O TRÍPLICE DESAFIO DA VIDA CONSAGRADA

Os bons exemplos arrastam as pessoas para o caminho de Deus.

Estimados leitores quero compartilhar com vocês um artigo muito importante e que parece escrito para os dias de hoje.

Desejo a todos uma boa leitura!

O  texto foi escrito em 25/ 03 /1996, pelo Santo Papa João Paulo II, que nos deixou saudades eternas.

O TRÍPLICE DESAFIO DA VIDA CONSAGRADA

A vida consagrada, profundamente arreigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito. Através da profissão dos conselhos evangélicos, os traços característicos de Jesus – virgem, pobre e obediente – adquirem uma típica e permanente “visibilidade” no meio do mundo, e o olhar dos fiéis é atraído para aquele mistério do Reino de Deus que já atua na História, mas aguarda a sua plena realização nos Céus. […]

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A missão profética da vida consagrada vê-se provocada por três desafios principais, lançados à própria Igreja: são desafios de sempre, colocados sob formas novas e talvez mais radicais pela sociedade contemporânea, pelo menos nalgumas partes do mundo. Tocam diretamente os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, estimulando a Igreja, e de modo particular as pessoas consagradas, a pôr em evidência e testemunhar o seu significado antropológico profundo. […]

A alegria de praticar a castidade perfeita

A primeira provocação provém de uma cultura hedonista que separa a sexualidade de qualquer norma moral objetiva, reduzindo-a frequentemente ao nível de objeto de diversão e consumo, e favorecendo, com a cumplicidade dos meios de comunicação social, uma espécie de idolatria do instinto. As consequências disto estão à vista de todos: prevaricações de todo o gênero, geradoras de inúmeros sofrimentos psíquicos e morais para os indivíduos e as famílias.

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A resposta da vida consagrada está, antes de mais, na prática alegre da castidade perfeita, como testemunho da força do amor de Deus na fragilidade da condição humana. A pessoa consagrada atesta que aquilo que é visto como impossível pela maioria da gente, torna-se, com a graça do Senhor Jesus, possível e verdadeiramente libertador. […]

É preciso que a vida consagrada apresente ao mundo de hoje exemplos de uma castidade vivida por homens e mulheres que demonstram equilíbrio, domínio de si, espírito de iniciativa, maturidade psicológica e afetiva. Graças a este testemunho, é oferecido ao amor humano um ponto de referência seguro, que a pessoa consagrada encontra na contemplação do amor trinitário, que nos foi revelado em Cristo.

Precisamente porque imersa neste mistério, ela sente-se capaz de um amor radical e universal, que lhe dá a força para o domínio de si e a disciplina necessária para não cair na escravidão dos sentidos e dos instintos.

A castidade consagrada apresenta-se assim como experiência de alegria e de liberdade. Iluminada pela fé no Senhor ressuscitado e pela esperança dos novos céus e da nova terra (cf. Ap 21, 1), ela oferece também preciosos estímulos para a educação da castidade obrigatória nos outros estados de vida.

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Profissão ativa da pobreza evangélica

Outra provocação vem, hoje, de um materialismo ávido de riqueza, sem qualquer atenção pelas exigências e sofrimentos dos mais débeis, nem consideração pelo próprio equilíbrio dos recursos naturais.

A resposta da vida consagrada é dada pela profissão da pobreza evangélica, vivida sob diversas formas e acompanhada muitas vezes por um empenhamento ativo na promoção da solidariedade e da caridade. […] Através destas formas diversas e complementares, a vida consagrada participa da pobreza extrema abraçada pelo Senhor e vive a sua função específica no mistério salvífico da sua Encarnação e da sua Morte redentora.

Entre obediência e liberdade não há contradição

A terceira provocação provém daquelas concepções da liberdade que subtraem esta fundamental prerrogativa humana à sua relação constitutiva com a verdade e com a norma moral. Na realidade, a cultura da liberdade é um valor autêntico, ligado intimamente ao respeito da pessoa humana. Mas quem não vê as consequências monstruosas de injustiça e mesmo de violência, geradas na vida dos indivíduos e dos povos pelo uso deturpado da liberdade?

Uma resposta eficaz a tal situação é a obediência que caracteriza a vida consagrada. Esta apresenta de modo particularmente vivo a obediência de Cristo ao Pai e, partindo exatamente do seu mistério, testemunha que não há contradição entre obediência e liberdade.

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Com efeito, o comportamento do Filho desvenda o mistério da liberdade humana, como um caminho de obediência à vontade do Pai, e o mistério da obediência, como um caminho de progressiva conquista da verdadeira liberdade. É precisamente este mistério que a pessoa consagrada quer exprimir com este voto concreto.

Com ele, deseja dar testemunho da sua consciência de um relacionamento de filiação, em virtude do qual assume a vontade paterna como alimento diário (cf. Jo 4, 34), como sua rocha, alegria, escudo e baluarte (cf. Sl 17, 3). Demonstra assim que cresce na verdade plena de si mesma, quando permanece ligada à fonte da sua existência, e deste modo oferece uma mensagem repleta de consolação: “Gozam de grande paz os que amam a vossa Lei, para eles não existe perturbação” (Sl 118, 165).

A obediência vivificada pela caridade unifica

Este testemunho das pessoas consagradas assume, na vida religiosa, um significado particular também por causa da dimensão comunitária que a caracteriza. A vida fraterna é o lugar privilegiado para discernir e acolher a vontade de Deus e caminhar juntos em união de mente e coração.

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A obediência, vivificada pela caridade, unifica os membros de um instituto no mesmo testemunho e na mesma missão, embora na diversidade dos dons e no respeito da individualidade própria de cada um. Na fraternidade animada pelo Espírito Santo, cada qual estabelece com o outro um diálogo precioso para descobrir a vontade do Pai, e todos reconhecem em quem preside a expressão da paternidade divina e o exercício da autoridade recebida de Deus ao serviço do discernimento e da comunhão.

De modo particular, a vida de comunidade é o sinal, para a Igreja e para a sociedade, daquele laço que provém de um chamamento igual e da vontade comum de Lhe obedecer, para além de qualquer diversidade de raça e de origem, de língua e de cultura. Contra o espírito de discórdia e de divisão, a autoridade e a obediência resplandecem como um sinal daquela única paternidade que vem de Deus, da fraternidade nascida do Espírito, da liberdade interior de quem se fia de Deus, não obstante os limites humanos daqueles que O representam.

Através desta obediência, por alguns assumida como regra de vida, é experimentada e anunciada, em benefício de todos, a bem-aventurança prometida por Jesus a quantos “escutam a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28). Além disso, quem obedece tem a garantia de estar verdadeiramente em missão no seguimento do Senhor, e não ao sabor dos desejos pessoais ou das próprias aspirações. E, assim, é possível considerar-se guiado pelo Espírito do Senhor e sustentado, mesmo no meio de grandes dificuldades, pela sua mão segura. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2018, n. 199, p. 6-7)

São João Paulo II. Excertos da Exortação apostólica Vita consecrata, 25/3/1996

 

 

Bakhita: a Afortunada!

 Faz alguns dias, estava numa Capela esperando a hora da Missa, rezando muito interiormente a Jesus Sacramentado, pedindo-lhe ajuda  para as minhas necessidades, preocupações e tribulações. Ao meu lado,  meu esposo também se encontrava em oração contrita, quando de repente, posei a vista num belo quadro, fixado numa parede da sala contígua à Capela, retratando o rosto de uma mulher negra, bela, de feições delicadas e agradáveis,  e com um olhar de candura como se falasse com você e dissesse:

– “Estou a te olhar,  tudo vai dar certo!”

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Já ouvira falar desta filha dileta de Deus, mas nunca havia me detido para fitá-la nos olhos da forma que o fiz, naquele momento,  e fui por ela também fitada,  já quase na hora da Missa começar.

Dizem os mestres de vida espiritual,  entendidos em tais assuntos , que as coisas não acontecem por acaso, mas  sim por uma ação do nosso anjo da guarda ou por alguma moção divina interior que nos sinaliza para algo  ou para alguém que não conhecíamos ou que estava despercebido, a fim de nos dizer alguma coisa especial ou nos fazer compreender o porquê de uma provação ou até mesmo para compreender um mistério de ordem espiritual. Com efeito,  senti algo muito sublime naquele olhar doce e terno , olhos cor  de amêndoa,  encastoados em um semblante atraente e apaziguador!

Quantas vezes nós, quando estamos passando por grandes apreensões ou provações, não ficamos como que desesperados? Tomemos como exemplo nosso Brasil às vésperas de  escolher o seu novo Presidente e outros governantes. Sem dúvida  é um momento marcante e decisivo,  pois se escolhermos um más escolhas. , o nosso País continuará atolado em seus  problemas. Rezemos, pois,  para que elejamos pessoas boas para o nosso povo, e que verdadeiramente coloquem no centro Nosso Senhor Jesus Cristo, e respeitem os seus mandamentos,  porque tudo de bom provém d’Ele.  Portanto, olhos postos  no Cristo Redentor e em nossa Padroeira Nossa Senhora Aparecida, a fim de que façamos boas escolhas!

Prosseguindo nosso relato: como dizia no início,  foi de  um modo suave, à semelhança de uma brisa,  que deparei-me  com a nossa Bakhita, que me convidou a conhecer a sua heroica e vitoriosa vida, marcada com indizíveis sofrimentos que  ultrapassaram o limite da dor, conforme está contado no  pequeno mas bem escrito livro- ” Bakhita Uma Canto de Liberdade”, da Madre Maria Luiza Dagnino, Irmã Canossiana que, por sua vez,  se baseou no texto existente no Arquivo Canossiano de Roma, escrito pela própria Bakhita, e em alguns artigos de boa cepa. Então percebi que nossos problemas são tão pequeninos diante  de verdadeiros dramas vividos por outros irmãos, que mourejam neste vale lágrimas, como foi o caso dessa verdadeira heroina, no sentido mais autêntico desta palavra!

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Essa história fascinante de vida, na qual, a cada momento, nós nos  deparamos com tantos e lancinantes sofrimentos suportados com tanta fortaleza, dignidade e grandeza de alma, por uma pessoa só, desde sua mais tenra idade , faz-nos transcender para realidades e mistérios tão altos, sem os quais, não encontraríamos explicação e o porquê de tantas coisas.

Mas o drama vivenciado por Bakhita tem um desfecho glorioso por ela alcançado já aqui na Terra, mas sobretudo na Glória Celeste onde ela agora se encontra, intercedendo por todos os que lhe recorrem em suas necessidade, dores e tribulações.

Convido você,  caro(a) leitor(a),  para me acompanhar  e retroceder no tempo,  lá pelo ano de 1869, quando ela veio ao mundo.     A própria Bakhita narra  a sua vida, tudo que passou e sofreu, até encontrar a liberdade e a felicidade. Tentarei aqui resumi e pincelar uma  parte da  sua vida, com base no Livro acima mencionado,  desejando que assim o fazendo possa ajudá-los  a aceitarem com resignação e paciência seus sofrimentos, como oportunidades para nos purificarmos e  crescermos no amor de Deus e no de nossos irmãos.

 A história começa no centro da África.

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Com efeito, Bahkhita nasce numa aldeia de Darfur, chamada Olgossa, perto do Monte Agilerei, Sudão Ocidental, País da África,  em 1869. É uma bela família a de Bakhita. Três rapazes e três meninas, duas das quais são gêmeas. Família unida por amor e espontânea solidariedade. Eles pertenciam à tribo Dagiú, da qual revelam as boas qualidades tradicionais de pessoas pacíficas e trabalhadoras.

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Nesta família abastada – com efeito possui vastas plantações e inúmeras cabeças de gado – nasce a nossa Bakhita pelo ano de 1869.

Os seus primeiros anos de vida foram muito felizes!

Um certo dia porém, com cinco anos, brincava com seus irmãos e familiares, pelos arredores da casa, quando ouviu-se um grito de terror e as crianças a correrem, gritando: – “Os negreiros! Os negreiros”! Cada uma querendo se esconder daqueles homens ferozes  e violentos, que  rápidos como raios,  acabam caindo sobre ela, amarram-lhe os pulsos atrás das costas e a levam embora juntamente com outras jovens mulheres  e homens surpreendidos nas casas e nos campos vizinhos.

Estimados irmãos e irmãs, por toda sua vida Bakhita repetirá:

-“Quanto mamãe chorou, e quanto nós também  choramos!” Em poucos instantes, seus laços familiares, seus irmãos, pai e mãe, restam só no coração de Bakhita.

Esta criança no período de 1876 a 1882 foi raptada três vezes, passando pelas mãos de três patrões. O segundo homem que a rapta diz: Que nome daremos a esta graciosa menina? Diz um deles: Bakhita é um nome bonito e lhe trará fortuna enquanto ela e uma outra criança choravam desesperadas, orando, implorando piedade. Ao amanhecer os dois homens com Bakhita como escrava, chegam à aldeia e a jogam numa alcova cheia de arreios e coisas quebradas. E ela dizia:

 -“Quanto eu tenha sofrido naquela espelunca, não é possível dizer com palavras. Lembro ainda daquelas horas angustiantes quando, cansada de tanto chorar, caía sem forças ao chão num leve torpor, enquanto a minha fantasia transportava-me para longe, longe, entre os meus entes queridos.

Via os meus pais, meus irmãos, minhas irmãs e eu abraçava a todos com tanta ternura, contando-lhes como me haviam raptado e quanto eu tinha sofrido.

Outras vezes, parecia-me brincar com minhas amigas nos vastos campos e sentia-me feliz. Mas, ai de mim, voltando à crua realidade daquela horrível solidão, invadia-me uma sensação de desalento que parecia despedaçar-me o coração”

Depois de um mês sofrendo jogada em um lugar escuro, sem ar e luz, é vendida novamente a um escravocrata, que se une a uma caravana que passava; os escravos eram amarrados de dois em dois ou em três em três, com correntes e argolas de ferro, que provocavam feridas sangrentas ao redor de todo o pescoço. O medo daqueles escravos era grande e o sofrimento ainda maior. Depois de oito dias viajando chegam a um lugar onde se praticava barbaridades com os escravos. Aqueles que suportavam não morriam eram vendidos pelo dobro do preço. Passa um mercador de escravos e ela é vendida novamente com a amiga, o qual as coloca em uma cabana pequena e estreita e acorrentado-as. Em desespero, planejam a fuga, lembrando da família.

Um dia o patrão as manda debulhar os milhos e tira a correntes das duas. Quando acabam de debulhar elas fogem em desespero pela floresta enfrentando uma  animais perigosos e quase foram devoradas por um leão. Bakhita subiu em uma árvore e escapou com a outra amiga escrava. Conseguiram escapar da morte e prosseguiram viagem mas foram  pegas naquele percurso escuro e  perigoso   por um homem que surgiu nas matas repentinamente e agarrou-as com toda violência e as fez  escravas dele, jogando-as atrás de uma casa velha, que cheirava mal,   com os pés amarrados. Ele dizia para elas que as levariam para sua casa para ver seus pais. Inocentemente as pobres crianças acreditaram.  Ficaram dias nesse local quando de repente, passa um comerciante e esse homem que havia pego Bakhita na mata as vende e, o seu novo dono, as leva para longe onde se juntam a uma caravana, que se dirigia para um Centro de Recolhimento de  mistura de escravos: El Obeid.

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El Obeid

Esse novo patrão oferece um espetáculo onde expõe os escravos à venda e começa a perguntar quem dá mais? Quem dá mais?  E quem dava mais levava o mais forte e até o mais bonito. Só que chegou a vez da pequena Bakhita! Chega um Senhor distinto e as compra e segue com as duas em viagem para longe.

Bakhita chega a uma mansão onde encontra duas criancinhas que dizem a ela: bonita, muito bonita. As duas são bonitas!  E assim fica a serviço dessa casa. Boa parte do dia de Bakhita era ficar de cócoras junto do sofá abanando com um grande leque o rosto das duas patroazinhas que gostavam de Bakhita e a mesma correspondia procurando fazer tudo certo e com muito zelo.

Um dia Bakhita recebe uma ordem do filho do patrão: Traga-me aquele vaso que está no saguão? Muito pesado, ela não suporta e cai de suas mãos. Desesperada de pavor e medo suplica perdão. Mas recebe um castigo de diversas chicotadas e ainda um pontapé que a deixa desfalecida.

Imaginem, estimados irmãos, que ela poderia ficar inutilizada, mas não, ela sobrevive mais uma vez,  e  é vendida novamente.

A esposa de seu novo “senhor” era perversa e má e tudo era controlado por ela principalmente os escravos conforme ela narra:

  “Entre vesti-las, perfumá-las e abaná-las não havia descanso. E ai de nós se, por engano ou por causa do sono, tocássemos um só fio de cabelos das senhoras. As chicotadas caíam sobre nós sem piedade. E assim, durante três anos que estive ao serviço delas, não me lembro de haver passado um dia sem feridas”

Não pensem, caros leitores, que o seu sofrimento se restringiu a tais  maus tratos.

Com efeito,  um dos piores momentos de Bakhita foi o que ela mesma narra e que superou todos os limites de perversidades,  como se verá abaixo.

Vejam só! Nessa última família, o patrão tatuava!!! seus escravos para mostrar a propriedade dos mesmos e um dia chegou a vez de Bakhita.

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“Chegou a minha vez, não tinha forças nem para me mexer, mas, o olhar do patrão me fez deitar por terra imediatamente. Se fazia o desenho convencional no corpo do escravo para marcar os lugares que iria ser tatuado e era com farinha branca. Pegaram a navalha e fizeram seis talhos no meu peito, sessenta no ventre, e quarenta e oito no braço direito, Oh! É impossível descrever como eu me sentia principalmente quando espalhou o sal nas feridas para tornar mais evidente o bárbaro desenho. Sofrimento atroz! Semidesmaiada pela dor e perda de sangue fui levada para a minha enxerga. Nas intermináveis noites, ardendo de febre e de sede, esperava em vão o alívio de um remédio ou de uma palavra de conforto”

Bakhita e a companheira, um dia presenciam uma discussão do general com a esposa, e esta venceu na discussão, e então o general descarrega sua raiva nas testemunhas inocentes ordenando os soldados flagelarem as meninas.

 Imagino o que o caro leitor deve pensar:  dessa vez a criança morreu. Não. I nexplicavelmente ela sobreviveu mais uma vez, como narra a própria Bakhita:

“A vara golpeando várias vezes a coxa, arrancou-me pele e carne e ainda me cavou uma ferida grande que nunca cicatrizou”. E conclui: “Quantas de minhas companheiras morreram depois de terem sido barbaramente chicoteadas. Eu não morri por um milagre de Deus que me destinaria a COISAS MELHORES .”

Entenderam, agora? Ela só não morreu em razão de uma milagrosa assistência sobrenatural de Deus, que lhe reservava um prêmio maravilhoso!

No entanto, ela foi vendida novamente depois dessa macabra residência a um general da Armada Turca.

Nesse espaço de tempo houve um personagem chamado Mohammed Ahmed que, proclamando-se “Madhi”, isto é, “enviado de Deus”, deixa sua ermida em 1881 e se lança à conquista do Sudão e do mundo inteiro, animado pelo ideal islâmico.

Várias missões católicas, fundadas pelo Padre Combori  encontravam-se na trajetória de sua desastrosa invasão: tudo é saqueado e destruído. Já existem projetos para tomar a capital de Codofan, El Obeid.

Essas invasões islâmicas se espalharam por todos os cantos. O General que havia comprado Bakhita resolve partir imediatamente para o seu país. Vende a maior parte de seus escravos, ficando com apenas 10, entre os quais Bakhita que o acompanhará até a Turquia.

Em Cartum, também é posta a venda. Estando em seus aposentos,  recebe ordem de deixar o hotel e seguir um senhor que nunca tinha visto, que a levará para o próximo dono. E quem é esse homem?  Um Diplomata: Calisto Lagnani, Vice- Consul da Itália em Cartum.

Bakhita observa a mulher que veio buscá-la. Uma faixa branca pregueada, prende-lhe os cabelos negros, seu vestido era branco e com palavras gentis convida Bakhita a acompanhá-la. E no caminho a mulher fala com muita doçura, como se fosse uma amiga.

Ao chegarem diante de um Edifício, havia uma bandeira branca, vermelha e verde, a mulher diz: “ESTE É O EDIFÍCIO DO CONSUL ITALIANO, ELE TE COMPROU PARA TE DAR A LIBERDADE”.

 

Bakhita compreendeu apenas uma coisa: “Desta vez serei verdadeiramente Bakhita, isto é, afortunada”

A doméstica a encaminha  a um ambiente onde  pode se lavar e a ajuda a vestir a roupa reservada para ela.

Foi o primeiro vestido após anos de escravidão, narrado pela própria Bakhita. E assim foi apresentada ao Cônsul. E com muito medo  foi ao encontro do Cônsul e ele disse:

“Não tenhas medo… aqui estarás bem e todos gostarão de ti. Ajudarás a camareira nos pequenos serviços domésticos. Ninguém te maltratará. Agora podes ir e fica tranquila e alegre”

Foi a última vez na sua vida que a nossa querida sudanesa Bakhita, tão sofrida era vendida. Passaram-se dois anos de tranquilidade e paz para Bakhita mas esta foi interrompida, pois os “Madhi” e seus revolucionários têm em mira Cartum, onde Bakhita está. O Consul imediatamente deve partir para Itália. Será que ele levaria Bakhita com ele? Ela comenta:

“Não sei porquê, mas quando ouvi nomear a Itália, da qual ignorava a beleza e os encantos, nasceu-me no coração um ardentíssimo desejo de seguir o patrão. Ele me queria bem, por isso ousei pedir-lhe para me levar consigo à Itália. O Cônsul fez algumas objeções, mas eu insisti tanto   que ele resolveu me contentar”.

Correm para partir, pois um bando de militantes mahidistas estão às portas de Cartum. Vai na viagem Bakhita, o Cônsul, um comerciante de Veneza, e um africano.

A partida é feita depois do Natal de 1884, chegando a Suakin, através do mar Vermelho, no final de janeiro de 1885. Durante o mês, enquanto esperavam o navio que devia levá-los à Itália, o Cônsul e o amigo ficam sabendo que um bando de revolucionários (Madhisti) assediaram Cartum, devastaram e saquearam todas as propriedades e tomaram todos os escravos.

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Bakhista pensa: “Se eu tivesse ficado lá também teria sido levada. E o que teria sido de mim”

Em 1885, o Cônsul embarca para Suakin rumo à Itália. Bakhita fica deslumbrada com a viagem e se pergunta:

-“Quem será o patrão destas coisas

maravilhosas?”  Radiante com o pôr do sol, com a imensidão do mar!

Prestem atenção para um detalhe: Bakhita ainda não era católica, mas tinha uma alma reta e profundamente admirativa, pois Deus, em que pese todos os seus sofrimentos , protegia e cuidava desta preciosíssima pérola negra, como que a a menina dos seus olhos, para erigi-la como uma mártir, o que certamente atrairia para ela e seu povo, graças e favores de escol, preparando-a, ademais para uma altíssima vocação.

Se assim não fosse não se explicaria a  sua capacidade de sofrer, sua resignação e paciência, jamais se queixando ou desejando o mal para seus algozes.

 Mas retomando a nossa história, assim transcorre a viagem e chegam em Gênova, desembarque definitivo.

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Outras surpresas ocorrem na sua vida. Ela por ser uma negra bonita, traços delicados, olhos cor de amêndoas, chamou a atenção de D.Maria Turina Michieli, que veio ao porto esperar o marido. E queria Bakhita para ela e chegou a ficar severamente zangada com o marido. Sr. Legnani ,então,  resolve ceder Bakhita para esse casal como presente, recém-casados e amigos dele.  Vai Bakhita para Mirano. Logo nasce Alice primeira filhinha do casal e Bakhita fica tomando conta da pequenina Mimina. Bakhita se veste à moda europeia ajudada por dona Maria.

Bakhita preenche sua vida tomando conta de Mimina e com os afazeres domésticos. Mas nos momentos a sós lembra dos seus familiares e pede a Deus por eles. Mas, o pai da pequena precisa viajar para Suakin onde havia comprado um hotel e sua  esposa precisará ir também. Resolvem deixar Bakhita em Veneza no Instituto dos Catecúmenos, dirigidos pelas irmãs Canossianas.

O senhor Michieli oferta a Bakhita um crucifixo de prata e ela narra> “ Ao dar-me  o crucifixo, ele o beijou com devoção. Depois explicou-me que Jesus Cristo, Filho de Deus, morreu por nós. Impelida por uma força misteriosa, eu o olhava, como que às escondidas, e sentia dentro de mim algo que não sabia explicar.”

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Mais tarde ela diz:

“Se durante a minha escravidão eu tivesse conhecido a Jesus, eu teria sofrido muito menos”.

Dentro deste Convento, Bakhita tem o desejo de se tornar Cristã e ela diz: “Quando, a Irmã ficou sabendo do meu desejo e que vim (ao Instituto) com essa intenção, exultou de alegria”.

E observem que considerações belíssimas de nossa Bakhita:

“E vim a conhecer Aquele Deus que desde criança eu sentia no coração, sem saber quem era Ele. Recordo que vendo o sol, a lua e as estrelas, as belezas da natureza, dizia comigo mesma: “Quem será o Patrão destas coisas lindas? E sentia uma grande vontade de vê-lo, de conhecê!-lo, de prestar-lhe homenagem”!

Que alma grandiosa, inocente e apetente pelas coisas sobrenaturais! E isto é a prova de  que Deus a todos concede graças de conhecê-lO  para praticar as virtudes e ao menos a lei natural, como uma preparação para a plenitude da vida da graça!

Nesse período, a sua patroa resolve regressar à Itália e exige  que Bakhita volte com ela. E fica três dias travando essa luta árdua.O Patriarca de Veneza, Cardeal Domenico Agostini sabe da situação de Bakhita e resolve fazer uma reunião no Instituto dos Catécumenos. Primeiramente , fala o Patriarca e em seguida D. Maria muito nervosa expõe seus direitos. O Procurador do Rei então diz:

“Na Itália não há comércio de escravos. A partir do momento que um escravo coloca o pé em solo italiano, ele se torna livre. Portanto eu declaro, oficialmente, que JOSEFINA BAKHITA É LIVRE.

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 Diz Bakhita:

 “Eu amo a senhora Michieli e sinto imensamente ter que abandonar Mimina. Mas, eu não posso deixa este lugar, porque não quero perder a Deus”

Era o dia 29 de novembro de1889 e Bakhita faz a escolha de sua vida: DEIXA TUDO, PELO TUDO.

No mesmo dia 9 de janeiro de 1890, foi batizada , crismada e recebeu a Sagrada Eucaristia! E ela conta emoção que tomou conta de sua alma!

Toda nata da nobreza de Veneza queria ser madrinha da jovem africana.O ex-patrão oferece-lhe tudo que tinha para ela voltar, ela seria sua filha e herdaria tudo dele também como filha. Dizia: serei seu pai. Mas Bakhita escolheu o outro caminho que é reservado para os grandes santos.

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Com a passar dos dias  e dos  meses todos a conheceriam pela bondade e delicadeza de sua alma.

 Recebe o hábito da Filha da Caridade no Instituto Canossiano e a sua própria Superiora o entrega e ela faz os votos solenes na mesma casa onde a Fundadora, Santa Madalena de Canossa iniciou a sua obra, viveu e morreu.

Em 1902, é transferida de Veneza para Schio.

Na casa de Schio ela faz variados serviços. Todos querem ficar ao seu lado. A chamam de Irmã Morena e pedem para ela contar histórias, pois era das coisas que fazia muito bem.

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Schio

Como se vê o Manuscrito redigido por ela em 1910 em Schio apresenta textos descritivos de um realismo insuperável. Oficialmente ela será sempre a “Protetora de Schio”

Depois de longos anos ajudando, sendo amada por todos, como costuma acontecer com os santos, queriam pegá-la, de todas as formas, para abraçá-la, tocá-la,  mas, um dia Bakhita adoece com pneumonia. E começa a ter delírios, pesadelos como se tivesse amarradas as correntes quando era escrava, mas isso devido a sua debilitação. Sempre tranquila e confiante em Jesus sacramentado, perguntavam a ela: como vai Irmã?

-“Vou indo devagarinho, devagarinho, rumo à eternidade… Vou com duas malas: uma contém os meus pecados, e a outra, bem mais pesada, os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do tribunal de Deus, cobrirei a minha mala feia com os méritos de Jesus e de Nossa Senhora, e direi ao Pai eterno: Julgai agora o que vedes.”.

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Casa Madalena de Canossa

No dia 8 de fevereiro de 1947, às 15:30, recebe os sacramentos dos Enfermos e morre às 21:10 horas.

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As suas últimas palavras: “COMO ESTOU CONTENTE! NOSSA SENHORA, NOSSA SENHORA.

E Nosso Bom Jesus premia a sua casta esposa fazendo que seu corpo permaneça incorrupto , até os dias atuais!

No dia 17 de maio de 1992 é declarada Beata e em 01 de outubro de 2000 é CANONIZADA PELO PAPA JOÃO PAULO II.

Santa Bakhita, rogai por nós!

Referência Bibliográfica:

Bakhita Um Canto de Liberdade,  Madre Maria Luiza Dagnini, FdCC

Impresso: Coop. Novastampa di Verona srl, Verona – Itália, setembro 2000

Artigo da Revista Arautos do Evangelho

 

 

 

 

 

 

A MELHOR NOITE DE MINHA VIDA

E assim caríssimos irmãos, vamos seguindo a nossa estrada buscando aumentar sempre a fé mais do que nunca, pois precisamos dela para vivermos, porque hoje como diz um grande escritor  Francisco Faus, em seu livro “ A força do Exemplo”:

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– “ o escuro é mais  escuro do que nunca. A virulência das ideias, valores, critérios de vida e condutas não-cristãs  e até mesmo anticristãs é, atualmente, mais poderosa e envolvente do que jamais o foi ao longo de dois mil anos de Cristianismo”.

E o mesmo autor  continua dizendo:

“ Creio que, nos nossos dias, é  mais válida do que nunca a imagem simbólica de Santa Catarina de Sena, a donzela frágil e forte, toda chama de amor e coragem, que iluminou a Igreja no século XIV. No seu célebre livro O DIÁLOGO, compara o mundo:

 “ dos mundanos dos que vivem afastados de Cristo, ( o” mundo” que hoje encontramos, em todos os cantos), a um rio poluído, mas que atrai fortemente. Os que estão mergulhados nele chamam – vociferando, esbaldando-se e cantando – os outros; e estes acabam por atirar-se às águas, como que atraídos por um ímã maligno,  e   se deixam arrastar pela correnteza, crendo que aí acharão a alegria de viver. Todos acabam afogados na imundície, perdidos para sempre’.

E como exemplo, em nossos dias podemos citar o poder devastador das drogas e das bebidas alcoólicas atingindo adultos, adolescentes, e até crianças de um modo geral, de ambos os sexos,  muitos dos quais perdem sua vida na mais  tenra idade.

E isto é apenas um aspecto da questão.

Mas, continuemos com o autor que observa:

“ só uma  ponte permite atravessar o rio e salvar-se: Cristo, o “pontífice”, o fazedor da única ponte que leva da terra para o céu: – EU SOU O CAMINHO,  A VERDADE E A          VIDA (Jo 14,6)

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Vemos assim, meus caríssimos irmãos, como precisamos dessa Luz de  Cristo, para iluminar a nossa estrada e  dar rumo à nossa vida ,  sobretudo ajudando na formação de nossas crianças e adolescentes! Por isso vamos dar continuidade às nossas historinhas,  para esse público mais jovem, mas que também servem para homens e mulheres de boa fé e assim atrairmos para todos nós, lufadas de ar puro, de inocência, de amor a Deus, a Nossa senhora, aos nossos santos, e  às realidades espirituais.

 Já outros contos   nos conduzirão para  um mundo maravilhoso e arquetípico, no qual têm lugar fadas, bosques encantados e palácios paradisíacos.

E assim teremos alguns momentos de uma leitura infantil, que você poderá se deliciá-la e contá-la aos seus filhos pequenos, na hora de dormir, estimulando as asas de sua imaginação  para o alto, onde certamente encontrarão a Deus, pois Ele ama a inocência, a pureza, a castidade, a honestidade.

“A MELHOR  NOITE DE MINHA VIDA”

Dantes se dizia: “ Era uma vez…”

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Aldeia situada em Covas do Rio, em São Pedro do Sul – Portugal

“  uma aldeia tão pequenina que parecia perdida no meio dos Alpes. Isolada entre altas montanhas, longe da agitação das vilas e cidades, a tranquilidade reinava nos pitorescos chalezinhos que a compunham. Seus habitantes eram, ademais, profundamente religiosos, e graças à força de sua fé passavam por dificuldades, cansaços e labores árduos da vida diária com os olhos postos em Deus, sem jamais perder a calma.

O senhor Carlos, honesto lenhador, ali morava com a esposa, dona Isabel, e os cinco filhos: Maria Luísa, Henrique, Joana, Bernardo e Clara. Todos os dias saia para o trabalho ao raiar da aurora, regressando ao pôr do sol.

Certa manhã, como estava um pouco atrasado com seus afazeres e precisava levar a comida ao marido, dona Isabel chamou a filha mais velha e disse:

– Maria Luísa, hoje preciso que tu leves o almoço a teu pai, Queres?

– Sim senhora. Vejo-a muito ocupada com as tarefas da casa e eu já terminei os deveres da escola.

– Ele está trabalhando no Vale dos Patos, junto ao Grande Bosque, cuidado, presta atenção para não te perderes. Quando chegares ao Outeiro dos Cedros, chama-o e ele virá.

Maria Luísa, contente por auxiliar a mãe, pôs seu pequeno avental azul, o chapeuzinho e saiu a toda pressa. Vendo-a correr, dona Isabel não pôde conter um suspiro: a pequena contava tão somente dez anos e era a primeira vez que saía desacompanhada.

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Na medida do possível, a menina andava a passos largos, pois queria entregar o almoço ainda quente. Percorrendo encruzilhadas e montes, ela chegou ao Outeiro dos Cedros, ofegante e cansada.

– Papai, chamou e nada…

– Senhor Carlos?!…

O vento e o chilrear dos pássaros  foram a sua resposta.

– Devo estar ainda longe – disse de si para consigo.

Caminhou adiante, mais e mais. Entretanto, forçosamente parou: à sua frente erguia-se majestoso e temível o Grande Bosque, indicando-lhe o fim do trajeto.

“ Talvez papai tenha preferido almoçar à sombra”, pensou ela, entrando  entre as  árvores. Com todas as forças de seus pequenos pulmões, elevando as mãozinhas à boca, gritou de novo. E outra vez  ficou sem resposta. Começando a sentir-se aflita, rezou em voz alta:

– Ó Santíssima Virgem, eu vos prometo um Rosário inteiro se encontrar meu papai.

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E seguia avançando. Todavia, o tempo se passara com uma rapidez espantosa e Maria, em sua preocupação, nem percebia que grossas nuvens cobriam o céu, prenunciando uma tempestade.

Mais uma hora de caminho, a chuva se foi e, sempre adentrando no emaranhado bosque, a menina sentiu-se esgotada, sentando-se sob uma árvore.  O sol já se punha e Maria Luísa estava sozinha… Que animais ferozes fariam companhia à pequena, nesta noite que teria que passar no Grande Bosque?…

Enquanto isso, o senhor Carlos chegava em casa bem tranquilo, Dona Isabel o recebeu contente.

– Ah,, que bom que chegaste! E Maria Luísa?

– Olha não vi.

– Tu não viste? Ela foi levar-te o almoço há muito tempo.

– Olha não vi nem almoço nem Maria Luísa. Aliás, estou com muita fome!

O rosto da mãe se contraiu de susto e seu coração apertou, juntamente com o do pai. Senhor Carlos saiu de imediato, à procura  da menina, esquecendo-se da sua fome, e dona Isabel aflita, rezava a Nossa Senhora.

-Minha mãe, vós que também passastes pela angústia de perder vosso Filho no Templo, ajudai-nos! Se encontrarmos Maria Luísa, amanhã encomendaremos uma missa em vossa honra…

As horas pareciam eternas… Soavam as badaladas da meia noite no relógio da torre da matriz quando o pai regressou, abatido e só! Buscara com cuidado em toda a redondeza do Outeiro, mas em vão:  de Maria Luísa não encontrara vestígio!

No dia seguinte, antes do amanhecer, dona Isabel e seus filhos foram à Igreja rezar pela filha, pois uma noite naquele bosque cheio de ursos e lobos fazia temer seriamente por ela… Os vizinhos, penalizados, uniram-se às orações da família, enquanto o pai partia a toda pressa, mais uma vez para o Outeiro dos Cedros.

 Lá chegando, o senhor Carlos pôde escutar uma vozinha doce que cantava…Vinha do meio das árvores do Grande Bosque, Seguindo-a, ele se deparou com um conhecido aventalzinho azul e um rosto radiante que, escutando o ruído, corria em sua direção com os bracinhos estendidos.

– Maria Luísa! – exclamou o lenhador aflito, abraçando a filha.

– Papai!

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-Passastes esta noite no bosque? O que aconteceu? Não tivestes medo por estar só?

– Ah, não a passei sozinha. No começo sim, tive muito medo. Vi-me envolta nas trevas e perdida, Mas peguei meu terço e comecei a rezar, em pouco tempo tudo ao meu redor se tornou claro e uma Senhora reluzente veio me fazer companhia.

– Falaste  com ela?

– Sim, e contou-me muitas coisas. Disse-me ser Maria Santíssima, e ama muito quem n’Ela confia, pois a todos quer salvar e conduzir ao bom caminho e nunca deixar de ouvir as orações pedindo a sua intercessão, contudo desagrada-Se sobremaneira quando ofendem a seu Filho, Jesus. Como a noite estava avançada, embora quisesse conversar, me mandou dormir um pouco, deitei-me em seu colo e Nossa Senhora me cobriu com seu lindo e perfumado manto.

_ E quando acordastes,  ainda estavas em seus braços?

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_ – Claro! E Ela me olhava sorrindo.  Disse ter que ir, mas que eu fosse sempre boa e piedosa, e nunca me esquecesse deste momento. Papai, esta foi a melhor noite da minha vida!

Maria Luisa e seu pai voltaram, então para casa, onde a família os recebeu com enorme alegria. A pequena cresceu, porém nunca se esqueceu do olhar sorridente da Santíssima Virgem. De fato, aquela tinha sido a melhor noite de sua vida!

 É uma historinha estimados irmãos e irmãs,  um singelo  conto,  fruto de um sadio e bem ordenado  imaginário popular, repleto de  histórias inocentes, piedosas, nas quais Jesus e Nossa Senhora  sempre estão presentes, tão em falta nos dias atuais.  Elas nos    mostram como é bela,  doce e encantadora a inocência  de uma criança bem formada e instruída na Fé e na Confiança em Deus .

 Concluindo, desejo que Jesus  seja sempre a Luz da nossa vida, e  que esta Luz penetre no mais profundo do nosso coração, sobretudo no de   todos os pais e mães , para que reflitam sobre a importância de preservar a inocência de seus filhos. Assim o fazendo, estarão  formando o seu caráter para que um dia sejam homens e mulheres honrados e preparados para enfrentar as dificuldades e desafios da  vida,  contribuindo ademais para edificação de uma sociedade justa e pautada  no amor e no santo temor a Deus,  ou seja,  o Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo!Resultado de imagem para cristo rei

 

Bibliografia:

  • A Força do Exemplo de Francisco Faus
  • Religiosa Maria Beatriz Ribeiro Matos (A melhor noite da minha vida!) Revista Arautos do Evangelho número 149.

Deixem-me nascer!

Diante de um assunto atual, tão delicado e polêmico que é o aborto, senti-me no dever de escrever para os caríssimos leitores deste singelo blog, minha modesta opinião, pautada em ensinamentos e constatações de pesquisadores, cientistas e doutores, especializados no assunto, assim como nas lições da Bíblia, dos Papas, de Padres da Igreja e de santos.

Desejo-lhes uma leitura reflexiva para que, com a ajuda de Deus, analisem os mais variados argumentos aqui discorridos, em prol da vida, sob os prismas, científico, social, moral e religioso, a fim de que se evidenciem a grandeza, beleza e dignidade da VIDA HUMANA, dom inestimável de Deus e, por outro lado, a verdade sobre o aborto e o que está por trás das campanhas massivas e sibilinas dos que a promovem e ainda das danosas consequências que advêmá da sua legalização ou descriminalização.

A ONDA ABORTISTA

A impressão que temos é de que há uma investida (ou onda) provocada por organizações e grandes empresas estrangeiras a favor da legalização do aborto, com a ajuda de alguns setores da imprensa, atingindo os mais diversos países, que até bem pouco tempo atrás eram majoritariamente contra essa prática impiedosa e que surpreendentemente aprovaram leis abortistas, valendo-se de expedientes estratégicos distintos, ou seja: em agosto de 2017, no Chile, através da aprovação pelo Congresso do Projeto Abortista, nos casos de risco de vida da mulher, inviabilidade fetal e estupro; na Irlanda, em maio de 2018, por meio do referendo popular; na Argentina, por intermédio de aprovação pela Câmara de Deputados, por apenas 4 votos de diferença, mas que, graças a Deus, foi rejeitada pelo Senado, pelo que o aborto continua sendo crime no valoroso País vizinho! E segundo as notícias, a questão só poderá ser agitada outra vez (esperamos que não) após o transcurso de 1 ano.

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Feto com 6 meses

E ao que parece, esta onda agora pretende atingir o nosso Brasil, Terra de Santa Cruz, não obstante a nossa população seja majoritariamente contra o aborto, segundo pesquisa de novembro de 2017 do Ibope, valendo ressaltar que a rejeição entre os jovens é mais elevada do que a média, o que é motivo de alegria e de esperança!

Com efeito, estes agentes propugnadores de tão grande mal, sabedores de que em nossa Pátria não conseguiriam êxito através de processo legislativo, e até mesmo por meio de consulta popular, utilizaram-se de medida jurídica denominada ADPF – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, perante o STF que sediou neste mês de agosto uma inusitada audiência pública para instruir o malsinado Processo que propõe a descriminalização do aborto, que tem como relatora a Ministra Rosa Weber.

Como se vê em nosso País, o expediente encontrado pelos abortistas foi a propositura da referida ação perante o Supremo Tribunal Federal, na expectativa de uma decisão em prol da descriminalização do aborto, que tenha força de lei, e propicie, na prática, a abertura de todas portas para a interrupção voluntária e provocada da gravidez, ou seja, para o aborto, palavra que nem gosto de pronunciar, que não é outra coisa senão a decretação da morte do indefeso nascituro, com todas as sequelas irrecuperáveis para a própria mulher que tem a infelicidade de tirar a vida do fruto das suas entranhas.

Não vou me deter aqui nos aspectos jurídicos da medida, os quais foram objeto de análise, por juristas sérios, e também de políticos, bem como representantes da CNBB, demonstrando a sua total imp1ropriedade e despropósito, o que poderá acarretar a sua inadmissibilidade pela própria Ministra Relatora ou pelo Colegiado do STF.

Apenas faço a seguinte observação: o direito de nascer, o direito à vida, desde a concepção ao seu termo natural, é o preceito fundamental, por excelência de qualquer país civilizado e, “a contrario sensu”, a morte de seres humanos, máxime se inocentes e indefesos, é o descumprimento mais contundente de um preceito fundamental. Via de consequência, a malsinada “ADPF” não merece sequer ser conhecida pela Ministra Rosa Weber, que também jamais deveria ter designado uma audiência pública para discutir se a morte provocada de vidas indefesas e inocentes é crime, nunca demais repetir, proporcionando destarte aos defensores da prática apresentar suas teses mentirosas e sofísticas em favor do aborto, confundindo e induzindo uma parte de nosso povo a aceitá-lo.

Mas esperamos que a malsinada medida seja rejeitada pelo STF e que o povo brasileiro, defensores da vida, fiéis às suas raízes cristãs e à sua índole boa e reta, também saiba rejeitar categoricamente todo e qualquer tipo de motivação para o aborto, tendo em vista as razões de ordem religiosa, moral, jurídica, médica, psicológica e social, tal é o amplo espectro de suas implicações e consequências.

Sabemos que existem, felizmente, entre os “pró vida”, várias pessoas, entidades e associações, altamente capacitadas para se opor à onda abortista.

Mas, peço a Deus e à Santíssima Virgem Maria, Mãe do Bom Conselho, que ilumine a mente e o coração de cada irmão ou irmã que porventura leia este artigo, e de nosso povo, de um modo geral, inclusive das autoridades constituídas, para que enxerguem a real e transcendental gravidade deste assunto.

Neste sentido, quero deixar consignadas algumas reflexões, fruto de pesquisas e estudos científicos, jurídicos e metafísicos que realizamos em fontes fidedignas- livros, artigos, sites e vídeos -, e também ouvindo pareceres médicos, opiniões e conversas em nossas rodas sociais, em torno do tema, que poderão contribuir para demonstrar que o aborto provocado é inaceitável e um pecado gravíssimo. Do ponto de vista canônico, é passível até mesmo de excomunhão “latae sententiae” (ou seja, “ipso facto”, pois independe de declaração da parte da autoridade eclesiástica, como prescreve o cân. 1.314 do Direito Canônico), porque perpetrados em face de vidas inocentes e indefesas, além de constituir uma violência à saúde física e mental da mulher que é submetida ao aborto.

O ABORTO É UM PECADO GRAVÍSSIMO

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Este é um dos cruéis procedimentos de aborto, chamado sucção.

Com efeito, como se pode ter a coragem de matar o seu próprio filho ou filha, um ser humano, em estágio menos ou mais avançado, e que já tem, inclusive, uma alma espiritual inoculada por Deus? Esse serzinho humano, cujo coraçãozinho pulsa de forma que emociona qualquer mãe quando o ouve os seus primeiros batimentos! E que vai crescendo, crescendo, paulatinamente de forma bela como o próprio Deus estabeleceu, a cada dia e a cada mês, proporcionando uma nova emoção e contentamento. Pequenina e indefesa criatura de Deus, mas com um coração pulsando forte! É simplesmente fantástico a forma como Deus colocou na mulher a capacidade de gerar outro ser. Só Deus poderia fazer algo tão belo assim! A criação do ser humano é fascinante e extraordinária!

Encontramos na Obra “Aborto: 50 perguntas, 50 respostas, em defesa da vida inocente”, publicada pela a Associação” O Amanhã de Nosso Filhos”, importantes depoimentos de médicos e cientistas renomados em torno da crucial questão do “instante zero” da vida humana, e esta resposta se encontra nas págs. 28 e seguintes:

A Biologia prova, com absoluta certeza, que a vida de um novo ser humano tem início no momento em que se dá a união do gameta masculino (espermatozoide) e do gameta feminino (óvulo)”.

Outras questões correlatas também relevantes para uma perfeita compreensão do assunto são tratadas, como se vê abaixo:

“Mas uma simples célula, como o é o zigoto, já é um ser humano?”

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Quem responde é o Embriologista Dr. Keith Moore: “cada um de nós começou a vida como uma simples célula chamada zigoto”, conforme se encontra na sua obra Keith L. Moore The Developing Human: Clinically Oriented Embryology, 2ª. ed., Phladelphia (WB), Saunders, 1977, in Randy Acorn. Pro Life Answers to Pro Choice Arguments, Sisters (OR), Multnomah Books, 1992, p. 40.

Depois da fertilização do óvulo, não há nenhuma outra fase ou etapa em que o embrião receba uma nova e essencial contribuição genética para ser o que é.

Foi o Professor Jerôme Lejeune, médico pediatra e geneticista conhecido mundialmente, que conseguiu revelar na base genética de um portador da Síndrome de Down, a presença de um cromossomo extra no DNA DA CRIANÇA, ajudando assim a transformar a vida de pacientes e de famílias que viviam sob um estigma moral injustificado, pois se propalava que a referida SÍNDROME fosse um efeito colateral da doença sífilis. Isto é apenas um resumo, resumidíssimo do seu vasto currículo profissional, pois era também uma pessoa muito reta e virtuosa e que hoje certamente se encontra no Céu, gozando da visão beatifica de Deus, juntamente com muitas pessoas que nasceram e foram curadas mercê da sua ação constante em prol da vida, saúde e conforto do seu próximo.

Mas continuemos:

“O fato de que a criança se desenvolve em seguida durante 9 meses no seio de sua mãe, em nada modifica sua condição humana.

Aquela minúscula célula é um ser humano único e completo: – único, porque nunca existiu e jamais existirá na história um ser idêntico a esse.”, conforme pontifica o Dr. Jerôme Lejeune.

“A concepção confere a vida e torna aquela vida única do gênero”, afirmam os médicos Laudrum Shuttles e David Rorvik, do alto do seu saber científico,

“- Completo, porque o código genético do zigoto contém todas as informações sobre cada característica do novo ser humano, tais como altura, cor dos olhos, cabelo, pele, pele, sexo etc.”

Isto é fantástico e joga por terra as assertivas falsas dos defensores do aborto de que só se pode falar em vida humana quando “há constatação de atividade cerebral”, assertiva falsa já desmentida por grandes cientistas renomados.

Prosseguem os mesmos, Drs. Shuttles e Rorvik:

“(…) o tipo genético – as características herdadas de um ser humano individualizado – é estabelecido no processo de concepção, e permanecerão em vigor por toda a vida daquele indivíduo”.

“Portanto, a partir da fecundação estamos já na presença de uma nova vida humana. O embrião necessitará apenas de nutrição, oxigênio e tempo para chegar à plena maturidade de um homem adulto”.

Como bem sintetizou o mesmo Dr. Jerôme Lejeune, com a genialidade do povo francês e elevado saber científico: “ASSIM QUE É CONCEBIDO, UM HOMEM É UM HOMEM”.

É uma sentença fenomenal, incisiva e insofismável!

Quantos e tantos casos são relatados de filhos e filhas que cuidaram de seus pais na velhice? Dando-lhes comida, fazendo-lhes companhia, empurrando sua cadeira de rodas, proporcionando-lhes uma vida digna e tratamentos médico-hospitalares!

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EXEMPLOS ELOQUENTES DE PESSOAS QUE QUASE ERAM ABORTADAS

Estimados irmãos e irmãs, são esses filhos que, pela lógica abortista, poderiam ter sido mortos ao talante dos seus próprios pais! O aborto é algo abominável!

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Exemplo eloquente disto é o relato da mãe de Cristiano Ronaldo, considerado um dos maiores atletas e, especificamente, de todos os tempos, e que quase foi vítima de aborto, conforme se acha narrado no livro “Mãe coragem”, por ela escrito conjuntamente com Paulo Sousa Costa. Com efeito, ela conta nas páginas do mencionado livro que tentou abortar seu quarto filho, mas desistiu, mal sabendo ela que aquele menino seria um excelente filho. Ela diz “que a coisa mais bela que temos são nossos filhos” e deixa o seguinte conselho às mulheres:

– “já tinha três filhos, tentei abortar e não consegui. Ainda bem, porque Cristiano foi a estrela que iluminou a minha vida. Quero transmitir às mulheres que não façam isto. Que pensem e lutem”.

Além deste caso, outros tantos podem ser citados, a exemplo de: Steve Jobs (criador da Apple), Roberto Bolãnos (ator mundialmente conhecido por interpretar Chaves), Andrea Bocelli (cantor reverenciado internacionalmente por sua voz) e entre outros, todos eles foram salvos de serem abortados pela atitude corajosa e heroica de suas mães.

Todavia, é bom deixar bem claro que todo ser humano em sua fase embrionária tem o direito natural, fundamental, de ser cuidado no seio materno e de nascer, não havendo nenhuma razão ou circunstância que legitime o aborto, igualmente como ocorre ao depois do seu nascimento. É vida humana, sobre a qual Deus tem seus desígnios e planos, desde toda a eternidade, vedado ao homem ceifá-la.

Aliás, causa espécie que um mundo que defende ardorosamente a preservação de todas as espécies de animais e vegetais, assim como do meio ambiente de um modo geral, e que elabore leis para quem os ameace e agrida, com medidas e penas severíssimas, considerando algumas violações como crime inafiançável, tenha em relação à vida do ser humano, inocente e indefeso, sentimentos de indiferença!

Que contradição, que inversão de valores! Não que eu seja contra uma sadia Ecologia, longe de mim este sentimento. Todos que me acompanham sabem do meu apreço à natureza, animais e plantas.

DESFAZENDO MITOS E SLOGANS ABORTISTAS

Merece registro, também, chamar a atenção de todos para alguns pontos que foram destacados pela famosa cientista brasileira, Dra. Isabela Mantovani, perante a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, do Senado Federal, na audiência pública promovida por esta Casa Legislativa, em 2015.

Na qualidade de graduada em Odontologia pela UNICAMP, Especialista em Saúde Coletiva (São Leopoldo Mandic), em Bioética (PUC RIO) e em Estratégia de Saúde da Família (UNIFESP/UNASUS), e que trabalha há 13 anos com saúde pública, sendo 7 deles em cargos de gestão, ela adverte para as seguintes mentiras propaladas pelos abortistas:

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  1. Que a quantidade de abortos por ano no Brasil chega a 1.500.000“: Falso. Segundo ela, tal número é totalmente falso e é na verdade difundido de maneira aleatória por empresas multinacionais, para justificar suas campanhas em favor do controle da natalidade e da legalização do aborto em nossa Pátria, medida que reduziria os abortos clandestinos perigosos à saúde e à integridade física da mulher. E por incrível que pareça, são a tanto movidos ao fundamento de que o aumento populacional nos países que eles chamam de “terceiro mundo”, poriam em risco a segurança interna dos Estados Unidos!!! Isto surgiu durante o Governo do Presidente Nixon, que subvencionava tal iniciativa, mas o subsídio foi suprimido pelo Presidente Clinton. Mas isto não foi suficiente para eliminar a sanha abortista, que conseguiu obter recursos de grandes empresas privadas e assim prosseguir sua obsessão abortiva, com a ajuda de boa parte da mídia que repetia ininterruptamente e massivamente informes falsos e slogans de efeito psicológico, a fim de influenciar negativamente os incautos. A Dra. Isabela baseada em dados do SUS, demonstra que o número anual de abortos provocados no Brasil é da ordem de 50.000, infelizmente muito elevado, mas muitíssimo inferior ao montante astronômico inventado pelas macroempresas alienígenas e repetidas irresponsavelmente por setores da mídia e por defensores do aborto.

Na verdade, trata-se de uma manobra estatística com o intuito de sensibilizar a opinião pública e assim divulgar para toda a sociedade esses números falsos.

Segundo o DATASUS, observa Dra. Isabela, que em 2013 ocorreram 206.270 internações devidas ao aborto (espontâneo e provocado).

Em 2010 foi realizada a Pesquisa Nacional do Aborto, na qual se concluiu que 1 a cada 2 mulheres que abortam precisam de internação, ou seja, 20-25% das internações hospitalares são provocadas por aborto.

Portanto, tomando como base as referências acima, procedem-se aos seguintes cálculos: 206.270 (número de internações hospitalares no Brasil no ano de 2013) x 0,25 (percentual de 25% das internações por aborto provocado), que totaliza 51.567.

Número terrivelmente elevado, mas muito inferior ao propalado de 1 milhão e meio, não é mesmo?!

  1. “A legalização do aborto faria o número de abortos diminuir”: Falso. Em todos os países em que foi legalizado aumentou consideravelmente, em vez de diminuir, como se vê pelos dados abaixo:
PAÍS POPULAÇÃO DA ÉPOCA NÚMERO DE ABORTOS LEGALIZAÇÃO POPULAÇÃO NÚMERO DE ABORTOS
EUA (1973)

205 milhões

193.000 1973 (2015)

321 milhões

(2015)

800.000

SUÉCIA (1939)

6 milhões

500 1939 (2010)

9 milhões

(2010)

37.000

ESPANHA (1987)

38 milhões

17.000 1985 (2011)

46 milhões

(2011)

118.000

INGLATERRA (1967)

54 milhões

23.000 1967 (2015)

64 milhões

(2015)

191.000

URUGUAI (2013)

3.402.361

7.171 2012

(2015)

3.425.536 milhões

9.362
FRANÇA
(1974)
52 milhões
Sem dados
1974
(2018)
64 milhões
200.000
Obs: alguns dados foram arredondados para facilitação e compreensão dos leitores, com exceção do Uruguai, por possuir uma população menor, sendo assim relevante a precisão dos números.

Importante mencionar o relato do médico Dr. Bernard Nathanson, que pessoalmente foi responsável pela prática de 65.000 abortos, mas que se arrependeu radicalmente, consoante confessa no texto abaixo:

“Sou pessoalmente responsável por 65.000 abortos. Isso legitima minhas credenciais em me dirigir a você com alguma autoridade sobre o assunto. Fui um dosl fundadores da National Association for the Repeal of the Abortion Laws (NARAL) nos EUA em 1968. Uma pesquisa de opinião confiável mostraria que, à época, a maioria dos americanos seria contra o aborto. Em cinco anos nós convencemos a Suprema Corte dos EUA a oficializar a decisão que legalizou o aborto por toda a América em 1973 e permitiu o abortamento sob demanda até o nascimento. Como fizemos isso? É importante entender as táticas envolvidas porque estas mesmas táticas estão sendo utilizadas por todo o ocidente com uma ou outra mudança, de modo a alterar as leis sobre o aborto.

A primeira tática foi capturar a mídia
Persuadímos a mídia de que a causa da tolerância ao aborto era uma causa esclarecida e sofisticada. Sabendo que se uma pesquisa de opinião confiável fosse feita seríamos sonoramente derrotados, simplesmente fabricamos os resultados de pesquisas fictícias. Anunciamos à mídia que fizemos pesquisas e que 60% dos americanos eram favoráveis ao aborto. Essa é a tática da mentira autorrealizada. Criamos simpatia suficiente para vender nosso programa de aborto fabricando o número de abortos ilegais feitos anualmente nos E.U.A. Os números reais atingiam 100.000 mas repassávamos à mídia 1.000.000. Repetir a mentira incessantemente convence o público. O número de mortes de mulheres devido a abortos ilegais era em torno de 200-250 anualmente. Passávamos à mídia o número de 10.000. Essas falsas estimativas criaram raízes na consciência dos americanos convencendo muitos de que precisávamos derrubar a lei contrária ao aborto. Outro mito que alimentamos na opinião pública via mídia foi que a legalização do aborto significaria somente que os abortos outrora feitos ilegalmente, a partir de então seriam feitos legalmente. Na verdade, é óbvio, o aborto está sendo utilizado como o principal método de controle de natalidade nos EUA e o número anual de abortos aumentou em 1500% desde a legalização.

A segunda tática foi “dar a cartada Católica”
Aviltamos sistematicamente a Igreja Católica e suas “ideias socialmente retrógradas” e apontamos a hierarquia da Igreja como os vilões que se opunham ao aborto. Esse tema foi tocado incessantemente. Alimentamos a mídia com mentiras do tipo “todos nós sabemos que a oposição ao aborto vem da hierarquia e não da maioria dos católicos” e “pesquisas de opinião provam que a maioria dos católicos querem reforma na lei contra o aborto”. E a mídia bombardeou isso sobre o povo americano, persuadindo-o de que todo aquele que se opusesse ao aborto devia estar sob influência da hierarquia da Igreja e que os católicos a favor do aborto eram esclarecidos e progressistas. Uma inferência a essa tática foi que não havia grupos não católicos se opondo ao aborto. O fato de que outras religiões cristãs bem como não cristãs foram (e ainda são) monoliticamente opostas ao aborto foi constantemente suprimido, junto de opiniões de ateístas pró-vida.

A terceira tática foi o descrédito e a supressão de toda evidência científica de que a vida começa na concepção
Perguntam-me com freqüência o que me fez mudar de opinião. Como mudei de abortista proeminente a advogado pró-vida? Em 1973, tornei-me diretor de obstetrícia de um grande hospital na cidade de Nova Iorque e tinha que organizar uma unidade de pesquisa pré-natal, no início do surgimento de uma grande tecnologia que hoje utilizamos diariamente para estudar o feto no útero. Uma tática pró-aborto favorita é a insistência em que a definição do instante em que começa a vida é impossível; que a questão é teológica, moral ou filosófica, tudo menos científica. A fetologia traz uma evidência inegável de que a vida começa na concepção e requer toda a proteção e salvaguarda de que qualquer um de nós desfruta. Por que, você poderia pergutar, alguns médicos americanos cientes das descobertas da fetologia, desacreditam de si mesmos efetuando abortos? Aritmética simples, a US$300 por aborto, 1.55 milhões de abortos significa uma indústria gerando US$500.000.000 anualmente, dos quais a maioria vai para o bolso do médico que fez o aborto. É claro que o aborto é propositalmente a destruição do que é inegavelmente vida humana. Isso é um ato de violência mortal. Devemos considerar que a gravidez não planejada é um dilema penosamente difícil, mas enxergar sua solução em um ato de destruição deliberada é abusar da ilimitada ingenuidade humana e entregar a saúde pública à clássica resposta utilitária a problemas sociais.

Como cientista eu sei, não por crença, que a vida humana começa na concepção. Embora eu não seja um religioso, creio de todo o meu coração que há uma divindade que guia-nos a declarar o término final e irreversível a esse crime contra a humanidade, infinitamente triste e vergonhoso.”

  1. “Que os países que legalizaram o aborto teriam uma taxa menor que o Brasil, onde o aborto é ilegal”. Também falso!

Vejamos os números tomando por base o ano de 2015, figurando o Brasil como referência:

BRASIL 100.000 p/ano População: 200 milhões
FRANÇA 200.000 p/ano (10x mais) População: 66 milhões
SUÉCIA 40.000 p/ano (muito maior proporcionalmente falando) População: 10 milhões
INGLATERRA 191.000 p/ano População: 64 milhões
JAPÃO 200.000 p/ano População: 126 milhões
  1. As taxas do aborto no Brasil estariam aumentando”. Falso. O número de abortos é calculado com base no número de internações hospitalares, como vimos acima, correto? Ora, consoante dados oficiais, o número de internações e de curetagens vêm caindo ano após ano, atingindo de 2008 a 2012 uma queda de 12%.

Isto é coerente com as pesquisas envolvendo a opinião pública acerca da legalização do aborto. A última pesquisa realizada pelo Ibope, em 2017, aponta rejeição da ordem de 68% dos brasileiros, destacando-se que o maior índice de reprovação está entre os jovens.

Ademais, como se vê, está havendo um declínio no número de abortos no Brasil.

  1. “Que a legalização do aborto diminuiria a mortalidade materna”. Falso, pois não se pode estabelecer esta relação, com base nos dados disponíveis.
Como bem o observa o post do Blog Panorama Livre, “A brasileira morre não por que deseja matar seu bebê, mas sim por que quer tê-lo” – Derrubando mitos sobre o aborto”, ao comentar a palestra da Dra. Isabela, “A legalização do aborto tem efeito nulo sobre a mortalidade materna. A especialista cita o exemplo do Chile – onde a lei do aborto é extremamente restrita – que diminuiu a mortalidade materna de 275 mortes por 100 mil nascidos vivos, na década de 1970, para 18,7, em 2000, sem mexer na legislação do aborto. Já na Índia o aborto é legalizado e a mortalidade materna é altíssima, batendo o número de 200 mortes por 100 mil nascidos vivos.”.

Por seu turno, a Polônia apresenta um quadro em sentido contrário aos adeptos da legalização do aborto, como se observa pelos dados abaixo levantados pela Dra. Isabela:

“Veja como a Polônia ela é o calcanhar de Aquiles dessa afirmação [que a legalização diminui a mortalidade materna] por que? Lá quando o aborto era legalizado, na época do regime comunista, a gente tinha uma mortalidade materna de 11, daí com a queda do regime, o aborto foi proibido, a mortalidade materna caiu… para DOIS. Agora eu vou ser honesta com os senhores, eu não vou usar isso daqui para falar, ‘olha legalizar o aborto faz a mortalidade materna aumentar’ – tem gente que usaria, viu? Talvez do outro lado, mas eu não vou ser desonesta com os senhores. Os dados mostram que NÃO há relação entre legalização do aborto e diminuição da mortalidade materna.”, proferiu brilhantemente a especialista Isabela Mantovani.

De fato, o que é que diminui a mortalidade materna?

Ainda conforme a mesma cientista, 92% das causas de morte podem ser prevenidas e reduzidas, mediante investimento na assistência ao pré-natal, parto e puerpério, possibilitando à mulher de acessar o sistema de saúde em tempo oportuno, na hora que dele precisar.

Portanto, por tudo quanto visto, o aborto é promovido por poderosas empresas estrangeiras, com ajuda de alguns órgãos da imprensa, tornando as mulheres de países que eles denominam pejorativamente de “terceiro mundo”, entre as quais as de nosso País, massa de manobra e meros instrumentos para a consecução dos seus objetivos, acima mencionados, inclusive muitos deles de ordem econômica.

E aqui, faço um apelo a todas as mulheres do mundo, para que nunca se deixem seduzir pela lábia falsa dos que defendem o aborto, e encarem a gravidez, ainda que ocorrida em circunstâncias dramáticas, como uma oportunidade de dar à luz um filho ou uma filha, que têm direito de viver e de vir ao mundo para cumprir, com a ajuda materna e as graças de Deus, o plano insubstituível que seu Criador traçou-lhe desde toda eternidade, e quem sabe, para amparar um dia sua mãe e seu pai nas suas necessidades, sobretudo na sua ancianidade.

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E aquelas que tenham incorrido em tal pecado, não desesperem jamais, peçam sincero pedido de perdão a Deus, procurem um sacerdote e façam uma confissão honesta e contrita, e passem a ser, a partir de então, verdadeiras apóstolas da vida plena e adversárias ferrenhas do aborto.

A BÍBLIA E O ABORTO

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Um ponto muito importante no tocante a tão grave assunto é o de sabermos o que está contido na Bíblia sobre o aborto, pois sabemos que os Livros Sagrados são inspirados por Deus e portanto exprimem, juntamente com a denominada Tradição Apostólica a revelação divina sobre as verdades de salvação, nas quais devemos crer e amar com nosso entendimento, nossa vontade e nosso coração.

Vejamos, pois, algumas passagens da Bíblia coligidas pelo Padre Alberto Luiz Gabarini e que se acham transcritas em seu livro: CATÓLICO PODE OU NÃO PODE? POR QUÊ? (Págs. 51 e 52):

“O ponto de partida para esclarecer essa questão polêmica é buscar a orientação da SAGRADA ESCRITURA. Nela não encontraremos especificamente a palavra aborto, porque Deus é o doador da vida e não da morte. O ser humano não é uma simples soma de células reunidas ao acaso. Deus é quem está na origem da vida de cada pessoa: “DEUS CRIOU O HOMEM Á SUA IMAGEM; CRIOU-O Á IMAGEM DE DEUS, CRIOU O HOMEM E A MULHER” (GN 1, 27).

Também é importante perguntar: Deus considera o bebê no ventre da mãe uma pessoa? A resposta a encontramos no Sl 139, 13-15:

“SIM! POIS TU FORMASTE OS MEUS RINS, TU ME TECESTE NO SEIO MATERNO. EU TE CELEBRO POR TANTO PRODÍGIO E ME MARAVILHO COM TUAS MARAVILHAS! CONHECIAS ATÉ O FUNDO DO MEU SER: MEUS OSSOS NÃO TE FORAM ESCONDIDOS QUANDO EU ERA FEITO, EM SEGREDO, TECIDO NA TERRA MAIS PROFUNDA. Teus olhos viram o meu embrião. No teu livro estão todos inscritos os dias que foram fixados e cada um deles nele figura”.

A vida humana começa, segundo essas palavras, antes do nascimento; o salmista revela que Deus o conhecia desde o “SEIO MATERNO”.

Também ao profeta Jeremias, Deus disse: “ANTES QUE NO SEIO FOSSES FORMADO, EU JÁ TE CONHECIA; ANTES DO TEU NASCIMENTO, EU JÁ TE HAVIA CONSAGRADO” (Jr 1,5).

O ser humano no ventre materno é uma criança: “ORA, APENAS ISABEL OUVIU A SAUDAÇÃO DE MARIA, A CRIANÇA ESTREMECEU NO SEU SEIO” (Lc1,41).

E de João Batista também foi dito: “PORQUE SERÁ GRANDE DIANTE DO SENHOR… E DESDE O VENTRE DE SUA MÃE SERÁ CHEIO DO ESPÍRITO SANTO” ( Lc 1,15).

São Paulo escreve em Gl 1, 15: “MAS, QUANDO APROUVE AQUELE QUE ME RESERVOU DESDE O SEIO DE MINHA MÃE E ME CHAMOU PELA SUA GRAÇA”. Em todas essas passagens, Deus trata aos bebês ainda no seio materno com a dignidade de pessoas muito amadas.

O homem e a mulher não têm o poder de tirar a vida de ninguém, muito menos de um ser indefeso. Somente Deus é o dono da vida: “O SENHOR DÁ A VIDA E A MORTE” (lSm2,6). Nessa visão o aborto vai contra o quinto mandamento “NÃO MATARÁS”. (Ex: 20,13)”.

A VOZ DOS PAPAS E DOUTORES DA IGREJA

Por seu turno, o magistério da Igreja sempre foi a favor da vida humana desde o primeiro instante até a sua morte natural, proclamando a condenação do aborto e da eutanásia.

O Catecismo da Igreja Católica, em vigor, relata que desde o Século I, a Igreja afirmou a maldade moral de todo aborto provocado, e este ensinamento invariável tem início com o Didaché, 1º Catecismo da Igreja que afirma “não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido”.

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De outra banda, o Concílio Vaticano II, no século XX, assim se exprime, na Constituição “Gaudium Spes”, 51,3 :

“ Deus, Senhor da vida, confiou aos Homens o nobre encargo de preservar a vida, para ser exercida de maneira condigna ao homem. Por isso a vida, deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção. O aborto e o infanticídio são crime nefandos”.

Na sua Declaração sobre o aborto provocado, o Vaticano demonstra que no decorrer da História, os chamados Padres da Igreja, bem como os seu Pastores e seus Doutores, ensinaram a mesma doutrina; vários Concílios impuseram penas contra o aborto e o primeiro Concílio de Mogúncia, de 847, confirmou as penas já estabelecidas impondo penitência mais rigorosa às mulheres que matassem as suas crianças ou provocassem a eliminação do fruto concebido no próprio seio.

O Papa Estevão V sentenciou: “É homicida aquele que fizer perecer mediante o aborto, o que tinha sido concebido”. São Tomás de Aquino ensina que o aborto é um pecado grave contrário à lei natural. Na Renascença, o Papa Sisto V, condena o aborto, o mesmo ocorrendo um século mais tarde com Inocêncio XI.

Nos nossos dias, os últimos Papas proclamaram a mesma doutrina com a maior clareza, a exemplo de Pio XI, Pio XII. O Papa Paulo VI afirmou que a vida deve ser defendida e que nada mudou sobre o tema pois a doutrina da igreja é imutável.

João Paulo II foi muito enfático sobre a questão. Na Encíclica Evangelium Vitae, na qual sentenciou: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos. (…) declaro que o Aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente.

Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito, porque contraria a lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão e proclamada pela Igreja.”

Já o Papa Francisco, por diversas vezes, condenou o aborto, chegando a dizer, “que o aborto é o nazismo com luvas brancas”, referindo-se à aprovação pela Câmara da Argentina do aborto em casos de má formação do feto, que não prevaleceu, pois, o Senado daquele País rejeitou o aborto.

A PULCRITUDE DO FETO NO SEIO MATERNO

Não quero encerrar este post sem a transcrição de um dos escritos mais belos e profundos em defesa da vida, de autoria do Professor Ian Donald, da Inglaterra, que serviu para a produção de um filme que mostra:

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“(…) a mais jovem “estrela” do mundo, ou seja, um bebê de onze semanas a dançar no útero materno. O bebê, pode-se dizer, brinca no trampolim! Dobra os joelhos, apoia-se na parede, levantando-se e cai. Visto que o seu corpo tem a densidade do fluído amniótico, ele não sente a gravidade e dança muito lentamente, com uma graça e uma elegância totalmente impossíveis em algum outro lugar da terra. Somente os astronautas, em suas condições de não gravidade, conseguem tal suavidade de movimentos. A propósito, notamos que, quando se tratava da primeira caminhada no espaço, os técnicos tiveram de escolher o lugar onde desembocariam os tubos portadores dos fluidos vitais. Escolheram então finalmente a fivela do cinturão do escafandro, reinventando assim o cordão umbilical.

Quando tive a honra de dissertar perante o Senado, tomei a liberdade de evocar o conto de fadas do homem menorzinho do que o dedo mindinho.

Com dois meses de idade, o ser humano tem menos de um polegar de comprimento, desde o ápice da cabeça até a ponta do traseiro. Ele estaria muito à vontade numa casca de nozes, mas tudo já se encontra nele: as mãos, os pés, a cabeça, os órgãos, o cérebro, tudo no seu lugar certo. O coração, já bate há um mês. Olhando de mais perto, veríamos as dobras das suas palmas de mão (…) com uma boa lente de aumento, descobriríamos as marcas digitais. Tudo estaria aí para se fazer a carteira de identidade desse indivíduo.”

Mas não termina aí!

“Com a extrema sofisticação da nossa tecnologia, podemos vislumbrar a vida privada dessa criaturinha. Aparelhos especiais gravam a música mais primitiva: um martelar surdo, profundo, regular, de 60/70 batidas por minuto ( o coração da mãe) e uma cadência rápida, aguda, de 150/170 batidas por minuto ( o coração do feto) se sobrepõem, imitando os compassos de orquestra e realizando os ritmos básicos de toda música primitiva, sem dúvida, porque é a primeira que o ouvido humano consegue ouvir”.

Vejam bem, são dois corações, dois seres humanos distintos, mas que se harmonizam nos seus díspares batimentos cardíacos!

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E o famoso cientista completa o seu abalizado ensinamento, de forma poética, dizendo:

Assim observamos que o feto SENTE, ouvimos o que ele OUVE, provamos o que ELE SABOREIA e vimo-lo realmente DANÇAR, CHEIO DE GRAÇA E DE JUVENTUDE. A ciência transformou o conto de fadas do Pequeno Polegar numa história verídica, história que cada um de nós viveu no seio de sua mãe

Quanta sabedoria científica, quanta poesia, quanta pulcritude! E nenhum homem, nenhuma mulher, nenhuma sociedade, nenhum Governo pode sob que pretexto for, opor qualquer obstáculo ou violência que provoque a cessação e a morte de um ser humano inocente e indefeso!

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Genuflexa, juntando minhas mãos em súplice oração, rogo a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil que intervenha fazendo com que as nossas autoridades e o nosso povo digam SIM a Deus, SIM à vida, desde o instante da concepção até a sua extinção natural, e rejeitem o aborto provocado, em qualquer circunstância e sob qualquer uma de suas cruéis modalidades, não permitindo a descriminalização do aborto, prática cruel e desumana, em nenhuma hipótese!

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Referências:

Bíblia Sagrada

Catecismo da Igreja Católica

Aborto, 50 perguntas e 50 respostas em defesa da vida inocente, Comissão de Estudos de o Amanhã de nossos filhos, São Paulo, 1996.

http://estudosnacionais.com, http://countrymeters.info/pt, http://www.johnstonsarchive.net/policy/abortion/index.html https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/06/19/seis-anos-apos-legalizar-aborto-uruguai-ve-procedimento-crescer-37.htm https://www.youtube.com/watch?v=UVG6gFN3Sdc&t=393s

Vovô e Vovó!

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Caríssimos irmãos e irmãs, hoje é dia de Sant’Ana e São Joaquim, os pais de Nossa Senhora e os avós de Jesus! Por causa disto, também festejamos hoje os avós do mundo inteiro, pessoas tão importantes na família. Costuma-se dizer que ser avô ou avó, é ser pai ou mãe duas vezes. A língua inglesa exprime bem isto ao chamar o avô de grandfather e a mãe, grandmother, grande pai e grande mãe, respectivamente, e neste mesmo diapasão a língua francesa, utiliza a expressão “grand-mère”, para a avó, e “ grand-père”, para o avô.

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O fato é que os avós têm uma função muito decisiva na educação e formação das crianças e contribuem para o aprimoramento, estabilidade e sensação de segurança nas relações familiares. E de outro lado, como lhes faz bem poderem dispensar o seu afeto e carinho em face de seus netos e transmitirem seus conhecimentos, suas experiências acumuladas, ao longo de muitos anos de existência. E o que estamos falando dos avòs aplica-se de igual modo aos bisavós e para os afortunados, os trisavós!

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Dizem os estudiosos que nos primórdios da história da humanidade, quando a família tinha uma estrutura patriarcal e/ou matriarcal, Deus dispunha das coisas de tal modo que tanto o patriarca quanto a matriarca vivessem vida longa, para assim manterem a unidade e coesão das famílias. Não sei não, mas acho que uma das causas de tantas crises familiares, está no modelo atual chamado nuclear, que é falto da presença constante dos avós e de outros parentes mais avançados na idade, o que causa uma certa sensação de vazio.

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Mas deixemos a filosofia e a sociologia de lado, e deitemos nossa atenção na bela historinha abaixo.

Com efeito, quero compartilhar um texto belíssimo, e que vocês podem contar para seus filho ou suas filha, seus netos e quem sabe seus bisnetos!

Trata-se de uma história, feita para crianças e adultos de boa fé.

Uma carta para Deus

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“Jorginho sempre fora um bom menino, educado e obediente. Havia perdido os pais quando ainda era um bebê e vivia com a avó materna, dona Clara, quem cuidava do pequeno com todo carinho. Ela fazia doces, salgadinhos e bolos para vender, sendo o meio de sobrevivência dos dois, e moravam em uma casinha humilde, mas própria.

Todos na pequena cidade os conheciam, pois, bem cedinho ia a piedosa senhora à Missa, levando pela mão o netinho, desde que aprendera a andar. Ele ainda não fizera a Primeira Comunhão, no entanto, iniciara as aulas de catequese antes mesmo de principiar os estudos escolares. Durante a Missa, ficava quietinho e prestava muita atenção em todos os movimentos do sacerdote, sobretudo na hora da Consagração, quando, de joelhos e com as mãozinhas postas, fixava seus olhos vivos e escuros na Sagrada Eucaristia e dizia baixinho, conforme aprendera com a vovó:

– Meu Senhor e bom Deus!

Terminada a celebração, depois de uma longa ação de graças, dona Clara o conduzia até o altar de Nossa Senhora do Rosário e, juntos, rezavam três Ave-Marias, pedindo proteção para mais aquele dia.

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De volta a casa, Jorginho gostava de ajudar com os docinhos, e colocava os brigadeiros, bom-bocados e cajuzinhos nas forminhas douradas e prateadas, bem como dispunha os confeitos coloridos sobre os bolos de aniversário, fazendo bonitas figuras, encantado com as cores. À tarde, invariavelmente acompanhava a avó na entrega das encomendas.

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Caída a noite, rezavam o terço junto ao oratório dedicado à Sagrada Família na sala da residência e, depois do jantar, chegava a hora preferida do menino: dona Clara lhe contava muitas histórias! Ela era especialista em adornar com detalhes e pormenores os episódios, maravilhando o pequeno, pois entre príncipes, princesas, santos e anjos, com frequência apareciam flores bonitas e perfumadas, pássaros gorjeando, sinos bimbalhando e fontes rumorejantes, que depois de passarem por rios caudalosos, desembocavam em um mar imenso, cor de esmeralda, com ondas espumantes, morrendo em praias de areia branca, parecendo açúcar. Contudo, o mais atraente para ele eram as plumas dos chapéus dos cavaleiros, suas botas com esporas afiadas, as asas multicores dos anjos ou a doçura do olhar de Jesus e a bondade de Maria.

Assim ia se desenvolvendo Jorginho, piedoso, responsável e muito inocente. Começando a frequentar a escolinha, logo aprendera a ler e escrever. Estando mais crescido, por ser a cidade bem tranquila, já podia fazer algumas entregas para a avó, e os fregueses ficavam admirados com o amadurecimento daquela criança de tão pouca idade.

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Em uma manhã chuvosa, entretanto, sua avozinha não se levantou para a Missa. Preocupado, o menino foi ao quarto para ver se havia acontecido alguma coisa. A pobre senhora chorava baixinho, pois se sentia muito mal. Aflito, ele chamou a vizinha, dona Adalgisa, muito amiga de dona Clara. Veio ela, apressada, disposta a ajudar. Vendo a dramática cena, chamou o médico da família, que não tardou em chegar. Examinando-a, recomendou um remédio e muito repouso, pois a doença podia ser grave se não repousasse. E, nesse caso, deveria ir para a capital, pois ali não teriam recursos para tratá-la.

Naquele dia, Jorginho foi sozinho à Missa e à escola, fazendo toda a entrega das encomendas da avó. Todavia, os dias iam se passando e dona Clara não se curava, não cozinhava e o dinheiro foi se escasseando, pois seu remédio era muito caro. Por mais que dona Adalgisa fosse solícita, também ela não tinha posses para tal emergência.

Passada uma semana, o menino não teve dúvidas: começou resolutamente a escrever uma carta, com uma letra ainda insegura e infantil. Com decisão fechou o envelope e saiu sozinho, para entregá-lo ao destinatário. Entrou na igreja com passos rápidos e estava a ponto de o colocar no cofre das esmolas, quando foi interrompido por um distinto senhor:

– Que está fazendo, meu rapazinho?

– Estou colocando esta carta na caixa do correio do Céu.

– Como é isso? – indagou o homem.

Jorginho, então, explicou toda a situação. E como a avó sempre lhe ensinara ser atendido todo pedido feito ao bom Deus com fé, resolvera pedir sua cura, pois ainda era muito pequeno para sustentá-la e ela não podia mais trabalhar. O interlocutor, enternecido, disse:

– Dê-me a carta, pois a encaminharei a seu destino. Porém, onde está o endereço para a resposta?

– Ah, não precisa. O bom Deus não sabe onde moro?

– Claro que sabe! – retrucou o cavalheiro – Mas pode dizer, para eu saber também?

Jorginho voltou para casa contente, seguro de estar o bom Deus lendo a carta, logo solucionando o caso.

Não se enganara o menino, pois naquela mesma tarde foi entregue em sua humilde casinha uma caixa contendo o remédio da avó, com um cartão, onde estava escrito: “Resposta do bom Deus”. Exultante de alegria, o pequeno contou tudo para ela, que, emocionada, tomou o remédio, sentindo voltarem a seu corpo exausto as forças, pelas energias da fé inocente do netinho.

No dia seguinte, o senhor da igreja tocou a campainha. Era ele um médico da capital que estava ali de passagem, em visita à aprazível cidadezinha. Conhecia bem a doença de dona Clara e tratou dela o tempo necessário, trazendo da cidade outros remédios mais eficientes.

Ele não abandonou a boa senhora até poder ela, outra vez, fazer os doces e salgadinhos, voltando a frequentar a igreja e a cuidar de Jorginho, que não via a hora de receber a Primeira Comunhão para sentir em seu coração a presença do bom Deus, que nunca deixa de ouvir todos os nossos pedidos feitos com fé.” (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2012, n. 128, p. 46-47)

E não poderia encerrar o presente “post”, sem fazer uma prece a Sant”Ana e a São Joaquim, os padroeiros , protetores e modelos de todos os avós, rogando a Eles que obtenham de Sua Filha, Santa Maria, e de Seu neto Jesus, graças, dons e bênçãos superabundantes para que os avós se compenetrem de sua insubstituível missão de ajudar e complementar os esforços dos pais e das mães na educação, manutenção e formação dos seus filhos, transmitindo-lhes palavras e exemplos de Fé, Esperança e Caridade. E de outro lado, que sejam objeto de respeito e carinho, tanto no ambiente familiar, bem como no das relações sociais mais amplas e que lhes seja proporcionada pelos entes governamentais uma existência saudável, digna e segura, até os últimos de vida!

Sant”Ana e São Joaquim, rogai por todos os avós do mundo inteiro!

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O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

Queridos irmãos e irmãs, hoje é dia dedicado a Nossa Senhora do Carmo, de quem, eu e toda minha família, somos devotos.

Trata-se de uma devoção muito bonita e eficaz, cheia de privilégios e que tem uma belíssima história.

Recebi de uma pessoa amiga um magnífico texto postado pelo site “http://www.fatima.org.br/” e quero, nesta oportunidade, presenteá-los com a sua transcrição na íntegra, certa de que assim o fazendo, estarei lhes fazendo imensos benefícios.

Introdução

“Nas aparições de Fátima, estão presentes de modo privilegiado as duas principais devoções marianas que engalanaram de santos os altares: o Rosário e o Escapulário. No auge das aparições, no dia 13 de Outubro, enquanto acontecia o grande milagre do Sol visto por mais de 70 mil pessoas, a Mãe de Deus mostrou-se aos pastorinhos sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo, apresentando nas mãos o Escapulário. Para aqueles que realmente desejam a conversão do mundo o atendimento completo dos pedidos feitos por Nossa Senhora em 1917 impõe que se conheça a importância do dom do Escapulário, e que este seja difundido o mais amplamente possível.

Quando este profeta de zelo ardente para aí se retirou, por volta do Século IX antes da Encarnação do Filho de Deus, havia três anos que uma implacável estiagem encerrava os céus da Palestina, punindo a infidelidade dos hebreus para com Deus. Enquanto rezava com fervor, pedindo que o castigo fosse aliviado pelos méritos dAquele Redentor que haveria de vir, Elias enviou o seu servo ao cume do monte, ordenando-lhe: “Vai, e olha para o lado do mar”… Mas o servo nada viu. E, descendo, disse: “Não há nada”. Confiante, o Profeta fê-lo retomar sete vezes a infrutuosa escalada. Por fim, o servo retornou, dizendo: “Vejo uma nuvenzinha do tamanho da pegada de um homem”. De fato, a nuvem era tão pequena e diáfana que parecia destinada a desaparecer ao primeiro sopro dos abrasados ventos do deserto. Mas não, pouco a pouco cresceu, alargou-se no céu até cobrir todo o horizonte e fez precipitar-se sobre a terra uma abundante chuva. Foi, naquele momento, a salvação do povo de Deus. Em sua contemplação, Elias entendeu que aquela pequena nuvem era uma figura da humilde Maria, cujos méritos e virtudes excederiam os de todo o gênero humano, atraindo para os pecadores o perdão e a Redenção. Com 700 anos de antecedência, o Profeta havia vislumbrado o papel mediador da Mãe do Messias esperado. E tornou-se, por assim dizer, o seu primeiro devoto sobre a terra.
O fervor mariano de Santo Elias não desapareceu quando este foi arrebatado ao céu por um carro de fogo. Uma bela tradição diz-nos que sempre houve no Monte Carmelo eremitas que ali viveram, rezando e pregando aos peregrinos. Mas viviam isolados, sem qualquer regra fixa.
Por volta do Século IV houve uma transformação. Quando começaram a aparecer os primeiros cenobitas, alguns acorreram para as encostas do Monte Carmelo com o desejo de viver em comunidade, buscando conservar o espírito de Santo Elias e transmiti-lo de geração em geração até o fim do mundo. Ainda hoje se vê nas encontas rochosas as ruínas de uma pequena ermida que ali edificaram. Por volta do Século XII, um grupo de novas vocações, desta vez vindas do Ocidente no grande movimento das Cruzadas, acrescentou renovado fervor à antiga família de almas. Logo se edificou uma pequena igreja onde a comunidade se entregava à vida de oração, e em torno dela viviam tendo tudo em comum. Pode-se dizer que simbolicamente a pequena “nuvenzinha” já havia crescido e fazia chover sobre a terra abundantes graças. Com esse florescimento, porém, tornava-se necessária uma vida mais disciplinada. Em 1225, uma delegação da Ordem dirigiu-se a Roma para pedir à Santa Sé a aprovação de uma Regra, que foi efetivamente concedida pelo Papa Onório III em 1226. Com a atenção da Santa Sé voltada para a Ordem Carmelitana, parecia haver todas as condições para que esta florescesse e se espalhasse por todo o mundo. Contudo, novas provações ameaçavam fazer ruir aquele ideal já duas vezes milenar. Com a invasão dos lugares santos pelos muçulmanos, todas as comunidades de monges foram destruídas e o superior do Monte Carmelo deu permissão aos religiosos para se trasladarem ao Ocidente a fim de aí fundarem novos núcleos, o que muitos fizeram depois da queda do último baluarte de resistência cristã, o Forte São João d’Acre. Os poucos que lá ficaram foram martirizados enquanto cantavam a Salve Rainha.

São Simão Stock

Uma vez passados para o Continente Europeu, os frades do Carmo não conseguiam se organizar e começaram a vaguear como membros de uma Ordem quase desconhecida, mal-admirada e à beira do desaparecimento. A família religiosa de Santo Elias parecia um tronco seco e velho, fadado a se desmanchar em pó. Nossa Senhora não havia esquecido, contudo, o amor dos seus primeiros devotos. Era o instante esperado para fazer florescer no alto da ressecada vara uma das mais belas flores: São Simão Stock. Esse inglês, por sua reconhecida virtude, havia sido eleito para o cargo de Geral da Ordem. Todavia, não lograva exercer uma autoridade efetiva sobre cada um dos seus monges, pois nem todos haviam ainda acatado a nova Regra. A virtude, porém, compensava a carência de poder jurídico. Rezando a Nossa Senhora com muito fervor, São Simão implorava-lhe que não permitisse o desaparecimento da Ordem Carmelita. Nessa aflitiva situação, a Virgem Santíssima apareceu ao seu filho dileto já ancião [em 1251] e entregou-lhe o Escapulário, como símbolo da sua aliança perene com aqueles que lhe quisessem ser fiéis. Naquela época os servos usavam uma túnica longa como traje civil. Sobre ela vestiam uma outra túnica menor, que indicava, pela cor e pelos símbolos ali pintados, a identidade do seu senhor. O Escapulário do Carmo era semelhante a essa pequena túnica. O que Nossa Senhora entregava, portanto, a São Simão Stock era uma verdadeira libré (roupa com o símbolo de uma determinada família), própria aos seus servos, para ser portada por todos os carmelitas. Àqueles que a utilizassem, prometeu: “Recebe, filho diletíssimo, o Escapulário da tua Ordem, sinal de minha amizade fraterna, privilégio para ti e todos os carmelitas. Aqueles que morrerem revestidos deste Escapulário não padecerão do fogo do Inferno. É um sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos e aliança de paz para sempre”. Esta maravilhosa promessa da Santíssima Virgem não é de pequena monta para um cristão que realmente deseja salvar a sua alma. Muitos Papas e teólogos têm explicado que quem tenha devoção ao Escapulário e o use efetivamente receberá de Maria Santíssima a graça da perseverança final ou a graça da contrição.

O privilégio Sabatino

A fidelidade dos carmelitas ao milagroso dom foi tão grande e agradou tanto a Nossa Senhora que uma segunda promessa veio dar novo grau de importância à devoção do Escapulário. Numa aparição ao Papa João XXII, referindose aos que trouxerem o Escapulário até a morte, a Santíssima Virgem diz: “Eu, Mãe de bondade, descerei no primeiro sábado após a sua morte e quantos achar no Purgatório livrarei e levarei ao monte santo da vida eterna”. O próprio Pontífice confirmou esta indulgência plenária na célebre Bula Sabatina, de 3 de Março de 1322, corroborada posteriormente por vários Papas como Alexandre V, Clemente VII, Paulo III, São Pio V e São Pio X. Em 1950 o Papa Pio XII escreveu sobre o Escapulário, exprimindo o seu desejo de “que seja o símbolo de consagração ao Imaculado Coração de Maria, do qual estamos muito necessitados nestes tempos tão perigosos”. O saudoso Papa João Paulo II também o recomendou insistentemente. Os sinais da eficácia dessa devoção ficaram, por assim dizer, escritos nas páginas da História. A partir da misericordiosa intervenção da Mãe de Deus, a ordem carmelitana refloresceu e conheceu novos períodos de glória, difundindo por todo o orbe católico o perfume de uma terna devoção à Santíssima Virgem. Nesta Ordem, surgiram três sóis da espiritualidade, para não citar senão eles, que hão-de reluzir para sempre no firmamento da Igreja: Santa Teresa, a Grande, São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus. De início, o Escapulário era de uso exclusivo dos religiosos carmelitas. Mais tarde, a Igreja, querendo estender os privilégios e benefícios espirituais a ele ligados a todos os católicos, simplificou o seu tamanho e autorizou que a sua recepção estivesse ao alcance de todos Exemplos de conversão e milagres O Escapulário não é somente o sinal da certeza da indulgência no instante do último suspiro. É um sacramental que atrai as bênçãos divinas para quem o usa com piedade e devoção. Inúmeros milagres e conversões marcaram seu uso entre os fiéis. As Crônicas do Carmelo transbordam de exemplos. Vejamos apenas alguns: 1. No mesmo dia em que recebeu da Mãe de Deus o Escapulário, São Simão Stock foi chamado a assistir um moribundo que estava desesperado.

Quando chegou, pôs sobre o pobre homem a libré marial, implorando à sua Senhora que mantivesse a promessa que lhe acabara de fazer. Imediatamente o impenitente arrependeu-se, confessou-se e morreu na graça de Deus. 2. Santo Afonso de Ligório morreu em 1787 com o Escapulário do Carmo. Quando transcorria o processo de beatificação do santo bispo, ao abrirse seu túmulo, constatou-se que o corpo estava reduzido a cinzas, assim como seu hábito. Apenas o seu Escapulário estava completamente intacto. Esta preciosa relíquia conserva-se no Mosteiro de Santo Afonso, em Roma. O mesmo fenômeno de conservação do Escapulário verificou-se quando se abriu o túmulo de São João Bosco, quase um século depois.

3. No Hospital de Belleview, de Nova York, foi internado um ancião. A enfermeira que o atendeu, vendo sob as suas vestes um Escapulário castanho-escuro, tratou logo de chamar um sacerdote. Enquanto este recitava a oração dos agonizantes, o doente abriu os olhos e disse: “Padre, eu não sou católico”. “Então, por que usas este Escapulário?” “Prometi a um amigo que o usaria sempre e que iria rezar todos os dias uma Ave-Maria.” “Mas estás à beira da morte, não queres tornar-te um católico?” “Sim, Padre, quero. Desejei-o toda a minha vida.” O sacerdote preparou-o rapidamente, batizou-o e ministrou-lhe os últimos sacramentos. Pouco tempo depois, o pobre senhor morria docemente. A Santíssima Virgem havia tomado sob a Sua proteção aquela pobre alma que se revestira do seu manto. De Portugal para o Brasil A Ordem de Nossa Senhora do Carmo instalou-se em Portugal quando o perfil da nação ainda era esculpido à espada por santos e heróis. O seu maior protetor foi o próprio bem-aventurado Nuno Álvares Pereira, chamado Nuno de Santa Maria, porque o terno amor a Maria Santíssima foi o mais alcandorado e sublime ideal da sua vida. Desde jovem, Nuno dedicara-se inteiramente a Ela e tudo o que fazia era em nome e honra da Mãe de Deus. Depois de armado cavaleiro, gravou na sua espada o nome de Maria e no seu estandarte a sua imagem. Nas grandes batalhas, sempre depositava nEla a esperança da vitória. Como agradecimento pelos enormes favores recebidos, mandou construir igrejas e conventos, como o Mosteiro da Batalha e a Igreja e o Convento do Carmo em Lisboa, onde, aos 72 anos, deixando o pomposo título de condestável, ingressou como irmão leigo, juntamente com outros companheiros de armas. O bem-aventurado Nuno Álvares Pereira nunca retirou o Escapulário. Estes monges carmelitas, vieram depois para o Brasil empenhando-se a fundo na evangelização. O Escapulário em Fátima No ápice dos fenômenos ocorridos em Fátima, quando Nossa Senhora demonstrou a 70 mil pessoas reunidas na Cova da Iria a veracidade das revelações realizando o famoso milagre do sol, um outro fenômeno, este bem menos conhecido, carregava ainda mais de significado a mensagem transmitida aos três pastorinhos. Enquanto todos viam o sol bailar no céu e como que precipitar-se sobre a multidão atônita, os pequenos videntes viam a Mãe de Deus revestida do hábito da Ordem do Carmo, com o Menino Jesus no colo apresentando o Escapulário. Sem querer esgotar a interpretação do fato, pode-se dizer que Nossa Senhora quis mostrar uma síntese do seu papel de medianeira na história da salvação dos homens, ligando o Escapulário à vontade de Deus de implantar no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria, como meio mais eficaz para a conversão dos pecadores. Este sinal tão inequívoco, porém, não tem sido notado pela grande maioria dos devotos de Fátima, que deixam muitas vezes de lançar mão deste privilegiado meio de receber abundantes graças e de obter a conversão de muitos pecadores. Sem dúvida, Nossa Senhora quis nos deixar claro que o remédio para a profunda descristianização da sociedade que estamos presenciando é e será sempre o mesmo, ou seja, uma terna devoção à Mãe de Deus, que é o meio mais fácil e garantido de chegar a Jesus Cristo único Salvador. Para aqueles que desejam realmente ter a Maria Santíssima no seu coração e, ao mesmo tempo, cobrir-se do “Vestido de Graça” que Ela lhe oferece, o Escapulário é um meio eficaz. A estes fica reservada a alegre certeza de que, ao fechar os olhos para esta vida e ao abri-los para a eternidade, encontrarão o sorriso de uma Mãe terníssima que não abandonará aqueles que a serviram com alegria neste vale de lágrimas. • Questões práticas sobre o Escapulário

1 – Goza dos privilégios aquele que se torna membro da família carmelitana recebendo o Escapulário, que deve ser necessariamente imposto pelo sacerdote, segundo o ritual previsto. Em caso de perigo de morte, sendo impossível buscar um sacerdote, até mesmo o leigo o pode impor, recitando uma oração a Nossa Senhora e utilizando um Escapulário já bento.

2 – Ordinariamente, qualquer sacerdote ou diácono pode efetuar a imposição do Escapulário. Para isso, deve utilizar uma das fórmulas para a bênção, prevista no Ritual romano.

3 – O Escapulário deve ser usado de maneira moralmente contínua (mesmo durante a noite); permitindo-se em caso de necessidade, como para lavar- • 23• O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo se, retirá-lo, sem perder o benefício da promessa.

4 – O Escapulário é bento apenas uma vez, na imposição, para toda a vida. A bênção do primeiro Escapulário é transmitida aos demais. 5 – Existe também a medalha escapulária. O Papa São Pio X concedeu a faculdade de substituir o Escapulário de tecido por uma medalha, que deve ter numa das faces o Sagrado Coração de Jesus e, na outra, qualquer imagem de Nossa Senhora. Pode-se usá-la ininterruptamente (ao pescoço ou de outro modo) e gozar dos mesmos benefícios.

5 – Contudo, a   Existe também a medalha escapulária. O Papa São Pio X concedeu a faculdade de substituir o Escapulário de tecido por uma medalha, que deve ter numa das faces o Sagrado Coração de Jesus e, na outra, qualquer imagem de Nossa Senhora. Pode-se usá-la ininterruptamente (ao pescoço ou de outro modo) e gozar dos mesmos benefícios.

Condições para beneficiar-se das promessas

1 – Para beneficiar-se da promessa principal, a preservação do Inferno, não existe qualquer outra condição que o próprio uso do Escapulário, desde que se tenha recebido com reta intenção e que a pessoa o traga efetivamente na hora da morte. Considera-se, para este efeito, que a pessoa continuou a portá-lo se for privada dele sem o consentir, como no caso dos doentes nos hospitais. 2 – Para beneficiar-se do “privilégio sabatino” (ser livre do Purgatório no sábado seguinte à morte), faz-se necessário preencher três requisitos.

a) Portar habitualmente o Escapulário (ou a medalha). b) Conservar a castidade, consoante ao próprio estado (total, para os celibatários; e conjugal para os casados). Note-se que esta é uma obrigação de todo e qualquer cristão, mas só gozarão deste privilégio aqueles que viverem habitualmente em tal estado. c) Recitar cotidianamente o pequeno Ofício de Nossa Senhora. Esta condição, porém, o sacerdote, ao fazer a imposição, pode mudá-la, para facilitar ao leigo o seu cumprimento. Costumase substituí-la pela recitação diária do terço. As pessoas não devem recear pedir ao sacerdote esta mudança. 3 – Aqueles que recebem o Escapulário e depois o deixam de portar não cometem qualquer pecado. Apenas deixam de receber os benefícios. Aquele que voltar a portá-lo, mesmo que o tenha deixado por um longo tempo, não necessita de nova imposição do sacerdote e voltará a receber os privilégios.

Indulgências ligadas ao Escapulário

a) É concedida indulgência parcial àquele que, portando piedosamente o Escapulário, ou a medalha, faça um ato de união com a Santíssima Virgem ou com Deus através do Escapulário, por exemplo, beijando-o, formulando uma intenção ou um pedido. b) É concedida uma indulgência plenária (remissão de todas as penas do purgatório) no dia em que se recebe pela primeira vez o Escapulário, e também nas festas de Nossa Senhora do Carmo, 16 de Julho; de Santo Elias, 20 de Julho; de Santa Teresa do Menino Jesus, 1o de Outubro; de todos os Santos da Ordem do Carmelo, 14 de Novembro; de Santa Teresa de Jesus, 15 de Outubro; de São João da Cruz, 14 de Dezembro, e de São Simão Stock, 16 de Maio. É bom notar que as indulgências são recebidas se preenchidas as condições: Confissão, comunhão, ausência de afeto a todo pecado, mesmo os veniais, e uma oração pelas intenções do Santo Padre (considera-se suficiente rezar um “Pai-Nosso”, uma “AveMaria” e o “Glória”).

Nota importante

Não é preciso dizer que aqueles que se permitem deliberadamente viver uma vida de pecado, julgando que por usarem o Escapulário irão salvar-se, fazem muito mal. Deus poderá permitir que morram sem ele. Porém, não devemos combater o uso do Escapulário pelos pecadores. São Cláudio La Colombière, jesuíta, em um sermão que pregou na Igreja dos Carmelitas de Lyon sobre a Virgem do Carmo, diz: “Não vos quero lisonjear: de nenhum modo se pode passar de uma vida pecadora e desordenada para a vida eterna, senão pelo caminho da sincera penitência; porém, esse sincero arrependimento, de tal modo a mais carinhosa das mães o saberá facilitar que, quando menos pensardes, fará brilhar nas vossas almas um raio de luz sobrenatural que num instante vos fará ver o engano”. “

“BENÇA, PAI!… BENÇA, MÃE!”

Caro leitor,

Será que alguma vez em sua vida você pediu a bênção a seus pais?
Caso afirmativo, quando você cresceu, continuou fazendo isto?

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Perdoe-me a insistência, mas quando você casou, teve filhos que lhe deram netos, passou para eles esse bom hábito?

Será que já teve oportunidade de receber a bênção de São Brás, “para os males da garganta e do corpo inteiro”, que ocorre no dia 3 de fevereiro, de cada ano?

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E a bênção dos enfermos?

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E para encerrar a minha curiosidade, você já participou e recebeu a Bênção do Santíssimo Sacramento, que de longe suplanta qualquer outra, porque aí é o próprio Homem-Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, que diretamente nos abençoa espargindo sobre nós, quais raios do sol, os seus divinos dons e virtudes, durante uma cerimônia belíssima, em meio a cânticos inefáveis e ao “fumus” aromático do incenso que sobe ao trono do Altíssimo, juntamente com nossas preces e louvores?

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Certamente, você já pediu uma bênção a um sacerdote para você ou para um filho seu, ou para alguém que estivesse necessitado da ajuda de Deus, ou então para abençoar objetos, automóveis, ou outros objetos, água etc. Ou, talvez, para abençoar a sua casa ou seu estabelecimento comercial.

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Mas voltando à chamada bênção parental – que nos é concedida por nossos pais ou um parente-, é verdade que muitos de nós não fomos acostumados a esse hábito tão belo, salutar e eficaz.

E nem sabemos mesmo qual seu significado, origem ou importância.
Antigamente, famílias das mais variadas classes sociais, tinham esse hábito, que passava de geração a geração.

Mas, atualmente, muitos filhos não rogam aos seus pais a bênção. Não é porque não queiram, mas simplesmente porque não lhes foi passada essa tradição.

Na verdade, a bênção é de origem divina! Dirigir-se aos pais pedindo a Bênção é algo muito edificante, eficaz e agradável a Deus, especialmente em ocasiões como: antes de dormir, quando saímos ou voltamos para casa, quando vamos realizar uma viagem, um concurso, quando estamos aflitos, ou doentes, ou em outras situações de nossa vida.

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Detalhe curioso: é muito comum associar-se este costume ao “beija-mão” do pai, da mãe, de um tio ou uma tia, um padrinho ou madrinha, ou de outra pessoa digna ou merecedora de apreço e respeito especiais. Um costume completa o outro.

Na verdade, segundo os estudiosos, foi um costume que surgiu na Cristandade medieval, e ocorria durante uma cerimônia, na qual os súditos beijavam a mão do Rei ou da Rainha e aproveitavam para fazer-lhes um pedido ou simplesmente para poder estarem próximos do seu governante e tocar as suas mãos. Com o passar do tempo, tão bonita tradição foi caindo em desuso, salvo em Portugal ou algum outro País. E quando D. João VI veio para o Brasil, com a família real e muitos fidalgos, instituiu de modo orgânico o costume e o manteve de forma ininterrupta durante todo seu Reinado.

Essa forma de cumprimento ocorria uma vez por semana, tinha início às 20h, prolongando-se, por vezes, até altas horas noite, o que não era problema para o Monarca que, segundo os historiadores, tinha o costume de deitar-se muito tarde.

Cerca de 150 pessoas, em média , acorriam de rincões muito distantes, para participarem do beija-mão com o Monarca a quem consideravam um pai.

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E esta era de fato a relação que havia entre os governados de então e seu Governante. Que bonito e quão diferente dos tempos atuais! E foi assim que tal costume se estendeu para os demais estamentos da sociedade, com as naturais e orgânicas adequações.

É oportuno salientar que D. Pedro I e D. Pedro II mantiveram tão belo costume.

Como se vê, era um costume muito salutar e espontâneo, que contribuía para que a vida social e até mesmo política fosse pautada em um ambiente de muito respeito, mas aprazível e de muita benquerença, não sendo nenhum motivo de demérito para quem o praticava.

Pena que os tempos atuais tenham deixado de lado essa tradição, principalmente em nosso Brasil, onde o trato social vai se tornando cada vez mais vulgar e desrespeitoso, não se observando as regras mais elementares de urbanidade e de respeito a quem detém uma autoridade legítima, como o é, por exemplo, a dos pais e a dos professores. Felizmente que isto não é generalizado, uma vez que em alguns ambientes, ainda que raros, se preservam e até mesmo se requintam princípios e costumes que tais.

Mas voltando ao tema específico deste post, em nossa família temos um exemplo muito bonito disto no costume do nosso genro Rodrigo que sempre saúda ou se despede de seus queridos pais com o pedido de bênção, ainda na forma interiorana, impregnada de especial sabor, como se encontra escrita no título deste post: – “ a bença pai,… a bença mãe!”. Sempre achamos isto muito bonito , autêntico e edificante!

Meu cunhado José Cláudio, uma certa feita, me contou, com o seu espírito de humor insuperável, que presenciara várias vezes o laborioso Zeca, casado com Arlinda, que era filha de Josefa e “Cândio”, casal de caseiros que tomavam conta da” Chácara Santa Rita”, de propriedade de seus avós , situada em Dias D’Ávila, dizer a seu filho mais velho, quando avistava seu padrinho, meu pranteado cunhado Paulo:

– “ Ô Reinan, toma a bença de seu padim, menino!”
Ao que Reinan, um tanto escabriado atendia dizendo:
– “ A bença, meu padim!”
E Paulo, estendendo-lhe a mão, respondia:
“Deus lhe abençoe, meu filho”.
Cena simples, pitoresca e bonita!

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Na verdade, Deus ao criar o universo, de modo especial a Terra, impregnou-o de tantas bênçãos que nada mais são do que seus dons multiformes, benfazejos e belos. Toda a natureza canta sua glória, majestade, poder e bondade!

Sim, estimados irmãos e irmãs, a bênção vem de Deus é Dom do Espírito Santo, alegremo-nos e exultemos!

Quando um pai ou uma mãe abençoa um filho, assim o fazem em nome de Deus que lhes deu o mandato de educar e evangelizar a sua prole, como se vê pelos trechos abaixo da Escritura Sagrada:

“ Na terceira noite receberás a bênção que lhe dará filhos cheios de saúde.
Passada esta terceira noite, aproximar-te-ás da jovem no temor ao Senhor, mas com desejos de ter filhos do que o ímpeto da paixão. Obterás assim para os teus filhos a bênção prometida à raça de Abraão.” (Tobias, 6 , 21e 22)

E o Livro do Eclesiástico nos exorta a ter muito apreço pela bênção dos nossos pais, como se vê abaixo:

“ Honra teu pai por teus atos, tuas palavras , tua paciência,
A fim de que ele te dê a sua bênção, e que esta permaneça em ti até o teu último dia.
A bênção paterna fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe arrasa até os alicerces.”

É célebre a bênção da primogenitura concedida por Isaac a Jacó.( Gênesis,27,27)

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Vejam, meus irmãos, como isto é tudo é muito sério! (Eclo,3, 9,10,11) Alegremo-nos, pois, quando ouvimos de pessoas que nos querem bem estas palavras: “Deus o acompanhe meu filho! Deus o abençoe!”

Recentemente, pedi a um sacerdote amigo e muito virtuoso, uma bênção especial para uma determinada necessidade. E ele acedeu e abençoou-me com uma unção e seriedade tais, que eu senti uma alegria e uma paz interior muito grande. Aliás, é bom que se diga que o efeito da bênção está muito relacionado, também, à fé e abertura de coração com que a recebemos.

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Vejam que explicitação belíssima o novo Catecismo da Igreja Católica faz sobre a bênção:
“Toda bênção é louvor de Deus e pedido para obter seus dons. Em Cristo, os cristãos são abençoados por Deus, o Pai “de toda sorte de bênçãos espirituais” (Ef. 1,3).

E por isso, a Igreja dá a bênção invocando o nome de Jesus e fazendo habitualmente o sinal Sagrado da Cruz de Cristo.

Lamentavelmente, não é um costume em nosso País a chamada bênção da mesa, ou seja quando vamos fazer algum tipo de refeição.

Particularmente, considero este um dos momentos mais importantes, eu diria mesmo, sagrado de nossa existência, e não deveríamos negligenciar o pedido de uma bênção divina sobre ele.

Deixo-lhes até uma fórmula simples e bela que usamos em nossa casa, antes de uma refeição:

“Abençoai-nos Senhor e a este alimento que Vossa liberalidade nos concedeu. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!”
Nossa Senhora da Divina Providência, rogai por nós!”

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E assim o fazendo, agradecemos a Deus pelo alimento que está sobre nossa mesa, fruto do nosso trabalho, por Ele abençoado.

Pois, ainda segundo o Catecismo:

“Rezai como se tudo dependesse de Deus e trabalhai como se tudo dependesse de vós”.

“Tendo realizado nosso trabalho, o alimento fica sendo um dom de nosso Pai; convém pedi-lo e disso render-lhe graças. É esse o sentido da bênção da mesa numa família cristã”.

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Caríssimos, mas o que é mesmo abençoar?

“Abençoar é uma ação divina que dá a vida e da qual o Pai é a fonte”.

E o mesmo Catecismo vai explicitar algo de suma importância, que eu não sabia e acredito que bem poucas pessoas o sabem, ou seja, a bênção tem dois movimentos, a saber:

“Duas formas fundamentais exprimem esse movimento da bênção: ora ela sobe, levada no Espírito Santo por Cristo ao Pai (nós o bendizemos por nos ter abençoado); ora ela implora a graça do Espírito, que, por Cristo, desce de junto do Pai (é ele que nos abençoa).”

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Em outras palavras, Deus nos abençoa, fazendo descer até nós seus dons e consolações e nós o bendizemos, com atos de louvor, agradecimento e ação de graças! Como isto é bonito e dá um sentido elevado ao nosso existir! Sim, meus irmãos, podemos sacralizar a nossa vida e com isto torná-la mais fácil de ser vivida, mesmo com os sofrimentos, dificuldades e provações, a ela inerentes, e ao mesmo tempo louvar incessantemente ao nosso Bom Deus!

E para conseguirmos este intento, não esqueçamos de rogar a todo instante a intercessão de todos os Santos, máxime de Nossa Senhora e de São José, e também dos anjos do Céu e das almas do Purgatório.

“Ó que saudades da minha infância querida” e pervadida dos mimos, da ternura e cuidados de meus pais, e como era bom e reconfortante quando pedia-lhes: – “bença, Pai, bença, mãe!” E eles respondiam: – “Deus o abençoe, minha filha!”

Que sensação boa, aconchegante e que incutia no mais íntimo da minha alma, uma paz e uma segurança sem par!

Era como se o próprio Deus derramasse sobre mim abundantemente seus dons e moções interiores!

Sim, lembranças boas e suaves que nunca são esquecidas!

Lembro-me, ainda, das historinhas que minha inesquecível mãe Neuza contava para que seus filhos, eu e meus queridos irmãos Alfredo e Rúbia, dormíssemos sonhando com fadas e anjos.

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Eu os amava muito e sentia-me amada e querida por eles. E isto era uma bênção cujos efeitos se fazem sentir até hoje.

Por aí nós vemos a importância da família bem constituída, do pai e da mãe na vida de uma criança. E porque a Igreja Católica encara o casamento como algo muito sério, muito mais do que um simples contrato, mas como uma aliança santa e indissolúvel, entre um homem e uma mulher que juram fidelidade e amor recíprocos, até que a morte os separe. Daí porque sua celebração, por mais simples que seja, é revestida de ritos e cerimônias que encerram significados muito sérios e profundos.

Apenas à guisa de exemplo, a bênção das alianças pede os dons de Deus para que os nubentes cumpram os seus votos, proferidos ante o sacerdote celebrante e os convidados que os testemunham.

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A pesquisa que levei a efeito sobre a bênção foi muito gratificante, pois deparei-me com uma realidade tão grandiosa que, fosse eu resumir todo material pesquisado, este post não teria fim. No entanto, podemos um dia voltar ao tema e abordarmos outros aspectos, de momento não tratados.

Mas pergunto-lhes: gostaram de penetrar nesse mundo de maravilhas que são as bênçãos? Caso afirmativo, não percam nunca a oportunidade de receberem, no dia a dia de suas vidas, por meio de pessoas que lhes estão muito próximas, como sua mãe, seu pai, um tio ou uma tia uma bênção, e também de abençoar a quem possam fazê-lo, pois, tenham certeza, vão ganhar muito com isto!

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De modo especial, não percamos a oportunidade de receber bênçãos abundantes que nos são concedidas em cerimônias litúrgicas, sobretudos nas Missas, e também nas práticas devocionais.

Ademais, devemos fazer uso de objetos e até mesmo de vegetais e minerais bentos, a exemplo de medalhas, escapulários, sal e a muito conhecida água benta, que a Igreja Católica denomina sacramentais, ou seja, são sinais sensíveis que devidamente abençoados por um diácono ou um sacerdote, produzem efeitos espirituais e até físicos, altamente benéficos para quem os usa com fé e devoção, os quais não guardam nenhuma relação com amuletos.

A propósito, estamos na Trezena de Santo Antônio, e é muito salutar recebermos por meio do sacerdote a Bênção deste glorioso e milagroso Santo, a qual em determinado trecho assim diz:

“O Senhor Jesus Cristo esteja junto de nós,
Para nos defender,
Dentro de nós para nos conservar,
À frente de nós para nos guiar,
Atrás de nós para nos guardar,
Sobre nós para nos abençoar,
Ele que com o Pai e Espírito Santo, Vive e Reina por todo o sempre. Amém”

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E não esqueçamos de pedir o pão bento, que também é penhor de muitos favores de nosso querido Santo, que aqui na Bahia costuma-se colocar na farinheira, para que nunca nos falta o pão nosso de cada dia!

P.S. Recomendo a quem ainda não conhece, uma visita ao nosso post sobre Santo Antônio que publicamos neste blog, no ano passado.

Fontes de pesquisa: A Bíblia Sagrada, da “Ave Maria” ; Catecismo da Igreja Católica, Editora Loyola; https://formacao.cancaonova.com

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AS LÁGRIMAS DE MARIA!

As lágrimas podem ser manifestações de alegria, emoção, dor, tristeza ou angústia. Podem ainda ser algo mais alto: um dom do Espírito Santo!

O fato é que elas estão presentes no quotidiano de nossa existência, exprimindo os variados estados de espírito, acima mencionados, de forma isolada ou até dois ou mais destes estados ,  concomitantemente.

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Quem nesse mundo não chorou alguma vez? Acredito que é  impossível alguém nunca ter chorado na vida até porque já nascemos chorando, não é mesmo?

E no transcurso de nossa existência, por vezes choramos seja de   emoção e felicidade como o fazemos, por exemplo, pelo nascimento ou formatura de um filho, dois momentos bem distintos, mas ambos de muita alegria e  de agradecimento a Deus.

Outras vezes, as lágrimas brotam de nossos olhos e de nosso coração ante a perda de um ente querido como também à face de um sofrimento de ordem moral causado por situações que atentam contra a pulcritude da pureza e da inocência, ou que atingem injustamente a nossa honra, ou a confiança que depositávamos em alguém!

 E os exemplos poderiam se multiplicar quase que infinitamente,  pois não faltam momentos na vida de cada um de nós que não suscitem lágrimas, não é verdade?

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A História Universal e de modo especial a Sagrada estão repletas de exemplos de prantos e lágrimas candentes e emblemáticos!

Vem à minha mente a passagem do Evangelho que narra o episódio de São Pedro que depois de ter negado três vezes o seu Divino Mestre Jesus, o Filho de Deus, entrou numa amargura sem fim, numa tristeza que lhe corroeu os ossos. E Nosso Senhor Jesus Cristo que é a Misericórdia infinita,  “que ama um coração contrito e humilhado”, ( Salmo 50),  e “que descansa quando perdoa”, ( conforme o disse o Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque), fez Pedro derramar lágrimas abundantes de arrependimento que lhe marcaram a face com rugas pelo resto de sua vida.

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Aliás isto está retratado de forma eloquente e palpável na célebre Imagem de “São Pedro arrependido”, de artista baiano anônimo, a qual se encontra no Museu do Mosteiro de São Bento da Cidade de Salvador. Quem ainda não a viu, apresse-se em logo o fazer, pois vai ficar de queixo caído e cheio de encanto e admiração,  e de sentimentos de compunção!!

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Temos outros exemplos belíssimos, como é o caso das lágrimas de Santa Madalena, que fazia parte do grupo dos discípulos de Jesus. Seguiu-o até a Cruz e, no Jardim em que se encontrava o Sepulcro, foi a primeira testemunha da sua Ressurreição. O Evangelho de São João a descreve chorando porque não tinha encontrado o corpo do Senhor no Sepulcro: “Jesus teve misericórdia dela ao se deixar reconhecer como Mestre e transformar as suas lágrimas em alegria pascal”.

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Santo Anselmo as  definiu: “como lágrimas da humildade”. Pela angústia de Santa Madalena de não ter encontrado o corpo do Senhor.

No Sermão das Montanhas Jesus declarou:

“ Bem Aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt 5,4).

Que palavras tocantes e misteriosas!

Jesus também chorou quando olhou para a cidade de Jerusalém e profetizou a sua ruína. (cf. Lc 19,41).

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O choro é algo ínsito à natureza humana e ocorrerá sempre em alguns momentos de nossa vida, cedo ou tarde, festejando, comemorando ou passando por algum sofrimento.

São Pedro Damião dizia:

“A umidade das lágrimas purifica a alma de toda mancha e fecunda o chão de nosso coração para que produza os germes das virtudes”

Que coisa linda meus estimados irmãos e irmãs!

 No mês de abril, próximo passado, tomei conhecimento de alguns fatos extraordinários:  as lágrimas vertidas por várias Imagens do Imaculado Coração da Virgem de Fátima, Mãe de Deus e nossa, em alguns Países do Continente Americano, de modo especial na Guatemala e na Costa Rica, em Casas de oração e formação da Associação Católica Arautos do Evangelho, que propagam a devoção a Nossa Senhora no Mundo inteiro.

Como isso me causou grande emoção e também preocupação, procurei pesquisar e aprofundar minhas reflexões sobre o assunto a fim de comentar sobre as lacrimações   da Santíssima Virgem Maria.

E assim fiquei sabendo da ocorrência destes fenômenos místicos, ocorridos em vários países, entre os dias 21 e 26 de abril do andante ano, envolvendo Imagens do Imaculado Coração da Virgem de Fátima  e até de  São José, nas referidas Casas!

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  Por que será que nossa Mãe do Céu chorou?

Primeiramente, é importante frisar que já ocorreram várias lacrimações de Imagens de Nossa Senhora em diversos países  e em várias quadras históricas, como é o caso de uma Imagem de Nossa Senhora de Fátima, que chorou  em Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 1972, fato divulgado por Jornais de muitos Países, a exemplo da Folha de São Paulo que estampou a fotografia da Imagem lacrimejando.  (vide foto abaixo)

Contemplando as fotos dos últimos prantos de Nossa Senhora,  que nos foram enviadas por pessoas amigas parei para refletir e cheguei à seguinte conclusão:  Diante da avalanche de tantas notícias tristes e desoladoras neste mundo, realmente, Nossa Senhora tem que manifestar sua tristeza através de suas lágrimas.

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Também não se pode descartar a possibilidade de Nossa Senhora haver chorado para manifestar seu contentamento ante filhos e filhas que procuram atender aos seus apelos de oração e penitência, feitos em várias aparições suas, especialmente as ocorridas em Fátima, Portugal, no ano de 1917. Ou então para suscitar nestes filhos e filhas, desejos mais ardentes de reparação pelos pecados cometidos no mundo inteiro contra o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria!

Hoje, dia de Nossa Senhora Auxiliadora, cuja devoção remonta à vitória da armada cristã  na Batalha de Lepanto, em 1571, comandada por Dom João da Áustria   que, invocando o auxílio da Virgem, afastou o perigo maometano da Europa.

Em agradecimento, o Papa Pio V,  incluiu na Ladainha de Nossa Senhora o epíteto de AUXILIADORA DOS CRISTÃOS.

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Que Nossa Senhora Auxiliadora,  nossa Mãe,  conceda graças e bênçãos a todas as famílias do mundo inteiro!

 

 

NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO

0Quem neste mundo tão cheio de  crises, incertezas e perplexidades não precisa de um bom conselho? Com efeito,  a vida vai ficando cada vez  mais difícil de ser vivida, pois uma grande parte do povo  vive como se Deus não existisse! Sim, caríssimos irmãos e irmãs,  assistimos a um mundo no qual as pessoas estão voltadas  para si mesmas,  colocando como ideal supremo a satisfação de todos os tipos de prazeres, julgando, ademais que o dinheiro e o poder lhe trarão a felicidade. Vã ilusão, pois fomos criados por Deus  e só nEle realizaremos o nosso ser. E é por causa deste desatino que a humanidade  vai imergindo em crises de todas as ordens sem saber como sair delas.

Mas este Deus Misericordioso não desiste de nós! E continua em nosso encalço, qual bom pastor que não descansa enquanto não reconduz ao redil a ovelha perdida ou desgarrada. E se utiliza neste amoroso ofício de uma divina Pastora que  é Sua  Mãe.  Ela também é incansável e muito poderosa, valendo-se de muitos recursos para ajudar, cuidar, amparar, orientar, corrigir e conduzir ao Bom pastor as ovelhinhas que por Ele Lhe foram confiadas.

Assim é que, conhecendo bem as características próprias das suas ovelhas  espalhadas neste mundo afora, vai assumindo denominações e feições as mais variadas e encantadoras, a depender das localidades, necessidades e circunstâncias, cumprindo destarte, admiravelmente e sapiencialmente, a missão que Lhe foi confiada pelo Bom Pastor, Seu Divino Filho.

E, geralmente, Ela suscita as devoções , por meio de sinais e milagres extraordinários, que atraem a Si as almas, muitas vezes aflitas, descrentes e desanimadas que recobram a esperança, e passam a trilhar caminhos seguros,   reencontrando assim sua autoestima.

E a história da devoção de que tratamos hoje é marcada por milagres maravilhosos, alguns deles perenes, que poderão ser constatados por todos que vão a Genazzano, na Itália,  ou até mesmo por aqueles que possuem uma reprodução ou estampa  do santo e abençoado afresco.

Particularmente, em 1997, quando em viagem à Europa, tive a felicidade de conhecer Genazzano, na Itália, com  minha família, e rezar demoradamente diante do milagroso afresco, e isto foi uma experiência inesquecível.

Na oportunidade, adquirimos algumas estampas do sagrado ícone e uma delas se encontra emoldurada,  até hoje em nossa sala de jantar.

De mais a mais, é uma invocação apropriada para o nosso dia a dia, pois quem não precisa a todo momento tomar uma decisão acertada, diante de situações difíceis, bem como fazer uma opção que seja melhor para o seu bem próprio ou do de sua família, não é mesmo?

E como é bom termos ao nosso alcance uma Conselheira infaível e que só quer nosso bem, nada exigindo em troca, a não ser o nosso amor e nossa confiança!

Um grande devoto dEla costumava dizer que esta devoção nos proporciona certezas axiológicas, ou seja, aquelas que são relacionadas com o eixo de nossa existência, e portanto as mais importantes para nossa felicidade.

Leiamos, pois,  com atenção o relato abaixo, meditemos atentamente e deliciemo-nos com os fatos em torno de tão maternal devoção!

A MARAVILHOSA HISTÓRIA DA MÃE DO BOM CONSELHO

“Nas longínquas terras da Albânia, para além do Mar Adriático, encontra-se a pequenina cidade de Scútari. Edificada em uma colina escarpada e tendo a seus pés os rios Drina e Bojana, ela continha em seus domínios, já no século XIII, um precioso tesouro : a bela imagem de “Santa Maria de Scútari”. O Santuário que a abrigava se transformara no centro de peregrinação mais concorrido do país, e era para os albaneses um importante ponto de referência em matéria de graças e conforto espiritual.

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Trata-se de uma pintura sobre fina camada de reboco, medindo 31 cm de largura por 42,5 cm de altura. Esse sagrado afresco está envolto numa penumbra de mistério e milagre: ignora-se quando e por quem foi pintado.

Intimidade e união de alma

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Jorge Castriota, Scanderbeg. Estátua
que se encontra na “Piazza
Scanderbeg”, em Roma

Detenhamo-nos um pouco na contemplação desta maravilhosa pintura.

Ela representa a Santíssima Virgem com inefável afeto materno, amparando em seus braços o Menino Jesus, ambos encimados por um singelo arco-íris. As cores são suaves, e finos os traços dos admiráveis semblantes.

O Menino Jesus transmite a candura de uma criança e a sabedoria de quem analisa toda a obra da criação e é o Senhor do passado, do presente e do futuro. Com indizível carinho, o Divino Infante pressiona levemente sua face contra a de sua Mãe. Há entre eles uma atraente intimidade, e a união de almas bem se vê refletida na troca de olhares. Nossa Senhora, em altíssimo ato de adoração, parece estar procurando adivinhar o que se passa no interior do Filho. Ao mesmo tempo, Ela considera o fiel aflito ajoelhado a seus pés, e de algum modo o faz partícipe do celestial convívio que contemplamos neste quadro. Não será preciso dizer, basta o devoto necessitado acercar-se d’Ela para sentir operar-se em sua alma uma ação balsâmica.

Scanderbeg, varão Providencial

Em meados do século XIV, a Albânia passava por grandes aflições. Após ser disputada durante séculos pelos povos vizinhos, ela estava então sendo invadida pelo poderoso império turco.

Não dispondo de estrutura militar capaz de resistir ao poderoso adversário, o povo aflito rezava, confiando no auxílio dos céus. O efeito dessas orações não se fez esperar: nessa emergência, surgiu um varão de Deus, de nobre linhagem e devotíssimo de Nossa Senhora, decidido a lutar pela Padroeira e pela liberdade de seu país. Seu nome é Jorge Castriota, chamado em albanês de Scanderbeg.

À custa de imensos esforços bélicos, conseguiu ele manter a unidade e a Fé de seu povo. As crônicas da época exaltam as façanhas realizadas por ele e pelos valorosos albaneses que, estimulados por seu ardor, lutavam a seu lado.

Nos intervalos dos combates, eles ajoelhavam-se suplicantes aos pés de “Santa Maria de Scútari”, de onde saíam fortalecidos e obtinham portentosas e decisivas vitórias contra o inimigo da Fé. Aí já reluzia uma característica d’Aquela que futuramente seria conhecida em todo o mundo como a Mãe do Bom Conselho: fortalecer todos quantos, combatendo o bom combate, d’Ela se aproximam buscando alento e coragem.

Entretanto… após 23 anos de lutas, Scanderbeg é levado desta vida. A falta daquele piedoso líder era irreparável.

Todos pressentiam estar próxima a derrota. O povo encontrava-se na trágica alternativa de abandonar a pátria ou sujeitar-se à escravidão aos turcos.

                                               Envolta em luminosa nuvem

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Georgis e De Sclavis caminham sobre o
Mar Adriático, guiados pela própria
“Estrela do Mar”

Nessa perplexitante situação, a Virgem do afresco aparece em sonhos a dois dos valentes soldados de Scanderbeg, chamados Georgis e De Sclavis, ordenando-lhes que A seguissem em uma longa viagem. Ela lhes inspirava uma grande confiança, e estar ajoelhados a seus pés era para eles motivo de grande consolação.

Certa manhã, lá estando ambos em fervorosa oração, vêem o maior milagre de suas vidas.

O maravilhoso afresco se desprende da parede e, conduzido por anjos, envolto em alva e luminosa nuvem, suavemente vai se retirando do recinto. Bem podemos imaginar a reação dos bons homens! Atônitos, acompanham Nossa Senhora que avança pelos céus de Scútari. Quando se dão conta, estão às margens do Mar Adriático. Haviam percorrido trinta quilômetros sem sentir cansaço! Sempre envolta na alva nuvem, a milagrosa imagem avança mar adentro.

Perplexos, Georgis e De Sclavis não querem deixá-la por nada. Verificam, então, estupefatos e eufóricos, que sob seus pés as águas se transformam em sólidos diamantes, voltando ao estado líquido após sua passagem. Que milagre! Tal como São Pedr o sobre o lago de Genezaré, estes dois homens caminham sobre o Mar Adriático, guiados pela própria “Estrela do Mar”.

Sem saber dizer durante quanto tempo andaram, nem quantos quilômetros deixaram para trás, os bons devotos vêem novas praias. Estavam na Península Itálica! E por sinal… onde está a Santa Maria de Scútari? Olham para um lado… olham para outro. Escutam falar outro idioma, sentem um ambiente tão diferente da sua Albânia…

Mas já não vêem a Senhora da luminosa nuvem. Desaparecera… Que provação! Começam então, uma busca infatigável. Onde estará Ela?

Petruccia, uma mulher de Fé

Nessa mesma época, na pequena cidade de Genazzano, não longe de Roma, vivia uma piedosa viúva chamada Petruccia de Nocera, já octogenária.

Senhora de muita retidão e sólida vida interior, digna terciária da ordem agostiniana, sua herança lhe bastava apenas para viver modicamente.

Era Petruccia muito devota da Mãe do Bom Conselho, venerada numa velha igreja de Genazzano. Esta piedosa senhora recebeu do Espírito Santo a seguinte revelação: “Maria Santíssima, em sua imagem de Scútari, deseja sair da Albânia”. Muito surpresa com essa comunicação sobrenatural, Petruccia assombrou-se mais ainda ao receber da própria Santíssima Virgem expressa ordem de edificar o templo que deveria acolher o seu afresco, bem como a promessa de ser socorrida em tempo oportuno

Começou, então, Petruccia, a reconstrução da pequena igreja. Empregou todos os seus recursos… os quais acabaram quando as paredes tinham apenas um metro de altura. E ela tornou-se alvo das zombarias e sarcasmos dos céticos habitantes da pequena cidade, que chamavam -na de louca, visionária, imprudente e antiquada. Passou confiante por esta provação, tal como Noé, de quem todos mofavam enquanto ele construía a arca.

“Um milagre! Um milagre!”

Era o dia 25 de abril de 1467, festa de São Marcos, padroeiro de Genazzano.

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Beata Petruccia de Nocera

Às duas horas da tarde, Petruccia se dirige à igreja, passando pela movimentada feira na qual os vendedores ofereciam desde tecidos trazidos de Gênova e Veneza até um elixir da eterna juventude ou um “poderosíssimo” licor contra qualquer tipo de febre.

Em meio a este burburinho, o povo ouve uma melodia de rara beleza, vinda do céu. Faz-se silêncio e todos notam que aquela música provinha de uma nuvenzinha branca, tão luminosa que ofuscava os raios do próprio sol. Ela desce gradativamente e se dirige para a parede inacabada de uma capela lateral. A multidão acorre estupefata, enche o pequeno recinto e vê a nuvem desfazer-se.

Ali estava – suspenso no ar, sem nenhum suporte visível – o sagrado afresco, a Senhora do Bom Conselho! “Um milagre! Um milagre!” – gritam todos. Que alegria para Petruccia, quanto consolo para Georgis e De Sclavis quando lá puderam chegar!… Estava confirmado o superior desígnio da construção iniciada. Teve início, assim, em Genazzano um longo e ininterrupto desfilar de milagres e graças que Nossa Senhora ali dispensa.

O Papa Paulo II, tão logo soube do que havia sucedido, enviou dois prelados de confiança para averiguar o que se passara.

Estes constataram a veracidade do que se dizia e testemunharam, diariamente, inúmeras curas, conversões, e prodígios realizados pela Mãe do Bom Conselho. Nos primeiros 110 dias após a chegada de Nossa Senhora, registraram-se 161 milagres.

Conselho, correção, orientação: grandes favores

Entre seus grandes devotos destacam- se os papas São Pio V, Leão XIII – que incluiu a invocação Mãe do Bom Conselho na Ladainha Lauretana – São Pio X, Paulo VI e João Paulo II; e numerosos santos como São Paulo da Cruz, São João Bosco, Santo Afonso de Ligório, Beato Orione. No próprio Santuário de Genazzano, pode-se venerar o corpo incorrupto do Beato Steffano Bellesini, um de seus párocos, grande propagador da devoção à Mãe do Bom Conselho.

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O afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho
é trazida por anjos

Também os Arautos do Evangelho são seus devotos. Têm eles muito a agradecer-Lhe, por favores e graças mais importantes do que a cura de doenças corporais.

Os maiores milagres, Ela os opera na alma de cada um, aconselhando, corrigindo, orientando.

Quem puder venerar o milagroso quadro da Mãe do Bom Conselho em Genazzano, comprovará pessoalmente o rio de graças que emana daquela celestial fisionomia e compreenderá por que quem lá esteve uma vez, sonha em retornar um dia àquele sublime convívio.

O afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano

Na igreja da Madonna del Buon Consiglio, na pequena e bela cidade de Genazzano, encontra-se um afresco de mais de sete séculos de existência. Até hoje se desconhec e onde e por quem foi pintado. Terá sido seu autor um anjo? Será originário do Paraíso? São perguntas ousadas. Compreende-se que elas surjam, quando se conhece a história dos efeitos produzidos por essa piedosíssima imagem, ao longo dos tempos.

O afresco causa a impressão de ter sido pintado há poucos dias, mesmo se observado de perto. Porém, está há 535 anos junto à parede de uma capela lateral da igreja. Mais ainda: segundo atestam os documentos, tem-se mantido suspenso no ar durante todo esse tempo! Foi ele transladado de Scútari, Albânia, a Genazzano por ação angélica.

Assim descreve esses sobrenaturais acontecimentos um dos maiores entendidos na matéria:

“Trazida por mãos angélicas, encontrou-se (a imagem) suspensa ali na rústica parede da nova igreja, e com três novos singularíssimos prodígios então acontecidos. (…) A celeste pintura estava sustentada por virtude divina a um dedo da parece, suspensa sem nala fixar-se; e este é um milagre tanto mais estupendo se considerarmos que a referida imagem está pintada com cores vivas em fina camada de reboco, com a qual se destacou por si mesma da igreja de Scútari, na Albânia; como ainda pelo fato, comprovado mediante experiência e observações feitas, de que, ao tocar-se na Santa Imagem, esta cede” (Frei Angelo Maria De Orgio, Istoriche de Maria Santissima del Buon Consiglio, nela Chiesa de’Padri Agostoniani di Genazzano, 1748, Roma, p. 20)

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Beato Steffano Bellesini, venerado no
próprio Santuário de Genazzano

No séc. XIX, renomado estudioso desse celestial fenômeno observou:

“Todas essas maravilhas (da Santa Imagem) se resumem, enfim, no prodígio contínuo que consiste em encontrarmos hoje esta imagem no mesmo lugar e do mesmo modo como ela aí foi deixada pela nuvem no dia de sua aparição, na presença de todo um povo que teve então a felicidade de vê-la pela primeira vez. Ela pousou a uma pequena altura do chão, a uma distância de aproximadamente um dedo da parede nova e rústica da capela de São Brás, e ali ficou, suspensa sem nenhum suporte” (Raffaele Buonanno, Memorie Storiche della Immagine de Maria, SS. Del Buon Consiglio Che si venera in Genezzano, Tipografia dell’Immacolata, Napoles, 20 ed., 1880, p. 44).

Na festa do batismo de Santo Agostinho e de São Marcos, padroeiro de Genazzano, em 25 de abril de 1467, por volta das quatro horas da tarde, uma celestial melodia começa a se fazer ouvir pelos mais variados recantos da cidade. Um grande número de pessoas, reunidas na praça do mercado, se põem a indagar maravilhadas de onde vem os sublimes e arrebatadores acordes. Eis que uma divina surpresa se passa ante os olhos de todos: em meio a raios de luz, uma pequena nuvem branca desce até uma parede da já mencionada igreja, cujos sinos começam a bimbalhar fortemente e por si só. Prodígio ainda maior: em uníssono, a totalidade dos sinos da cidade tocam com energia.

Ao desfazerem-se lentamente os raios de luz e a nuvem, o belíssimo afresco que até hoje ali se encontra pôde ser contemplado pelo povo, e desde esse dia não cessou de derramar copiosas graças sensíveis, fazendo jus à preciosa invocação de Mãe do Bom Conselho.

A notícia de tão extraordinário acontecimento se espalhou por toda a Itália, como um corisco. Dois dias mais tarde, inicia-se uma verdadeira avalanche de milagres: um possesso se livra dos demônios, uma paralítico caminha com naturalidade, uma cega recupera as vistas, um jovem empregado recém-falecido ressuscita…. Nos cento e dez primeiros dias, Maria do Bom Conselho distribui cento e sessenta e um milagres aos seus fiéis devotos. Peregrinos de todo o país se movem para receber os benefícios da Mãe de Deus.

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Diante do santo afresco, uma constante se verifica: a nenhum dos pedidos que lhe são dirigidos deixa Ela de atender de alguma forma. Nas dúvidas, nas perplexidades ou mesmo nas provações, depois de um certo tempo de oração – maior ou menor, dependendo de cada caso – Maria Santíssima faz sentir no fundo da alma em dificuldade seu sapiencial e maternal conselho, acompanhado de mudanças de fisionomia e de coloração da pintura. É indescritível esse especialíssimo fenômeno.

Foi em Genazzano, aos pés do santo afresco da Mãe do Bom Conselho, que nasceram os Arautos do Evangelho. Ali, Ela os inspirou, orientou e fortaleceu. Por isso, a exemplo de tantos outros, os Arautos do Evangelho A consideram como sua padroeira. Ademais, por privilégio concedido pelo Santo Padre, João Paulo II, lucram no dia de sua festa, 26 de abril, uma indulgência plenária”. (Revista Arautos do Evangelho, Abril/2002, n. 4, p. 24-25 e Abril/2004, n. 28, p. 16 a 18)

E então caríssimos leitores e leitoras,  espero que esse artigo tão bem escrito e fundamentado possa incentivá-los e despertar-lhes a vontade de conhecer e recorrer sempre à Mãe do Bom Conselho.

Nossa Senhora do Bom Conselho, rogai por nós!

 

 

 

Consagração de Portugal a Nossa Senhora

 Queridos irmãos e irmãs, a história de Portugal é belíssima! Com efeito, é repleta de feitos e personagens heroicos e audaciosos, e para comprovar isto basta que citemos a figura legendária de D. Sebastião, rei aos 14 anos de idade, possuidor de um grande fervor religioso e militar, desaparecido misteriosamente na famosa Batalha de Alcácer-Quibir, porém jamais esquecido por nossos irmãos lusos; e  o Condestável Nuno Álvares Pereira, cantado em prosa e verso por Camões, o maior estrategista, comandante e gênio militar português de todos os tempos, cuja forma de comandar caracterizou-se pelo seu exemplo e suas virtudes, sua santidade. Foi elevado à honra dos altares pelo Papa Bento XVI, em 2009.

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D. Sebastião, Rei de Portugal

Terminou sua luminosa e santa vida como frade, mas sob o hábito sempre manteve a sua cota de malha de soldado!

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D. Nuno Álvares Pereira

 Eu  considero uma graça o Brasil ter sido descoberto e colonizado por Portugal.

 Não tive ainda a oportunidade de conhecer esse País maravilhoso, de paisagens e panoramas lindos, com costumes e tradições  muito próprias  e ricas,  que possui  uma cultura  que abrange os mais diversos ramos do conhecimento ,  a exemplo da literatura, da  arquitetura  e da engenharia, sem falar das suas valiosas obras de artes,  de encanto e beleza  extraordinários!

Mas, o mais belo mesmo, é alma do seu povo intrépido, corajoso e ao mesmo tempo bondoso e com um jeito de ser acolhedor,  e cheio da Fé Católica herdada de seus antepassados, que soube transmitir a todas as suas províncias, entre as quais o nosso amado Brasil. E nós adquirimos também costumes parecidos com os de nossos irmãos portugueses.

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 E é por tudo isto e muito mais, que Portugal é um país que sempre encanta a quem o  conhece, que logo se sente em casa, e nele quer  ficar , ou então quer visitá-lo outras vezes. Atualmente, é um dos países europeus preferidos por turistas do mundo inteiro e eu pretendo  conhecê-lo, com meu marido, o quanto antes.  Meu ‘medo’ é ir  e dele também não querer  voltar.

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Mas enquanto isto, vamos  estudando a história deste encantador  País para aproveitar mais a viagem.

Por coincidência, recebemos de um Sacerdote amigo nosso, Professor de História, muito viajado, que durante um período  de sua vida residiu em Salvador  e se interessou muito pela História da Bahia, um artigo sobre um valoroso personagem, chamado João IV,  cujo apelido  era João, o” Restaurador”  que, foi  Rei de Portugal e Algarves de 1640 até a sua morte.

Foi aclamado Rei de Portugal em 15 de dezembro de 1640, e tinha um vigor que muito contribuiu para a efetiva restauração da independência de Portugal.

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Aclamação de D. João IV como Rei de Portugal

E entre muitas coisas importantes que ele fez para o seu País e suas Províncias de então, destaca-se uma que teve uma influência muito salutar para o Brasil e de modo especial para a nossa querida Bahia.  Se querem saber o que foi, leiam o belo e substancioso artigo do nosso estimadíssimo Padre Cristóvão Colombo, este é o seu nome.

“REI DOM JOÃO IV CONSAGROU PORTUGAL À VIRGEM IMACULADA

Naquele ano do Senhor, de 1646, em Portugal, logo ao raiar do dia 25 de março, festividade litúrgica da Anunciação do Anjo à Nossa Senhora, os sinos do Santuário de Vila Viçosa, no Alentejo, repicaram com toda sua força e sonoridade, sendo acompanhados pelos outros numerosos sinos dos campanários dos conventos, igrejas e capelas de toda a região. Algo de imenso significado espiritual e histórico estava para ocorrer.

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Dom João IV – Restaurador da independência de Portugal em 1640

Nessa festividade a Igreja celebra a mensagem do Altíssimo transmitida pelo Arcanjo São Gabriel à Virgem, de que Ela fora a escolhida para ser a Mãe do Messias tão esperado por Israel. “Eis aqui a escrava do Senhor”, foi sua resposta, ao mesmo tempo magnífica e humilde.

Ao toque das trombetas e ao rufar dos tambores, teve início o cortejo. À frente vinha desfraldado o pendão do Reino, ostentando as cinco Cruzes e as cinco chagas de Cristo crucificado. Seguiam-se cavaleiros e soldados, abrindo caminho para os Prelados, religiosos, e membros da nobreza que conduziam Dom João IV ao Santuário. Ali, após a Santa Missa, o Reino de Portugal foi solenemente consagrado à Santíssima Virgem.

 Nessa consagração, entretanto, o Rei Dom João IV quis acrescentar também sua vigorosa devoção a outra prerrogativa de Maria Santíssima: sua Imaculada Conceição, pela qual foi ela concebida no seio de sua mãe Santana, isenta do pecado original. A partir desse dia, tendo a Coroa Real sido oferecida à Mãe de Deus, os monarcas portugueses deixaram de cingi-la.

Assim, as cerimônias de ascensão dos príncipes herdeiros ao trono não mais incluíam a sua Coroação, como era praxe nos demais reinos da Cristandade. Em Portugal a subida de um novo monarca ao trono era denominada Aclamação, e a Coroa permanecia ao lado do Trono, sobre uma almofada, pois de fato ela pertencia à Virgem.

 Em 1646 Dom João IV consagrou Portugal à Santíssima Virgem; em 1917 a própria Santíssima Virgem apareceu em Portugal a três pastorinhos, para através deles maternalmente chamar o mundo à conversão e ao Reino de Cristo.

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Santuário de Vila Viçosa – Quadro da Consagração, em azulejos

 Desde os primeiros séculos da cristandade numerosos Padres da Igreja expressaram sua crença na absoluta imunidade do pecado, mesmo o original, concedida à Virgem Maria, logo ao ser concebido no seio de sua mãe, Santana. Santo Efrém, exalta Maria “como tendo sido sempre, de corpo e de espírito, íntegra e imaculada”. E São Cirilo de Jerusalém, a comparam com Eva antes do pecado.

Não obstante, no decorrer do século XVII, a crença na Imaculada Conceição de Nossa Senhora, embora piedosamente celebrada entre os fiéis, foi objeto de certas discussões entre teólogos.

Por essa razão o Rei Dom João IV, como precaução, condicionava sua devoção e disposição de defender a doutrina da Imaculada Conceição de Maria ao ensinamento da Santa Igreja, Ou seja, se no futuro a Igreja viesse a definir um ensinamento diferente sobre essa crença, o monarca estaria pronto a aceitá-lo.

Ao longo dos séculos, entretanto, os pronunciamentos dos Papas foram se alinhando todos no reconhecimento da ortodoxia da crença na Imaculada Conceição.

Em 1447, por exemplo, o Papa Nicolau V aprovou a festividade da Conceição de Maria, com a celebração de Missa própria. A extensa série de pronunciamentos pontifícios nesse sentido culminou em 1854, quando em meio ao júbilo do mundo católico o Papa Pio IX proclamou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Santíssima Virgem.

Moedas e placas de bronze

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Em 1648 Dom João IV mandou cunhar e pôs em circulação moedas de ouro e de prata, tendo estampada no reverso a imagem da Santíssima Virgem, coroada de sete estrelas, sobre o globo e a meia-lua, tendo aos lados o sol, o espelho, a casa de ouro, a arca da aliança, fonte saúde dos enfermos. Esses símbolos e referem a títulos com que é honrada na Ladainha Lauretana. Sua imagem é também circundada pelo título latino Tutelaris Regni (Protetora do Reino).

Com tais moedas efetuou Dom João IV o pagamento de seu primeiro de tributo anual ao Santuário de Vila Viçosa.

Além disso, em 1654 decretou Dom João IV que “em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares de seus Reinos” fosse colocada uma afixada uma proclamação para os séculos futuros, cuja inscrição exprimisse a ardorosa fé do povo português na Imaculada Conceição.

Na Bahia: placa de bronze no Palácio

Em 1654, o Governador-Geral do Brasil, Dom Jerônimo de Ataíde cumpriu a determinação real, mandando fundir uma placa de bronze medindo cerca de 1,30 metros de largura por 0,70 metro de altura. O texto da proclamação redigida em latim, com várias palavras abreviadas, tem a seguinte tradução em português:

“Inscrição destinada à eternidade. A Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Dom João IV, Rei de Portugal, juntamente com as Cortes dos Estados do Reino, em ato público obrigou-se por voto solene a si e aos seus reinos tributários a um tributo anual, e prometeu um juramento perpétuo que ele havia de defender a Mãe de Deus, concebida sem pecado original e tomada por padroeira e Protetora do seu Reino. E para perpetuar essa piedade de Portugal, mandou esculpir esse preito e juramento em lâmina de bronze, para memória perene no ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1646, 6ª de seu Império”.

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Desse modo, ao longo dos anos e dos séculos, a cada festividade de Anunciação de Nossa Senhora, a 25 de março, os sinos do Santuário português de Vila Viçosa continuam a repicar, evocando também para muitos fiéis aquela consagração feita à Virgem pelo heroico e piedoso monarca Dom João IV.

A esse repicar se juntam os numerosos sinos de igrejas e santuários espalhados por todo o mundo, devotados de modo especial ao culto da Imaculada Conceição. Neste sentido, destacam-se sobretudo as celebrações na Basílica de Lourdes, na França, à qual acorrem peregrinos de todo o mundo, em número que supera a oito milhões anualmente. Essa Basílica encontra-se edificada sobre a gruta na qual Virgem apareceu em 1858, quando disse de si própria, à vidente Santa Bernadete: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

     No Brasil, um singelo oratório onde inicialmente foi venerada da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, retirada em 1717 das águas do Rio Parnaíba, deu origem ao Santuário da Padroeira e Rainha do Brasil, verdadeira fonte de graças com que a Imaculada Conceição protege e acolhe multidões de peregrinos.

O Brasil de Nossa da Conceição Aparecida

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Em conferência proferida em São Paulo, na festividade da Padroeira do Brasil, em 12 de outubro de 1972, assim se expressou profeticamente o Dr. Plinio Corrêa de Oliveira:

“Pode-se dizer que o Brasil é um feudo de Nossa Senhora enquanto concebida sem pecado original, quer dizer, enquanto Imaculada Conceição, aparecida no Rio Paraíba. A invocação Aparecida é secundária. Ou seja, ela se desprende naturalmente à maneira de ramo saído do tronco. O conceito principal é o de Imaculada Conceição.

O fato dessa imagem ter sido encontrada no século XVIII é de grande significado para o Brasil. Naquela época, embora francamente admitido pela maioria dos católicos, o dogma da Imaculada Conceição ainda não estava definido. E professar então fé nesse augusto privilégio de Nossa Senhora, constituía distintivo de requintada ortodoxia.

Ora, exatamente a partir do aparecimento dessa imagem, um século inteiro antes da definição dogmática, foi o Brasil colocado sobre o patrocínio da Imaculada Conceição. Isto indica um chamado especial da Mãe de Deus para nossa Pátria e é motivo de intenso júbilo para todos os brasileiros devotos da Santíssima Virgem”.”.

Pesquisa e redação de Pe. Colombo Nunes Pires EP

Obras consultadas

  1. “Efemérides da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Praia”, de Mons. Manoel de Aquino Barbosa, Salvador, 1970.
  2. “Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado”, João S. Clá Dias, Artpress, São Paulo, 1997.
  3. http://portugalglorioso.blogspot.com/2014/12/imaculada-conceicao-padroeira-e-rainha.html