão às Sagradas Ordens, que abre naturalmente o caminho para multiplicação das pessoas no santuário, não aumenta em seguida a alegria, {…}

O sacerdócio, instituído por Jesus Cristo para a salvação eterna das almas, não é por certo uma profissão ou um ofício humano qualquer, que pode ser exercido livremente por todos quantos queiram.

Em consequência que os Bispos promovam às Ordens, não de acordo com os desejos ou pretensões dos candidatos, mas, como prescreve o Concílio de Trento, conforme a necessidade das dioceses. Assim agindo, poderão escolher só os que são de fato idôneos, recusando os que demonstram inclinações contrárias à vocação sacerdotal, entre estas. Sobretudo, a indisciplina e aquilo que a gera, o orgulho da mente.

SEJAM BANIDOS DO PÚLPITOS ARGUMENTOS MUNDANOS

Além da desordem de insubordinação e de independência que aqui deploramos, há em alguns membros do jovem clero outra que vai muito mais longe e cujos perniciosos resultados são muito mais consideráveis. Com efeito, não faltam aqueles que estão de tal forma invadido por tão reprovável espírito que, abusando do sagrado ministério da pregação, dele se fazem abertamente propugnadores e apóstolos para ruína e escândalo dos fiéis {…}

Ninguém pode ter autorização para pregar “sem antes ser posto à prova quanto à sua vida, sua ciência e seus costumes” (Concílio de Trento). Sessão V. Sobre a Reforma. C2. Os padres de outra diocese não devem ser autorizados a pregar sem as cartas testimoniais do respectivo Bispo. A matéria da pregação deve ser a indicada pelo Divino Redentor, que disse “Pregai o Evangelho” (Mc 16,15), “ ensinai-as o observar tudo o que vos prescrever” ( Mt 28, 20). Ou seja, como comenta o Concílio de Trento, “indicando=lhes os defeitos que precisam abandonar e as virtudes que devem praticar para fugir do castigo eterno e conquistar a glória celeste” ( Sessão V,Sobre a Reforma,c2)

Sejam, pois totalmente banidos do púlpito os argumentos mais adequados às polêmicas de imprensa e aos discursos acadêmicos do que ao lugar santo. Dê-se preferência às pregações sobre temas morais, em lugar dessas conferências, das quais o mínimo que se pode dizer é que são infrutíferas. Faça-se a pregação “ não com a eloquência persuasiva da sabedoria humana, mas como uma demonstração do Espírito e do poder divino”(I Cor 2,4). Por isso a principal fonte da pregação deve ser a Sagrada Escritura, entendida, não segundo as opiniões particulares de espíritos às mais das vezes obnubilados pelas paixões, mas segundo a Tradição da Igreja, as interpretações dos Santos Padres e dos Concílios.

De acordo com estas normas, veneráveis irmãos, deveis ser os juízes daqueles aos quais confiais o ministério da divina palavra, E quando encontrardes pregadores mais preocupados com seus próprios interesses do que os de Jesus Cristo, mais ávidos de sucesso humano que do bem das almas, afastai-os do púlpito. Admoestai-os, e, se isto não for suficiente, removei-os inexoravelmente de um encargo do qual se mostram totalmente indignos”( extraído da Rev. Arautos do Evangelho, de fevereiro de 2017)

Após a Missa dos Santos Óleos, dia 18 de abril do corrente ano, celebrada por S. Exa. Revma.   o Arcebispo D. Murilo Krieger, na Catedral Basílica de Salvador, em meio a centenas de sacerdotes – e da qual participei com o Coral dos Arautos em Salvador,   em entrevista à TV Bahia, o nosso Arcebispo disse que devemos pedir a Deus” santos e bons sacerdotes”. Sim , meus irmãos, devemos também dar nossa parcela de contribuição para que nossa Igreja possa crescer  em santidade, em amor a Deus, e na fidelidade  à sua Missão de ensinar, conduzir e santificar o povo de Deus, através de santos  sacerdotes , cheios de zelo pela Casa de Deus, rezando, e tudo fazendo para também sermos santos e fazendo de nossas famílias verdadeiras igrejas domésticas.

 

São Pio X, Excertos da Carta enciclíca “ Pieni l animo”, 28/071906: Ass 39(1906), 321-329

Nossa Senhora de Lourdes: Rogai por nós

Hoje é dia de Nossa Senhora de Lourdes, que deixou-nos uma mensagem muito importante, e como Mãe misericordiosa, vem realizando milhares e milhares  de milagres e conversões, desde sua aparição a Santa Bernadete até os dias atuais. 

Todos nós irmãos e irmãs temos tanto a pedir a Nossa Mãe do Céu, pois quem não tem problemas? Vivemos cercados de problemas de toda natureza, social, moral, religioso, político, enfim ninguém escapa de não ter necessidades, e de desejo,  de esperança, de obter alguma coisa na sua vida.

Assim sendo, devemos buscar primeiramente  os favores espirituais para  crescermos na fé , na esperança  e no amor a Deus.  Mas podemos e devemos pedir benefícios de ordem material também, lembrando que só Deus pode ajudar a cada um de nós, e nada melhor do que pedirmos o que precisamos por meio de sua Mãe,  que é a nossa também.

Aproveitemos, portanto, para pedirmos hoje e durante toda nossa vida, todas as graças e favores de que necessitamos para enfrentarmos as dificuldades e desafios da existência quotidiana. 

E para que aumentemos nossa devoção em N. S. de Lourdes, deixo para vocês um artigo muito bom, o qual segue abaixo:

 

 

Nossa Senhora de Lourdes: Milagres, Perseguições e Vitórias!

Depois de 150 anos, a ciência ajuda a confirmar Lourdes e seus prodígios. 
O tempo levou seus detratores e Lourdes ainda brilha. 
A Imaculada Conceição venceu!

– Quem a Senhora é?

– Eu sou a Imaculada Conceição!

Esse é o trecho final de um diálogo acontecido em 1858, quando Nossa Senhora apareceu 18 vezes a Bernadette Soubirous na Gruta de Massabiele, situada às margens do rio Gave, nos arredores da vila francesa de Lourdes.
A 11 de fevereiro a Igreja comemora essa série de aparições da Virgem Imaculada. É a festa de Nossa Senhora de Lourdes.

Em 24 de fevereiro de 1858 aconteceu a oitava dessas aparições. Nesse dia, Nossa Senhora revelou a Bernardette sua primeira mensagem que, resumindo, seria: “Penitência, penitência, penitência! Rogai a Deus pelos pecadores”.

Nossa Senhora ainda mostrou a Santa Bernardette (nona aparição, 25 de fevereiro) como praticar essa “penitência”: “vá e toma da água da fonte” e lave-se nela. Ela mandou também que Bernardette comesse de umas ervas que cresciam na gruta. Dois pedidos aparentemente absurdos, humilhantes.

Comer aquele capim já seria ridículo, pior que isso era a questão da água para beber e lavar-se: Não existia nenhuma fonte no local! No entanto, cheia de Fé e humildade, Bernardette comeu a erva recomendada e, com as próprias mãos, escavou o chão da gruta. Da terra brotou água que ela bebeu e com a qual se lavou, tal como havia sido recomendado pela Senhora da Conceição Imaculada.

Os que assistiram ao fato ficaram atônitos e se perguntaram: Bernardette não teria ficado louca?

Não! Ela apenas obedecia sem entender e sem pedir explicações. Ela julgava, com acerto, que de uma Senhora tão excelsa só poderiam vir coisas boas.

Ali, junto ao local onde a Imaculada Conceição colocou seus pés, brotou um manancial de águas prodigiosas. Ali nasceu a fonte de Lourdes: um jorro contínuo de graças e de milagres. Doentes com enfermidades físicas e espirituais de toda espécie alcançaram nela curas inexplicáveis, …milagrosas.

O convite para repetir o gesto de Bernardette espalhou-se logo pelo mundo. E, ainda hoje, fiéis de todos os cantos se beneficiam daquele primeiro ato de humildade e submissão da pastora de Massabielle. O gesto piedoso e penitencial de beber da água da Gruta de Lourdes e nela lavar-se tem trazido curas e graças especiais. E em quantidade tal, que parecem inesgotáveis.


Imaculada Conceição

Havia passado apenas quatro anos desde que o Papa Pio IX definira solenemente a verdade de Fé segundo
a qual Maria Santíssima foi concebida sem pecado original desde o primeiro instante de seu ser. Ainda que esse dogma fosse duramente atacado pelos inimigos da Igreja, o agora Beato Pio IX, com uma coragem de anjo, proclamou-o a todos os homens.

O mundo católico exultou de alegria por ver nas aparições uma celestial confirmação do Dogma, uma vez que Nossa Senhora apresentava-se como sendo a Imaculada Conceição.

A mesma alegria não aconteceu com aqueles que eram contrários a este privilégio. Esse dogma colide frontalmente com os defensores da igualdade absoluta entre os homens. Eles defendem a ideia falsa de que o ser humano não é concebido no pecado: o homem é bom e imaculado por natureza.

Para eles, alguém ser considerado superior a toda humanidade é algo inimaginável, insuportável. A partir dessa colisão ideológico religiosa foi que apareceram ondas de fúria contra Lourdes.

Aqueles que eram contrários à Imaculada Conceição agiram da mesma forma que os defensores do mal costumam agir: ocultaram verdades, lançaram menosprezos, denegriram e, no caso de Lourdes, tentaram impedir o fluxo, cada vez maior, de peregrinos ao local das aparições.


Começam os milagres

O ciclo das aparições ainda não havia terminado mas, através da água milagrosa de Lourdes, Nossa Senhora começou sua ação junto aos homens.

Tomando conhecimento do que acontecia na gruta, o pároco de Lourdes, ainda um pouco desconfiado, rezou a Deus pedindo um sinal celeste afim de certificar-se da veracidade e idoneidade de tudo que estava acontecendo em sua paróquia. Deus atendeu seu pedido enviando um sinal que seria útil para o bom padre e seus paroquianos também:

Por mais de vinte anos um homem chamado Bourriette estava cego. Todos o conheciam na região. Ele havia perdido um olho numa explosão em uma mina.

Sendo um homem de fé, Bourriette pediu a sua filha que trouxesse água da nova fonte de Massabielle. Ele pôs-se a rezar pedindo a Nossa Senhora sua cura, bebeu da água e em seguida lavou os olhos com ela. Logo ele começou a gritar de alegria: ele tinha voltado a enxergar.

Os médicos que antes haviam afirmado que ele jamais poderia recobrar a visão, examinaram o homem novamente e não tiveram outra alternativa que chamar o ocorrido pelo nome que lhe era mais próprio: milagre. Bourriette enxergava perfeitamente, embora as causas da cegueira continuassem ali: lesões profundas da ferida causada pela explosão e cicatrizes.

Ainda durante o período das aparições, outros milagres ocorreram. Foi, por exemplo, o caso de Justino, um menino de dois anos. Ele estava enfermo e teve um desmaio repentino. Não dava mais sinais de vida.

Sua mãe o levou até a Gruta pedindo veementemente pela vida do menino. Em seguida ela o colocou por 15 minutos nas águas da gruta. Depois disso, tendo sido levado de volta para casa, Justino voltou a respirar com normalidade, a cor rosada da pele voltou, seus olhos brilharam e ele… pediu comida.

Este fato comoveu todos da região de Lourdes e logo foi conhecido na França toda e pela Europa afora.

Três renomados médicos examinaram o menino e atestaram que, aquilo era cientificamente inexplicável e só podia tratar-se de um milagre de primeira ordem. Nossa Senhora manifestava-se maternalmente e mostrava assim sua vontade de fazer o bem. Por isso, os milagres continuavam e continuam até hoje.

Difamações e calúnias

As aparições de Lourdes aconteceram no período auge em que o anticlericalismo do século XIX movia perseguições e procurava ridicularizar a Igreja. Os anticlericais, céticos e materialistas não podiam aceitar milagres, seria ir contra seus princípios, seria reconhecer seu próprio fracasso. Não querendo dar a mão à palmatória, os ímpios iniciaram sua ação, começando por cochichar desconfianças.

Para eles, nos fatos ocorridos com as águas de Lourdes, não havia doenças autênticas e, em consequência, as curas também não existiam. Então, uma verdadeira máquina difamatória entrou em ação contra Bernardette e os milagres, contra Lourdes e a Igreja.

Em relatórios remetidos ao governo da capital, o procurador de Lourdes perguntava às autoridades superiores como impedir os “extravios da imaginação” que mencionavam milagres na Gruta, ridicularizava as curas, denunciava a água de Lourdes por conter carbonato de cálcio…

O farmacêutico da cidade, o diretor de uma escola superior e o delegado de polícia afirmavam que a água era “muito ruim”, que era causa de “graves perigos” e “malsã”. A população não deu a menor credibilidade a esses boatos.

Por isso, o ataque foi diversificado. Outro farmacêutico de fora de Lourdes inventou um parecer pseudo científico: os milagres eram falsos. A explicação das curas estaria na composição físico-química da água…

Análises imparciais, no entanto, apontaram a água da fonte de Lourdes como sendo uma água comum, sem propriedades especias. Ela nem poderia ser classificada como mineral.

Houve quem afirmasse que não havia participação sobrenatural nas curas porque a água de Lourdes seria… radioativa. “Explicações” do mesmo gênero foram ainda repetidas, como num realejo, até no século XX. Todas elas foram refutadas, não convenceram a ninguém.

Novas detrações

Como reagiram as pessoas que eram contrárias aos milagres de Lourdes? Para quem é mestre em dissimulações e calúnias, não é difícil criar modos diferentes de difamar, de perseguir.

Três médicos de Lourdes se puseram à cata de pretextos para internar Bernardette em um manicômio. A inocente pastora passou a ser acusada de patologias, perturbações e desequilíbrios mentais que começavam a generalizar-se, já no século XIX.

Para eles, a pastora de Lourdes seria um exemplo de alienação mental: uma “criança alucinada”, com ideias fixas no inconsciente. Os milagres de Lourdes seriam uma “fase de exaltação” físico afetiva. Tumores e feridas curadas miraculosamente seriam produtos de histeria e os milagres artifícios de sugestão.

Ainda em meados do século passado havia gente procurando acusar Bernardette. Lourdes não passaria de um fenômeno histérico misturado com autossugestão inconsciente e tapeação médica.

Literatos, filósofos, céticos…

A onda de ataques aos milagres ocorridos na Gruta aumentava na proporção das graças e curas, lá alcançadas. Desde o início os detratores sempre tiveram a preocupação de dar aparências científicas a suas investidas. Não tiveram sucesso. Cada derrota açulava mais ainda o orgulho, a impiedade e …a fúria dessas pobres almas.

A ironia, o ceticismo, a irreverência e a blasfêmia conseguiram se aglutinar. Literatos, livres pensadores e filósofos céticos somaram seus prestígios para formar um estranho coro afinado apenas quanto a vontade de criar na opinião pública dúvidas e desconfianças com relação a Lourdes e seus milagres.

Ernest Renan, Anatole France, Emile Zola são os mais conhecidos e famosos dos detratores de Lourdes.

Mas a fúria contra as aparições e milagres partiu também de setores, aparentemente insuspeitos. Padre Alfred Loisy, professor do Instituto Católico de Paris, que morreu excomungado, comparava as curas de Lourdes com as que “aconteciam outrora nos templos de Esculápio”, deus pagão da medicina.


Triunfo de Maria sobre a impiedade

O fluxo de graças em Lourdes era evidente. Desde o início, a bondade de Nossa Senhora mostrava-se insondável. Porém, era necessário eliminar qualquer resquício de dúvidas a propósito das aparições e dos milagres decorrentes delas. Assim se poderia fazer triunfar a evidencia do afeto, da bondade e amor de Maria Santíssima para com os homens. Os ataques contra Lourdes deram oportunidade a que isso pudesse acontecer.

E aconteceu, a contra gosto de seus detratores, na esteira do propalado cientificismo ateu do final do século XIX.

Desenhados pelos ataques

As heresias sempre foram uma oportunidade para que a Igreja pudesse desenvolver sua doutrina. Já houve até quem afirmasse que, ao longo dos séculos, o perfil da Igreja foi esculpido pelos ataques desferidos contra ela. Isso quer dizer que, de cada chaga que os inimigos abrem no corpo da Igreja não aparece a marca de uma cicatriz, pelo contrário, surge uma luz que indica e discerne a beleza de seu perfil doutrinário.

Aqui nós podemos aplicar o mesmo raciocínio.

A ofensiva das críticas, calúnias e detração contra os milagres de Lourdes favoreceu o aparecimento de um órgão que tinha como encargo constatar, com todo rigor científico, a autenticidade e a natureza dos milagres acontecidos em Massabielle. Era a Comissão Medica de Lourdes, criada por Dom Laurence, bispo diocesano de Tarbes-Lourdes, em 28 de julho de 1858, doze dias depois da última aparição de Nossa Senhora.

Essa primeira comissão foi a base para o surgimento do atual Bureau Médico de Lourdes.


Bureau Médico de Lourdes

Com seus métodos e critérios cientificamente rígidos e sempre atualizados, o Bureau constata que fatos naturalmente inexplicáveis podem acontecer. Em outras palavras: o milagre acontece. E em Lourdes eles têm sido abundantes, para glória de Deus e da Imaculada Conceição.

O Bureau Médico de Lourdes apura, somente do ponto de vista médico, se as curas que os fiéis afirmam terem acontecido por intercessão de Nossa Senhora são ou não explicáveis pela ciência: jamais faz afirmações sobre o ponto de vista religioso sobrenatural.

Se a ciência não é capaz de explicar o fato acontecido, o Bureau envia o resultado dessa constatação ao Bispo de onde veio a pessoa favorecida pela cura. O Bispo é quem decide oficialmente pelo reconhecimento ou não do milagre e não se pronuncia do ponto vista médico.

Portanto, o primeiro passo para o reconhecimento oficial do milagre é a constatação pelo Bureau Médico de que a cura havida vai além do que a medicina conhece. A sede do Bureau Médico é mesmo em Lourdes. E qualquer pessoa, julgando-se beneficiada por uma cura inexplicável, acontecida após o uso das águas da fonte da gruta, pode apresentar-se a ele, alegar a cura e pedir uma constatação de reconhecimento médico disso.

Qualquer medico pode assistir uma sessão do Bureau que é composto por analistas de todas as especialidades, católicos ou não.

Qualquer fiel que se julgue beneficiado por um milagre é feita uma ficha minuciosa com a narração do fato. Para isso são necessários documentos médicos comprobatórios da doença antes da cura, de sua gravidade e natureza. Por falta deles, muitos casos não são aceitos, mesmo tendo reais aparências de milagres.

Se os médicos julgarem que a cura é cientificamente inexplicável, o dossier do caso é enviado para um comitê de segunda instancia que também o analisará em suas minucias. Essa segunda instancia é o Comitê Médico Internacional de Lourdes. Um órgão com independência total, que revisa os dados recebidos do Bureau, faz novas investigações, novas análises, examina a pessoa curada e consulta especialistas que não fazem parte dele.

Caso o Comitê Internacional julgue que a cura seja cientificamente inexplicável, o parecer final é remetido ao Bispo da diocese do miraculado. Uma eventual proclamação canônica de milagre será dada sempre pelo Bispo.

O Bureau, o Comitê e mesmo o Bispo seguem princípios normativos semelhantes aos que regulam os processos de beatificação e canonização de santos na Igreja.

Os números

Quase 7000 pessoas tiveram seus pedidos de constatação de milagres aceitos pelo Bureau Médico de Lourdes. Por volta de 2000 casos foram julgados com sendo inexplicáveis pela ciência. A igreja, sempre prudente, reconheceu como miraculosos 67 desses casos.

Esses números não contabilizam o total de fiéis que alegam uma cura milagrosa em Lourdes.

Muita gente favorecida não sabe da existência do Bureau e, portanto, nele não registram suas curas. Também, muitas outras pessoas não possuem a documentação necessária para ser apresentada ao Bureau.

Há ainda o fato de um número enorme de fiéis que, embora tendo certeza de que suas curas sejam sobrenaturais, não se apresentam ao Bureau porque as doenças não têm proporções para isso.

Essas curas físicas são as únicas visíveis. Elas devem ser tidas como um sinal das curas invisíveis que têm lugar em Lourdes e que talvez sejam mais numerosas e importantes. São curas do coração, da alma, a cura do pecado, a reconciliação com Deus, com os outros e consigo mesmo. O número desse tipo de curas é enorme, porém, não são próprios para análise médica.

Também não são de trato médico as graças, favores e resolução de problemas afetivos, profissionais, familiares, econômicos, financeiros que formam uma legião enorme de favorecidos.

Assim é Lourdes!

* * * * * * *

Os céticos poderão rir, porém, o sorriso deles jamais foi empecilho para o caminhar do homem que tem Fé. Este pensamento de Plínio Corrêa de Oliveira também pode ser aplicado para Lourdes: Seus detratores desapareceram no tempo. Lourdes, caminhou!

Seu santuário, junto ao local das aparições, é o mais frequentado na França e dos mais concorridos em todo o mundo. De todas os países chegam, constantemente, peregrinos para se banharem em suas águas.

A devoção a Nossa Senhora de Lourdes espalhou-se pela Terra toda. Em todos os continentes existem igrejas, santuários, basílicas, capelas ou simples grutas que são consagradas a Nossa Senhora de Lourdes.

Em Lourdes conservou-se sempre a chama da Fé. Ela é um pólo de Luz, de esperança, um jorro contínuo de graças divinas oferecidas maternalmente por aquela que se apresentou como sendo a Imaculada Conceição.

A “Boca da Verdade”

Antes de mais nada, queremos nos solidarizar com todas as famílias da cidade de Brumadinho, MG, pela tragédia ocorrida no dia 25 de janeiro de 2019, que teve como causa o rompimento de uma barragem, cujo mar de lama tóxica soterrou famílias, destruiu casas e propriedades diversas, ceifou a vida de muitas pessoas, muitas delas trabalhadores da mineradora, inclusive de uma jovem médica, de donas de casa e crianças, pelos quais oferecemos nossas preces e orações, sem se falar na morte também de animais, devastando grande parte do meio ambiente dessa região.

Vivemos momentos difíceis e muito tristes, pois tragédias como essa, que poderia ter sido evitada, deixam marcas profundas para o resto da vida. Agradecemos a Deus por todos aqueles homens e mulheres que lutaram para achar nossos irmãos soterrados, inclusive os soldados israelenses que vieram para ajudar no resgate. Todos são verdadeiros heróis!

E fica para os responsáveis, além das consequências de ordem jurídica, a dor de consciência por um dever não comprido, pela falta de cuidado, transparência e vigilância em torno das condições de segurança da barragem.

Gostaria de tratar com os caríssimos irmãos, neste “post” de um tema muito elevado e importante, qual seja, a Verdade.

Em muitos povos e civilizações antigas, de modo especial na Grécia, uma plêiade de pensadores e filósofos se detiveram em longas e profundas meditações metafísicas e se debruçaram sobre livros e tratados objetivando conhecer a Verdade numa perspectiva de cunho racional, embora também com fins práticos – alguém já disse que nada ajuda tanto a prática como as teorias -, e políticos, na acepção mais alta do termo, a exemplo de Aristóteles, Platão, Parmênides e Heráclito, entre outros. E nos deixaram um enorme legado que foi aproveitado por muitos filósofos cristãos, como Santo Agostinho E São Tomaz e vários autores modernos e contemporâneos.

Já outros povos, Deus dotou de uma vertente mais elevada, como é o caso dos judeus, que Ele escolheu para conhecerem e anunciarem a Verdade, em um plano mais elevado, qual seja, o religioso, aos quais foi revelada a Verdade da Salvação, como é o caso do grande Moisés e do Rei David.

Por seu turno, aos romanos Deus deu o dom de conhecer em mais profundidade os conceitos do Direito e da Justiça, os quais também estão intimamente relacionados com a Verdade.

E assim o fazendo, Deus preparou a humanidade para receber o maior bem esperado pelas nações, o Messias, Jesus, a Verdade por excelência, que viria ao mundo como uma indefesa e luminosa criança, nascido de uma Virgem, para trazer uma iBoa Nova a todos os povos.

E a partir da pregação, da Vida, Paixão e Morte de Jesus, aquele mundo pagão e bárbaro foi sendo evangelizado e civilizado, inicialmente pelos apóstolos, em seguida por seus discípulos e seguidores, em suma pela Igreja, por meio dos Papas, bispos, padres, religiosos e religiosas das mais variadas Ordens, e leigos de ambos os sexos, até atingirmos a Idade Média, a Civilização Cristã – “a Doce Primavera da Fé”, na qual a Verdade refulgiu, juntamente com a Bondade e a Beleza , os atributos mais emblemáticos de Deus.

Mas este auge da Cultura e da Civilização, em finais do século XIII, iniciou um terrível processo de decadência, com o Humanismo e a Renascença, até chegar à inimaginável situação atual, em que o mundo, falto do “lumen rationis”, se debate num pântano obscuro do relativismo moral, dos sofismas, da negação do princípio elementar da não contradição – “uma coisa é o que ela é e não é o que ela não é”, afundando no caos mental , na imbecilização completa e na total depravação dos costumes, e o que é pior, jactando-se de evoluído.

É o que assistimos hoje, retratado em grande parte pelos programas televisivos e nas denominadas mídias alternativas, sob o pretexto de uma pseudo-liberdade, que asseguraria a todo homem dizer o que lhe venha à cabeça.

Por conta dessa falsa liberdade de expressão, com muita frequência, são vomitadas impunemente pelos mais variados meios de comunicação, com honrosas exceções, informações mentirosas, teorias absurdas, calúnias, difamações, detrações, chicanas sórdidas, muitas vezes sacrílegas e blasfemas, em meio a cenas de baixezas insuperáveis, exibidas e propaladas de maneira irresponsável e sem qualquer tipo de reação, muito menos de uma punição.

E como se isto fosse um avanço , um progresso uma evolução! É de estarrecer!

É tão calamitosa a situação hodierna, que grande parte da humanidade parece haver chegado ao fundo do poço. Sim, repito, fundo do poço!

Quando observamos os ditos “responsáveis por informações sérias”, que deveriam trabalhar unicamente com a verdade e a imparcialidade, debocharem de um Presidente eleito, que quase morre em face de um atentado, – não importa aqui a sua visão política, poderia ser qualquer outro -, fazendo chicana e humor chulo, bem como espalhando fake-news, a propósito de uma delicada intervenção cirúrgica decorrente do atentado a que teve que se submeter, reclama-nos uma reflexão sobre o relativismo, a liberdade de expressão desenfreada, a baixa de nível, porquanto tal estado de coisas primeiramente ofende a Deus, mas também a toda sociedade, ainda que aparentemente se tenha em mira apenas uma pessoa ou determinado grupo social.

O que esperar de um mundo assim? A resposta seria: nada mais de positivo e sua ruína completa! Humanamente falando, a resposta estaria certa. Mas, numa perspectiva sobrenatural e em conformidade com a História Sagrada, a solução não está distante e se dará com uma intervenção divina, como está previsto em várias profecias sérias e fidedignas, a exemplo das de Nossa Senhora do Bonsucesso, de La Salette e de Fátima, que já tiveram boa parte delas cumpridas à risca.

Para ilustrar o que dissemos até agora, reproduzimos alguns excertos de um interessante artigo do Padre Inácio de Araújo Almeida EP, publicado na Revista Arautos do Evangelho, nº 151 de 2014 e que explica o título do “post” e a foto da escultura que o encima.

O HOMEM ANSEIA POR CONHECER A VERDADE

Mesmo sendo uma mera curiosidade histórica, a lenda da “Bocca della Verità” põe em relevo um dos anseios mais enraizados no coração do homem: o de conhecer a verdade.

Roma é uma cidade plena de história e de encantos. Quiçá, em nenhum outro lugar do mundo os monumentos da Antiguidade clássica se encontrem em tão perfeita harmonia com as maravilhas oriundas da Civilização Cristã.

Caminhando pela margem esquerda do legendário Tibre, que cruza o centro histórico da Cidade Eterna, é possível contemplar ao longe a esguia torre da Basílica de Santa Maria in Cosmedin. Edificada por volta do século VI, sobre as ruínas de um antigo templo, é hoje uma das igrejas mais visitadas de Roma.

Denominava-se inicialmente Santa Maria in Schola Greca, em razão de uma próspera colônia helênica situada em seus arredores. Por volta do ano 780, foi confiada a uma comunidade de monges bizantinos, os quais a adornaram com majestosas colunas e ricos mosaicos. Devido ainda à beleza de suas pinturas e à suntuosidade do seu pavimento cosmatesco, recebeu o merecido título que conserva até hoje: Santa Maria in Cosmedin (do grego, Cosmidion, “bem ornamentada”).

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Uma fábula multissecular

Turistas provenientes de diversas partes do mundo cruzam todos os dias o pórtico desse histórico recinto sagrado. Muitos, todavia, não são atraídos pelos seus belos afrescos, nem pelos melodiosos hinos da Liturgia oriental que ali se entoam. A longa fila de turistas se dispersa ainda no átrio da Igreja, defronte a uma grande pedra circular amparada por um capitel. E se algum transeunte pouco informado dessas “curiosidades romanas”, perguntasse a um dos presentes o que o levou a visitar o belo edifício, bem poderia ouvir a seguinte resposta: “Vim aqui para conhecer a Boca da Verdade”…

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Medindo 1,75m de diâmetro e pesando cerca de uma tonelada, a Bocca della Verità é um grande disco de mármore no qual se encontra esculpida uma grotesca face com a boca aberta. Para alguns, ela representa alguma divindade fluvial cujo nome a História não guardou; para outros, o frontispício de uma grandiosa fonte. Muitos, porém, julgam tratar-se da tampa de um velho bueiro romano. E uma lenda medieval atribuiu a esta escultura de pedra o admirável poder de punir os mentirosos: teria seus dedos amputados quem pusesse a mão na boca dessa máscara de mármore e dissesse uma mentira.

Uma das razões do sucesso desta fábula, que perdura até nossos dias, deve-se por certo ao fato de a Boca da Verdade jamais ter posto em prática seu prodigioso poder de punir. Bem podemos nos perguntar: Por quê? Talvez por considerar como verdadeiras todas as palavras proferidas pelos homens… Sua inoperância, porém, pode ter uma razão mais profunda: influenciada pelo relativismo da sociedade contemporânea, teria perdido a capacidade de distinguir o verdadeiro do falso…

O homem anseia por conhecer a verdade

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Moisés recebendo as Leis de Deus

Mesmo sendo uma mera curiosidade histórica, a lenda da Bocca della Verità põe em relevo um dos anseios mais enraizados no coração do homem. Com efeito, é inerente ao ser humano o desejo de conhecer a verdade, ainda que este se manifeste através de meios tão diversos quanto inusitados.

São Tomás de Aquino parte desse pressuposto em sua obra A Unidade do Intelecto: “Omnes homines naturaliter scire desiderant veritatem – Por natureza, todos os homens desejam conhecer a verdade”.1 Ainda segundo este Santo Doutor, o homem, por sua natureza espiritual, anseia por conhecer a verdade das coisas, assim como por exemplo, por sua natureza corporal, almeja os prazeres próprios ao corpo.

Tal aspiração de conhecer a verdade se manifesta no íntimo do ser humano sob a forma de indagações sobre o fundamento último de sua existência, bem como sobre a natureza dos seres circundantes. A este propósito, afirmou São João Paulo II: “Em toda a criação visível, o homem é o único ser que é capaz não só de saber, mas também de saber que sabe, e por isso se interessa pela verdade real daquilo que vê. Ninguém pode sinceramente ficar indiferente quanto à verdade do seu saber. Se descobre que é falso, rejeita-o; se, pelo contrário, consegue certificar-se da sua verdade, sente-se satisfeito”.

Isto seria o natural!

“Por que a verdade gera o ódio?”

Devido a esta intrínseca sede da verdade, a qual espontaneamente aflora na mente humana, bem se poderia imaginar que a verdade foi sempre compreendida e amada por todos. Contudo, Santo Agostinho nos oferece uma opinião diferente: “A verdade é doce e amarga. Doce quando perdoa; amarga quando visa curar”.

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Jesus pregando e falando a verdade para os Fariseus

Ora, nem sempre os homens estão dispostos a aceitar o amargo sabor da verdade quando esta se manifesta sob a forma de uma censura ou repreensão. Tal atitude de inconformidade levou o Bispo de Hipona a formular a seguinte pergunta: “Por que a verdade gera o ódio?”. E responde: “É tal o amor à verdade, que aqueles que amam algo diferente pretendem que o objeto de seu amor seja a verdade; e como não admitem ser enganados, não querem convencer-se de seu erro. Do amor àquilo que supõem ser a verdade, provém seu ódio à verdade. Amam seu esplendor e odeiam sua censura. Gostam de enganar e detestam ser enganados, por isso a amam quando se revela e odeiam quando os acusa”.

Sob o signo da “ditadura do relativismo”

Há, contudo, uma terceira atitude perante a verdade: ela não existe e, se existisse, seria impossível conhecê-la. “Tudo é relativo; eis o único princípio absoluto”, afirmou Augusto Comte no início do século XIX.

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Cerca de dois séculos depois o então Cardeal Joseph Ratzinger denunciava a “ditadura do relativismo” como um dos mais graves problemas do momento atual: “Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo – isto é, deixar-se levar ‘aqui e além por qualquer vento de doutrina’ – aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades”.

E três anos depois, respondendo às perguntas dos Bispos norte-americanos, o Papa Bento XVI esclarecia: “Em última análise, a ‘ditadura do relativismo’ nada mais é do que uma ameaça à liberdade humana, a qual amadurece na generosidade e na fidelidade à verdade”.

Este problema já tinha sido levantado com grande profundidade por São João Paulo II na encíclica Fides et ratio, onde mostra a contraditória situação pela qual passa a razão filosófica em nossos dias: “Mais recentemente, ganharam relevo diversas doutrinas que tendem a desvalorizar até mesmo aquelas verdades que o homem estava certo de ter alcançado

A legítima pluralidade de posições cedeu o lugar a um pluralismo indefinido, fundado no pressuposto de que todas as posições são equivalentes: trata-se de um dos sintomas mais difusos, no contexto atual, de desconfiança na verdade. E esta ressalva vale também para certas concepções de vida originárias do Oriente: é que negam à verdade o seu caráter exclusivo, ao partirem do pressuposto de que ela se manifesta de modo igual em doutrinas diversas ou mesmo contraditórias entre si. Neste horizonte, tudo fica reduzido a mera opinião”.

E conclui observando que, segundo certas correntes do pensamento dito pós-moderno, “o tempo das certezas teria irremediavelmente passado, o homem deveria finalmente aprender a viver num horizonte de ausência total de sentido, sob o signo do provisório e do efêmero”.

Uma pergunta vigente há dois milênios

Assim, o homem contemporâneo parece retomar a cética pergunta feita por Pilatos a Nosso Senhor Jesus Cristo: “Quid est veritas? – O que é a verdade?” (Jo 18, 38). E ele a faz parecendo temer não tanto a verdade em si mesma, mas as
consequências que derivam da obediência aos seus preceitos.

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A essa pergunta, formulada há quase dois milênios, é possível responder com o perfeito anagrama lembrado pelo Papa Paulo VI numa de suas audiências. Usando as mesmas letras da pergunta de Pilatos diríamos que a verdade “est vir qui adest – é o Homem que está aqui”.11 Pois no Cristianismo a “Verdade” não é um “que”, mas um “quem”. Ela não é um mero conceito teórico, mas sim uma Pessoa cujo nome é Jesus, Filho de Deus e da Virgem Maria.

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“Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus”,12 escreveu Santa Teresa Benedita da Cruz, lembrando o tempo em que trilhava as sendas da filosofia. Por isso, caro leitor, se alguma vez você tiver oportunidade de fazer uma peregrinação à Cidade Eterna, não deixe de visitar a Basílica de Santa Maria in Cosmedin, para contemplar suas maravilhas. Todavia, não se detenha em seu átrio, à busca da verdade. Entre, dirija-se ao altar e fique bem junto do sacrário. Ali estará à sua espera, não a lendária Bocca della Verità, mas a Verdade autêntica, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele terá com certeza algo de extraordinário a dizer-lhe, pois “os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante” (Pr 12, 19).

E para completar esta reflexão sobre a Verdade deixo-lhes ainda excertos de comentários do Professor Plinio Corrêa de Oliveira acerca do assunto:

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“Paixão pela verdade”

“O mundo está cheio de filósofos e de escritores, porém só há uma coisa que justifica a existência de uns e outros: a paixão da verdade. Sem esta paixão, livros e filosofias nada mais são do que vaidades, perigosíssimas vaidades que acendem o fogo na Terra e atiçam as labaredas do inferno.

Ela nunca foi muito estimada pelos homens

Quem tem a paixão da verdade está disposto a despojar-se de si mesmo, sem qualquer restrição. Sacrificará as mais sedutoras ideias, os mais engenhosos sistemas, as mais profundas e luminosas elucubrações, as mais caras intuições, as satisfações mais elevadas da inteligência, e por fim as formulações mais cativantes e as imagens mais esteticamente felizes, para austeramente procurar e manifestar a verdade, só a verdade, que é sempre dura para a nossa condição humana, por causa de sua essencial transcendência.

E não é só. A verdade nunca foi muito estimada pelos homens, sendo positivamente desprezada em nossos dias. A verdade é una e imutável, mas os homens amam o espetáculo variegado das aparências que se sucedem; a verdade é eterna, mas os homens seguem as modas; a verdade é séria e os homens são frívolos; a verdade aponta o dever, ao passo que os homens querem os prazeres; enfim, a verdade é rija e os homens não têm fibra.

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Não é apenas uma questão epistemológica ou metafísica

Portanto, quem tem a paixão da verdade se expõe, necessariamente, à antipatia dos homens, mas preferirá a verdade aos bens temporais, à carreira, ao renome e à própria reputação. Será perseguido e acusado por aqueles que prostituem a verdade fazendo dela um simples instrumento da sua enfatuação e cobiça”.

Sim. Assistimos hoje a PROSTITUIÇÃO DA VERDADE!

Mas ainda não é tudo. A paixão da verdade pode levá-lo a silenciar anos a fio, enquanto os outros se alçam perante a opinião e a crítica, pela sua produção de obras literárias e filosóficas. Ele, no entanto, permanecerá calado, até que surja o único motivo que o fará manifestar-se: dar testemunho da verdade.

Diante do que acabo de dizer, você poderá retrucar que eu, em lugar de indicar o caminho da filosofia, indiquei o da santidade. É fato. Apenas quero salientar que, para quem tem a vocação dos estudos filosóficos, a perfeição espiritual se chama paixão da verdade. Para nós, católicos, a verdade não é apenas uma questão epistemológica ou metafísica, é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus que se encarnou para nos salvar. Excerto de CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Conselhos sobre vida intelectual. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2014, n. 18 a 21)

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Concluindo: não precisamos viajar a Roma para nos certificarmos com a “Bocca della Veritá” se somos homens ou mulheres verdadeiros ou se a estamos, de fato professando-a! Não! Seguramente não é ela que vai nos certificar disto. Impossível. Jamais!

Se queremos ter certeza de que estamos com a Verdade, se Ela está em nosso coração, basta que busquemos a Jesus, humilde e sinceramente, por meio de Sua Mãe Santíssima, e lhe peçamos: SAGRADO CORAÇÃO JESUS, MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO, FAZEI MEU CORAÇÃO SEMELHANTE AO VOSSO! Ele responderá, espargindo sobre o nosso coração a Luz da Verdade, que em suma é sua Divina Pessoa! E nesta Luz veremos se o nosso modo de pensar e de agir estão conforme os ditames da Verdade! E ainda ouviremos de sua Boca divina Ele nos dizer com palavras de doçura e Paz:” EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA!”

O TRÍPLICE DESAFIO DA VIDA CONSAGRADA

Os bons exemplos arrastam as pessoas para o caminho de Deus.

Estimados leitores quero compartilhar com vocês um artigo muito importante e que parece escrito para os dias de hoje.

Desejo a todos uma boa leitura!

O  texto foi escrito em 25/ 03 /1996, pelo Santo Papa João Paulo II, que nos deixou saudades eternas.

O TRÍPLICE DESAFIO DA VIDA CONSAGRADA

A vida consagrada, profundamente arreigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito. Através da profissão dos conselhos evangélicos, os traços característicos de Jesus – virgem, pobre e obediente – adquirem uma típica e permanente “visibilidade” no meio do mundo, e o olhar dos fiéis é atraído para aquele mistério do Reino de Deus que já atua na História, mas aguarda a sua plena realização nos Céus. […]

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A missão profética da vida consagrada vê-se provocada por três desafios principais, lançados à própria Igreja: são desafios de sempre, colocados sob formas novas e talvez mais radicais pela sociedade contemporânea, pelo menos nalgumas partes do mundo. Tocam diretamente os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, estimulando a Igreja, e de modo particular as pessoas consagradas, a pôr em evidência e testemunhar o seu significado antropológico profundo. […]

A alegria de praticar a castidade perfeita

A primeira provocação provém de uma cultura hedonista que separa a sexualidade de qualquer norma moral objetiva, reduzindo-a frequentemente ao nível de objeto de diversão e consumo, e favorecendo, com a cumplicidade dos meios de comunicação social, uma espécie de idolatria do instinto. As consequências disto estão à vista de todos: prevaricações de todo o gênero, geradoras de inúmeros sofrimentos psíquicos e morais para os indivíduos e as famílias.

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A resposta da vida consagrada está, antes de mais, na prática alegre da castidade perfeita, como testemunho da força do amor de Deus na fragilidade da condição humana. A pessoa consagrada atesta que aquilo que é visto como impossível pela maioria da gente, torna-se, com a graça do Senhor Jesus, possível e verdadeiramente libertador. […]

É preciso que a vida consagrada apresente ao mundo de hoje exemplos de uma castidade vivida por homens e mulheres que demonstram equilíbrio, domínio de si, espírito de iniciativa, maturidade psicológica e afetiva. Graças a este testemunho, é oferecido ao amor humano um ponto de referência seguro, que a pessoa consagrada encontra na contemplação do amor trinitário, que nos foi revelado em Cristo.

Precisamente porque imersa neste mistério, ela sente-se capaz de um amor radical e universal, que lhe dá a força para o domínio de si e a disciplina necessária para não cair na escravidão dos sentidos e dos instintos.

A castidade consagrada apresenta-se assim como experiência de alegria e de liberdade. Iluminada pela fé no Senhor ressuscitado e pela esperança dos novos céus e da nova terra (cf. Ap 21, 1), ela oferece também preciosos estímulos para a educação da castidade obrigatória nos outros estados de vida.

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Profissão ativa da pobreza evangélica

Outra provocação vem, hoje, de um materialismo ávido de riqueza, sem qualquer atenção pelas exigências e sofrimentos dos mais débeis, nem consideração pelo próprio equilíbrio dos recursos naturais.

A resposta da vida consagrada é dada pela profissão da pobreza evangélica, vivida sob diversas formas e acompanhada muitas vezes por um empenhamento ativo na promoção da solidariedade e da caridade. […] Através destas formas diversas e complementares, a vida consagrada participa da pobreza extrema abraçada pelo Senhor e vive a sua função específica no mistério salvífico da sua Encarnação e da sua Morte redentora.

Entre obediência e liberdade não há contradição

A terceira provocação provém daquelas concepções da liberdade que subtraem esta fundamental prerrogativa humana à sua relação constitutiva com a verdade e com a norma moral. Na realidade, a cultura da liberdade é um valor autêntico, ligado intimamente ao respeito da pessoa humana. Mas quem não vê as consequências monstruosas de injustiça e mesmo de violência, geradas na vida dos indivíduos e dos povos pelo uso deturpado da liberdade?

Uma resposta eficaz a tal situação é a obediência que caracteriza a vida consagrada. Esta apresenta de modo particularmente vivo a obediência de Cristo ao Pai e, partindo exatamente do seu mistério, testemunha que não há contradição entre obediência e liberdade.

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Com efeito, o comportamento do Filho desvenda o mistério da liberdade humana, como um caminho de obediência à vontade do Pai, e o mistério da obediência, como um caminho de progressiva conquista da verdadeira liberdade. É precisamente este mistério que a pessoa consagrada quer exprimir com este voto concreto.

Com ele, deseja dar testemunho da sua consciência de um relacionamento de filiação, em virtude do qual assume a vontade paterna como alimento diário (cf. Jo 4, 34), como sua rocha, alegria, escudo e baluarte (cf. Sl 17, 3). Demonstra assim que cresce na verdade plena de si mesma, quando permanece ligada à fonte da sua existência, e deste modo oferece uma mensagem repleta de consolação: “Gozam de grande paz os que amam a vossa Lei, para eles não existe perturbação” (Sl 118, 165).

A obediência vivificada pela caridade unifica

Este testemunho das pessoas consagradas assume, na vida religiosa, um significado particular também por causa da dimensão comunitária que a caracteriza. A vida fraterna é o lugar privilegiado para discernir e acolher a vontade de Deus e caminhar juntos em união de mente e coração.

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A obediência, vivificada pela caridade, unifica os membros de um instituto no mesmo testemunho e na mesma missão, embora na diversidade dos dons e no respeito da individualidade própria de cada um. Na fraternidade animada pelo Espírito Santo, cada qual estabelece com o outro um diálogo precioso para descobrir a vontade do Pai, e todos reconhecem em quem preside a expressão da paternidade divina e o exercício da autoridade recebida de Deus ao serviço do discernimento e da comunhão.

De modo particular, a vida de comunidade é o sinal, para a Igreja e para a sociedade, daquele laço que provém de um chamamento igual e da vontade comum de Lhe obedecer, para além de qualquer diversidade de raça e de origem, de língua e de cultura. Contra o espírito de discórdia e de divisão, a autoridade e a obediência resplandecem como um sinal daquela única paternidade que vem de Deus, da fraternidade nascida do Espírito, da liberdade interior de quem se fia de Deus, não obstante os limites humanos daqueles que O representam.

Através desta obediência, por alguns assumida como regra de vida, é experimentada e anunciada, em benefício de todos, a bem-aventurança prometida por Jesus a quantos “escutam a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28). Além disso, quem obedece tem a garantia de estar verdadeiramente em missão no seguimento do Senhor, e não ao sabor dos desejos pessoais ou das próprias aspirações. E, assim, é possível considerar-se guiado pelo Espírito do Senhor e sustentado, mesmo no meio de grandes dificuldades, pela sua mão segura. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2018, n. 199, p. 6-7)

São João Paulo II. Excertos da Exortação apostólica Vita consecrata, 25/3/1996

 

 

Bakhita: a Afortunada!

 Faz alguns dias, estava numa Capela esperando a hora da Missa, rezando muito interiormente a Jesus Sacramentado, pedindo-lhe ajuda  para as minhas necessidades, preocupações e tribulações. Ao meu lado,  meu esposo também se encontrava em oração contrita, quando de repente, posei a vista num belo quadro, fixado numa parede da sala contígua à Capela, retratando o rosto de uma mulher negra, bela, de feições delicadas e agradáveis,  e com um olhar de candura como se falasse com você e dissesse:

– “Estou a te olhar,  tudo vai dar certo!”

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Já ouvira falar desta filha dileta de Deus, mas nunca havia me detido para fitá-la nos olhos da forma que o fiz, naquele momento,  e fui por ela também fitada,  já quase na hora da Missa começar.

Dizem os mestres de vida espiritual,  entendidos em tais assuntos , que as coisas não acontecem por acaso, mas  sim por uma ação do nosso anjo da guarda ou por alguma moção divina interior que nos sinaliza para algo  ou para alguém que não conhecíamos ou que estava despercebido, a fim de nos dizer alguma coisa especial ou nos fazer compreender o porquê de uma provação ou até mesmo para compreender um mistério de ordem espiritual. Com efeito,  senti algo muito sublime naquele olhar doce e terno , olhos cor  de amêndoa,  encastoados em um semblante atraente e apaziguador!

Quantas vezes nós, quando estamos passando por grandes apreensões ou provações, não ficamos como que desesperados? Tomemos como exemplo nosso Brasil às vésperas de  escolher o seu novo Presidente e outros governantes. Sem dúvida  é um momento marcante e decisivo,  pois se escolhermos um más escolhas. , o nosso País continuará atolado em seus  problemas. Rezemos, pois,  para que elejamos pessoas boas para o nosso povo, e que verdadeiramente coloquem no centro Nosso Senhor Jesus Cristo, e respeitem os seus mandamentos,  porque tudo de bom provém d’Ele.  Portanto, olhos postos  no Cristo Redentor e em nossa Padroeira Nossa Senhora Aparecida, a fim de que façamos boas escolhas!

Prosseguindo nosso relato: como dizia no início,  foi de  um modo suave, à semelhança de uma brisa,  que deparei-me  com a nossa Bakhita, que me convidou a conhecer a sua heroica e vitoriosa vida, marcada com indizíveis sofrimentos que  ultrapassaram o limite da dor, conforme está contado no  pequeno mas bem escrito livro- ” Bakhita Uma Canto de Liberdade”, da Madre Maria Luiza Dagnino, Irmã Canossiana que, por sua vez,  se baseou no texto existente no Arquivo Canossiano de Roma, escrito pela própria Bakhita, e em alguns artigos de boa cepa. Então percebi que nossos problemas são tão pequeninos diante  de verdadeiros dramas vividos por outros irmãos, que mourejam neste vale lágrimas, como foi o caso dessa verdadeira heroina, no sentido mais autêntico desta palavra!

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Essa história fascinante de vida, na qual, a cada momento, nós nos  deparamos com tantos e lancinantes sofrimentos suportados com tanta fortaleza, dignidade e grandeza de alma, por uma pessoa só, desde sua mais tenra idade , faz-nos transcender para realidades e mistérios tão altos, sem os quais, não encontraríamos explicação e o porquê de tantas coisas.

Mas o drama vivenciado por Bakhita tem um desfecho glorioso por ela alcançado já aqui na Terra, mas sobretudo na Glória Celeste onde ela agora se encontra, intercedendo por todos os que lhe recorrem em suas necessidade, dores e tribulações.

Convido você,  caro(a) leitor(a),  para me acompanhar  e retroceder no tempo,  lá pelo ano de 1869, quando ela veio ao mundo.     A própria Bakhita narra  a sua vida, tudo que passou e sofreu, até encontrar a liberdade e a felicidade. Tentarei aqui resumi e pincelar uma  parte da  sua vida, com base no Livro acima mencionado,  desejando que assim o fazendo possa ajudá-los  a aceitarem com resignação e paciência seus sofrimentos, como oportunidades para nos purificarmos e  crescermos no amor de Deus e no de nossos irmãos.

 A história começa no centro da África.

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Com efeito, Bahkhita nasce numa aldeia de Darfur, chamada Olgossa, perto do Monte Agilerei, Sudão Ocidental, País da África,  em 1869. É uma bela família a de Bakhita. Três rapazes e três meninas, duas das quais são gêmeas. Família unida por amor e espontânea solidariedade. Eles pertenciam à tribo Dagiú, da qual revelam as boas qualidades tradicionais de pessoas pacíficas e trabalhadoras.

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Nesta família abastada – com efeito possui vastas plantações e inúmeras cabeças de gado – nasce a nossa Bakhita pelo ano de 1869.

Os seus primeiros anos de vida foram muito felizes!

Um certo dia porém, com cinco anos, brincava com seus irmãos e familiares, pelos arredores da casa, quando ouviu-se um grito de terror e as crianças a correrem, gritando: – “Os negreiros! Os negreiros”! Cada uma querendo se esconder daqueles homens ferozes  e violentos, que  rápidos como raios,  acabam caindo sobre ela, amarram-lhe os pulsos atrás das costas e a levam embora juntamente com outras jovens mulheres  e homens surpreendidos nas casas e nos campos vizinhos.

Estimados irmãos e irmãs, por toda sua vida Bakhita repetirá:

-“Quanto mamãe chorou, e quanto nós também  choramos!” Em poucos instantes, seus laços familiares, seus irmãos, pai e mãe, restam só no coração de Bakhita.

Esta criança no período de 1876 a 1882 foi raptada três vezes, passando pelas mãos de três patrões. O segundo homem que a rapta diz: Que nome daremos a esta graciosa menina? Diz um deles: Bakhita é um nome bonito e lhe trará fortuna enquanto ela e uma outra criança choravam desesperadas, orando, implorando piedade. Ao amanhecer os dois homens com Bakhita como escrava, chegam à aldeia e a jogam numa alcova cheia de arreios e coisas quebradas. E ela dizia:

 -“Quanto eu tenha sofrido naquela espelunca, não é possível dizer com palavras. Lembro ainda daquelas horas angustiantes quando, cansada de tanto chorar, caía sem forças ao chão num leve torpor, enquanto a minha fantasia transportava-me para longe, longe, entre os meus entes queridos.

Via os meus pais, meus irmãos, minhas irmãs e eu abraçava a todos com tanta ternura, contando-lhes como me haviam raptado e quanto eu tinha sofrido.

Outras vezes, parecia-me brincar com minhas amigas nos vastos campos e sentia-me feliz. Mas, ai de mim, voltando à crua realidade daquela horrível solidão, invadia-me uma sensação de desalento que parecia despedaçar-me o coração”

Depois de um mês sofrendo jogada em um lugar escuro, sem ar e luz, é vendida novamente a um escravocrata, que se une a uma caravana que passava; os escravos eram amarrados de dois em dois ou em três em três, com correntes e argolas de ferro, que provocavam feridas sangrentas ao redor de todo o pescoço. O medo daqueles escravos era grande e o sofrimento ainda maior. Depois de oito dias viajando chegam a um lugar onde se praticava barbaridades com os escravos. Aqueles que suportavam não morriam eram vendidos pelo dobro do preço. Passa um mercador de escravos e ela é vendida novamente com a amiga, o qual as coloca em uma cabana pequena e estreita e acorrentado-as. Em desespero, planejam a fuga, lembrando da família.

Um dia o patrão as manda debulhar os milhos e tira a correntes das duas. Quando acabam de debulhar elas fogem em desespero pela floresta enfrentando uma  animais perigosos e quase foram devoradas por um leão. Bakhita subiu em uma árvore e escapou com a outra amiga escrava. Conseguiram escapar da morte e prosseguiram viagem mas foram  pegas naquele percurso escuro e  perigoso   por um homem que surgiu nas matas repentinamente e agarrou-as com toda violência e as fez  escravas dele, jogando-as atrás de uma casa velha, que cheirava mal,   com os pés amarrados. Ele dizia para elas que as levariam para sua casa para ver seus pais. Inocentemente as pobres crianças acreditaram.  Ficaram dias nesse local quando de repente, passa um comerciante e esse homem que havia pego Bakhita na mata as vende e, o seu novo dono, as leva para longe onde se juntam a uma caravana, que se dirigia para um Centro de Recolhimento de  mistura de escravos: El Obeid.

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El Obeid

Esse novo patrão oferece um espetáculo onde expõe os escravos à venda e começa a perguntar quem dá mais? Quem dá mais?  E quem dava mais levava o mais forte e até o mais bonito. Só que chegou a vez da pequena Bakhita! Chega um Senhor distinto e as compra e segue com as duas em viagem para longe.

Bakhita chega a uma mansão onde encontra duas criancinhas que dizem a ela: bonita, muito bonita. As duas são bonitas!  E assim fica a serviço dessa casa. Boa parte do dia de Bakhita era ficar de cócoras junto do sofá abanando com um grande leque o rosto das duas patroazinhas que gostavam de Bakhita e a mesma correspondia procurando fazer tudo certo e com muito zelo.

Um dia Bakhita recebe uma ordem do filho do patrão: Traga-me aquele vaso que está no saguão? Muito pesado, ela não suporta e cai de suas mãos. Desesperada de pavor e medo suplica perdão. Mas recebe um castigo de diversas chicotadas e ainda um pontapé que a deixa desfalecida.

Imaginem, estimados irmãos, que ela poderia ficar inutilizada, mas não, ela sobrevive mais uma vez,  e  é vendida novamente.

A esposa de seu novo “senhor” era perversa e má e tudo era controlado por ela principalmente os escravos conforme ela narra:

  “Entre vesti-las, perfumá-las e abaná-las não havia descanso. E ai de nós se, por engano ou por causa do sono, tocássemos um só fio de cabelos das senhoras. As chicotadas caíam sobre nós sem piedade. E assim, durante três anos que estive ao serviço delas, não me lembro de haver passado um dia sem feridas”

Não pensem, caros leitores, que o seu sofrimento se restringiu a tais  maus tratos.

Com efeito,  um dos piores momentos de Bakhita foi o que ela mesma narra e que superou todos os limites de perversidades,  como se verá abaixo.

Vejam só! Nessa última família, o patrão tatuava!!! seus escravos para mostrar a propriedade dos mesmos e um dia chegou a vez de Bakhita.

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“Chegou a minha vez, não tinha forças nem para me mexer, mas, o olhar do patrão me fez deitar por terra imediatamente. Se fazia o desenho convencional no corpo do escravo para marcar os lugares que iria ser tatuado e era com farinha branca. Pegaram a navalha e fizeram seis talhos no meu peito, sessenta no ventre, e quarenta e oito no braço direito, Oh! É impossível descrever como eu me sentia principalmente quando espalhou o sal nas feridas para tornar mais evidente o bárbaro desenho. Sofrimento atroz! Semidesmaiada pela dor e perda de sangue fui levada para a minha enxerga. Nas intermináveis noites, ardendo de febre e de sede, esperava em vão o alívio de um remédio ou de uma palavra de conforto”

Bakhita e a companheira, um dia presenciam uma discussão do general com a esposa, e esta venceu na discussão, e então o general descarrega sua raiva nas testemunhas inocentes ordenando os soldados flagelarem as meninas.

 Imagino o que o caro leitor deve pensar:  dessa vez a criança morreu. Não. I nexplicavelmente ela sobreviveu mais uma vez, como narra a própria Bakhita:

“A vara golpeando várias vezes a coxa, arrancou-me pele e carne e ainda me cavou uma ferida grande que nunca cicatrizou”. E conclui: “Quantas de minhas companheiras morreram depois de terem sido barbaramente chicoteadas. Eu não morri por um milagre de Deus que me destinaria a COISAS MELHORES .”

Entenderam, agora? Ela só não morreu em razão de uma milagrosa assistência sobrenatural de Deus, que lhe reservava um prêmio maravilhoso!

No entanto, ela foi vendida novamente depois dessa macabra residência a um general da Armada Turca.

Nesse espaço de tempo houve um personagem chamado Mohammed Ahmed que, proclamando-se “Madhi”, isto é, “enviado de Deus”, deixa sua ermida em 1881 e se lança à conquista do Sudão e do mundo inteiro, animado pelo ideal islâmico.

Várias missões católicas, fundadas pelo Padre Combori  encontravam-se na trajetória de sua desastrosa invasão: tudo é saqueado e destruído. Já existem projetos para tomar a capital de Codofan, El Obeid.

Essas invasões islâmicas se espalharam por todos os cantos. O General que havia comprado Bakhita resolve partir imediatamente para o seu país. Vende a maior parte de seus escravos, ficando com apenas 10, entre os quais Bakhita que o acompanhará até a Turquia.

Em Cartum, também é posta a venda. Estando em seus aposentos,  recebe ordem de deixar o hotel e seguir um senhor que nunca tinha visto, que a levará para o próximo dono. E quem é esse homem?  Um Diplomata: Calisto Lagnani, Vice- Consul da Itália em Cartum.

Bakhita observa a mulher que veio buscá-la. Uma faixa branca pregueada, prende-lhe os cabelos negros, seu vestido era branco e com palavras gentis convida Bakhita a acompanhá-la. E no caminho a mulher fala com muita doçura, como se fosse uma amiga.

Ao chegarem diante de um Edifício, havia uma bandeira branca, vermelha e verde, a mulher diz: “ESTE É O EDIFÍCIO DO CONSUL ITALIANO, ELE TE COMPROU PARA TE DAR A LIBERDADE”.

 

Bakhita compreendeu apenas uma coisa: “Desta vez serei verdadeiramente Bakhita, isto é, afortunada”

A doméstica a encaminha  a um ambiente onde  pode se lavar e a ajuda a vestir a roupa reservada para ela.

Foi o primeiro vestido após anos de escravidão, narrado pela própria Bakhita. E assim foi apresentada ao Cônsul. E com muito medo  foi ao encontro do Cônsul e ele disse:

“Não tenhas medo… aqui estarás bem e todos gostarão de ti. Ajudarás a camareira nos pequenos serviços domésticos. Ninguém te maltratará. Agora podes ir e fica tranquila e alegre”

Foi a última vez na sua vida que a nossa querida sudanesa Bakhita, tão sofrida era vendida. Passaram-se dois anos de tranquilidade e paz para Bakhita mas esta foi interrompida, pois os “Madhi” e seus revolucionários têm em mira Cartum, onde Bakhita está. O Consul imediatamente deve partir para Itália. Será que ele levaria Bakhita com ele? Ela comenta:

“Não sei porquê, mas quando ouvi nomear a Itália, da qual ignorava a beleza e os encantos, nasceu-me no coração um ardentíssimo desejo de seguir o patrão. Ele me queria bem, por isso ousei pedir-lhe para me levar consigo à Itália. O Cônsul fez algumas objeções, mas eu insisti tanto   que ele resolveu me contentar”.

Correm para partir, pois um bando de militantes mahidistas estão às portas de Cartum. Vai na viagem Bakhita, o Cônsul, um comerciante de Veneza, e um africano.

A partida é feita depois do Natal de 1884, chegando a Suakin, através do mar Vermelho, no final de janeiro de 1885. Durante o mês, enquanto esperavam o navio que devia levá-los à Itália, o Cônsul e o amigo ficam sabendo que um bando de revolucionários (Madhisti) assediaram Cartum, devastaram e saquearam todas as propriedades e tomaram todos os escravos.

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Bakhista pensa: “Se eu tivesse ficado lá também teria sido levada. E o que teria sido de mim”

Em 1885, o Cônsul embarca para Suakin rumo à Itália. Bakhita fica deslumbrada com a viagem e se pergunta:

-“Quem será o patrão destas coisas

maravilhosas?”  Radiante com o pôr do sol, com a imensidão do mar!

Prestem atenção para um detalhe: Bakhita ainda não era católica, mas tinha uma alma reta e profundamente admirativa, pois Deus, em que pese todos os seus sofrimentos , protegia e cuidava desta preciosíssima pérola negra, como que a a menina dos seus olhos, para erigi-la como uma mártir, o que certamente atrairia para ela e seu povo, graças e favores de escol, preparando-a, ademais para uma altíssima vocação.

Se assim não fosse não se explicaria a  sua capacidade de sofrer, sua resignação e paciência, jamais se queixando ou desejando o mal para seus algozes.

 Mas retomando a nossa história, assim transcorre a viagem e chegam em Gênova, desembarque definitivo.

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Outras surpresas ocorrem na sua vida. Ela por ser uma negra bonita, traços delicados, olhos cor de amêndoas, chamou a atenção de D.Maria Turina Michieli, que veio ao porto esperar o marido. E queria Bakhita para ela e chegou a ficar severamente zangada com o marido. Sr. Legnani ,então,  resolve ceder Bakhita para esse casal como presente, recém-casados e amigos dele.  Vai Bakhita para Mirano. Logo nasce Alice primeira filhinha do casal e Bakhita fica tomando conta da pequenina Mimina. Bakhita se veste à moda europeia ajudada por dona Maria.

Bakhita preenche sua vida tomando conta de Mimina e com os afazeres domésticos. Mas nos momentos a sós lembra dos seus familiares e pede a Deus por eles. Mas, o pai da pequena precisa viajar para Suakin onde havia comprado um hotel e sua  esposa precisará ir também. Resolvem deixar Bakhita em Veneza no Instituto dos Catecúmenos, dirigidos pelas irmãs Canossianas.

O senhor Michieli oferta a Bakhita um crucifixo de prata e ela narra> “ Ao dar-me  o crucifixo, ele o beijou com devoção. Depois explicou-me que Jesus Cristo, Filho de Deus, morreu por nós. Impelida por uma força misteriosa, eu o olhava, como que às escondidas, e sentia dentro de mim algo que não sabia explicar.”

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Mais tarde ela diz:

“Se durante a minha escravidão eu tivesse conhecido a Jesus, eu teria sofrido muito menos”.

Dentro deste Convento, Bakhita tem o desejo de se tornar Cristã e ela diz: “Quando, a Irmã ficou sabendo do meu desejo e que vim (ao Instituto) com essa intenção, exultou de alegria”.

E observem que considerações belíssimas de nossa Bakhita:

“E vim a conhecer Aquele Deus que desde criança eu sentia no coração, sem saber quem era Ele. Recordo que vendo o sol, a lua e as estrelas, as belezas da natureza, dizia comigo mesma: “Quem será o Patrão destas coisas lindas? E sentia uma grande vontade de vê-lo, de conhecê!-lo, de prestar-lhe homenagem”!

Que alma grandiosa, inocente e apetente pelas coisas sobrenaturais! E isto é a prova de  que Deus a todos concede graças de conhecê-lO  para praticar as virtudes e ao menos a lei natural, como uma preparação para a plenitude da vida da graça!

Nesse período, a sua patroa resolve regressar à Itália e exige  que Bakhita volte com ela. E fica três dias travando essa luta árdua.O Patriarca de Veneza, Cardeal Domenico Agostini sabe da situação de Bakhita e resolve fazer uma reunião no Instituto dos Catécumenos. Primeiramente , fala o Patriarca e em seguida D. Maria muito nervosa expõe seus direitos. O Procurador do Rei então diz:

“Na Itália não há comércio de escravos. A partir do momento que um escravo coloca o pé em solo italiano, ele se torna livre. Portanto eu declaro, oficialmente, que JOSEFINA BAKHITA É LIVRE.

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 Diz Bakhita:

 “Eu amo a senhora Michieli e sinto imensamente ter que abandonar Mimina. Mas, eu não posso deixa este lugar, porque não quero perder a Deus”

Era o dia 29 de novembro de1889 e Bakhita faz a escolha de sua vida: DEIXA TUDO, PELO TUDO.

No mesmo dia 9 de janeiro de 1890, foi batizada , crismada e recebeu a Sagrada Eucaristia! E ela conta emoção que tomou conta de sua alma!

Toda nata da nobreza de Veneza queria ser madrinha da jovem africana.O ex-patrão oferece-lhe tudo que tinha para ela voltar, ela seria sua filha e herdaria tudo dele também como filha. Dizia: serei seu pai. Mas Bakhita escolheu o outro caminho que é reservado para os grandes santos.

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Com a passar dos dias  e dos  meses todos a conheceriam pela bondade e delicadeza de sua alma.

 Recebe o hábito da Filha da Caridade no Instituto Canossiano e a sua própria Superiora o entrega e ela faz os votos solenes na mesma casa onde a Fundadora, Santa Madalena de Canossa iniciou a sua obra, viveu e morreu.

Em 1902, é transferida de Veneza para Schio.

Na casa de Schio ela faz variados serviços. Todos querem ficar ao seu lado. A chamam de Irmã Morena e pedem para ela contar histórias, pois era das coisas que fazia muito bem.

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Schio

Como se vê o Manuscrito redigido por ela em 1910 em Schio apresenta textos descritivos de um realismo insuperável. Oficialmente ela será sempre a “Protetora de Schio”

Depois de longos anos ajudando, sendo amada por todos, como costuma acontecer com os santos, queriam pegá-la, de todas as formas, para abraçá-la, tocá-la,  mas, um dia Bakhita adoece com pneumonia. E começa a ter delírios, pesadelos como se tivesse amarradas as correntes quando era escrava, mas isso devido a sua debilitação. Sempre tranquila e confiante em Jesus sacramentado, perguntavam a ela: como vai Irmã?

-“Vou indo devagarinho, devagarinho, rumo à eternidade… Vou com duas malas: uma contém os meus pecados, e a outra, bem mais pesada, os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do tribunal de Deus, cobrirei a minha mala feia com os méritos de Jesus e de Nossa Senhora, e direi ao Pai eterno: Julgai agora o que vedes.”.

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Casa Madalena de Canossa

No dia 8 de fevereiro de 1947, às 15:30, recebe os sacramentos dos Enfermos e morre às 21:10 horas.

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As suas últimas palavras: “COMO ESTOU CONTENTE! NOSSA SENHORA, NOSSA SENHORA.

E Nosso Bom Jesus premia a sua casta esposa fazendo que seu corpo permaneça incorrupto , até os dias atuais!

No dia 17 de maio de 1992 é declarada Beata e em 01 de outubro de 2000 é CANONIZADA PELO PAPA JOÃO PAULO II.

Santa Bakhita, rogai por nós!

Referência Bibliográfica:

Bakhita Um Canto de Liberdade,  Madre Maria Luiza Dagnini, FdCC

Impresso: Coop. Novastampa di Verona srl, Verona – Itália, setembro 2000

Artigo da Revista Arautos do Evangelho

 

 

 

 

 

 

A MELHOR NOITE DE MINHA VIDA

E assim caríssimos irmãos, vamos seguindo a nossa estrada buscando aumentar sempre a fé mais do que nunca, pois precisamos dela para vivermos, porque hoje como diz um grande escritor  Francisco Faus, em seu livro “ A força do Exemplo”:

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– “ o escuro é mais  escuro do que nunca. A virulência das ideias, valores, critérios de vida e condutas não-cristãs  e até mesmo anticristãs é, atualmente, mais poderosa e envolvente do que jamais o foi ao longo de dois mil anos de Cristianismo”.

E o mesmo autor  continua dizendo:

“ Creio que, nos nossos dias, é  mais válida do que nunca a imagem simbólica de Santa Catarina de Sena, a donzela frágil e forte, toda chama de amor e coragem, que iluminou a Igreja no século XIV. No seu célebre livro O DIÁLOGO, compara o mundo:

 “ dos mundanos dos que vivem afastados de Cristo, ( o” mundo” que hoje encontramos, em todos os cantos), a um rio poluído, mas que atrai fortemente. Os que estão mergulhados nele chamam – vociferando, esbaldando-se e cantando – os outros; e estes acabam por atirar-se às águas, como que atraídos por um ímã maligno,  e   se deixam arrastar pela correnteza, crendo que aí acharão a alegria de viver. Todos acabam afogados na imundície, perdidos para sempre’.

E como exemplo, em nossos dias podemos citar o poder devastador das drogas e das bebidas alcoólicas atingindo adultos, adolescentes, e até crianças de um modo geral, de ambos os sexos,  muitos dos quais perdem sua vida na mais  tenra idade.

E isto é apenas um aspecto da questão.

Mas, continuemos com o autor que observa:

“ só uma  ponte permite atravessar o rio e salvar-se: Cristo, o “pontífice”, o fazedor da única ponte que leva da terra para o céu: – EU SOU O CAMINHO,  A VERDADE E A          VIDA (Jo 14,6)

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Vemos assim, meus caríssimos irmãos, como precisamos dessa Luz de  Cristo, para iluminar a nossa estrada e  dar rumo à nossa vida ,  sobretudo ajudando na formação de nossas crianças e adolescentes! Por isso vamos dar continuidade às nossas historinhas,  para esse público mais jovem, mas que também servem para homens e mulheres de boa fé e assim atrairmos para todos nós, lufadas de ar puro, de inocência, de amor a Deus, a Nossa senhora, aos nossos santos, e  às realidades espirituais.

 Já outros contos   nos conduzirão para  um mundo maravilhoso e arquetípico, no qual têm lugar fadas, bosques encantados e palácios paradisíacos.

E assim teremos alguns momentos de uma leitura infantil, que você poderá se deliciá-la e contá-la aos seus filhos pequenos, na hora de dormir, estimulando as asas de sua imaginação  para o alto, onde certamente encontrarão a Deus, pois Ele ama a inocência, a pureza, a castidade, a honestidade.

“A MELHOR  NOITE DE MINHA VIDA”

Dantes se dizia: “ Era uma vez…”

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Aldeia situada em Covas do Rio, em São Pedro do Sul – Portugal

“  uma aldeia tão pequenina que parecia perdida no meio dos Alpes. Isolada entre altas montanhas, longe da agitação das vilas e cidades, a tranquilidade reinava nos pitorescos chalezinhos que a compunham. Seus habitantes eram, ademais, profundamente religiosos, e graças à força de sua fé passavam por dificuldades, cansaços e labores árduos da vida diária com os olhos postos em Deus, sem jamais perder a calma.

O senhor Carlos, honesto lenhador, ali morava com a esposa, dona Isabel, e os cinco filhos: Maria Luísa, Henrique, Joana, Bernardo e Clara. Todos os dias saia para o trabalho ao raiar da aurora, regressando ao pôr do sol.

Certa manhã, como estava um pouco atrasado com seus afazeres e precisava levar a comida ao marido, dona Isabel chamou a filha mais velha e disse:

– Maria Luísa, hoje preciso que tu leves o almoço a teu pai, Queres?

– Sim senhora. Vejo-a muito ocupada com as tarefas da casa e eu já terminei os deveres da escola.

– Ele está trabalhando no Vale dos Patos, junto ao Grande Bosque, cuidado, presta atenção para não te perderes. Quando chegares ao Outeiro dos Cedros, chama-o e ele virá.

Maria Luísa, contente por auxiliar a mãe, pôs seu pequeno avental azul, o chapeuzinho e saiu a toda pressa. Vendo-a correr, dona Isabel não pôde conter um suspiro: a pequena contava tão somente dez anos e era a primeira vez que saía desacompanhada.

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Na medida do possível, a menina andava a passos largos, pois queria entregar o almoço ainda quente. Percorrendo encruzilhadas e montes, ela chegou ao Outeiro dos Cedros, ofegante e cansada.

– Papai, chamou e nada…

– Senhor Carlos?!…

O vento e o chilrear dos pássaros  foram a sua resposta.

– Devo estar ainda longe – disse de si para consigo.

Caminhou adiante, mais e mais. Entretanto, forçosamente parou: à sua frente erguia-se majestoso e temível o Grande Bosque, indicando-lhe o fim do trajeto.

“ Talvez papai tenha preferido almoçar à sombra”, pensou ela, entrando  entre as  árvores. Com todas as forças de seus pequenos pulmões, elevando as mãozinhas à boca, gritou de novo. E outra vez  ficou sem resposta. Começando a sentir-se aflita, rezou em voz alta:

– Ó Santíssima Virgem, eu vos prometo um Rosário inteiro se encontrar meu papai.

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E seguia avançando. Todavia, o tempo se passara com uma rapidez espantosa e Maria, em sua preocupação, nem percebia que grossas nuvens cobriam o céu, prenunciando uma tempestade.

Mais uma hora de caminho, a chuva se foi e, sempre adentrando no emaranhado bosque, a menina sentiu-se esgotada, sentando-se sob uma árvore.  O sol já se punha e Maria Luísa estava sozinha… Que animais ferozes fariam companhia à pequena, nesta noite que teria que passar no Grande Bosque?…

Enquanto isso, o senhor Carlos chegava em casa bem tranquilo, Dona Isabel o recebeu contente.

– Ah,, que bom que chegaste! E Maria Luísa?

– Olha não vi.

– Tu não viste? Ela foi levar-te o almoço há muito tempo.

– Olha não vi nem almoço nem Maria Luísa. Aliás, estou com muita fome!

O rosto da mãe se contraiu de susto e seu coração apertou, juntamente com o do pai. Senhor Carlos saiu de imediato, à procura  da menina, esquecendo-se da sua fome, e dona Isabel aflita, rezava a Nossa Senhora.

-Minha mãe, vós que também passastes pela angústia de perder vosso Filho no Templo, ajudai-nos! Se encontrarmos Maria Luísa, amanhã encomendaremos uma missa em vossa honra…

As horas pareciam eternas… Soavam as badaladas da meia noite no relógio da torre da matriz quando o pai regressou, abatido e só! Buscara com cuidado em toda a redondeza do Outeiro, mas em vão:  de Maria Luísa não encontrara vestígio!

No dia seguinte, antes do amanhecer, dona Isabel e seus filhos foram à Igreja rezar pela filha, pois uma noite naquele bosque cheio de ursos e lobos fazia temer seriamente por ela… Os vizinhos, penalizados, uniram-se às orações da família, enquanto o pai partia a toda pressa, mais uma vez para o Outeiro dos Cedros.

 Lá chegando, o senhor Carlos pôde escutar uma vozinha doce que cantava…Vinha do meio das árvores do Grande Bosque, Seguindo-a, ele se deparou com um conhecido aventalzinho azul e um rosto radiante que, escutando o ruído, corria em sua direção com os bracinhos estendidos.

– Maria Luísa! – exclamou o lenhador aflito, abraçando a filha.

– Papai!

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-Passastes esta noite no bosque? O que aconteceu? Não tivestes medo por estar só?

– Ah, não a passei sozinha. No começo sim, tive muito medo. Vi-me envolta nas trevas e perdida, Mas peguei meu terço e comecei a rezar, em pouco tempo tudo ao meu redor se tornou claro e uma Senhora reluzente veio me fazer companhia.

– Falaste  com ela?

– Sim, e contou-me muitas coisas. Disse-me ser Maria Santíssima, e ama muito quem n’Ela confia, pois a todos quer salvar e conduzir ao bom caminho e nunca deixar de ouvir as orações pedindo a sua intercessão, contudo desagrada-Se sobremaneira quando ofendem a seu Filho, Jesus. Como a noite estava avançada, embora quisesse conversar, me mandou dormir um pouco, deitei-me em seu colo e Nossa Senhora me cobriu com seu lindo e perfumado manto.

_ E quando acordastes,  ainda estavas em seus braços?

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_ – Claro! E Ela me olhava sorrindo.  Disse ter que ir, mas que eu fosse sempre boa e piedosa, e nunca me esquecesse deste momento. Papai, esta foi a melhor noite da minha vida!

Maria Luisa e seu pai voltaram, então para casa, onde a família os recebeu com enorme alegria. A pequena cresceu, porém nunca se esqueceu do olhar sorridente da Santíssima Virgem. De fato, aquela tinha sido a melhor noite de sua vida!

 É uma historinha estimados irmãos e irmãs,  um singelo  conto,  fruto de um sadio e bem ordenado  imaginário popular, repleto de  histórias inocentes, piedosas, nas quais Jesus e Nossa Senhora  sempre estão presentes, tão em falta nos dias atuais.  Elas nos    mostram como é bela,  doce e encantadora a inocência  de uma criança bem formada e instruída na Fé e na Confiança em Deus .

 Concluindo, desejo que Jesus  seja sempre a Luz da nossa vida, e  que esta Luz penetre no mais profundo do nosso coração, sobretudo no de   todos os pais e mães , para que reflitam sobre a importância de preservar a inocência de seus filhos. Assim o fazendo, estarão  formando o seu caráter para que um dia sejam homens e mulheres honrados e preparados para enfrentar as dificuldades e desafios da  vida,  contribuindo ademais para edificação de uma sociedade justa e pautada  no amor e no santo temor a Deus,  ou seja,  o Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo!Resultado de imagem para cristo rei

 

Bibliografia:

  • A Força do Exemplo de Francisco Faus
  • Religiosa Maria Beatriz Ribeiro Matos (A melhor noite da minha vida!) Revista Arautos do Evangelho número 149.

Deixem-me nascer!

Diante de um assunto atual, tão delicado e polêmico que é o aborto, senti-me no dever de escrever para os caríssimos leitores deste singelo blog, minha modesta opinião, pautada em ensinamentos e constatações de pesquisadores, cientistas e doutores, especializados no assunto, assim como nas lições da Bíblia, dos Papas, de Padres da Igreja e de santos.

Desejo-lhes uma leitura reflexiva para que, com a ajuda de Deus, analisem os mais variados argumentos aqui discorridos, em prol da vida, sob os prismas, científico, social, moral e religioso, a fim de que se evidenciem a grandeza, beleza e dignidade da VIDA HUMANA, dom inestimável de Deus e, por outro lado, a verdade sobre o aborto e o que está por trás das campanhas massivas e sibilinas dos que a promovem e ainda das danosas consequências que advêmá da sua legalização ou descriminalização.

A ONDA ABORTISTA

A impressão que temos é de que há uma investida (ou onda) provocada por organizações e grandes empresas estrangeiras a favor da legalização do aborto, com a ajuda de alguns setores da imprensa, atingindo os mais diversos países, que até bem pouco tempo atrás eram majoritariamente contra essa prática impiedosa e que surpreendentemente aprovaram leis abortistas, valendo-se de expedientes estratégicos distintos, ou seja: em agosto de 2017, no Chile, através da aprovação pelo Congresso do Projeto Abortista, nos casos de risco de vida da mulher, inviabilidade fetal e estupro; na Irlanda, em maio de 2018, por meio do referendo popular; na Argentina, por intermédio de aprovação pela Câmara de Deputados, por apenas 4 votos de diferença, mas que, graças a Deus, foi rejeitada pelo Senado, pelo que o aborto continua sendo crime no valoroso País vizinho! E segundo as notícias, a questão só poderá ser agitada outra vez (esperamos que não) após o transcurso de 1 ano.

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Feto com 6 meses

E ao que parece, esta onda agora pretende atingir o nosso Brasil, Terra de Santa Cruz, não obstante a nossa população seja majoritariamente contra o aborto, segundo pesquisa de novembro de 2017 do Ibope, valendo ressaltar que a rejeição entre os jovens é mais elevada do que a média, o que é motivo de alegria e de esperança!

Com efeito, estes agentes propugnadores de tão grande mal, sabedores de que em nossa Pátria não conseguiriam êxito através de processo legislativo, e até mesmo por meio de consulta popular, utilizaram-se de medida jurídica denominada ADPF – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, perante o STF que sediou neste mês de agosto uma inusitada audiência pública para instruir o malsinado Processo que propõe a descriminalização do aborto, que tem como relatora a Ministra Rosa Weber.

Como se vê em nosso País, o expediente encontrado pelos abortistas foi a propositura da referida ação perante o Supremo Tribunal Federal, na expectativa de uma decisão em prol da descriminalização do aborto, que tenha força de lei, e propicie, na prática, a abertura de todas portas para a interrupção voluntária e provocada da gravidez, ou seja, para o aborto, palavra que nem gosto de pronunciar, que não é outra coisa senão a decretação da morte do indefeso nascituro, com todas as sequelas irrecuperáveis para a própria mulher que tem a infelicidade de tirar a vida do fruto das suas entranhas.

Não vou me deter aqui nos aspectos jurídicos da medida, os quais foram objeto de análise, por juristas sérios, e também de políticos, bem como representantes da CNBB, demonstrando a sua total imp1ropriedade e despropósito, o que poderá acarretar a sua inadmissibilidade pela própria Ministra Relatora ou pelo Colegiado do STF.

Apenas faço a seguinte observação: o direito de nascer, o direito à vida, desde a concepção ao seu termo natural, é o preceito fundamental, por excelência de qualquer país civilizado e, “a contrario sensu”, a morte de seres humanos, máxime se inocentes e indefesos, é o descumprimento mais contundente de um preceito fundamental. Via de consequência, a malsinada “ADPF” não merece sequer ser conhecida pela Ministra Rosa Weber, que também jamais deveria ter designado uma audiência pública para discutir se a morte provocada de vidas indefesas e inocentes é crime, nunca demais repetir, proporcionando destarte aos defensores da prática apresentar suas teses mentirosas e sofísticas em favor do aborto, confundindo e induzindo uma parte de nosso povo a aceitá-lo.

Mas esperamos que a malsinada medida seja rejeitada pelo STF e que o povo brasileiro, defensores da vida, fiéis às suas raízes cristãs e à sua índole boa e reta, também saiba rejeitar categoricamente todo e qualquer tipo de motivação para o aborto, tendo em vista as razões de ordem religiosa, moral, jurídica, médica, psicológica e social, tal é o amplo espectro de suas implicações e consequências.

Sabemos que existem, felizmente, entre os “pró vida”, várias pessoas, entidades e associações, altamente capacitadas para se opor à onda abortista.

Mas, peço a Deus e à Santíssima Virgem Maria, Mãe do Bom Conselho, que ilumine a mente e o coração de cada irmão ou irmã que porventura leia este artigo, e de nosso povo, de um modo geral, inclusive das autoridades constituídas, para que enxerguem a real e transcendental gravidade deste assunto.

Neste sentido, quero deixar consignadas algumas reflexões, fruto de pesquisas e estudos científicos, jurídicos e metafísicos que realizamos em fontes fidedignas- livros, artigos, sites e vídeos -, e também ouvindo pareceres médicos, opiniões e conversas em nossas rodas sociais, em torno do tema, que poderão contribuir para demonstrar que o aborto provocado é inaceitável e um pecado gravíssimo. Do ponto de vista canônico, é passível até mesmo de excomunhão “latae sententiae” (ou seja, “ipso facto”, pois independe de declaração da parte da autoridade eclesiástica, como prescreve o cân. 1.314 do Direito Canônico), porque perpetrados em face de vidas inocentes e indefesas, além de constituir uma violência à saúde física e mental da mulher que é submetida ao aborto.

O ABORTO É UM PECADO GRAVÍSSIMO

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Este é um dos cruéis procedimentos de aborto, chamado sucção.

Com efeito, como se pode ter a coragem de matar o seu próprio filho ou filha, um ser humano, em estágio menos ou mais avançado, e que já tem, inclusive, uma alma espiritual inoculada por Deus? Esse serzinho humano, cujo coraçãozinho pulsa de forma que emociona qualquer mãe quando o ouve os seus primeiros batimentos! E que vai crescendo, crescendo, paulatinamente de forma bela como o próprio Deus estabeleceu, a cada dia e a cada mês, proporcionando uma nova emoção e contentamento. Pequenina e indefesa criatura de Deus, mas com um coração pulsando forte! É simplesmente fantástico a forma como Deus colocou na mulher a capacidade de gerar outro ser. Só Deus poderia fazer algo tão belo assim! A criação do ser humano é fascinante e extraordinária!

Encontramos na Obra “Aborto: 50 perguntas, 50 respostas, em defesa da vida inocente”, publicada pela a Associação” O Amanhã de Nosso Filhos”, importantes depoimentos de médicos e cientistas renomados em torno da crucial questão do “instante zero” da vida humana, e esta resposta se encontra nas págs. 28 e seguintes:

A Biologia prova, com absoluta certeza, que a vida de um novo ser humano tem início no momento em que se dá a união do gameta masculino (espermatozoide) e do gameta feminino (óvulo)”.

Outras questões correlatas também relevantes para uma perfeita compreensão do assunto são tratadas, como se vê abaixo:

“Mas uma simples célula, como o é o zigoto, já é um ser humano?”

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Quem responde é o Embriologista Dr. Keith Moore: “cada um de nós começou a vida como uma simples célula chamada zigoto”, conforme se encontra na sua obra Keith L. Moore The Developing Human: Clinically Oriented Embryology, 2ª. ed., Phladelphia (WB), Saunders, 1977, in Randy Acorn. Pro Life Answers to Pro Choice Arguments, Sisters (OR), Multnomah Books, 1992, p. 40.

Depois da fertilização do óvulo, não há nenhuma outra fase ou etapa em que o embrião receba uma nova e essencial contribuição genética para ser o que é.

Foi o Professor Jerôme Lejeune, médico pediatra e geneticista conhecido mundialmente, que conseguiu revelar na base genética de um portador da Síndrome de Down, a presença de um cromossomo extra no DNA DA CRIANÇA, ajudando assim a transformar a vida de pacientes e de famílias que viviam sob um estigma moral injustificado, pois se propalava que a referida SÍNDROME fosse um efeito colateral da doença sífilis. Isto é apenas um resumo, resumidíssimo do seu vasto currículo profissional, pois era também uma pessoa muito reta e virtuosa e que hoje certamente se encontra no Céu, gozando da visão beatifica de Deus, juntamente com muitas pessoas que nasceram e foram curadas mercê da sua ação constante em prol da vida, saúde e conforto do seu próximo.

Mas continuemos:

“O fato de que a criança se desenvolve em seguida durante 9 meses no seio de sua mãe, em nada modifica sua condição humana.

Aquela minúscula célula é um ser humano único e completo: – único, porque nunca existiu e jamais existirá na história um ser idêntico a esse.”, conforme pontifica o Dr. Jerôme Lejeune.

“A concepção confere a vida e torna aquela vida única do gênero”, afirmam os médicos Laudrum Shuttles e David Rorvik, do alto do seu saber científico,

“- Completo, porque o código genético do zigoto contém todas as informações sobre cada característica do novo ser humano, tais como altura, cor dos olhos, cabelo, pele, pele, sexo etc.”

Isto é fantástico e joga por terra as assertivas falsas dos defensores do aborto de que só se pode falar em vida humana quando “há constatação de atividade cerebral”, assertiva falsa já desmentida por grandes cientistas renomados.

Prosseguem os mesmos, Drs. Shuttles e Rorvik:

“(…) o tipo genético – as características herdadas de um ser humano individualizado – é estabelecido no processo de concepção, e permanecerão em vigor por toda a vida daquele indivíduo”.

“Portanto, a partir da fecundação estamos já na presença de uma nova vida humana. O embrião necessitará apenas de nutrição, oxigênio e tempo para chegar à plena maturidade de um homem adulto”.

Como bem sintetizou o mesmo Dr. Jerôme Lejeune, com a genialidade do povo francês e elevado saber científico: “ASSIM QUE É CONCEBIDO, UM HOMEM É UM HOMEM”.

É uma sentença fenomenal, incisiva e insofismável!

Quantos e tantos casos são relatados de filhos e filhas que cuidaram de seus pais na velhice? Dando-lhes comida, fazendo-lhes companhia, empurrando sua cadeira de rodas, proporcionando-lhes uma vida digna e tratamentos médico-hospitalares!

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EXEMPLOS ELOQUENTES DE PESSOAS QUE QUASE ERAM ABORTADAS

Estimados irmãos e irmãs, são esses filhos que, pela lógica abortista, poderiam ter sido mortos ao talante dos seus próprios pais! O aborto é algo abominável!

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Exemplo eloquente disto é o relato da mãe de Cristiano Ronaldo, considerado um dos maiores atletas e, especificamente, de todos os tempos, e que quase foi vítima de aborto, conforme se acha narrado no livro “Mãe coragem”, por ela escrito conjuntamente com Paulo Sousa Costa. Com efeito, ela conta nas páginas do mencionado livro que tentou abortar seu quarto filho, mas desistiu, mal sabendo ela que aquele menino seria um excelente filho. Ela diz “que a coisa mais bela que temos são nossos filhos” e deixa o seguinte conselho às mulheres:

– “já tinha três filhos, tentei abortar e não consegui. Ainda bem, porque Cristiano foi a estrela que iluminou a minha vida. Quero transmitir às mulheres que não façam isto. Que pensem e lutem”.

Além deste caso, outros tantos podem ser citados, a exemplo de: Steve Jobs (criador da Apple), Roberto Bolãnos (ator mundialmente conhecido por interpretar Chaves), Andrea Bocelli (cantor reverenciado internacionalmente por sua voz) e entre outros, todos eles foram salvos de serem abortados pela atitude corajosa e heroica de suas mães.

Todavia, é bom deixar bem claro que todo ser humano em sua fase embrionária tem o direito natural, fundamental, de ser cuidado no seio materno e de nascer, não havendo nenhuma razão ou circunstância que legitime o aborto, igualmente como ocorre ao depois do seu nascimento. É vida humana, sobre a qual Deus tem seus desígnios e planos, desde toda a eternidade, vedado ao homem ceifá-la.

Aliás, causa espécie que um mundo que defende ardorosamente a preservação de todas as espécies de animais e vegetais, assim como do meio ambiente de um modo geral, e que elabore leis para quem os ameace e agrida, com medidas e penas severíssimas, considerando algumas violações como crime inafiançável, tenha em relação à vida do ser humano, inocente e indefeso, sentimentos de indiferença!

Que contradição, que inversão de valores! Não que eu seja contra uma sadia Ecologia, longe de mim este sentimento. Todos que me acompanham sabem do meu apreço à natureza, animais e plantas.

DESFAZENDO MITOS E SLOGANS ABORTISTAS

Merece registro, também, chamar a atenção de todos para alguns pontos que foram destacados pela famosa cientista brasileira, Dra. Isabela Mantovani, perante a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, do Senado Federal, na audiência pública promovida por esta Casa Legislativa, em 2015.

Na qualidade de graduada em Odontologia pela UNICAMP, Especialista em Saúde Coletiva (São Leopoldo Mandic), em Bioética (PUC RIO) e em Estratégia de Saúde da Família (UNIFESP/UNASUS), e que trabalha há 13 anos com saúde pública, sendo 7 deles em cargos de gestão, ela adverte para as seguintes mentiras propaladas pelos abortistas:

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  1. Que a quantidade de abortos por ano no Brasil chega a 1.500.000“: Falso. Segundo ela, tal número é totalmente falso e é na verdade difundido de maneira aleatória por empresas multinacionais, para justificar suas campanhas em favor do controle da natalidade e da legalização do aborto em nossa Pátria, medida que reduziria os abortos clandestinos perigosos à saúde e à integridade física da mulher. E por incrível que pareça, são a tanto movidos ao fundamento de que o aumento populacional nos países que eles chamam de “terceiro mundo”, poriam em risco a segurança interna dos Estados Unidos!!! Isto surgiu durante o Governo do Presidente Nixon, que subvencionava tal iniciativa, mas o subsídio foi suprimido pelo Presidente Clinton. Mas isto não foi suficiente para eliminar a sanha abortista, que conseguiu obter recursos de grandes empresas privadas e assim prosseguir sua obsessão abortiva, com a ajuda de boa parte da mídia que repetia ininterruptamente e massivamente informes falsos e slogans de efeito psicológico, a fim de influenciar negativamente os incautos. A Dra. Isabela baseada em dados do SUS, demonstra que o número anual de abortos provocados no Brasil é da ordem de 50.000, infelizmente muito elevado, mas muitíssimo inferior ao montante astronômico inventado pelas macroempresas alienígenas e repetidas irresponsavelmente por setores da mídia e por defensores do aborto.

Na verdade, trata-se de uma manobra estatística com o intuito de sensibilizar a opinião pública e assim divulgar para toda a sociedade esses números falsos.

Segundo o DATASUS, observa Dra. Isabela, que em 2013 ocorreram 206.270 internações devidas ao aborto (espontâneo e provocado).

Em 2010 foi realizada a Pesquisa Nacional do Aborto, na qual se concluiu que 1 a cada 2 mulheres que abortam precisam de internação, ou seja, 20-25% das internações hospitalares são provocadas por aborto.

Portanto, tomando como base as referências acima, procedem-se aos seguintes cálculos: 206.270 (número de internações hospitalares no Brasil no ano de 2013) x 0,25 (percentual de 25% das internações por aborto provocado), que totaliza 51.567.

Número terrivelmente elevado, mas muito inferior ao propalado de 1 milhão e meio, não é mesmo?!

  1. “A legalização do aborto faria o número de abortos diminuir”: Falso. Em todos os países em que foi legalizado aumentou consideravelmente, em vez de diminuir, como se vê pelos dados abaixo:
PAÍS POPULAÇÃO DA ÉPOCA NÚMERO DE ABORTOS LEGALIZAÇÃO POPULAÇÃO NÚMERO DE ABORTOS
EUA (1973)

205 milhões

193.000 1973 (2015)

321 milhões

(2015)

800.000

SUÉCIA (1939)

6 milhões

500 1939 (2010)

9 milhões

(2010)

37.000

ESPANHA (1987)

38 milhões

17.000 1985 (2011)

46 milhões

(2011)

118.000

INGLATERRA (1967)

54 milhões

23.000 1967 (2015)

64 milhões

(2015)

191.000

URUGUAI (2013)

3.402.361

7.171 2012

(2015)

3.425.536 milhões

9.362
FRANÇA
(1974)
52 milhões
Sem dados
1974
(2018)
64 milhões
200.000
Obs: alguns dados foram arredondados para facilitação e compreensão dos leitores, com exceção do Uruguai, por possuir uma população menor, sendo assim relevante a precisão dos números.

Importante mencionar o relato do médico Dr. Bernard Nathanson, que pessoalmente foi responsável pela prática de 65.000 abortos, mas que se arrependeu radicalmente, consoante confessa no texto abaixo:

“Sou pessoalmente responsável por 65.000 abortos. Isso legitima minhas credenciais em me dirigir a você com alguma autoridade sobre o assunto. Fui um dosl fundadores da National Association for the Repeal of the Abortion Laws (NARAL) nos EUA em 1968. Uma pesquisa de opinião confiável mostraria que, à época, a maioria dos americanos seria contra o aborto. Em cinco anos nós convencemos a Suprema Corte dos EUA a oficializar a decisão que legalizou o aborto por toda a América em 1973 e permitiu o abortamento sob demanda até o nascimento. Como fizemos isso? É importante entender as táticas envolvidas porque estas mesmas táticas estão sendo utilizadas por todo o ocidente com uma ou outra mudança, de modo a alterar as leis sobre o aborto.

A primeira tática foi capturar a mídia
Persuadímos a mídia de que a causa da tolerância ao aborto era uma causa esclarecida e sofisticada. Sabendo que se uma pesquisa de opinião confiável fosse feita seríamos sonoramente derrotados, simplesmente fabricamos os resultados de pesquisas fictícias. Anunciamos à mídia que fizemos pesquisas e que 60% dos americanos eram favoráveis ao aborto. Essa é a tática da mentira autorrealizada. Criamos simpatia suficiente para vender nosso programa de aborto fabricando o número de abortos ilegais feitos anualmente nos E.U.A. Os números reais atingiam 100.000 mas repassávamos à mídia 1.000.000. Repetir a mentira incessantemente convence o público. O número de mortes de mulheres devido a abortos ilegais era em torno de 200-250 anualmente. Passávamos à mídia o número de 10.000. Essas falsas estimativas criaram raízes na consciência dos americanos convencendo muitos de que precisávamos derrubar a lei contrária ao aborto. Outro mito que alimentamos na opinião pública via mídia foi que a legalização do aborto significaria somente que os abortos outrora feitos ilegalmente, a partir de então seriam feitos legalmente. Na verdade, é óbvio, o aborto está sendo utilizado como o principal método de controle de natalidade nos EUA e o número anual de abortos aumentou em 1500% desde a legalização.

A segunda tática foi “dar a cartada Católica”
Aviltamos sistematicamente a Igreja Católica e suas “ideias socialmente retrógradas” e apontamos a hierarquia da Igreja como os vilões que se opunham ao aborto. Esse tema foi tocado incessantemente. Alimentamos a mídia com mentiras do tipo “todos nós sabemos que a oposição ao aborto vem da hierarquia e não da maioria dos católicos” e “pesquisas de opinião provam que a maioria dos católicos querem reforma na lei contra o aborto”. E a mídia bombardeou isso sobre o povo americano, persuadindo-o de que todo aquele que se opusesse ao aborto devia estar sob influência da hierarquia da Igreja e que os católicos a favor do aborto eram esclarecidos e progressistas. Uma inferência a essa tática foi que não havia grupos não católicos se opondo ao aborto. O fato de que outras religiões cristãs bem como não cristãs foram (e ainda são) monoliticamente opostas ao aborto foi constantemente suprimido, junto de opiniões de ateístas pró-vida.

A terceira tática foi o descrédito e a supressão de toda evidência científica de que a vida começa na concepção
Perguntam-me com freqüência o que me fez mudar de opinião. Como mudei de abortista proeminente a advogado pró-vida? Em 1973, tornei-me diretor de obstetrícia de um grande hospital na cidade de Nova Iorque e tinha que organizar uma unidade de pesquisa pré-natal, no início do surgimento de uma grande tecnologia que hoje utilizamos diariamente para estudar o feto no útero. Uma tática pró-aborto favorita é a insistência em que a definição do instante em que começa a vida é impossível; que a questão é teológica, moral ou filosófica, tudo menos científica. A fetologia traz uma evidência inegável de que a vida começa na concepção e requer toda a proteção e salvaguarda de que qualquer um de nós desfruta. Por que, você poderia pergutar, alguns médicos americanos cientes das descobertas da fetologia, desacreditam de si mesmos efetuando abortos? Aritmética simples, a US$300 por aborto, 1.55 milhões de abortos significa uma indústria gerando US$500.000.000 anualmente, dos quais a maioria vai para o bolso do médico que fez o aborto. É claro que o aborto é propositalmente a destruição do que é inegavelmente vida humana. Isso é um ato de violência mortal. Devemos considerar que a gravidez não planejada é um dilema penosamente difícil, mas enxergar sua solução em um ato de destruição deliberada é abusar da ilimitada ingenuidade humana e entregar a saúde pública à clássica resposta utilitária a problemas sociais.

Como cientista eu sei, não por crença, que a vida humana começa na concepção. Embora eu não seja um religioso, creio de todo o meu coração que há uma divindade que guia-nos a declarar o término final e irreversível a esse crime contra a humanidade, infinitamente triste e vergonhoso.”

  1. “Que os países que legalizaram o aborto teriam uma taxa menor que o Brasil, onde o aborto é ilegal”. Também falso!

Vejamos os números tomando por base o ano de 2015, figurando o Brasil como referência:

BRASIL 100.000 p/ano População: 200 milhões
FRANÇA 200.000 p/ano (10x mais) População: 66 milhões
SUÉCIA 40.000 p/ano (muito maior proporcionalmente falando) População: 10 milhões
INGLATERRA 191.000 p/ano População: 64 milhões
JAPÃO 200.000 p/ano População: 126 milhões
  1. As taxas do aborto no Brasil estariam aumentando”. Falso. O número de abortos é calculado com base no número de internações hospitalares, como vimos acima, correto? Ora, consoante dados oficiais, o número de internações e de curetagens vêm caindo ano após ano, atingindo de 2008 a 2012 uma queda de 12%.

Isto é coerente com as pesquisas envolvendo a opinião pública acerca da legalização do aborto. A última pesquisa realizada pelo Ibope, em 2017, aponta rejeição da ordem de 68% dos brasileiros, destacando-se que o maior índice de reprovação está entre os jovens.

Ademais, como se vê, está havendo um declínio no número de abortos no Brasil.

  1. “Que a legalização do aborto diminuiria a mortalidade materna”. Falso, pois não se pode estabelecer esta relação, com base nos dados disponíveis.
Como bem o observa o post do Blog Panorama Livre, “A brasileira morre não por que deseja matar seu bebê, mas sim por que quer tê-lo” – Derrubando mitos sobre o aborto”, ao comentar a palestra da Dra. Isabela, “A legalização do aborto tem efeito nulo sobre a mortalidade materna. A especialista cita o exemplo do Chile – onde a lei do aborto é extremamente restrita – que diminuiu a mortalidade materna de 275 mortes por 100 mil nascidos vivos, na década de 1970, para 18,7, em 2000, sem mexer na legislação do aborto. Já na Índia o aborto é legalizado e a mortalidade materna é altíssima, batendo o número de 200 mortes por 100 mil nascidos vivos.”.

Por seu turno, a Polônia apresenta um quadro em sentido contrário aos adeptos da legalização do aborto, como se observa pelos dados abaixo levantados pela Dra. Isabela:

“Veja como a Polônia ela é o calcanhar de Aquiles dessa afirmação [que a legalização diminui a mortalidade materna] por que? Lá quando o aborto era legalizado, na época do regime comunista, a gente tinha uma mortalidade materna de 11, daí com a queda do regime, o aborto foi proibido, a mortalidade materna caiu… para DOIS. Agora eu vou ser honesta com os senhores, eu não vou usar isso daqui para falar, ‘olha legalizar o aborto faz a mortalidade materna aumentar’ – tem gente que usaria, viu? Talvez do outro lado, mas eu não vou ser desonesta com os senhores. Os dados mostram que NÃO há relação entre legalização do aborto e diminuição da mortalidade materna.”, proferiu brilhantemente a especialista Isabela Mantovani.

De fato, o que é que diminui a mortalidade materna?

Ainda conforme a mesma cientista, 92% das causas de morte podem ser prevenidas e reduzidas, mediante investimento na assistência ao pré-natal, parto e puerpério, possibilitando à mulher de acessar o sistema de saúde em tempo oportuno, na hora que dele precisar.

Portanto, por tudo quanto visto, o aborto é promovido por poderosas empresas estrangeiras, com ajuda de alguns órgãos da imprensa, tornando as mulheres de países que eles denominam pejorativamente de “terceiro mundo”, entre as quais as de nosso País, massa de manobra e meros instrumentos para a consecução dos seus objetivos, acima mencionados, inclusive muitos deles de ordem econômica.

E aqui, faço um apelo a todas as mulheres do mundo, para que nunca se deixem seduzir pela lábia falsa dos que defendem o aborto, e encarem a gravidez, ainda que ocorrida em circunstâncias dramáticas, como uma oportunidade de dar à luz um filho ou uma filha, que têm direito de viver e de vir ao mundo para cumprir, com a ajuda materna e as graças de Deus, o plano insubstituível que seu Criador traçou-lhe desde toda eternidade, e quem sabe, para amparar um dia sua mãe e seu pai nas suas necessidades, sobretudo na sua ancianidade.

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E aquelas que tenham incorrido em tal pecado, não desesperem jamais, peçam sincero pedido de perdão a Deus, procurem um sacerdote e façam uma confissão honesta e contrita, e passem a ser, a partir de então, verdadeiras apóstolas da vida plena e adversárias ferrenhas do aborto.

A BÍBLIA E O ABORTO

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Um ponto muito importante no tocante a tão grave assunto é o de sabermos o que está contido na Bíblia sobre o aborto, pois sabemos que os Livros Sagrados são inspirados por Deus e portanto exprimem, juntamente com a denominada Tradição Apostólica a revelação divina sobre as verdades de salvação, nas quais devemos crer e amar com nosso entendimento, nossa vontade e nosso coração.

Vejamos, pois, algumas passagens da Bíblia coligidas pelo Padre Alberto Luiz Gabarini e que se acham transcritas em seu livro: CATÓLICO PODE OU NÃO PODE? POR QUÊ? (Págs. 51 e 52):

“O ponto de partida para esclarecer essa questão polêmica é buscar a orientação da SAGRADA ESCRITURA. Nela não encontraremos especificamente a palavra aborto, porque Deus é o doador da vida e não da morte. O ser humano não é uma simples soma de células reunidas ao acaso. Deus é quem está na origem da vida de cada pessoa: “DEUS CRIOU O HOMEM Á SUA IMAGEM; CRIOU-O Á IMAGEM DE DEUS, CRIOU O HOMEM E A MULHER” (GN 1, 27).

Também é importante perguntar: Deus considera o bebê no ventre da mãe uma pessoa? A resposta a encontramos no Sl 139, 13-15:

“SIM! POIS TU FORMASTE OS MEUS RINS, TU ME TECESTE NO SEIO MATERNO. EU TE CELEBRO POR TANTO PRODÍGIO E ME MARAVILHO COM TUAS MARAVILHAS! CONHECIAS ATÉ O FUNDO DO MEU SER: MEUS OSSOS NÃO TE FORAM ESCONDIDOS QUANDO EU ERA FEITO, EM SEGREDO, TECIDO NA TERRA MAIS PROFUNDA. Teus olhos viram o meu embrião. No teu livro estão todos inscritos os dias que foram fixados e cada um deles nele figura”.

A vida humana começa, segundo essas palavras, antes do nascimento; o salmista revela que Deus o conhecia desde o “SEIO MATERNO”.

Também ao profeta Jeremias, Deus disse: “ANTES QUE NO SEIO FOSSES FORMADO, EU JÁ TE CONHECIA; ANTES DO TEU NASCIMENTO, EU JÁ TE HAVIA CONSAGRADO” (Jr 1,5).

O ser humano no ventre materno é uma criança: “ORA, APENAS ISABEL OUVIU A SAUDAÇÃO DE MARIA, A CRIANÇA ESTREMECEU NO SEU SEIO” (Lc1,41).

E de João Batista também foi dito: “PORQUE SERÁ GRANDE DIANTE DO SENHOR… E DESDE O VENTRE DE SUA MÃE SERÁ CHEIO DO ESPÍRITO SANTO” ( Lc 1,15).

São Paulo escreve em Gl 1, 15: “MAS, QUANDO APROUVE AQUELE QUE ME RESERVOU DESDE O SEIO DE MINHA MÃE E ME CHAMOU PELA SUA GRAÇA”. Em todas essas passagens, Deus trata aos bebês ainda no seio materno com a dignidade de pessoas muito amadas.

O homem e a mulher não têm o poder de tirar a vida de ninguém, muito menos de um ser indefeso. Somente Deus é o dono da vida: “O SENHOR DÁ A VIDA E A MORTE” (lSm2,6). Nessa visão o aborto vai contra o quinto mandamento “NÃO MATARÁS”. (Ex: 20,13)”.

A VOZ DOS PAPAS E DOUTORES DA IGREJA

Por seu turno, o magistério da Igreja sempre foi a favor da vida humana desde o primeiro instante até a sua morte natural, proclamando a condenação do aborto e da eutanásia.

O Catecismo da Igreja Católica, em vigor, relata que desde o Século I, a Igreja afirmou a maldade moral de todo aborto provocado, e este ensinamento invariável tem início com o Didaché, 1º Catecismo da Igreja que afirma “não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido”.

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De outra banda, o Concílio Vaticano II, no século XX, assim se exprime, na Constituição “Gaudium Spes”, 51,3 :

“ Deus, Senhor da vida, confiou aos Homens o nobre encargo de preservar a vida, para ser exercida de maneira condigna ao homem. Por isso a vida, deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção. O aborto e o infanticídio são crime nefandos”.

Na sua Declaração sobre o aborto provocado, o Vaticano demonstra que no decorrer da História, os chamados Padres da Igreja, bem como os seu Pastores e seus Doutores, ensinaram a mesma doutrina; vários Concílios impuseram penas contra o aborto e o primeiro Concílio de Mogúncia, de 847, confirmou as penas já estabelecidas impondo penitência mais rigorosa às mulheres que matassem as suas crianças ou provocassem a eliminação do fruto concebido no próprio seio.

O Papa Estevão V sentenciou: “É homicida aquele que fizer perecer mediante o aborto, o que tinha sido concebido”. São Tomás de Aquino ensina que o aborto é um pecado grave contrário à lei natural. Na Renascença, o Papa Sisto V, condena o aborto, o mesmo ocorrendo um século mais tarde com Inocêncio XI.

Nos nossos dias, os últimos Papas proclamaram a mesma doutrina com a maior clareza, a exemplo de Pio XI, Pio XII. O Papa Paulo VI afirmou que a vida deve ser defendida e que nada mudou sobre o tema pois a doutrina da igreja é imutável.

João Paulo II foi muito enfático sobre a questão. Na Encíclica Evangelium Vitae, na qual sentenciou: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos. (…) declaro que o Aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente.

Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito, porque contraria a lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão e proclamada pela Igreja.”

Já o Papa Francisco, por diversas vezes, condenou o aborto, chegando a dizer, “que o aborto é o nazismo com luvas brancas”, referindo-se à aprovação pela Câmara da Argentina do aborto em casos de má formação do feto, que não prevaleceu, pois, o Senado daquele País rejeitou o aborto.

A PULCRITUDE DO FETO NO SEIO MATERNO

Não quero encerrar este post sem a transcrição de um dos escritos mais belos e profundos em defesa da vida, de autoria do Professor Ian Donald, da Inglaterra, que serviu para a produção de um filme que mostra:

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“(…) a mais jovem “estrela” do mundo, ou seja, um bebê de onze semanas a dançar no útero materno. O bebê, pode-se dizer, brinca no trampolim! Dobra os joelhos, apoia-se na parede, levantando-se e cai. Visto que o seu corpo tem a densidade do fluído amniótico, ele não sente a gravidade e dança muito lentamente, com uma graça e uma elegância totalmente impossíveis em algum outro lugar da terra. Somente os astronautas, em suas condições de não gravidade, conseguem tal suavidade de movimentos. A propósito, notamos que, quando se tratava da primeira caminhada no espaço, os técnicos tiveram de escolher o lugar onde desembocariam os tubos portadores dos fluidos vitais. Escolheram então finalmente a fivela do cinturão do escafandro, reinventando assim o cordão umbilical.

Quando tive a honra de dissertar perante o Senado, tomei a liberdade de evocar o conto de fadas do homem menorzinho do que o dedo mindinho.

Com dois meses de idade, o ser humano tem menos de um polegar de comprimento, desde o ápice da cabeça até a ponta do traseiro. Ele estaria muito à vontade numa casca de nozes, mas tudo já se encontra nele: as mãos, os pés, a cabeça, os órgãos, o cérebro, tudo no seu lugar certo. O coração, já bate há um mês. Olhando de mais perto, veríamos as dobras das suas palmas de mão (…) com uma boa lente de aumento, descobriríamos as marcas digitais. Tudo estaria aí para se fazer a carteira de identidade desse indivíduo.”

Mas não termina aí!

“Com a extrema sofisticação da nossa tecnologia, podemos vislumbrar a vida privada dessa criaturinha. Aparelhos especiais gravam a música mais primitiva: um martelar surdo, profundo, regular, de 60/70 batidas por minuto ( o coração da mãe) e uma cadência rápida, aguda, de 150/170 batidas por minuto ( o coração do feto) se sobrepõem, imitando os compassos de orquestra e realizando os ritmos básicos de toda música primitiva, sem dúvida, porque é a primeira que o ouvido humano consegue ouvir”.

Vejam bem, são dois corações, dois seres humanos distintos, mas que se harmonizam nos seus díspares batimentos cardíacos!

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E o famoso cientista completa o seu abalizado ensinamento, de forma poética, dizendo:

Assim observamos que o feto SENTE, ouvimos o que ele OUVE, provamos o que ELE SABOREIA e vimo-lo realmente DANÇAR, CHEIO DE GRAÇA E DE JUVENTUDE. A ciência transformou o conto de fadas do Pequeno Polegar numa história verídica, história que cada um de nós viveu no seio de sua mãe

Quanta sabedoria científica, quanta poesia, quanta pulcritude! E nenhum homem, nenhuma mulher, nenhuma sociedade, nenhum Governo pode sob que pretexto for, opor qualquer obstáculo ou violência que provoque a cessação e a morte de um ser humano inocente e indefeso!

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Genuflexa, juntando minhas mãos em súplice oração, rogo a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil que intervenha fazendo com que as nossas autoridades e o nosso povo digam SIM a Deus, SIM à vida, desde o instante da concepção até a sua extinção natural, e rejeitem o aborto provocado, em qualquer circunstância e sob qualquer uma de suas cruéis modalidades, não permitindo a descriminalização do aborto, prática cruel e desumana, em nenhuma hipótese!

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Referências:

Bíblia Sagrada

Catecismo da Igreja Católica

Aborto, 50 perguntas e 50 respostas em defesa da vida inocente, Comissão de Estudos de o Amanhã de nossos filhos, São Paulo, 1996.

http://estudosnacionais.com, http://countrymeters.info/pt, http://www.johnstonsarchive.net/policy/abortion/index.html https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/06/19/seis-anos-apos-legalizar-aborto-uruguai-ve-procedimento-crescer-37.htm https://www.youtube.com/watch?v=UVG6gFN3Sdc&t=393s

Vovô e Vovó!

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Caríssimos irmãos e irmãs, hoje é dia de Sant’Ana e São Joaquim, os pais de Nossa Senhora e os avós de Jesus! Por causa disto, também festejamos hoje os avós do mundo inteiro, pessoas tão importantes na família. Costuma-se dizer que ser avô ou avó, é ser pai ou mãe duas vezes. A língua inglesa exprime bem isto ao chamar o avô de grandfather e a mãe, grandmother, grande pai e grande mãe, respectivamente, e neste mesmo diapasão a língua francesa, utiliza a expressão “grand-mère”, para a avó, e “ grand-père”, para o avô.

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O fato é que os avós têm uma função muito decisiva na educação e formação das crianças e contribuem para o aprimoramento, estabilidade e sensação de segurança nas relações familiares. E de outro lado, como lhes faz bem poderem dispensar o seu afeto e carinho em face de seus netos e transmitirem seus conhecimentos, suas experiências acumuladas, ao longo de muitos anos de existência. E o que estamos falando dos avòs aplica-se de igual modo aos bisavós e para os afortunados, os trisavós!

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Dizem os estudiosos que nos primórdios da história da humanidade, quando a família tinha uma estrutura patriarcal e/ou matriarcal, Deus dispunha das coisas de tal modo que tanto o patriarca quanto a matriarca vivessem vida longa, para assim manterem a unidade e coesão das famílias. Não sei não, mas acho que uma das causas de tantas crises familiares, está no modelo atual chamado nuclear, que é falto da presença constante dos avós e de outros parentes mais avançados na idade, o que causa uma certa sensação de vazio.

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Mas deixemos a filosofia e a sociologia de lado, e deitemos nossa atenção na bela historinha abaixo.

Com efeito, quero compartilhar um texto belíssimo, e que vocês podem contar para seus filho ou suas filha, seus netos e quem sabe seus bisnetos!

Trata-se de uma história, feita para crianças e adultos de boa fé.

Uma carta para Deus

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“Jorginho sempre fora um bom menino, educado e obediente. Havia perdido os pais quando ainda era um bebê e vivia com a avó materna, dona Clara, quem cuidava do pequeno com todo carinho. Ela fazia doces, salgadinhos e bolos para vender, sendo o meio de sobrevivência dos dois, e moravam em uma casinha humilde, mas própria.

Todos na pequena cidade os conheciam, pois, bem cedinho ia a piedosa senhora à Missa, levando pela mão o netinho, desde que aprendera a andar. Ele ainda não fizera a Primeira Comunhão, no entanto, iniciara as aulas de catequese antes mesmo de principiar os estudos escolares. Durante a Missa, ficava quietinho e prestava muita atenção em todos os movimentos do sacerdote, sobretudo na hora da Consagração, quando, de joelhos e com as mãozinhas postas, fixava seus olhos vivos e escuros na Sagrada Eucaristia e dizia baixinho, conforme aprendera com a vovó:

– Meu Senhor e bom Deus!

Terminada a celebração, depois de uma longa ação de graças, dona Clara o conduzia até o altar de Nossa Senhora do Rosário e, juntos, rezavam três Ave-Marias, pedindo proteção para mais aquele dia.

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De volta a casa, Jorginho gostava de ajudar com os docinhos, e colocava os brigadeiros, bom-bocados e cajuzinhos nas forminhas douradas e prateadas, bem como dispunha os confeitos coloridos sobre os bolos de aniversário, fazendo bonitas figuras, encantado com as cores. À tarde, invariavelmente acompanhava a avó na entrega das encomendas.

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Caída a noite, rezavam o terço junto ao oratório dedicado à Sagrada Família na sala da residência e, depois do jantar, chegava a hora preferida do menino: dona Clara lhe contava muitas histórias! Ela era especialista em adornar com detalhes e pormenores os episódios, maravilhando o pequeno, pois entre príncipes, princesas, santos e anjos, com frequência apareciam flores bonitas e perfumadas, pássaros gorjeando, sinos bimbalhando e fontes rumorejantes, que depois de passarem por rios caudalosos, desembocavam em um mar imenso, cor de esmeralda, com ondas espumantes, morrendo em praias de areia branca, parecendo açúcar. Contudo, o mais atraente para ele eram as plumas dos chapéus dos cavaleiros, suas botas com esporas afiadas, as asas multicores dos anjos ou a doçura do olhar de Jesus e a bondade de Maria.

Assim ia se desenvolvendo Jorginho, piedoso, responsável e muito inocente. Começando a frequentar a escolinha, logo aprendera a ler e escrever. Estando mais crescido, por ser a cidade bem tranquila, já podia fazer algumas entregas para a avó, e os fregueses ficavam admirados com o amadurecimento daquela criança de tão pouca idade.

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Em uma manhã chuvosa, entretanto, sua avozinha não se levantou para a Missa. Preocupado, o menino foi ao quarto para ver se havia acontecido alguma coisa. A pobre senhora chorava baixinho, pois se sentia muito mal. Aflito, ele chamou a vizinha, dona Adalgisa, muito amiga de dona Clara. Veio ela, apressada, disposta a ajudar. Vendo a dramática cena, chamou o médico da família, que não tardou em chegar. Examinando-a, recomendou um remédio e muito repouso, pois a doença podia ser grave se não repousasse. E, nesse caso, deveria ir para a capital, pois ali não teriam recursos para tratá-la.

Naquele dia, Jorginho foi sozinho à Missa e à escola, fazendo toda a entrega das encomendas da avó. Todavia, os dias iam se passando e dona Clara não se curava, não cozinhava e o dinheiro foi se escasseando, pois seu remédio era muito caro. Por mais que dona Adalgisa fosse solícita, também ela não tinha posses para tal emergência.

Passada uma semana, o menino não teve dúvidas: começou resolutamente a escrever uma carta, com uma letra ainda insegura e infantil. Com decisão fechou o envelope e saiu sozinho, para entregá-lo ao destinatário. Entrou na igreja com passos rápidos e estava a ponto de o colocar no cofre das esmolas, quando foi interrompido por um distinto senhor:

– Que está fazendo, meu rapazinho?

– Estou colocando esta carta na caixa do correio do Céu.

– Como é isso? – indagou o homem.

Jorginho, então, explicou toda a situação. E como a avó sempre lhe ensinara ser atendido todo pedido feito ao bom Deus com fé, resolvera pedir sua cura, pois ainda era muito pequeno para sustentá-la e ela não podia mais trabalhar. O interlocutor, enternecido, disse:

– Dê-me a carta, pois a encaminharei a seu destino. Porém, onde está o endereço para a resposta?

– Ah, não precisa. O bom Deus não sabe onde moro?

– Claro que sabe! – retrucou o cavalheiro – Mas pode dizer, para eu saber também?

Jorginho voltou para casa contente, seguro de estar o bom Deus lendo a carta, logo solucionando o caso.

Não se enganara o menino, pois naquela mesma tarde foi entregue em sua humilde casinha uma caixa contendo o remédio da avó, com um cartão, onde estava escrito: “Resposta do bom Deus”. Exultante de alegria, o pequeno contou tudo para ela, que, emocionada, tomou o remédio, sentindo voltarem a seu corpo exausto as forças, pelas energias da fé inocente do netinho.

No dia seguinte, o senhor da igreja tocou a campainha. Era ele um médico da capital que estava ali de passagem, em visita à aprazível cidadezinha. Conhecia bem a doença de dona Clara e tratou dela o tempo necessário, trazendo da cidade outros remédios mais eficientes.

Ele não abandonou a boa senhora até poder ela, outra vez, fazer os doces e salgadinhos, voltando a frequentar a igreja e a cuidar de Jorginho, que não via a hora de receber a Primeira Comunhão para sentir em seu coração a presença do bom Deus, que nunca deixa de ouvir todos os nossos pedidos feitos com fé.” (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2012, n. 128, p. 46-47)

E não poderia encerrar o presente “post”, sem fazer uma prece a Sant”Ana e a São Joaquim, os padroeiros , protetores e modelos de todos os avós, rogando a Eles que obtenham de Sua Filha, Santa Maria, e de Seu neto Jesus, graças, dons e bênçãos superabundantes para que os avós se compenetrem de sua insubstituível missão de ajudar e complementar os esforços dos pais e das mães na educação, manutenção e formação dos seus filhos, transmitindo-lhes palavras e exemplos de Fé, Esperança e Caridade. E de outro lado, que sejam objeto de respeito e carinho, tanto no ambiente familiar, bem como no das relações sociais mais amplas e que lhes seja proporcionada pelos entes governamentais uma existência saudável, digna e segura, até os últimos de vida!

Sant”Ana e São Joaquim, rogai por todos os avós do mundo inteiro!

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O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

Queridos irmãos e irmãs, hoje é dia dedicado a Nossa Senhora do Carmo, de quem, eu e toda minha família, somos devotos.

Trata-se de uma devoção muito bonita e eficaz, cheia de privilégios e que tem uma belíssima história.

Recebi de uma pessoa amiga um magnífico texto postado pelo site “http://www.fatima.org.br/” e quero, nesta oportunidade, presenteá-los com a sua transcrição na íntegra, certa de que assim o fazendo, estarei lhes fazendo imensos benefícios.

Introdução

“Nas aparições de Fátima, estão presentes de modo privilegiado as duas principais devoções marianas que engalanaram de santos os altares: o Rosário e o Escapulário. No auge das aparições, no dia 13 de Outubro, enquanto acontecia o grande milagre do Sol visto por mais de 70 mil pessoas, a Mãe de Deus mostrou-se aos pastorinhos sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo, apresentando nas mãos o Escapulário. Para aqueles que realmente desejam a conversão do mundo o atendimento completo dos pedidos feitos por Nossa Senhora em 1917 impõe que se conheça a importância do dom do Escapulário, e que este seja difundido o mais amplamente possível.

Quando este profeta de zelo ardente para aí se retirou, por volta do Século IX antes da Encarnação do Filho de Deus, havia três anos que uma implacável estiagem encerrava os céus da Palestina, punindo a infidelidade dos hebreus para com Deus. Enquanto rezava com fervor, pedindo que o castigo fosse aliviado pelos méritos dAquele Redentor que haveria de vir, Elias enviou o seu servo ao cume do monte, ordenando-lhe: “Vai, e olha para o lado do mar”… Mas o servo nada viu. E, descendo, disse: “Não há nada”. Confiante, o Profeta fê-lo retomar sete vezes a infrutuosa escalada. Por fim, o servo retornou, dizendo: “Vejo uma nuvenzinha do tamanho da pegada de um homem”. De fato, a nuvem era tão pequena e diáfana que parecia destinada a desaparecer ao primeiro sopro dos abrasados ventos do deserto. Mas não, pouco a pouco cresceu, alargou-se no céu até cobrir todo o horizonte e fez precipitar-se sobre a terra uma abundante chuva. Foi, naquele momento, a salvação do povo de Deus. Em sua contemplação, Elias entendeu que aquela pequena nuvem era uma figura da humilde Maria, cujos méritos e virtudes excederiam os de todo o gênero humano, atraindo para os pecadores o perdão e a Redenção. Com 700 anos de antecedência, o Profeta havia vislumbrado o papel mediador da Mãe do Messias esperado. E tornou-se, por assim dizer, o seu primeiro devoto sobre a terra.
O fervor mariano de Santo Elias não desapareceu quando este foi arrebatado ao céu por um carro de fogo. Uma bela tradição diz-nos que sempre houve no Monte Carmelo eremitas que ali viveram, rezando e pregando aos peregrinos. Mas viviam isolados, sem qualquer regra fixa.
Por volta do Século IV houve uma transformação. Quando começaram a aparecer os primeiros cenobitas, alguns acorreram para as encostas do Monte Carmelo com o desejo de viver em comunidade, buscando conservar o espírito de Santo Elias e transmiti-lo de geração em geração até o fim do mundo. Ainda hoje se vê nas encontas rochosas as ruínas de uma pequena ermida que ali edificaram. Por volta do Século XII, um grupo de novas vocações, desta vez vindas do Ocidente no grande movimento das Cruzadas, acrescentou renovado fervor à antiga família de almas. Logo se edificou uma pequena igreja onde a comunidade se entregava à vida de oração, e em torno dela viviam tendo tudo em comum. Pode-se dizer que simbolicamente a pequena “nuvenzinha” já havia crescido e fazia chover sobre a terra abundantes graças. Com esse florescimento, porém, tornava-se necessária uma vida mais disciplinada. Em 1225, uma delegação da Ordem dirigiu-se a Roma para pedir à Santa Sé a aprovação de uma Regra, que foi efetivamente concedida pelo Papa Onório III em 1226. Com a atenção da Santa Sé voltada para a Ordem Carmelitana, parecia haver todas as condições para que esta florescesse e se espalhasse por todo o mundo. Contudo, novas provações ameaçavam fazer ruir aquele ideal já duas vezes milenar. Com a invasão dos lugares santos pelos muçulmanos, todas as comunidades de monges foram destruídas e o superior do Monte Carmelo deu permissão aos religiosos para se trasladarem ao Ocidente a fim de aí fundarem novos núcleos, o que muitos fizeram depois da queda do último baluarte de resistência cristã, o Forte São João d’Acre. Os poucos que lá ficaram foram martirizados enquanto cantavam a Salve Rainha.

São Simão Stock

Uma vez passados para o Continente Europeu, os frades do Carmo não conseguiam se organizar e começaram a vaguear como membros de uma Ordem quase desconhecida, mal-admirada e à beira do desaparecimento. A família religiosa de Santo Elias parecia um tronco seco e velho, fadado a se desmanchar em pó. Nossa Senhora não havia esquecido, contudo, o amor dos seus primeiros devotos. Era o instante esperado para fazer florescer no alto da ressecada vara uma das mais belas flores: São Simão Stock. Esse inglês, por sua reconhecida virtude, havia sido eleito para o cargo de Geral da Ordem. Todavia, não lograva exercer uma autoridade efetiva sobre cada um dos seus monges, pois nem todos haviam ainda acatado a nova Regra. A virtude, porém, compensava a carência de poder jurídico. Rezando a Nossa Senhora com muito fervor, São Simão implorava-lhe que não permitisse o desaparecimento da Ordem Carmelita. Nessa aflitiva situação, a Virgem Santíssima apareceu ao seu filho dileto já ancião [em 1251] e entregou-lhe o Escapulário, como símbolo da sua aliança perene com aqueles que lhe quisessem ser fiéis. Naquela época os servos usavam uma túnica longa como traje civil. Sobre ela vestiam uma outra túnica menor, que indicava, pela cor e pelos símbolos ali pintados, a identidade do seu senhor. O Escapulário do Carmo era semelhante a essa pequena túnica. O que Nossa Senhora entregava, portanto, a São Simão Stock era uma verdadeira libré (roupa com o símbolo de uma determinada família), própria aos seus servos, para ser portada por todos os carmelitas. Àqueles que a utilizassem, prometeu: “Recebe, filho diletíssimo, o Escapulário da tua Ordem, sinal de minha amizade fraterna, privilégio para ti e todos os carmelitas. Aqueles que morrerem revestidos deste Escapulário não padecerão do fogo do Inferno. É um sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos e aliança de paz para sempre”. Esta maravilhosa promessa da Santíssima Virgem não é de pequena monta para um cristão que realmente deseja salvar a sua alma. Muitos Papas e teólogos têm explicado que quem tenha devoção ao Escapulário e o use efetivamente receberá de Maria Santíssima a graça da perseverança final ou a graça da contrição.

O privilégio Sabatino

A fidelidade dos carmelitas ao milagroso dom foi tão grande e agradou tanto a Nossa Senhora que uma segunda promessa veio dar novo grau de importância à devoção do Escapulário. Numa aparição ao Papa João XXII, referindose aos que trouxerem o Escapulário até a morte, a Santíssima Virgem diz: “Eu, Mãe de bondade, descerei no primeiro sábado após a sua morte e quantos achar no Purgatório livrarei e levarei ao monte santo da vida eterna”. O próprio Pontífice confirmou esta indulgência plenária na célebre Bula Sabatina, de 3 de Março de 1322, corroborada posteriormente por vários Papas como Alexandre V, Clemente VII, Paulo III, São Pio V e São Pio X. Em 1950 o Papa Pio XII escreveu sobre o Escapulário, exprimindo o seu desejo de “que seja o símbolo de consagração ao Imaculado Coração de Maria, do qual estamos muito necessitados nestes tempos tão perigosos”. O saudoso Papa João Paulo II também o recomendou insistentemente. Os sinais da eficácia dessa devoção ficaram, por assim dizer, escritos nas páginas da História. A partir da misericordiosa intervenção da Mãe de Deus, a ordem carmelitana refloresceu e conheceu novos períodos de glória, difundindo por todo o orbe católico o perfume de uma terna devoção à Santíssima Virgem. Nesta Ordem, surgiram três sóis da espiritualidade, para não citar senão eles, que hão-de reluzir para sempre no firmamento da Igreja: Santa Teresa, a Grande, São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus. De início, o Escapulário era de uso exclusivo dos religiosos carmelitas. Mais tarde, a Igreja, querendo estender os privilégios e benefícios espirituais a ele ligados a todos os católicos, simplificou o seu tamanho e autorizou que a sua recepção estivesse ao alcance de todos Exemplos de conversão e milagres O Escapulário não é somente o sinal da certeza da indulgência no instante do último suspiro. É um sacramental que atrai as bênçãos divinas para quem o usa com piedade e devoção. Inúmeros milagres e conversões marcaram seu uso entre os fiéis. As Crônicas do Carmelo transbordam de exemplos. Vejamos apenas alguns: 1. No mesmo dia em que recebeu da Mãe de Deus o Escapulário, São Simão Stock foi chamado a assistir um moribundo que estava desesperado.

Quando chegou, pôs sobre o pobre homem a libré marial, implorando à sua Senhora que mantivesse a promessa que lhe acabara de fazer. Imediatamente o impenitente arrependeu-se, confessou-se e morreu na graça de Deus. 2. Santo Afonso de Ligório morreu em 1787 com o Escapulário do Carmo. Quando transcorria o processo de beatificação do santo bispo, ao abrirse seu túmulo, constatou-se que o corpo estava reduzido a cinzas, assim como seu hábito. Apenas o seu Escapulário estava completamente intacto. Esta preciosa relíquia conserva-se no Mosteiro de Santo Afonso, em Roma. O mesmo fenômeno de conservação do Escapulário verificou-se quando se abriu o túmulo de São João Bosco, quase um século depois.

3. No Hospital de Belleview, de Nova York, foi internado um ancião. A enfermeira que o atendeu, vendo sob as suas vestes um Escapulário castanho-escuro, tratou logo de chamar um sacerdote. Enquanto este recitava a oração dos agonizantes, o doente abriu os olhos e disse: “Padre, eu não sou católico”. “Então, por que usas este Escapulário?” “Prometi a um amigo que o usaria sempre e que iria rezar todos os dias uma Ave-Maria.” “Mas estás à beira da morte, não queres tornar-te um católico?” “Sim, Padre, quero. Desejei-o toda a minha vida.” O sacerdote preparou-o rapidamente, batizou-o e ministrou-lhe os últimos sacramentos. Pouco tempo depois, o pobre senhor morria docemente. A Santíssima Virgem havia tomado sob a Sua proteção aquela pobre alma que se revestira do seu manto. De Portugal para o Brasil A Ordem de Nossa Senhora do Carmo instalou-se em Portugal quando o perfil da nação ainda era esculpido à espada por santos e heróis. O seu maior protetor foi o próprio bem-aventurado Nuno Álvares Pereira, chamado Nuno de Santa Maria, porque o terno amor a Maria Santíssima foi o mais alcandorado e sublime ideal da sua vida. Desde jovem, Nuno dedicara-se inteiramente a Ela e tudo o que fazia era em nome e honra da Mãe de Deus. Depois de armado cavaleiro, gravou na sua espada o nome de Maria e no seu estandarte a sua imagem. Nas grandes batalhas, sempre depositava nEla a esperança da vitória. Como agradecimento pelos enormes favores recebidos, mandou construir igrejas e conventos, como o Mosteiro da Batalha e a Igreja e o Convento do Carmo em Lisboa, onde, aos 72 anos, deixando o pomposo título de condestável, ingressou como irmão leigo, juntamente com outros companheiros de armas. O bem-aventurado Nuno Álvares Pereira nunca retirou o Escapulário. Estes monges carmelitas, vieram depois para o Brasil empenhando-se a fundo na evangelização. O Escapulário em Fátima No ápice dos fenômenos ocorridos em Fátima, quando Nossa Senhora demonstrou a 70 mil pessoas reunidas na Cova da Iria a veracidade das revelações realizando o famoso milagre do sol, um outro fenômeno, este bem menos conhecido, carregava ainda mais de significado a mensagem transmitida aos três pastorinhos. Enquanto todos viam o sol bailar no céu e como que precipitar-se sobre a multidão atônita, os pequenos videntes viam a Mãe de Deus revestida do hábito da Ordem do Carmo, com o Menino Jesus no colo apresentando o Escapulário. Sem querer esgotar a interpretação do fato, pode-se dizer que Nossa Senhora quis mostrar uma síntese do seu papel de medianeira na história da salvação dos homens, ligando o Escapulário à vontade de Deus de implantar no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria, como meio mais eficaz para a conversão dos pecadores. Este sinal tão inequívoco, porém, não tem sido notado pela grande maioria dos devotos de Fátima, que deixam muitas vezes de lançar mão deste privilegiado meio de receber abundantes graças e de obter a conversão de muitos pecadores. Sem dúvida, Nossa Senhora quis nos deixar claro que o remédio para a profunda descristianização da sociedade que estamos presenciando é e será sempre o mesmo, ou seja, uma terna devoção à Mãe de Deus, que é o meio mais fácil e garantido de chegar a Jesus Cristo único Salvador. Para aqueles que desejam realmente ter a Maria Santíssima no seu coração e, ao mesmo tempo, cobrir-se do “Vestido de Graça” que Ela lhe oferece, o Escapulário é um meio eficaz. A estes fica reservada a alegre certeza de que, ao fechar os olhos para esta vida e ao abri-los para a eternidade, encontrarão o sorriso de uma Mãe terníssima que não abandonará aqueles que a serviram com alegria neste vale de lágrimas. • Questões práticas sobre o Escapulário

1 – Goza dos privilégios aquele que se torna membro da família carmelitana recebendo o Escapulário, que deve ser necessariamente imposto pelo sacerdote, segundo o ritual previsto. Em caso de perigo de morte, sendo impossível buscar um sacerdote, até mesmo o leigo o pode impor, recitando uma oração a Nossa Senhora e utilizando um Escapulário já bento.

2 – Ordinariamente, qualquer sacerdote ou diácono pode efetuar a imposição do Escapulário. Para isso, deve utilizar uma das fórmulas para a bênção, prevista no Ritual romano.

3 – O Escapulário deve ser usado de maneira moralmente contínua (mesmo durante a noite); permitindo-se em caso de necessidade, como para lavar- • 23• O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo se, retirá-lo, sem perder o benefício da promessa.

4 – O Escapulário é bento apenas uma vez, na imposição, para toda a vida. A bênção do primeiro Escapulário é transmitida aos demais. 5 – Existe também a medalha escapulária. O Papa São Pio X concedeu a faculdade de substituir o Escapulário de tecido por uma medalha, que deve ter numa das faces o Sagrado Coração de Jesus e, na outra, qualquer imagem de Nossa Senhora. Pode-se usá-la ininterruptamente (ao pescoço ou de outro modo) e gozar dos mesmos benefícios.

5 – Contudo, a   Existe também a medalha escapulária. O Papa São Pio X concedeu a faculdade de substituir o Escapulário de tecido por uma medalha, que deve ter numa das faces o Sagrado Coração de Jesus e, na outra, qualquer imagem de Nossa Senhora. Pode-se usá-la ininterruptamente (ao pescoço ou de outro modo) e gozar dos mesmos benefícios.

Condições para beneficiar-se das promessas

1 – Para beneficiar-se da promessa principal, a preservação do Inferno, não existe qualquer outra condição que o próprio uso do Escapulário, desde que se tenha recebido com reta intenção e que a pessoa o traga efetivamente na hora da morte. Considera-se, para este efeito, que a pessoa continuou a portá-lo se for privada dele sem o consentir, como no caso dos doentes nos hospitais. 2 – Para beneficiar-se do “privilégio sabatino” (ser livre do Purgatório no sábado seguinte à morte), faz-se necessário preencher três requisitos.

a) Portar habitualmente o Escapulário (ou a medalha). b) Conservar a castidade, consoante ao próprio estado (total, para os celibatários; e conjugal para os casados). Note-se que esta é uma obrigação de todo e qualquer cristão, mas só gozarão deste privilégio aqueles que viverem habitualmente em tal estado. c) Recitar cotidianamente o pequeno Ofício de Nossa Senhora. Esta condição, porém, o sacerdote, ao fazer a imposição, pode mudá-la, para facilitar ao leigo o seu cumprimento. Costumase substituí-la pela recitação diária do terço. As pessoas não devem recear pedir ao sacerdote esta mudança. 3 – Aqueles que recebem o Escapulário e depois o deixam de portar não cometem qualquer pecado. Apenas deixam de receber os benefícios. Aquele que voltar a portá-lo, mesmo que o tenha deixado por um longo tempo, não necessita de nova imposição do sacerdote e voltará a receber os privilégios.

Indulgências ligadas ao Escapulário

a) É concedida indulgência parcial àquele que, portando piedosamente o Escapulário, ou a medalha, faça um ato de união com a Santíssima Virgem ou com Deus através do Escapulário, por exemplo, beijando-o, formulando uma intenção ou um pedido. b) É concedida uma indulgência plenária (remissão de todas as penas do purgatório) no dia em que se recebe pela primeira vez o Escapulário, e também nas festas de Nossa Senhora do Carmo, 16 de Julho; de Santo Elias, 20 de Julho; de Santa Teresa do Menino Jesus, 1o de Outubro; de todos os Santos da Ordem do Carmelo, 14 de Novembro; de Santa Teresa de Jesus, 15 de Outubro; de São João da Cruz, 14 de Dezembro, e de São Simão Stock, 16 de Maio. É bom notar que as indulgências são recebidas se preenchidas as condições: Confissão, comunhão, ausência de afeto a todo pecado, mesmo os veniais, e uma oração pelas intenções do Santo Padre (considera-se suficiente rezar um “Pai-Nosso”, uma “AveMaria” e o “Glória”).

Nota importante

Não é preciso dizer que aqueles que se permitem deliberadamente viver uma vida de pecado, julgando que por usarem o Escapulário irão salvar-se, fazem muito mal. Deus poderá permitir que morram sem ele. Porém, não devemos combater o uso do Escapulário pelos pecadores. São Cláudio La Colombière, jesuíta, em um sermão que pregou na Igreja dos Carmelitas de Lyon sobre a Virgem do Carmo, diz: “Não vos quero lisonjear: de nenhum modo se pode passar de uma vida pecadora e desordenada para a vida eterna, senão pelo caminho da sincera penitência; porém, esse sincero arrependimento, de tal modo a mais carinhosa das mães o saberá facilitar que, quando menos pensardes, fará brilhar nas vossas almas um raio de luz sobrenatural que num instante vos fará ver o engano”. “