A IGREJA É IMACULADA E INDEFECTÍVELm

Estimados irmãos e irmãs, como estamos na 3ª semana da Quaresma, não poderia deixar de dar continuidade a reflexões sobre temas religiosos, que afinal de contas são os mais importantes e a prova disto é a apetência a tais assuntos demonstrada por nossos leitores. Ademais,  estamos vivendo momentos difíceis e confusos e vemos a Igreja Católica,  sendo alvo de ataques constantes e infundados e perseguida de várias formas, nos mais diversos países do mundo.

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Santa Cruz de Cabrália – BA

 Isto me causa indignação e sinto-me na obrigação de trazer para os estimados leitores um belíssimo e bem fundamentado artigo, escrito em 2010, em defesa da Igreja Católica, que considero perfeito, o qual  faz uma retrospectiva histórica, do que era o mundo antes e depois da instituição da Igreja por Nosso Senhor Jesus Cristo, com robusta  bibliografia, na qual figuram grandes teólogos e filósofos e historiadores de renome.

Quero compartilhá-lo com meus irmãos e irmãs para mostrar a misericórdia de Deus ao fundar a Igreja que é Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana, e que se não tivesse a Promessa divina da imortalidade, já teria sucumbido, aos ataques, traições e infidelidades, das mais variadas formas.  Pois como Ele mesmo disse ao  Apóstolo São Pedro:

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“Simão tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; tudo que ligares na terra será ligado no céu, e tudo que desligares na terra será desligado no céu, e as portas do inferno não prevalecerão sobre Ela”

Nestas palavras de Nosso Senhor percebemos, que  o seu amor à Igreja, que é  verdadeiramente sua esposa sem mancha, da qual Ele é a Cabeça, permanecerá hoje e sempre, e por toda eternidade! E isto ficará muito bem explanado no texto que hoje lhes presenteio, muito atual e de uma importância transcendental.

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Igreja de São Francisco de Assis – Salvador-BA

 Foi publicado na revista do Instituto Teológico São  Tomás de Aquino e do Instituto Filosófico Aristotélico-Tomista,  e é da lavra do Monsenhor João S.  Clá Dias, E.P…

 A IGREJA É IMACULADA E INDEFECTÍVEL

“Uma saraivada de notícias tenta macular a Igreja Católica, tomando por motivo abusos de crianças cometidos por parte de sacerdotes católicos.

Utilizar falhas gravíssimas, mas circunstanciais, relativas a uma  minoria de clérigos, para enxovalhar toda a classe sacerdotal é uma INJUSTIÇA! E usar isso como pretexto para tentar derrubar a Igreja é DIABÓLICO.

Quanto mais o espírito libertário, relativista e neopagão de nossa época se infiltra na Igreja, tanto mais é de temer que aconteçam crimes de pedofilia. Daí mesmo a necessidade de implantar nos seminários um sistema rigoroso de seleção, de modo a só admitir como candidato ao sacerdócio quem não tenha propensão de pactuar com o mundo, mas queira ensinar a prática da doutrina católica em toda a sua pureza, e dar exemplo. Foi a Igreja que livrou o mundo da imoralidade, e é porque está rejeitando a Igreja que o mundo tem afundado novamente no lodo do qual foi resgatado.”

Vejam caríssimos, vamos aprofundar o tema, conhecendo fatos históricos que  ocorriam no contexto  de sociedades do mundo antigo, que viviam sob a   tirania esmagadora dos seus governantes, em  ambientes promíscuos, cruéis e perversos ,e que deixaram consequências maléficas cujos  efeitos se prolongam até os dias de hoje em que pese a ação educativa  e formativa desenvolvida pela Igreja, de modo exímio.

 Com efeito, foi a partir do conhecimento das máximas do Evangelho e da Pessoa Adorável do Homem-Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, que se operou paulatinamente uma profunda e profícua transformação  nos homens, comprada com seu  sangue redentor .

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Na sua impenetrável sabedoria e misericórdia, Deus, em vez de castigar mais uma vez a humanidade com um outro Dilúvio ou algum castigo do gênero, preferiu enviar ao mundo o Seu filho Unigênito, a Sabedoria Eterna e Encarnada, gerado no seio puríssimo de sua Santíssima Mãe Maria, para resgatar a humanidade dos grilhões do pecado, fazendo com esta uma nova e eterna aliança.

Mas prossigamos nossa leitura:

“O MUNDO DO PAGANISMO ERA UM INFERNO

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Antes de Nosso Senhor Jesus Cristo, pregar entre os homens a Boa Nova do Evangelho, o mundo estava mergulhado numa prolongada e terrível noite, em que reinavam a devassidão moral, o egoísmo, a crueldade, a desumanidade e a opressão, conforme a história nos ensina. Basta-nos recordar o que a mitologia greco-romana diz dos vários deuses de seu panteão. A religião pagã propunha como exemplos a serem imitados, iniquidades dos deuses. A sociedade influenciava a religião, de modo que os mitos refletiam os costumes então em voga.

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Sacrifício de crianças ao deus pagão

A situação da mulher era horrível. Ela era praticamente considerada com uma escrava  do marido. As próprias religiões, mesmo as mais  elevadas,  conduziam as mulheres – como, naturalmente, também os homens – às grandes depravações. Heródoto é um dos que nos fornece informações sobre a “prostituição sagrada”, praticada nos tempos da Babilônia, Assíria, Grécia, Síria, Chipre e em  outros lugares.

A honorabilidade feminina era ainda ferida pelo costume da poligamia. O Código de Hamurabi está repleto de normas que espelham o estado de opressão da mulher nas civilizações antigas, a qual, muitas vezes, era punida com a morte, a escravidão ou o repúdio. Em Atenas, para obviar de algum modo  a parcialidade no tratamento dado às filhas,  a lei incorreria em uma aberração ainda maior, ao incentivar o incesto. Em Roma, na época em que a Boa Nova de Jesus Cristo já estava sendo pregada, a instituição da família encontrava-se em profunda crise. A natalidade decrescia. Os homens ricos preferiam manter-se solteiros e cercar-se de inúmeras escravas, a se sujeitar aos incômodos do casamento.

A SITUAÇÃO DAS CRIANÇAS ANTE O ESTADO TODO-PODEROSO

A família greco-romana também era totalitária sob certos aspectos. Assim, o Direito Romano dava um poder ditatorial ao “pater familias”. Na Grécia, vigoravam leis semelhantes. O pai tinha o direito de rejeitar seu filho recém-nascido, ou vendê-lo como escravo. Também podia condenar à pena de morte a esposa, um filho, uma filha, ou qualquer outro morador de sua casa, executando-se sem demora a sentença; as autoridades do estado não interferiam.

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Em Esparta, comenta Coulanges, “ o Estado tinha o direito de não tolerar que seus cidadãos fossem disformes ou mal constituídos. Por isso ele ordenava ao pai ao qual nascesse um filho nessa situação, que o fizesse morrer”. Essa lei se encontrava igualmente nos antigos códigos de Roma, Até Aristóteles e Platão incluíram, em suas propostas de legislação, essa prática.

A CHAGA DA PEDOFILIA

Aquilo que a imprensa de hoje denomina de pedofilia era largamente praticado no mundo antigo, ao amparo da lei, por influência das religiões pagãs. Na Grécia, ocorria como prática legal a corrupção sexual de meninos, mais propriamente chamada pederastia. Todo homem adulto que não fosse escravo tinha o direito de praticá-la. Roma acabou sendo contaminada pelo mal grego, a ponto de vários imperadores procurarem por amantes adolescentes. Meninos considerados belos, se fossem feitos prisioneiros de guerra, ou raptados, ou vendidos pelos pais, eram mutilados a fim de alimentar todo um tráfico de eunucos. Não escapavam nem mesmo os filhos da nobreza”.

 Abrindo um parêntese: vemos, hoje, atos monstruosos praticados  em vários países, até mesmo nos  que são classificados como desenvolvidos,  contra crianças , que não são dignos de serem mencionados neste “post”. Na verdade, são uma inevitável consequência do afastamento da humanidade de Deus  e dos ensinamentos da Igreja. Há pensadores que afirmam que em pleno século XXI, muitos homens tornaram-se neobárbaros, porque foram redimidos pelo Sangue sagrado de Nosso Senhor Jesus Cristo mas o rejeitaram!

Continuando:

“Na Grécia, qualquer menino podia se tornar alvo dos desejos de homens adultos. E o costume era que cedesse. Se um pai, dotado de um resto de sensibilidade moral, desejasse poupar essa tragédia aos filhos, tinha de agir antes de ela acontecer, empregando escravos que, como falcões, vigiassem os meninos. As escolas – as tão elogiadas Academias – eram locais onde os estudantes de até 12 anos de idade ou mesmo os mais jovens ficavam à mercê dos mestres. As leis atenienses chegavam ao absurdo de proteger e incentivar essa prática, inclusive regulando o flerte e o “namoro”entre homens e meninos.

A filosofia Grega chegou a debater essa prática, sem nunca condená-la por completo. Com efeito, o “amor platônico” é muito difícil de ser praticado, pois, em matéria de castidade, o homem não consegue ficar permanentemente no meio termo. Os gregos chegaram a considerar o relacionamento entre homem e mulher como inferior ao relacionamento entre homem e menino. A mulher tinha de ser desprezada, relegada ao papel de mera reprodutora.

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Em Roma, também as meninas podiam ser vítimas de abuso sexual. É o que se deduz das palavras de  SÃO JUSTINO, em sua Apologia, nas quais vitupera o costume de crianças rejeitadas – meninos e meninas – serem criadas para a prostituição:

 

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“E assim como os antigos criavam rebanhos de bois, bodes, carneiros ou cavalos, assim vós agora criais crianças destinadas a esse vergonhoso uso; e para esse uso impuro, uma multidão de mulheres e hermafroditas, e aqueles que cometeram iniquidades que nem podem ser mencionadas, se espalham por toda nação.[…]  E há aqueles que prostituem até mesmo seus próprios filhos e  mulheres; alguns são abertamente mutilados para serem usados na sodomia”. Esse é o mundo quando nele não está presente a Santa igreja de Deus.

 

O CHOQUE DOS VALORES DO EVANGELHO COM OS CONTRA VALORES MUNDANOS

 A mensagem de Jesus cristo veio desequilibrar o carcomido mundo antigo. Um horror especial ao pecado da pedofilia foi instilado nas almas por nosso Divino Mestre, com palavras de uma extrema severidade:

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“ Se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt.18,6). Ante a sublimidade do Evangelho, o paganismo não conseguiria ficar indiferente. Só lhe restavam duas reações: ou encantar-se e submeter-se ao suave jugo de  Deus, ou odiar e perseguir, não poucos se converteram. Muitos, porém, aferraram-se ao lodo, e seu ódio  levou ao martírio milhões de cristãos. Os pagãos passaram a acusar os cristãos exatamente dos delitos que o paganismo cometia.

É digno de nota que uma das acusações era a da pedofilia, agravada com incesto. São Justino comenta: “As coisas vós fazeis abertamente e com aplauso, […] dessas mesmas coisas vós nos acusais”. E Arnóbio lança ao rosto dos pagãos; “Quão vergonhoso, quão petulante é censurar, em outro, aquilo que o acusador vê que ele mesmo pratica – aproveitar a ocasião para ultrajar e acusar outros de coisas que podem se retorquidas contra ele mesmo!”

 UMA CIVILIZAÇÃO GOVERNADA PELO EVANGELHO

 A Igreja Católica acabou por vencer, em virtude de força intrínseca do bem. E aos poucos, auxiliada pela graça divina, que nunca falha,  tomou os greco-latinos decadentes e os bárbaros germânicos, converteu-os e inspirou a edificação de uma brilhante civilização cujo ápice, nunca antes alcançado, ocorreu nos séculos XII e XIII.

Nessa época, segundo diz o Papa Leão XIII, “ a influência da sabedoria cristã, a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil” Da relação harmoniosa entre o poder religioso e o temporal, “ a sociedade civil deu frutos superiores a toda  expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em  inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper  ou obscurecer”.

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Papa Leão XIII

Foi nesse tempo que a Igreja  desenvolveu a escolástica, edificou as catedrais góticas, criou as universidades e os hospitais, impulsionou as ciências e o progresso técnico, aperfeiçoou as relações  internacionais entre os estados, aboliu a escravidão,  fez avançar o progresso  social, elevou a condição da mulher, de tal modo que, no século XIV, a Europa havia ultrapassado de muito todos os outros continentes. Quanto mais avançavam os estudos históricos e científicos sobre esta matéria, tanto mais vai ficando demonstrada a verdade, jogando por terra o mito de que a Idade Média foi uma era de atraso e de opressão. A literatura especializada a tal respeito vai se multiplicando.

   UM PONTO IMPORTANTÍSSIMO:

POR QUE ACUSAR SÓ A IGREJA?

Entretanto, sempre houve minorias inconformes com o domínio da virtude, da verdade e do bem, de modo que, periodicamente, a Igreja  se vê vítima de novas investidas. Um dos procedimentos preferidos continua a ser o de acusar a Igreja precisamente dos delitos que o próprio mundo não se envergonha de cometer.

Quais são os maiores destruidores da inocência infantil hoje em dia?

Quem promove uma pornografia irrefreável, que não respeita nem idade, nem dignidade, e que incita a todo tipo de crime sexual?

Quais os que, de todos os modos, pressionam as escolas para iniciarem as crianças em práticas imorais?

Quem impulsiona as mudanças das leis de maneira a abolir a influência cristã e a substituí-la pelo velho paganismo?

Eis questões que pedem respostas; eis um tema muito apropriado para estudo e reflexões.

A SANTIDADE SUBSTANCIAL DA IGREJA

Resta perguntar como pode a Igreja manter-se santa ante as evidências de que alguns padres cometem esses graves delitos. Na realidade, o argumento mais forte contra a Igreja Católica sempre foi a vida dos maus católicos. Contudo, não nos pode surpreender que na Igreja de Cristo haja membros indignos. O próprio Jesus comparou  sua Igreja à rede   que apanha maus e bons peixes (cf.Mt 13,47-50); ao campo onde o joio cresce entre o trigo (cf.Mt 13m 24-30); à festa de casamento, para qual um dos convivas se apresenta sem a veste nupcial (cf. Mt 22, 11-14).

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Não obstante, a Igreja será sempre sem manchas, como ressalta São Paulo:

“Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef. 5,25-27)

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São Paulo

A Igreja é a única que tem uma dimensão divina. Por isso, apesar das faltas de sua dimensão humana, sua substância permanece sempre pura. Ela é santa, porque Santo é seu Fundador: é a imaculada Esposa  de Cristo. Só os homens da Igreja são pecadores, mas a Santa Madre Igreja não pode pecar, ressalta Paulo VI:

“não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui  em si outra vida senão a da graça: e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da santidade” Portanto para qualquer membro da Igreja incluindo os pertencentes ao clero, aplica-se esta regra: eles somente caem quando diminuem seu amor à Igreja e relaxam em seu compromisso para com ela.

A Igreja tem por finalidade a santificação dos homens de Cristo, Governada e composta por pecadores, ela é indefectivelmente santa, conforme provam os frutos abundantes  de santificação que tem produzido. Um possante sinal dessa santidade é a observância  voluntária dos conselhos evangélicos, pelo qual centena de milhares de homens e mulheres, renunciam a tudo o que poderiam ter de legítimo nesta vida  – família, posses, liberdade de decidir o que fazer –  para imitar totalmente a Cristo  Jesus.

DE CADA PERSEGUIÇÃO A IGREJA SAI FORTALECIDA

Haja o que houver, contemplando a sua própria história, a Igreja Católica pode dizer com Cícero:

“ALIOS VIDI VENTOS, ALIAS PROSPEXI ANIMO PRECELLAS”.

Como das investidas anteriores, ela sairá ainda mais forte da atual refrega. Incontáveis reações pelo mundo afora já antecipam tal desfecho. Na Irlanda e na Espanha, as igrejas se encheram, durante a \Semana Santa. Nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países do Ocidente, o número de conversões aumentou. Vários jornalistas, muitos dos quais não católicos, tomaram a defesa da Igreja. Será preciso lembrar que  as perseguições são indispensáveis para o alcandoramento da Esposa de Cristo? E também para sua renovação? Com efeito diz São Paulo:

“ Num oportet et hereges esse ut qui probati sunt manifestifiant in vobis. É necessário que entre vós haja hereges para que possam manifestar-se os que realmente são virtuosos”. (1 Cor 11,19)

Para destacar a perenidade da Igreja Católica Apostólica Romana, Santo Agostinho nos deixou esta sábia reflexão:

“A Igreja vacilará, se vacilar seu fundamento. Mas pode Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá  intacta até o fim dos tempos”.

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Depois desse depoimento primoroso, sejamos agradecidos ao nosso Bom Jesus que instituiu a Santa Igreja Católica, para dar prosseguimento até o final dos temos, ao seu Sacrifício salvífico, através do Pão da Palavra e da generosa distribuição dos sacramentos, do exemplo dos seus santos, e em meio ao joio que em vão tenta se sobrepor ao trigo, que jamais deixará de crescer e alimentar a todos os homens, pois as palavras do Divino Mestre são eternas:  AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO SOBRE  ELA, SUA  SANTA , IMACULADA E INDEFECTÍVEL IGREJA!

 

 

 

 

 

Deus te vê!

Estimadíssimos leitores, como é do conhecimento de todos, está ficando cada vez mais difícil encontrarmos novas e boas histórias para crianças. Assim, fiquei muito contente ao deparar-me com um texto atraente e formativo, e por isto apropriado  para crianças, mas que  serve também para jovens que estão iniciando sua adolescência, e até para pessoas  adultas  que têm Fé e uma alma que sabe admirar  as coisas belas, e ao mesmo tempo simples e inocentes,  que podem ser encontradas em todos os continentes do nosso planeta.

Uma história infantil de bom quilate deve conter  um bom exemplo,  uma lição de vida,  dever ser inocente pois tem como público alvo as crianças  que devem ser  tratadas com respeito e carinho , como nos ensinou o Divino Mestre Jesus em várias oportunidades, admoestando severamente a quem de algum modo as escandalizasse, como lemos no Evangelho de São Mateus, 18, 6 :

– ” Mas se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crê em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.”

É uma história encantadora e cheia  de surpresas , que gostaria de compartilhar com vocês.

                                                                      DEUS TE VÊ

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“O Edifício que abrigava o convento localizado nas montanhas  era imponente e grandioso, mais parecia um castelo de Deus. E isso em nada prejudicava o espírito de pobreza  das virtuosas monjas que ali habitavam. Ao contrário,  recolhidas e totalmente voltadas à oração, na mais perfeita observância à regra de sua Ordem, o panorama e o ambiente as ajudavam a aproximar-se do Criador, pois sabiam que tudo concorreria pra a glória d’Ele, para quem viviam.

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Trabalhavam a terra, comiam o que cultivavam e vendiam doces feitos com as frutas que lhes produzia seu generoso pomar. Eram famosas as maçãs do convento. Todos da região comentavam que nunca se havia visto outras tão belas e saborosas.

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Naquelas cercanias vivia Eduardo e seu avô, a quem ajudava em sua marcenaria. Ele sonhava com as maçãs das religiosas… Sempre que podia, escapulia com seu cachorrinho Faru para brincar perto  do convento e tentar descobrir onde ficava o pomar. Tinha esperança de achar alguma fruta caída pelo chão.

Já havia feito a Primeira Comunhão e sabia que não podia pegar nada alheio. Mas, se a maçã  estivesse fora do muro não teria mais dono… O cão farejava por todos os lados, o menino buscava e buscava, e nunca encontraram nada!

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Uma tarde, porém, enquanto vasculhavam os arredores do convento, abriu-se devagar seu imenso portão de madeira.

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– Faru – disse Eduardo ao cachorrinho, será que vão zangar-se conosco por estarmos aqui?

Assustado, ele olhava para aquela porta tão grande e gasta pelo tempo, na expectativa do que ia acontecer. Apareceu, então, a irmã porteira, já mais velha e com a fisionomia bondosa.

– Bom dia, meu pequeno! Como você se chama?

-Bom dia Madre! – respondeu – meu nome é Eduardo. E a senhora, como se chama?

– Sou a Irmã Maria de Jesus e sempre o vejo brincar por aqui com seu cachorrinho. Você mora por perto?

– Au, au, au – ladrou Faru, abanando o rabinho amistosamente, percebendo que havia sido mencionado.

– Quieto Faru –  ralhou o menino. E,dirigindo-se à freira, continuou:

–  Sim, moro aqui pertinho com meu avô, que é marceneiro.

-Marceneiro?! – Há tempos buscamos um, a fim de consertar vários móveis das salas e do refeitório. Será possível ?  Pediremos as devidas autorizações ao Senhor Bispo, para que ele possa entrar em nossas clausura e trabalhar.

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– Vou falar com ele. Acho que poderia sim. Só que eu teria que entrar também,  pois sou seu principal ajudante…

– Não tem problema, pedimos a autorização para um rapazinho mais – disse a religiosa.

O menino despediu-se da nova amiga e desceu a ladeira, em disparada, para contar ao avô. Teriam um boníssimo trabalho e ele realizaria seu grande sonho: entrar no convento e conhecer as tão famosas maçãs…

– Vovô, vovô! Veja o que aconteceu… E narrou-lhe tudo.

O avô aceitou a proposta, pois precisavam mesmo de trabalhos novos. A últimas encomendas estavam quase terminadas e ele estava ficando preocupado com sua sobrevivência e  do neto, caso não aparecesse algo. Eram tempos escassos aqueles!

Passadas algumas semanas, chegaram as autorizações do Prelado. Eduardo e o avô se dirigiram ao convento para iniciar o trabalho. O menino estava emocionado. Não havia levado Faru, pois podia atrapalhar seus intentos. Contudo, sentia falta do amiguinho nessa hora tão especial.

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Entraram pelo grande e antigo portão, e todas as freiras, avisadas das visitas, se recolhiam à sua passagem para guardar a clausura. Visitaram o Santíssimo Sacramento na bela capela, iluminada àquela hora da manhã pelos raios de sol que incidiam sobre os vitrais, pintando os mármores do piso e das colunas com as mais variadas e brilhantes cores.

 

Depois de ver o que deveriam fazer, avô e neto começaram a trabalhar, serravam, martelavam, lixavam e poliam… Eram marceneiros de mãos cheias.

A hora do lanche, Eduardo parou para descansar e decidiu explorar os aposentos do convento, pensando: – “Chegou a hora! Vou buscar a despensa.  Seguramente ali estarão armazenadas as maças, pois não posso ir ao pomar”.

 

Encontrando a cozinha, refletiu:  -“Ninguém guarda alimentos muito longe da cozinha. A despensa deve estar por aqui…”.

Andava pé ante pé para não despertar a atenção de uma freira. No fundo de um corredor, deu de frente com a tão cobiçada despensa. Lá entrando, viu vários armários, todos muitos limpos e ordenados , onde havia latas de arroz, feijão, farinha e açúcar onde estariam as maçãs?

Seu coração batia aceleradamente… Abria todas as portas e encontrava potes de vidro, copos, louça, vasilhas de barro, conchas e colheres de pau. E nada de maçãs… Por fim quando abriu o último armário, oh alegria! Ali estavam as maçãs! Havia também peras, goiabas e laranjas. As maçãs eram de um vermelho como nunca vira. E enormes! Olhou ao redor, para certificar-se de estar sozinho, e ficou na ponta dos pés até alcançar uma delas…

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Nesse momento, seu olhar pousou em um bonito azulejo decorativo fixado na parede, que dizia com grandes letras azuis e douradas:

                                                            “DEUS TE VÊ”

Eduardo ficou pálido…Era verdade! Deus o via e ele estava prestes a roubar uma maçã!

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Fechou a porta do armário devagar e voltou cabisbaixo pata junto do avô. Não teria sabor aquela maçã tão bonita  se tivesse sido roubada… Sempre se lembrava disso em sua vida, pois Deus vê todos os nossos atos, os pecaminosos, os certos e honestos. Jamais estamos sozinhos!

Chegada a hora do almoço, a Irmã Maria de Jesus veio trazendo-lhes uma deliciosa sopa de galinha e verduras frescas, colhidas na  horta. E como sobremesa… maçãs!  O menino mal podia acreditar. Provou a fruta e parecia do paraíso. Nunca comera algo igual! E não havia só uma, foram várias as que a freira lhes ofereceu.

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Assim também age Deus conosco. Ele recompensa em abundância aqueles que são honestos, retos de consciência e que procuram viver a vida sabendo que Ele é misericórdia, amor, perdão, mas algo que esquecemos muito: Ele é Temor; sim devemos  lembrar disso a todo instante com nossos atos que praticamos na nossa vida, pois Deus Vê Tudo”.

Espero estimados irmãos  e irmãs, que tenham tirado boas lições desta singela mas profunda história! Mais atual do que nunca, não é verdade?

Deus seja louvado sempre!

Bibliografia:

Histórias para Crianças ou Adultos cheios de Fé – Revista Arautos do Evangelho

Irmã Juliana Vasconcelos Almeida Campos, EP

 

Sábias palavras

Quero registrar nesse “post”, a emoção e a alegria de poder passar para meus irmãos e minhas irmãs,  excertos da Encíclica” Spe Salvi”, de 30 de novembro de 2007, escrita pelo Papa Emérito Bento XVI.

Já havia lido trechos desta riquíssima Carta de nosso amado Papa Ratzinger e lendo as últimas notícias deste mundo tão feio, por vezes, assustador e caótico , em que vivemos, em  meio a sinais de esperança e  de algumas “lufadas de ar puro”, nada como deleitar a alma com leituras de uma pulcritude que liga a terra ao Céu.

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E como estamos na primeira  semana da quaresma, achei muito oportunos e atuais os ensinamentos  deste insigne teólogo e pensador  para reflexão de nossos caríssimos leitores, sobretudo porque  a quaresma é um tempo de penitência e oração que nos  prepara para a Ressurreição do Senhor, a Páscoa,  o ápice do Ano Litúrgico. É tempo  forte e repleto de graças, propícias ao arrependimento, perdão, e mudança de vida, como já tivemos oportunidade de refletir em outro “post”.

LUZES VIZINHAS QUE ORIENTAM A NOSSA VIDA

“A vida humana é um caminho, Rumo a qual meta? Como achamos  o itinerário a seguir?

A vida é como uma viagem no mar da História, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem,  na qual  perscrutamos os astros que nos indicam a rota.

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A verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão. Elas são luzes de esperança. Certamente, Jesus Cristo é a Luz por antonomásia, o  Sol erguido sobre todas as trevas da História. Mas, para chegar até Ele precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão Luz recebida  da Luz d’Ele e  oferecem, assim,  orientação para a nossa travessia.

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E   quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela de esperança?  Ela que, pelo seu ” sim,” abriu ao próprio Deus a porta do nosso mundo; Ela que Se tornou a Arca da Aliança  viva, onde Deus Se fez carne, tornou-se um de nós e estabeleceu a sua tenda no meio de nós (cf. Jo 1, 14).

Por isso, a Ela nos dirigimos:

Santa Maria, Vós pertencíeis àquelas almas humildes e grandes de Israel que, como Simeão, esperavam “a consolação de Israel” (Lc 2,25) e, como Ana, aguardavam a “libertação de Jerusalém” (Lc 2, 38).

O SIM DE MARIA TORNOU REALIDADE A ESPERANÇA

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Vós vivíeis em íntimo contato com as sagradas Escrituras de Israel, que falavam da  esperança, da promessa feita a Abraão e à sua descendência (cf Lc 1,55). Assim, compreendemos o santo temor que Vos invadiu, quando o Anjo do Senhor entrou nos Vossos aposentos e Vos disse que daríeis à Luz Aquele que era a esperança  de Israel e o esperado do mundo.

Por  meio de Vós, através do Vosso “sim”, a esperança dos milênios havia de se tornar realidade, entrar neste mundo e na sua História. Vós Vos inclinastes diante da grandeza desta missão e dissestes “sim”. ” Eis a escrava do Senhor, faça-se em Mim segundo a Tua palavra” (Lc1,38).

Quando, cheia de santa alegria, atravessastes apressadamente os montes da Judeia para encontrar a vossa parente Isabel, tornastes-Vos a imagem da futura igreja, que no seu seio leva a esperança do mundo através dos montes da História. Mas, a par da alegria que difundistes pelos séculos, com as palavras e com o cântico do vosso Magnificat, conhecíeis  também  as obscuras afirmações dos profetas sobre o sofrimento do Servo de Deus neste mundo,

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Sobre  o nascimento no presépio de Belém brilhou o esplendor dos Anjos que traziam a boa-nova aos pastores, mas, ao mesmo tempo era demasiado palpável. O velho Simeão falou-vos da espada que atravessaria o Vosso Coração (cf Lc 2, 35), do sinal de contradição que vosso Filho haveria de ser neste mundo.

 

A HOSTILIDADE E A REJEIÇÃO SE AFIRMARAM Á VOLTA DE JESUS

Depois quando iniciou a atividade pública de Jesus, tivestes de Vos pôr de lado, para que pudesse crescer a nova família, para cuja constituição Ele viera e que deveria desenvolver-se com a contribuição daqueles que tivessem ouvido e observado a sua palavra (cf. Lc 11, 27s). Apesar de toda a grandeza e alegria do primeiro início da atividade de Jesus, Vós, já na sinagoga de Nazaré, tivestes de experimentar a verdade da palavra sobre o “sinal de contradição.” (cf.Lc 4, 28s)

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Assim, vistes o crescente poder da hostilidade e da rejeição que se ia progressivamente afirmando à volta de Jesus até à hora da Cruz, quando tivestes de ver o Salvador do mundo, o herdeiro  de Davi, o Filho de  Deus morrer como um falido, exposto ao escárnio, entre os malfeitores. Acolhestes então a palavra:” Mulher, eis aí o teu filho” ( Jo 19, 26).

maria_aos_pes_da_cruz_1.jpgDa Cruz, recebestes uma nova missão. A partir da Cruz ficastes Mãe de uma maneira nova:  Mãe de todos aqueles que querem acreditar no vosso Filho Jesus e segui-Lo. A espada da dor trespassou o vosso Coração. Tinha morrido a esperança? Ficou o mundo definitivamente  sem luz, a vida sem  objetivo?

” NÃO TEMAS MARIA”

Naquela hora, provavelmente, no vosso íntimo tereis ouvido novamente a palavra com que o Anjo tinha respondido ao vosso temor no instante da Anunciação: “Não temas, Maria!” (Lc 1,30).

Quantas vezes o Senhor, o vosso Filho, dissera   a  mesma coisa aos seus discípulos: Não temais! Na noite do Gólgota, Vós ouvistes outra vez esta palavra. Aos seus discípulos, antes da hora da traição, Ele tinha dito: “Tende confiança! Eu venci o mudo” (Jo 16,33). ” Não se turve o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14, 27).

“Não temas Maria!” Na hora de Nazaré, o Anjo também vos tinha dito: ” O seu reinado , não terá fim” (Lc 1, 33). Teria talvez terminado antes de começar?  Não;  junto da  Cruz, na base da palavra mesma de Jesus,  Vós tornastes-Vos Mãe dos crentes. Nesta fé que,  inclusive na escuridão do Sábado Santo, era certeza da esperança, caminhastes para a  manhã de Páscoa.

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A alegria da Ressurreição tocou o Vosso Coração e uniu-Vos  de um novo modo aos discípulos, destinados a tornar-se  família de Jesus mediante a fé. Assim  Vós estivestes no meio  da comunidade dos crentes, que, nos dias após a Ascensão, rezavam unanimemente  pedindo o dom do Espírito Santo ( cf. At. 1, 14)  e o receberam no dia de Pentecostes. O “Reino” de Jesus era diferente daquele que os homens tinham podido imaginar. Este “Reino” iniciava naquela hora e nunca mais teria fim. Assim, Vós permaneceis no meio dos discípulos como a sua Mãe, como Mãe da Esperança. Santa Maria, Mãe de Deus, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o seu Reino. Estrela do Mar, brilhai sobre nós e guia-nos no nosso caminho!”

(Bento XVI, Excerto da Encíclica SPE SALVI, 30.11.2007, publicado na Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2018)

 

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Diante dessas palavras inspiradas do  Papa  Bento, que faz uma retrospectiva da Vida de Nossa Senhora, desde o momento da Anunciação, pelo Anjo Gabriel, de que Ela daria à luz Aquele que seria o nosso Salvador e Rei do Universo, devemos acolher tais reflexões como uma torrente de graças e luzes para a nossa vida, lembrando sempre todo o sofrimento que permeou a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Santíssima Mãe,  pois estamos a caminho do desfecho triunfal deste itinerário que é a Ressurreição de Jesus.  Ressurreição  que é o fundamento da nossa Fé, como nos adverte o grande Apóstolo São Paulo!

E concluímos ressaltando que  Bento XVI  , lembra-nos  que Jesus e Maria  são a Luz do mundo,  o exemplo a ser seguido, e que nós temos o dever de sermos bons, caridosos, honestos, pois o mundo carece  de exemplos vivos de tais virtudes e valores.

O sonho de Catarina Paraguaçu

Caríssimos leitores,  será que vocês conhecem a história  desta grande mulher e de seu sonho, que veio a se tornar uma bela realidade?  Para aqueles que não a conhecem e mesmo  os demais leitores que dela têm algumas informações, vale a pena conhecer um pouco mais a fundo esta história bela e impressionante,  e também detalhes do seu  sonho misterioso  que tem muito a ver com nossa baianidade,  aliás, mais do que isto, com a nossa brasilidade. E assim poderemos constatar como são belas nossas origens.

Resumidamente,  trata-se de  uma mulher  corajosa,  sagaz, de  personalidade marcante, principalmente para a época em que viveu,  virtuosa,  destemida e bela.

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O seu nascimento não se sabe ao certo a data, mas levando em consideração a documentação  de seu batismo, que ocorreu  em Saint Malo na França, em 28 de  julho de 1528, quando   tinha ela em torno de 16 anos, presume-se que ela nasceu em 1512.

Casou-se , teve 4 filhas e veio a falecer em 1586. Seu testamento existente até hoje,  deixa seus bens para  os monges beneditinos. Seus restos mortais repousam na Igreja da Graça, em Salvador.

Era uma índia Tupinambá nativa da região integrante do hoje denominado  Estado  da  Bahia. Segundo sua certidão de batismo encontrada no Canadá (!)  , seu nome verdadeiro seria “ Guaibimpará” e  não “Paraguaçu” (nome que significa “mar grande”), como escreve o Frei José de Santa Rita Durão em seu poema” Caramuru”.

Filha do morubixaba Taparica, da nação Tupinambá. Casou-se com o português Diogo Àlvares Correia, conhecido como” Caramuru”  – Homem de fogo.

Conforme a legenda dourada em torno da vida deste insólito personagem, indissoluvelmente associada à de sua esposa, a  embarcação em que vinha Diogo, proveniente  da Europa,   naufragou no mar da Mariquita em 1510, no Rio Vermelho,  Baía de Todos os Santos. Seus companheiros foram mortos pelos tupinambás, mas ele conseguiu sobreviver, por seu espírito animoso, e  porque dias após,  disparou de forma certeira e mortal  seu mosquete sobre uma ave e com isto  amedrontou e encheu de admiração os indígenas, que assustados gritaram: Caramuru – que significa “ homem  do Fogo”, ou algo assemelhado. Também contou para ser poupado e acolhido pelos tupinambás com a intercessão de Paraguaçu, como veremos mais adiante. A partir de então, passou a viver entre os tupinambás, com este nome, prestando-lhes inestimáveis serviços, seja no campo de batalha como da mediação e arbitragem com outras tribos

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Ademais, conhecedor dos costumes nativos, também contribuiu para facilitar o contato entre os indígenas e os primeiros missionários e administradores  enviados de Portugal, que aqui aportaram.

Como relatado acima, de acordo com  costume terrível de alguns povos indígenas que aqui habitavam, ele ia ser por eles devorado mas salvou-se graças aos disparos de sua arma e à intercessão da índia Paraguaçu, junto a seu pai que era o cacique da tribo. Embora ela estivesse prometida ao índio Gupeva, seu pai  deu-a em “casamento” a Caramuru e quando já tinham  filhos viajaram para a França.  Chegaram em Paris e foram acolhidos pelo Rei Henrique II e pela Rainha Catarina de Medicis, que providenciaram o batismo da nossa índia e seu casamento cristão com Diogo Corrêa, o qual foi celebrado por um Bispo em Saint-Malo. O Rei e a Rainha foram seus padrinhos e  o nome Catarina foi-lhe dado em homenagem à Soberana que a cumulou de honras e presentes. Voltando à Bahia, o casal foi muito importante no estabelecimento de alianças e de uma boa convivência entre  os índios e os portugueses.

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Caramuru

Suas filhas  casaram-se  com colonos portugueses vindos com Martim Afonso de Sousa, dos quais descendem, entre outras famílias importantes, os Garcia d’Àvila. Quando o primeiro Governador-Geral, Tomé de Sousa, chegou à Bahia em 1549, Caramuru ainda vivia, assim como durante o governo de Duarte da Costa.

E nossa Índia foi muito  especial para nosso país.  Ela  contribuiu para construção de  igrejas , praticou muitos atos de caridade e é considerada como um dos maiores símbolos femininos da história do País, por ter exercido um papel  importante na integração das raças que formaram o povo brasileiro.

É considerada a mãe   das mães brasileiras, a matriarca do Brasil e isto não é um mero título honorífico, como veremos mais abaixo.

Queridos irmãos e irmãs, quem reside em Salvador conhece o Bairro da Graça,  um dos mais belos e tradicionais  de nossa Cidade, no qual ainda existem mansões e verdadeiros palacetes, que resistem heroicamente à sanha demolidora de monumentos históricos e artísticos, que há cerca de 100 anos vem fazendo estragos irreparáveis à arquitetura tradicional e de bom gosto de nossos prédios através dos quais podíamos idealizar  e melhor compreender o que foi a Cidade de Salvador nos séculos passados.

Fazendo uma pequena digressão, é  importante  sabermos que Salvador, após fundada, com o decorrer dos séculos, atingiu um padrão de vida que a ombreava a muitas cidades da Europa! No final do século 19, éramos a segunda cidade mais importante do Brasil! A primeira era o Rio de Janeiro.

Como sou soteropolitana, posso dizer que lamentavelmente,  muitos de nossos homens  públicos não souberam  preservar  nosso riquíssimo acervo cultural e civilizacional e dar seguimento a importantes conquistas de nossas gentes, nos mais variados ramos do conhecimento, da arte e dos costumes.

Eu não sei se os queridos leitores sabiam que a pretexto de permitir a implantação de trilhos para bondes, vários prédios, entre os quais Igrejas importantes de nossa Cidade,  foram parcial ou até mesmo totalmente demolidas, como é o caso da antiga Igreja de São Pedro, nas imediações do Relógio de São  de Pedro, conhecido de todos nós . E, pasmem!, até a nossa belíssima Catedral, conhecida como Sé de Palha foi reduzida a escombros para que os bondes pudessem fazer o retorno,  em local hoje conhecido como Belvedere, próximo ao antigo Palácio da Cúria, atualmente em fase restauração!

O bairro da Graça possui uma das Igrejas mais antigas da Bahia e seguramente  a primeira dedicada a Nossa Senhora  em nossas terras. E o local no qual a Igreja  está edificada tem  um grande significado na História de nossa Cidade, pois ali residiram  os dois legendários personagens,  acima mencionados, Diogo Álvares Correia, o Caramuru , e  Catarina Paraguaçu que, conforme vimos mais acima, são a justo título, considerados o patriarca e a matriarca dos brasileiros.  E mais, o primeiro é também considerado pelo escritor Ubaldo Marques Porto

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Igreja da Graça (Salvador-BA)

Filho, em seu livro ,” Caramuru, Patriarca do Brasil” “ , cofundador da Cidade de Salvador! Vocês sabiam disto? Interessante, não é mesmo?

Eu confesso que até recentemente, não sabia, pois apenas aprendi de modo aligeirado em minhas aulas de História, do tempo do ginásio, que antes de Tomé de Souza aqui chegar já habitava em nossa terra o denominado Caramuru, casado com uma índia, filha de um cacique tupinambá, que muito ajudaram o nosso primeiro Governador a  aqui se estabelecer com seu séquito e serem bem aceitos por nossos índios. Aliás,  à época o que me impressionou mesmo foi o episódio do tiro certeiro do Caramuru, que conseguiu com seu mosquete  atingir uma ave em pleno voo, causando medo e  estupefação nos silvícolas e  tudo o mais que  se seguiu a isto.

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Tomé de Souza chegando ao Brasil

Eu ficava intrigada e impressionada com a narrativa! Mas infelizmente, os professores não  aprofundaram  o significado dos fatos e de suas consequências para História da Bahia e do próprio Brasil.

Com efeito, outros fatos houve em torno de tais personagens que nos enchem de alegria, respeito e admiração, na medida em que nos deixam ver a mão de Deus na origem, formação  desenvolvimento e consolidação das nossas primeiras famílias, de modo especial, as da Bahia, após o descobrimento do Brasil.

Uma importante celebração eucarística presidida  pelo Abade do Mosteiro de São Bento, Dom Emanuel do Amaral , em janeiro de 1999, lembrou o grande valor histórico de Paraguaçu, como sendo a mãe das mães brasileiras, o esteio e a origem da família no país. Durante a missa, membros da família fizeram a doação de uma cópia do brasão da ermida de Nossa Senhora da Graça, do Armorial Histórico da Casa da Torre, para a paróquia.

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Casa da Torre (Mata de São João-BA)
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Maquete da Casa da Torre

O historiador Cristóvão de Ávila, descendente do casal, destacou a importância da comemoração como um resgate histórico do berço da sociedade nacional, pois  uma grande parte da nossa população “ não tem a dimensão do seu papel na construção dos nossos costumes, da nossa vida social”.

Sim, meus irmãos, a primeira família cristã brasileira, com assentamento cartorial, foi a de Diogo e Catarina Paraguaçu, a qual se uniu à de Garcia D’Ávila, através do casamento do neto deste com uma filha de Diogo e Catarina, do qual nasceu Fernando Dias D’Ávila o maior senhor feudal do Brasil!  Por seu turno, contam os historiadores que a sesmaria de Garcia D’Ávila se estendia da Bahia até o Maranhão!  É muita terra! Mas em compensação foram muitos os benefícios implementados, como é o caso da introdução em nossas  terra da criação de gado, entre outras coisas importantes.

Porém o que mais importa ressaltar são os benefícios e dadivosidades concedidos pelo nosso querido casal, de modo especial por Catarina, mormente após a morte de seu marido. E mais do que benefícios materiais, Catarina nos legou um belo testemunho de vida , pois era muitíssimo virtuosa  e   uma cristã exemplar. É bom sabermos disto , meus irmãos, pois a todo momento ouvimos dizer, diante de desmandos de várias ordens, que  “o Brasil foi sempre assim”, quase que se afirmando que carregamos uma carga de desonestidade  genética. O que é, me permitam dizer, uma grande mentira, como evidencia esta história e tantas outras não contadas ou deturpadas por historiadores parciais e tendenciosos.

Existem controvérsias em torno de alguns episódios em torno da vida deste emblemático casal, mas isto costuma acontecer, geralmente quando se trata de personagens incomuns  ou diante de um fato extraordinário , de algum milagre ou de um feito heroico, que desafiam a mentalidade racionalista, positivista e por vezes ateia de não poucos historiadores modernos e contemporâneos.

Podemos exemplificar esta mentalidade e essa visão vesga da História,  com o ceticismo desse tipo de  historiadores em face do milagre ocorrido na Batalha de Lepanto, na qual Nossa Senhora apareceu diante da esquadra turca infundindo-lhe medo e terror, o que foi determinante para a vitória dos cristãos chefiados por D. João d’Áustria; como também diante dos grandes feitos levados a cabo pelo Imperador Carlos Magno, cantados em prosa e verso por seus biógrafos, entre outros exemplos eloquentes que poderíamos citar.

É verdade que alguns fatos históricos são dourados e iluminados pelas mentes brilhantes e maravilháveis de  historiadores  que, conquanto pessoas sérias,  sabem contá-los de modo atraente e belo, fazendo despertar nos seus leitores o senso do maravilhoso, interpretando, ademais, muitas vezes o que está latente no inconsciente coletivo ou na vocação de um povo, cheio de Fé e ávido dos ideais de perfeição, pulcritude e grandeza. É um modo maior e mais perfeito de ver os fatos. É galgar um mirante mais alto e dele descortinar melhor o horizonte  e detalhes invisíveis  do que quando o observador se encontra em  patamares de observação   mais baixos. É saber, digamos,” arquetipisar” personagens  e com isto melhor compreender a História. É contemplar panoramas sem olhar para eventuais e minúsculos pontinhos pretos incrustados nas lentes do seu binóculo.

Assim, não podemos fazer uma leitura dos fatos envolvendo o ilustre  e primeiro casal  brasileiro, sob uma ótica historicista e racionalista, mas sim através de uma visão mais alta e poética, eu diria mesmo,  mística, que somente a possuem os homens e mulheres cheios de fé,  e de sabedoria, aqui tomada como um dom do Espírito Santo, concedido em menor ou maior menor grau, a qualquer batizado.

Para mim, repito, os melhores historiadores são aqueles que sabem narrar os fatos com fidedignidade mas sem perder de vista ,contudo, as luzes fornecidas  pela Filosofia e pelos ensinamentos contidos na Palavra de Deus, cujas fontes são as Escrituras Sagradas e a Tradição Apostólica, buscando enfatizar os fatos e circunstâncias, de modo sempre formativo, e visando a despertar nos leitores o gosto pelo que é bom,  pulchrum e maravilhoso. Por exemplo: A vida de São Francisco chamada “Fioretti” (Florezinhas), obra do século XVI, e que retratam com beleza e poesia os fatos e as virtudes do “Poverello”, com um sabor e colorido sem iguais!

Mas, afinal de contas, qual foi o sonho de Paraguaçu tão importante, que dá nome ao presente post?  Deixo-lhe trechos de um artigo que conta este sonho que deixou  Catarina  célebre, e que patenteia  o amor de Deus por nosso querido Brasil e em especial por nossa amadíssima Salvador.

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Na verdade, mais do que um sonho, foi uma graça, uma tão grande Graça de Deus, por meio de Sua Santa Mãe, que acabou dando nome a um dos bairros mais belos de Salvador: o bairro da Graça, da graça que Paraguaçu recebeu e que dela se estendeu para todo povo de nossa terra!

Vejamos, estimados irmãos e irmãs,  o  belo sonho que teve  esta grande mulher!
Um sonho que se tornou realidade!

De retorno ao Brasil com sua esposa, Diogo Álvares viveu temido e respeitado pelos mais poderosos morubixabas da terra. Este casal deu origem ao primeiro tronco do qual saiu uma das mais nobres estirpes da Bahia . Frei Jaboatão, escrevendo em 1768, menciona suas cinco filhas todas casadas com portugueses de boa linhagem: Ana, Genebra, Apolônia, Grácia e Madalena.

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Imagem de N. S. da Graça que Paraguaçu viu em sonho (Igreja da Graça, Salvador-BA)

A Senhora da Graça

Tendo uma nau espanhola naufragado no litoral baiano,  Caramuru acorreu prestimoso em auxílio dos sobreviventes, salvando-os da voracidade dos índios. A excelsa Mãe de Deus quis servir-se desse naufrágio para entrar na Terra de Santa Cruz, com a Divina Graça, da qual é cheia.

Com efeito, ao retornar Diogo do socorro aos castelhanos, Catarina lhe pediu com grande insistência para ir buscar uma formosíssima mulher que viera no navio e estava cativa entre os índios. Essa mulher, explicava ela, lhe aparecera em visão e lhe pedira que mandasse buscá-la para junto de si.

Diligentemente, o marido se pôs a procurar, por todas as aldeias, e retornou sem ter encontrado dita mulher. Sua esposa insistiu com mais empenho ainda, dizendo que em alguma daquelas aldeias os índios a mantinham prisioneira, pois ela não cessava de lhe aparecer em visões.

Feita uma segunda e, logo, uma terceira diligência, Diogo Álvares encontrou uma imagem da Virgem Santíssima, que um índio tinha recolhido do naufrágio e guardado em um canto de sua choça. Diogo levou-a com grande reverência para a esposa. Catarina a recebeu derramando lágrimas de alegria e abraçou-a, dizendo ser aquela a mulher que lhe aparecia e falava.

A devota e venturosa índia pediu ao marido que mandasse construir uma ermida para abrigar a sagrada imagem. Esta foi feita, primeiramente de taipa, mais tarde de pedra e cal. Nela foi entronizada solenemente a imagem, invocada sob o título de Senhora da Graça.

No decorrer do tempo, essa igreja foi enriquecida com grande tesouro de relíquias e indulgências. O casal a doou aos religiosos de São Bento. Após a morte do marido (1557), a piedosa matriarca fez-lhes doação também das terras circunvizinhas.

Catarina pediu para ser enterrada bem à vista da mesma Senhora da Graça. Dizia que “tendo recebido d’Ela em vida tantos favores, não queria sair de sua presença após a morte”. Assim, segundo o seu desejo, foi sepultada na igreja da Graça, em Salvador, em 1589.

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Lápide do casal Catarina e Caramuru, localizada na Igreja da Graça

Por ocasião da Missa comemorativa do 410º aniversário do falecimento de Catarina Álvares, Dom Emanuel Amaral, Abade do Mosteiro de São Bento, afirmou: “Se olharmos a história do Brasil, é ela quem dá origem ao nosso povo. Catarina foi uma presença marcante, um paradigma para todas as mulheres, por sua iniciativa, sua obra e sua vida”.

(Revista Arautos do Evangelho, Nov/2004, n. 35, p. 36-37)

A Igreja da Graça está sendo restaurada e tão logo o trabalho esteja concluído, façamos-lhe uma visita , rezemos pelo casal que ali tem guardados os seus restos mortais e também peçamos a Nossa Senhora uma graça: que Ela tenha pena do Brasil e obtenha de seu Divino Filho Jesus a conversão do nosso povo e o seu reencontro com suas raízes cristãs, deixando de lado as máximas e práticas neopagãs nas quais está imerso.

Nossa Senhora da Graça,

Rogai por nós!

Fontes consultadas:

1- ” Diogo Álvares, o Caramuru”, de Ubaldo Marques Filho, ano 2009, Editora do autor

2- http//www.infoescola.com

3-www.casadatorre.org.br

4- Revista Arautos do Evangelho, novembro de 2004

 

 

 

 

NOSSA SENHORA DO BOM SUCESSO

No dia  2 de fevereiro, a Igreja celebra a festa litúrgica da Apresentação do Senhor na qual está contida a  cerimônia da Purificação de Nossa Senhora à qual docilmente se submeteu, conquanto sem mancha concebida, como reza o Pequeno Ofício da Imaculada, para cumprir a Lei judaica, então vigente,

Mas porque Nossa Senhora, por ação do Espírito Santo concebeu em seu santíssimo ventre a Jesus, nosso Salvador e Luz do mundo,  Ela recebeu os titulos de Nossa Senhora da Luz, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Candelária, e outras invocações congêneres.

Aqui em Salvador, por exemplo, celebramos a festa de Nossa Senhora da Luz , precedida de ardoroso e concorrido novenário , de modo muito especial na Paróquia da Pituba, da qual é  a Padroeira.

Em Santo Amaro, cidade de nosso Recôncavo, neste mesmo dia, a Mãe de Deus e nossa é celebrada sob o título de Nossa Senhora da Purificação, grande festa  também antecedida por fervorosas novenas,   que empolgam toda população local e gente oriunda de outras plagas que para lá acorre para manifestar  sua fé , devoção e seu amor a Nossa Senhora!

Em Candeias, como o nome está a indicar, Nossa Mãe do Céu é festejada como Nossa Senhora das Candeias.

E no Rio de Janeiro Ela ganhou o charmoso titulo de Nossa Senhora9 da Candelária, que dá o nome a uma magnífica e famosa Igreja.

Como é criativo o povo de Deus! E que exuberante  e magnífica fonte de inspiração é a grande Mãe de Deus e nossa!

Todavia ainda neste dia, no Equador, especificamente em Quito sua Capital, cidade relicário, a Mãe de Jesus é festejada com um outro belo título: Nossa Senhora do Bom Sucesso!

Convido os queridos irmãos e irmãs a conhecerem um pouco a História e a importância desta devoção ainda não suficientemente  conhecida por nós brasileiros.

” Hoje , 2  de fevereiro,  celebramos aparição de Nossa Senhora no ano de 1610 à Madre Mariana de Jesus Torres, uma das oito fundadoras do mosteiro das concepcionistas de Quito – Equador, para ordenar-lhe a confecção de uma imagem a Ela dedicada. Muito mais além, veio profetizar impressionantes acontecimentos para os séculos que viriam, com fatos que já se concretizaram, e profecias que ainda estão para ocorrer. Foram impressionantes revelações que mantém uma notável proximidade com as de Fátima.

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Certa feita, no ano de 1610, rezava insistentemente Madre Mariana na madrugada, quando notou a presença de uma Senhora de extraordinária formosura, sustentando no braço esquerdo um Menino belo como a aurora. Emocionada, a religiosa perguntou quem era aquela linda Senhora, e o que desejava… E Nossa Senhora lhe respondeu: “Sou Maria do Bom Sucesso, a Rainha dos Céus e da Terra. Porque me invocaste com terno afeto, venho do Céu consolar teu aflito coração…”

A Virgem lhe contou ser vontade de seu Filho Santíssimo que mandasse confeccionar uma imagem, tal como ela a via, e que a colocasse no trono da abadessa. Na mão direita deveria por o báculo e as chaves da clausura, em sinal de sua propriedade e autoridade. Na mão esquerda, o seu Divino Filho.

Nossa Senhora apareceu em visão à madre Mariana de Jesus Torres e indicou, Ela mesma, o tamanho que queria que tivesse. Tomou o cordão de Madre Mariana, mediu-se a Si própria e Madre Mariana ajudou a tomar a medida dEla, para a imagem ficar da altura exata.

O escultor, indicado pela própria Mãe Santíssima à Madre, começou a fazer a imagem e, não conseguindo terminar, resolveu sair para buscar as melhores tintas para finalizar o trabalho. Após alguns dias, ele chegou ao coro das irmãs concepcionistas, onde estava esculpindo a imagem em madeira e…a escultura estava simplesmente toda feita!

Madre Mariana de Jesus então teve uma visão: eram anjos concluindo a imagem, transformando-a e refazendo-a, dando-lhe uma beleza inigualável que mão humana jamais poderia conferir! Esta foi a extraordinária origem da milagrosa imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

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Nossa Senhora do Bom Sucesso, no sentido mais largo da palavra, dizia Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, quer referir-se a  todos aqueles que estão entregues a uma tarefa árdua, que têm uma responsabilidade grande, que têm uma série de coisas difíceis a fazer para chegarem àquele resultado. Ela é padroeira de todos aqueles que procuram um bom sucesso para o serviço da causa dEla!” ( https;//joinville.blog.arautos.org)

As Profecias de Nossa Senhora do Bom Sucesso

” A Virgem Maria apareceu a irmã Mariana para profetizar muitos fatos que a Igreja viveu na segunda metade do século XX. Não somos obrigados a crer nas revelações privadas, mas, por prudência, devemos crer em vista dos sinais eloquentes que nos são dados. Nossa Senhora previu que um Papa prisioneiro, o Bem-aventurado Pio IX, proclamaria o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Ela previu que o Equador teria um presidente segundo o seu coração e que este morreria mártir e a história atesta isso. A Irmã Mariana consagrou o Equador ao Sagrado Coração de Jesus e hoje ela tem o seu coração incorrupto, exposto na cidade de Quito. A Virgem Maria previu também o surgimento do grande Santo Cura d’Ars, ou São João Maria Vianney. Todas as previsões da Virgem Santíssima sobre os males que recairiam sobre a Igreja e a sociedade, reveladas a Madre Mariana, estão relacionadas ao século XX e também ao nosso tempo.”

Quase tudo que Nossa Senhora do Bom Sucesso previu já aconteceu, mas ela prometeu a sua proteção a quem propagar a sua devoção. A Mãe do Senhor previu também que a devoção a ela com o título de Nossa Senhora do Bom Sucesso só seria conhecida do grande público no século XX. ” ( Confere https://blog.cançaonova,com))

Como se vê trata-se de uma aparição de Nossa Senhora que se deu há mais de quatrocentos anos durante na qual Ela fez sérias revelações sobre os tempos atuais, uma parte já cumprida e uma outra muito impressionante ainda não, as quais guardam íntima relação com outras aparições da Virgem Maria, de modo especial com as que se deram em Fátima, cujo centenário estamos celebrando.

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Com efeito, tanto em uma quanto na outra aparição, Nossa Senhora mostra a gravidade dos pecados que são praticados pela humanidade e pede que almas eleitas rezem e ofereçam sacrifícios pela conversão dos pecadores; profetiza tremendos castigos se os homens não derem ouvidos a seus apelos; mas deixa bem claro que quando tudo parecer perdido, Deus intervirá e haverá um grande triunfo da Igreja que nada mais é do que o Triunfo do Coração Imaculado de Maria, ou por outras palavras, a implantação do Reino do Sagrado Coração de Jesus , do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria e do Glorioso São José! E então se cumprirão as misteriosas e magníficas palavras de São Pedro : ” Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça.” (1Pd 3, 13)

Nossa Senhora do Bom Sucesso, rogai por nós !

 

Minha sogra Maria Helena

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Queridos irmãos e irmãs,

O nosso blog hoje quer fazer uma homenagem a uma pessoa muito especial: trata-se de minha muito querida sogra Maria Helena, que hoje completa mais um ano de vida. De uma vida luminosa e marcada por muitos exemplos que edificam a todos que têm o privilégio do seu convívio. É frequente, e nós mesmo fazemos isto neste blog, buscarmos lições de vida estudando ou pesquisando biografias de pessoas já falecidas, geralmente célebres ou ao menos muito conhecidas, a vários títulos. E isto é válido e compreensível. Todavia muito frequentemente não deitamos nossa atenção sobre pessoas que estão muito próximas de nós. Este fenômeno foi citado pelo próprio Jesus quando disse: “ninguém é profeta em sua própria terra”! E é por isto que eu costumo dizer: se você quer dizer alguma coisa bonita a uma pessoa, ou até mesmo fazer algum elogio dela, faça-o enquanto ela está viva. E foi pensando nisto que resolvi falar sobre Maria Helena de quem recebi desde que a conheci, somente demonstrações de afeto, cuidados e atenções, inerentes ao seu caráter e sobretudo à sua bondade maternal que se estende em relação aos seus filhos, noras, genro, netos, irmãs, sobrinhos,  outros parentes e amigos e cuidadores. E que dizer de Maria Helena como esposa? Quem deixou este testemunho foi seu já falecido marido Renato, que a chamava simplesmente “Neném”!

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Bela desde que nasceu, até hoje conserva um porte e um semblante que a todos encantam, por isso que sua querida filha Tiêta passou a chamá-la carinhosamente “Princesa”, no que foi imitada por seus irmãos. Uma foto de Maria Helena com sua já falecida irmã Lucinha, pessoa boníssima, a quem também tive o privilégio de conhecer de perto,  faz pensar, a quem ignora quem sejam,  segundo  opinião de meu marido, tratar-se de duas damas da aristocracia inglesa!

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Tiêta, seu filho Renato e Maria Helena

 

Agradeço a Deus que me concedeu a graça de tê-la como sogra,  pois ela é e continua sendo cada vez mais, uma pessoa virtuosa e exemplar em todos os aspectos da vida,  uma mulher de fé  e culta, tendo sido, quando jovem, professora de Inglês no Colégio Santa Bernadete, localizado em Itapagipe.

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E pensando nela me vem à memória a minha saudosa e inesquecível mãe, Neuza, também como Maria Helena, exemplo de esposa, de mãe, avó, tia e sogra bondosa  e solícita, sempre buscando a paz e a harmonia entre os membros de sua família. Minhas  saudades eternas!

E hoje que a nossa homenageada completa 94 anos de vida, a minha alegria é dobrada e quero  lhe desejar anos de vida, saúde, paz  e consolações de seu amado Jesus, de sua Santa Mãe e de São José de quem sempre foi uma ardorosa devota.   Na verdade,  compartilho dos sentimentos de júbilo de todos que a conhecem e que, quando falam dela,  deixam  o carinho resplandecer nos seus rostos e ser traduzido em suas palavras de respeito, admiração e afeto.

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Minha sogra, eu e meu esposo

Sim, é digna de homenagem quem soube manter intacta a sua fé em Deus  em meio às procelas da vida, e  Maria Helena logrou fazê-lo  mesmo  quando perdeu o marido, prematuramente, ficando com oito filhos com idades variadas e por isso teve que trabalhar mais para sustentar a família dignamente, educando os filhos até cada um poder “ andar com suas próprias pernas”. E isto não foi nada fácil!IMG-20180113-WA0017.jpg

A par disto, sempre se  preocupou, como o faz até hoje,  com todas   as pessoas  que de algum modo compõem o seu não pequeno círculo de relações ,de parentesco, amizade e conhecimento , e sempre foi  como é, solicitada com pedidos de preces e orações, (quantas vezes eu mesmo roguei a sua intercessão !),  ou então  para dar uma opinião ou um conselho a alguém que esteja necessitando, sabendo ser solidária na dor e nas dificuldades dos outros, como também nos seus sucessos e conquistas!

Num mundo tão confuso e carente de pessoas que sejam referenciais de virtude , compostura e honestidade, temos ao nosso alcance um modelo, um exemplo vivo a imitar, que é a nossa querida Maria HIMG-20180113-WA0025.jpgelena! Aliás, dois exemplos: ela e seu inesquecível marido Renato!

Mas para não me alongar, deixo-lhes palavras muito bonitas  e inspiradas que meu cunhado Carlos Francisco proferiu nos oitenta anos de minha querida sogra, e que permanecem inteiramente atuais, entremeando-as com pequenos comentários de minha autoria, as quais transcrevo abaixo:

“A nossa mãe casou-se cedo, aos 21 anos. Casou na Igreja do Bonfim, com Renato, que foi o único homem que ela teve e amou.

Nosso pai morreu cedo, no ano de 1968. Não deixou fortuna em bens materiais – uma casa, um fusca, uma pensão pecuniária.

Deixou oito filhos – dos quais metade, hoje, tem mais idade do que os 51 anos que viveu. Renato Oliva Vieira legou a seus filhos uma inestimável série de valores familiares, morais e de amor ao próximo. Isso tem servido como um intangível balizamento para nossa conduta na luta pela sobrevivência neste mundo conturbado e de valores morais e éticos subvertidos.IMG-20180113-WA0023.jpg

Mas, ele nos legou, também, uma joia rara: a única mulher que amou na vida, a esposa que lhe deu sete filhos homens e a filha tão esperada e com a qual ele teve tão pouco tempo de desfrutar a convivência.

Essa mulher – a quem ele chamava “Neném” – viu-se, de repente, com a enorme responsabilidade de ser a chefe de uma família numerosa, demandando um leque de cuidados tão grandes e variados, quanto se pode esperar de um bando de crianças, de impúberes a púberes, de rapazes adolescentes até recém-saídos da adolescência, ou seja, um conjunto de problemas que iam do curso maternal ao universitário. Para enfrentar isso tudo, Maria Helena teve que aliar seu coração de Maria à fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e à firmeza de Helena, a Santa que foi capaz de mudar a sede do império Romano – obviamente guardadas as devidas proporções e descontado o arroubo e a falta de isenção de um filho com relação à mãe.

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Formatura

Maria Helena não estava sozinha. Na verdade, nós tínhamos também o amor e a proteção de nossos avós, tios, tias, de diferentes graus de parentesco, que viviam dentro ou gravitavam em torno da família Cruz. E os seus sobrinhos, nossos primos e primas, os quais ela sempre amou como a seus próprios filhos.

Como todos que estão aqui presentes sabem, morávamos então numa espécie de condomínio familiar, com as casas dispostas em círculo em torno de um grande quintal, centralizado e simbolizado por um grande e secular tamarindeiro. em torno dele se desenvolvia o cotidiano de nossa vida familiar. Ali passamos grande parte da nossa existência.

E Carlos Francisco prossegue acentuando que Maria Helena foi ” uma mulher vencedora, que com a graça de Deus, teve o privilégio de concluir em vida sua obra maior: gerar, dar à luz, educar e formar seus oito filhos. Esse, sem dúvida foi o seu objetivo, que, de forma obstinada, buscou e logrou alcançar.IMG-20180113-WA0021.jpg

E com um fino senso psicológico observa que ela foi” uma mulher forte, digna, amorosa e determinada; uma “mãe-pai”, que soube conduzir com coragem e desprendimento o mister de ser mãe, mesmo diante da perda do seu único e grande companheiro”, aduzindo que, também sempre foi uma filha dedicada,  irmã solidária e amiga fiel.

Tantas boas qualidades fizeram” e fazem, acrescentamos  nós, ” de Maria Helena uma pessoa amada e respeitada por todos que a conhecem. Aqueles que a tratam por Maria Helena, Leninha, Lena, Dona Helena, Dona Leninha, Tia leninha,  e a depender do grau de afinidade, ela retribui sempre com o seu sorriso, franco, sincero e generoso. Não é raro ouvirmos alguém se referir a Maria Helena de forma elogiosa, enaltecendo suas virtudes e principalmente a união que conseguiu estabelecer e manter no seio de sua família”, seguindo o lema que seu marido não cansava de inculcar no coração de seus filhos: ” um por todos, todos por um” ou, este outro , ” a união faz a força”, conforme várias vezes contou-me o meu marido Renato.

Aliás, acho muito bonito ver a união, solidariedade e respeito fraterno,  e a amizade sincera que existem entre seus filhos, coisa tão difícil nos dias atuais.

E assim conclui meu caríssimo cunhado, suas palavras repassadas de afeto e carinho:

“Peçamos a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora Auxiliadora, que lhe conceda ainda, muitos anos de vida, preservando a lucidez de sua mente e pureza de seu imenso coração”.IMG-20180113-WA0033.jpg

Mas antes de concluir este post , o meu marido Renato, em nome próprio e no de seus irmãos, pede-me para deixar consignado um profundo e incomensurável agradecimento de todos eles à sua inefável mãe ! Agradecimento por ela ter-lhes dado, juntamente com seu saudoso pai, o dom da vida, por  ter-lhes amamentado, cuidado deles ,  e os amparado nas horas mais difíceis, educando-os e instruindo-os na fé católica, corrigindo-os, perdoando-os e sacrificando-se por eles;  incentivando-os e fortalecendo-os;  e porque desde a mais tenra idade  de cada um,  levou-os à pia batismal, e à recepção de todos sacramentos instituídos por Nosso Divino Mestre Jesus e ministrados pela Santa Igreja Católica!

E como recompensa de Deus, já aqui na terra, Maria Helena conta com a atenção , afeto e cuidados dos seus filhos, genro , noras, sobrinhos  e de pessoas mais próximas . Contudo conta ela, de modo especial, com o acolhimento, cuidados e presença constantes e afetuosos do seu filho mais novo Marcelo, que desde há muitos anos a recebeu em  sua casa, e que não mede esforços para proporcionar-lhe tudo de que necessita para uma existência condigna em meio a um convívio  afetuoso, a quem consignamos , também ,nossos agradecimentos..IMG-20180113-WA0018.jpg

Muito obrigado, Maria Helena! Que Deus a recompense, abençoe e proteja!

Termino esse post, homenageando todas as sogras que dedicaram sua vida às suas famílias !

Deus Seja Louvado!

 

Ano Novo Feliz e abençoado!

Queridos Leitores, desejamos a todos vocês, ainda dentro do período do Natal, que se conclui no próximo domingo, um Ano Novo de muita Paz e repleto de bênçãos, favores e graças especiais do Menino Jesus , de Sua Santa Mãe e do poderoso São José, a fim de que possamos enfrentar com coragem e sabedoria os desafios e dificuldades  que se nos apresentarem , realizar com êxito e com frutos os nossos projetos  e cumprir com perfeição nossos bons propósitos!

E neste sentido, deixo-lhes uma belíssima reflexão sobre Santa Maria, Mãe de Deus e nossa, de autoria do Monsenhor João Clá Dias, que muito poderá nos auxiliar no atingimento de nossas metas.

“No primeiro dia do ano novo, o calendário dos santos se abre com a festa de Maria Santíssima, no mistério de sua maternidade divina. Escolha acertada, porque de fato Ela é “a Virgem mãe, Filha de seu Filho, humilde e mais sublime que toda criatura, objeto fixado por um eterno desígnio de amor”. Ela tem o direito de chamá-lo “Filho”, e Ele, Deus onipotente, chama-a, com toda verdade, Mãe!

Insira uma legenda

 

Vós tendes, ó Maria, autoridade de Mãe para com Deus, e por isso alcançais também o perdão aos mais abjetos pecadores. Em tudo vos reconhece o Senhor por sua verdadeira Mãe e não pode deixar de atender a cada desejo vosso. (Santo Afonso Maria de Ligório, As Glórias de Maria)

Foi a primeira festa Mariana que apareceu na Igreja ocidental. Substituiu o costume pagão das dádivas e começou a ser celebrada em Roma, no século IV. Desde 1931 era no dia 11 de outubro, mas com a última revisão do calendário religioso passou à data atual, a mesma onde antes se comemorava a circuncisão de Jesus, oito dias após ter nascido.

Num certo sentido, todo o ano litúrgico segue as pegadas desta maternidade,começando pela solenidade da Anunciação, nove meses antes da Natividade. Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Como todas as mães, trouxe no próprio seio aquele que só ela sabia que se tratava do Filho unigênito de Deus, que nasceu na noite de Belém.

Ela assumiu para si a missão confiada por Deus. Sabendo, por conhecer as profecias, que teria também seu próprio calvário, enquanto mãe daquele que seria sacrificado em nome da salvação da Humanidade. Deus se fez carne por meio de Maria. Ela é o ponto de união entre o Céu e a Terra. Contribuiu para a obtenção da plenitude dos tempos. Sem Maria, o Evangelho seria apenas ideologia, somente “racionalismo espiritualista”, como registram alguns autores.

O próprio Jesus através do apóstolo São Lucas (6,43) nos esclarece: “Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto”. Portanto, pelo fruto se conhece a árvore. Santa Isabel, quando recebeu a visita de Maria já coberta pelo Espírito Santo, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lc1,42). O Fruto do ventre de Maria é o Filho de Deus Altíssimo, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Quem aceita Jesus, fruto de Maria, aceita a árvore que é Maria. Maria é de Jesus e Jesus é de Maria. Ou se aceita Jesus e Maria ou se rejeita a ambos.

Por tomar esta verdade como dogma é que a Igreja reverencia, no primeiro dia do ano, a Mãe de Jesus. Que a contemplação deste mistério exerça em nós a confiança inabalável na Misericórdia de Deus, para nos levar ao caminho reto, com a certeza de seu auxílio, para abandonarmos os apegos e vaidades do mundo, e assimilarmos a vida de Jesus Cristo, que nos conduz à Vida Eterna. Assim, com esses objetivos entreguemos o novo ano à proteção de Maria Santíssima que, quando se tornou Mãe de Deus, fez-se também nossa Mãe, incumbiu-se de formar em nós a imagem de seu Divino Filho, desde que não oponhamos de nossa parte obstáculos à sua ação maternal.

A comemoração de Maria, neste dia, soma-se ao Dia Universal da Paz. Ninguém mais poderia encarnar os ideais de paz, amor e solidariedade do que ela, que foi o terreno onde Deus fecundou seu amor pelos filhos e de cujo ventre nasceu aquele que personificou a união ente os homens e o amor ao próximo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Celebrar Maria é celebrar O nosso Salvador. Dia da Paz, dia de nossa Mãe, Maria Santíssima. Nos tempos sofridos em que vivemos, um dia de reflexão e esperança!

A predestinação de Maria a maternidade divina

A predestinação com que a Santíssima Virgem foi eleita é especial, única entre todas, não somente pelo grau, mas pelo gênero. Se Maria é, na verdade, a primeira criatura predestinada com a mais perfeita imagem de seu Filho, é, além disso e a outro título, a única predestinada em qualidade de Mãe sua.

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Para demonstrar a afirmação de que desde toda a eternidade Deus predestinou a Santíssima Virgem Maria para ser a Mãe do Verbo encarnado, o insigne dominicano Fr. Royo Marín evoca a pura voz da infabilidade pontifícia:

“Na Bula Ineffabilis Deus, com a que Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição, leêm-se expressamente estas palavras: “Elegeu e assinalou (Deus), desde o princípio e antes dos tempos, para seu Unigênito uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na ditosa plenitude dos tempos, nasceria; e em tal grau A amou acima de todas as criaturas, que somente nEla se comprouve com singularíssima benevolência.”

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Nada sucede, nem pode suceder no tempo que não tenha sido previsto ou predestinado por Deus desde toda a eternidade. Logo, se a Virgem Maria é, de fato, a Mãe do Verbo encarnado, claro está que foi predestinada para isso desde toda a eternidade. É uma verdade tão límpida e evidente que não necessita demonstração alguma.

A maternidade divina de Maria

Todos os títulos e grandezas de Maria dependem do fato colossal de sua maternidade divina. Maria é imaculada, cheia de graça, Co-redentora da humanidade, Rainha dos Céus e da Terra e Medianeira universal de todas as graças, etc., porque é a Mãe de Deus. A maternidade divina A coloca a tal altura, tão acima de todas as criaturas que São Tomás de Aquino, tão sóbrio e discreto em suas apreciações, não hesita em qualificar sua dignidade como sendo de certo modo infinita. E seu grande comentarista, o Cardeal Caietano, diz que Maria, por sua maternidade divina, alcança os limites da divindade. Entre todas as criaturas, é Maria, sem dúvida alguma, a que tem maior afinidade com Deus.

Assim, no dizer de outro eminente mariólogo “o dogma mais importante da Virgem Maria é sua maternidade divina”. É o primeiro alicerce sobre o qual se levanta o edifício da grandeza mariana. É este um fato que excede de tal modo a força cognoscitiva do homem que deve ser enumerado entre os maiores mistérios de nossa fé.

Que uma humilde mulher, descendente de Adão como nós, se torne Mãe de Deus, é um mistério tão sublime de elevação do homem e de condescendência divina, que deixa atônita qualquer inteligência, angélica ou humana, no séculos e na eternidade.

Maria, verdadeira Mãe de Deus

Para que uma mulher possa dizer-se verdadeiramente mãe, é necessário que subministre à sua prole, por via de geração, uma natureza semelhante (ou seja, consubstancial) à sua.

Suposta esta óbvia noção da maternidade, não é tão difícil compreender-se de que modo a Virgem Santíssima possa ser chamada verdadeira Mãe de Cristo, tendo Ela subministrado a Cristo, por via de geração, uma natureza semelhante à sua, ou seja, a natureza humana.

A dificuldade surge, porém, quando se procura compreender de que modo a Virgem Santíssima pode ser chamada verdadeira Mãe de Deus, pois não se vê bem, à primeira vista, de que modo Deus possa ser aqui gerado. Não obstante isso, se se observar atentamente, as duas fórmulas: Mãe de Cristo e Mãe de Deus, se equivalem, pois significam a mesma realidade e são, por isso, perfeitamente sinônimas. Nossa Senhora, com efeito, não é denominada Mãe de Deus no sentido de que houvesse gerado a Divindade (ou seja, a natureza divina do Verbo) e sim no sentido de que gerou, segundo a humanidade, a divina pessoa do verbo.

O sujeito da geração e da filiação não é a natureza, mas a pessoa. Ora, a divina pessoa do Verbo foi unida à natureza humana, subministrada pela Virgem Santíssima, desde o primeiro instante da concepção; de modo que a natureza humana de Cristo não esteve jamais terminada, nem mesmo por um instante, pela personalidade humana, mas sempre subsistiu, desde o primeiro momento de sua existência, na pessoa divina do Verbo. Este e não outro é o verdadeiro conceito da maternidade divina, tal como foi definida pelo Concílio de Éfeso, em 431.

Em suma, “Maria concebeu realmente e deu à luz segundo a carne à pessoa divina de Cristo (única pessoa que há nEle), e, por conseguinte, é e deve ser chamada com toda propriedade Mãe de Deus.

Não importa que Maria não haja concebido a natureza divina enquanto tal (tampouco as outras mães concebem a alma de seus filhos), já que essa natureza divina subsiste no Verbo eternamente e é, por conseguinte, anterior à existência de Maria. Ela, porém, concebeu uma pessoa – como todas as demais mães -, e como essa pessoa, Jesus, não era humana, mas divina, segue-se logicamente que Maria concebeu segundo a carne a pessoa divina de Cristo, e é, portanto, real e verdadeiramente Mãe de Deus.

O testemunho da Escritura

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A Sagrada Escritura nos diz explicitamente que a Virgem Santíssima é verdadeira Mãe de Jesus (Mt, II, 1; Lc. II, 37-48; Jo. II, 1; At. I, 14). Com efeito, Jesus nos é apresentado como concebido pela Virgem (Lc. I, 31) e nascido da Virgem (Lc. II, 7-12). Mas, Jesus é verdadeiro Deus, como resulta do seu próprio e explícito testemunho, pela fé apostólica da Igreja, pelo testemunho de São João, etc. Para se poder negar sua divindade, não há outro caminho senão rasgar todas as páginas do Novo Testamento.

Ora, se Maria é verdadeira Mãe de Jesus e Jesus é verdadeiro Deus, segue-se necessariamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus.

São Paulo ensina explicitamente que, “chegada a plenitude dos tempos, Deus mandou seu Filho, feito de uma mulher” (Gal. IV, 4). Por estas palavras, manifesta-se claramente que Aquele que foi gerado ab aeterno pelo Pai é o mesmo que foi, depois, gerado no tempo pela Mãe; mas Aquele que foi gerado ab aeterno pelo Pai é Deus, o Verbo. Portanto, também o que foi gerado no tempo pela Mãe é Deus, o Verbo.

Ainda mais clara e explícita, em seu vigor sintético, é a expressão de Santa Isabel. Respondendo à saudação que Maria lhe dirigira. Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo, disse, cheia de admiração: “E como me é dado que a Mãe de meu Senhor venha a mim?” (Lc I, 43).

A expressão meu Senhor é, evidentemente, sinônimo de Deus, pois que, em seguida, Isabel acrescenta: “Cumprir-se-ão em Ti todas as coisas que te foram ditas da parte do Senhor”, ou seja, da parte de Deus. Isabel, portanto, inspirada pelo Espírito Santo, proclamou explicitamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus.

A voz da tradição

Toda a tradição cristã, a partir dos tempos apostólicos, é uma proclamação contínua desta verdade mariológica fundamental. Nos dois primeiros séculos, os Padres ensinaram que Maria concebeu e deu à luz a Deus. No terceiro século, começa o uso do termo que se tornou clássico: Theotokos, ou seja, Mãe de Deus.

No século IV, mesmo antes do Concílio de Éfeso, a expressão Mãe de Deus se tornara tão comum entre os cristãos, que dava nos nervos do Imperador Juliano, o Apóstata, o qual se lamentava de os cristãos não se cansarem nunca de chamar a Maria de Mãe de Deus. João de Antioquia aconselhava a seu amigo Nestório para não insistir demasiado em negar este título, a fim de evitar tumulto do povo. O próprio Alexandre de Hierápolis, cognominado de outro Nestório, reconhecia que a expressão Mãe de Deus estava em uso entre os cristãos desde muito tempo.

A exultação mesma que os fiéis demonstraram, quando a maternidade divina foi definida solenemente como dogma de fé, comprova até à evidência quão profundamente na alma estava radicada essa verdade fundamental na alma daqueles antigos cristãos. Por isso, no sentir do Pe. Terrien, “as definições dos concílios não introduziram um novo dogma, mas foram antes a sanção oficial da fé da Igreja, motivada pelas sacrílegas negações dos inovadores.” (Pequeno Ofício da Imaculada Conceição comentado, Monsenhor João Clá Dias, EP, Artpress, São Paulo,1997, p. 365 à 367)” 

Peçamos, pois, a tão bondosa e poderosa Mãe, tudo, mas tudo mesmo, de que necessitamos para bem caminhar neste Ano de 2018!

 

 

A Medalha Milagrosa

Hoje, 27 de novembro de 2017, faz 187 anos da aparição de Nossa Senhora a uma jovem e humilde freira, chamada Catarina Labouré, na Capela do Convento das Irmãs de Caridade, localizada na Rue de Bac, na famosa cidade de Paris, capital da França.

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Convento da Rue de Bac

 Na verdade, Nossa Senhora já lhe aparecera antes, no mesmo longínquo ano de 1830, atendendo um inocente, mas ardoroso desejo que nutria em sua alma, desde que uma Irmã de hábito lhe falara dos santos e de modo especial de Nossa Senhora, enfatizando a necessidade de termos uma grande devoção à Nossa Mãe do Céu.

Assim ela descreve o que aconteceu:

“A Madre Marta nos falara sobre a devoção aos santos, em particular sobre a devoção à Santíssima Virgem – o que me deu desejo de vê-La – e me deitei com esse pensamento: que nessa noite mesmo, eu veria minha Boa Mãe. Como nos haviam distribuído um pedaço do roquete de linho de São Vicente, cortei a metade e a engoli, adormecendo com o pensamento de que São Vicente me obteria a graça de contemplar a Santíssima Virgem.

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Enfim, às onze e meia da noite, ouvi alguém me chamar:

– Irmã Labouré! Irmã Labouré!

Acordando, abri a cortina e vi um menino de quatro a cinco anos, vestido de branco, que me disse:

– Levantai-vos depressa e vinde à Capela! A Santíssima Virgem vos espera.

Logo me veio o pensamento de que as outras irmãs iam me ouvir. Mas, o menino me disse:

– Ficai tranquila, são onze e meia; todas estão profundamente adormecidas. Vinde, eu vos espero.

Vesti-me depressa e me dirigi para o lado do menino, que permanecera de pé sem se afastar da cabeceira de meu leito. Eu o segui. Sempre à minha esquerda, ele lançava raios de claridade por todos os lugares onde passávamos, nos quais os candeeiros estavam acesos, o que muito me espantava. Porém, muito mais surpresa fiquei ao entrar na capela: logo que o menino tocou a porta com a ponta do dedo, ela se abriu. E meu espanto foi ainda mais completo quando vi todas as velas e castiçais acesos, o que me recordava a missa de meia-noite. Entretanto, eu não via a Santíssima Virgem.

O menino me conduziu para dentro do santuário, até o lado da cadeira do diretor espiritual*. Ali me ajoelhei, enquanto o menino continuou de pé. Como o tempo de espera estava me parecendo longo, olhei para a galeria para ver se as irmãs encarregadas da vigília noturna não passavam por ali.

Por fim, chegou o momento. O menino me alertou, dizendo:

– Eis a Santíssima Virgem! Ei-La!”

Nesse instante, Catarina ouve um ruído, como o frufru de um vestido de seda, vindo do alto da galeria. Levanta os olhos e vê uma senhora com um traje cor de marfim, que se prosterna diante do altar e vem se sentar na cadeira do Padre Diretor.

A vidente estava na dúvida se Aquela era Nossa Senhora. O menino, então, não mais com timbre infantil, mas com voz de homem e em tom autoritário, disse:

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– Eis a Santíssima Virgem!

A Irmã Catarina recordaria depois:

Dei um salto para junto d’Ela, ajoelhando-me ao pé do altar, com as mãos apoiadas nos joelhos de Nossa Senhora… Ali se passou o momento mais doce de minha vida. Ser-me-ia impossível exprimir tudo quanto senti.

Ela disse como me devo conduzir face a meu diretor espiritual, como me comportar em meus sofrimentos vindouros, mostrando-me com a mão esquerda o pé do altar, onde eu devo vir me lançar e expandir meu coração. Lá receberei todas as consolações de que necessito. Eu Lhe perguntei o que significavam todas as coisas que vira e Ela me explicou tudo:” ( vide “A Medalha Milagrosa –Histórias e celestiais promessas”, de autoria do Monsenhor João S. Clá Dias)

E nesta oportunidade, Nossa Senhora lhe disse coisas muito sérias e profetizou acontecimentos envolvendo a França, mas com importante significado para o mundo inteiro, conforme narrado pela santa vidente:

“- Minha filha, Deus quer te encarregar de uma missão. Terás muito que sofrer, porém hás de suportar, pensando que o farás para a glória de Deus. Saberás (discernir) o que é de Deus. Serás atormentada, até pelo que disseres a quem está encarregado de te dirigir. Serás contraditada, mas terás a graça. Não temas. Dize tudo com confiança e simplicidade. Serás inspirada em tuas orações. O tempo atual é muito ruim. Calamidades vão se abater sobre a França. O trono será derrubado. O mundo inteiro se verá transtornado por males de todo tipo (a Santíssima Virgem tinha um ar muito entristecido ao dizer isso). Mas venham ao pé deste altar: aí as graças serão derramadas sobre todas as pessoas, grandes e pequenas, particularmente sobre aquelas que as pedirem com confiança e fervor. O perigo será grande, porém não deves temer: Deus e São Vicente protegerão esta Comunidade”. ( Op. Cit)

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Rei Carlos X

As Profecias da Mãe de Deus se cumpriram, deixando patente a seriedade e autenticidade da Aparição.

Com efeito, uma semana depois dessa bendita noite eclodiu nas ruas de Paris a Revolução de 1830, e em meio a desordens sociais e políticas, o Rei Carlos X foi derrubado do trono “e por toda parte se verificaram manifestações de um anticlericalismo violento e incontrolável, com igrejas profanadas, cruzes lançadas por terra, comunidades religiosas invadidas, devastadas e destruídas, sacerdotes perseguidos e maltratados. No entanto, Nossa Senhora preservou os Padres Lazaristas e as Filhas da Caridade, Congregações fundadas por São Vicente de Paulo”.(cf. op, cit)

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Revolução de 1830

Outras profecias feitas por Nossa Senhora também se cumpriram à risca, tempos depois. A mais terrível foi a de que o Arcebispo de Paris seria morto, o que veio a ocorrer 40 anos após, no ano de 1870, como consequência de uma guerra fratricida, na qual a Alemanha derrotou a França, desencadeando em Paris violentas convulsões político-sociais perpetradas por um movimento conhecido sob o nome de “Comuna”. Tais desordens deram lugar a  novas e crueis perseguições religiosas, nas quais o Arcebispo de Paris, Monsenhor Darboy, que houvera sido encarcerado, foi brutalmente fuzilado no cárcere, e em seguida foram assassinados vinte dominicanos e outros clérigos, além de soldados. Em meio a tudo isto, mais uma vez, as Congregações fundadas por São Vicente de Paulo atravessaram incólumes, e quando tudo parecia perdido, Santa Catarina dizia a suas irmãs: “Esperai” – dizia – “a Virgem velará por nós…nãos nos acontecerá nenhum mal”.

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Santa Catarina Labouré

Mas voltemos à aparição de 27 de novembro de 1830, pois foi nela que Nossa Senhora doou para o mundo inteiro, um presente valiosíssimo associado a uma promessa pervadida de amor e misericórdia para quem o aceitasse e usasse do modo que prescreveu a Santa Catarina, qual seja : a Medalha Milagrosa!

Sim, meus irmãos e minhas irmãs, Nossa Senhora fiel ao legado que seu Divino Filho Lhe deu, do alto da Cruz, próximo de sua Morte, ou seja, todos os homens e mulheres, naquele momento representados pelo Apóstolo amado São João, como filhos seus, não cessou uma fração de segundo sequer de cuidar, proteger, admoestar e interceder por nós como Mãe amorosa e previdente, mediante todos os meios, vindo ao Mundo, em diversas oportunidades, como se acha consignado em documentos e monumentos  fidedignos e insofismáveis existentes na História de todos os Países! Que o digam Lourdes, La Salette, Saragoça, Fátima, Guadalupe, Las Lajas, Aparecida, Círio de Nazaré, entre centenas de outras devoções! E em todos os sítios  onde  Ela aparece ou suscita uma devoção, mediante alguma circunstância especial,  ocorrem milagres portentosos ou silenciosos, que a cada ano atraem milhões de devotos, visitantes e curiosos, que vão em busca de um auxílio, de um consolo , de uma cura, de um conselho, enfim, de um favor de nossa Mãe do Céu!

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São Vicente de Paulo – Fundador da Congregação das Irmãs de Caridade

E as Aparições da Rue de Bac, de 1830, de modo específico a Segunda delas, se inserem nesse agir constante, maternal e eficaz de Nossa Senhora em prol de seus filhos, que peregrinam em meio a toda sorte de perigos, tentações e sofrimentos, neste vale de lágrimas que é a vida aqui na terra, ajudando-os a conquistar a paz  e a Vida Eterna.

Assim relata Santa Catarina como se deu e o que disse Nossa Senhora, na Segunda Aparição:

“Quatro meses transcorreram desde aquela prodigiosa noite em que Santa Catarina contemplara pela primeira vez a Santíssima Virgem. Na inocente alma da religiosa cresciam as saudades daquele bendito encontro e o desejo intenso de que lhe fosse concedido de novo o augusto favor de rever a Mãe de Deus. E foi atendida.

Era 27 de novembro de 1830, sábado. Às cinco e meia da tarde, as Filhas da Caridade encontravam-se reunidas na sua capela da rue du Bac para o costumeiro período de meditação. Reinava perfeito silêncio nas fileiras das freiras e noviças. Como as demais, Catarina se mantinha em profundo recolhimento. De súbito…

Pareceu-me ouvir, do lado da galeria, um ruído como o” frufru” de um vestido de seda. Tendo olhado para esse lado, vi a Santíssima Virgem à altura do quadro de São José. De estatura média, sua face era tão bela que me seria impossível dizer sua beleza.

A Santíssima Virgem estava de pé, trajando um vestido de seda branco-aurora, feito segundo o modelo que se chama à la Vierge, mangas lisas, com um véu branco que Lhe cobria a cabeça e descia de cada lado até embaixo. Sob o véu, vi os cabelos repartidos ao meio, e por cima uma renda de mais ou menos três centímetros de altura, sem franzido, isto é, apoiada ligeiramente sobre os cabelos. O rosto bastante descoberto, os pés pousados sobre uma meia esfera. Nas mãos, elevadas à altura do estômago de maneira muito natural, Ela trazia uma esfera de ouro que representava o globo terrestre. Seus olhos estavam voltados para o Céu… Seu rosto era de uma incomparável formosura. Eu não saberia descrevê-lo…

De repente, percebi em seus dedos anéis revestidos de belíssimas pedras preciosas, cada uma mais linda que a outra, algumas maiores, outras menores, lançando raios para todos os lados, cada qual mais estupendo que o outro. Das pedras maiores partiam os mais magníficos fulgores, alargando-se à medida que desciam, o que enchia toda a parte inferior do lugar. Eu não via os pés de Nossa Senhora.

Nesse momento, quando eu estava contemplando a Santíssima Virgem, Ela baixou os olhos, fitando-me. E uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração, dizendo estas palavras:

– A esfera que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França… e cada pessoa em particular…

Não sei exprimir o que senti e o que vi nesse instante: o esplendor e a cintilação de raios tão maravilhosos…

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– Estes (raios) são o símbolo das graças que Eu derramo sobre as pessoas que mas pedem – acrescentou Nossa Senhora, fazendo-me compreender quão agradável é rezar a Ela, quanto Ela é generosa para com seus devotos, quantas graças concede às pessoas que Lhas rogam, e que alegria Ela sente ao concedê-las.

– Os anéis dos quais não partem raios (dirá depois a Santíssima Virgem), simbolizam as graças que se esquecem de me pedir.

Nesse momento formou-se um quadro em torno de Nossa Senhora, um pouco oval, no alto do qual estavam as seguintes palavras: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”, escritas em letras de ouro.

Uma voz se fez ouvir então, dizendo-me:

– Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança…

Nesse instante, o quadro me pareceu girar e vi o reverso da medalha: no centro, o monograma da Santíssima Virgem, composto pela letra “M” encimada por uma cruz, a qual tinha uma barra em sua base. Embaixo figuravam os Corações de Jesus e de Maria, o primeiro coroado de espinhos, e o outro, transpassado por um gládio. Tudo desapareceu como algo que se extingue, e fiquei repleta de bons sentimentos, de alegria e de consolação”. ( Op. Cit.)

Nossa Senhora ainda apareceu uma terceira vez a Santa Catarina, em meio a raios de luz, causando-lhe uma inexprimível alegria, valendo destacar uma voz, que nesta oportunidade Catarina ouviu no fundo de seu coração: “estes raios são símbolo das graças que a Santíssima Virgem obtém para as pessoas que Lhas pedem”.

Não foi fácil a Santa Catarina conseguir que o seu confessor, o Padre Aladel, atendesse o pedido de Nossa Senhora. Todavia, em 1832, o sacerdote enfim cedeu aos seus rogos e levou o caso ao Arcebispo de Paris, Dom Quelen  que autorizou fosse cunhada e em seguida reproduzida a Medalha Milagrosa. À primeira cunhagem de 1500 medalhas, sucederam-se milhões de outras e até hoje as reproduções se multiplicam, tal é o  poder de atração da medalha e sua aceitação em todo o orbe. E assim, abriu-se um cortejo interminável de graças e milagres que certamente irão até os fins dos tempos. O primeiro deles foi debelar a cólera, que se abateu sobre a França, em 1832, ceifando a vida de milhares de pessoas.

Como se observa pela foto abaixo, a medalha é em formato ovalado, contendo representações e símbolos, em ambos os lados.

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No lado principal:

Nossa Senhora: Maria aparece esmagando a cabeça da serpente. É a mulher que esmaga a cabeça da serpente, que é o demônio, já estava predita na Bíblia, no livro do Gênesis: “Porei inimizade entre ti e a mulher… Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás, em vão, morder-lhe o calcanhar”. Deus declara iniciada a luta entre o bem e o mal. Essa luta é vencida por Jesus Cristo, o “novo Adão”, juntamente com Maria, a corredentora, a “nova Eva”. É em Maria que se cumpre essa sentença de Deus: a mulher finalmente esmagará a cabeça da serpente, para que não mais a morte, sobretudo da alma, pudesse escravizar os homens.

Os raios: Simbolizam as graças que Nossa Senhora derrama sobre os seus devotos. A Santa Igreja, por isso, a chama Tesoureira de Deus.

Do outro lado da Medalha:

As 12 estrelas: Correspondem aos doze apóstolos e representam a Igreja. Simbolizam as 12 tribos de Israel. Maria Santíssima também é saudada como “Estrela do Mar” na oração Ave, Stella Maris.

O coração cercado de espinhos: É o Sagrado Coração de Jesus. Foi Maria quem o formou em seu ventre. Nosso Senhor prometeu a Santa Margarida Maria Alacoque a graça da vida eterna aos devotos do seu Sagrado Coração, que simboliza o seu infinito e ilimitado Amor.

O coração transpassado por uma espada: É o Imaculado Coração de Maria, inseparável ao de Jesus: mesmo nas horas difíceis de Sua Paixão e Morte na Cruz, Ela estava lá, compartilhando da Sua dor, sendo a nossa corredentora.

O M: Significa Maria. Esse M sustenta o travessão e a Cruz, que representam o Calvário. Essa simbologia indica a íntima ligação de Maria e Jesus na História da salvação.

O travessão e a Cruz: Simbolizam o calvário. Para a doutrina católica, a Santa Missa é a perpetuação do sacrifício do Calvário, portanto, ressaltam a importância do Sacrifício Eucarístico na vida do cristão.

O ideal é que se peça a um sacerdote que abençoe a medalha, a fim de que seus efeitos sejam mais amplos. Por outro lado, não podemos perder de vista que a medalha milagrosa como o escapulário do Carmo, o “Agnus Dei”, entre outros objetos de piedade congêneres, não é um amuleto. De forma nenhuma. Ela é um sacramental, isto é um sinal sensível aprovado e abençoado pela Igreja Católica, para que nos auxilie em nossa vida espiritual nos predispondo a amarmos mais a Deus, a nos aproximarmos dos Sacramentos, etc. E para isso é preciso que a usemos com respeito e devoção desejando receber de Deus, por meio de Nossa Senhora, as graças e favores que ela significa, osculando-a sempre e repetindo a jaculatória nela inscrita: “Ó Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!”.

Consoante dito mais acima, os efeitos causados pelo uso adequado da Medalha Milagrosa  são tanto de ordem espiritual quanto material, e muitos deles se passam silenciosamente nos corações de quem a usa piedosamente.

Mas os testemunhos de graças, favores e milagres são incontáveis.

Para não me alongar muito, deixo-lhes apenas três, a saber:

  • Conversão do jovem Ratisbonne

“Os prodígios da misericórdia divina operados através da Medalha correram de boca em boca por toda a França. Em poucos anos, já se difundia pelo mundo inteiro a notícia de que Nossa Senhora havia indicado pessoalmente a uma freira, Filha da Caridade, o modelo de uma medalha que mereceu imediatamente o nome de “Milagrosa”, pois imensos e copiosos eram os favores celestiais alcançados pelos que a usavam com confiança, segundo a promessa da Santíssima Virgem.

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Em 1839, mais de dez milhões de medalhas já circulavam pelos cinco continentes, e os registros de milagres chegavam de todos os lados: Estados Unidos, Polônia, China, Etiópia…

Nenhum, porém, causou tanta surpresa e admiração quanto o noticiado pela imprensa em 1842: um jovem banqueiro, aparentado com a riquíssima família Rotschild, judeu de raça e religião, indo a Roma com olhos críticos em relação à Fé Católica, converteu-se subitamente na Igreja de Santo André delle Fratte. A Santíssima Virgem lhe aparecera com as mesmas características da Medalha Milagrosa: “Ela nada disse, mas eu compreendi tudo”, declarou Afonso Tobias Ratisbonne, que logo rompeu um promissor noivado e se tornou, no mesmo ano, noviço jesuíta. Mais tarde se ordenou sacerdote e prestou relevantes serviços à Santa Igreja, sob o nome de Padre Afonso Maria Ratisbonne.

Quatro dias antes de sua feliz conversão, o jovem israelita aceitara, por bravata, a imposição de seu amigo, o Barão de Bussières: prometera rezar todo dia um Lembrai-vos (conhecida oração composta por São Bernardo) e levar ao pescoço uma Medalha Milagrosa. E ele a trazia consigo quando Nossa Senhora lhe aparece.”(op. cit.)

  • Rochefort e a Santíssima Virgem

“Cassagnac  relatou o incidente do duelo que ele travou com Rochefort, a propósito de um artigo por este escrito sobre Maria Antonieta:

“Era o dia 1º de janeiro. Caíam enormes flocos de neve, e o branco manto subia até os joelhos. Entregaram- me o revólver para carregar as seis balas, que Rochefort havia ferozmente exigido, e eu tinha aceito com a despreocupação da juventude e, talvez, a certeza de que não seria necessário usá-las todas, devendo uma só ser suficiente.

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Rochefort atirou e errou o alvo. Eu atirei. Rochefort caiu. Julguei-o morto, pois a bala o atingiu onde eu tinha visado: em pleno quadril. Destino singular o de Rochefort! Ele é quase sempre ferido em duelo.

“Os assistentes o rodearam. Muito surpreso, o médico constatou que, em vez de ser atravessado de lado a lado, como deveria fatalmente ter acontecido, ele não recebeu mais do que uma violentíssima contusão. Portanto, a bala havia sido desviada. O que a desviara? O médico procurou e, cada vez mais surpreso, mostrou-nos uma medalha furada pela bala, medalha da Virgem que uma mão amiga tinha costurado secretamente na cintura da calça.

“Sem essa milagrosa medalha, Rochefort teria caído morto.”

  • Pessoa curada do câncer

“Agradeço a Nossa Senhora por interceder junto a Jesus Cristo e curar minha irmã de câncer que estava em vários órgãos do corpo (metástase).

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Pedi ajuda à nossa Mãe Santíssima, e Ela foi indicando os caminhos que tínhamos que seguir. A minha irmã fez a cirurgia retirando o útero e ovário, e fez seis sessões de quimioterapia. Quando se preparava para a segunda cirurgia para a retirada de mais um órgão, veio a graça: NOS EXAMES NÃO CONSTATARAM NADA.

Obrigada minha Mãe querida. Obrigada Jesus. Te amo muito.

Estamos muito felizes, eu e toda a minha família. – Luiza de Marillac”. (conforme postagem no site http://www.adf.org.br/home/um-testemunho-milogroso-de-cura-do-cancer/)

Portanto não percam a oportunidade de adquirir uma medalha milagrosa hoje ainda e de solicitar a um Padre que a abençoe, e em seguida a coloque em seu pescoço, ou em uma parte adequada da sua roupa ou de sua carteira, e peçam graças especiais a Nossa Senhora das Graças sob cujo título A louvamos, de modo especial neste dia, e me contem depois. Experimentem fazer isto e me contem depois.

Ofereçam, também, a Medalha a alguém que esteja passando por uma necessidade ou provação, que esteja doente,  descrente ou desanimado, expliquem o significado dela, e peçam-lhe que a use. Trata-se de um excelente benefício que fazemos ao nosso próximo.

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Importa salientar que o corpo de Santa Catarina se encontra incorrupto e pode ser visto e venerado sob o altar existente na capela do Convento da Ruc du Bac. Certamente uma homenagem prestada por Deus a uma tão grande Santa que teve o privilégio, em vida, de ver, conversar com Nossa Senhora e de apoiar delicadamente seus braços no santíssimo colo da Mãe de Deus e o que é mais importante, de em tudo fazer a vontade de Deus!

“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, rogai por nós!

Santa Catarina Labouré, rogai por nós!

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Santa Cecília, padroeira dos músicos, rogai por nós!

 

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 Caríssimos irmãos e irmãs,    senti-me  inspirada a republicar o post sobre Santa Cecília, ilustrando-o com novas e belas fotos, pois hoje se celebra a história de sua vida luminosa,  que deixou para sempre  neste mundo tão carente de almas puras e inocentes, exemplos e lições maravilhosos.

A Igreja considera tão eminente sua santidade que a inclui no rol das sete santas que são individualmente mencionadas no Missal Romano! Isto não é pouca coisa!

Estimados irmãos e irmãs, por tais razões é que reitero minha  homenagem e admiração por esta jovem chamada Cecília, que ficou conhecida, há quase mil e oitocentos anos, como  Santa Cecília, patrona dos músicos. Você que se chama Cecília, ou tem alguma pessoa da família ou amiga com esse nome, você que canta  ou  toca algum  instrumento, vale  a pena  conhecer um pouco  sobre vida dessa grande Santa. Eu e meu marido, particularmente, a temos como intercessora, pois integramos um Coral e nutrimos um apreço muito grande à música.

Cecília nasceu em Roma no século III.Resultado de imagem para SANTA CECILIA

O amigo ou amiga que nesse momento está lendo essas linhas,  e que toque algum instrumento,  saiba que, segundo alguns autores,  Cecília era uma exímia tocadora  de  harpa, sobretudo de uma harpa mística , cujas cordas são os seus dons e virtudes que emitem melodias celestiais que louvam a Deus e inflamam de caridade nossos corações.

Essa linda jovem converteu-se ao cristianismo, e passou a assistir as missas celebradas pelo Papa Urbano, na Via Ápia. Esse local amigos, era rodeado de pobres, a quem Cecília ajudava de forma caridosa, eficiente e bela.  Esse seu gesto de amor aos pobres, essa  sua doação aos necessitados, fez Cecília tornar-se  muito conhecida e admirada.

Era filha de um senador de Roma e sua família era nobre. Foi prometida em casamento a um jovem chamado Valeriano, com quem se casou mais tarde e que foi por ela convertido ao cristianismo juntamente com seu irmão Tibúrcio, ambos pagãos. Valeriano sabedor do voto de virgindade de Cecília, aceitou essa decisão de sua esposa.

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Tão extraordinária era Cecília que quando abria a boca para falar, todos ficavam em êxtase! Eram palavras que saíam de sua boca cheias de sabedoria, bondade, resignação, paciência e amor a Deus. Nada queria desse mundo, a não ser fazer o bem às pessoas especialmente aos pobres.

Sabem meus irmãos, no mundo de hoje, em que assistimos através dos noticiários dos  meios de comunicação de modo geral, tantas barbaridades  sendo cometidas,  tantos abusos, que dão a impressão de que a humanidade está enferma,  sentimo-nos órfãos  de bons exemplos! E como é gratificante saber que existiram no mundo pessoas assim!.

Cecília cantava com sua voz de anjo para Deus:

“Senhor, guardai sem manchas o meu corpo e minha alma, para que não seja confundida”

Sua voz ressoava até o infinito celestial!

Assim, através de sua voz melodiosa e  angelical, ficou conhecida como a padroeira dos que cantam e tocam, bem como intercessora do povo de Deus, de um modo geral.

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Mas, voltando ao breve relato de sua vida, naquela época, Almachio, prefeito de Roma, soube da conversão dos dois irmãos, Valeriano e Tibúrcio, realizada por Cecília. E esse homem perverso quis pegar toda a fortuna deles. Só que eles já a haviam distribuído, quase toda, aos pobres.

Que coisa bonita!  Distribuir tudo para os pobres!

É importante conhecer um pouco sobre a vida deles, principalmente as suas ações de ajuda espiritual e material aos  mais necessitados.  A Igreja é rica em  exemplos  como estes, que são como  fonte de águas cristalinas que refrigeram nossas almas.

Ela era nobre, rica, tinha tudo, no entanto nada queria, a não ser fazer o bem.  É incrível!   Fico pensando, que coisa maravilhosa, ter existido alguém com tantas virtudes e pureza de alma.

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Igreja de Santa Cecília – SP

É simplesmente celestial!

Mas retornemos ao assunto: o Prefeito mandou prendê-la em um balneário de águas quentes do seu próprio castelo, logo na entrada dos vapores. Ali seria asfixiada pelo vapores ferventes que aqueciam as águas. Ninguém conseguiria ficar ali um minuto sequer, era morte certa.  Para surpresa de todos, milagrosamente, nada lhe aconteceu.  

E ela continuou falando de Deus, de Jesus Cristo, que dava sentido à vida, realizando inúmeras conversões e milagres que Deus operava por meio dela.

Enfurecido, o Prefeito mandou que a entregassem ao carrasco para que fosse decapitada. Ocorre que o verdugo deu três machadadas no seu pescoço, mas não conseguiu cortar-lhe a cabeça.

Cecília permaneceu viva por três dias deitada no leito, enquanto rezava a Deus, e tinha palavras de consolo para quem dela se aproximava.

Antes de morrer, pediu ao Papa que distribuísse o resto de seus bens aos pobres e que no terreno da sua casa construísse uma igreja.

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Foi enterrada na Catacumba de São Calixto e logo passou a ser venerada como mártir.

Seu túmulo ficou séculos desaparecido.  Ela apareceu ao Papa Pascoal, entre 817 e 824, e depois desse grande acontecimento seu túmulo foi encontrado e…., maravilha: o seu corpo estava intacto, ao lado do de Valeriano (esposo) e de Tibúrcio irmão deste.

Detalhe importante: Santa Cecília foi morta porque manteve-se fiel à sua Fé no Deus Uno e Trino, testemunhada para todo sempre pela posição dos dedos de suas mãos, a saber: os da mão esquerda indicavam um ( Um só Deus) e os da mão direita três( as Três Pessoas da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo) , como se pode observar facilmente pela Imagem abaixo!

No ano de 1599, o Cardeal Sfondrati, mandou  abrir seu túmulo e seu corpo foi encontrado na mesma posição, como  o Papa Pascoal  havia encontrado.

Sua festa é comemorada no dia 22 de novembro, dia dos músicos e da música.

Salve Santa Cecília, e rogai por nós!Resultado de imagem para MARTIRIO DE SANTA CECILI

Obs:consta que Santa Cecília está entre os santos que têm mais Igrejas dedicadas à  veneração  dos fiéis.

Fontes de pesquisa:

Disponível em: http://www.cruzterrasanta.com.br

Disponível em: http://www.arautos.org.com.br

Dor e Glória

OLHAR DE TRISTEZA

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 Sempre que O fitava, percebia que a expressão do seu olhar era carregada de dor e tristeza e me indagava porque todos os artistas que  esculpiram ou pintaram  sua imagem colocavam, a par da mesma expressão de sofrimento, os olhos entreabertos ou fechados, os lábios também ligeiramente abertos, e um imponderável que me deixava perplexa: era um semblante magnifico de reprovação, tristeza e dor e de uma bondade indizível. Era  Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador, pregado  na Cruz!

Sentia uma admiração, enlevo e respeito, por aquele Crucificado da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que era realmente de uma perfeição divina e na minha opinião, quem o fez foram provavelmente anjos ou então um artista muito piedoso por eles ajudados.

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Como vivemos num século marcado por tragédias, crimes chocantes, desvarios causados pelas drogas, que vão destruindo a vida de muitos jovens, pela anarquia governamental, a desonestidade que tomou conta de nosso país e pela falta de fé e de esperança, e mais do que isto, pelo ódio ao sagrado, ao belo e ao divino, busquei respostas para esses dramas e essas posturas de alma, que vão crescendo vertiginosamente e fui encontrá-las olhando e admirando Nosso Senhor na Cruz, nela cravado pelos próprios homens a quem veio redimir do pecado.

Sim, Jesus me fez compreender que o homem ao rejeitá-lo fica privado dos auxílios da divina graça e, uma vez obscurecida a sua razão e enfraquecida sua vontade, ele dá vazão a todas as tendências e paixões desregradas instaladas em seu coração em consequência da imensa tragédia que se abateu sobre todo gênero humano, que foi o pecado original. Ou seja, se o homem rejeitou e levou à morte o Homem-Deus, ele é capaz de chegar aos maiores absurdos se se julga bastante a si próprio e autossuficiente.

Sim, prezados amigos, a raiz de todos os males e do pecado é o orgulho.

E prossegui as minhas pesquisas e estudos sobre a questão e acabei deparando-me com um artigo escrito em 1985, intitulado “Tristeza, dor e majestade” do grande pensador católico, o Professor Plinio Corrêa do Oliveira, fruto de sua contemplação de uma belíssima escultura de Jesus Crucificado, o qual está repleto de altas e eloquentes considerações que nos ajudam a compreender alguns mistérios que marcam a nossa existência.

 

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Shakespeare

Já dizia o escritor Shakespeare que “há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. E entre tantos e tantos mistérios, assoma o  denominado “mistério da iniquidade”.

E se é verdade que ante um mistério da Fé que não compreendemos, devemos, antes de tudo, nele crer, isto não significa dizer que não devamos, com humildade, estudá-lo, meditá-lo e nos aprofundarmos em estudos e explicações de pessoas santas e sábias, que logram tirar alguns véus que o envolvem e  assim nos aproximam do seu significado mais profundo. E é o que o Dr. Plinio consegue fazê-lo com suas reflexões sobre “Tristeza, dor e majestade”.

“Tristeza, dor e majestade expressas num Crucifixo

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A manifestação de tristeza de Nosso Senhor apresentada neste belo Crucifixo é pungente: os lábios abertos, os dentes separados, o queixo ligeiramente caído, dando a impressão de tal abandono de forças que há uma carência de energias até para manter cerrados os lábios. O olhar é distante, pairando na consideração de outra coisa muito diversa e que O enche de tristeza.

O artista soube muito bem representar os cabelos de Nosso Senhor: não propriamente penteados, porque não teria propósito, depois de tudo quanto Ele sofreu, representá-los ordenadamente. Mas são apresentados lindamente desgrenhados! De maneira que eles formam cachos lindíssimos! A barba é tão pequena, que não seria possível esculpi-la revolta. Ela cai ordenadamente para emoldurar o rosto.

Analisando a coroa de espinhos, podem-se perceber os grandes espinhos que transpassaram a fronte de Nosso Senhor. Acima do olho esquerdo nota-se uma machucadura terrível. Tem-se a impressão de que um espinho ali penetrou, deixando um furo horrível!

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Vê-se o sangue que corre… Mas, com quanta delicadeza ele escorre ao longo do corpo divino! De maneira a formar longos filetes, aparecendo na ponta de cada um deles um rubi!

Sempre, desde menino, o que mais me impressionou em Nosso Senhor Jesus Cristo foi a sua dor. Estivesse Ele crucificado ou não. Tanto numa atitude como nas imagens do Sagrado Coração, em que o Divino Redentor O mostra aos homens, quanto entre os doutores do Templo, o que me chamava a atenção era a dor. E dor que confere ao sofrimento aquele matiz de majestade, de sabedoria profunda, de transcendência em relação a tudo. Mas, também, de bondade que chega até o último ser, até o último pecador. Isto foi o que sempre, de modo muitíssimo especial, me atraiu nEle e me levou a adorá-Lo.

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Não custei a perceber que tal disposição de alma estava em diametral oposição à alegria de fandango, doida, tonta, agitada e sedenta de pecado, que dominava a minha época de menino, com a difusão da atmosfera de Hollywood, do cinema moderno… Então, era uma alegria má. E eu ficava colocado entre a tristeza e a má alegria.

Entretanto, naquela época, eu não sabia discernir bem entre a boa e a má alegria.

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Foi necessário o transcurso de anos para eu perceber o seguinte: aqueles que partilham a tristeza de Nosso Senhor são os verdadeiramente alegres desta vida! E aqueles que se apresentam alegres com Satanás são, na realidade, os tristes neste mundo. E, apesar de ser verdadeiro o fato de vivermos numa época de tanto pecado e tanta ignomínia – que arrancou lágrimas de Nossa Senhora na sua aparição em La Salette, e postulou a Mensagem de Fátima, com tudo o que ela contém – parece-me que o verdadeiro católico pode ter sua alma alegre. Mas que tal alegria nunca deve prescindir de um certo véu de tristeza. De tristeza digna, tristeza nobre, varonil, como quem acompanha Nosso Senhor até o alto da Cruz!

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De onde a ideia seguinte: a vida, para ser conduzida de modo católico, deve trazer consigo esse traço de grandeza e de seriedade, sem o qual ela não vale nada. A vida humana é uma participação na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eu tenho que sofrer como Ele sofreu. E quanto mais eu padecer, tanto melhor será, porque terei tido maior honra em me achegar mais a Ele.

Que a Virgem Santíssima nos ajude a conservar tais reflexões bem no fundo de nossas almas, pois aproximamo-nos de tempos em que desconhecemos como será o dia de amanhã.

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Espreitar-nos-á a dor?

Talvez! Mas devemos estar certos de um ponto: se nos espreita a dor, aguarda-nos também a glória!

 

Fonte de consulta:

Revista  Dr. Plínio