Vovô e Vovó!

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Caríssimos irmãos e irmãs, hoje é dia de Sant’Ana e São Joaquim, os pais de Nossa Senhora e os avós de Jesus! Por causa disto, também festejamos hoje os avós do mundo inteiro, pessoas tão importantes na família. Costuma-se dizer que ser avô ou avó, é ser pai ou mãe duas vezes. A língua inglesa exprime bem isto ao chamar o avô de grandfather e a mãe, grandmother, grande pai e grande mãe, respectivamente, e neste mesmo diapasão a língua francesa, utiliza a expressão “grand-mère”, para a avó, e “ grand-père”, para o avô.

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O fato é que os avós têm uma função muito decisiva na educação e formação das crianças e contribuem para o aprimoramento, estabilidade e sensação de segurança nas relações familiares. E de outro lado, como lhes faz bem poderem dispensar o seu afeto e carinho em face de seus netos e transmitirem seus conhecimentos, suas experiências acumuladas, ao longo de muitos anos de existência. E o que estamos falando dos avòs aplica-se de igual modo aos bisavós e para os afortunados, os trisavós!

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Dizem os estudiosos que nos primórdios da história da humanidade, quando a família tinha uma estrutura patriarcal e/ou matriarcal, Deus dispunha das coisas de tal modo que tanto o patriarca quanto a matriarca vivessem vida longa, para assim manterem a unidade e coesão das famílias. Não sei não, mas acho que uma das causas de tantas crises familiares, está no modelo atual chamado nuclear, que é falto da presença constante dos avós e de outros parentes mais avançados na idade, o que causa uma certa sensação de vazio.

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Mas deixemos a filosofia e a sociologia de lado, e deitemos nossa atenção na bela historinha abaixo.

Com efeito, quero compartilhar um texto belíssimo, e que vocês podem contar para seus filho ou suas filha, seus netos e quem sabe seus bisnetos!

Trata-se de uma história, feita para crianças e adultos de boa fé.

Uma carta para Deus

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“Jorginho sempre fora um bom menino, educado e obediente. Havia perdido os pais quando ainda era um bebê e vivia com a avó materna, dona Clara, quem cuidava do pequeno com todo carinho. Ela fazia doces, salgadinhos e bolos para vender, sendo o meio de sobrevivência dos dois, e moravam em uma casinha humilde, mas própria.

Todos na pequena cidade os conheciam, pois, bem cedinho ia a piedosa senhora à Missa, levando pela mão o netinho, desde que aprendera a andar. Ele ainda não fizera a Primeira Comunhão, no entanto, iniciara as aulas de catequese antes mesmo de principiar os estudos escolares. Durante a Missa, ficava quietinho e prestava muita atenção em todos os movimentos do sacerdote, sobretudo na hora da Consagração, quando, de joelhos e com as mãozinhas postas, fixava seus olhos vivos e escuros na Sagrada Eucaristia e dizia baixinho, conforme aprendera com a vovó:

– Meu Senhor e bom Deus!

Terminada a celebração, depois de uma longa ação de graças, dona Clara o conduzia até o altar de Nossa Senhora do Rosário e, juntos, rezavam três Ave-Marias, pedindo proteção para mais aquele dia.

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De volta a casa, Jorginho gostava de ajudar com os docinhos, e colocava os brigadeiros, bom-bocados e cajuzinhos nas forminhas douradas e prateadas, bem como dispunha os confeitos coloridos sobre os bolos de aniversário, fazendo bonitas figuras, encantado com as cores. À tarde, invariavelmente acompanhava a avó na entrega das encomendas.

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Caída a noite, rezavam o terço junto ao oratório dedicado à Sagrada Família na sala da residência e, depois do jantar, chegava a hora preferida do menino: dona Clara lhe contava muitas histórias! Ela era especialista em adornar com detalhes e pormenores os episódios, maravilhando o pequeno, pois entre príncipes, princesas, santos e anjos, com frequência apareciam flores bonitas e perfumadas, pássaros gorjeando, sinos bimbalhando e fontes rumorejantes, que depois de passarem por rios caudalosos, desembocavam em um mar imenso, cor de esmeralda, com ondas espumantes, morrendo em praias de areia branca, parecendo açúcar. Contudo, o mais atraente para ele eram as plumas dos chapéus dos cavaleiros, suas botas com esporas afiadas, as asas multicores dos anjos ou a doçura do olhar de Jesus e a bondade de Maria.

Assim ia se desenvolvendo Jorginho, piedoso, responsável e muito inocente. Começando a frequentar a escolinha, logo aprendera a ler e escrever. Estando mais crescido, por ser a cidade bem tranquila, já podia fazer algumas entregas para a avó, e os fregueses ficavam admirados com o amadurecimento daquela criança de tão pouca idade.

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Em uma manhã chuvosa, entretanto, sua avozinha não se levantou para a Missa. Preocupado, o menino foi ao quarto para ver se havia acontecido alguma coisa. A pobre senhora chorava baixinho, pois se sentia muito mal. Aflito, ele chamou a vizinha, dona Adalgisa, muito amiga de dona Clara. Veio ela, apressada, disposta a ajudar. Vendo a dramática cena, chamou o médico da família, que não tardou em chegar. Examinando-a, recomendou um remédio e muito repouso, pois a doença podia ser grave se não repousasse. E, nesse caso, deveria ir para a capital, pois ali não teriam recursos para tratá-la.

Naquele dia, Jorginho foi sozinho à Missa e à escola, fazendo toda a entrega das encomendas da avó. Todavia, os dias iam se passando e dona Clara não se curava, não cozinhava e o dinheiro foi se escasseando, pois seu remédio era muito caro. Por mais que dona Adalgisa fosse solícita, também ela não tinha posses para tal emergência.

Passada uma semana, o menino não teve dúvidas: começou resolutamente a escrever uma carta, com uma letra ainda insegura e infantil. Com decisão fechou o envelope e saiu sozinho, para entregá-lo ao destinatário. Entrou na igreja com passos rápidos e estava a ponto de o colocar no cofre das esmolas, quando foi interrompido por um distinto senhor:

– Que está fazendo, meu rapazinho?

– Estou colocando esta carta na caixa do correio do Céu.

– Como é isso? – indagou o homem.

Jorginho, então, explicou toda a situação. E como a avó sempre lhe ensinara ser atendido todo pedido feito ao bom Deus com fé, resolvera pedir sua cura, pois ainda era muito pequeno para sustentá-la e ela não podia mais trabalhar. O interlocutor, enternecido, disse:

– Dê-me a carta, pois a encaminharei a seu destino. Porém, onde está o endereço para a resposta?

– Ah, não precisa. O bom Deus não sabe onde moro?

– Claro que sabe! – retrucou o cavalheiro – Mas pode dizer, para eu saber também?

Jorginho voltou para casa contente, seguro de estar o bom Deus lendo a carta, logo solucionando o caso.

Não se enganara o menino, pois naquela mesma tarde foi entregue em sua humilde casinha uma caixa contendo o remédio da avó, com um cartão, onde estava escrito: “Resposta do bom Deus”. Exultante de alegria, o pequeno contou tudo para ela, que, emocionada, tomou o remédio, sentindo voltarem a seu corpo exausto as forças, pelas energias da fé inocente do netinho.

No dia seguinte, o senhor da igreja tocou a campainha. Era ele um médico da capital que estava ali de passagem, em visita à aprazível cidadezinha. Conhecia bem a doença de dona Clara e tratou dela o tempo necessário, trazendo da cidade outros remédios mais eficientes.

Ele não abandonou a boa senhora até poder ela, outra vez, fazer os doces e salgadinhos, voltando a frequentar a igreja e a cuidar de Jorginho, que não via a hora de receber a Primeira Comunhão para sentir em seu coração a presença do bom Deus, que nunca deixa de ouvir todos os nossos pedidos feitos com fé.” (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2012, n. 128, p. 46-47)

E não poderia encerrar o presente “post”, sem fazer uma prece a Sant”Ana e a São Joaquim, os padroeiros , protetores e modelos de todos os avós, rogando a Eles que obtenham de Sua Filha, Santa Maria, e de Seu neto Jesus, graças, dons e bênçãos superabundantes para que os avós se compenetrem de sua insubstituível missão de ajudar e complementar os esforços dos pais e das mães na educação, manutenção e formação dos seus filhos, transmitindo-lhes palavras e exemplos de Fé, Esperança e Caridade. E de outro lado, que sejam objeto de respeito e carinho, tanto no ambiente familiar, bem como no das relações sociais mais amplas e que lhes seja proporcionada pelos entes governamentais uma existência saudável, digna e segura, até os últimos de vida!

Sant”Ana e São Joaquim, rogai por todos os avós do mundo inteiro!

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O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

Queridos irmãos e irmãs, hoje é dia dedicado a Nossa Senhora do Carmo, de quem, eu e toda minha família, somos devotos.

Trata-se de uma devoção muito bonita e eficaz, cheia de privilégios e que tem uma belíssima história.

Recebi de uma pessoa amiga um magnífico texto postado pelo site “http://www.fatima.org.br/” e quero, nesta oportunidade, presenteá-los com a sua transcrição na íntegra, certa de que assim o fazendo, estarei lhes fazendo imensos benefícios.

Introdução

“Nas aparições de Fátima, estão presentes de modo privilegiado as duas principais devoções marianas que engalanaram de santos os altares: o Rosário e o Escapulário. No auge das aparições, no dia 13 de Outubro, enquanto acontecia o grande milagre do Sol visto por mais de 70 mil pessoas, a Mãe de Deus mostrou-se aos pastorinhos sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo, apresentando nas mãos o Escapulário. Para aqueles que realmente desejam a conversão do mundo o atendimento completo dos pedidos feitos por Nossa Senhora em 1917 impõe que se conheça a importância do dom do Escapulário, e que este seja difundido o mais amplamente possível.

Quando este profeta de zelo ardente para aí se retirou, por volta do Século IX antes da Encarnação do Filho de Deus, havia três anos que uma implacável estiagem encerrava os céus da Palestina, punindo a infidelidade dos hebreus para com Deus. Enquanto rezava com fervor, pedindo que o castigo fosse aliviado pelos méritos dAquele Redentor que haveria de vir, Elias enviou o seu servo ao cume do monte, ordenando-lhe: “Vai, e olha para o lado do mar”… Mas o servo nada viu. E, descendo, disse: “Não há nada”. Confiante, o Profeta fê-lo retomar sete vezes a infrutuosa escalada. Por fim, o servo retornou, dizendo: “Vejo uma nuvenzinha do tamanho da pegada de um homem”. De fato, a nuvem era tão pequena e diáfana que parecia destinada a desaparecer ao primeiro sopro dos abrasados ventos do deserto. Mas não, pouco a pouco cresceu, alargou-se no céu até cobrir todo o horizonte e fez precipitar-se sobre a terra uma abundante chuva. Foi, naquele momento, a salvação do povo de Deus. Em sua contemplação, Elias entendeu que aquela pequena nuvem era uma figura da humilde Maria, cujos méritos e virtudes excederiam os de todo o gênero humano, atraindo para os pecadores o perdão e a Redenção. Com 700 anos de antecedência, o Profeta havia vislumbrado o papel mediador da Mãe do Messias esperado. E tornou-se, por assim dizer, o seu primeiro devoto sobre a terra.
O fervor mariano de Santo Elias não desapareceu quando este foi arrebatado ao céu por um carro de fogo. Uma bela tradição diz-nos que sempre houve no Monte Carmelo eremitas que ali viveram, rezando e pregando aos peregrinos. Mas viviam isolados, sem qualquer regra fixa.
Por volta do Século IV houve uma transformação. Quando começaram a aparecer os primeiros cenobitas, alguns acorreram para as encostas do Monte Carmelo com o desejo de viver em comunidade, buscando conservar o espírito de Santo Elias e transmiti-lo de geração em geração até o fim do mundo. Ainda hoje se vê nas encontas rochosas as ruínas de uma pequena ermida que ali edificaram. Por volta do Século XII, um grupo de novas vocações, desta vez vindas do Ocidente no grande movimento das Cruzadas, acrescentou renovado fervor à antiga família de almas. Logo se edificou uma pequena igreja onde a comunidade se entregava à vida de oração, e em torno dela viviam tendo tudo em comum. Pode-se dizer que simbolicamente a pequena “nuvenzinha” já havia crescido e fazia chover sobre a terra abundantes graças. Com esse florescimento, porém, tornava-se necessária uma vida mais disciplinada. Em 1225, uma delegação da Ordem dirigiu-se a Roma para pedir à Santa Sé a aprovação de uma Regra, que foi efetivamente concedida pelo Papa Onório III em 1226. Com a atenção da Santa Sé voltada para a Ordem Carmelitana, parecia haver todas as condições para que esta florescesse e se espalhasse por todo o mundo. Contudo, novas provações ameaçavam fazer ruir aquele ideal já duas vezes milenar. Com a invasão dos lugares santos pelos muçulmanos, todas as comunidades de monges foram destruídas e o superior do Monte Carmelo deu permissão aos religiosos para se trasladarem ao Ocidente a fim de aí fundarem novos núcleos, o que muitos fizeram depois da queda do último baluarte de resistência cristã, o Forte São João d’Acre. Os poucos que lá ficaram foram martirizados enquanto cantavam a Salve Rainha.

São Simão Stock

Uma vez passados para o Continente Europeu, os frades do Carmo não conseguiam se organizar e começaram a vaguear como membros de uma Ordem quase desconhecida, mal-admirada e à beira do desaparecimento. A família religiosa de Santo Elias parecia um tronco seco e velho, fadado a se desmanchar em pó. Nossa Senhora não havia esquecido, contudo, o amor dos seus primeiros devotos. Era o instante esperado para fazer florescer no alto da ressecada vara uma das mais belas flores: São Simão Stock. Esse inglês, por sua reconhecida virtude, havia sido eleito para o cargo de Geral da Ordem. Todavia, não lograva exercer uma autoridade efetiva sobre cada um dos seus monges, pois nem todos haviam ainda acatado a nova Regra. A virtude, porém, compensava a carência de poder jurídico. Rezando a Nossa Senhora com muito fervor, São Simão implorava-lhe que não permitisse o desaparecimento da Ordem Carmelita. Nessa aflitiva situação, a Virgem Santíssima apareceu ao seu filho dileto já ancião [em 1251] e entregou-lhe o Escapulário, como símbolo da sua aliança perene com aqueles que lhe quisessem ser fiéis. Naquela época os servos usavam uma túnica longa como traje civil. Sobre ela vestiam uma outra túnica menor, que indicava, pela cor e pelos símbolos ali pintados, a identidade do seu senhor. O Escapulário do Carmo era semelhante a essa pequena túnica. O que Nossa Senhora entregava, portanto, a São Simão Stock era uma verdadeira libré (roupa com o símbolo de uma determinada família), própria aos seus servos, para ser portada por todos os carmelitas. Àqueles que a utilizassem, prometeu: “Recebe, filho diletíssimo, o Escapulário da tua Ordem, sinal de minha amizade fraterna, privilégio para ti e todos os carmelitas. Aqueles que morrerem revestidos deste Escapulário não padecerão do fogo do Inferno. É um sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos e aliança de paz para sempre”. Esta maravilhosa promessa da Santíssima Virgem não é de pequena monta para um cristão que realmente deseja salvar a sua alma. Muitos Papas e teólogos têm explicado que quem tenha devoção ao Escapulário e o use efetivamente receberá de Maria Santíssima a graça da perseverança final ou a graça da contrição.

O privilégio Sabatino

A fidelidade dos carmelitas ao milagroso dom foi tão grande e agradou tanto a Nossa Senhora que uma segunda promessa veio dar novo grau de importância à devoção do Escapulário. Numa aparição ao Papa João XXII, referindose aos que trouxerem o Escapulário até a morte, a Santíssima Virgem diz: “Eu, Mãe de bondade, descerei no primeiro sábado após a sua morte e quantos achar no Purgatório livrarei e levarei ao monte santo da vida eterna”. O próprio Pontífice confirmou esta indulgência plenária na célebre Bula Sabatina, de 3 de Março de 1322, corroborada posteriormente por vários Papas como Alexandre V, Clemente VII, Paulo III, São Pio V e São Pio X. Em 1950 o Papa Pio XII escreveu sobre o Escapulário, exprimindo o seu desejo de “que seja o símbolo de consagração ao Imaculado Coração de Maria, do qual estamos muito necessitados nestes tempos tão perigosos”. O saudoso Papa João Paulo II também o recomendou insistentemente. Os sinais da eficácia dessa devoção ficaram, por assim dizer, escritos nas páginas da História. A partir da misericordiosa intervenção da Mãe de Deus, a ordem carmelitana refloresceu e conheceu novos períodos de glória, difundindo por todo o orbe católico o perfume de uma terna devoção à Santíssima Virgem. Nesta Ordem, surgiram três sóis da espiritualidade, para não citar senão eles, que hão-de reluzir para sempre no firmamento da Igreja: Santa Teresa, a Grande, São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus. De início, o Escapulário era de uso exclusivo dos religiosos carmelitas. Mais tarde, a Igreja, querendo estender os privilégios e benefícios espirituais a ele ligados a todos os católicos, simplificou o seu tamanho e autorizou que a sua recepção estivesse ao alcance de todos Exemplos de conversão e milagres O Escapulário não é somente o sinal da certeza da indulgência no instante do último suspiro. É um sacramental que atrai as bênçãos divinas para quem o usa com piedade e devoção. Inúmeros milagres e conversões marcaram seu uso entre os fiéis. As Crônicas do Carmelo transbordam de exemplos. Vejamos apenas alguns: 1. No mesmo dia em que recebeu da Mãe de Deus o Escapulário, São Simão Stock foi chamado a assistir um moribundo que estava desesperado.

Quando chegou, pôs sobre o pobre homem a libré marial, implorando à sua Senhora que mantivesse a promessa que lhe acabara de fazer. Imediatamente o impenitente arrependeu-se, confessou-se e morreu na graça de Deus. 2. Santo Afonso de Ligório morreu em 1787 com o Escapulário do Carmo. Quando transcorria o processo de beatificação do santo bispo, ao abrirse seu túmulo, constatou-se que o corpo estava reduzido a cinzas, assim como seu hábito. Apenas o seu Escapulário estava completamente intacto. Esta preciosa relíquia conserva-se no Mosteiro de Santo Afonso, em Roma. O mesmo fenômeno de conservação do Escapulário verificou-se quando se abriu o túmulo de São João Bosco, quase um século depois.

3. No Hospital de Belleview, de Nova York, foi internado um ancião. A enfermeira que o atendeu, vendo sob as suas vestes um Escapulário castanho-escuro, tratou logo de chamar um sacerdote. Enquanto este recitava a oração dos agonizantes, o doente abriu os olhos e disse: “Padre, eu não sou católico”. “Então, por que usas este Escapulário?” “Prometi a um amigo que o usaria sempre e que iria rezar todos os dias uma Ave-Maria.” “Mas estás à beira da morte, não queres tornar-te um católico?” “Sim, Padre, quero. Desejei-o toda a minha vida.” O sacerdote preparou-o rapidamente, batizou-o e ministrou-lhe os últimos sacramentos. Pouco tempo depois, o pobre senhor morria docemente. A Santíssima Virgem havia tomado sob a Sua proteção aquela pobre alma que se revestira do seu manto. De Portugal para o Brasil A Ordem de Nossa Senhora do Carmo instalou-se em Portugal quando o perfil da nação ainda era esculpido à espada por santos e heróis. O seu maior protetor foi o próprio bem-aventurado Nuno Álvares Pereira, chamado Nuno de Santa Maria, porque o terno amor a Maria Santíssima foi o mais alcandorado e sublime ideal da sua vida. Desde jovem, Nuno dedicara-se inteiramente a Ela e tudo o que fazia era em nome e honra da Mãe de Deus. Depois de armado cavaleiro, gravou na sua espada o nome de Maria e no seu estandarte a sua imagem. Nas grandes batalhas, sempre depositava nEla a esperança da vitória. Como agradecimento pelos enormes favores recebidos, mandou construir igrejas e conventos, como o Mosteiro da Batalha e a Igreja e o Convento do Carmo em Lisboa, onde, aos 72 anos, deixando o pomposo título de condestável, ingressou como irmão leigo, juntamente com outros companheiros de armas. O bem-aventurado Nuno Álvares Pereira nunca retirou o Escapulário. Estes monges carmelitas, vieram depois para o Brasil empenhando-se a fundo na evangelização. O Escapulário em Fátima No ápice dos fenômenos ocorridos em Fátima, quando Nossa Senhora demonstrou a 70 mil pessoas reunidas na Cova da Iria a veracidade das revelações realizando o famoso milagre do sol, um outro fenômeno, este bem menos conhecido, carregava ainda mais de significado a mensagem transmitida aos três pastorinhos. Enquanto todos viam o sol bailar no céu e como que precipitar-se sobre a multidão atônita, os pequenos videntes viam a Mãe de Deus revestida do hábito da Ordem do Carmo, com o Menino Jesus no colo apresentando o Escapulário. Sem querer esgotar a interpretação do fato, pode-se dizer que Nossa Senhora quis mostrar uma síntese do seu papel de medianeira na história da salvação dos homens, ligando o Escapulário à vontade de Deus de implantar no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria, como meio mais eficaz para a conversão dos pecadores. Este sinal tão inequívoco, porém, não tem sido notado pela grande maioria dos devotos de Fátima, que deixam muitas vezes de lançar mão deste privilegiado meio de receber abundantes graças e de obter a conversão de muitos pecadores. Sem dúvida, Nossa Senhora quis nos deixar claro que o remédio para a profunda descristianização da sociedade que estamos presenciando é e será sempre o mesmo, ou seja, uma terna devoção à Mãe de Deus, que é o meio mais fácil e garantido de chegar a Jesus Cristo único Salvador. Para aqueles que desejam realmente ter a Maria Santíssima no seu coração e, ao mesmo tempo, cobrir-se do “Vestido de Graça” que Ela lhe oferece, o Escapulário é um meio eficaz. A estes fica reservada a alegre certeza de que, ao fechar os olhos para esta vida e ao abri-los para a eternidade, encontrarão o sorriso de uma Mãe terníssima que não abandonará aqueles que a serviram com alegria neste vale de lágrimas. • Questões práticas sobre o Escapulário

1 – Goza dos privilégios aquele que se torna membro da família carmelitana recebendo o Escapulário, que deve ser necessariamente imposto pelo sacerdote, segundo o ritual previsto. Em caso de perigo de morte, sendo impossível buscar um sacerdote, até mesmo o leigo o pode impor, recitando uma oração a Nossa Senhora e utilizando um Escapulário já bento.

2 – Ordinariamente, qualquer sacerdote ou diácono pode efetuar a imposição do Escapulário. Para isso, deve utilizar uma das fórmulas para a bênção, prevista no Ritual romano.

3 – O Escapulário deve ser usado de maneira moralmente contínua (mesmo durante a noite); permitindo-se em caso de necessidade, como para lavar- • 23• O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo se, retirá-lo, sem perder o benefício da promessa.

4 – O Escapulário é bento apenas uma vez, na imposição, para toda a vida. A bênção do primeiro Escapulário é transmitida aos demais. 5 – Existe também a medalha escapulária. O Papa São Pio X concedeu a faculdade de substituir o Escapulário de tecido por uma medalha, que deve ter numa das faces o Sagrado Coração de Jesus e, na outra, qualquer imagem de Nossa Senhora. Pode-se usá-la ininterruptamente (ao pescoço ou de outro modo) e gozar dos mesmos benefícios.

5 – Contudo, a   Existe também a medalha escapulária. O Papa São Pio X concedeu a faculdade de substituir o Escapulário de tecido por uma medalha, que deve ter numa das faces o Sagrado Coração de Jesus e, na outra, qualquer imagem de Nossa Senhora. Pode-se usá-la ininterruptamente (ao pescoço ou de outro modo) e gozar dos mesmos benefícios.

Condições para beneficiar-se das promessas

1 – Para beneficiar-se da promessa principal, a preservação do Inferno, não existe qualquer outra condição que o próprio uso do Escapulário, desde que se tenha recebido com reta intenção e que a pessoa o traga efetivamente na hora da morte. Considera-se, para este efeito, que a pessoa continuou a portá-lo se for privada dele sem o consentir, como no caso dos doentes nos hospitais. 2 – Para beneficiar-se do “privilégio sabatino” (ser livre do Purgatório no sábado seguinte à morte), faz-se necessário preencher três requisitos.

a) Portar habitualmente o Escapulário (ou a medalha). b) Conservar a castidade, consoante ao próprio estado (total, para os celibatários; e conjugal para os casados). Note-se que esta é uma obrigação de todo e qualquer cristão, mas só gozarão deste privilégio aqueles que viverem habitualmente em tal estado. c) Recitar cotidianamente o pequeno Ofício de Nossa Senhora. Esta condição, porém, o sacerdote, ao fazer a imposição, pode mudá-la, para facilitar ao leigo o seu cumprimento. Costumase substituí-la pela recitação diária do terço. As pessoas não devem recear pedir ao sacerdote esta mudança. 3 – Aqueles que recebem o Escapulário e depois o deixam de portar não cometem qualquer pecado. Apenas deixam de receber os benefícios. Aquele que voltar a portá-lo, mesmo que o tenha deixado por um longo tempo, não necessita de nova imposição do sacerdote e voltará a receber os privilégios.

Indulgências ligadas ao Escapulário

a) É concedida indulgência parcial àquele que, portando piedosamente o Escapulário, ou a medalha, faça um ato de união com a Santíssima Virgem ou com Deus através do Escapulário, por exemplo, beijando-o, formulando uma intenção ou um pedido. b) É concedida uma indulgência plenária (remissão de todas as penas do purgatório) no dia em que se recebe pela primeira vez o Escapulário, e também nas festas de Nossa Senhora do Carmo, 16 de Julho; de Santo Elias, 20 de Julho; de Santa Teresa do Menino Jesus, 1o de Outubro; de todos os Santos da Ordem do Carmelo, 14 de Novembro; de Santa Teresa de Jesus, 15 de Outubro; de São João da Cruz, 14 de Dezembro, e de São Simão Stock, 16 de Maio. É bom notar que as indulgências são recebidas se preenchidas as condições: Confissão, comunhão, ausência de afeto a todo pecado, mesmo os veniais, e uma oração pelas intenções do Santo Padre (considera-se suficiente rezar um “Pai-Nosso”, uma “AveMaria” e o “Glória”).

Nota importante

Não é preciso dizer que aqueles que se permitem deliberadamente viver uma vida de pecado, julgando que por usarem o Escapulário irão salvar-se, fazem muito mal. Deus poderá permitir que morram sem ele. Porém, não devemos combater o uso do Escapulário pelos pecadores. São Cláudio La Colombière, jesuíta, em um sermão que pregou na Igreja dos Carmelitas de Lyon sobre a Virgem do Carmo, diz: “Não vos quero lisonjear: de nenhum modo se pode passar de uma vida pecadora e desordenada para a vida eterna, senão pelo caminho da sincera penitência; porém, esse sincero arrependimento, de tal modo a mais carinhosa das mães o saberá facilitar que, quando menos pensardes, fará brilhar nas vossas almas um raio de luz sobrenatural que num instante vos fará ver o engano”. “

“BENÇA, PAI!… BENÇA, MÃE!”

Caro leitor,

Será que alguma vez em sua vida você pediu a bênção a seus pais?
Caso afirmativo, quando você cresceu, continuou fazendo isto?

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Perdoe-me a insistência, mas quando você casou, teve filhos que lhe deram netos, passou para eles esse bom hábito?

Será que já teve oportunidade de receber a bênção de São Brás, “para os males da garganta e do corpo inteiro”, que ocorre no dia 3 de fevereiro, de cada ano?

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E a bênção dos enfermos?

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E para encerrar a minha curiosidade, você já participou e recebeu a Bênção do Santíssimo Sacramento, que de longe suplanta qualquer outra, porque aí é o próprio Homem-Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, que diretamente nos abençoa espargindo sobre nós, quais raios do sol, os seus divinos dons e virtudes, durante uma cerimônia belíssima, em meio a cânticos inefáveis e ao “fumus” aromático do incenso que sobe ao trono do Altíssimo, juntamente com nossas preces e louvores?

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Certamente, você já pediu uma bênção a um sacerdote para você ou para um filho seu, ou para alguém que estivesse necessitado da ajuda de Deus, ou então para abençoar objetos, automóveis, ou outros objetos, água etc. Ou, talvez, para abençoar a sua casa ou seu estabelecimento comercial.

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Mas voltando à chamada bênção parental – que nos é concedida por nossos pais ou um parente-, é verdade que muitos de nós não fomos acostumados a esse hábito tão belo, salutar e eficaz.

E nem sabemos mesmo qual seu significado, origem ou importância.
Antigamente, famílias das mais variadas classes sociais, tinham esse hábito, que passava de geração a geração.

Mas, atualmente, muitos filhos não rogam aos seus pais a bênção. Não é porque não queiram, mas simplesmente porque não lhes foi passada essa tradição.

Na verdade, a bênção é de origem divina! Dirigir-se aos pais pedindo a Bênção é algo muito edificante, eficaz e agradável a Deus, especialmente em ocasiões como: antes de dormir, quando saímos ou voltamos para casa, quando vamos realizar uma viagem, um concurso, quando estamos aflitos, ou doentes, ou em outras situações de nossa vida.

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Detalhe curioso: é muito comum associar-se este costume ao “beija-mão” do pai, da mãe, de um tio ou uma tia, um padrinho ou madrinha, ou de outra pessoa digna ou merecedora de apreço e respeito especiais. Um costume completa o outro.

Na verdade, segundo os estudiosos, foi um costume que surgiu na Cristandade medieval, e ocorria durante uma cerimônia, na qual os súditos beijavam a mão do Rei ou da Rainha e aproveitavam para fazer-lhes um pedido ou simplesmente para poder estarem próximos do seu governante e tocar as suas mãos. Com o passar do tempo, tão bonita tradição foi caindo em desuso, salvo em Portugal ou algum outro País. E quando D. João VI veio para o Brasil, com a família real e muitos fidalgos, instituiu de modo orgânico o costume e o manteve de forma ininterrupta durante todo seu Reinado.

Essa forma de cumprimento ocorria uma vez por semana, tinha início às 20h, prolongando-se, por vezes, até altas horas noite, o que não era problema para o Monarca que, segundo os historiadores, tinha o costume de deitar-se muito tarde.

Cerca de 150 pessoas, em média , acorriam de rincões muito distantes, para participarem do beija-mão com o Monarca a quem consideravam um pai.

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E esta era de fato a relação que havia entre os governados de então e seu Governante. Que bonito e quão diferente dos tempos atuais! E foi assim que tal costume se estendeu para os demais estamentos da sociedade, com as naturais e orgânicas adequações.

É oportuno salientar que D. Pedro I e D. Pedro II mantiveram tão belo costume.

Como se vê, era um costume muito salutar e espontâneo, que contribuía para que a vida social e até mesmo política fosse pautada em um ambiente de muito respeito, mas aprazível e de muita benquerença, não sendo nenhum motivo de demérito para quem o praticava.

Pena que os tempos atuais tenham deixado de lado essa tradição, principalmente em nosso Brasil, onde o trato social vai se tornando cada vez mais vulgar e desrespeitoso, não se observando as regras mais elementares de urbanidade e de respeito a quem detém uma autoridade legítima, como o é, por exemplo, a dos pais e a dos professores. Felizmente que isto não é generalizado, uma vez que em alguns ambientes, ainda que raros, se preservam e até mesmo se requintam princípios e costumes que tais.

Mas voltando ao tema específico deste post, em nossa família temos um exemplo muito bonito disto no costume do nosso genro Rodrigo que sempre saúda ou se despede de seus queridos pais com o pedido de bênção, ainda na forma interiorana, impregnada de especial sabor, como se encontra escrita no título deste post: – “ a bença pai,… a bença mãe!”. Sempre achamos isto muito bonito , autêntico e edificante!

Meu cunhado José Cláudio, uma certa feita, me contou, com o seu espírito de humor insuperável, que presenciara várias vezes o laborioso Zeca, casado com Arlinda, que era filha de Josefa e “Cândio”, casal de caseiros que tomavam conta da” Chácara Santa Rita”, de propriedade de seus avós , situada em Dias D’Ávila, dizer a seu filho mais velho, quando avistava seu padrinho, meu pranteado cunhado Paulo:

– “ Ô Reinan, toma a bença de seu padim, menino!”
Ao que Reinan, um tanto escabriado atendia dizendo:
– “ A bença, meu padim!”
E Paulo, estendendo-lhe a mão, respondia:
“Deus lhe abençoe, meu filho”.
Cena simples, pitoresca e bonita!

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Na verdade, Deus ao criar o universo, de modo especial a Terra, impregnou-o de tantas bênçãos que nada mais são do que seus dons multiformes, benfazejos e belos. Toda a natureza canta sua glória, majestade, poder e bondade!

Sim, estimados irmãos e irmãs, a bênção vem de Deus é Dom do Espírito Santo, alegremo-nos e exultemos!

Quando um pai ou uma mãe abençoa um filho, assim o fazem em nome de Deus que lhes deu o mandato de educar e evangelizar a sua prole, como se vê pelos trechos abaixo da Escritura Sagrada:

“ Na terceira noite receberás a bênção que lhe dará filhos cheios de saúde.
Passada esta terceira noite, aproximar-te-ás da jovem no temor ao Senhor, mas com desejos de ter filhos do que o ímpeto da paixão. Obterás assim para os teus filhos a bênção prometida à raça de Abraão.” (Tobias, 6 , 21e 22)

E o Livro do Eclesiástico nos exorta a ter muito apreço pela bênção dos nossos pais, como se vê abaixo:

“ Honra teu pai por teus atos, tuas palavras , tua paciência,
A fim de que ele te dê a sua bênção, e que esta permaneça em ti até o teu último dia.
A bênção paterna fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe arrasa até os alicerces.”

É célebre a bênção da primogenitura concedida por Isaac a Jacó.( Gênesis,27,27)

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Vejam, meus irmãos, como isto é tudo é muito sério! (Eclo,3, 9,10,11) Alegremo-nos, pois, quando ouvimos de pessoas que nos querem bem estas palavras: “Deus o acompanhe meu filho! Deus o abençoe!”

Recentemente, pedi a um sacerdote amigo e muito virtuoso, uma bênção especial para uma determinada necessidade. E ele acedeu e abençoou-me com uma unção e seriedade tais, que eu senti uma alegria e uma paz interior muito grande. Aliás, é bom que se diga que o efeito da bênção está muito relacionado, também, à fé e abertura de coração com que a recebemos.

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Vejam que explicitação belíssima o novo Catecismo da Igreja Católica faz sobre a bênção:
“Toda bênção é louvor de Deus e pedido para obter seus dons. Em Cristo, os cristãos são abençoados por Deus, o Pai “de toda sorte de bênçãos espirituais” (Ef. 1,3).

E por isso, a Igreja dá a bênção invocando o nome de Jesus e fazendo habitualmente o sinal Sagrado da Cruz de Cristo.

Lamentavelmente, não é um costume em nosso País a chamada bênção da mesa, ou seja quando vamos fazer algum tipo de refeição.

Particularmente, considero este um dos momentos mais importantes, eu diria mesmo, sagrado de nossa existência, e não deveríamos negligenciar o pedido de uma bênção divina sobre ele.

Deixo-lhes até uma fórmula simples e bela que usamos em nossa casa, antes de uma refeição:

“Abençoai-nos Senhor e a este alimento que Vossa liberalidade nos concedeu. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!”
Nossa Senhora da Divina Providência, rogai por nós!”

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E assim o fazendo, agradecemos a Deus pelo alimento que está sobre nossa mesa, fruto do nosso trabalho, por Ele abençoado.

Pois, ainda segundo o Catecismo:

“Rezai como se tudo dependesse de Deus e trabalhai como se tudo dependesse de vós”.

“Tendo realizado nosso trabalho, o alimento fica sendo um dom de nosso Pai; convém pedi-lo e disso render-lhe graças. É esse o sentido da bênção da mesa numa família cristã”.

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Caríssimos, mas o que é mesmo abençoar?

“Abençoar é uma ação divina que dá a vida e da qual o Pai é a fonte”.

E o mesmo Catecismo vai explicitar algo de suma importância, que eu não sabia e acredito que bem poucas pessoas o sabem, ou seja, a bênção tem dois movimentos, a saber:

“Duas formas fundamentais exprimem esse movimento da bênção: ora ela sobe, levada no Espírito Santo por Cristo ao Pai (nós o bendizemos por nos ter abençoado); ora ela implora a graça do Espírito, que, por Cristo, desce de junto do Pai (é ele que nos abençoa).”

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Em outras palavras, Deus nos abençoa, fazendo descer até nós seus dons e consolações e nós o bendizemos, com atos de louvor, agradecimento e ação de graças! Como isto é bonito e dá um sentido elevado ao nosso existir! Sim, meus irmãos, podemos sacralizar a nossa vida e com isto torná-la mais fácil de ser vivida, mesmo com os sofrimentos, dificuldades e provações, a ela inerentes, e ao mesmo tempo louvar incessantemente ao nosso Bom Deus!

E para conseguirmos este intento, não esqueçamos de rogar a todo instante a intercessão de todos os Santos, máxime de Nossa Senhora e de São José, e também dos anjos do Céu e das almas do Purgatório.

“Ó que saudades da minha infância querida” e pervadida dos mimos, da ternura e cuidados de meus pais, e como era bom e reconfortante quando pedia-lhes: – “bença, Pai, bença, mãe!” E eles respondiam: – “Deus o abençoe, minha filha!”

Que sensação boa, aconchegante e que incutia no mais íntimo da minha alma, uma paz e uma segurança sem par!

Era como se o próprio Deus derramasse sobre mim abundantemente seus dons e moções interiores!

Sim, lembranças boas e suaves que nunca são esquecidas!

Lembro-me, ainda, das historinhas que minha inesquecível mãe Neuza contava para que seus filhos, eu e meus queridos irmãos Alfredo e Rúbia, dormíssemos sonhando com fadas e anjos.

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Eu os amava muito e sentia-me amada e querida por eles. E isto era uma bênção cujos efeitos se fazem sentir até hoje.

Por aí nós vemos a importância da família bem constituída, do pai e da mãe na vida de uma criança. E porque a Igreja Católica encara o casamento como algo muito sério, muito mais do que um simples contrato, mas como uma aliança santa e indissolúvel, entre um homem e uma mulher que juram fidelidade e amor recíprocos, até que a morte os separe. Daí porque sua celebração, por mais simples que seja, é revestida de ritos e cerimônias que encerram significados muito sérios e profundos.

Apenas à guisa de exemplo, a bênção das alianças pede os dons de Deus para que os nubentes cumpram os seus votos, proferidos ante o sacerdote celebrante e os convidados que os testemunham.

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A pesquisa que levei a efeito sobre a bênção foi muito gratificante, pois deparei-me com uma realidade tão grandiosa que, fosse eu resumir todo material pesquisado, este post não teria fim. No entanto, podemos um dia voltar ao tema e abordarmos outros aspectos, de momento não tratados.

Mas pergunto-lhes: gostaram de penetrar nesse mundo de maravilhas que são as bênçãos? Caso afirmativo, não percam nunca a oportunidade de receberem, no dia a dia de suas vidas, por meio de pessoas que lhes estão muito próximas, como sua mãe, seu pai, um tio ou uma tia uma bênção, e também de abençoar a quem possam fazê-lo, pois, tenham certeza, vão ganhar muito com isto!

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De modo especial, não percamos a oportunidade de receber bênçãos abundantes que nos são concedidas em cerimônias litúrgicas, sobretudos nas Missas, e também nas práticas devocionais.

Ademais, devemos fazer uso de objetos e até mesmo de vegetais e minerais bentos, a exemplo de medalhas, escapulários, sal e a muito conhecida água benta, que a Igreja Católica denomina sacramentais, ou seja, são sinais sensíveis que devidamente abençoados por um diácono ou um sacerdote, produzem efeitos espirituais e até físicos, altamente benéficos para quem os usa com fé e devoção, os quais não guardam nenhuma relação com amuletos.

A propósito, estamos na Trezena de Santo Antônio, e é muito salutar recebermos por meio do sacerdote a Bênção deste glorioso e milagroso Santo, a qual em determinado trecho assim diz:

“O Senhor Jesus Cristo esteja junto de nós,
Para nos defender,
Dentro de nós para nos conservar,
À frente de nós para nos guiar,
Atrás de nós para nos guardar,
Sobre nós para nos abençoar,
Ele que com o Pai e Espírito Santo, Vive e Reina por todo o sempre. Amém”

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E não esqueçamos de pedir o pão bento, que também é penhor de muitos favores de nosso querido Santo, que aqui na Bahia costuma-se colocar na farinheira, para que nunca nos falta o pão nosso de cada dia!

P.S. Recomendo a quem ainda não conhece, uma visita ao nosso post sobre Santo Antônio que publicamos neste blog, no ano passado.

Fontes de pesquisa: A Bíblia Sagrada, da “Ave Maria” ; Catecismo da Igreja Católica, Editora Loyola; https://formacao.cancaonova.com

A

AS LÁGRIMAS DE MARIA!

As lágrimas podem ser manifestações de alegria, emoção, dor, tristeza ou angústia. Podem ainda ser algo mais alto: um dom do Espírito Santo!

O fato é que elas estão presentes no quotidiano de nossa existência, exprimindo os variados estados de espírito, acima mencionados, de forma isolada ou até dois ou mais destes estados ,  concomitantemente.

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Quem nesse mundo não chorou alguma vez? Acredito que é  impossível alguém nunca ter chorado na vida até porque já nascemos chorando, não é mesmo?

E no transcurso de nossa existência, por vezes choramos seja de   emoção e felicidade como o fazemos, por exemplo, pelo nascimento ou formatura de um filho, dois momentos bem distintos, mas ambos de muita alegria e  de agradecimento a Deus.

Outras vezes, as lágrimas brotam de nossos olhos e de nosso coração ante a perda de um ente querido como também à face de um sofrimento de ordem moral causado por situações que atentam contra a pulcritude da pureza e da inocência, ou que atingem injustamente a nossa honra, ou a confiança que depositávamos em alguém!

 E os exemplos poderiam se multiplicar quase que infinitamente,  pois não faltam momentos na vida de cada um de nós que não suscitem lágrimas, não é verdade?

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A História Universal e de modo especial a Sagrada estão repletas de exemplos de prantos e lágrimas candentes e emblemáticos!

Vem à minha mente a passagem do Evangelho que narra o episódio de São Pedro que depois de ter negado três vezes o seu Divino Mestre Jesus, o Filho de Deus, entrou numa amargura sem fim, numa tristeza que lhe corroeu os ossos. E Nosso Senhor Jesus Cristo que é a Misericórdia infinita,  “que ama um coração contrito e humilhado”, ( Salmo 50),  e “que descansa quando perdoa”, ( conforme o disse o Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque), fez Pedro derramar lágrimas abundantes de arrependimento que lhe marcaram a face com rugas pelo resto de sua vida.

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Aliás isto está retratado de forma eloquente e palpável na célebre Imagem de “São Pedro arrependido”, de artista baiano anônimo, a qual se encontra no Museu do Mosteiro de São Bento da Cidade de Salvador. Quem ainda não a viu, apresse-se em logo o fazer, pois vai ficar de queixo caído e cheio de encanto e admiração,  e de sentimentos de compunção!!

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Temos outros exemplos belíssimos, como é o caso das lágrimas de Santa Madalena, que fazia parte do grupo dos discípulos de Jesus. Seguiu-o até a Cruz e, no Jardim em que se encontrava o Sepulcro, foi a primeira testemunha da sua Ressurreição. O Evangelho de São João a descreve chorando porque não tinha encontrado o corpo do Senhor no Sepulcro: “Jesus teve misericórdia dela ao se deixar reconhecer como Mestre e transformar as suas lágrimas em alegria pascal”.

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Santo Anselmo as  definiu: “como lágrimas da humildade”. Pela angústia de Santa Madalena de não ter encontrado o corpo do Senhor.

No Sermão das Montanhas Jesus declarou:

“ Bem Aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt 5,4).

Que palavras tocantes e misteriosas!

Jesus também chorou quando olhou para a cidade de Jerusalém e profetizou a sua ruína. (cf. Lc 19,41).

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O choro é algo ínsito à natureza humana e ocorrerá sempre em alguns momentos de nossa vida, cedo ou tarde, festejando, comemorando ou passando por algum sofrimento.

São Pedro Damião dizia:

“A umidade das lágrimas purifica a alma de toda mancha e fecunda o chão de nosso coração para que produza os germes das virtudes”

Que coisa linda meus estimados irmãos e irmãs!

 No mês de abril, próximo passado, tomei conhecimento de alguns fatos extraordinários:  as lágrimas vertidas por várias Imagens do Imaculado Coração da Virgem de Fátima, Mãe de Deus e nossa, em alguns Países do Continente Americano, de modo especial na Guatemala e na Costa Rica, em Casas de oração e formação da Associação Católica Arautos do Evangelho, que propagam a devoção a Nossa Senhora no Mundo inteiro.

Como isso me causou grande emoção e também preocupação, procurei pesquisar e aprofundar minhas reflexões sobre o assunto a fim de comentar sobre as lacrimações   da Santíssima Virgem Maria.

E assim fiquei sabendo da ocorrência destes fenômenos místicos, ocorridos em vários países, entre os dias 21 e 26 de abril do andante ano, envolvendo Imagens do Imaculado Coração da Virgem de Fátima  e até de  São José, nas referidas Casas!

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  Por que será que nossa Mãe do Céu chorou?

Primeiramente, é importante frisar que já ocorreram várias lacrimações de Imagens de Nossa Senhora em diversos países  e em várias quadras históricas, como é o caso de uma Imagem de Nossa Senhora de Fátima, que chorou  em Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 1972, fato divulgado por Jornais de muitos Países, a exemplo da Folha de São Paulo que estampou a fotografia da Imagem lacrimejando.  (vide foto abaixo)

Contemplando as fotos dos últimos prantos de Nossa Senhora,  que nos foram enviadas por pessoas amigas parei para refletir e cheguei à seguinte conclusão:  Diante da avalanche de tantas notícias tristes e desoladoras neste mundo, realmente, Nossa Senhora tem que manifestar sua tristeza através de suas lágrimas.

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Também não se pode descartar a possibilidade de Nossa Senhora haver chorado para manifestar seu contentamento ante filhos e filhas que procuram atender aos seus apelos de oração e penitência, feitos em várias aparições suas, especialmente as ocorridas em Fátima, Portugal, no ano de 1917. Ou então para suscitar nestes filhos e filhas, desejos mais ardentes de reparação pelos pecados cometidos no mundo inteiro contra o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria!

Hoje, dia de Nossa Senhora Auxiliadora, cuja devoção remonta à vitória da armada cristã  na Batalha de Lepanto, em 1571, comandada por Dom João da Áustria   que, invocando o auxílio da Virgem, afastou o perigo maometano da Europa.

Em agradecimento, o Papa Pio V,  incluiu na Ladainha de Nossa Senhora o epíteto de AUXILIADORA DOS CRISTÃOS.

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Que Nossa Senhora Auxiliadora,  nossa Mãe,  conceda graças e bênçãos a todas as famílias do mundo inteiro!

 

 

NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO

0Quem neste mundo tão cheio de  crises, incertezas e perplexidades não precisa de um bom conselho? Com efeito,  a vida vai ficando cada vez  mais difícil de ser vivida, pois uma grande parte do povo  vive como se Deus não existisse! Sim, caríssimos irmãos e irmãs,  assistimos a um mundo no qual as pessoas estão voltadas  para si mesmas,  colocando como ideal supremo a satisfação de todos os tipos de prazeres, julgando, ademais que o dinheiro e o poder lhe trarão a felicidade. Vã ilusão, pois fomos criados por Deus  e só nEle realizaremos o nosso ser. E é por causa deste desatino que a humanidade  vai imergindo em crises de todas as ordens sem saber como sair delas.

Mas este Deus Misericordioso não desiste de nós! E continua em nosso encalço, qual bom pastor que não descansa enquanto não reconduz ao redil a ovelha perdida ou desgarrada. E se utiliza neste amoroso ofício de uma divina Pastora que  é Sua  Mãe.  Ela também é incansável e muito poderosa, valendo-se de muitos recursos para ajudar, cuidar, amparar, orientar, corrigir e conduzir ao Bom pastor as ovelhinhas que por Ele Lhe foram confiadas.

Assim é que, conhecendo bem as características próprias das suas ovelhas  espalhadas neste mundo afora, vai assumindo denominações e feições as mais variadas e encantadoras, a depender das localidades, necessidades e circunstâncias, cumprindo destarte, admiravelmente e sapiencialmente, a missão que Lhe foi confiada pelo Bom Pastor, Seu Divino Filho.

E, geralmente, Ela suscita as devoções , por meio de sinais e milagres extraordinários, que atraem a Si as almas, muitas vezes aflitas, descrentes e desanimadas que recobram a esperança, e passam a trilhar caminhos seguros,   reencontrando assim sua autoestima.

E a história da devoção de que tratamos hoje é marcada por milagres maravilhosos, alguns deles perenes, que poderão ser constatados por todos que vão a Genazzano, na Itália,  ou até mesmo por aqueles que possuem uma reprodução ou estampa  do santo e abençoado afresco.

Particularmente, em 1997, quando em viagem à Europa, tive a felicidade de conhecer Genazzano, na Itália, com  minha família, e rezar demoradamente diante do milagroso afresco, e isto foi uma experiência inesquecível.

Na oportunidade, adquirimos algumas estampas do sagrado ícone e uma delas se encontra emoldurada,  até hoje em nossa sala de jantar.

De mais a mais, é uma invocação apropriada para o nosso dia a dia, pois quem não precisa a todo momento tomar uma decisão acertada, diante de situações difíceis, bem como fazer uma opção que seja melhor para o seu bem próprio ou do de sua família, não é mesmo?

E como é bom termos ao nosso alcance uma Conselheira infaível e que só quer nosso bem, nada exigindo em troca, a não ser o nosso amor e nossa confiança!

Um grande devoto dEla costumava dizer que esta devoção nos proporciona certezas axiológicas, ou seja, aquelas que são relacionadas com o eixo de nossa existência, e portanto as mais importantes para nossa felicidade.

Leiamos, pois,  com atenção o relato abaixo, meditemos atentamente e deliciemo-nos com os fatos em torno de tão maternal devoção!

A MARAVILHOSA HISTÓRIA DA MÃE DO BOM CONSELHO

“Nas longínquas terras da Albânia, para além do Mar Adriático, encontra-se a pequenina cidade de Scútari. Edificada em uma colina escarpada e tendo a seus pés os rios Drina e Bojana, ela continha em seus domínios, já no século XIII, um precioso tesouro : a bela imagem de “Santa Maria de Scútari”. O Santuário que a abrigava se transformara no centro de peregrinação mais concorrido do país, e era para os albaneses um importante ponto de referência em matéria de graças e conforto espiritual.

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Trata-se de uma pintura sobre fina camada de reboco, medindo 31 cm de largura por 42,5 cm de altura. Esse sagrado afresco está envolto numa penumbra de mistério e milagre: ignora-se quando e por quem foi pintado.

Intimidade e união de alma

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Jorge Castriota, Scanderbeg. Estátua
que se encontra na “Piazza
Scanderbeg”, em Roma

Detenhamo-nos um pouco na contemplação desta maravilhosa pintura.

Ela representa a Santíssima Virgem com inefável afeto materno, amparando em seus braços o Menino Jesus, ambos encimados por um singelo arco-íris. As cores são suaves, e finos os traços dos admiráveis semblantes.

O Menino Jesus transmite a candura de uma criança e a sabedoria de quem analisa toda a obra da criação e é o Senhor do passado, do presente e do futuro. Com indizível carinho, o Divino Infante pressiona levemente sua face contra a de sua Mãe. Há entre eles uma atraente intimidade, e a união de almas bem se vê refletida na troca de olhares. Nossa Senhora, em altíssimo ato de adoração, parece estar procurando adivinhar o que se passa no interior do Filho. Ao mesmo tempo, Ela considera o fiel aflito ajoelhado a seus pés, e de algum modo o faz partícipe do celestial convívio que contemplamos neste quadro. Não será preciso dizer, basta o devoto necessitado acercar-se d’Ela para sentir operar-se em sua alma uma ação balsâmica.

Scanderbeg, varão Providencial

Em meados do século XIV, a Albânia passava por grandes aflições. Após ser disputada durante séculos pelos povos vizinhos, ela estava então sendo invadida pelo poderoso império turco.

Não dispondo de estrutura militar capaz de resistir ao poderoso adversário, o povo aflito rezava, confiando no auxílio dos céus. O efeito dessas orações não se fez esperar: nessa emergência, surgiu um varão de Deus, de nobre linhagem e devotíssimo de Nossa Senhora, decidido a lutar pela Padroeira e pela liberdade de seu país. Seu nome é Jorge Castriota, chamado em albanês de Scanderbeg.

À custa de imensos esforços bélicos, conseguiu ele manter a unidade e a Fé de seu povo. As crônicas da época exaltam as façanhas realizadas por ele e pelos valorosos albaneses que, estimulados por seu ardor, lutavam a seu lado.

Nos intervalos dos combates, eles ajoelhavam-se suplicantes aos pés de “Santa Maria de Scútari”, de onde saíam fortalecidos e obtinham portentosas e decisivas vitórias contra o inimigo da Fé. Aí já reluzia uma característica d’Aquela que futuramente seria conhecida em todo o mundo como a Mãe do Bom Conselho: fortalecer todos quantos, combatendo o bom combate, d’Ela se aproximam buscando alento e coragem.

Entretanto… após 23 anos de lutas, Scanderbeg é levado desta vida. A falta daquele piedoso líder era irreparável.

Todos pressentiam estar próxima a derrota. O povo encontrava-se na trágica alternativa de abandonar a pátria ou sujeitar-se à escravidão aos turcos.

                                               Envolta em luminosa nuvem

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Georgis e De Sclavis caminham sobre o
Mar Adriático, guiados pela própria
“Estrela do Mar”

Nessa perplexitante situação, a Virgem do afresco aparece em sonhos a dois dos valentes soldados de Scanderbeg, chamados Georgis e De Sclavis, ordenando-lhes que A seguissem em uma longa viagem. Ela lhes inspirava uma grande confiança, e estar ajoelhados a seus pés era para eles motivo de grande consolação.

Certa manhã, lá estando ambos em fervorosa oração, vêem o maior milagre de suas vidas.

O maravilhoso afresco se desprende da parede e, conduzido por anjos, envolto em alva e luminosa nuvem, suavemente vai se retirando do recinto. Bem podemos imaginar a reação dos bons homens! Atônitos, acompanham Nossa Senhora que avança pelos céus de Scútari. Quando se dão conta, estão às margens do Mar Adriático. Haviam percorrido trinta quilômetros sem sentir cansaço! Sempre envolta na alva nuvem, a milagrosa imagem avança mar adentro.

Perplexos, Georgis e De Sclavis não querem deixá-la por nada. Verificam, então, estupefatos e eufóricos, que sob seus pés as águas se transformam em sólidos diamantes, voltando ao estado líquido após sua passagem. Que milagre! Tal como São Pedr o sobre o lago de Genezaré, estes dois homens caminham sobre o Mar Adriático, guiados pela própria “Estrela do Mar”.

Sem saber dizer durante quanto tempo andaram, nem quantos quilômetros deixaram para trás, os bons devotos vêem novas praias. Estavam na Península Itálica! E por sinal… onde está a Santa Maria de Scútari? Olham para um lado… olham para outro. Escutam falar outro idioma, sentem um ambiente tão diferente da sua Albânia…

Mas já não vêem a Senhora da luminosa nuvem. Desaparecera… Que provação! Começam então, uma busca infatigável. Onde estará Ela?

Petruccia, uma mulher de Fé

Nessa mesma época, na pequena cidade de Genazzano, não longe de Roma, vivia uma piedosa viúva chamada Petruccia de Nocera, já octogenária.

Senhora de muita retidão e sólida vida interior, digna terciária da ordem agostiniana, sua herança lhe bastava apenas para viver modicamente.

Era Petruccia muito devota da Mãe do Bom Conselho, venerada numa velha igreja de Genazzano. Esta piedosa senhora recebeu do Espírito Santo a seguinte revelação: “Maria Santíssima, em sua imagem de Scútari, deseja sair da Albânia”. Muito surpresa com essa comunicação sobrenatural, Petruccia assombrou-se mais ainda ao receber da própria Santíssima Virgem expressa ordem de edificar o templo que deveria acolher o seu afresco, bem como a promessa de ser socorrida em tempo oportuno

Começou, então, Petruccia, a reconstrução da pequena igreja. Empregou todos os seus recursos… os quais acabaram quando as paredes tinham apenas um metro de altura. E ela tornou-se alvo das zombarias e sarcasmos dos céticos habitantes da pequena cidade, que chamavam -na de louca, visionária, imprudente e antiquada. Passou confiante por esta provação, tal como Noé, de quem todos mofavam enquanto ele construía a arca.

“Um milagre! Um milagre!”

Era o dia 25 de abril de 1467, festa de São Marcos, padroeiro de Genazzano.

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Beata Petruccia de Nocera

Às duas horas da tarde, Petruccia se dirige à igreja, passando pela movimentada feira na qual os vendedores ofereciam desde tecidos trazidos de Gênova e Veneza até um elixir da eterna juventude ou um “poderosíssimo” licor contra qualquer tipo de febre.

Em meio a este burburinho, o povo ouve uma melodia de rara beleza, vinda do céu. Faz-se silêncio e todos notam que aquela música provinha de uma nuvenzinha branca, tão luminosa que ofuscava os raios do próprio sol. Ela desce gradativamente e se dirige para a parede inacabada de uma capela lateral. A multidão acorre estupefata, enche o pequeno recinto e vê a nuvem desfazer-se.

Ali estava – suspenso no ar, sem nenhum suporte visível – o sagrado afresco, a Senhora do Bom Conselho! “Um milagre! Um milagre!” – gritam todos. Que alegria para Petruccia, quanto consolo para Georgis e De Sclavis quando lá puderam chegar!… Estava confirmado o superior desígnio da construção iniciada. Teve início, assim, em Genazzano um longo e ininterrupto desfilar de milagres e graças que Nossa Senhora ali dispensa.

O Papa Paulo II, tão logo soube do que havia sucedido, enviou dois prelados de confiança para averiguar o que se passara.

Estes constataram a veracidade do que se dizia e testemunharam, diariamente, inúmeras curas, conversões, e prodígios realizados pela Mãe do Bom Conselho. Nos primeiros 110 dias após a chegada de Nossa Senhora, registraram-se 161 milagres.

Conselho, correção, orientação: grandes favores

Entre seus grandes devotos destacam- se os papas São Pio V, Leão XIII – que incluiu a invocação Mãe do Bom Conselho na Ladainha Lauretana – São Pio X, Paulo VI e João Paulo II; e numerosos santos como São Paulo da Cruz, São João Bosco, Santo Afonso de Ligório, Beato Orione. No próprio Santuário de Genazzano, pode-se venerar o corpo incorrupto do Beato Steffano Bellesini, um de seus párocos, grande propagador da devoção à Mãe do Bom Conselho.

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O afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho
é trazida por anjos

Também os Arautos do Evangelho são seus devotos. Têm eles muito a agradecer-Lhe, por favores e graças mais importantes do que a cura de doenças corporais.

Os maiores milagres, Ela os opera na alma de cada um, aconselhando, corrigindo, orientando.

Quem puder venerar o milagroso quadro da Mãe do Bom Conselho em Genazzano, comprovará pessoalmente o rio de graças que emana daquela celestial fisionomia e compreenderá por que quem lá esteve uma vez, sonha em retornar um dia àquele sublime convívio.

O afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano

Na igreja da Madonna del Buon Consiglio, na pequena e bela cidade de Genazzano, encontra-se um afresco de mais de sete séculos de existência. Até hoje se desconhec e onde e por quem foi pintado. Terá sido seu autor um anjo? Será originário do Paraíso? São perguntas ousadas. Compreende-se que elas surjam, quando se conhece a história dos efeitos produzidos por essa piedosíssima imagem, ao longo dos tempos.

O afresco causa a impressão de ter sido pintado há poucos dias, mesmo se observado de perto. Porém, está há 535 anos junto à parede de uma capela lateral da igreja. Mais ainda: segundo atestam os documentos, tem-se mantido suspenso no ar durante todo esse tempo! Foi ele transladado de Scútari, Albânia, a Genazzano por ação angélica.

Assim descreve esses sobrenaturais acontecimentos um dos maiores entendidos na matéria:

“Trazida por mãos angélicas, encontrou-se (a imagem) suspensa ali na rústica parede da nova igreja, e com três novos singularíssimos prodígios então acontecidos. (…) A celeste pintura estava sustentada por virtude divina a um dedo da parece, suspensa sem nala fixar-se; e este é um milagre tanto mais estupendo se considerarmos que a referida imagem está pintada com cores vivas em fina camada de reboco, com a qual se destacou por si mesma da igreja de Scútari, na Albânia; como ainda pelo fato, comprovado mediante experiência e observações feitas, de que, ao tocar-se na Santa Imagem, esta cede” (Frei Angelo Maria De Orgio, Istoriche de Maria Santissima del Buon Consiglio, nela Chiesa de’Padri Agostoniani di Genazzano, 1748, Roma, p. 20)

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Beato Steffano Bellesini, venerado no
próprio Santuário de Genazzano

No séc. XIX, renomado estudioso desse celestial fenômeno observou:

“Todas essas maravilhas (da Santa Imagem) se resumem, enfim, no prodígio contínuo que consiste em encontrarmos hoje esta imagem no mesmo lugar e do mesmo modo como ela aí foi deixada pela nuvem no dia de sua aparição, na presença de todo um povo que teve então a felicidade de vê-la pela primeira vez. Ela pousou a uma pequena altura do chão, a uma distância de aproximadamente um dedo da parede nova e rústica da capela de São Brás, e ali ficou, suspensa sem nenhum suporte” (Raffaele Buonanno, Memorie Storiche della Immagine de Maria, SS. Del Buon Consiglio Che si venera in Genezzano, Tipografia dell’Immacolata, Napoles, 20 ed., 1880, p. 44).

Na festa do batismo de Santo Agostinho e de São Marcos, padroeiro de Genazzano, em 25 de abril de 1467, por volta das quatro horas da tarde, uma celestial melodia começa a se fazer ouvir pelos mais variados recantos da cidade. Um grande número de pessoas, reunidas na praça do mercado, se põem a indagar maravilhadas de onde vem os sublimes e arrebatadores acordes. Eis que uma divina surpresa se passa ante os olhos de todos: em meio a raios de luz, uma pequena nuvem branca desce até uma parede da já mencionada igreja, cujos sinos começam a bimbalhar fortemente e por si só. Prodígio ainda maior: em uníssono, a totalidade dos sinos da cidade tocam com energia.

Ao desfazerem-se lentamente os raios de luz e a nuvem, o belíssimo afresco que até hoje ali se encontra pôde ser contemplado pelo povo, e desde esse dia não cessou de derramar copiosas graças sensíveis, fazendo jus à preciosa invocação de Mãe do Bom Conselho.

A notícia de tão extraordinário acontecimento se espalhou por toda a Itália, como um corisco. Dois dias mais tarde, inicia-se uma verdadeira avalanche de milagres: um possesso se livra dos demônios, uma paralítico caminha com naturalidade, uma cega recupera as vistas, um jovem empregado recém-falecido ressuscita…. Nos cento e dez primeiros dias, Maria do Bom Conselho distribui cento e sessenta e um milagres aos seus fiéis devotos. Peregrinos de todo o país se movem para receber os benefícios da Mãe de Deus.

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Diante do santo afresco, uma constante se verifica: a nenhum dos pedidos que lhe são dirigidos deixa Ela de atender de alguma forma. Nas dúvidas, nas perplexidades ou mesmo nas provações, depois de um certo tempo de oração – maior ou menor, dependendo de cada caso – Maria Santíssima faz sentir no fundo da alma em dificuldade seu sapiencial e maternal conselho, acompanhado de mudanças de fisionomia e de coloração da pintura. É indescritível esse especialíssimo fenômeno.

Foi em Genazzano, aos pés do santo afresco da Mãe do Bom Conselho, que nasceram os Arautos do Evangelho. Ali, Ela os inspirou, orientou e fortaleceu. Por isso, a exemplo de tantos outros, os Arautos do Evangelho A consideram como sua padroeira. Ademais, por privilégio concedido pelo Santo Padre, João Paulo II, lucram no dia de sua festa, 26 de abril, uma indulgência plenária”. (Revista Arautos do Evangelho, Abril/2002, n. 4, p. 24-25 e Abril/2004, n. 28, p. 16 a 18)

E então caríssimos leitores e leitoras,  espero que esse artigo tão bem escrito e fundamentado possa incentivá-los e despertar-lhes a vontade de conhecer e recorrer sempre à Mãe do Bom Conselho.

Nossa Senhora do Bom Conselho, rogai por nós!

 

 

 

Consagração de Portugal a Nossa Senhora

 Queridos irmãos e irmãs, a história de Portugal é belíssima! Com efeito, é repleta de feitos e personagens heroicos e audaciosos, e para comprovar isto basta que citemos a figura legendária de D. Sebastião, rei aos 14 anos de idade, possuidor de um grande fervor religioso e militar, desaparecido misteriosamente na famosa Batalha de Alcácer-Quibir, porém jamais esquecido por nossos irmãos lusos; e  o Condestável Nuno Álvares Pereira, cantado em prosa e verso por Camões, o maior estrategista, comandante e gênio militar português de todos os tempos, cuja forma de comandar caracterizou-se pelo seu exemplo e suas virtudes, sua santidade. Foi elevado à honra dos altares pelo Papa Bento XVI, em 2009.

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D. Sebastião, Rei de Portugal

Terminou sua luminosa e santa vida como frade, mas sob o hábito sempre manteve a sua cota de malha de soldado!

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D. Nuno Álvares Pereira

 Eu  considero uma graça o Brasil ter sido descoberto e colonizado por Portugal.

 Não tive ainda a oportunidade de conhecer esse País maravilhoso, de paisagens e panoramas lindos, com costumes e tradições  muito próprias  e ricas,  que possui  uma cultura  que abrange os mais diversos ramos do conhecimento ,  a exemplo da literatura, da  arquitetura  e da engenharia, sem falar das suas valiosas obras de artes,  de encanto e beleza  extraordinários!

Mas, o mais belo mesmo, é alma do seu povo intrépido, corajoso e ao mesmo tempo bondoso e com um jeito de ser acolhedor,  e cheio da Fé Católica herdada de seus antepassados, que soube transmitir a todas as suas províncias, entre as quais o nosso amado Brasil. E nós adquirimos também costumes parecidos com os de nossos irmãos portugueses.

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 E é por tudo isto e muito mais, que Portugal é um país que sempre encanta a quem o  conhece, que logo se sente em casa, e nele quer  ficar , ou então quer visitá-lo outras vezes. Atualmente, é um dos países europeus preferidos por turistas do mundo inteiro e eu pretendo  conhecê-lo, com meu marido, o quanto antes.  Meu ‘medo’ é ir  e dele também não querer  voltar.

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Mas enquanto isto, vamos  estudando a história deste encantador  País para aproveitar mais a viagem.

Por coincidência, recebemos de um Sacerdote amigo nosso, Professor de História, muito viajado, que durante um período  de sua vida residiu em Salvador  e se interessou muito pela História da Bahia, um artigo sobre um valoroso personagem, chamado João IV,  cujo apelido  era João, o” Restaurador”  que, foi  Rei de Portugal e Algarves de 1640 até a sua morte.

Foi aclamado Rei de Portugal em 15 de dezembro de 1640, e tinha um vigor que muito contribuiu para a efetiva restauração da independência de Portugal.

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Aclamação de D. João IV como Rei de Portugal

E entre muitas coisas importantes que ele fez para o seu País e suas Províncias de então, destaca-se uma que teve uma influência muito salutar para o Brasil e de modo especial para a nossa querida Bahia.  Se querem saber o que foi, leiam o belo e substancioso artigo do nosso estimadíssimo Padre Cristóvão Colombo, este é o seu nome.

“REI DOM JOÃO IV CONSAGROU PORTUGAL À VIRGEM IMACULADA

Naquele ano do Senhor, de 1646, em Portugal, logo ao raiar do dia 25 de março, festividade litúrgica da Anunciação do Anjo à Nossa Senhora, os sinos do Santuário de Vila Viçosa, no Alentejo, repicaram com toda sua força e sonoridade, sendo acompanhados pelos outros numerosos sinos dos campanários dos conventos, igrejas e capelas de toda a região. Algo de imenso significado espiritual e histórico estava para ocorrer.

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Dom João IV – Restaurador da independência de Portugal em 1640

Nessa festividade a Igreja celebra a mensagem do Altíssimo transmitida pelo Arcanjo São Gabriel à Virgem, de que Ela fora a escolhida para ser a Mãe do Messias tão esperado por Israel. “Eis aqui a escrava do Senhor”, foi sua resposta, ao mesmo tempo magnífica e humilde.

Ao toque das trombetas e ao rufar dos tambores, teve início o cortejo. À frente vinha desfraldado o pendão do Reino, ostentando as cinco Cruzes e as cinco chagas de Cristo crucificado. Seguiam-se cavaleiros e soldados, abrindo caminho para os Prelados, religiosos, e membros da nobreza que conduziam Dom João IV ao Santuário. Ali, após a Santa Missa, o Reino de Portugal foi solenemente consagrado à Santíssima Virgem.

 Nessa consagração, entretanto, o Rei Dom João IV quis acrescentar também sua vigorosa devoção a outra prerrogativa de Maria Santíssima: sua Imaculada Conceição, pela qual foi ela concebida no seio de sua mãe Santana, isenta do pecado original. A partir desse dia, tendo a Coroa Real sido oferecida à Mãe de Deus, os monarcas portugueses deixaram de cingi-la.

Assim, as cerimônias de ascensão dos príncipes herdeiros ao trono não mais incluíam a sua Coroação, como era praxe nos demais reinos da Cristandade. Em Portugal a subida de um novo monarca ao trono era denominada Aclamação, e a Coroa permanecia ao lado do Trono, sobre uma almofada, pois de fato ela pertencia à Virgem.

 Em 1646 Dom João IV consagrou Portugal à Santíssima Virgem; em 1917 a própria Santíssima Virgem apareceu em Portugal a três pastorinhos, para através deles maternalmente chamar o mundo à conversão e ao Reino de Cristo.

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Santuário de Vila Viçosa – Quadro da Consagração, em azulejos

 Desde os primeiros séculos da cristandade numerosos Padres da Igreja expressaram sua crença na absoluta imunidade do pecado, mesmo o original, concedida à Virgem Maria, logo ao ser concebido no seio de sua mãe, Santana. Santo Efrém, exalta Maria “como tendo sido sempre, de corpo e de espírito, íntegra e imaculada”. E São Cirilo de Jerusalém, a comparam com Eva antes do pecado.

Não obstante, no decorrer do século XVII, a crença na Imaculada Conceição de Nossa Senhora, embora piedosamente celebrada entre os fiéis, foi objeto de certas discussões entre teólogos.

Por essa razão o Rei Dom João IV, como precaução, condicionava sua devoção e disposição de defender a doutrina da Imaculada Conceição de Maria ao ensinamento da Santa Igreja, Ou seja, se no futuro a Igreja viesse a definir um ensinamento diferente sobre essa crença, o monarca estaria pronto a aceitá-lo.

Ao longo dos séculos, entretanto, os pronunciamentos dos Papas foram se alinhando todos no reconhecimento da ortodoxia da crença na Imaculada Conceição.

Em 1447, por exemplo, o Papa Nicolau V aprovou a festividade da Conceição de Maria, com a celebração de Missa própria. A extensa série de pronunciamentos pontifícios nesse sentido culminou em 1854, quando em meio ao júbilo do mundo católico o Papa Pio IX proclamou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Santíssima Virgem.

Moedas e placas de bronze

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Em 1648 Dom João IV mandou cunhar e pôs em circulação moedas de ouro e de prata, tendo estampada no reverso a imagem da Santíssima Virgem, coroada de sete estrelas, sobre o globo e a meia-lua, tendo aos lados o sol, o espelho, a casa de ouro, a arca da aliança, fonte saúde dos enfermos. Esses símbolos e referem a títulos com que é honrada na Ladainha Lauretana. Sua imagem é também circundada pelo título latino Tutelaris Regni (Protetora do Reino).

Com tais moedas efetuou Dom João IV o pagamento de seu primeiro de tributo anual ao Santuário de Vila Viçosa.

Além disso, em 1654 decretou Dom João IV que “em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares de seus Reinos” fosse colocada uma afixada uma proclamação para os séculos futuros, cuja inscrição exprimisse a ardorosa fé do povo português na Imaculada Conceição.

Na Bahia: placa de bronze no Palácio

Em 1654, o Governador-Geral do Brasil, Dom Jerônimo de Ataíde cumpriu a determinação real, mandando fundir uma placa de bronze medindo cerca de 1,30 metros de largura por 0,70 metro de altura. O texto da proclamação redigida em latim, com várias palavras abreviadas, tem a seguinte tradução em português:

“Inscrição destinada à eternidade. A Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Dom João IV, Rei de Portugal, juntamente com as Cortes dos Estados do Reino, em ato público obrigou-se por voto solene a si e aos seus reinos tributários a um tributo anual, e prometeu um juramento perpétuo que ele havia de defender a Mãe de Deus, concebida sem pecado original e tomada por padroeira e Protetora do seu Reino. E para perpetuar essa piedade de Portugal, mandou esculpir esse preito e juramento em lâmina de bronze, para memória perene no ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1646, 6ª de seu Império”.

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Desse modo, ao longo dos anos e dos séculos, a cada festividade de Anunciação de Nossa Senhora, a 25 de março, os sinos do Santuário português de Vila Viçosa continuam a repicar, evocando também para muitos fiéis aquela consagração feita à Virgem pelo heroico e piedoso monarca Dom João IV.

A esse repicar se juntam os numerosos sinos de igrejas e santuários espalhados por todo o mundo, devotados de modo especial ao culto da Imaculada Conceição. Neste sentido, destacam-se sobretudo as celebrações na Basílica de Lourdes, na França, à qual acorrem peregrinos de todo o mundo, em número que supera a oito milhões anualmente. Essa Basílica encontra-se edificada sobre a gruta na qual Virgem apareceu em 1858, quando disse de si própria, à vidente Santa Bernadete: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

     No Brasil, um singelo oratório onde inicialmente foi venerada da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, retirada em 1717 das águas do Rio Parnaíba, deu origem ao Santuário da Padroeira e Rainha do Brasil, verdadeira fonte de graças com que a Imaculada Conceição protege e acolhe multidões de peregrinos.

O Brasil de Nossa da Conceição Aparecida

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Em conferência proferida em São Paulo, na festividade da Padroeira do Brasil, em 12 de outubro de 1972, assim se expressou profeticamente o Dr. Plinio Corrêa de Oliveira:

“Pode-se dizer que o Brasil é um feudo de Nossa Senhora enquanto concebida sem pecado original, quer dizer, enquanto Imaculada Conceição, aparecida no Rio Paraíba. A invocação Aparecida é secundária. Ou seja, ela se desprende naturalmente à maneira de ramo saído do tronco. O conceito principal é o de Imaculada Conceição.

O fato dessa imagem ter sido encontrada no século XVIII é de grande significado para o Brasil. Naquela época, embora francamente admitido pela maioria dos católicos, o dogma da Imaculada Conceição ainda não estava definido. E professar então fé nesse augusto privilégio de Nossa Senhora, constituía distintivo de requintada ortodoxia.

Ora, exatamente a partir do aparecimento dessa imagem, um século inteiro antes da definição dogmática, foi o Brasil colocado sobre o patrocínio da Imaculada Conceição. Isto indica um chamado especial da Mãe de Deus para nossa Pátria e é motivo de intenso júbilo para todos os brasileiros devotos da Santíssima Virgem”.”.

Pesquisa e redação de Pe. Colombo Nunes Pires EP

Obras consultadas

  1. “Efemérides da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Praia”, de Mons. Manoel de Aquino Barbosa, Salvador, 1970.
  2. “Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado”, João S. Clá Dias, Artpress, São Paulo, 1997.
  3. http://portugalglorioso.blogspot.com/2014/12/imaculada-conceicao-padroeira-e-rainha.html

 

As XIV Estações da Via-Sacra

Caríssimos irmãos e irmãs, no período da Quaresma do ano passado publicamos um “post” sobre a Via-Sacra, também conhecida como Via Crucis, Via dolorosa, Caminho da Cruz, entre outras denominações. E foi muito boa a aceitação de nossos leitores.

Ocorre que no referido “post” tecemos algumas considerações e impressões, algumas de ordem pessoal sobre o tema, limitando-nos a reproduzir alguns trechos de apenas duas estações ( etapas ou episódios  do Caminho da Paixão e Morte de Jesus).

E tal apetência dos leitores por tão sublime assunto,  vem aumentando, dia após dia, e isto animou-me a presenteá-los com a reprodução da  Via-Sacra mais bela que já li e meditei em toda minha vida, completa, com as 14 estações percorridas por    Nosso Senhor Jesus Cristo , em seu Caminho Doloroso, que culminou   com sua Crucifixão e Morte, tudo isso para vencer a morte e o pecado, e  redimir a humanidade.

Sei que deve haver diversas outras Vias-Sacras muito bonitas, mas, em minha modesta opinião, eu considero esta perfeita,  impregnada de muita unção, amor e compaixão pelos indizíveis sofrimentos de Jesus, a par de apropriada aplicação à pessoa ou grupo que a exercita e medita, cujos frutos são sentimentos de   contrição e desejo de emenda de vida.

É de autoria do insigne líder católico Professor Plinio Correa de Oliveira que legou-nos um manancial de magníficos ensinamentos, um luminoso exemplo de vida e uma Obra que se expande, qual abençoada mancha de azeite, por muitíssimos países de todos os continentes!

Permitam-me apenas aduzir que:

 A Via-Sacra começou a ser exercitada desde os primórdios do Cristianismo, e segundo a Bem Aventurada vidente alemã Ana Catarina Emmerich , religiosa agostiniana do século XVIII, quem primeiro a praticou, antes mesmo de se completar a Paixão de Jesus, foi sua Mãe Santíssima que juntamente com São João Evangelista e Santa Maria Madalena, percorria os principais locais do Caminho doloroso de Jesus, venerando-os, fazendo preces e meditações, e tudo oferecendo a Deus Pai em reparação dos pecados de todos os homens.

A partir da Idade Média, mercê dos Cruzados que peregrinavam nos locais, ambientes , templos e monumentos relacionados à Vida, Paixão e Morte de Jesus, em Jerusalém e outras cidades do Oriente, quando retornaram para seus países de origem, procuraram neles de algum modo reproduzir tudo aquilo que visitaram e de que se impregnaram.

No ano de 1563, o frade carmelita Jan Van Pascha escreveu um livrinho que dava remate a uma importante etapa  da  evolução do Santo Exercício do Caminho de Jesus, in- titulado ” A peregrinação espiritual”,  em 15 estações.

Em 1584, outro autor de prenome Adrichomius, utilizando-se da obra de Frei Pascha, dava à” Via Crucis” a forma que hoje tem.

No entanto foram os franciscanos que mais  divulgaram  a devoção da  VIA SACRA, de modo especial através de São Leonardo de Porto Maurício ( só ele erigiu cerca de 572 Vias Sacras). Foram eles também que obtiveram dos Papas, os privilégios e indulgências para quem as exercita piedosamente e cumpre os requisitos canônicos prescritos.

Por exemplo: quem particularmente ou em grupo percorrer e meditar, com o coração contrito, sobre todas as estações da Via Dolorosa, erigida canonicamente, lucra indulgência plenária, o que vale dizer, obtém o perdão da culpa temporal de todos os seus pecados! Se morrer, naquele momento, ganha o Céu, sem precisar passar pelo Purgatório. Que coisa maravilhosa, não é mesmo?

E para os nossos leitores de língua inglesa, de modo especial os americanos, uma bela surpresa: Após o texto em português, segue uma tradução desta joia rara para o inglês!

 Venham todos,  vamos caminhar com Nossa Senhora, por todo trajeto que Jesus percorreu com aquele Madeiro, – Oh Sagrado Madeiro! -, pesado, derramando seu sangue precioso, meditando e  nos transportando como se estivéssemos ali naquele momento, querendo ajudá-lO a carregar a sua Cruz, como o fez Simão Cireneu,  para aliviar a sua dor; e enxugar de sua face seu suor e seu sangue preciosos,  como Santa Verônica, cujo prêmio foi ter a Sagrada Face estampada naquele bendito Véu,  ou seja tomando o partido  de Jesus, unidos a Ele, em cada passo da Paixão até o alto do Calvário.

Qual a nossa recompensa? Com Ele participaremos das alegrias e da Glória da Páscoa, que se aproxima! 

Iniciemos agora o exercício da Via-Sacra:

I Estação: Jesus é condenado à morte

 

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

O juiz que cometeu o crime profissional mais monstruoso de toda a História, não foi a ele impelido pelo tumultuar de nenhuma paixão ardente. Não o cegou o ódio ideológico, nem a ambição de novas riquezas, nem o desejo de comprazer a alguma Salomé. Moveu-o a condenar o Justo o receio de perder o cargo, parecendo pouco zeloso das prerrogativas de César; o medo de criar para si complicações políticas, desagradando ao populacho judeu; o medo instintivo de dizer “não”, de fazer o contrário do que se pede, de enfrentar o ambiente com atitudes e opiniões diferentes das que nele imperam.

Vós, Senhor, o fitastes por longo tempo com aquele olhar que em um segundo operou a salvação de Pedro. Era um olhar em que transparecia vossa suprema perfeição moral, vossa infinita inocência, e, entretanto, ele Vos condenou.

Senhor, quantas vezes imitei Pilatos! Quantas vezes, por amor à minha carreira, deixei que em minha presença a ortodoxia fosse perseguida, e me calei! Quantas vezes presenciei de braços cruzados a luta e o martírio dos que defendem vossa Igreja! E não tive a coragem de lhes dar sequer uma palavra de apoio, pela abominável preguiça de enfrentar os que me rodeiam, de dizer “não” aos que formam meu ambiente, pelo medo de ser “diferente dos outros”. Como se me tivésseis criado, Senhor, não para Vos imitar, mas para imitar servilmente os meus companheiros.

Naquele instante doloroso da condenação, Vós sofrestes por todos os covardes, por todos os moles, por todos os tíbios,… por mim, Senhor.

Meu Jesus, perdão e misericórdia. Pela fortaleza de que me destes exemplo arrostando a impopularidade e enfrentando a sentença do magistrado romano, curai em minha alma a chaga da moleza!

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace. R. Amen.

 

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

II Estação: Jesus leva a Cruz às costas

Inicia-se assim, meu adorado Senhor, a vossa caminhada para o lugar da imolação. Não quis o Pai Celeste que fôsseis morto num golpe fulminante. Vós teríeis de nos ensinar em vossa Paixão, não apenas a morrer, mas a enfrentar a morte. Enfrentá-la com serenidade, sem hesitação nem fraqueza, caminhando, até, para ela com o passo resoluto do guerreiro que avança para o combate, eis a admirável lição que me dais.

Diante da dor, meu Deus, quanta é a minha covardia! Ora contemporizo antes de tomar a minha cruz; ora recuo, traindo o dever; ora, por fim, eu o aceito, mas com tanto tédio, tanta moleza, que pareço odiar o fardo que vossa vontade me põe sobre os ombros.

Em outras ocasiões, quantas vezes fecho os olhos para não ver a dor! Cego-me voluntariamente com um otimismo estúpido, porque não tenho coragem de enfrentar a provação. E por isto minto a mim mesmo: não é verdade que a renúncia àquele prazer se impõe a mim para que não caia em pecado; não é verdade que devo vencer aquele hábito que favorece minhas mais entranhadas paixões; não é verdade que devo abandonar aquele ambiente, aquela amizade que minam e solapam toda a minha vida espiritual; não, nada disto é verdade… fecho os olhos, e atiro de lado minha cruz.

Meu Jesus, perdoai-me tanta preguiça, e pela chaga que a Cruz abriu em vossos ombros, curai, Pai de Misericórdias, a chaga horrível que em minha alma abri com anos inteiros vividos no relaxamento interior e na condescendência para comigo!

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace. R. Amen.

III Estação: Jesus cai pela primeira vez

 

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

 Como então, Senhor? Não Vos era lícito abandonar vossa Cruz? Pois se a carregastes até que todas as vossas forças se exaurissem, até que o peso insuportável do madeiro Vos lançasse por terra, não estava bem provado que Vos era impossível prosseguir? Estava cumprido vosso dever. Os Anjos do Céu que levassem agora por Vós a Cruz. Vós havíeis sofrido em toda a medida do possível. Que mais haveríeis de dar?

Entretanto, agistes de outro modo, e destes à minha covardia uma alta lição. Esgotadas vossas forças, não renunciastes ao fardo, mas pedistes mais forças ainda, para carregar novamente a Cruz. E as obtivestes.

É difícil hoje a vida do cristão. Obrigado a lutar sem tréguas contra si, para se manter na linha dos Mandamentos, parece uma exceção extravagante num mundo que estadeia na luxúria e na opulência a alegria de viver. Pesa-nos aos ombros a cruz da fidelidade à vossa Lei, Senhor. E, por vezes, o fôlego parece faltar-nos.

Nestes instantes de prova, sofismamos. Já fizemos quanto em nós estava. Afinal, é tão limitada a força do homem! Deus terá isto em conta… deixemos cair a cruz à beira do caminho e afundemos suavemente na vida do prazer. Ah, quantas cruzes abandonadas à beira dos nossos caminhos, quiçá à beira dos meus caminhos!

Dai-me, Jesus, a graça de ficar abraçado à minha cruz, ainda quando eu desfaleça sob o peso dela. Dai-me a graça de me reerguer sempre que tiver desfalecido. Dai-me, Senhor, a graça suprema de nunca sair do caminho por onde devo chegar ao alto do meu próprio calvário.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace. R. Amen

IV Estação: Encontro de Jesus com sua Mãe

 

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

Quem, Senhora, vendo-Vos assim em pranto, ousaria perguntar por que chorais? Nem a Terra, nem o mar, nem todo o firmamento, poderiam servir de termo de comparação à vossa dor. Dai-me, minha Mãe, um pouco, pelo menos, desta dor. Dai-me a graça de chorar a Jesus, com as lágrimas de uma compunção sincera e profunda.

Sofreis em união a Jesus. Dai-me a graça de sofrer como Vós e como Ele. Vossa dor maior não foi por contemplar os inexprimíveis padecimentos corpóreos de vosso Divino Filho. Que são os males do corpo, em comparação com os da alma? Se Jesus sofresse todos aqueles tormentos, mas ao seu lado houvesse corações compassivos! Se o ódio mais estúpido, mais injusto, mais alvar, não ferisse o Sagrado Coração enormemente mais do que o peso da Cruz e dos maus tratos feriam o Corpo de Nosso Senhor! Mas a manifestação tumultuosa do ódio e da ingratidão daqueles a quem Ele tinha amado… a dois passos, estava um leproso a quem havia curado… mais longe, um cego a quem tinha restituído a vista… pouco além, um sofredor a quem tinha devolvido a paz. E todos pediam a sua morte, todos O odiavam, todos O injuriavam. Tudo isto fazia Jesus sofrer imensamente mais do que as inexprimíveis dores que pesavam sobre seu Corpo.

E havia pior. Havia o pior dos males. Havia o pecado, o pecado declarado, o pecado protuberante, o pecado atroz. Se todas aquelas ingratidões fossem feitas ao melhor dos homens, mas por absurdo não ofendessem a Deus! Mas elas eram feitas ao Homem-Deus, e constituíam contra toda a Trindade Santíssima um pecado supremo. Eis aí o mal maior da injustiça e da ingratidão.

Este mal não está tanto em ferir os direitos do benfeitor, mas em ofender a Deus. E de tantas e tantas causas de dor, a que mais Vos fazia sofrer, Mãe Santíssima, Redentor Divino, era por certo o pecado.

E eu? Lembro-me de meus pecados? Lembro-me, por exemplo, do meu primeiro pecado, ou do meu pecado mais recente? Da hora em que o cometi, do lugar, das pessoas que me rodeavam, dos motivos que me levaram a pecar? Se eu tivesse pensado em toda a ofensa que Vos traz um pecado, teria ousado desobedecer-Vos, Senhor?

Oh, minha Mãe, pela dor do santo Encontro, obtende-me a graça de ter sempre diante dos olhos Jesus Sofredor e Chagado, precisamente como O vistes neste passo da Paixão.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace. R. Amen.

V Estação: Jesus ajudado pelo Cirineu a levar a Cruz

V.Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

Quem era este Simão, que se sabe dele, senão que era de Cirene? E que sabe o geral dos homens sobre Cirene, senão que era a terra de Simão? Tanto o homem como a cidade emergiram da obscuridade para a glória, e para a mais alta das glórias, que é a glória sagrada, num momento em que bem outros eram os pensamentos do Cirineu.

Vinha ele despreocupado pela estrada. Pensava tão somente nos pequenos problemas e nos pequenos interesses de que se compõe a vida miúda da maior parte dos homens. Mas Vós, Senhor, atravessastes seu trajeto com vossas Chagas, vossa Cruz, vossa imensa dor. E a este Simão tocou tomar posição perante Vós. Forçaram-no a carregar convosco a Cruz. Ou ele a carregaria mal-humorado, indiferente a Vós, procurando tornar-se simpático ao povo por meio de algum novo modo de aumentar vossos tormentos de alma e de corpo; ou a carregaria com amor, com compaixão, sobranceiro ao populacho, procurando aliviar-Vos, procurando sofrer em si um pouco de vossa dor, para que sofrêsseis um pouco menos. O Cirineu preferiu padecer conVosco. E por isto seu nome é repetido com amor, com gratidão, com santa inveja, há dois mil anos, por todos os homens de fé, em toda a face da Terra, e assim continuará a ser até a consumação dos séculos.

Também pelos meus caminhos Vós passastes, meu Jesus. Passastes quando me chamastes das trevas do paganismo para o seio de vossa Igreja, com o Santo Batismo. Passastes quando meus pais me ensinaram a rezar. Passastes quando no curso de catecismo comecei a abrir a minha alma para a verdadeira doutrina católica e ortodoxa. Passastes na minha primeira Confissão, na minha primeira Comunhão, em todos os momentos em que vacilei e me amparastes, em todos os momentos em que caí e me reerguestes, em todos os momentos em que pedi e me atendestes.

E eu, Senhor? Ainda agora, passais por mim neste exercício da Via-Sacra. O que faço quando Vós passais por mim?

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.

R. Amen.

VI Estação: A Verônica enxuga o rosto de Jesus

Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

 Dir-se-ia, à primeira vista, que prêmio maior jamais houve na história. Com efeito, que rei teve nas mãos tecido mais precioso do que aquele Véu? Que general teve bandeira mais augusta? Que gesto de coragem e dedicação foi recompensado com favor mais extraordinário?

Entretanto, há uma graça que vale muito mais do que a de possuir milagrosamente estampada num véu a Santa Face do Salvador. No Véu, a representação da Face divina foi feita como num quadro. Na Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana ela é feita como num espelho.

Em suas instituições, em sua doutrina, em suas leis, em sua unidade, em sua universalidade, em sua insuperável catolicidade, a Igreja é um verdadeiro espelho no qual se reflete nosso Divino Salvador. Mais ainda, Ela é o próprio Corpo Místico de Cristo.

E nós, todos nós, temos a graça de pertencer à Igreja, de sermos pedras vivas da Igreja!

Como devemos agradecer este favor! Não nos esqueçamos, porém, de que noblesse oblige. Pertencer à Igreja é coisa muito alta e muito árdua. Devemos pensar como a Igreja pensa, sentir como a Igreja sente, agir como a Igreja quer que procedamos em todas as circunstâncias de nossa vida. Isto supõe um senso católico real, uma pureza de costumes autêntica e completa, uma piedade profunda e sincera. Em outros termos, supõe o sacrifício de uma existência inteira.

E qual é o prêmio? Christianus alter Christus. Eu serei de modo exímio uma reprodução do próprio Cristo. A semelhança de Cristo se imprimirá, viva e sagrada, em minha própria alma.

Ah, Senhor, se é grande a graça concedida à Verônica, quanto maior é o favor que a mim me prometeis!

Peço-Vos força e resolução para, por meio de uma fidelidade a toda prova, verdadeiramente o alcançar.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.

R. Amen.

V II Estação: Jesus cai pela segunda vez

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

Cair, estirar-se ao longo do chão, ficar aos pés de todos, dar pública manifestação de já não ter força, são estas as humilhações a que Vos quisestes sujeitar, Senhor, para minha lição. De Vós ninguém se condoeu. Redobraram as injúrias e os maus tratos. E enquanto isto vossa graça solicitava em vão, no íntimo daqueles corações empedernidos, um movimento de piedade.

Mesmo neste momento, quisestes continuar vossa Paixão para salvar os homens. Que homens? Todos, inclusive os que ali estavam, aumentando de todos os modos a vossa dor.

Em meu apostolado, Senhor, deverei continuar mesmo quando todas as minhas obras estiverem por terra, mesmo quando todos se conjugarem para atacar-me, mesmo quando a ingratidão e a perversidade daqueles a quem quis fazer bem se voltem contra mim.

Não terei a fraqueza de mudar de caminho para agradá-los. Minhas vias só podem ser as vossas, isto é, as vias da ortodoxia, da pureza, da austeridade. Mas, nos vossos caminhos sofrerei por eles. E unidas as minhas dores imperfeitas à vossa dor perfeita, à vossa dor infinitamente preciosa, continuarei a lhes fazer bem. Para que se salvem, ou para que as graças rejeitadas se acumulem sobre eles como brasas ardentes, clamando por punição. Foi o que fizestes com o povo deicida, e com todos aqueles que até o fim Vos rejeitaram.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.

R. Amen.

VIII Estação: Jesus consola as filhas de Jerusalém

 

 

 

 

 

 

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

 Não faltaram então almas boas, que percebiam a enormidade do pecado que se praticava, e temiam a justiça divina.

Não presencio eu algum pecado assim? Hoje em dia, não é bem verdade que o Vigário de Cristo é desobedecido, abandonado, traído? Não é bem verdade que as leis, as instituições, os costumes são cada vez mais hostis a Jesus Cristo? Não é bem verdade que se constrói todo um mundo, toda uma civilização baseada sobre a negação de Jesus Cristo? Não é bem verdade que Nossa Senhora falou em Fátima apontando todos estes pecados e pedindo penitência?

Entretanto, onde está essa penitência? Quantos são os que realmente vêem o pecado e procuram apontá-lo, denunciá-lo, combatê-lo, disputar-lhe passo a passo o terreno, erguer contra ele toda uma cruzada de idéias, de atos, de viva força se necessário for? Quantos são capazes de desfraldar o estandarte da ortodoxia absoluta e sem jaça, nos próprios lugares onde campeia a impiedade, ou a piedade falsa? Quantos são os que vivem em união com a Igreja este momento que é trágico como trágica foi a Paixão, este momento crucial da História, em que uma humanidade inteira está escolhendo por Cristo ou contra Cristo?

Ah, meu Deus, quantos míopes que preferem não ver nem pressentir a realidade que lhes entra olhos adentro! Quanta calmaria, quanto bem-estar miúdo, quanta pequena delícia rotineira! Quanto saboroso prato de lentilhas a comer!

Dai-me, Jesus, a graça de não ser deste número. A graça de seguir vosso conselho, isto é, de chorar por nós e pelos nossos. Não de um choro estéril, mas de um pranto que se verte aos vossos pés, e que, fecundado por Vós, se transforma para nós em perdão, em energias de apostolado, de luta, de intrepidez.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.

R. Amen.

IX Estação: Jesus cai pela terceira vez

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

 Estais, Senhor meu, mais cansado, mais depauperado, mais chagado, mais exangue do que nunca. Que Vos espera? Chegastes ao termo? Não. Precisamente o pior está para suceder. O crime mais atroz ainda está para ser praticado. As dores maiores ainda estão por serem sofridas. Estais por terra pela terceira vez e, entretanto, tudo isto que ficou para trás não é senão um prefácio. E eis que Vos vejo novamente movendo este Corpo que é todo ele uma chaga. O que parecia impossível se opera, e mais uma vez Vos pondes de pé lentamente, se bem que cada movimento seja para Vós mais uma dor. Eis-Vos, Senhor, ereto ainda uma vez… com vossa Cruz. Soubestes encontrar novas forças, novas energias, e continuais. Três quedas, três lições iguais de perseverança, cada qual mais pungente e mais expressiva que a outra.

Por que tanta insistência? Porque é insistente nossa covardia. Resolvemo-nos a tomar nossa cruz, mas a covardia volta sempre à carga. E para que ela ficasse sem pretextos em nossa fraqueza, quisestes Vós mesmo repetir três vezes a lição.

Sim, nossa fraqueza não pode servir-nos de pretexto. A graça, que Deus nunca recusa, pode o que as forças meramente naturais não poderiam.

Deus quer ser servido até o último alento, até a extenuação da última energia, e multiplica nossas capacidades de sofrer e de agir, para que nossa dedicação chegue aos extremos do imprevisível, do inverossímil, do miraculoso. A medida de amar a Deus consiste em amá-Lo sem medidas, disse São Francisco de Sales. A medida de lutar por Deus consiste em lutar sem medidas, diríamos nós.

Eu, porém, como me canso depressa! Nas minhas obras de apostolado, o menor sacrifício me detém, o menor esforço me causa horror, a menor luta me põe em fuga. Gosto do apostolado, sim. De um apostolado inteiramente conforme com minhas preferências e fantasias, a que me entrego quando quero, como quero, porque quero. E depois julgo ter feito a Deus uma imensa esmola.

Mas Deus não se contenta com isto. Para a Igreja, quer Ele toda a minha vida, quer organização, quer sagacidade, quer intrepidez, quer a inocência da pomba mas a astúcia da serpente, a doçura da ovelha mas a cólera irresistível e avassaladora do leão. Se for preciso sacrificar carreira, amizades, vínculos de parentesco, vaidades mesquinhas, hábitos inveterados, para servir a Nosso Senhor, devo fazê-lo. Pois que este passo da Paixão me ensina que a Deus devemos dar tudo, absolutamente tudo, e depois de ter dado tudo ainda devemos dar nossa própria vida.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.

R. Amen.

X Estação: Jesus despojado de suas vestes

 

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

Tudo, sim, absolutamente tudo. Até vergonha devemos sofrer por amor de Deus e para a salvação das almas.

Aí está a prova. O Puro por excelência foi despido, e os impuros O escarneceram em sua pureza. E Nosso Senhor resistiu às chacotas da impureza.

Não parece insignificante que resista à chacota quem já resistiu a tantos tormentos? Entretanto, mais esta lição nos era necessária. Pelo desprezo de uma criada, São Pedro negou. Quantos homens terão abandonado Nosso Senhor pelo medo do ridículo! Pois se há gente que vai à guerra expor-se a tiros e morte, para não ser escarnecida como covarde, não é bem exato que há certos homens que têm mais medo de um riso do que de tudo?

O Divino Mestre enfrentou o ridículo. E nos ensinou que nada é ridículo quando está na linha da virtude e do bem.

Ensinai-me, Senhor, a refletir em mim a majestade de vosso Semblante e a força de vossa perseverança, quando os ímpios quiserem manejar contra mim a arma do ridículo.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.

R. Amen

XI Estação: Jesus pregado na Cruz

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

A impiedade escolheu para Vós, meu Senhor, o pior dos tormentos finais. O pior, sim, pois que é o que faz morrer lentamente, o que produz sofrimentos maiores, o que mais infamava, porque era reservado aos criminosos mais abjetos. Tudo foi aparelhado pelo inferno para Vos fazer sofrer, quer na alma, quer no corpo. Este ódio imenso não contém para mim alguma lição? Ai de mim, que jamais a compreenderei suficientemente se não chegar a ser santo. Entre Vós e o demônio, entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro, há um ódio profundo, irreconciliável, eterno. As trevas odeiam a luz, os filhos das trevas odeiam os filhos da luz, a luta entre uns e outros durará até a consumação dos séculos, e jamais haverá paz entre a raça da Mulher e a raça da Serpente… Para que se compreenda a extensão incomensurável, a imensidade deste ódio, contemple-se tudo quanto ele ousou fazer. É o Filho de Deus que aí está, transformado, na frase da Escritura, em um leproso no qual nada existe de são, num ente que se contorce como um verme sob a ação da dor, detestado, abandonado, pregado numa cruz entre dois vulgares ladrões. O Filho de Deus: que grandeza infinita, inimaginável, absoluta, se encerra nestas palavras! Eis, entretanto, o que o ódio ousou contra o Filho de Deus!

E toda a História do mundo, toda a História da Igreja não é senão esta luta inexorável entre os que são de Deus e os que são do demônio, entre os que são da Virgem e os que são da serpente. Luta na qual não há apenas equívoco da inteligência, nem só fraqueza, mas também maldade, maldade deliberada, culpada, pecaminosa, nas hostes angélicas e humanas que seguem a Satanás.

Eis o que precisa ser dito, comentado, lembrado, acentuado, proclamado, e mais uma vez lembrado aos pés da Cruz. Pois que somos tais, e o liberalismo a tal ponto nos desfigurou, que estamos sempre propensos a esquecer este aspecto imprescindível da Paixão.

Conhecia-o bem a Virgem das Virgens, a Mãe de todas as dores, que junto de seu Filho participava da Paixão. Conhecia-o bem o Apóstolo virgem que aos pés da Cruz recebeu Maria como Mãe, e com isto teve o maior legado que jamais foi dado a um homem receber. Porque há certas verdades que Deus reservou para os puros, e nega aos impuros.

Minha Mãe, no momento em que até o bom ladrão mereceu perdão, pedi que Jesus me perdoe toda a cegueira com que tenho considerado a obra das trevas que se trama em redor de mim.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.

R. Amen.

XII Estação: Jesus morre na Cruz

 

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

Chegou por fim o ápice de todas as dores. É um ápice tão alto, que se envolve nas nuvens do mistério. Os padecimentos físicos atingiram seu extremo. Os sofrimentos morais alcançaram seu auge. Um outro tormento deveria ser o cume de tão inexprimível dor: “Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonastes?” De um certo modo misterioso, o próprio Verbo Encarnado foi afligido pela tortura espiritual do abandono, em que a alma não tem consolações de Deus. E tal foi este tormento, que Ele, de quem os Evangelistas não registraram uma só palavra de dor, proferiu aquele brado lancinante: “Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonastes?”

Sim, por quê? Por que, se era Ele a própria inocência? Abandono terrível, seguido da morte e da perturbação de toda a natureza. O sol se velou. O Céu perdeu seu esplendor. A Terra estremeceu. O véu do Templo de rasgou. A desolação cobriu todo o universo.

Por quê? Para remir o homem. Para destruir o pecado. Para abrir as portas do Céu. O ápice do sofrimento foi o ápice da vitória. Estava morta a morte. A Terra purificada era como um grande campo desbastado, para que sobre ela se edificasse a Igreja.

Tudo isto foi, pois, para salvar. Salvar os homens. Salvar este homem que sou eu. Minha salvação custou todo este preço. E eu não regatearei mais sacrifício algum para assegurar salvação tão preciosa. Pela água e pelo Sangue que verteram de vosso divino Lado, pela Chaga de vosso Coração, pelas dores de Maria Santíssima, Jesus, dai-me forças para me desapegar das pessoas, das coisas que me possam distanciar de Vós. Morram hoje, pregadas na Cruz, todas as amizades, todos os afetos, todas as ambições, todos os deleites que de Vós me separavam.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.

R. Amen.

XIII Estação: Jesus descido da Cruz

 

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

 O repouso do Sepulcro Vos aguarda, Senhor. Nas sombras da morte, abris o Céu aos justos do limbo, enquanto na Terra, em torno de vossa Mãe, se reúnem uns poucos fiéis para Vos tributar honras funerárias. Há no silêncio destes instantes uma primeira claridade de esperança que nasce. Estas primeiras homenagens que Vos são prestadas são o marco inaugural de uma série de atos de amor da humanidade redimida, que se prolongarão até o fim dos séculos.

Quadro de dor, de desolação, mas de muita paz. Quadro em que se pressagia algo de triunfal nos cuidados indizíveis com que vosso divino Corpo é tratado.

Sim, aquelas almas piedosas se condoíam, mas algo nelas lhes fazia pressentir em Vós o Triunfador glorioso.

Possa eu também, Senhor, nas grandes desolações da Igreja, ser sempre fiel, estar presente nas horas mais tristes, conservando inabalável a certeza de que vossa Esposa triunfará pela fidelidade dos bons, pois que A assiste a vossa proteção.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.

R. Amen.

XIV Estação Jesus posto no sepulcro

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

Correu-se a laje. Parece tudo acabado. É o momento em que tudo começa. É o reagrupamento dos Apóstolos. É o renascer das dedicações, das esperanças. A Páscoa se aproxima.

Ao mesmo tempo, o ódio dos inimigos ronda em torno do sepulcro e de Maria Santíssima e dos Apóstolos.

Mas Eles não temem. E em pouco raiará a manhã da Ressurreição.

Possa também eu, Senhor Jesus, não temer. Não temer quando tudo parecer perdido irremediavelmente. Não temer quando todas as forças da Terra parecerem postas em mãos de vossos inimigos. Não temer porque estou aos pés de Nossa Senhora, junto da qual se reagruparão sempre, e sempre mais uma vez, para novas vitórias, os verdadeiros seguidores da vossa Igreja.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace. R. Amen.

The way of the Cross

 Plinio Corrêa de Oliveira

© 1990 by The America Needs Fatima Campaign

P.O. Box 500, Crompond, N.Y. 10517

Published 1990.

Printed in the United States of America

Library of Congress Catalog Card Number: 90-81235

First Station

Jesus Is Condemned to Death

  1. We adore Thee, O Christ, and we bless Thee.
  2. Because by Thy holy Cross Thou hast redeemed the world.

The judge who committed the most monstrous professional crime in all history was not impelled to do so by the excitement of any burning passion. Nor was he blinded by ideological hatred, by craving for new riches, or by the desire to please some great potentate. He was moved to condemn the Just One by fear – fear of losing his position for apparent lack of zeal for the prerogatives of Caesar; fear of causing himself political complications by having displeased the Jewish mob; and the instinctive fear of saying no, of doing the opposite of what has been asked of one, of facing the crowd with attitudes and opinions different from those that prevail there.

For a long time, O Lord, Thou didst fix him with that look which in one instant worked the salvation of Peter. It was a look through which one could see Thy supreme moral perfection, Thine infinite innocence. But he condemned Thee anyway.

O Lord, how many times have I imitated Pilate! How many times, out of ambition for personal advancement, have I permitted orthodoxy to be persecuted in my presence without saying a word. How many times have I stood by with my arms crossed at the fight and martyrdom of those who defend the Church! I did not have the courage to give them even a word of support because of an abominable slothfulness to face those who surrounded me, to say no to those around me, for fear of being “different from the others”. As if Thou hadst created me, Lord, not to imitate Thee, but to slavishly imitate my companions.

In that painful moment of condemnation, Thou didst suffer for all coward, for all weakling, for all the lukewarm… for me, Lord.

My Jesus, pardon and mercy. By the fortitude Thou didst show me in braving unpopularity and facing the sentence of the Roman magistrate, cure the weakness of my soul.

Our Father. Hail Mary, Glory Be.

  1. Have mercy on us, Lord.
  2. Have mercy on us.
  3. May the souls of the faithful departed, through the mercy of God, rest in peace.
  4. Amen.

Second Station

Jesus Carries the Cross

Thus began, my adorable Lord, Thy walk to the place of immolation. It was not the wish of the Heavenly Father that Thou shouldst die by one fulminating blow. In Thy Passion, Thou hadst to teach us not only to die, but to face death. Facing it with serenity, with neither hesitation nor weakness, walking toward it, even with the resolute pace of a warrior advancing to combat – behold the admirable lesson Thou give me.

In the face of pain, my God, how great is my cowardice. Sometimes I temporize before taking up my cross; sometimes I shrink back, neglecting an obligation. Finally I accept it, but so irksomely, so halfheartedly, that I seem to hate the burden that Thy will hast placed on my shoulders.

How often, on other occasions, do I close my eyes in order not to see the pain. I voluntarily blind myself with stupid optimism because I have not the courage to face the trial. And so I lie to myself: It is not true that the renunciation of a certain pleasure is an obligation for me in order not to fall into sin; it is not true that I must overcome a certain habit which favors my most deep-rooted passions; it is not true that I must abandon a certain group, a friendship which undermines and ruins my whole spiritual life. No, none of this is not true at all.. I close my eyes, and I cast aside my cross.

My Jesus, pardon me so much sloth. By the wound which the Cross opened in Thy shoulder, cure, O Father of Mercies, the horrible wound I have opened in my soul through entire years lived in interior dissipation and self-indulgence!

Third Station

Jesus Falls the First Time

What then, Lord? Was it not justifiable for Thee to abandon Thy cross? By carrying it until all Thy strength was exhausted, until the insupportable weight of the wood hurled Thee to the ground, hadst Thou not clearly proved that it was impossible for Thee to continue? Thine obligation was fulfilled. Let the angels of heaven carry Thy cross for Thee now. Thou hast suffered in full measure all that was possible. What more wouldst Thou have to give?

Nevertheless, by acting in another way, Thou didst give my cowardice a sublime lesson. With Thy strength exhausted, Thou didst not renounce the burden but askest for yet more strength to carry the Cross once again. And Thou didst obtain it.

The life of a Christian is difficult today. To be obligated to struggle unremittingly against oneself in order to keep the commandments seems to be an extravagant exception in a world that flaunts the joy of life in licentiousness and opulence. Heavy on our shoulders weighs the cross of fidelity to Thy Law, O Lord. At times, we seem to be out of breath.

In these moments of trial, we rationalize. We have already done all that we can. After all, a man’s strength is so limited! God will take this into account. Come, let us drop the cross here by the roadside and sink cozily into a life of pleasure. Ah, many are the crosses abandoned alongside our ways, perhaps along my tracks!

Grant me, Jesus, the grace to continue to embrace my cross, even when I collapse under its weight. Grant me the grace to rise up again whenever I grow faint. Grant me, Lord, the supreme grace of never departing from the way by which I must reach the height of my own calvary.

Fourth Station

Jesus Meets His Mother

Who, my Lady, seeing the shed such tears would dare to ask thee why thou weepest? Neither the earth, nor the sea, nor all the heavens can serve as a term of comparison to thy sorrow. Grant me, my Mother, at least a little of that sorrow. Grant me the grace to weep for Jesus with tears of sincere and profound compunction. Thou didst suffer in union with Jesus. Grant me the grace to suffer as He and thou didst suffer.

Thy greatest sorrow arose not from contemplating the inexpressible bodily sufferings of thy Divine Son. What are bodily evils in comparison with those of the spirit? If Jesus had suffered all of those torments while having at His side compassionate hearts! If His Sacred Heart had not been wounded enormously more by the most senseless, unjust, and blatant hatred than by the weight of the Cross and the brutalities that wounded His Body! Rather, He was assailed by the tumultuous manifestations of hatred and ingratitude of those whom He had loved: Two steps away was a leper whom He had healed; a little farther, a blind man to whom He had restored sight; farther along, a tormented soul to whom He had restored peace. All of them called for His death; all of them hated Him; all of them insulted Him. These cause Jesus immensely more suffering than did the inexpressible pains that weighed upon His Body.

Yet, there was worse. There was the worst of evils. There was sin: avowed sin, obtrusive sin, atrocious sin. If all those acts of ingratitude had been committed against the best of men but by some absurdity had not offended God… but they were committed against the Godman, and thus they constituted a supreme sin against all three Persons of the Blessed Trinity. This was the greatest evil of the injustice and the ingratitude.

This evil lies not so much in the offense against the rights of a benefactor but in the offense against God. Amidst so many and such great causes of sorrow, what caused Thee the most suffering, my Divine Redeemer, and thee, Blessed Mother, was certainly sin.

And I? Am I mindful of my sins? Do I remember, for example, my first sin, or my most recent sin? What of the hour when I committed it, of the place, of the persons who surrounded me, the motives which led me to sin? If I had thought of the magnitude of the offense which a sin causes Thee, would I have dared to disobey Thee, my Lord?

O my Mother, by the sorrow of that holy meeting, obtain for me the grace to have always before my eyes Jesus suffering and wounded, exactly as thou seest Him in this step of the Passion.

Fifth Station

Jesus Is Helped by the Cyrenian to Carry the Cross

Who was Simon? What is known of him, except that he was of Cyrene? And what do most men know of Cyrene other than it was the land of Simon? Both the city and the man emerged from obscurity and entered into glory, the most exalted glory, sacred glory, at a moment when the thoughts of the Cyrenian were far from all this.

He was walking carelessly along the road. He was thinking only about those petty problems and petty interests that make up the trivial lives of the majority of men. But Thou, Lord, didst cross his path with Thy wounds, Thy Cross, Thy immense sorrow. Simon had to take a position in regard to Thee. The soldiers forced him to carry the Cross with Thee. He could carry it with bad humor, indifferent to Thee, trying to please the people by means of some new way of increasing the torments Thou didst suffer in soul and body; or he could carry it with love, with compassion, scorning the mob, trying to relieve Thy suffering, taking some of it on himself so that Thou wouldst suffer a little less. The Cyrenian preferred to suffer with The. For this reason his name has been repeated with love, with gratitude, with holy envy, for two thousand years, by all men of faith, all over the face of the earth, and so it will continue until the end of time.

Thou hast passed also along my path, my Jesus. Thou didst pass when Thou called me out of the darkness of paganism and into the bosom of Thy Church through Holy Baptism. Thou didst pass also then my parents taught me to pray. Thou didst pass again when in the Catechism class I began to open my soul to the true doctrine, Catholic and orthodox. Thou didst pass in my first Confession, in my First Communion, in all of the moments when I vacillated and Thou didst help me, in all of the moments when I fell and Thou didst pick me up, in all of the moments when I asked and Thou didst hear me.

And I, Lord? Even now Thou passest by me in this exercise of the Way of the Cross. And what do I do when Thou passes by me?

Sixth Station

Veronica Wipes the Face of Jesus

One would say at first glance that never was there a greater reward in all of history. Indeed, what king ever held in his hands a cloth more precious than that veil? What general, a more august banner? What gesture of courage and dedication was recompensed with a more extraordinary favor?

But there is grace which is more valuable than having the Holy Face of the Savior stamped on a veil. The representation of the Divine Face was made on the veil as in a painting. In the Holy Roman Catholic and Apostolic Church, His Face is reflected as in a mirror.

In her institutions, in her doctrine, in her laws, in her unity, in her universality, in her unsurpassable catholicity, the Church is a true mirror in which our Divine Savior is reflected.

And we, all of us, have the grace of belonging to the Church, of being living stones of the Church!

How we ought to give thanks for this favor! Let us not forget, however, that noblesse oblige. Belonging to the Church is a very great and very demanding thing. We must think as the Church thinks, have the Mind of the Church, proceed as the Church wishes in all the circumstances of our lives. This supposes a real Catholic sense, an authentic and complete purity of customs, and a profound and sincere piety. In other words it supposes the sacrifice of an entire lifetime.

And what is the reward? “Christianus alter Christus”. I will be in eminent way a reproduction of Christ Himself. The likeness of Christ, vivid and sacred, will be imprinted, on my own soul.

Ah, Lord, if the grace granted to Veronica is great, how much greater is the favor that Thou dost promise me!

I ask of Thee strength and resoluteness so that I may obtain this favor by being faithful in every trial.

Seventh Station

Jesus Falls the Second Time

To fall, to be stretched out flat on the ground, to be at the feet of all in order to publicly manifest that now Thou hast no more strength; to these humiliations Thou didst choose to subject Thyself, Lord, as a lesson for me. No one felt sorrow for Thee. Rather, they redoubled their insults and abuses. All the while, Thy grace sought in vain in the interior of those hardened hearts for a movement of pity.

Even at that moment, Thou didst desire to continue Thy Passion for the salvation of men. What men? All men, including those who were doing everything possible to increase Thy suffering.

And so, Lord, I must continue my apostolate, even when all my works have tumbled to the ground, even when all have joined together to attack me, even when the ingratitude and perversity of those to whom I have wished to do good have turned against me.

I will not be so weak as to change my path to please them. My ways can be only Thy ways, the ways of orthodoxy, of purity, of austerity. Following Thy ways I shall suffer for them. With my imperfect sorrows united to Thy perfect sorrow, Thine infinitely precious sorrow, I shall continue to do good for them so that they may save themselves, or so that the rejected graces may accumulate over them like burning coals clamoring for punishment. Thus Thou didst with the nation which committed the deicide and so also wilt Thou do with those who will reject Thee until the end of time.

Eight Station

Jesus Consoles the Daughters of Jerusalem

There were at that time good souls, who, realizing the enormity of the sin being committed, feared the divine justice.

Am I not witness to a certain sin like that? Is it not true that today Our Lord Jesus Christ and His Holy Church are disobeyed, abandoned, betrayed? It is not true that the laws, institutions, morals, and ways of the people are more and more hostile to Jesus Christ? Is it not true that Our Lady spoke at Fatima, pointing out all of these sins and asking for penance?

But where is that penance? How many are there who really see these sins and who try to point them out, denounce them, fight them, dispute every inch of their advance, raise up against them a whole crusade of ideas, of acts, of force if it be necessary? And how many are there who are capable of unfurling the standard of absolute and flawless orthodoxy in the very places where impiety or false piety struts? How many are they who live in union with the Church during this moment that is tragic as the Passion was tragic, this crucial moment of history when all mankind is choosing to be for Christ or against Christ?

Oh, my God, how many myopic ones there are who prefer neither to see nor to foresee the reality which lies plainly before their eyes! How much false peacefulness, how much trifling well-being, how many petty routine pleasures! How many tasty dishes of pottage to be eaten!

Grant us, Jesus, the grace not to be of that number. Grant us the grace to follow Thy counsel, that is, to weep for ourselves and for our own. Give us not just a few sterile tears, but grant us a flood of tears, which, poured out at Thy feet and made fertile by Thee, may become for us forgiveness, strength for the apostolate, for the fight, and for acts of intrepidity.

Ninth Station

Jesus Falls the Third Time

Thou art now, my Lord, more tired, more drained, more wounded, more bloodless than ever. What awaits Thee? Hast Thou reached the end? No. Precisely the worst is yet to come. The most atrocious crime is still to be perpetrated. The worst sorrows still must be suffered. Thou art on the ground a third time but, nonetheless, all that is behind Thee is no more than a preface. And, behold, Thou once again movest that Body which is but one wound. The seemingly impossible is being achieved, once more Thou slowly riseth to Thy feet, even though every movement increases Thy pain. There Thou art, Lord, standing once again… with Thy Cross. Thou didst know how to find new strength, new energy, and Thou didst continue. Three falls, three equal lessons in perseverance, each more poignant and more expressive than the last.

Why so much insistence? Because our cowardice is insistent. We resolve to take up our crosses, but cowardice always comes charging back. So that cowardice might find no pretext in our weakness, Thou didst desire to repeat the lesson three times Thyself.

Yes, it is true: Our weakness cannot serve us as a pretext. Grace, which God never refuses, can do that which mere natural strength would never be able to do.

God wishes to be served to the last breath, to the exhaustion of the last drop of strength, and He multiplies our capacities for suffering and doing so that our dedication may reach the extreme limit of the unforeseeable, the improbable, the miraculous. The measure of the love of God is to love Him without measure, said Saint Francis de Sales. The measure of fighting for God consists in fighting without measure, it may be said.

But, I, how quickly I tire! In my works of apostolate the least sacrifice holds me back, the least effort terrifies me, the slightest combat puts me to flight. I like the apostolate, it is true. The apostolate I like is one entirely in accordance with my likings and fancies, to which I give myself when I wish, as I wish, and because I wish. After that I consider I have done a great almsdeed for God.

But God is not satisfied with this. For the Church He wants my whole life, He wants organization, He wants sagacity, He wants intrepidity, He wants sagacity, He wants intrepidity, He wants the innocence of the dove and the cunning of the serpent, the sweetness of the sheep and the irresistible and overwhelming wrath of the lion. If it be necessary to sacrifice my career, friendships, family ties, petty vanities, and inveterate habits, to serve Our Lord, I must do so. For this step of the Passion teaches me that we must give everything to God, absolutely everything, and after having given everything we ought to give our very lives as well.

Tenth Station

Jesus Is Stripped of His Garments

Everything, yes, absolutely everything. We must suffer even shame for the love of God and for the salvation of souls.

The proof of this: He who is Purity par excellence was stripped, and the impure mocked Him in His purity. Our Lord endured these jests of impurity.

Does it not appear insignificant for Him – having already endured so many torments – to endure these jests as well? But this lesson, like the others, was necessary for us. Because of the scorn of a maidservant, Saint Peter denied Our Lord. How many men have forsaken Our Lord for fear of ridicule! If men go to war and face gunfire and death to avoid being mocked as cowards, is it not perfectly true that certain men fear laughter more than anything?

The Divine Master faced ridicule. He taught us that nothing is ridiculous when it is in the line of virtue and goodness.

Teach me, Lord, to reflect in myself the majesty of Thy countenance and the strength of Thy perseverance when the wicked wish to use the arm of ridicule against me.

Eleventh Station

Jesus Is Nailed to the Cross

For Thee, my Lord, impiety chose the worst of final torments. The worst, yes, because it is that which causes one to die slowly, that which produces the greatest sufferings, and that which, being reserved for the most abject criminals, was the most infamous. Everything was prepared by hell to make Thee suffer in body and soul. Does this immense hatred not have some lesson for me? Woe betide me – who never will understand it sufficiently – if I do not become holy.

Between Thee and the devil, between good and evil, between truth and error, there is a profound, irreconcilable, eternal hatred. Darkness hates the light, the children of darkness hate the children of light; the fight between the two sides will endure until the consummation of the ages, and there will never be peace between the race of the Woman and the race of the Serpent.

In order to understand the immeasurable extension and immensity of this hatred, it is necessary to contemplate all that it dared to do. There is the Son of God, transformed, in the words of Scripture, into a leper in whom nothing is sound; a being who writhes like a worm under the effect of the pain; detested, abandoned, nailed to a cross between two common thieves. The Son of God: what grandeur – infinite, unimaginable, absolute – is contained in those words! Behold, in spite of all, what hatred has dared to do against the Son of God!

The whole history of the world, the whole history of the Church is nothing but this inexorable struggle between those who are of God and those who are of the devil, between those who are of the Virgin and those who are of the Serpent. It is a struggle in which there are not merely mistakes of the intellect nor only weakness in the angelic and human hosts which follow Satan, but also malice – deliberate, culpable, sinful malice.

Behold that which needs to be said, commented on, remembered, emphasized, proclaimed, and once more remembered at the foot of the Cross. For we are such, and liberalism has disfigured us to such a point that we are always inclined to forget this truth absolutely inseparable from the contemplation of the Passion.

Well did the Virgin of virgins, the Mother of Sorrows, know this, she who participated in the Passion along with her Son. Well did the virgin apostle know this, he who at the foot of the Cross received Mary as his Mother, thus receiving the greatest legacy ever given a man to receive, because there are certain truths which God has reserved for the pure and which He denies to the impure.

My Mother, in the moment in which even the good thief merited forgiveness, I ask that Jesus forgive me for all the blindness with which I have considered all the works of darkness being plotted around me.

Twelfth Station

Jesus Dies on the Cross

Finally the apex of all pains is reached. It is a summit so high that it is lost in the clouds of mystery. The physical pains having reached their limits, the moral sufferings having attained their zenith, a mysterious torment must be the climax of such an inexpressible pain: “My God, my God, why hast Thou forsaken me?” In a certain mysterious way, the Word Incarnate Himself was afflicted by that spiritual torture of abandonment in which the soul receives no consolations from God. Such was this torment that He of Whom the Evangelists record not a single word of pain uttered that piercing cry: “My God, my God, why hast Thou forsaken me?”

Yes, why? Why did this happen if He was Innocence itself? This terrible abandonment was followed by death and the perturbation of all of nature. The sun was darkened. The sky lost its splendor. The earth quaked. The veil of the temple was rent in two. Desolation covered the whole universe.

Why? To redeem man. To destroy sin. To open the gates of heaven. The height of suffering was the height of victory. Death was put to death. The purified earth was like a great field which had been cleared so that the Church might be built on it.

All of this, then, was to save, to save men, to save this man who I am. My salvation was purchased at such a price. I will spare myself no sacrifice to secure that salvation so precious. By the water and the Blood that came forth from Thy divine Side, by the wound of Thy Heart, by the sorrows of Mary Most Holy, grant me, O Jesus, the strength to detach myself from the persons and things that can separate me from Thee. Today they die, nailed to the Cross, all the friendships, all the affections, all the ambitions, all the delights that have separated me from Thee.

Thirteenth Station

Jesus is Taken Down from the Cross

The repose of the sepulcher awaits Thee, Lord. In the shadows of death, Thou dost open heaven to the just in limbo, while on earth around Thy Mother, a few faithful ones gather to give Thee funeral honors. In the silence of those moments, there is the firs glimmer of an aborning hope. Those first acts of homage being offered to Thee mark the inauguration of a series of acts of love by redeemed mankind that will continue until the end of time.

It is a scene of sorrow and desolation, yet of great peace as well. It is a scene wherein something of the triumph is presaged in the ineffable cares with which Thy Divine Body is treated.

Yes, those pious souls condole with one another, but there is something about them that makes one foresee in Thee the glorious Victor.

May I also, Lord, in the great desolations of the Church, be always faithful; may I be present in the saddest hours, unshakably preserving the certainty that Thy Spouse will triumph by the fidelity of the good because Thy protection assists her.

Fourteenth Station

Jesus is Laid in the Sepulcher

The stone is rolled into place. Everything seems to have ended. But, it is the moment when everything begins. It is the regrouping of the Apostles. It is the rebirth of dedication, of hope. Easter draws near.

At the same time, the hatred of Thine enemies surrounds the sepulcher, Mary Most Holy, and the Apostles.

But they do not fear. In a little while the dawn of the Resurrection will break.

Let me not fear either, Lord Jesus, not fear when everything seems irremediably lost, not fear when all the power on earth appears to be in the hands of Thine enemies. Let me not fear because I am at the feet of Our Lady where the true followers of Thy Church always regroup, and will always regroup, for new victories.

 

Fontes de pesquisa:

1 – http://www.pliniocorreadeoliveira.info/1951_003_CAT_Via_Sacra_CAT.htm#.WqsYTHxv_IU

2- http://cleofas.com.br/como-surgiu-a-pratica-da-via-sacra/

3- http://www.acnsf.org.br/article/68028/A-primeira-Via-Sacra-da-Historia.html

 

 

A IGREJA É IMACULADA E INDEFECTÍVELm

Estimados irmãos e irmãs, como estamos na 3ª semana da Quaresma, não poderia deixar de dar continuidade a reflexões sobre temas religiosos, que afinal de contas são os mais importantes e a prova disto é a apetência a tais assuntos demonstrada por nossos leitores. Ademais,  estamos vivendo momentos difíceis e confusos e vemos a Igreja Católica,  sendo alvo de ataques constantes e infundados e perseguida de várias formas, nos mais diversos países do mundo.

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Santa Cruz de Cabrália – BA

 Isto me causa indignação e sinto-me na obrigação de trazer para os estimados leitores um belíssimo e bem fundamentado artigo, escrito em 2010, em defesa da Igreja Católica, que considero perfeito, o qual  faz uma retrospectiva histórica, do que era o mundo antes e depois da instituição da Igreja por Nosso Senhor Jesus Cristo, com robusta  bibliografia, na qual figuram grandes teólogos e filósofos e historiadores de renome.

Quero compartilhá-lo com meus irmãos e irmãs para mostrar a misericórdia de Deus ao fundar a Igreja que é Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana, e que se não tivesse a Promessa divina da imortalidade, já teria sucumbido, aos ataques, traições e infidelidades, das mais variadas formas.  Pois como Ele mesmo disse ao  Apóstolo São Pedro:

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“Simão tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; tudo que ligares na terra será ligado no céu, e tudo que desligares na terra será desligado no céu, e as portas do inferno não prevalecerão sobre Ela”

Nestas palavras de Nosso Senhor percebemos, que  o seu amor à Igreja, que é  verdadeiramente sua esposa sem mancha, da qual Ele é a Cabeça, permanecerá hoje e sempre, e por toda eternidade! E isto ficará muito bem explanado no texto que hoje lhes presenteio, muito atual e de uma importância transcendental.

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Igreja de São Francisco de Assis – Salvador-BA

 Foi publicado na revista do Instituto Teológico São  Tomás de Aquino e do Instituto Filosófico Aristotélico-Tomista,  e é da lavra do Monsenhor João S.  Clá Dias, E.P…

 A IGREJA É IMACULADA E INDEFECTÍVEL

“Uma saraivada de notícias tenta macular a Igreja Católica, tomando por motivo abusos de crianças cometidos por parte de sacerdotes católicos.

Utilizar falhas gravíssimas, mas circunstanciais, relativas a uma  minoria de clérigos, para enxovalhar toda a classe sacerdotal é uma INJUSTIÇA! E usar isso como pretexto para tentar derrubar a Igreja é DIABÓLICO.

Quanto mais o espírito libertário, relativista e neopagão de nossa época se infiltra na Igreja, tanto mais é de temer que aconteçam crimes de pedofilia. Daí mesmo a necessidade de implantar nos seminários um sistema rigoroso de seleção, de modo a só admitir como candidato ao sacerdócio quem não tenha propensão de pactuar com o mundo, mas queira ensinar a prática da doutrina católica em toda a sua pureza, e dar exemplo. Foi a Igreja que livrou o mundo da imoralidade, e é porque está rejeitando a Igreja que o mundo tem afundado novamente no lodo do qual foi resgatado.”

Vejam caríssimos, vamos aprofundar o tema, conhecendo fatos históricos que  ocorriam no contexto  de sociedades do mundo antigo, que viviam sob a   tirania esmagadora dos seus governantes, em  ambientes promíscuos, cruéis e perversos ,e que deixaram consequências maléficas cujos  efeitos se prolongam até os dias de hoje em que pese a ação educativa  e formativa desenvolvida pela Igreja, de modo exímio.

 Com efeito, foi a partir do conhecimento das máximas do Evangelho e da Pessoa Adorável do Homem-Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, que se operou paulatinamente uma profunda e profícua transformação  nos homens, comprada com seu  sangue redentor .

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Na sua impenetrável sabedoria e misericórdia, Deus, em vez de castigar mais uma vez a humanidade com um outro Dilúvio ou algum castigo do gênero, preferiu enviar ao mundo o Seu filho Unigênito, a Sabedoria Eterna e Encarnada, gerado no seio puríssimo de sua Santíssima Mãe Maria, para resgatar a humanidade dos grilhões do pecado, fazendo com esta uma nova e eterna aliança.

Mas prossigamos nossa leitura:

“O MUNDO DO PAGANISMO ERA UM INFERNO

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Antes de Nosso Senhor Jesus Cristo, pregar entre os homens a Boa Nova do Evangelho, o mundo estava mergulhado numa prolongada e terrível noite, em que reinavam a devassidão moral, o egoísmo, a crueldade, a desumanidade e a opressão, conforme a história nos ensina. Basta-nos recordar o que a mitologia greco-romana diz dos vários deuses de seu panteão. A religião pagã propunha como exemplos a serem imitados, iniquidades dos deuses. A sociedade influenciava a religião, de modo que os mitos refletiam os costumes então em voga.

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Sacrifício de crianças ao deus pagão

A situação da mulher era horrível. Ela era praticamente considerada com uma escrava  do marido. As próprias religiões, mesmo as mais  elevadas,  conduziam as mulheres – como, naturalmente, também os homens – às grandes depravações. Heródoto é um dos que nos fornece informações sobre a “prostituição sagrada”, praticada nos tempos da Babilônia, Assíria, Grécia, Síria, Chipre e em  outros lugares.

A honorabilidade feminina era ainda ferida pelo costume da poligamia. O Código de Hamurabi está repleto de normas que espelham o estado de opressão da mulher nas civilizações antigas, a qual, muitas vezes, era punida com a morte, a escravidão ou o repúdio. Em Atenas, para obviar de algum modo  a parcialidade no tratamento dado às filhas,  a lei incorreria em uma aberração ainda maior, ao incentivar o incesto. Em Roma, na época em que a Boa Nova de Jesus Cristo já estava sendo pregada, a instituição da família encontrava-se em profunda crise. A natalidade decrescia. Os homens ricos preferiam manter-se solteiros e cercar-se de inúmeras escravas, a se sujeitar aos incômodos do casamento.

A SITUAÇÃO DAS CRIANÇAS ANTE O ESTADO TODO-PODEROSO

A família greco-romana também era totalitária sob certos aspectos. Assim, o Direito Romano dava um poder ditatorial ao “pater familias”. Na Grécia, vigoravam leis semelhantes. O pai tinha o direito de rejeitar seu filho recém-nascido, ou vendê-lo como escravo. Também podia condenar à pena de morte a esposa, um filho, uma filha, ou qualquer outro morador de sua casa, executando-se sem demora a sentença; as autoridades do estado não interferiam.

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Em Esparta, comenta Coulanges, “ o Estado tinha o direito de não tolerar que seus cidadãos fossem disformes ou mal constituídos. Por isso ele ordenava ao pai ao qual nascesse um filho nessa situação, que o fizesse morrer”. Essa lei se encontrava igualmente nos antigos códigos de Roma, Até Aristóteles e Platão incluíram, em suas propostas de legislação, essa prática.

A CHAGA DA PEDOFILIA

Aquilo que a imprensa de hoje denomina de pedofilia era largamente praticado no mundo antigo, ao amparo da lei, por influência das religiões pagãs. Na Grécia, ocorria como prática legal a corrupção sexual de meninos, mais propriamente chamada pederastia. Todo homem adulto que não fosse escravo tinha o direito de praticá-la. Roma acabou sendo contaminada pelo mal grego, a ponto de vários imperadores procurarem por amantes adolescentes. Meninos considerados belos, se fossem feitos prisioneiros de guerra, ou raptados, ou vendidos pelos pais, eram mutilados a fim de alimentar todo um tráfico de eunucos. Não escapavam nem mesmo os filhos da nobreza”.

 Abrindo um parêntese: vemos, hoje, atos monstruosos praticados  em vários países, até mesmo nos  que são classificados como desenvolvidos,  contra crianças , que não são dignos de serem mencionados neste “post”. Na verdade, são uma inevitável consequência do afastamento da humanidade de Deus  e dos ensinamentos da Igreja. Há pensadores que afirmam que em pleno século XXI, muitos homens tornaram-se neobárbaros, porque foram redimidos pelo Sangue sagrado de Nosso Senhor Jesus Cristo mas o rejeitaram!

Continuando:

“Na Grécia, qualquer menino podia se tornar alvo dos desejos de homens adultos. E o costume era que cedesse. Se um pai, dotado de um resto de sensibilidade moral, desejasse poupar essa tragédia aos filhos, tinha de agir antes de ela acontecer, empregando escravos que, como falcões, vigiassem os meninos. As escolas – as tão elogiadas Academias – eram locais onde os estudantes de até 12 anos de idade ou mesmo os mais jovens ficavam à mercê dos mestres. As leis atenienses chegavam ao absurdo de proteger e incentivar essa prática, inclusive regulando o flerte e o “namoro”entre homens e meninos.

A filosofia Grega chegou a debater essa prática, sem nunca condená-la por completo. Com efeito, o “amor platônico” é muito difícil de ser praticado, pois, em matéria de castidade, o homem não consegue ficar permanentemente no meio termo. Os gregos chegaram a considerar o relacionamento entre homem e mulher como inferior ao relacionamento entre homem e menino. A mulher tinha de ser desprezada, relegada ao papel de mera reprodutora.

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Em Roma, também as meninas podiam ser vítimas de abuso sexual. É o que se deduz das palavras de  SÃO JUSTINO, em sua Apologia, nas quais vitupera o costume de crianças rejeitadas – meninos e meninas – serem criadas para a prostituição:

 

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“E assim como os antigos criavam rebanhos de bois, bodes, carneiros ou cavalos, assim vós agora criais crianças destinadas a esse vergonhoso uso; e para esse uso impuro, uma multidão de mulheres e hermafroditas, e aqueles que cometeram iniquidades que nem podem ser mencionadas, se espalham por toda nação.[…]  E há aqueles que prostituem até mesmo seus próprios filhos e  mulheres; alguns são abertamente mutilados para serem usados na sodomia”. Esse é o mundo quando nele não está presente a Santa igreja de Deus.

 

O CHOQUE DOS VALORES DO EVANGELHO COM OS CONTRA VALORES MUNDANOS

 A mensagem de Jesus cristo veio desequilibrar o carcomido mundo antigo. Um horror especial ao pecado da pedofilia foi instilado nas almas por nosso Divino Mestre, com palavras de uma extrema severidade:

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“ Se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt.18,6). Ante a sublimidade do Evangelho, o paganismo não conseguiria ficar indiferente. Só lhe restavam duas reações: ou encantar-se e submeter-se ao suave jugo de  Deus, ou odiar e perseguir, não poucos se converteram. Muitos, porém, aferraram-se ao lodo, e seu ódio  levou ao martírio milhões de cristãos. Os pagãos passaram a acusar os cristãos exatamente dos delitos que o paganismo cometia.

É digno de nota que uma das acusações era a da pedofilia, agravada com incesto. São Justino comenta: “As coisas vós fazeis abertamente e com aplauso, […] dessas mesmas coisas vós nos acusais”. E Arnóbio lança ao rosto dos pagãos; “Quão vergonhoso, quão petulante é censurar, em outro, aquilo que o acusador vê que ele mesmo pratica – aproveitar a ocasião para ultrajar e acusar outros de coisas que podem se retorquidas contra ele mesmo!”

 UMA CIVILIZAÇÃO GOVERNADA PELO EVANGELHO

 A Igreja Católica acabou por vencer, em virtude de força intrínseca do bem. E aos poucos, auxiliada pela graça divina, que nunca falha,  tomou os greco-latinos decadentes e os bárbaros germânicos, converteu-os e inspirou a edificação de uma brilhante civilização cujo ápice, nunca antes alcançado, ocorreu nos séculos XII e XIII.

Nessa época, segundo diz o Papa Leão XIII, “ a influência da sabedoria cristã, a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil” Da relação harmoniosa entre o poder religioso e o temporal, “ a sociedade civil deu frutos superiores a toda  expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em  inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper  ou obscurecer”.

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Papa Leão XIII

Foi nesse tempo que a Igreja  desenvolveu a escolástica, edificou as catedrais góticas, criou as universidades e os hospitais, impulsionou as ciências e o progresso técnico, aperfeiçoou as relações  internacionais entre os estados, aboliu a escravidão,  fez avançar o progresso  social, elevou a condição da mulher, de tal modo que, no século XIV, a Europa havia ultrapassado de muito todos os outros continentes. Quanto mais avançavam os estudos históricos e científicos sobre esta matéria, tanto mais vai ficando demonstrada a verdade, jogando por terra o mito de que a Idade Média foi uma era de atraso e de opressão. A literatura especializada a tal respeito vai se multiplicando.

   UM PONTO IMPORTANTÍSSIMO:

POR QUE ACUSAR SÓ A IGREJA?

Entretanto, sempre houve minorias inconformes com o domínio da virtude, da verdade e do bem, de modo que, periodicamente, a Igreja  se vê vítima de novas investidas. Um dos procedimentos preferidos continua a ser o de acusar a Igreja precisamente dos delitos que o próprio mundo não se envergonha de cometer.

Quais são os maiores destruidores da inocência infantil hoje em dia?

Quem promove uma pornografia irrefreável, que não respeita nem idade, nem dignidade, e que incita a todo tipo de crime sexual?

Quais os que, de todos os modos, pressionam as escolas para iniciarem as crianças em práticas imorais?

Quem impulsiona as mudanças das leis de maneira a abolir a influência cristã e a substituí-la pelo velho paganismo?

Eis questões que pedem respostas; eis um tema muito apropriado para estudo e reflexões.

A SANTIDADE SUBSTANCIAL DA IGREJA

Resta perguntar como pode a Igreja manter-se santa ante as evidências de que alguns padres cometem esses graves delitos. Na realidade, o argumento mais forte contra a Igreja Católica sempre foi a vida dos maus católicos. Contudo, não nos pode surpreender que na Igreja de Cristo haja membros indignos. O próprio Jesus comparou  sua Igreja à rede   que apanha maus e bons peixes (cf.Mt 13,47-50); ao campo onde o joio cresce entre o trigo (cf.Mt 13m 24-30); à festa de casamento, para qual um dos convivas se apresenta sem a veste nupcial (cf. Mt 22, 11-14).

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Não obstante, a Igreja será sempre sem manchas, como ressalta São Paulo:

“Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef. 5,25-27)

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São Paulo

A Igreja é a única que tem uma dimensão divina. Por isso, apesar das faltas de sua dimensão humana, sua substância permanece sempre pura. Ela é santa, porque Santo é seu Fundador: é a imaculada Esposa  de Cristo. Só os homens da Igreja são pecadores, mas a Santa Madre Igreja não pode pecar, ressalta Paulo VI:

“não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui  em si outra vida senão a da graça: e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da santidade” Portanto para qualquer membro da Igreja incluindo os pertencentes ao clero, aplica-se esta regra: eles somente caem quando diminuem seu amor à Igreja e relaxam em seu compromisso para com ela.

A Igreja tem por finalidade a santificação dos homens de Cristo, Governada e composta por pecadores, ela é indefectivelmente santa, conforme provam os frutos abundantes  de santificação que tem produzido. Um possante sinal dessa santidade é a observância  voluntária dos conselhos evangélicos, pelo qual centena de milhares de homens e mulheres, renunciam a tudo o que poderiam ter de legítimo nesta vida  – família, posses, liberdade de decidir o que fazer –  para imitar totalmente a Cristo  Jesus.

DE CADA PERSEGUIÇÃO A IGREJA SAI FORTALECIDA

Haja o que houver, contemplando a sua própria história, a Igreja Católica pode dizer com Cícero:

“ALIOS VIDI VENTOS, ALIAS PROSPEXI ANIMO PRECELLAS”.

Como das investidas anteriores, ela sairá ainda mais forte da atual refrega. Incontáveis reações pelo mundo afora já antecipam tal desfecho. Na Irlanda e na Espanha, as igrejas se encheram, durante a \Semana Santa. Nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países do Ocidente, o número de conversões aumentou. Vários jornalistas, muitos dos quais não católicos, tomaram a defesa da Igreja. Será preciso lembrar que  as perseguições são indispensáveis para o alcandoramento da Esposa de Cristo? E também para sua renovação? Com efeito diz São Paulo:

“ Num oportet et hereges esse ut qui probati sunt manifestifiant in vobis. É necessário que entre vós haja hereges para que possam manifestar-se os que realmente são virtuosos”. (1 Cor 11,19)

Para destacar a perenidade da Igreja Católica Apostólica Romana, Santo Agostinho nos deixou esta sábia reflexão:

“A Igreja vacilará, se vacilar seu fundamento. Mas pode Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá  intacta até o fim dos tempos”.

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Depois desse depoimento primoroso, sejamos agradecidos ao nosso Bom Jesus que instituiu a Santa Igreja Católica, para dar prosseguimento até o final dos temos, ao seu Sacrifício salvífico, através do Pão da Palavra e da generosa distribuição dos sacramentos, do exemplo dos seus santos, e em meio ao joio que em vão tenta se sobrepor ao trigo, que jamais deixará de crescer e alimentar a todos os homens, pois as palavras do Divino Mestre são eternas:  AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO SOBRE  ELA, SUA  SANTA , IMACULADA E INDEFECTÍVEL IGREJA!

 

 

 

 

 

Deus te vê!

Estimadíssimos leitores, como é do conhecimento de todos, está ficando cada vez mais difícil encontrarmos novas e boas histórias para crianças. Assim, fiquei muito contente ao deparar-me com um texto atraente e formativo, e por isto apropriado  para crianças, mas que  serve também para jovens que estão iniciando sua adolescência, e até para pessoas  adultas  que têm Fé e uma alma que sabe admirar  as coisas belas, e ao mesmo tempo simples e inocentes,  que podem ser encontradas em todos os continentes do nosso planeta.

Uma história infantil de bom quilate deve conter  um bom exemplo,  uma lição de vida,  dever ser inocente pois tem como público alvo as crianças  que devem ser  tratadas com respeito e carinho , como nos ensinou o Divino Mestre Jesus em várias oportunidades, admoestando severamente a quem de algum modo as escandalizasse, como lemos no Evangelho de São Mateus, 18, 6 :

– ” Mas se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crê em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.”

É uma história encantadora e cheia  de surpresas , que gostaria de compartilhar com vocês.

                                                                      DEUS TE VÊ

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“O Edifício que abrigava o convento localizado nas montanhas  era imponente e grandioso, mais parecia um castelo de Deus. E isso em nada prejudicava o espírito de pobreza  das virtuosas monjas que ali habitavam. Ao contrário,  recolhidas e totalmente voltadas à oração, na mais perfeita observância à regra de sua Ordem, o panorama e o ambiente as ajudavam a aproximar-se do Criador, pois sabiam que tudo concorreria pra a glória d’Ele, para quem viviam.

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Trabalhavam a terra, comiam o que cultivavam e vendiam doces feitos com as frutas que lhes produzia seu generoso pomar. Eram famosas as maçãs do convento. Todos da região comentavam que nunca se havia visto outras tão belas e saborosas.

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Naquelas cercanias vivia Eduardo e seu avô, a quem ajudava em sua marcenaria. Ele sonhava com as maçãs das religiosas… Sempre que podia, escapulia com seu cachorrinho Faru para brincar perto  do convento e tentar descobrir onde ficava o pomar. Tinha esperança de achar alguma fruta caída pelo chão.

Já havia feito a Primeira Comunhão e sabia que não podia pegar nada alheio. Mas, se a maçã  estivesse fora do muro não teria mais dono… O cão farejava por todos os lados, o menino buscava e buscava, e nunca encontraram nada!

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Uma tarde, porém, enquanto vasculhavam os arredores do convento, abriu-se devagar seu imenso portão de madeira.

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– Faru – disse Eduardo ao cachorrinho, será que vão zangar-se conosco por estarmos aqui?

Assustado, ele olhava para aquela porta tão grande e gasta pelo tempo, na expectativa do que ia acontecer. Apareceu, então, a irmã porteira, já mais velha e com a fisionomia bondosa.

– Bom dia, meu pequeno! Como você se chama?

-Bom dia Madre! – respondeu – meu nome é Eduardo. E a senhora, como se chama?

– Sou a Irmã Maria de Jesus e sempre o vejo brincar por aqui com seu cachorrinho. Você mora por perto?

– Au, au, au – ladrou Faru, abanando o rabinho amistosamente, percebendo que havia sido mencionado.

– Quieto Faru –  ralhou o menino. E,dirigindo-se à freira, continuou:

–  Sim, moro aqui pertinho com meu avô, que é marceneiro.

-Marceneiro?! – Há tempos buscamos um, a fim de consertar vários móveis das salas e do refeitório. Será possível ?  Pediremos as devidas autorizações ao Senhor Bispo, para que ele possa entrar em nossas clausura e trabalhar.

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– Vou falar com ele. Acho que poderia sim. Só que eu teria que entrar também,  pois sou seu principal ajudante…

– Não tem problema, pedimos a autorização para um rapazinho mais – disse a religiosa.

O menino despediu-se da nova amiga e desceu a ladeira, em disparada, para contar ao avô. Teriam um boníssimo trabalho e ele realizaria seu grande sonho: entrar no convento e conhecer as tão famosas maçãs…

– Vovô, vovô! Veja o que aconteceu… E narrou-lhe tudo.

O avô aceitou a proposta, pois precisavam mesmo de trabalhos novos. A últimas encomendas estavam quase terminadas e ele estava ficando preocupado com sua sobrevivência e  do neto, caso não aparecesse algo. Eram tempos escassos aqueles!

Passadas algumas semanas, chegaram as autorizações do Prelado. Eduardo e o avô se dirigiram ao convento para iniciar o trabalho. O menino estava emocionado. Não havia levado Faru, pois podia atrapalhar seus intentos. Contudo, sentia falta do amiguinho nessa hora tão especial.

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Entraram pelo grande e antigo portão, e todas as freiras, avisadas das visitas, se recolhiam à sua passagem para guardar a clausura. Visitaram o Santíssimo Sacramento na bela capela, iluminada àquela hora da manhã pelos raios de sol que incidiam sobre os vitrais, pintando os mármores do piso e das colunas com as mais variadas e brilhantes cores.

 

Depois de ver o que deveriam fazer, avô e neto começaram a trabalhar, serravam, martelavam, lixavam e poliam… Eram marceneiros de mãos cheias.

A hora do lanche, Eduardo parou para descansar e decidiu explorar os aposentos do convento, pensando: – “Chegou a hora! Vou buscar a despensa.  Seguramente ali estarão armazenadas as maças, pois não posso ir ao pomar”.

 

Encontrando a cozinha, refletiu:  -“Ninguém guarda alimentos muito longe da cozinha. A despensa deve estar por aqui…”.

Andava pé ante pé para não despertar a atenção de uma freira. No fundo de um corredor, deu de frente com a tão cobiçada despensa. Lá entrando, viu vários armários, todos muitos limpos e ordenados , onde havia latas de arroz, feijão, farinha e açúcar onde estariam as maçãs?

Seu coração batia aceleradamente… Abria todas as portas e encontrava potes de vidro, copos, louça, vasilhas de barro, conchas e colheres de pau. E nada de maçãs… Por fim quando abriu o último armário, oh alegria! Ali estavam as maçãs! Havia também peras, goiabas e laranjas. As maçãs eram de um vermelho como nunca vira. E enormes! Olhou ao redor, para certificar-se de estar sozinho, e ficou na ponta dos pés até alcançar uma delas…

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Nesse momento, seu olhar pousou em um bonito azulejo decorativo fixado na parede, que dizia com grandes letras azuis e douradas:

                                                            “DEUS TE VÊ”

Eduardo ficou pálido…Era verdade! Deus o via e ele estava prestes a roubar uma maçã!

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Fechou a porta do armário devagar e voltou cabisbaixo pata junto do avô. Não teria sabor aquela maçã tão bonita  se tivesse sido roubada… Sempre se lembrava disso em sua vida, pois Deus vê todos os nossos atos, os pecaminosos, os certos e honestos. Jamais estamos sozinhos!

Chegada a hora do almoço, a Irmã Maria de Jesus veio trazendo-lhes uma deliciosa sopa de galinha e verduras frescas, colhidas na  horta. E como sobremesa… maçãs!  O menino mal podia acreditar. Provou a fruta e parecia do paraíso. Nunca comera algo igual! E não havia só uma, foram várias as que a freira lhes ofereceu.

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Assim também age Deus conosco. Ele recompensa em abundância aqueles que são honestos, retos de consciência e que procuram viver a vida sabendo que Ele é misericórdia, amor, perdão, mas algo que esquecemos muito: Ele é Temor; sim devemos  lembrar disso a todo instante com nossos atos que praticamos na nossa vida, pois Deus Vê Tudo”.

Espero estimados irmãos  e irmãs, que tenham tirado boas lições desta singela mas profunda história! Mais atual do que nunca, não é verdade?

Deus seja louvado sempre!

Bibliografia:

Histórias para Crianças ou Adultos cheios de Fé – Revista Arautos do Evangelho

Irmã Juliana Vasconcelos Almeida Campos, EP

 

Sábias palavras

Quero registrar nesse “post”, a emoção e a alegria de poder passar para meus irmãos e minhas irmãs,  excertos da Encíclica” Spe Salvi”, de 30 de novembro de 2007, escrita pelo Papa Emérito Bento XVI.

Já havia lido trechos desta riquíssima Carta de nosso amado Papa Ratzinger e lendo as últimas notícias deste mundo tão feio, por vezes, assustador e caótico , em que vivemos, em  meio a sinais de esperança e  de algumas “lufadas de ar puro”, nada como deleitar a alma com leituras de uma pulcritude que liga a terra ao Céu.

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E como estamos na primeira  semana da quaresma, achei muito oportunos e atuais os ensinamentos  deste insigne teólogo e pensador  para reflexão de nossos caríssimos leitores, sobretudo porque  a quaresma é um tempo de penitência e oração que nos  prepara para a Ressurreição do Senhor, a Páscoa,  o ápice do Ano Litúrgico. É tempo  forte e repleto de graças, propícias ao arrependimento, perdão, e mudança de vida, como já tivemos oportunidade de refletir em outro “post”.

LUZES VIZINHAS QUE ORIENTAM A NOSSA VIDA

“A vida humana é um caminho, Rumo a qual meta? Como achamos  o itinerário a seguir?

A vida é como uma viagem no mar da História, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem,  na qual  perscrutamos os astros que nos indicam a rota.

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A verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão. Elas são luzes de esperança. Certamente, Jesus Cristo é a Luz por antonomásia, o  Sol erguido sobre todas as trevas da História. Mas, para chegar até Ele precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão Luz recebida  da Luz d’Ele e  oferecem, assim,  orientação para a nossa travessia.

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E   quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela de esperança?  Ela que, pelo seu ” sim,” abriu ao próprio Deus a porta do nosso mundo; Ela que Se tornou a Arca da Aliança  viva, onde Deus Se fez carne, tornou-se um de nós e estabeleceu a sua tenda no meio de nós (cf. Jo 1, 14).

Por isso, a Ela nos dirigimos:

Santa Maria, Vós pertencíeis àquelas almas humildes e grandes de Israel que, como Simeão, esperavam “a consolação de Israel” (Lc 2,25) e, como Ana, aguardavam a “libertação de Jerusalém” (Lc 2, 38).

O SIM DE MARIA TORNOU REALIDADE A ESPERANÇA

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Vós vivíeis em íntimo contato com as sagradas Escrituras de Israel, que falavam da  esperança, da promessa feita a Abraão e à sua descendência (cf Lc 1,55). Assim, compreendemos o santo temor que Vos invadiu, quando o Anjo do Senhor entrou nos Vossos aposentos e Vos disse que daríeis à Luz Aquele que era a esperança  de Israel e o esperado do mundo.

Por  meio de Vós, através do Vosso “sim”, a esperança dos milênios havia de se tornar realidade, entrar neste mundo e na sua História. Vós Vos inclinastes diante da grandeza desta missão e dissestes “sim”. ” Eis a escrava do Senhor, faça-se em Mim segundo a Tua palavra” (Lc1,38).

Quando, cheia de santa alegria, atravessastes apressadamente os montes da Judeia para encontrar a vossa parente Isabel, tornastes-Vos a imagem da futura igreja, que no seu seio leva a esperança do mundo através dos montes da História. Mas, a par da alegria que difundistes pelos séculos, com as palavras e com o cântico do vosso Magnificat, conhecíeis  também  as obscuras afirmações dos profetas sobre o sofrimento do Servo de Deus neste mundo,

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Sobre  o nascimento no presépio de Belém brilhou o esplendor dos Anjos que traziam a boa-nova aos pastores, mas, ao mesmo tempo era demasiado palpável. O velho Simeão falou-vos da espada que atravessaria o Vosso Coração (cf Lc 2, 35), do sinal de contradição que vosso Filho haveria de ser neste mundo.

 

A HOSTILIDADE E A REJEIÇÃO SE AFIRMARAM Á VOLTA DE JESUS

Depois quando iniciou a atividade pública de Jesus, tivestes de Vos pôr de lado, para que pudesse crescer a nova família, para cuja constituição Ele viera e que deveria desenvolver-se com a contribuição daqueles que tivessem ouvido e observado a sua palavra (cf. Lc 11, 27s). Apesar de toda a grandeza e alegria do primeiro início da atividade de Jesus, Vós, já na sinagoga de Nazaré, tivestes de experimentar a verdade da palavra sobre o “sinal de contradição.” (cf.Lc 4, 28s)

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Assim, vistes o crescente poder da hostilidade e da rejeição que se ia progressivamente afirmando à volta de Jesus até à hora da Cruz, quando tivestes de ver o Salvador do mundo, o herdeiro  de Davi, o Filho de  Deus morrer como um falido, exposto ao escárnio, entre os malfeitores. Acolhestes então a palavra:” Mulher, eis aí o teu filho” ( Jo 19, 26).

maria_aos_pes_da_cruz_1.jpgDa Cruz, recebestes uma nova missão. A partir da Cruz ficastes Mãe de uma maneira nova:  Mãe de todos aqueles que querem acreditar no vosso Filho Jesus e segui-Lo. A espada da dor trespassou o vosso Coração. Tinha morrido a esperança? Ficou o mundo definitivamente  sem luz, a vida sem  objetivo?

” NÃO TEMAS MARIA”

Naquela hora, provavelmente, no vosso íntimo tereis ouvido novamente a palavra com que o Anjo tinha respondido ao vosso temor no instante da Anunciação: “Não temas, Maria!” (Lc 1,30).

Quantas vezes o Senhor, o vosso Filho, dissera   a  mesma coisa aos seus discípulos: Não temais! Na noite do Gólgota, Vós ouvistes outra vez esta palavra. Aos seus discípulos, antes da hora da traição, Ele tinha dito: “Tende confiança! Eu venci o mudo” (Jo 16,33). ” Não se turve o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14, 27).

“Não temas Maria!” Na hora de Nazaré, o Anjo também vos tinha dito: ” O seu reinado , não terá fim” (Lc 1, 33). Teria talvez terminado antes de começar?  Não;  junto da  Cruz, na base da palavra mesma de Jesus,  Vós tornastes-Vos Mãe dos crentes. Nesta fé que,  inclusive na escuridão do Sábado Santo, era certeza da esperança, caminhastes para a  manhã de Páscoa.

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A alegria da Ressurreição tocou o Vosso Coração e uniu-Vos  de um novo modo aos discípulos, destinados a tornar-se  família de Jesus mediante a fé. Assim  Vós estivestes no meio  da comunidade dos crentes, que, nos dias após a Ascensão, rezavam unanimemente  pedindo o dom do Espírito Santo ( cf. At. 1, 14)  e o receberam no dia de Pentecostes. O “Reino” de Jesus era diferente daquele que os homens tinham podido imaginar. Este “Reino” iniciava naquela hora e nunca mais teria fim. Assim, Vós permaneceis no meio dos discípulos como a sua Mãe, como Mãe da Esperança. Santa Maria, Mãe de Deus, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o seu Reino. Estrela do Mar, brilhai sobre nós e guia-nos no nosso caminho!”

(Bento XVI, Excerto da Encíclica SPE SALVI, 30.11.2007, publicado na Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2018)

 

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Diante dessas palavras inspiradas do  Papa  Bento, que faz uma retrospectiva da Vida de Nossa Senhora, desde o momento da Anunciação, pelo Anjo Gabriel, de que Ela daria à luz Aquele que seria o nosso Salvador e Rei do Universo, devemos acolher tais reflexões como uma torrente de graças e luzes para a nossa vida, lembrando sempre todo o sofrimento que permeou a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Santíssima Mãe,  pois estamos a caminho do desfecho triunfal deste itinerário que é a Ressurreição de Jesus.  Ressurreição  que é o fundamento da nossa Fé, como nos adverte o grande Apóstolo São Paulo!

E concluímos ressaltando que  Bento XVI  , lembra-nos  que Jesus e Maria  são a Luz do mundo,  o exemplo a ser seguido, e que nós temos o dever de sermos bons, caridosos, honestos, pois o mundo carece  de exemplos vivos de tais virtudes e valores.