Este blog busca despertar nas pessoas a admiração pelo belo e maravilhoso!

Dom Pedro II: O Grande Estadista

Caríssimos leitores, vocês sabiam que o Brasil em passado recente figurava entre as maiores potências políticas do mundo de então, isto no período denominado Segundo Império, de 1840 a 1889, no qual pontificou o Imperador D. Pedro II, o maior estadista do Brasil e um dos maiores estadistas de todo o mundo!

 Ocorre, caríssimos leitores que, de um modo geral, a História do Brasil, com honrosas exceções, não nos foi bem contada. Não nos explicaram bem determinados fatos, não ressaltaram o valor de muitos homens e mulheres que ajudaram a formar a nossa nacionalidade, não nos revelaram grandes feitos e realizações de nossa Monarquia, tampouco a genialidade e funcionalidade de nossa forma de Governo e de nosso Regime político – uma Monarquia constitucional com Poder moderador; também omitiram  a pujança dos nossos partidos políticos, o conservador e o liberal, de modo especial, que se alternavam no exercício do poder legislativo, nem tampouco ressaltaram a probidade e o  compromisso dos seus integrantes com a coisa pública, o que coibia e reduzia, paulatinamente a casos episódicos os deslizes, que uma vez cometidos,  alijavam para sempre da vida pública seus autores.

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 Bem entendido,  portanto, não estamos afirmando que tudo foram flores, que não houve defeitos e desacertos, até porque isto é impossível em virtude das debilidades, fraquezas e misérias do ser humano, como deflui do Salmo 50, 7 em  que o Rei Davi exclama: “ Eis que nasci na culpa, minha mãe concebeu-me no pecado,” E mais adiante, no versículo 9 clama: “ Aspergi-me com um ramo de hissope e ficarei puro.  Lavai-me e me tornarei mais branco do que a neve”. E esta é luta cotidiana do homem aqui na Terra- do homem novo nascido da Graça contra o homem velho concebido no pecado, como nos adverte São Paulo na Carta aos Efésios 4, 22. E que se aplica também, “mutatis mutandis”, à formação, desenvolvimento e aperfeiçoamento das nações e dos países.

 Todavia, o que importa é que, de um modo geral , na  essência e nos  propósitos, logramos atingir um nível de excelência em termos de governança, estabilidade política e econômica, e probidade, mormente no que tange à preocupação com bem comum e o trato com a coisa pública, jamais alcançado em nossa História, o que nos colocou em posição de destaque no concerto das nações mais desenvolvidas, a exemplo da Inglaterra, Áustria e Estados Unidos!

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Dom Pedro II é aclamado imperador do Brasil, permanecendo por 49 anos no poder

 E neste sentido vou pincelar alguns fatos e realizações através dos quais esse grande estadista, nosso Imperador D. Pedro II, concretizou de forma brilhante o seu ideário político e sua paternal governança , deixando-nos a um só tempo, orgulho e  saudades,   por  termos vivido uma época, relativamente longa, em que a regra de ouro era a honestidade, máxime quando se tratava da “res publica”, do respeito às instituições e às leis e às regras morais,  dos direitos do cidadão, e onde o habitual eram o normal e a virtude,  e portanto havia uma certa “douceur de vivre”, e obviamente com muitos menos problemas, do que os  que hoje enfrentamos, em nossa vida cotidiana e em nossa  vida política.

É claro que havia problemas, desentendimentos e sobretudo em época de eleições, em que as paixões costumam sobrepôr-se à razão, mas como vamos ver mais adiante, o Imperador era no dizer do então senador Ruy Barbosa “ uma sentinela vigilante de cuja severidade todos se temiam, e que acesa no alto guardava a redondeza como um Farol que não se apaga em proveito da honra, da justiça  e da moralidade” ( discurso de 14 de dezembro de 1914) e que, por outro lado, tudo de relevante anotava em seu caderninho preto e, no momento oportuno, sabia punir os faltosos e evitar que prosseguissem na prática de atos ilícitos e reprováveis e fizessem carreira, indeferindo-lhes uma indicação ou postulação para algum cargo público.

Um ponto que merece uma consideração especial diz respeito à escravidão, sendo frequente ouvirmos dizer que o Brasil foi um dos países que mais demorou em aboli-la, o que não se pode negar. Contudo, importa ressaltar que o Imperador não possuía escravos, pois alforriou todos os que pertenciam à sua família e logo que assumiu o poder conseguiu a aprovação da Lei Euzébio de Queiroz que proibiu o tráfico de escravos, a partir de então, e isto em meio a fortes pressões dos interessados em manter a mão de obra escrava.

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A realeza brasileira, com a Princesa Isabel ao centro, durante missa campal celebrando a abolição da escravatura, em 17 de maio de 1888.

Ademais, foi estimulando e sancionando todas as Leis que paulatinamente iam extinguindo essa pecha do Brasil, a exemplo da Lei do Sexagenário e a do Ventre Livre o que acabou sendo feito por sua filha a Princesa Isabel, através da Lei Áurea, numa das viagens do Imperador ao exterior, e que foi uma das causas da queda do Império, mediante a proclamação da República, um surreal golpe de Estado, em que o Marechal Deodoro da Fonseca que nem sabia bem o que estava fazendo, quando os republicanos positivistas o tiraram da cama, pois estava dispneico, e o colocaram num lombo de um cavalo, dizendo-lhe que era preciso derrubar o Chefe do Gabinete, Visconde de Ouro Preto. E no dizer do republicano Aristides Lobo, “ o povo assistiu bestializado” o malsinado ato. Já a consagrada obra “Revivendo o Brasil Império”, de Leopoldo  Bibiano Xavier e outros críticos do golpe, dizem que a “República nasceu dispneica.”.

Há um ditado popular que diz: “Pau que nasce torto, não tem jeito morre torto…”

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 Marechal Deodoro e suas tropas

E foi assim que a nossa República vem registrando, ao longo de seus 130 anos, uma sucessão de crises e desatinos ( em meio a pequenos períodos de estabilidade),  que não vem ao caso enumerar aqui, naufragando em um verdadeiro mar de lama, no que se refere à corrupção, lavagem de dinheiro e outras práticas criminosas, como fartamente noticiado pelas redes sociais e por nossos meios de comunicação, do qual vem lutando para sair pois felizmente ainda temos pessoas honradas e que querem ver o nosso País cumprir a missão para a qual Deus lhe destinou e que permita o nosso povo sonhar novamente com dias melhores para si e para suas famílias e futuras gerações.

O grande pensador Cícero afirmou, com muita sabedoria, que a “História é mestra vida”.

E eu acho isto é uma grande verdade, quer se trate de pessoas e de famílias, mas também de modo especial de nações e de países. Sobretudo quando se tem uma História que tem uma bela origem, muitos personagens valorosos, fatos e feitos grandiosos e heroicos e realizações de escola. 

E neste sentido, vamos compartilhar com os estimados leitores um pouco da nossa História do Brasil, com excertos de considerações da lavra do inexcedível  Professor Plínio Correa de Oliveira. Queira me acompanhar.

 CONSIDERAÇÕES SOBRE O BRASIL IMPÉRIO

O governo de Dom Pedro II foi um longo reinado patriarcal. Tanto mais patriarcal quanto mais as suas longas barbas iam ficando brancas. Aquela barba concorria bem para a popularidade dele. Por certo, nenhum publicitário lhe recomendaria raspá-la ou reduzi-la a um bigode faceiro. A ideia até desagrada. Aquela grande barba patriarcal tinha um sentido muito afim com o modo pelo qual os brasileiros gostam de ser governados.

Um dos monarcas mais cultos de seu tempo

Dom Pedro II tornou-se Imperador em 1830 e foi deposto em 1889. Portanto, foram quase sessenta anos de reinado. Foi de longe o homem que mais longamente governou o Brasil. Creio, aliás, que a essa sobrevivência da monarquia – um pouco como Moisés vogando num bercinho no Nilo, assim Dom Pedro II nas suas almofadas nos braços incertos de José Bonifácio – deveu-se não só a unidade do Brasil, mas o fato deste País não ter caído no regime dos “pronunciamentos” das repúblicas espanholas da América do Sul, nas quais, “por dá cá aquela palha”, eclodiam brigas – um tanto herdadas do temperamento “caliente” da madre pátria – logo puxadas a tiros. Depõem um presidente, colocam outro… lá vai aquela coisa.

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Dado nosso feitio, nós, brasileiros, custamos a entrar na briga, mas para sair depois também não é fácil.

Apaixonamo-nos pelas brigas e aquilo vai até onde for…

O Brasil teve praticamente – exagerando um pouco – cinquenta anos de paz. Houve alguns golpes de Estado e outros episódios análogos, mas que não tocaram na pessoa do monarca nem no poder central. Foram pequenos golpes regionais, coisas desse gênero. Dom Pedro II foi um símbolo de união e de paz no Brasil.

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José Bonifácio

Ele parece ter compreendido isso perfeitamente, e desde o começo colocou-se numa posição assim. José Bonifácio despertou nele um ardente desejo de desenvolver- -se intelectualmente. Para mim, não há dúvida de que ele foi um dos monarcas mais cultos de seu tempo. Não sei se ele era tão inteligente, pois não conheço um lance de grande inteligência dele. Mas era um homem que lia muitíssimo e tinha a ambição de ser conhecido no mundo inteiro como um grande intelectual. E foi. Se buscarmos na enciclopédia Larousse os “Pedros” do Brasil, encontraremos referências a Pedro II como sendo um sábio que se distinguiu entre os sábios. Correspondia-se com Victor Hugo e com outros grandes intelectuais daquele tempo. Quando ele ia à Europa, recebia visitas dessa gente e assim teve para si uma espécie de carreira intelectual ao lado da política. Essa carreira intelectual dava-lhe prestígio no Brasil, porque ter um imperador considerado sábio no mundo inteiro dava cotação, e a sua projeção internacional neste sentido era maior do que a de qualquer brasileiro. Ele pairava nas nuvens…

Patriarca da grande família chamada Brasil

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De outro lado, pela Constituição brasileira, o seu papel era de não entrar em partido político e não tomar a defesa de nenhum, mantendo uma espécie de equilíbrio entre os partidos. E ele se atinha estritamente à Constituição. Enquanto seu pai era despótico e cheio de venetas, ele, de um temperamento bom, pachorrento, amável, muito cordial, cumpria a Constituição à risca.

Entretanto, Dom Pedro II encontrou uma saída para dominar a política: seu prestígio pessoal sobre os políticos era tão grande que, embora tenha exercido com sobriedade as atribuições de Imperador, as de conselheiro extraoficial dos políticos exerceu-as largamente. Inclusive, faziam- -lhe a acusação de que mandava mais no Brasil por seu prestígio pessoal do que como monarca. Queriam ver nisso uma inversão da Constituição, mas ficava-lhe fácil argumentar: “Não. Qual foi o artigo que eu violei? Aconselhar-se comigo numa ação privada? Eles podem se aconselhar com quem quer que seja, só não podem aconselhar-se com o Imperador?”

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Imaginem homens, vindos de qualquer ponto do Brasil, que vão exercer suas funções governamentais no Rio de Janeiro e encontram um monarca que está governando há cinquenta anos… Com uma memória prodigiosa, conhece tudo como se deu, como foi, como não foi, e sabe aconselhar para além de suas atribuições. De maneira que ele ajuda os ministros a acertarem. Não pediriam conselhos a esse homem?

Ademais, com o jeitão dele – de bom pai de família, papai de todos os ministros mais novos que chegavam, conselheiro de todo o mundo que queria dele um bom aviso, uma boa ponderação, uma boa sugestão, acima de todos os outros como imperador, como sábio, como homem que tinha no Brasil uma bela fortuna – ele estava quase invulnerável, por cima das nuvens e numa posição meio de patriarca desta grande família chamada Brasil, e meio de chefe de Estado. Um rei que governa como pai dá licenças e conselhos a todo o mundo.

Isso proporcionava uma grande concórdia nacional dentro das paixões regionais que havia: contendas entre partidos, saía porrete, falsificação de eleições… Contudo nunca eram brigas profundas, mas superficiais. No fundo, reinava uma grande tranquilidade, perturbada apenas pela Guerra do Paraguai.

Nessa guerra, Dom Pedro II se empenhou de tal maneira que quando ela se iniciou, ele era ainda mocetão; quando acabou, as barbas dele tinham ficado brancas. Provavelmente, ele compreendia que se perdesse a guerra perdia o trono. Então, agarrou-se à vitória do Brasil com toda a força, foi lá, lutou, entrou na história, mandou o Conde d’Eu, genro dele, batalhar também, deu todo o apoio a Caxias. Participou intensamente da guerra até Solano Lopes ser derrubado. Um ano depois de ter vencido a guerra, mais ou menos, mandou um oficio ao parlamento pedindo, nos termos da Constituição, licença para se afastar do Brasil para descansar por causa da guerra.

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O imperador D. Pedro II com os seus dois genros, o Duque de Saxe-Coburgo-Gota e o Conde D’Eu, em Alegrete, durante a Guerra do Paraguai

O Brasil teve a segunda esquadra mercante do mundo

A viagem de um monarca naquele tempo, de navio, era lenta, levava mais ou menos um ano. Acrescentando que, com as economias que tinha feito, ele estava em condições de pagar todo o gasto da viagem e não precisava o Tesouro brasileiro entrar com um tostão.

Nesse período, o Brasil próspero e tranquilo estendeu muito suas fronteiras interiores, quer dizer, a parte do solo brasileiro cultivada cresceu muito. Não foi preciso fazer reforma agrária. Tirava do Estado, é claro. Ali não tem dono, os fazendeiros entravam, abriam fazenda, aquilo passava a pertencer a eles e estava acabado!

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Armada Imperial do Brasil

Assim, o Brasil passou a produzir grande quantidade de víveres, dos quais os principais eram o café e o fumo. Aliás, no brasão de armas do Brasil daquele tempo notam-se ramos de café e de fumo.

O Brasil precisou e teve ele próprio a sua esquadra mercante. Constituída de navios construídos com madeira das florestas brasileiras, chegou a ser a segunda do mundo. Explica-se: os mercados consumidores – os Estados Unidos, um pouco o Canadá e as várias nações da Europa – eram muito distantes. O Brasil com o litoral enorme precisava fazer navegação de cabotagem, porque as estradas internas eram muito raras; então ficava mais fácil realizar a comunicação por meio do mar. Sem muitos navios não era possível conseguir isso. O Brasil ficou com uma esquadra mercante colossal.

As finanças estavam prósperas

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Qual era o estado das finanças? Nas notas do tempo do Império estava escrito o seguinte: “Mediante a apresentação desta cédula, encontrará Vossa Senhoria no Tesouro Nacional equivalente quantidade em ouro.” E era verdade. Bastava a pessoa chegar no Tesouro e dizer “Eu quero isto em ouro”, que eles davam.

Mas, como é muito mais fácil transportar papel do que ouro, acontecia que os comerciantes pagavam um tanto para receber em papel e não em ouro. É claro, porque como valia exatamente o mesmo tanto uma coisa quanto outra, para quem precisa ir, por exemplo, de São Paulo ao Rio de Janeiro carregando cem mil réis em ouro, tinha de levar um saco; enquanto que a mesma quantia em papel cabia numa bolsa. Resultado, pagava-se um acréscimo para receber o papel moeda que, por isso, valia ligeiramente mais do que o ouro, de tal maneira as finanças estavam prósperas. Era o ouro extraído das próprias minas do Brasil.

Havia inflação? Não propriamente. Tirava-se do chão o ouro e a prata, cunhava-se e distribuía-se. Hoje, aperta-se um botão, a máquina gira e saem as notas. Naquele tempo não era assim. As notas valiam, de fato, o correspondente em ouro e prata, e isso em qualquer mercado do mundo.

Com isso o Brasil prosperou colossalmente. Principalmente duas cidades, São Paulo e Rio de Janeiro, se tornaram centros animados de contato com o exterior”.

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Rio de Janeiro – 1889

A nossa moeda – o real, era tão forte que, pasmem, meus irmãos, se ombreava ao dólar e à libra esterlina, a poderosa moeda da Inglaterra!

Nosso Imperador era um literato, amante das ciências e das artes, incentivando o estudo das línguas, frequentava assiduamente as reuniões do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro criado em 1838, chegando a presidir diversas sessões consolidando o IGHB -Centro de Estudo Histórico e Literários bastante ativo, impulsionando a produção de autores como Joaquim Manoel de Macedo e Gonçalves Dias. Também envolve-se na condução e realização de projetos da Academia Imperial de Belas Artes utilizando-a inteligentemente como um fator de fortalecimento da Monarquia e da unificação  nacional. Financia e fornece auxílio público e privado, distribui bolsa, prêmios e medalhas aos artistas mais destacados. Por meio de encomendas oficiais ampara figuras como Félix Taunay. Adquire obras de Victor Meirelles, Pedro Américo, a exemplo da Batalha de Guararapes, de Américo e a Primeira Missa  no Brasil de Meirelles, obras famosas e que retratam o nascimento e a formação do Brasil.

Interessado nas ciências, estuda línguas, astronomia e geologia apoiando projetos de pesquisa científica de Carl F.P.Von Martius  e de outros cientistas. Cria a Imperial Academia de Música e a Ópera Nacional e auxilia  e auxilia compositores célebres como Richard Vagner, Enfim, haveria tanto e tanto para escrever sobre esse assunto relacionado ao apreço que nosso Imperador tinha pela cultura, pela arte e a ciência que extrapolaria os limites deste post.

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carta manuscrita por D. Pedro II a um cientista francês

Ganhou respeito e admiração de estudioso renomados como Grahn Bell, Victor Hugo, Richard Vagner, Louis Pasteur e Jean Martin Charot. Implementou as Linhas Férreas, Telegráficas e de Navios a Vapor, e tinha um projeto de utilizar largamente os nossos recursos fluviais.

Saliente-se por oportuno, que D. Pedro não era nem uma figura ornamental como os monarcas da Inglaterra nem tampouco um autocrata como eram os Czares russos, exercendo o poder através da cooperação com políticos eleitos, os meios econômicos e apoio popular. E esta interdependência e interação foram uma marca saliente no reinado de D. Pedro II. Os mais notáveis sucessos políticos do imperador foram alcançados devido à maneira cooperativa de não confrontação em face de interesses diversos e figuras partidárias distintas. Com efeito, ele era extremamente tolerante, raramente se ofendendo com críticas e oposição. E o que é de importância capital, só nomeava candidatos altamente qualificados para posições no governo e coibia a corrupção.

Fatores que corroíam o trono de Dom Pedro II

Durante esse tempo, Dom Pedro II viajou prodigiosamente pelo Brasil. Era um homem forte, muito robusto e fazia longas viagens pelo interior, às vezes no lombo de burro e de cavalo. Visitou o País inteiro e tomava notas. Ele tinha um famoso caderno preto, onde registrava todos os abusos que notava. Chegando ao Rio de Janeiro, ele mandava chamar os ministros e pedia interferência contra tal juiz que era ladrão, tal outro não sei o quê… Esse caderno era misterioso, ninguém lia, só ele.

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Nesse regime, esse homem conhecedor e conhecido do Brasil inteiro, palmo a palmo, tornou-se íntimo de todo o mundo. Isso ainda firmou mais a influência dele.

Contudo, alguns fatores corroíam seu trono. Quais eram esses fatores? Primeiro, o fato de que ele era o único monarca do continente americano. A monarquia parecia uma forma de governo velha, que não pegava em terras novas. A tentativa de instaurar uma monarquia no México, com o Imperador Maximiliano, deu numa tragédia em Querétaro. Foi uma coisa efêmera, não pegou, e constituiu para os olhos do espírito liberal daquele tempo mais uma prova da incapacidade de a monarquia germinar na América. Havia, pois, uma certa vergonha do Brasil estar fora de moda, sendo monarquia, porque a república era a forma de governo elegante do tempo. A França e a América do Norte eram repúblicas. A Inglaterra, apesar de não ser republicana, era a mais liberal das monarquias da Europa. De maneira que tudo isso fazia com que o Imperador parecesse uma excrescência que o curso dos tempos teria que eliminar.

Por outro lado, também concorreu muito para a queda da monarquia a atitude de Dom Pedro II na questão religiosa com Dom Vital, que não é o momento de tratar.

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Dom Pedro II no Oriente

Outra circunstância foi a seguinte: o Imperador, ele próprio, extremamente liberal, proporcionou todas as facilidades possíveis para a república entrar. O Partido Republicano gozava de toda a liberdade.

Um caso ocorrido na minha família mostra bem isso. Minha avó tinha um irmão que fez concurso para a Faculdade de Direito e passou. Ele devia ser nomeado pelo Imperador a quem escreveu uma carta, dizendo: “Eu previno Vossa Majestade que sou republicano e que, como professor da Faculdade de Direito de São Paulo, trabalharei pela proclamação da república. Portanto, se disserem que eu, tendo sido nomeado por Vossa Majestade, fiz propaganda republicana, não julgueis que sou um traidor e que vos devo uma cátedra a qual conquistei pelo meu talento. Agora, decidi como quiserdes.”

Depois de alguns dias saía o decreto do Imperador nomeando o republicano como catedrático da Faculdade de Direto. Fatos como este há em quantidade no reinado dele. Ele corroía assim o seu próprio trono”

Victor Hugo chegou a dizer que, se as monarquias europeias tivessem um monarca como D. Pedro a república não teria logrado se estabelecer em muito de seus países! Era considerado o mais democrata de todos os monarcas de seu tempo!

Visita a Pirassununga

A visita de Dom Pedro II a uma cidade do interior de São Paulo, Pirassununga, onde moravam Dona Lucília e meus avós maternos, retrata bem o aspecto familiar do relacionamento do Imperador com o povo brasileiro.

Naturalmente, toda a cidadezinha estava avisada com muita antecedência da chegada do monarca. Então prepararam grandes festas e foram recebê-lo na estação de trem.

Havia em Pirassununga fazendas com pomares fertilíssimos, os quais produziam frutas em tal quantidade que estas caíam pelo chão e qualquer pessoa podia pegar, sem pedir licença; aquilo era aberto, porque dava para quem quisesse e sobrava toda espécie de frutas.

Ora, Dom Pedro II era louco por jabuticabas e existia ali uma fazenda cujo proprietário plantara um pomar só de jabuticabas. Então, para alegrar um pouco a visita, ao invés da eterna festa de escolinha, com meninas recitando discursinhos compostos pelo professor, resolveram que era mais interessante oferecer ao Imperador e à Imperatriz um lanche em casa de meu avô, seguido de uma visita a essa fazenda para ele chupar jabuticabas à vontade.

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Durante todo esse tempo, o trem imperial ficava parado na estação de Pirassununga. Evidentemente, ninguém o movia nem tinha horário; quando o Imperador acabasse de comer jabuticabas, ele embarcava.

Chegando à cidadezinha, o monarca desembarcou ao som da banda de música municipal e foi levado para a casa de meu avô. Minha mãe me dizia que ela ainda se lembrava de minha avó ter ficado no vagão com a Imperatriz porque, sendo manca, andava com dificuldade e não ia descer. Ademais, parece que não se interessava tanto assim por jabuticabas…

O Imperador, afagando a menina Lucília, chama-a de “minha filha”

Assim, Dona Teresa Cristina permaneceu no vagão conversando com as senhoras de Pirassununga, enquanto Dom Pedro II descia até a casa de meu avô e ali tomava contato com os principais políticos da cidade. Deu-se, então, uma cena tipicamente brasileira.

Enquanto eram servidos os alimentos, o monarca pegou minha mãe, que era uma menina de quatro ou cinco anos, a pôs em pé entre os joelhos dele, e durante a conversa ele brincava com ela chamando-a de “minha filha”. Para agradá-la, distraído e meio maquinalmente, passava a mão sobre os cabelos dela. Tudo isso correspondia a essa familiaridade das coisas brasileiras, por onde Dom Pedro II era o vovô do Brasil.

Mamãe contava que seus cabelos tinham sido bem arranjados por minha avó, que os deixara ultracacheados e ornados com uma fita a qual a pequena Lucilia achava linda. Ela viu o Imperador derrubar todo o belo “edifício” e ficava com uma vontade enorme de pedir-lhe para não fazer aquilo, pois estava estragando o penteado dela.

Mas, coisas do instinto de menina, ela olhava para o pai a fim de ver se podia fazer isso, e o pai, naturalmente, percebia qual era a reação da filha. E, enquanto falava com o Imperador, ele sorria e com o olhar como que dizendo: “Não se atreva! Porque é a mão imperial, e onde ela pousa não se corrige nada. Depois que ele for embora, arranje sua fita e seus cachos.” Não foi dito, mas o olhar exprimia isto”.

Este fato revela a paternalidade de nosso Imperador e a familiaridade que tinha com o seu povo, que considerava verdadeiramente sua família, que faz lembrar um pouco o Rei de França, São Luis IX, aí pelo século XIII, que administrava a Justiça debaixo de um pé de carvalho!

“Falava o tupi na perfeição

Creio ter sido nessa mesma ocasião, não tenho certeza, que se deu outro fato o qual mostra bem a familiaridade das visitas do Imperador. Neste caso, a meu ver, familiaridade até meio excessiva…

Dom Pedro II sabia falar um dos idiomas indígenas na perfeição, como quem fala um idioma contemporâneo. Um político do lugar, querendo colocar em má situação o chefe da oposição, adversário político, quando ia da estação para a casa, disse ao Imperador:

— Vossa Majestade sabe quem aqui está em condições de falar tupi com Vossa Majestade? É o Doutor Fulano. Ele fala tupi na perfeição. Dirija-se a ele nesse idioma, pois vai ficar muito contente.

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Tendo-lhe sido apresentado o Doutor Fulano, Dom Pedro II começou a falar com ele em tupi. O homem não entendeu podia passar pela cabeça dele tudo no mundo, exceto que o Imperador lhe dirigisse a palavra em tupi. Por fim, acabou dizendo:

— Eu não entendo o que Vossa Majestade está dizendo.

Então o monarca caiu em si, compreendeu que tinham feito uma jogada política para desprestigiar o homem e disse amavelmente:

— Ah! Tinham me dito que o senhor falava tupi, por isso lhe dirigi a palavra nesta língua…

E mudou de assunto, não revelou quem lhe dissera isso e a coisa passou. (Extraído de conferência de 23/11/1985) – (Revista Dr. Plinio, Abril/2019, n. 253; pp. 16 a 23).

Concluindo: seria de muito bom alvitre que os nossos homens públicos estudassem este período de nossa História e aproveitassem muitas das suas ideias, projetos e realizações, e o modo de governar de D. Pedro II, a ver aquilo que fosse passível de aplicação, com as devidas e necessárias adaptações para os tempos atuais, pois seria de grande valia para nosso povo e uma forma de a nossa tumultuada e sofrida República prestar um culto de reverência e até de reparação à nossa Monarquia ( como aliás o fez Ruy Barbosa, um ano depois do banimento absurdo e desumano do Imperador com a nossa Imperatriz e toda a família Imperial para a França, que poderá ser objeto de um outro post, tudo com vistas a fazer de nosso País o Brasil que todos os brasileiros aspiram.

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Bibliografia e fontes de consulta:

  • Revivendo o Brasil Império, Editora Artpress, 1991, de Leopoldo Bibiano Xavier
  • Guia politicamente incorreto da história do Brasil, de Leandro Narloch, Leya Editora Ltda, segunda edição.
  • As viagens de D. Pedro II, De Roberto Khatlab,Editora Saraiva, 2015
  • Pedro. A história não contada, Leya Editora Ltda
  • Revista Dr. Plinio, abril 2010, Editora Retornarei
  • Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria

A pressa do mundo atual e a pressa de Maria

No mundo atual, não há quem não tenha tomado contato, visto, e mesmo experimentado a pressa.

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Corre-se para não chegar atrasado em um compromisso, corre-se para fazer um negócio e lucrar muito dinheiro, corre-se atrás de bons estudos e da boa fama. Enfim, corre-se a todo o momento e por qualquer motivo. As invenções técnicas e científicas, como automóveis, aviões, celulares e internet concorreram para acelerar, ainda mais, o ritmo de vida.

O homem contemporâneo bem poderia ser qualificado de ‘o homem do corre-corre’, que depois de tanto correr, nada alcançou além de decepções, frustrações e calamidades.

Alguém, deformado pelos conceitos hodiernos, abrindo as páginas do Evangelho, encontraria dificuldades em compreender esta curta, mas intensa frase: “Naqueles dias, Maria levantou-se e dirigiu-se apressadamente às regiões montanhosas da Judéia” (Lc 1, 39).

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Qual seria a razão de uma jovem, consagrada ao Templo desde a sua infância e criada nas sublimes delícias da contemplação, lançar-se de tal modo na ação? Ademais, acabara de se dar o acontecimento ápice, não só da vida dela, mas de toda a História: concebera pela ação do Espírito Santo. Ou seja, em suas entranhas puríssimas, o próprio Filho Unigênito de Deus, gerado e não criado, consubstancial ao Pai, para nossa salvação, assumira nossa carne. Aquele a quem os céus não podiam conter, encerrara-se no seio de Maria. Haverá graça mais sublime? Existirá ocasião mais propícia para os mais altos êxtases? Que meditações e contemplações não poderiam derivar desse convívio?! Não seria a hora d’Ela recolher-se e aproveitar os nove meses de intimidade mais completa e absoluta com Seu Filho e Seu Deus?

Entretanto, o Evangelho nos narra ter a Virgem, logo após a Anunciação, levantado e se dirigido apressadamente até a Judeia, empreendendo essa viagem a fim de ajudar sua prima Isabel.

Que pressa era esta que a movia? Algum interesse pessoal? Poderia se cogitar, sem blasfemar, que na alma imaculada de Maria existisse alguma agitação?

Como resposta a essas perguntas, bem poderíamos pôr nos lábios da Virgem as palavras do profeta Elias: “Zelus zelatus sum pro Domino Deo Exercituum” (1Rs 19,14). Sim, o zelo pela causa de Deus a consumia, tomava todo o seu ser e impulsionava-a, se necessário fosse, a correr por toda a Terra para servi-LO e glorificá-LO.

Essa viagem era empreendida por Ela sem abandonar em nenhum instante a clave altíssima de suas contemplações. Maria queria servir sua prima, não por afeição familiar ou mera filantropia, mas por amor a Deus. A virtude da Caridade a levava a ajudar Isabel e o menino João, corporal e espiritualmente, santificando a criança ainda no ventre materno e produzindo em sua prima extraordinárias manifestações de enlevo e admiração pelo Messias ali presente.

Portanto, qual é a diferença entre essa santa pressa de Maria Santíssima na visitação a Sua prima Santa Isabel e a pressa do mundo moderno?

Hoje, corre-se, impacientemente, por interesse próprio, enquanto Nossa Senhora indicou que os homens devem ser pressurosos na caridade, uns para com os outros, auxiliando com entusiasmo, sem egoísmo ou delongas, a que se encontre já nesta Terra o Caminho, a Verdade e a Vida.

No encontro de Maria com Isabel temos um exemplo de perfeição, e na rejeição do Redentor por parte dos seus, um exemplo de perversidade. Diante desses dois modelos, cabe nos perguntarmos: como será a visita de Deus aos nossos corações?

Dependerá de cada um…

Quantas visitas nos oferece o Criador a todo momento! Mas os efeitos de sua divina presença variarão de acordo com a atitude tomada ao recebermos o Hóspede das almas. Muitos rejeitam suas visitas, outros as desaproveitam, e poucos são os que O acolhem com alegria. Quando alguém ouve a voz do Senhor e Lhe abre a porta de sua casa, Ele entra para cearem juntos (cf. Ap 3, 20).

Em Fátima, a Mãe de Deus visitou o mundo e nos deixou sua Mensagem, convidando-nos a conversão, a prática da oração do Rosário e a devoção a seu Imaculado Coração. Sábado próximo será o primeiro sábado do mês, onde poderemos cumprir esse pedido de Nossa Senhora.

Não sejamos nós ingratos, mas – como Isabel – recebamos de coração aberto a visita de Deus e de Maria Santíssima!

Santa Rita de Cássia, Rogai por nós

O sofrimento que tanto causa horror ao homem moderno é um dos meios mais eficazes de conferir celebridade. É o que encontramos nestas linhas sobre Santa Rita.

O cálice da obediência

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A obediência é uma das virtudes mais difíceis de serem praticadas, pois obedecer significa contrariar a própria vontade para fazer a de outrem, mortificando de modo especial a natureza humana, que recebeu de Deus a liberdade.

A História nos revela inúmeros belos exemplos de obediência. O mais sublime, sem dúvida, é o de Jesus, o qual, para redimir o gênero humano, “fez-se obediente até a morte, e morte de cruz”.

Abaixo do Salvador, o mais excelso modelo de obediência é Maria Santíssima, a perfeita discípula de seu Filho Divino, nesta como em todas as outras virtudes.

Convido o leitor a passear comigo, neste artigo, pela vida de uma santa que sorveu desde menina o cálice da obediência, seguindo o exemplo supremo de Jesus e excelso de Maria: Santa Rita de Cássia.

Sua festa se celebra no dia 22 de maio. Ela é invocada especialmente como protetora das causas impossíveis, pelo motivo que o leitor verá adiante.

Menina privilegiada

Embora já de avançada idade, Antonio Mancini e sua esposa, Amanta, não cessavam de rogar a Deus, confian­te e insistentemente, a bênção de terem um filho que ­lhes alegrasse o lar. Viviam eles na pequena aldeia de Rocca Porena, em Cássia, na Úmbria.

Para atender às preces desse piedoso casal, realizou Deus o primeiro “impossível” da vida de Santa Rita: seu nascimento no dia 22 de maio de 1381.

Era uma encantadora menina. E desde sua mais tenra idade, a Divina Providência começou a manifestar especiais desígnios a seu respeito. Segundo narra uma tradi­ção, enquanto ela dormia na cestinha que lhe servia de ber­ço, com freqüência apareciam umas raras abelhas bran­cas que esvoaçavam em torno dela e depositavam suavemente mel em seus lábios, sem feri-la ou despertá-la. Um dos camponeses vizinhos, presenciando a cena por primeira vez, quis afastar os insetos com a mão aleijada que tinha. No mesmo instante sua mão ficou curada.

Depois da morte de Santa Rita, essas mesmas abelhas brancas começaram a aparecer anualmente no mosteiro das agostinianas, onde ela passou os últimos anos de sua vida. Lá chegavam na Semana Santa e permaneciam até o dia 22 de maio. Depois se retiravam, para retornarem na Semana Santa seguinte. Até hoje podem ser vistos pelos peregrinos os buraquinhos feitos por elas nas paredes do mosteiro.

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Infância marcada pela piedade e obediência

Desde pequena, demonstrava Rita grande inclinação para a piedade. Seus pais, apesar de não saberem ler nem escrever, ensinaram-lhe o Catecismo e a história de Jesus. Dedicava-se com grande gosto à oração, meditava sempre sobre a Paixão de Nosso Senhor. Não sabia ler nem escrever. Entretanto, “lia” continuamente o mais mag­nífico de todos os livros: o Crucifixo.

Além de ser especialmente devota de Nossa Senhora, es­colheu como padroeiros São João Batista, Santo Agos­tinho e São Nicolau de Tolentino. Procurava abs­ter-se de brinquedos e travessuras próprias à ida­de infantil, como mortificação para consolar a Jesus Crucificado.

O maior anseio de sua alma era ser religiosa. Exa­tamente neste ponto, exi­giu dela a Providência um enorme ato de obediência, acei­tando um estado de vida oposto ao chamado religioso que sentia na alma. Com apenas 12 anos de idade, foi obri­gada pelos pais a contrair matri­mô­nio com o noivo por eles escolhido, chamado Paulo Ferdinando.

Sofrimentos na família

O marido logo revelou-se um homem agressivo, de mau gênio, beberrão e dissoluto, o que fazia Rita sofrer tremendamente. Ela, entretanto, não só lhe foi sempre fiel, como também suportou tudo isso com extrema pa­ciência, durante 18 anos, sempre rezando e oferecendo esta espécie de martírio pela conversão dos peca­do­res, sobretudo de seu detestável marido.

E mais uma vez o “impossível” se realizou na vida des­sa mulher exemplar. Teve ela, afinal, a alegria de ver o es­­poso converter-se e pedir-lhe perdão por todos os maus tratos e pela vida devassa que havia levado. Quão oportuna foi esta conversão! Pouco tempo depois de reconci­liar-se com Deus, pelo Sacramento da confissão, Paulo Ferdinando foi assassinado por alguns dos maus compa­nheiros que tivera.

Os filhos do casal, dois gêmeos, então com 14 anos, juraram vingar a morte do pai. Vendo Santa Rita quanto os filhos haviam herdado as más tendências do pai, e te­men­do pelo destino eterno dos dois, dirigiu a Deus uma súplica: preferia ver seus filhos mortos a seguirem o cami­nho da perdição. Logo demonstrou o Pai de Misericórdia seu comprazimento com essa súplica de uma mãe verdadeiramente católica. Em menos de um ano, os dois fi­ca­ram doentes e faleceram, perdoando os assassinos de Paulo Ferdinando.

Entrada na vida religiosa

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Viúva, sem filhos, livre de tudo que poderia atá-la ao mundo, Rita desejava fazer-se religiosa. Pediu para ser aceita no mosteiro das freiras agostinianas de Cássia, on­de sempre quisera ter estado. Mas — oh decepção! — a supe­riora lhe disse que infelizmente não podiam acei­tar viúvas na congregação, a qual era destinada apenas a virgens.

Imagine-se sua desilu­são e tristeza ao voltar pa­ra ca­sa!… Mas ela era uma mulher santa. Enquanto tal, em vez de deixar-se abater ou desanimar, decidiu seguir com mais ardor ainda do que antes sua vida de oração e peni­tência.

Acorreram em seu au­xí­lio seus padroeiros, San­to Agos­tinho, São João Batista e São Nicolau de Tolentino, obtendo da Medianeira de todas as graças a realização de mais um “impossível” em favor de sua protegida.

Conta-se que numa noite, estando ela imersa em ora­ção, apareceram-lhe estes três Santos e convidaram-na a segui-los. Em êxtase, ela os acompanhou. Quando voltou a si, estava dentro do mosteiro das agostinianas… Havia entrado lá milagrosamente, pois todas as portas e janelas encontravam-se perfeitamente fechadas.

Na manhã seguinte, a madre superiora reconheceu nesse prodigioso fato uma clara indicação da vontade divina e decidiu acolher Rita como noviça nessa santa congregação.

Obediência recompensada pelo milagre

Já revestida do hábito, a nova religiosa foi um exemplo de virtude para todas as suas irmãs de vocação.

Dos três votos da religião, aquele em que mais se esmerava era o de obediência, fazendo sempre a vontade das outras em tudo, até mesmo no que poderia parecer ridículo e insensato. Por exemplo, a superiora mandou-lhe regar todos os dias uma parreira que já estava seca e morta. A obediente freira cumpriu rigorosamente a ordem durante um ano. Uma vez mais o que parecia impossível se realizou: do tronco morto brotaram sarmentos que cresceram e produziram flores e frutos! Existe ainda essa “videira de Santa Rita”, que produz uvas de um sabor especial, as quais amadurecem em novembro.

Partícipe das dores de Jesus coroado de espinhos

Durante a Quaresma de 1443, o grande pregador Santiago de Monte Brandone fez em Cássia um magnífico sermão sobre a Paixão de Jesus, destacando sobretudo o episódio da coroação de espinhos. Depois de ouvir esse sermão, Santa Rita sentiu-se tomada do desejo de parti­cipar dos sofrimentos de Nosso Senhor nesse lance de sua Paixão.

Rezando diante de seu crucifixo, viu espargir-se dele suavemente uma luz, e um espinho desprender-se da co­roa e cravar-se em sua fronte, provocando-lhe uma ferida que a fez sofrer durante seus últimos 15 anos de vida. Além de exalar mau odor, essa provocava-lhe muitas enfermidades. Assim, teve ela atendido deu desejo de ser verdadeiramente partícipe das dores de Jesus coroado de espinhos.

Morte santa, a recompensa

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Santa Rita teve uma morte santa, sendo obediente à vontade de Deus até o fim.

Estando já muito enferma, pediu a Jesus um sinal de que seus filhos estavam no Céu. Em meio a um rigoroso inverno, recebeu uma rosa colhida no jardim de sua antiga casa, em Rocca Porena… Pediu um segundo sinal e, no fim do inverno, recebeu um figo, também de seu jardim. Com a realização desses dois “impossíveis”, Deus, por assim dizer, mostra seu comprazimento em que essa gran­de Santa seja invocada como a “Advogada dos impossíveis”.

No dia 22 de maio de 1457, voou para o Céu a bela alma de Santa Rita.

A chaga de sua fronte transformou-se em uma mancha vermelha como um rubi, de onde se exalava uma agradável fragrância. Sua cela ficou iluminada por uma luz celestial e os sinos, sozinhos, repicaram num toque de júbilo e glória.

Foi velada na igreja, aonde acorreu uma multidão de pessoas para vê-la e venerá-la. De seu santo corpo ema­nava um tal perfume que nunca foi enterrado. Perma­ne­ce incorrupto até hoje, exposto à veneração dos fiéis no convento de Cássia.

Mensagem de Santa Rita para os dias atuais

Qual é a mensagem que esta grande Santa nos transmitiria nestes dias em que vivemos?

Creio que a resposta está nas palavras proferidas pelo Santo Padre João Paulo II, em 20 de maio de 2000, saudando os devotos de Santa Rita que faziam a peregrinação jubilar:

É uma mensagem que brota de sua vida: a humildade e a obediência foram o caminho que Rita percorreu para uma semelhança cada vez mais perfeita com Cristo crucificado. O estigma que brilha em sua fronte é a autenticação de sua maturidade cristã. Na cruz com Jesus culminou o amor que já havia conhecido e expressado de modo heróico em seu lar e mediante a participação nas vicissitudes de sua cidade.

Seguindo a espiritualidade de Santo Agostinho, fez-se dis­cípula do Crucificado e ‘especialista em sofrimento’, aprendeu a compreender as penas do coração humano. Deste modo, Rita se converteu na advogada dos pobres e dos desesperados, obtendo inumeráveis graças de consolo e for­taleza aos que a invocam nas mais diversas situações.

Que Santa Rita de Cássia nos ajude a compreender os desígnios de Deus para cada um de nós individualmente, e a sorver até a última gota o cálice da obediência à sua vontade santíssima, ao longo de nossa existência.

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Nossa Senhora de Fátima

Caros amigos e amigas,

Hoje, 13 de maio, é o dia em louvor à Nossa Senhora de Fátima, Aquela que nos guia, protege, ilumina, mediando a nós todas as graças para superarmos nossas dificuldades terrenas.

Fiquemos com o artigo abaixo, que nos conta um pouco sobre essa devoção tão bonita espalhada por todo o mundo!

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Fátima difunde uma luz sobrenatural, que arrebatou os pequenos pastores de forma irresistível, e ilumina o coração dos peregrinos que acorrem a esse lugar sagrado à procura de consolação.

Quem chega a Fátima pela cômoda e segura autopista que rasga a Serra d’Aire, perde o contato com uma realidade que há cento e dois anos se repete invariavelmente, por ocasião das comemorações

das aparições: numerosos grupos de peregrinos percorrendo a pé os caminhos e estradas que conduzem à Cova da Iria, o local onde a Mãe de Deus apareceu, em 1917.

É um contraste tão marcante com os costumes e a mentalidade consumista de nossa época, toda ela voltada para a fruição fácil da vida, que não há como ignorá-lo. O que atrai para Fátima essas multidões de rosto crestado pelo sol das longas caminhadas? O que as leva a essas surpreendentes penitências, neste tempo tão avesso ao sacrifício?

O maravilhamento causado pelas aparições

Uma rápida recordação de alguns aspectos pouco ressaltados das aparições pode ser elucidativa.

Ao verem a Santíssima Virgem, a 13 de maio, a reação das três crianças, Lúcia, Francisco e Jacinta, apesar da diferença de temperamentos, teve um ponto em comum. Todas ficaram maravilhadas, quase se diria fascinadas, com a visão celestial. Durante o resto do dia não falavam de outro assunto, encantadas com o que tinham visto e ouvido.

Mas, quando o sol declinou no horizonte, anunciando a hora de reunir o rebanho e voltar para casa, retornando à realidade do dia-a-dia, cada um reagiu a seu modo. Francisco, mais pensativo, nada dizia. Lúcia, um pouco mais velha que seus primos, já cogitava na reação de seus familiares e vizinhos e achou mais prudente guardar segredo de tudo. Porém, Jacinta, mais expansiva, não conseguia conter dentro de si a alegria sobrenatural que a inundava e não parava de exclamar: “Ai, que Senhora tão linda! Ai, que Senhora tão bonita!”

Um segredo impossível de guardar

Enquanto caminhavam, Lúcia procurava convencê-la a manter tudo em segredo:

— Estou mesmo a ver que ainda vais dizer a alguém…

— Não digo, não.

— Nem sequer à tua mãe.

— Não vou contar nada, prometo.

Quando chegaram à casa, os pais ainda não tinham regressado da feira, numa localidade próxima. Jacinta ficou junto ao portão, à espera, e assim que viu a mãe, correu a abraçá- la para contar-lhe o grande acontecimento: — Ó mãe, vi hoje, na Cova da Iria, Nossa Senhora! Dª Olímpia não acreditou, por mais que a menina o reafirmasse com veemência e fizesse a descrição minuciosa e maravilhada do ocorrido.

Mais tarde, estando toda a família sentada à lareira para o jantar, Dª Olímpia, cuja incredulidade já vacilava ante a firme insistência da filha, perguntou-lhe: — Ó Jacinta, conta lá como foi isso de Nossa Senhora na Cova da Iria.

“Uma Senhora mais brilhante que o sol”

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E a inocente pastorinha tentou traduzir em palavras aquilo que transbordava do seu coração: “Era uma Senhora tão linda, tão bonita!…

Tinha um vestido branco, e um cordão de oiro ao pescoço até ao peito…

A cabeça estava coberta por um manto branco, também, muito branco, não sei, mas mais branco que o leite…

e tapava-a até aos pés… Era todo bordado de oiro… Ai que bonito!… Tinha as mãos juntas, assim — e a pequena levantava-se do banquito, juntava as mãos à altura do peito a imitar a visão.

“Entre os dedos tinha as contas. Ai que lindo tercinho que Ela tinha… todo de oiro, brilhante, como as estrelas da noite, e um crucifixo que luzia…

que luzia… Ai que linda Senhora! Falou muito com a Lúcia, mas nunca falou comigo, nem com o Francisco…

Eu ouvia tudo o que elas diziam… Ó mãe, é preciso rezar o terço todos os dias… A Senhora disse isso à Lúcia.

E disse também que nos levava todos três para o Céu, a Lúcia, o Francisco e mais eu… (…) Quando Ela entrou pelo Céu dentro, parece que as portas se fecharam com tanta pressa que até os pés iam ficando de fora entalados…

Era tão lindo o Céu!… Havia lá tantas rosas-albardeiras!…” (1)
Muitos anos depois, Lúcia faria uma descrição mais ponderada dessa “linda Senhora” que tanto arrebatara Jacinta: “Uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio d’água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente.

Estávamos tão perto, que ficávamos dentro da luz que A cercava, ou que Ela espargia.” (2)

Envoltos pela luz divina

Desde o primeiro momento, brilha em Fátima uma luz sobrenatural de beleza indizível que arrebata os pequenos pastores. Tudo quanto a “linda Senhora” lhes pede, eles aceitam com entusiasmo e sem titubear: oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores, reparar o Imaculado Coração de Maria pelas ofensas sofridas, guardar o segredo que a Senhora lhes contou, rezar o terço todos os dias pela paz. Até a morte as crianças estão dispostas a enfrentar para fazer a vontade de Nossa Senhora.

Em certo momento da aparição, os pastorinhos são envolvidos ou penetrados por uma luz emanada das mãos virginais de Maria, que Lúcia assim descreve: “Abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que nos penetrava no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos” (3).

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Essa luz que penetrou no íntimo das almas das crianças parece ter sido como que um flash da luz de Deus, que lhes fez experimentar algo da felicidade celestial. “Nela nos víamos como que submergidos em Deus” (4).

Isso lhes deu o ânimo necessário para enfrentar todas as adversidades e cumprir sua vocação, oferecendo a vida pela conversão dos pecadores “Foi uma graça que nos marcou para sempre na esfera do sobrenatural” — afirmou muitos anos depois a Irmã Lúcia.

Os Beatos Jacinta e Francisco morreriam pouco após as aparições. A Irmã Lúcia entraria para o Carmelo de Coimbra, onde terminaria exemplarmente sua existência, aos 97 anos, iluminada ainda por essa luz sobrenatural.

Em seu último livro, “Como vejo a mensagem”, confessa ela esse maravilhamento interior que dominou toda a sua vida: “Ao ver ali uma Senhora tão linda, que me diz ser Do Céu, senti uma alegria tão íntima que me encheu de confiança e amor; parecia- me que já nada me podia separar desta Senhora…”

Luz que dissipa as trevas da incredulidade

As graças extraordinárias concedidas pela Santíssima Virgem aos pastorinhos, e que operaram neles uma transformação tão profunda que os elevou aos altos píncaros da santidade, pode-se dizer que foram uma primeira realização do triunfo do Imaculado Coração de Maria. Esse triunfo, porém, Nossa Senhora o anunciou para o mundo inteiro: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. (…) E será concedido ao mundo algum tempo de paz”. A intensa luz sobrenatural que envolveu num primeiro momento os pastorinhos, virá a iluminar toda a terra, arrebatando as almas por sua beleza e originando assim uma nova primavera da fé.

Foi o que muito oportunamente ressaltou, por outras palavras, Dom António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, na comemoração do centenário do nascimento da Irmã Lúcia: “Eis, pois, a grande missão confiada à Igreja: fazer resplandecer a beleza do rosto de Deus em Cristo, manso e humilde de coração, num mundo que tanta dificuldade tem em compreendê-lo, e despertar a dimensão mística da fé para lhe dar calor e alegria”.

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A belíssima procissão em homenagem a N.S., no Santuário de Fátima(Portugal)

Promessa de auxílio maternal

Talvez sem o perceber, muitos dos que vão a Fátima, em peregrinação e com espírito de penitência, acorrem à procura dessa luz sobrenatural que os conforte nas adversidades, os fortaleça a fé, lhes dê essa alegria contagiante que fazia a pequena Jacinta exclamar de júbilo: “Ai, que Senhora tão linda!” E se tantos retornam a esse lugar sagrado é porque algum fulgor dessa luz divina penetrou as suas almas e lhes promete assisti-los ao longo da vida, tal como Nossa Senhora o fez à Irmã Lúcia, ao lhe dizer que ficaria ainda algum tempo aqui na terra: “Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.² 

 

José Antonio Dominguez

1) Pe. João M. De Marchi IMC, Era uma Senhora mais brilhante que o sol, 7ª edição, p. 84.
2) Memórias da Irmã Lúcia, Fátima, 3ª edição, 1978, pp. 144-148.
3) idem, pp. 146-148.
4) idem, p. 149
(Revista Arautos do Evangelho, Maio/2007, n. 65, p. 30 à 33)

A SUBLIMIDADE DO SACERDÓCIO

Prezados irmãos e irmãs, estamos em pleno período pascal no qual  celebramos , a cada dia, a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo , sobretudo por meio da Santa Missa que é o mais alto e perfeito ato de Religião do qual o homem pode participar, e oferecer a Deus,  unindo suas intenções à do Sacerdote celebrante, que ali age ” in persona Christi”,, ou seja na pessoa de Cristo. Sim, meus irmãos, na Celebração Eucarística, ele empresta seu aparelho vocal a Jesus, a tal ponto que no momento auge da celebração , ou seja na consagração das espécies do pão e do vinho,  opera-se o milagre mais extraordinário e grandioso que existe, a saber: a transubstanciação das espécies do pão e do vinho, no corpo, sangue, alma e divindade de Jesus, aquele mesmo Jesus, que se encarnou no seio da Virgem Maria, que nasceu numa gruta, e viveu 33 anos no meio dos homens fazendo o Bem, pregando a sua santa doutrina, realizando milagres de todas as naturezas, amparando, protegendo, ensinando,reerguendo , animando, admoestando, corrigindo homens e mulheres, e após passar por sofrimentos atrozes  foi crucificado e morto pregado numa Cruz . Mas ao terceiro dia, Ele ressuscitou gloriosamente,  ainda passou 40 dias com os homens, e tendo completado sua ação salvífica, ascendeu de corpo alma ao Céu.

 

Mas não nos deixou órfãos, pois instituiu a Igreja e o sacerdócio ordenado,  além de nos deixar a Sua Santa Mãe durante alguns anos animando, orientando e fortalecendo a Igreja nascente, formada por Ela, as santas mulheres, os seus apóstolos e discípulos.

Como se vê meus irmãos, Jesus deixou-nos dois tesouros, de valor inexcedível,  qual seja a Santa Igreja, o coração desta que é o Sacerdócio ordenado, cuja missão é ensinar, conduzir e santificar o povo de Deus, através da da pregação Palavra e sobretudo da administração dos sacramentos, entre os quais sobreleva o da celebração e da distribuição da Eucaristia.

Foi assim que, nesses tempos difíceis que vivemos, deparei-me com , um resumo da Carta encíclica ” Pieni l’animo”, de 28.07.1906, do Papa São Pio X, sobre o Sacerdócio, na qual tece considerações sobre os cuidados na escolha dos candidatos a tão sublime ministério, alertando os Bispos para uma  venenosa atmosfera que ja corrompia largamente os espíritos, cujos mortais efeitos, “contaminam a carne, desprezam a soberania e maldizem a majestade” (Jd, 1,8). Ou seja, segundo São Pio X,  a mais degradante corrupção dos costumes e  o desprezo aberto a toda autoridade, eram um estado de espírito que penetrava, desde então no santuário, infectando sobretudo os jovens sacerdotes neles produzindo devastações.

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Coincidentemente, tomei conhecimento de uma Carta do Papa Emérito Bento XVI, de 12 de abril do corrente ano, publicada em vários jornais do mundo inteiro , na qual o Papa emérito aponta, entre outros fatores, a influência da revolução sexual dos anos 60,  especificamente a Revolução de 1968, evento de escala sem precedente na História, sobre a formação e a vida dos sacerdotes desde então, cujos efeito funestos se fazem sentir mais do que nunca nos dias atuais.

Seguem abaixo alguns excertos da Carta Encíclica do Papa São Pio X :

SACERDÓCIO E ORGULHO DA MENTE

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“Com a alma cheia de salutar temor pelas severíssimas contas que deveremos prestar um dia a Jesus Cristo, Príncipe dos Pastores, a respeito do rebanho que Ele nos confiou, passamos os dias na permanente preocupação de preservar os fiéis, tanto quanto possível, dos perniciosíssimos males que afligem atualmente a sociedade humana.

Consideramos, assim, dirigidas a nós estas palavras do profeta: “clama em alta voz, sem constrangimento; fazei soar a tua voz como corneta” ( Is 58, 1). E seja de viva voz,seja por escrito não deixamos de advertir, de pedir, de repreender, excitando sobretudo o zelo de nossos irmãos no Episcopado para que cada qual exerça a mais solícita vigilância sobre a porção do rebanho a ele confiado pelo Espírito Santo.

CORRUPÇÃO DOS COSTUMES E DESPREZO POR TODA AUTORIDADE

É de maior gravidade o motivo que nos impele a elevar novamente a voz. Trata-se de solicitar toda a atenção de vosso espírito e toda a energia pastoral contra uma desordem cujos funestos efeitos já se fazem sentir; e se não arrancarmos com mão forte até suas mais profundas raízes, dela decorrerão consequências ainda mais fatais ao longo dos anos

De fato, temos sob os olhos cartas de vários de vós, veneráveis irmãos, transbordantes de tristeza e de lágrimas, deplorando o espírito de insubordinação e de independência que se manifesta cá e lá no meio do clero.

Em nossos dias, infelizmente, uma venenosa atmosfera corrompe largamente os espíritos; seus mortais efeitos foram já descritos pelo Apóstolo São Judas: “ Contaminam a carne, desprezam a soberania e maldizem a majestade” (jd1,8); ou seja, além da mais degradante corrupção dos costumes, o despreza aberto a toda autoridade e àqueles que a exercem. Mas o que enche de imensa dor nossa alma é o fato de que esse espírito penetre de algum modo até no santuário e infecta aqueles aos quais mais propriamente se deveria aplicar a palavra do Eclesiástico “ este é o povo da obediência e do amor”.

E é sobretudo entre os jovens sacerdotes que esse tão funesto espírito produz devastações espalhando entre eles novas e reprováveis teorias sobre a própria natureza da obediência. Coisa mais grave, como se quisesse conquistar com o tempo novos recrutas para a multidão nascente dos rebeldes, faz-se dessa máximas uma propaganda mais ou menos velada entre os jovens que no recinto dos seminários se preparam para o sacerdócio.

O SACERDÓCIO NÃO É UM OFÍCIO QUALQUER

Assim veneráveis irmãos, sentimo-nos ao dever de apelar à vossa consciência para que, sem qualquer hesitação, vos empenheis com vigor e perseverança na tarefa de destruir essa má semente fecunda e perniciosíssima consequências. Recordai-vos sempre o Espírito Santo deu-vos o encargo de governar. Lembrai-vos do preceito de São Paulo a Tito “ Repreende com toda autoridade. E que ninguém te menospreze”! )Tt2.15).

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Exigi severamente dos sacerdotes e dos clérigos aquela obediência que, se para todos os fiéis é de todo obrigatória, para os sacerdotes constitui a parte de seu dever sagrado.

Para evitar a multiplicação desses espíritos rebeldes, será muito útil, veneráveis irmãos, ter sempre a advertência do Apóstolo a Timóteo: “ A ninguém imponhas as mãos inconsideradamente” (I Tm5,22). De fato, a facilidade na admissão às Sagradas Ordens, que abre naturalmente o caminho para multiplicação das pessoas no santuário, não aumenta em seguida a alegria, {…}

O sacerdócio, instituído por Jesus Cristo para a salvação eterna das almas, não é por certo uma profissão ou um ofício humano qualquer, que pode ser exercido livremente por todos quantos queiram.

Em consequência que os Bispos promovam às Ordens, não de acordo com os desejos ou pretensões dos candidatos, mas, como prescreve o Concílio de Trento, conforme a necessidade das dioceses. Assim agindo, poderão escolher só os que são de fato idôneos, recusando os que demonstram inclinações contrárias à vocação sacerdotal, entre estas. Sobretudo, a indisciplina e aquilo que a gera, o orgulho da mente.

SEJAM BANIDOS DO PÚLPITOS ARGUMENTOS MUNDANOS

Além da desordem de insubordinação e de independência que aqui deploramos, há em alguns membros do jovem clero outra que vai muito mais longe e cujos perniciosos resultados são muito mais consideráveis. Com efeito, não faltam aqueles que estão de tal forma invadido por tão reprovável espírito que, abusando do sagrado ministério da pregação, dele se fazem abertamente propugnadores e apóstolos para ruína e escândalo dos fiéis {…}

Ninguém pode ter autorização para pregar “sem antes ser posto à prova quanto à sua vida, sua ciência e seus costumes” (Concílio de Trento). Sessão V. Sobre a Reforma. C2. Os padres de outra diocese não devem ser autorizados a pregar sem as cartas testimoniais do respectivo Bispo. A matéria da pregação deve ser a indicada pelo Divino Redentor, que disse “Pregai o Evangelho” (Mc 16,15), “ ensinai-as o observar tudo o que vos prescrever” ( Mt 28, 20). Ou seja, como comenta o Concílio de Trento, “indicando=lhes os defeitos que precisam abandonar e as virtudes que devem praticar para fugir do castigo eterno e conquistar a glória celeste” ( Sessão V,Sobre a Reforma,c2)

Sejam, pois totalmente banidos do púlpito os argumentos mais adequados às polêmicas de imprensa e aos discursos acadêmicos do que ao lugar santo. Dê-se preferência às pregações sobre temas morais, em lugar dessas conferências, das quais o mínimo que se pode dizer é que são infrutíferas. Faça-se a pregação “ não com a eloquência persuasiva da sabedoria humana, mas como uma demonstração do Espírito e do poder divino”(I Cor 2,4). Por isso a principal fonte da pregação deve ser a Sagrada Escritura, entendida, não segundo as opiniões particulares de espíritos às mais das vezes obnubilados pelas paixões, mas segundo a Tradição da Igreja, as interpretações dos Santos Padres e dos Concílios.

De acordo com estas normas, veneráveis irmãos, deveis ser os juízes daqueles aos quais confiais o ministério da divina palavra, E quando encontrardes pregadores mais preocupados com seus próprios interesses do que os de Jesus Cristo, mais ávidos de sucesso humano que do bem das almas, afastai-os do púlpito. Admoestai-os, e, se isto não for suficiente, removei-os inexoravelmente de um encargo do qual se mostram totalmente indignos”( extraído da Rev. Arautos do Evangelho, de fevereiro de 2017)

Após a Missa dos Santos Óleos, dia 18 de abril do corrente ano, celebrada por S. Exa. Revma.   o Arcebispo D. Murilo Krieger, na Catedral Basílica de Salvador, em meio a centenas de sacerdotes – e da qual participei com o Coral dos Arautos em Salvador,   em entrevista à TV Bahia, o nosso Arcebispo disse que devemos pedir a Deus” santos e bons sacerdotes”. Sim , meus irmãos, devemos também dar nossa parcela de contribuição para que nossa Igreja possa crescer  em santidade, em amor a Deus, e na fidelidade  à sua Missão de ensinar, conduzir e santificar o povo de Deus, através de santos  sacerdotes , cheios de zelo pela Casa de Deus, rezando, e tudo fazendo para também sermos santos e fazendo de nossas famílias verdadeiras igrejas domésticas.

 

São Pio X, Excertos da Carta enciclíca “ Pieni l animo”, 28/071906: Ass 39(1906), 321-329

Nossa Senhora de Lourdes: Rogai por nós

Hoje é dia de Nossa Senhora de Lourdes, que deixou-nos uma mensagem muito importante, e como Mãe misericordiosa, vem realizando milhares e milhares  de milagres e conversões, desde sua aparição a Santa Bernadete até os dias atuais. 

Todos nós irmãos e irmãs temos tanto a pedir a Nossa Mãe do Céu, pois quem não tem problemas? Vivemos cercados de problemas de toda natureza, social, moral, religioso, político, enfim ninguém escapa de não ter necessidades, e de desejo,  de esperança, de obter alguma coisa na sua vida.

Assim sendo, devemos buscar primeiramente  os favores espirituais para  crescermos na fé , na esperança  e no amor a Deus.  Mas podemos e devemos pedir benefícios de ordem material também, lembrando que só Deus pode ajudar a cada um de nós, e nada melhor do que pedirmos o que precisamos por meio de sua Mãe,  que é a nossa também.

Aproveitemos, portanto, para pedirmos hoje e durante toda nossa vida, todas as graças e favores de que necessitamos para enfrentarmos as dificuldades e desafios da existência quotidiana. 

E para que aumentemos nossa devoção em N. S. de Lourdes, deixo para vocês um artigo muito bom, o qual segue abaixo:

 

 

Nossa Senhora de Lourdes: Milagres, Perseguições e Vitórias!

Depois de 150 anos, a ciência ajuda a confirmar Lourdes e seus prodígios. 
O tempo levou seus detratores e Lourdes ainda brilha. 
A Imaculada Conceição venceu!

– Quem a Senhora é?

– Eu sou a Imaculada Conceição!

Esse é o trecho final de um diálogo acontecido em 1858, quando Nossa Senhora apareceu 18 vezes a Bernadette Soubirous na Gruta de Massabiele, situada às margens do rio Gave, nos arredores da vila francesa de Lourdes.
A 11 de fevereiro a Igreja comemora essa série de aparições da Virgem Imaculada. É a festa de Nossa Senhora de Lourdes.

Em 24 de fevereiro de 1858 aconteceu a oitava dessas aparições. Nesse dia, Nossa Senhora revelou a Bernardette sua primeira mensagem que, resumindo, seria: “Penitência, penitência, penitência! Rogai a Deus pelos pecadores”.

Nossa Senhora ainda mostrou a Santa Bernardette (nona aparição, 25 de fevereiro) como praticar essa “penitência”: “vá e toma da água da fonte” e lave-se nela. Ela mandou também que Bernardette comesse de umas ervas que cresciam na gruta. Dois pedidos aparentemente absurdos, humilhantes.

Comer aquele capim já seria ridículo, pior que isso era a questão da água para beber e lavar-se: Não existia nenhuma fonte no local! No entanto, cheia de Fé e humildade, Bernardette comeu a erva recomendada e, com as próprias mãos, escavou o chão da gruta. Da terra brotou água que ela bebeu e com a qual se lavou, tal como havia sido recomendado pela Senhora da Conceição Imaculada.

Os que assistiram ao fato ficaram atônitos e se perguntaram: Bernardette não teria ficado louca?

Não! Ela apenas obedecia sem entender e sem pedir explicações. Ela julgava, com acerto, que de uma Senhora tão excelsa só poderiam vir coisas boas.

Ali, junto ao local onde a Imaculada Conceição colocou seus pés, brotou um manancial de águas prodigiosas. Ali nasceu a fonte de Lourdes: um jorro contínuo de graças e de milagres. Doentes com enfermidades físicas e espirituais de toda espécie alcançaram nela curas inexplicáveis, …milagrosas.

O convite para repetir o gesto de Bernardette espalhou-se logo pelo mundo. E, ainda hoje, fiéis de todos os cantos se beneficiam daquele primeiro ato de humildade e submissão da pastora de Massabielle. O gesto piedoso e penitencial de beber da água da Gruta de Lourdes e nela lavar-se tem trazido curas e graças especiais. E em quantidade tal, que parecem inesgotáveis.


Imaculada Conceição

Havia passado apenas quatro anos desde que o Papa Pio IX definira solenemente a verdade de Fé segundo
a qual Maria Santíssima foi concebida sem pecado original desde o primeiro instante de seu ser. Ainda que esse dogma fosse duramente atacado pelos inimigos da Igreja, o agora Beato Pio IX, com uma coragem de anjo, proclamou-o a todos os homens.

O mundo católico exultou de alegria por ver nas aparições uma celestial confirmação do Dogma, uma vez que Nossa Senhora apresentava-se como sendo a Imaculada Conceição.

A mesma alegria não aconteceu com aqueles que eram contrários a este privilégio. Esse dogma colide frontalmente com os defensores da igualdade absoluta entre os homens. Eles defendem a ideia falsa de que o ser humano não é concebido no pecado: o homem é bom e imaculado por natureza.

Para eles, alguém ser considerado superior a toda humanidade é algo inimaginável, insuportável. A partir dessa colisão ideológico religiosa foi que apareceram ondas de fúria contra Lourdes.

Aqueles que eram contrários à Imaculada Conceição agiram da mesma forma que os defensores do mal costumam agir: ocultaram verdades, lançaram menosprezos, denegriram e, no caso de Lourdes, tentaram impedir o fluxo, cada vez maior, de peregrinos ao local das aparições.


Começam os milagres

O ciclo das aparições ainda não havia terminado mas, através da água milagrosa de Lourdes, Nossa Senhora começou sua ação junto aos homens.

Tomando conhecimento do que acontecia na gruta, o pároco de Lourdes, ainda um pouco desconfiado, rezou a Deus pedindo um sinal celeste afim de certificar-se da veracidade e idoneidade de tudo que estava acontecendo em sua paróquia. Deus atendeu seu pedido enviando um sinal que seria útil para o bom padre e seus paroquianos também:

Por mais de vinte anos um homem chamado Bourriette estava cego. Todos o conheciam na região. Ele havia perdido um olho numa explosão em uma mina.

Sendo um homem de fé, Bourriette pediu a sua filha que trouxesse água da nova fonte de Massabielle. Ele pôs-se a rezar pedindo a Nossa Senhora sua cura, bebeu da água e em seguida lavou os olhos com ela. Logo ele começou a gritar de alegria: ele tinha voltado a enxergar.

Os médicos que antes haviam afirmado que ele jamais poderia recobrar a visão, examinaram o homem novamente e não tiveram outra alternativa que chamar o ocorrido pelo nome que lhe era mais próprio: milagre. Bourriette enxergava perfeitamente, embora as causas da cegueira continuassem ali: lesões profundas da ferida causada pela explosão e cicatrizes.

Ainda durante o período das aparições, outros milagres ocorreram. Foi, por exemplo, o caso de Justino, um menino de dois anos. Ele estava enfermo e teve um desmaio repentino. Não dava mais sinais de vida.

Sua mãe o levou até a Gruta pedindo veementemente pela vida do menino. Em seguida ela o colocou por 15 minutos nas águas da gruta. Depois disso, tendo sido levado de volta para casa, Justino voltou a respirar com normalidade, a cor rosada da pele voltou, seus olhos brilharam e ele… pediu comida.

Este fato comoveu todos da região de Lourdes e logo foi conhecido na França toda e pela Europa afora.

Três renomados médicos examinaram o menino e atestaram que, aquilo era cientificamente inexplicável e só podia tratar-se de um milagre de primeira ordem. Nossa Senhora manifestava-se maternalmente e mostrava assim sua vontade de fazer o bem. Por isso, os milagres continuavam e continuam até hoje.

Difamações e calúnias

As aparições de Lourdes aconteceram no período auge em que o anticlericalismo do século XIX movia perseguições e procurava ridicularizar a Igreja. Os anticlericais, céticos e materialistas não podiam aceitar milagres, seria ir contra seus princípios, seria reconhecer seu próprio fracasso. Não querendo dar a mão à palmatória, os ímpios iniciaram sua ação, começando por cochichar desconfianças.

Para eles, nos fatos ocorridos com as águas de Lourdes, não havia doenças autênticas e, em consequência, as curas também não existiam. Então, uma verdadeira máquina difamatória entrou em ação contra Bernardette e os milagres, contra Lourdes e a Igreja.

Em relatórios remetidos ao governo da capital, o procurador de Lourdes perguntava às autoridades superiores como impedir os “extravios da imaginação” que mencionavam milagres na Gruta, ridicularizava as curas, denunciava a água de Lourdes por conter carbonato de cálcio…

O farmacêutico da cidade, o diretor de uma escola superior e o delegado de polícia afirmavam que a água era “muito ruim”, que era causa de “graves perigos” e “malsã”. A população não deu a menor credibilidade a esses boatos.

Por isso, o ataque foi diversificado. Outro farmacêutico de fora de Lourdes inventou um parecer pseudo científico: os milagres eram falsos. A explicação das curas estaria na composição físico-química da água…

Análises imparciais, no entanto, apontaram a água da fonte de Lourdes como sendo uma água comum, sem propriedades especias. Ela nem poderia ser classificada como mineral.

Houve quem afirmasse que não havia participação sobrenatural nas curas porque a água de Lourdes seria… radioativa. “Explicações” do mesmo gênero foram ainda repetidas, como num realejo, até no século XX. Todas elas foram refutadas, não convenceram a ninguém.

Novas detrações

Como reagiram as pessoas que eram contrárias aos milagres de Lourdes? Para quem é mestre em dissimulações e calúnias, não é difícil criar modos diferentes de difamar, de perseguir.

Três médicos de Lourdes se puseram à cata de pretextos para internar Bernardette em um manicômio. A inocente pastora passou a ser acusada de patologias, perturbações e desequilíbrios mentais que começavam a generalizar-se, já no século XIX.

Para eles, a pastora de Lourdes seria um exemplo de alienação mental: uma “criança alucinada”, com ideias fixas no inconsciente. Os milagres de Lourdes seriam uma “fase de exaltação” físico afetiva. Tumores e feridas curadas miraculosamente seriam produtos de histeria e os milagres artifícios de sugestão.

Ainda em meados do século passado havia gente procurando acusar Bernardette. Lourdes não passaria de um fenômeno histérico misturado com autossugestão inconsciente e tapeação médica.

Literatos, filósofos, céticos…

A onda de ataques aos milagres ocorridos na Gruta aumentava na proporção das graças e curas, lá alcançadas. Desde o início os detratores sempre tiveram a preocupação de dar aparências científicas a suas investidas. Não tiveram sucesso. Cada derrota açulava mais ainda o orgulho, a impiedade e …a fúria dessas pobres almas.

A ironia, o ceticismo, a irreverência e a blasfêmia conseguiram se aglutinar. Literatos, livres pensadores e filósofos céticos somaram seus prestígios para formar um estranho coro afinado apenas quanto a vontade de criar na opinião pública dúvidas e desconfianças com relação a Lourdes e seus milagres.

Ernest Renan, Anatole France, Emile Zola são os mais conhecidos e famosos dos detratores de Lourdes.

Mas a fúria contra as aparições e milagres partiu também de setores, aparentemente insuspeitos. Padre Alfred Loisy, professor do Instituto Católico de Paris, que morreu excomungado, comparava as curas de Lourdes com as que “aconteciam outrora nos templos de Esculápio”, deus pagão da medicina.


Triunfo de Maria sobre a impiedade

O fluxo de graças em Lourdes era evidente. Desde o início, a bondade de Nossa Senhora mostrava-se insondável. Porém, era necessário eliminar qualquer resquício de dúvidas a propósito das aparições e dos milagres decorrentes delas. Assim se poderia fazer triunfar a evidencia do afeto, da bondade e amor de Maria Santíssima para com os homens. Os ataques contra Lourdes deram oportunidade a que isso pudesse acontecer.

E aconteceu, a contra gosto de seus detratores, na esteira do propalado cientificismo ateu do final do século XIX.

Desenhados pelos ataques

As heresias sempre foram uma oportunidade para que a Igreja pudesse desenvolver sua doutrina. Já houve até quem afirmasse que, ao longo dos séculos, o perfil da Igreja foi esculpido pelos ataques desferidos contra ela. Isso quer dizer que, de cada chaga que os inimigos abrem no corpo da Igreja não aparece a marca de uma cicatriz, pelo contrário, surge uma luz que indica e discerne a beleza de seu perfil doutrinário.

Aqui nós podemos aplicar o mesmo raciocínio.

A ofensiva das críticas, calúnias e detração contra os milagres de Lourdes favoreceu o aparecimento de um órgão que tinha como encargo constatar, com todo rigor científico, a autenticidade e a natureza dos milagres acontecidos em Massabielle. Era a Comissão Medica de Lourdes, criada por Dom Laurence, bispo diocesano de Tarbes-Lourdes, em 28 de julho de 1858, doze dias depois da última aparição de Nossa Senhora.

Essa primeira comissão foi a base para o surgimento do atual Bureau Médico de Lourdes.


Bureau Médico de Lourdes

Com seus métodos e critérios cientificamente rígidos e sempre atualizados, o Bureau constata que fatos naturalmente inexplicáveis podem acontecer. Em outras palavras: o milagre acontece. E em Lourdes eles têm sido abundantes, para glória de Deus e da Imaculada Conceição.

O Bureau Médico de Lourdes apura, somente do ponto de vista médico, se as curas que os fiéis afirmam terem acontecido por intercessão de Nossa Senhora são ou não explicáveis pela ciência: jamais faz afirmações sobre o ponto de vista religioso sobrenatural.

Se a ciência não é capaz de explicar o fato acontecido, o Bureau envia o resultado dessa constatação ao Bispo de onde veio a pessoa favorecida pela cura. O Bispo é quem decide oficialmente pelo reconhecimento ou não do milagre e não se pronuncia do ponto vista médico.

Portanto, o primeiro passo para o reconhecimento oficial do milagre é a constatação pelo Bureau Médico de que a cura havida vai além do que a medicina conhece. A sede do Bureau Médico é mesmo em Lourdes. E qualquer pessoa, julgando-se beneficiada por uma cura inexplicável, acontecida após o uso das águas da fonte da gruta, pode apresentar-se a ele, alegar a cura e pedir uma constatação de reconhecimento médico disso.

Qualquer medico pode assistir uma sessão do Bureau que é composto por analistas de todas as especialidades, católicos ou não.

Qualquer fiel que se julgue beneficiado por um milagre é feita uma ficha minuciosa com a narração do fato. Para isso são necessários documentos médicos comprobatórios da doença antes da cura, de sua gravidade e natureza. Por falta deles, muitos casos não são aceitos, mesmo tendo reais aparências de milagres.

Se os médicos julgarem que a cura é cientificamente inexplicável, o dossier do caso é enviado para um comitê de segunda instancia que também o analisará em suas minucias. Essa segunda instancia é o Comitê Médico Internacional de Lourdes. Um órgão com independência total, que revisa os dados recebidos do Bureau, faz novas investigações, novas análises, examina a pessoa curada e consulta especialistas que não fazem parte dele.

Caso o Comitê Internacional julgue que a cura seja cientificamente inexplicável, o parecer final é remetido ao Bispo da diocese do miraculado. Uma eventual proclamação canônica de milagre será dada sempre pelo Bispo.

O Bureau, o Comitê e mesmo o Bispo seguem princípios normativos semelhantes aos que regulam os processos de beatificação e canonização de santos na Igreja.

Os números

Quase 7000 pessoas tiveram seus pedidos de constatação de milagres aceitos pelo Bureau Médico de Lourdes. Por volta de 2000 casos foram julgados com sendo inexplicáveis pela ciência. A igreja, sempre prudente, reconheceu como miraculosos 67 desses casos.

Esses números não contabilizam o total de fiéis que alegam uma cura milagrosa em Lourdes.

Muita gente favorecida não sabe da existência do Bureau e, portanto, nele não registram suas curas. Também, muitas outras pessoas não possuem a documentação necessária para ser apresentada ao Bureau.

Há ainda o fato de um número enorme de fiéis que, embora tendo certeza de que suas curas sejam sobrenaturais, não se apresentam ao Bureau porque as doenças não têm proporções para isso.

Essas curas físicas são as únicas visíveis. Elas devem ser tidas como um sinal das curas invisíveis que têm lugar em Lourdes e que talvez sejam mais numerosas e importantes. São curas do coração, da alma, a cura do pecado, a reconciliação com Deus, com os outros e consigo mesmo. O número desse tipo de curas é enorme, porém, não são próprios para análise médica.

Também não são de trato médico as graças, favores e resolução de problemas afetivos, profissionais, familiares, econômicos, financeiros que formam uma legião enorme de favorecidos.

Assim é Lourdes!

* * * * * * *

Os céticos poderão rir, porém, o sorriso deles jamais foi empecilho para o caminhar do homem que tem Fé. Este pensamento de Plínio Corrêa de Oliveira também pode ser aplicado para Lourdes: Seus detratores desapareceram no tempo. Lourdes, caminhou!

Seu santuário, junto ao local das aparições, é o mais frequentado na França e dos mais concorridos em todo o mundo. De todas os países chegam, constantemente, peregrinos para se banharem em suas águas.

A devoção a Nossa Senhora de Lourdes espalhou-se pela Terra toda. Em todos os continentes existem igrejas, santuários, basílicas, capelas ou simples grutas que são consagradas a Nossa Senhora de Lourdes.

Em Lourdes conservou-se sempre a chama da Fé. Ela é um pólo de Luz, de esperança, um jorro contínuo de graças divinas oferecidas maternalmente por aquela que se apresentou como sendo a Imaculada Conceição.

A “Boca da Verdade”

Antes de mais nada, queremos nos solidarizar com todas as famílias da cidade de Brumadinho, MG, pela tragédia ocorrida no dia 25 de janeiro de 2019, que teve como causa o rompimento de uma barragem, cujo mar de lama tóxica soterrou famílias, destruiu casas e propriedades diversas, ceifou a vida de muitas pessoas, muitas delas trabalhadores da mineradora, inclusive de uma jovem médica, de donas de casa e crianças, pelos quais oferecemos nossas preces e orações, sem se falar na morte também de animais, devastando grande parte do meio ambiente dessa região.

Vivemos momentos difíceis e muito tristes, pois tragédias como essa, que poderia ter sido evitada, deixam marcas profundas para o resto da vida. Agradecemos a Deus por todos aqueles homens e mulheres que lutaram para achar nossos irmãos soterrados, inclusive os soldados israelenses que vieram para ajudar no resgate. Todos são verdadeiros heróis!

E fica para os responsáveis, além das consequências de ordem jurídica, a dor de consciência por um dever não comprido, pela falta de cuidado, transparência e vigilância em torno das condições de segurança da barragem.

Gostaria de tratar com os caríssimos irmãos, neste “post” de um tema muito elevado e importante, qual seja, a Verdade.

Em muitos povos e civilizações antigas, de modo especial na Grécia, uma plêiade de pensadores e filósofos se detiveram em longas e profundas meditações metafísicas e se debruçaram sobre livros e tratados objetivando conhecer a Verdade numa perspectiva de cunho racional, embora também com fins práticos – alguém já disse que nada ajuda tanto a prática como as teorias -, e políticos, na acepção mais alta do termo, a exemplo de Aristóteles, Platão, Parmênides e Heráclito, entre outros. E nos deixaram um enorme legado que foi aproveitado por muitos filósofos cristãos, como Santo Agostinho E São Tomaz e vários autores modernos e contemporâneos.

Já outros povos, Deus dotou de uma vertente mais elevada, como é o caso dos judeus, que Ele escolheu para conhecerem e anunciarem a Verdade, em um plano mais elevado, qual seja, o religioso, aos quais foi revelada a Verdade da Salvação, como é o caso do grande Moisés e do Rei David.

Por seu turno, aos romanos Deus deu o dom de conhecer em mais profundidade os conceitos do Direito e da Justiça, os quais também estão intimamente relacionados com a Verdade.

E assim o fazendo, Deus preparou a humanidade para receber o maior bem esperado pelas nações, o Messias, Jesus, a Verdade por excelência, que viria ao mundo como uma indefesa e luminosa criança, nascido de uma Virgem, para trazer uma iBoa Nova a todos os povos.

E a partir da pregação, da Vida, Paixão e Morte de Jesus, aquele mundo pagão e bárbaro foi sendo evangelizado e civilizado, inicialmente pelos apóstolos, em seguida por seus discípulos e seguidores, em suma pela Igreja, por meio dos Papas, bispos, padres, religiosos e religiosas das mais variadas Ordens, e leigos de ambos os sexos, até atingirmos a Idade Média, a Civilização Cristã – “a Doce Primavera da Fé”, na qual a Verdade refulgiu, juntamente com a Bondade e a Beleza , os atributos mais emblemáticos de Deus.

Mas este auge da Cultura e da Civilização, em finais do século XIII, iniciou um terrível processo de decadência, com o Humanismo e a Renascença, até chegar à inimaginável situação atual, em que o mundo, falto do “lumen rationis”, se debate num pântano obscuro do relativismo moral, dos sofismas, da negação do princípio elementar da não contradição – “uma coisa é o que ela é e não é o que ela não é”, afundando no caos mental , na imbecilização completa e na total depravação dos costumes, e o que é pior, jactando-se de evoluído.

É o que assistimos hoje, retratado em grande parte pelos programas televisivos e nas denominadas mídias alternativas, sob o pretexto de uma pseudo-liberdade, que asseguraria a todo homem dizer o que lhe venha à cabeça.

Por conta dessa falsa liberdade de expressão, com muita frequência, são vomitadas impunemente pelos mais variados meios de comunicação, com honrosas exceções, informações mentirosas, teorias absurdas, calúnias, difamações, detrações, chicanas sórdidas, muitas vezes sacrílegas e blasfemas, em meio a cenas de baixezas insuperáveis, exibidas e propaladas de maneira irresponsável e sem qualquer tipo de reação, muito menos de uma punição.

E como se isto fosse um avanço , um progresso uma evolução! É de estarrecer!

É tão calamitosa a situação hodierna, que grande parte da humanidade parece haver chegado ao fundo do poço. Sim, repito, fundo do poço!

Quando observamos os ditos “responsáveis por informações sérias”, que deveriam trabalhar unicamente com a verdade e a imparcialidade, debocharem de um Presidente eleito, que quase morre em face de um atentado, – não importa aqui a sua visão política, poderia ser qualquer outro -, fazendo chicana e humor chulo, bem como espalhando fake-news, a propósito de uma delicada intervenção cirúrgica decorrente do atentado a que teve que se submeter, reclama-nos uma reflexão sobre o relativismo, a liberdade de expressão desenfreada, a baixa de nível, porquanto tal estado de coisas primeiramente ofende a Deus, mas também a toda sociedade, ainda que aparentemente se tenha em mira apenas uma pessoa ou determinado grupo social.

O que esperar de um mundo assim? A resposta seria: nada mais de positivo e sua ruína completa! Humanamente falando, a resposta estaria certa. Mas, numa perspectiva sobrenatural e em conformidade com a História Sagrada, a solução não está distante e se dará com uma intervenção divina, como está previsto em várias profecias sérias e fidedignas, a exemplo das de Nossa Senhora do Bonsucesso, de La Salette e de Fátima, que já tiveram boa parte delas cumpridas à risca.

Para ilustrar o que dissemos até agora, reproduzimos alguns excertos de um interessante artigo do Padre Inácio de Araújo Almeida EP, publicado na Revista Arautos do Evangelho, nº 151 de 2014 e que explica o título do “post” e a foto da escultura que o encima.

O HOMEM ANSEIA POR CONHECER A VERDADE

Mesmo sendo uma mera curiosidade histórica, a lenda da “Bocca della Verità” põe em relevo um dos anseios mais enraizados no coração do homem: o de conhecer a verdade.

Roma é uma cidade plena de história e de encantos. Quiçá, em nenhum outro lugar do mundo os monumentos da Antiguidade clássica se encontrem em tão perfeita harmonia com as maravilhas oriundas da Civilização Cristã.

Caminhando pela margem esquerda do legendário Tibre, que cruza o centro histórico da Cidade Eterna, é possível contemplar ao longe a esguia torre da Basílica de Santa Maria in Cosmedin. Edificada por volta do século VI, sobre as ruínas de um antigo templo, é hoje uma das igrejas mais visitadas de Roma.

Denominava-se inicialmente Santa Maria in Schola Greca, em razão de uma próspera colônia helênica situada em seus arredores. Por volta do ano 780, foi confiada a uma comunidade de monges bizantinos, os quais a adornaram com majestosas colunas e ricos mosaicos. Devido ainda à beleza de suas pinturas e à suntuosidade do seu pavimento cosmatesco, recebeu o merecido título que conserva até hoje: Santa Maria in Cosmedin (do grego, Cosmidion, “bem ornamentada”).

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Uma fábula multissecular

Turistas provenientes de diversas partes do mundo cruzam todos os dias o pórtico desse histórico recinto sagrado. Muitos, todavia, não são atraídos pelos seus belos afrescos, nem pelos melodiosos hinos da Liturgia oriental que ali se entoam. A longa fila de turistas se dispersa ainda no átrio da Igreja, defronte a uma grande pedra circular amparada por um capitel. E se algum transeunte pouco informado dessas “curiosidades romanas”, perguntasse a um dos presentes o que o levou a visitar o belo edifício, bem poderia ouvir a seguinte resposta: “Vim aqui para conhecer a Boca da Verdade”…

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Medindo 1,75m de diâmetro e pesando cerca de uma tonelada, a Bocca della Verità é um grande disco de mármore no qual se encontra esculpida uma grotesca face com a boca aberta. Para alguns, ela representa alguma divindade fluvial cujo nome a História não guardou; para outros, o frontispício de uma grandiosa fonte. Muitos, porém, julgam tratar-se da tampa de um velho bueiro romano. E uma lenda medieval atribuiu a esta escultura de pedra o admirável poder de punir os mentirosos: teria seus dedos amputados quem pusesse a mão na boca dessa máscara de mármore e dissesse uma mentira.

Uma das razões do sucesso desta fábula, que perdura até nossos dias, deve-se por certo ao fato de a Boca da Verdade jamais ter posto em prática seu prodigioso poder de punir. Bem podemos nos perguntar: Por quê? Talvez por considerar como verdadeiras todas as palavras proferidas pelos homens… Sua inoperância, porém, pode ter uma razão mais profunda: influenciada pelo relativismo da sociedade contemporânea, teria perdido a capacidade de distinguir o verdadeiro do falso…

O homem anseia por conhecer a verdade

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Moisés recebendo as Leis de Deus

Mesmo sendo uma mera curiosidade histórica, a lenda da Bocca della Verità põe em relevo um dos anseios mais enraizados no coração do homem. Com efeito, é inerente ao ser humano o desejo de conhecer a verdade, ainda que este se manifeste através de meios tão diversos quanto inusitados.

São Tomás de Aquino parte desse pressuposto em sua obra A Unidade do Intelecto: “Omnes homines naturaliter scire desiderant veritatem – Por natureza, todos os homens desejam conhecer a verdade”.1 Ainda segundo este Santo Doutor, o homem, por sua natureza espiritual, anseia por conhecer a verdade das coisas, assim como por exemplo, por sua natureza corporal, almeja os prazeres próprios ao corpo.

Tal aspiração de conhecer a verdade se manifesta no íntimo do ser humano sob a forma de indagações sobre o fundamento último de sua existência, bem como sobre a natureza dos seres circundantes. A este propósito, afirmou São João Paulo II: “Em toda a criação visível, o homem é o único ser que é capaz não só de saber, mas também de saber que sabe, e por isso se interessa pela verdade real daquilo que vê. Ninguém pode sinceramente ficar indiferente quanto à verdade do seu saber. Se descobre que é falso, rejeita-o; se, pelo contrário, consegue certificar-se da sua verdade, sente-se satisfeito”.

Isto seria o natural!

“Por que a verdade gera o ódio?”

Devido a esta intrínseca sede da verdade, a qual espontaneamente aflora na mente humana, bem se poderia imaginar que a verdade foi sempre compreendida e amada por todos. Contudo, Santo Agostinho nos oferece uma opinião diferente: “A verdade é doce e amarga. Doce quando perdoa; amarga quando visa curar”.

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Jesus pregando e falando a verdade para os Fariseus

Ora, nem sempre os homens estão dispostos a aceitar o amargo sabor da verdade quando esta se manifesta sob a forma de uma censura ou repreensão. Tal atitude de inconformidade levou o Bispo de Hipona a formular a seguinte pergunta: “Por que a verdade gera o ódio?”. E responde: “É tal o amor à verdade, que aqueles que amam algo diferente pretendem que o objeto de seu amor seja a verdade; e como não admitem ser enganados, não querem convencer-se de seu erro. Do amor àquilo que supõem ser a verdade, provém seu ódio à verdade. Amam seu esplendor e odeiam sua censura. Gostam de enganar e detestam ser enganados, por isso a amam quando se revela e odeiam quando os acusa”.

Sob o signo da “ditadura do relativismo”

Há, contudo, uma terceira atitude perante a verdade: ela não existe e, se existisse, seria impossível conhecê-la. “Tudo é relativo; eis o único princípio absoluto”, afirmou Augusto Comte no início do século XIX.

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Cerca de dois séculos depois o então Cardeal Joseph Ratzinger denunciava a “ditadura do relativismo” como um dos mais graves problemas do momento atual: “Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo – isto é, deixar-se levar ‘aqui e além por qualquer vento de doutrina’ – aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades”.

E três anos depois, respondendo às perguntas dos Bispos norte-americanos, o Papa Bento XVI esclarecia: “Em última análise, a ‘ditadura do relativismo’ nada mais é do que uma ameaça à liberdade humana, a qual amadurece na generosidade e na fidelidade à verdade”.

Este problema já tinha sido levantado com grande profundidade por São João Paulo II na encíclica Fides et ratio, onde mostra a contraditória situação pela qual passa a razão filosófica em nossos dias: “Mais recentemente, ganharam relevo diversas doutrinas que tendem a desvalorizar até mesmo aquelas verdades que o homem estava certo de ter alcançado

A legítima pluralidade de posições cedeu o lugar a um pluralismo indefinido, fundado no pressuposto de que todas as posições são equivalentes: trata-se de um dos sintomas mais difusos, no contexto atual, de desconfiança na verdade. E esta ressalva vale também para certas concepções de vida originárias do Oriente: é que negam à verdade o seu caráter exclusivo, ao partirem do pressuposto de que ela se manifesta de modo igual em doutrinas diversas ou mesmo contraditórias entre si. Neste horizonte, tudo fica reduzido a mera opinião”.

E conclui observando que, segundo certas correntes do pensamento dito pós-moderno, “o tempo das certezas teria irremediavelmente passado, o homem deveria finalmente aprender a viver num horizonte de ausência total de sentido, sob o signo do provisório e do efêmero”.

Uma pergunta vigente há dois milênios

Assim, o homem contemporâneo parece retomar a cética pergunta feita por Pilatos a Nosso Senhor Jesus Cristo: “Quid est veritas? – O que é a verdade?” (Jo 18, 38). E ele a faz parecendo temer não tanto a verdade em si mesma, mas as
consequências que derivam da obediência aos seus preceitos.

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A essa pergunta, formulada há quase dois milênios, é possível responder com o perfeito anagrama lembrado pelo Papa Paulo VI numa de suas audiências. Usando as mesmas letras da pergunta de Pilatos diríamos que a verdade “est vir qui adest – é o Homem que está aqui”.11 Pois no Cristianismo a “Verdade” não é um “que”, mas um “quem”. Ela não é um mero conceito teórico, mas sim uma Pessoa cujo nome é Jesus, Filho de Deus e da Virgem Maria.

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“Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus”,12 escreveu Santa Teresa Benedita da Cruz, lembrando o tempo em que trilhava as sendas da filosofia. Por isso, caro leitor, se alguma vez você tiver oportunidade de fazer uma peregrinação à Cidade Eterna, não deixe de visitar a Basílica de Santa Maria in Cosmedin, para contemplar suas maravilhas. Todavia, não se detenha em seu átrio, à busca da verdade. Entre, dirija-se ao altar e fique bem junto do sacrário. Ali estará à sua espera, não a lendária Bocca della Verità, mas a Verdade autêntica, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele terá com certeza algo de extraordinário a dizer-lhe, pois “os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante” (Pr 12, 19).

E para completar esta reflexão sobre a Verdade deixo-lhes ainda excertos de comentários do Professor Plinio Corrêa de Oliveira acerca do assunto:

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“Paixão pela verdade”

“O mundo está cheio de filósofos e de escritores, porém só há uma coisa que justifica a existência de uns e outros: a paixão da verdade. Sem esta paixão, livros e filosofias nada mais são do que vaidades, perigosíssimas vaidades que acendem o fogo na Terra e atiçam as labaredas do inferno.

Ela nunca foi muito estimada pelos homens

Quem tem a paixão da verdade está disposto a despojar-se de si mesmo, sem qualquer restrição. Sacrificará as mais sedutoras ideias, os mais engenhosos sistemas, as mais profundas e luminosas elucubrações, as mais caras intuições, as satisfações mais elevadas da inteligência, e por fim as formulações mais cativantes e as imagens mais esteticamente felizes, para austeramente procurar e manifestar a verdade, só a verdade, que é sempre dura para a nossa condição humana, por causa de sua essencial transcendência.

E não é só. A verdade nunca foi muito estimada pelos homens, sendo positivamente desprezada em nossos dias. A verdade é una e imutável, mas os homens amam o espetáculo variegado das aparências que se sucedem; a verdade é eterna, mas os homens seguem as modas; a verdade é séria e os homens são frívolos; a verdade aponta o dever, ao passo que os homens querem os prazeres; enfim, a verdade é rija e os homens não têm fibra.

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Não é apenas uma questão epistemológica ou metafísica

Portanto, quem tem a paixão da verdade se expõe, necessariamente, à antipatia dos homens, mas preferirá a verdade aos bens temporais, à carreira, ao renome e à própria reputação. Será perseguido e acusado por aqueles que prostituem a verdade fazendo dela um simples instrumento da sua enfatuação e cobiça”.

Sim. Assistimos hoje a PROSTITUIÇÃO DA VERDADE!

Mas ainda não é tudo. A paixão da verdade pode levá-lo a silenciar anos a fio, enquanto os outros se alçam perante a opinião e a crítica, pela sua produção de obras literárias e filosóficas. Ele, no entanto, permanecerá calado, até que surja o único motivo que o fará manifestar-se: dar testemunho da verdade.

Diante do que acabo de dizer, você poderá retrucar que eu, em lugar de indicar o caminho da filosofia, indiquei o da santidade. É fato. Apenas quero salientar que, para quem tem a vocação dos estudos filosóficos, a perfeição espiritual se chama paixão da verdade. Para nós, católicos, a verdade não é apenas uma questão epistemológica ou metafísica, é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus que se encarnou para nos salvar. Excerto de CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Conselhos sobre vida intelectual. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2014, n. 18 a 21)

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Concluindo: não precisamos viajar a Roma para nos certificarmos com a “Bocca della Veritá” se somos homens ou mulheres verdadeiros ou se a estamos, de fato professando-a! Não! Seguramente não é ela que vai nos certificar disto. Impossível. Jamais!

Se queremos ter certeza de que estamos com a Verdade, se Ela está em nosso coração, basta que busquemos a Jesus, humilde e sinceramente, por meio de Sua Mãe Santíssima, e lhe peçamos: SAGRADO CORAÇÃO JESUS, MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO, FAZEI MEU CORAÇÃO SEMELHANTE AO VOSSO! Ele responderá, espargindo sobre o nosso coração a Luz da Verdade, que em suma é sua Divina Pessoa! E nesta Luz veremos se o nosso modo de pensar e de agir estão conforme os ditames da Verdade! E ainda ouviremos de sua Boca divina Ele nos dizer com palavras de doçura e Paz:” EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA!”

O TRÍPLICE DESAFIO DA VIDA CONSAGRADA

Os bons exemplos arrastam as pessoas para o caminho de Deus.

Estimados leitores quero compartilhar com vocês um artigo muito importante e que parece escrito para os dias de hoje.

Desejo a todos uma boa leitura!

O  texto foi escrito em 25/ 03 /1996, pelo Santo Papa João Paulo II, que nos deixou saudades eternas.

O TRÍPLICE DESAFIO DA VIDA CONSAGRADA

A vida consagrada, profundamente arreigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito. Através da profissão dos conselhos evangélicos, os traços característicos de Jesus – virgem, pobre e obediente – adquirem uma típica e permanente “visibilidade” no meio do mundo, e o olhar dos fiéis é atraído para aquele mistério do Reino de Deus que já atua na História, mas aguarda a sua plena realização nos Céus. […]

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A missão profética da vida consagrada vê-se provocada por três desafios principais, lançados à própria Igreja: são desafios de sempre, colocados sob formas novas e talvez mais radicais pela sociedade contemporânea, pelo menos nalgumas partes do mundo. Tocam diretamente os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, estimulando a Igreja, e de modo particular as pessoas consagradas, a pôr em evidência e testemunhar o seu significado antropológico profundo. […]

A alegria de praticar a castidade perfeita

A primeira provocação provém de uma cultura hedonista que separa a sexualidade de qualquer norma moral objetiva, reduzindo-a frequentemente ao nível de objeto de diversão e consumo, e favorecendo, com a cumplicidade dos meios de comunicação social, uma espécie de idolatria do instinto. As consequências disto estão à vista de todos: prevaricações de todo o gênero, geradoras de inúmeros sofrimentos psíquicos e morais para os indivíduos e as famílias.

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A resposta da vida consagrada está, antes de mais, na prática alegre da castidade perfeita, como testemunho da força do amor de Deus na fragilidade da condição humana. A pessoa consagrada atesta que aquilo que é visto como impossível pela maioria da gente, torna-se, com a graça do Senhor Jesus, possível e verdadeiramente libertador. […]

É preciso que a vida consagrada apresente ao mundo de hoje exemplos de uma castidade vivida por homens e mulheres que demonstram equilíbrio, domínio de si, espírito de iniciativa, maturidade psicológica e afetiva. Graças a este testemunho, é oferecido ao amor humano um ponto de referência seguro, que a pessoa consagrada encontra na contemplação do amor trinitário, que nos foi revelado em Cristo.

Precisamente porque imersa neste mistério, ela sente-se capaz de um amor radical e universal, que lhe dá a força para o domínio de si e a disciplina necessária para não cair na escravidão dos sentidos e dos instintos.

A castidade consagrada apresenta-se assim como experiência de alegria e de liberdade. Iluminada pela fé no Senhor ressuscitado e pela esperança dos novos céus e da nova terra (cf. Ap 21, 1), ela oferece também preciosos estímulos para a educação da castidade obrigatória nos outros estados de vida.

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Profissão ativa da pobreza evangélica

Outra provocação vem, hoje, de um materialismo ávido de riqueza, sem qualquer atenção pelas exigências e sofrimentos dos mais débeis, nem consideração pelo próprio equilíbrio dos recursos naturais.

A resposta da vida consagrada é dada pela profissão da pobreza evangélica, vivida sob diversas formas e acompanhada muitas vezes por um empenhamento ativo na promoção da solidariedade e da caridade. […] Através destas formas diversas e complementares, a vida consagrada participa da pobreza extrema abraçada pelo Senhor e vive a sua função específica no mistério salvífico da sua Encarnação e da sua Morte redentora.

Entre obediência e liberdade não há contradição

A terceira provocação provém daquelas concepções da liberdade que subtraem esta fundamental prerrogativa humana à sua relação constitutiva com a verdade e com a norma moral. Na realidade, a cultura da liberdade é um valor autêntico, ligado intimamente ao respeito da pessoa humana. Mas quem não vê as consequências monstruosas de injustiça e mesmo de violência, geradas na vida dos indivíduos e dos povos pelo uso deturpado da liberdade?

Uma resposta eficaz a tal situação é a obediência que caracteriza a vida consagrada. Esta apresenta de modo particularmente vivo a obediência de Cristo ao Pai e, partindo exatamente do seu mistério, testemunha que não há contradição entre obediência e liberdade.

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Com efeito, o comportamento do Filho desvenda o mistério da liberdade humana, como um caminho de obediência à vontade do Pai, e o mistério da obediência, como um caminho de progressiva conquista da verdadeira liberdade. É precisamente este mistério que a pessoa consagrada quer exprimir com este voto concreto.

Com ele, deseja dar testemunho da sua consciência de um relacionamento de filiação, em virtude do qual assume a vontade paterna como alimento diário (cf. Jo 4, 34), como sua rocha, alegria, escudo e baluarte (cf. Sl 17, 3). Demonstra assim que cresce na verdade plena de si mesma, quando permanece ligada à fonte da sua existência, e deste modo oferece uma mensagem repleta de consolação: “Gozam de grande paz os que amam a vossa Lei, para eles não existe perturbação” (Sl 118, 165).

A obediência vivificada pela caridade unifica

Este testemunho das pessoas consagradas assume, na vida religiosa, um significado particular também por causa da dimensão comunitária que a caracteriza. A vida fraterna é o lugar privilegiado para discernir e acolher a vontade de Deus e caminhar juntos em união de mente e coração.

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A obediência, vivificada pela caridade, unifica os membros de um instituto no mesmo testemunho e na mesma missão, embora na diversidade dos dons e no respeito da individualidade própria de cada um. Na fraternidade animada pelo Espírito Santo, cada qual estabelece com o outro um diálogo precioso para descobrir a vontade do Pai, e todos reconhecem em quem preside a expressão da paternidade divina e o exercício da autoridade recebida de Deus ao serviço do discernimento e da comunhão.

De modo particular, a vida de comunidade é o sinal, para a Igreja e para a sociedade, daquele laço que provém de um chamamento igual e da vontade comum de Lhe obedecer, para além de qualquer diversidade de raça e de origem, de língua e de cultura. Contra o espírito de discórdia e de divisão, a autoridade e a obediência resplandecem como um sinal daquela única paternidade que vem de Deus, da fraternidade nascida do Espírito, da liberdade interior de quem se fia de Deus, não obstante os limites humanos daqueles que O representam.

Através desta obediência, por alguns assumida como regra de vida, é experimentada e anunciada, em benefício de todos, a bem-aventurança prometida por Jesus a quantos “escutam a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28). Além disso, quem obedece tem a garantia de estar verdadeiramente em missão no seguimento do Senhor, e não ao sabor dos desejos pessoais ou das próprias aspirações. E, assim, é possível considerar-se guiado pelo Espírito do Senhor e sustentado, mesmo no meio de grandes dificuldades, pela sua mão segura. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2018, n. 199, p. 6-7)

São João Paulo II. Excertos da Exortação apostólica Vita consecrata, 25/3/1996

 

 

Bakhita: a Afortunada!

 Faz alguns dias, estava numa Capela esperando a hora da Missa, rezando muito interiormente a Jesus Sacramentado, pedindo-lhe ajuda  para as minhas necessidades, preocupações e tribulações. Ao meu lado,  meu esposo também se encontrava em oração contrita, quando de repente, posei a vista num belo quadro, fixado numa parede da sala contígua à Capela, retratando o rosto de uma mulher negra, bela, de feições delicadas e agradáveis,  e com um olhar de candura como se falasse com você e dissesse:

– “Estou a te olhar,  tudo vai dar certo!”

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Já ouvira falar desta filha dileta de Deus, mas nunca havia me detido para fitá-la nos olhos da forma que o fiz, naquele momento,  e fui por ela também fitada,  já quase na hora da Missa começar.

Dizem os mestres de vida espiritual,  entendidos em tais assuntos , que as coisas não acontecem por acaso, mas  sim por uma ação do nosso anjo da guarda ou por alguma moção divina interior que nos sinaliza para algo  ou para alguém que não conhecíamos ou que estava despercebido, a fim de nos dizer alguma coisa especial ou nos fazer compreender o porquê de uma provação ou até mesmo para compreender um mistério de ordem espiritual. Com efeito,  senti algo muito sublime naquele olhar doce e terno , olhos cor  de amêndoa,  encastoados em um semblante atraente e apaziguador!

Quantas vezes nós, quando estamos passando por grandes apreensões ou provações, não ficamos como que desesperados? Tomemos como exemplo nosso Brasil às vésperas de  escolher o seu novo Presidente e outros governantes. Sem dúvida  é um momento marcante e decisivo,  pois se escolhermos um más escolhas. , o nosso País continuará atolado em seus  problemas. Rezemos, pois,  para que elejamos pessoas boas para o nosso povo, e que verdadeiramente coloquem no centro Nosso Senhor Jesus Cristo, e respeitem os seus mandamentos,  porque tudo de bom provém d’Ele.  Portanto, olhos postos  no Cristo Redentor e em nossa Padroeira Nossa Senhora Aparecida, a fim de que façamos boas escolhas!

Prosseguindo nosso relato: como dizia no início,  foi de  um modo suave, à semelhança de uma brisa,  que deparei-me  com a nossa Bakhita, que me convidou a conhecer a sua heroica e vitoriosa vida, marcada com indizíveis sofrimentos que  ultrapassaram o limite da dor, conforme está contado no  pequeno mas bem escrito livro- ” Bakhita Uma Canto de Liberdade”, da Madre Maria Luiza Dagnino, Irmã Canossiana que, por sua vez,  se baseou no texto existente no Arquivo Canossiano de Roma, escrito pela própria Bakhita, e em alguns artigos de boa cepa. Então percebi que nossos problemas são tão pequeninos diante  de verdadeiros dramas vividos por outros irmãos, que mourejam neste vale lágrimas, como foi o caso dessa verdadeira heroina, no sentido mais autêntico desta palavra!

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Essa história fascinante de vida, na qual, a cada momento, nós nos  deparamos com tantos e lancinantes sofrimentos suportados com tanta fortaleza, dignidade e grandeza de alma, por uma pessoa só, desde sua mais tenra idade , faz-nos transcender para realidades e mistérios tão altos, sem os quais, não encontraríamos explicação e o porquê de tantas coisas.

Mas o drama vivenciado por Bakhita tem um desfecho glorioso por ela alcançado já aqui na Terra, mas sobretudo na Glória Celeste onde ela agora se encontra, intercedendo por todos os que lhe recorrem em suas necessidade, dores e tribulações.

Convido você,  caro(a) leitor(a),  para me acompanhar  e retroceder no tempo,  lá pelo ano de 1869, quando ela veio ao mundo.     A própria Bakhita narra  a sua vida, tudo que passou e sofreu, até encontrar a liberdade e a felicidade. Tentarei aqui resumi e pincelar uma  parte da  sua vida, com base no Livro acima mencionado,  desejando que assim o fazendo possa ajudá-los  a aceitarem com resignação e paciência seus sofrimentos, como oportunidades para nos purificarmos e  crescermos no amor de Deus e no de nossos irmãos.

 A história começa no centro da África.

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Com efeito, Bahkhita nasce numa aldeia de Darfur, chamada Olgossa, perto do Monte Agilerei, Sudão Ocidental, País da África,  em 1869. É uma bela família a de Bakhita. Três rapazes e três meninas, duas das quais são gêmeas. Família unida por amor e espontânea solidariedade. Eles pertenciam à tribo Dagiú, da qual revelam as boas qualidades tradicionais de pessoas pacíficas e trabalhadoras.

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Nesta família abastada – com efeito possui vastas plantações e inúmeras cabeças de gado – nasce a nossa Bakhita pelo ano de 1869.

Os seus primeiros anos de vida foram muito felizes!

Um certo dia porém, com cinco anos, brincava com seus irmãos e familiares, pelos arredores da casa, quando ouviu-se um grito de terror e as crianças a correrem, gritando: – “Os negreiros! Os negreiros”! Cada uma querendo se esconder daqueles homens ferozes  e violentos, que  rápidos como raios,  acabam caindo sobre ela, amarram-lhe os pulsos atrás das costas e a levam embora juntamente com outras jovens mulheres  e homens surpreendidos nas casas e nos campos vizinhos.

Estimados irmãos e irmãs, por toda sua vida Bakhita repetirá:

-“Quanto mamãe chorou, e quanto nós também  choramos!” Em poucos instantes, seus laços familiares, seus irmãos, pai e mãe, restam só no coração de Bakhita.

Esta criança no período de 1876 a 1882 foi raptada três vezes, passando pelas mãos de três patrões. O segundo homem que a rapta diz: Que nome daremos a esta graciosa menina? Diz um deles: Bakhita é um nome bonito e lhe trará fortuna enquanto ela e uma outra criança choravam desesperadas, orando, implorando piedade. Ao amanhecer os dois homens com Bakhita como escrava, chegam à aldeia e a jogam numa alcova cheia de arreios e coisas quebradas. E ela dizia:

 -“Quanto eu tenha sofrido naquela espelunca, não é possível dizer com palavras. Lembro ainda daquelas horas angustiantes quando, cansada de tanto chorar, caía sem forças ao chão num leve torpor, enquanto a minha fantasia transportava-me para longe, longe, entre os meus entes queridos.

Via os meus pais, meus irmãos, minhas irmãs e eu abraçava a todos com tanta ternura, contando-lhes como me haviam raptado e quanto eu tinha sofrido.

Outras vezes, parecia-me brincar com minhas amigas nos vastos campos e sentia-me feliz. Mas, ai de mim, voltando à crua realidade daquela horrível solidão, invadia-me uma sensação de desalento que parecia despedaçar-me o coração”

Depois de um mês sofrendo jogada em um lugar escuro, sem ar e luz, é vendida novamente a um escravocrata, que se une a uma caravana que passava; os escravos eram amarrados de dois em dois ou em três em três, com correntes e argolas de ferro, que provocavam feridas sangrentas ao redor de todo o pescoço. O medo daqueles escravos era grande e o sofrimento ainda maior. Depois de oito dias viajando chegam a um lugar onde se praticava barbaridades com os escravos. Aqueles que suportavam não morriam eram vendidos pelo dobro do preço. Passa um mercador de escravos e ela é vendida novamente com a amiga, o qual as coloca em uma cabana pequena e estreita e acorrentado-as. Em desespero, planejam a fuga, lembrando da família.

Um dia o patrão as manda debulhar os milhos e tira a correntes das duas. Quando acabam de debulhar elas fogem em desespero pela floresta enfrentando uma  animais perigosos e quase foram devoradas por um leão. Bakhita subiu em uma árvore e escapou com a outra amiga escrava. Conseguiram escapar da morte e prosseguiram viagem mas foram  pegas naquele percurso escuro e  perigoso   por um homem que surgiu nas matas repentinamente e agarrou-as com toda violência e as fez  escravas dele, jogando-as atrás de uma casa velha, que cheirava mal,   com os pés amarrados. Ele dizia para elas que as levariam para sua casa para ver seus pais. Inocentemente as pobres crianças acreditaram.  Ficaram dias nesse local quando de repente, passa um comerciante e esse homem que havia pego Bakhita na mata as vende e, o seu novo dono, as leva para longe onde se juntam a uma caravana, que se dirigia para um Centro de Recolhimento de  mistura de escravos: El Obeid.

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El Obeid

Esse novo patrão oferece um espetáculo onde expõe os escravos à venda e começa a perguntar quem dá mais? Quem dá mais?  E quem dava mais levava o mais forte e até o mais bonito. Só que chegou a vez da pequena Bakhita! Chega um Senhor distinto e as compra e segue com as duas em viagem para longe.

Bakhita chega a uma mansão onde encontra duas criancinhas que dizem a ela: bonita, muito bonita. As duas são bonitas!  E assim fica a serviço dessa casa. Boa parte do dia de Bakhita era ficar de cócoras junto do sofá abanando com um grande leque o rosto das duas patroazinhas que gostavam de Bakhita e a mesma correspondia procurando fazer tudo certo e com muito zelo.

Um dia Bakhita recebe uma ordem do filho do patrão: Traga-me aquele vaso que está no saguão? Muito pesado, ela não suporta e cai de suas mãos. Desesperada de pavor e medo suplica perdão. Mas recebe um castigo de diversas chicotadas e ainda um pontapé que a deixa desfalecida.

Imaginem, estimados irmãos, que ela poderia ficar inutilizada, mas não, ela sobrevive mais uma vez,  e  é vendida novamente.

A esposa de seu novo “senhor” era perversa e má e tudo era controlado por ela principalmente os escravos conforme ela narra:

  “Entre vesti-las, perfumá-las e abaná-las não havia descanso. E ai de nós se, por engano ou por causa do sono, tocássemos um só fio de cabelos das senhoras. As chicotadas caíam sobre nós sem piedade. E assim, durante três anos que estive ao serviço delas, não me lembro de haver passado um dia sem feridas”

Não pensem, caros leitores, que o seu sofrimento se restringiu a tais  maus tratos.

Com efeito,  um dos piores momentos de Bakhita foi o que ela mesma narra e que superou todos os limites de perversidades,  como se verá abaixo.

Vejam só! Nessa última família, o patrão tatuava!!! seus escravos para mostrar a propriedade dos mesmos e um dia chegou a vez de Bakhita.

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“Chegou a minha vez, não tinha forças nem para me mexer, mas, o olhar do patrão me fez deitar por terra imediatamente. Se fazia o desenho convencional no corpo do escravo para marcar os lugares que iria ser tatuado e era com farinha branca. Pegaram a navalha e fizeram seis talhos no meu peito, sessenta no ventre, e quarenta e oito no braço direito, Oh! É impossível descrever como eu me sentia principalmente quando espalhou o sal nas feridas para tornar mais evidente o bárbaro desenho. Sofrimento atroz! Semidesmaiada pela dor e perda de sangue fui levada para a minha enxerga. Nas intermináveis noites, ardendo de febre e de sede, esperava em vão o alívio de um remédio ou de uma palavra de conforto”

Bakhita e a companheira, um dia presenciam uma discussão do general com a esposa, e esta venceu na discussão, e então o general descarrega sua raiva nas testemunhas inocentes ordenando os soldados flagelarem as meninas.

 Imagino o que o caro leitor deve pensar:  dessa vez a criança morreu. Não. I nexplicavelmente ela sobreviveu mais uma vez, como narra a própria Bakhita:

“A vara golpeando várias vezes a coxa, arrancou-me pele e carne e ainda me cavou uma ferida grande que nunca cicatrizou”. E conclui: “Quantas de minhas companheiras morreram depois de terem sido barbaramente chicoteadas. Eu não morri por um milagre de Deus que me destinaria a COISAS MELHORES .”

Entenderam, agora? Ela só não morreu em razão de uma milagrosa assistência sobrenatural de Deus, que lhe reservava um prêmio maravilhoso!

No entanto, ela foi vendida novamente depois dessa macabra residência a um general da Armada Turca.

Nesse espaço de tempo houve um personagem chamado Mohammed Ahmed que, proclamando-se “Madhi”, isto é, “enviado de Deus”, deixa sua ermida em 1881 e se lança à conquista do Sudão e do mundo inteiro, animado pelo ideal islâmico.

Várias missões católicas, fundadas pelo Padre Combori  encontravam-se na trajetória de sua desastrosa invasão: tudo é saqueado e destruído. Já existem projetos para tomar a capital de Codofan, El Obeid.

Essas invasões islâmicas se espalharam por todos os cantos. O General que havia comprado Bakhita resolve partir imediatamente para o seu país. Vende a maior parte de seus escravos, ficando com apenas 10, entre os quais Bakhita que o acompanhará até a Turquia.

Em Cartum, também é posta a venda. Estando em seus aposentos,  recebe ordem de deixar o hotel e seguir um senhor que nunca tinha visto, que a levará para o próximo dono. E quem é esse homem?  Um Diplomata: Calisto Lagnani, Vice- Consul da Itália em Cartum.

Bakhita observa a mulher que veio buscá-la. Uma faixa branca pregueada, prende-lhe os cabelos negros, seu vestido era branco e com palavras gentis convida Bakhita a acompanhá-la. E no caminho a mulher fala com muita doçura, como se fosse uma amiga.

Ao chegarem diante de um Edifício, havia uma bandeira branca, vermelha e verde, a mulher diz: “ESTE É O EDIFÍCIO DO CONSUL ITALIANO, ELE TE COMPROU PARA TE DAR A LIBERDADE”.

 

Bakhita compreendeu apenas uma coisa: “Desta vez serei verdadeiramente Bakhita, isto é, afortunada”

A doméstica a encaminha  a um ambiente onde  pode se lavar e a ajuda a vestir a roupa reservada para ela.

Foi o primeiro vestido após anos de escravidão, narrado pela própria Bakhita. E assim foi apresentada ao Cônsul. E com muito medo  foi ao encontro do Cônsul e ele disse:

“Não tenhas medo… aqui estarás bem e todos gostarão de ti. Ajudarás a camareira nos pequenos serviços domésticos. Ninguém te maltratará. Agora podes ir e fica tranquila e alegre”

Foi a última vez na sua vida que a nossa querida sudanesa Bakhita, tão sofrida era vendida. Passaram-se dois anos de tranquilidade e paz para Bakhita mas esta foi interrompida, pois os “Madhi” e seus revolucionários têm em mira Cartum, onde Bakhita está. O Consul imediatamente deve partir para Itália. Será que ele levaria Bakhita com ele? Ela comenta:

“Não sei porquê, mas quando ouvi nomear a Itália, da qual ignorava a beleza e os encantos, nasceu-me no coração um ardentíssimo desejo de seguir o patrão. Ele me queria bem, por isso ousei pedir-lhe para me levar consigo à Itália. O Cônsul fez algumas objeções, mas eu insisti tanto   que ele resolveu me contentar”.

Correm para partir, pois um bando de militantes mahidistas estão às portas de Cartum. Vai na viagem Bakhita, o Cônsul, um comerciante de Veneza, e um africano.

A partida é feita depois do Natal de 1884, chegando a Suakin, através do mar Vermelho, no final de janeiro de 1885. Durante o mês, enquanto esperavam o navio que devia levá-los à Itália, o Cônsul e o amigo ficam sabendo que um bando de revolucionários (Madhisti) assediaram Cartum, devastaram e saquearam todas as propriedades e tomaram todos os escravos.

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Bakhista pensa: “Se eu tivesse ficado lá também teria sido levada. E o que teria sido de mim”

Em 1885, o Cônsul embarca para Suakin rumo à Itália. Bakhita fica deslumbrada com a viagem e se pergunta:

-“Quem será o patrão destas coisas

maravilhosas?”  Radiante com o pôr do sol, com a imensidão do mar!

Prestem atenção para um detalhe: Bakhita ainda não era católica, mas tinha uma alma reta e profundamente admirativa, pois Deus, em que pese todos os seus sofrimentos , protegia e cuidava desta preciosíssima pérola negra, como que a a menina dos seus olhos, para erigi-la como uma mártir, o que certamente atrairia para ela e seu povo, graças e favores de escol, preparando-a, ademais para uma altíssima vocação.

Se assim não fosse não se explicaria a  sua capacidade de sofrer, sua resignação e paciência, jamais se queixando ou desejando o mal para seus algozes.

 Mas retomando a nossa história, assim transcorre a viagem e chegam em Gênova, desembarque definitivo.

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Outras surpresas ocorrem na sua vida. Ela por ser uma negra bonita, traços delicados, olhos cor de amêndoas, chamou a atenção de D.Maria Turina Michieli, que veio ao porto esperar o marido. E queria Bakhita para ela e chegou a ficar severamente zangada com o marido. Sr. Legnani ,então,  resolve ceder Bakhita para esse casal como presente, recém-casados e amigos dele.  Vai Bakhita para Mirano. Logo nasce Alice primeira filhinha do casal e Bakhita fica tomando conta da pequenina Mimina. Bakhita se veste à moda europeia ajudada por dona Maria.

Bakhita preenche sua vida tomando conta de Mimina e com os afazeres domésticos. Mas nos momentos a sós lembra dos seus familiares e pede a Deus por eles. Mas, o pai da pequena precisa viajar para Suakin onde havia comprado um hotel e sua  esposa precisará ir também. Resolvem deixar Bakhita em Veneza no Instituto dos Catecúmenos, dirigidos pelas irmãs Canossianas.

O senhor Michieli oferta a Bakhita um crucifixo de prata e ela narra> “ Ao dar-me  o crucifixo, ele o beijou com devoção. Depois explicou-me que Jesus Cristo, Filho de Deus, morreu por nós. Impelida por uma força misteriosa, eu o olhava, como que às escondidas, e sentia dentro de mim algo que não sabia explicar.”

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Mais tarde ela diz:

“Se durante a minha escravidão eu tivesse conhecido a Jesus, eu teria sofrido muito menos”.

Dentro deste Convento, Bakhita tem o desejo de se tornar Cristã e ela diz: “Quando, a Irmã ficou sabendo do meu desejo e que vim (ao Instituto) com essa intenção, exultou de alegria”.

E observem que considerações belíssimas de nossa Bakhita:

“E vim a conhecer Aquele Deus que desde criança eu sentia no coração, sem saber quem era Ele. Recordo que vendo o sol, a lua e as estrelas, as belezas da natureza, dizia comigo mesma: “Quem será o Patrão destas coisas lindas? E sentia uma grande vontade de vê-lo, de conhecê!-lo, de prestar-lhe homenagem”!

Que alma grandiosa, inocente e apetente pelas coisas sobrenaturais! E isto é a prova de  que Deus a todos concede graças de conhecê-lO  para praticar as virtudes e ao menos a lei natural, como uma preparação para a plenitude da vida da graça!

Nesse período, a sua patroa resolve regressar à Itália e exige  que Bakhita volte com ela. E fica três dias travando essa luta árdua.O Patriarca de Veneza, Cardeal Domenico Agostini sabe da situação de Bakhita e resolve fazer uma reunião no Instituto dos Catécumenos. Primeiramente , fala o Patriarca e em seguida D. Maria muito nervosa expõe seus direitos. O Procurador do Rei então diz:

“Na Itália não há comércio de escravos. A partir do momento que um escravo coloca o pé em solo italiano, ele se torna livre. Portanto eu declaro, oficialmente, que JOSEFINA BAKHITA É LIVRE.

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 Diz Bakhita:

 “Eu amo a senhora Michieli e sinto imensamente ter que abandonar Mimina. Mas, eu não posso deixa este lugar, porque não quero perder a Deus”

Era o dia 29 de novembro de1889 e Bakhita faz a escolha de sua vida: DEIXA TUDO, PELO TUDO.

No mesmo dia 9 de janeiro de 1890, foi batizada , crismada e recebeu a Sagrada Eucaristia! E ela conta emoção que tomou conta de sua alma!

Toda nata da nobreza de Veneza queria ser madrinha da jovem africana.O ex-patrão oferece-lhe tudo que tinha para ela voltar, ela seria sua filha e herdaria tudo dele também como filha. Dizia: serei seu pai. Mas Bakhita escolheu o outro caminho que é reservado para os grandes santos.

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Com a passar dos dias  e dos  meses todos a conheceriam pela bondade e delicadeza de sua alma.

 Recebe o hábito da Filha da Caridade no Instituto Canossiano e a sua própria Superiora o entrega e ela faz os votos solenes na mesma casa onde a Fundadora, Santa Madalena de Canossa iniciou a sua obra, viveu e morreu.

Em 1902, é transferida de Veneza para Schio.

Na casa de Schio ela faz variados serviços. Todos querem ficar ao seu lado. A chamam de Irmã Morena e pedem para ela contar histórias, pois era das coisas que fazia muito bem.

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Schio

Como se vê o Manuscrito redigido por ela em 1910 em Schio apresenta textos descritivos de um realismo insuperável. Oficialmente ela será sempre a “Protetora de Schio”

Depois de longos anos ajudando, sendo amada por todos, como costuma acontecer com os santos, queriam pegá-la, de todas as formas, para abraçá-la, tocá-la,  mas, um dia Bakhita adoece com pneumonia. E começa a ter delírios, pesadelos como se tivesse amarradas as correntes quando era escrava, mas isso devido a sua debilitação. Sempre tranquila e confiante em Jesus sacramentado, perguntavam a ela: como vai Irmã?

-“Vou indo devagarinho, devagarinho, rumo à eternidade… Vou com duas malas: uma contém os meus pecados, e a outra, bem mais pesada, os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do tribunal de Deus, cobrirei a minha mala feia com os méritos de Jesus e de Nossa Senhora, e direi ao Pai eterno: Julgai agora o que vedes.”.

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Casa Madalena de Canossa

No dia 8 de fevereiro de 1947, às 15:30, recebe os sacramentos dos Enfermos e morre às 21:10 horas.

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As suas últimas palavras: “COMO ESTOU CONTENTE! NOSSA SENHORA, NOSSA SENHORA.

E Nosso Bom Jesus premia a sua casta esposa fazendo que seu corpo permaneça incorrupto , até os dias atuais!

No dia 17 de maio de 1992 é declarada Beata e em 01 de outubro de 2000 é CANONIZADA PELO PAPA JOÃO PAULO II.

Santa Bakhita, rogai por nós!

Referência Bibliográfica:

Bakhita Um Canto de Liberdade,  Madre Maria Luiza Dagnini, FdCC

Impresso: Coop. Novastampa di Verona srl, Verona – Itália, setembro 2000

Artigo da Revista Arautos do Evangelho