Ano Novo Feliz e abençoado!

Queridos Leitores, desejamos a todos vocês, ainda dentro do período do Natal, que se conclui no próximo domingo, um Ano Novo de muita Paz e repleto de bênçãos, favores e graças especiais do Menino Jesus , de Sua Santa Mãe e do poderoso São José, a fim de que possamos enfrentar com coragem e sabedoria os desafios e dificuldades  que se nos apresentarem , realizar com êxito e com frutos os nossos projetos  e cumprir com perfeição nossos bons propósitos!

E neste sentido, deixo-lhes uma belíssima reflexão sobre Santa Maria, Mãe de Deus e nossa, de autoria do Monsenhor João Clá Dias, que muito poderá nos auxiliar no atingimento de nossas metas.

“No primeiro dia do ano novo, o calendário dos santos se abre com a festa de Maria Santíssima, no mistério de sua maternidade divina. Escolha acertada, porque de fato Ela é “a Virgem mãe, Filha de seu Filho, humilde e mais sublime que toda criatura, objeto fixado por um eterno desígnio de amor”. Ela tem o direito de chamá-lo “Filho”, e Ele, Deus onipotente, chama-a, com toda verdade, Mãe!

Insira uma legenda

 

Vós tendes, ó Maria, autoridade de Mãe para com Deus, e por isso alcançais também o perdão aos mais abjetos pecadores. Em tudo vos reconhece o Senhor por sua verdadeira Mãe e não pode deixar de atender a cada desejo vosso. (Santo Afonso Maria de Ligório, As Glórias de Maria)

Foi a primeira festa Mariana que apareceu na Igreja ocidental. Substituiu o costume pagão das dádivas e começou a ser celebrada em Roma, no século IV. Desde 1931 era no dia 11 de outubro, mas com a última revisão do calendário religioso passou à data atual, a mesma onde antes se comemorava a circuncisão de Jesus, oito dias após ter nascido.

Num certo sentido, todo o ano litúrgico segue as pegadas desta maternidade,começando pela solenidade da Anunciação, nove meses antes da Natividade. Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Como todas as mães, trouxe no próprio seio aquele que só ela sabia que se tratava do Filho unigênito de Deus, que nasceu na noite de Belém.

Ela assumiu para si a missão confiada por Deus. Sabendo, por conhecer as profecias, que teria também seu próprio calvário, enquanto mãe daquele que seria sacrificado em nome da salvação da Humanidade. Deus se fez carne por meio de Maria. Ela é o ponto de união entre o Céu e a Terra. Contribuiu para a obtenção da plenitude dos tempos. Sem Maria, o Evangelho seria apenas ideologia, somente “racionalismo espiritualista”, como registram alguns autores.

O próprio Jesus através do apóstolo São Lucas (6,43) nos esclarece: “Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto”. Portanto, pelo fruto se conhece a árvore. Santa Isabel, quando recebeu a visita de Maria já coberta pelo Espírito Santo, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lc1,42). O Fruto do ventre de Maria é o Filho de Deus Altíssimo, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Quem aceita Jesus, fruto de Maria, aceita a árvore que é Maria. Maria é de Jesus e Jesus é de Maria. Ou se aceita Jesus e Maria ou se rejeita a ambos.

Por tomar esta verdade como dogma é que a Igreja reverencia, no primeiro dia do ano, a Mãe de Jesus. Que a contemplação deste mistério exerça em nós a confiança inabalável na Misericórdia de Deus, para nos levar ao caminho reto, com a certeza de seu auxílio, para abandonarmos os apegos e vaidades do mundo, e assimilarmos a vida de Jesus Cristo, que nos conduz à Vida Eterna. Assim, com esses objetivos entreguemos o novo ano à proteção de Maria Santíssima que, quando se tornou Mãe de Deus, fez-se também nossa Mãe, incumbiu-se de formar em nós a imagem de seu Divino Filho, desde que não oponhamos de nossa parte obstáculos à sua ação maternal.

A comemoração de Maria, neste dia, soma-se ao Dia Universal da Paz. Ninguém mais poderia encarnar os ideais de paz, amor e solidariedade do que ela, que foi o terreno onde Deus fecundou seu amor pelos filhos e de cujo ventre nasceu aquele que personificou a união ente os homens e o amor ao próximo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Celebrar Maria é celebrar O nosso Salvador. Dia da Paz, dia de nossa Mãe, Maria Santíssima. Nos tempos sofridos em que vivemos, um dia de reflexão e esperança!

A predestinação de Maria a maternidade divina

A predestinação com que a Santíssima Virgem foi eleita é especial, única entre todas, não somente pelo grau, mas pelo gênero. Se Maria é, na verdade, a primeira criatura predestinada com a mais perfeita imagem de seu Filho, é, além disso e a outro título, a única predestinada em qualidade de Mãe sua.

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Para demonstrar a afirmação de que desde toda a eternidade Deus predestinou a Santíssima Virgem Maria para ser a Mãe do Verbo encarnado, o insigne dominicano Fr. Royo Marín evoca a pura voz da infabilidade pontifícia:

“Na Bula Ineffabilis Deus, com a que Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição, leêm-se expressamente estas palavras: “Elegeu e assinalou (Deus), desde o princípio e antes dos tempos, para seu Unigênito uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na ditosa plenitude dos tempos, nasceria; e em tal grau A amou acima de todas as criaturas, que somente nEla se comprouve com singularíssima benevolência.”

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Nada sucede, nem pode suceder no tempo que não tenha sido previsto ou predestinado por Deus desde toda a eternidade. Logo, se a Virgem Maria é, de fato, a Mãe do Verbo encarnado, claro está que foi predestinada para isso desde toda a eternidade. É uma verdade tão límpida e evidente que não necessita demonstração alguma.

A maternidade divina de Maria

Todos os títulos e grandezas de Maria dependem do fato colossal de sua maternidade divina. Maria é imaculada, cheia de graça, Co-redentora da humanidade, Rainha dos Céus e da Terra e Medianeira universal de todas as graças, etc., porque é a Mãe de Deus. A maternidade divina A coloca a tal altura, tão acima de todas as criaturas que São Tomás de Aquino, tão sóbrio e discreto em suas apreciações, não hesita em qualificar sua dignidade como sendo de certo modo infinita. E seu grande comentarista, o Cardeal Caietano, diz que Maria, por sua maternidade divina, alcança os limites da divindade. Entre todas as criaturas, é Maria, sem dúvida alguma, a que tem maior afinidade com Deus.

Assim, no dizer de outro eminente mariólogo “o dogma mais importante da Virgem Maria é sua maternidade divina”. É o primeiro alicerce sobre o qual se levanta o edifício da grandeza mariana. É este um fato que excede de tal modo a força cognoscitiva do homem que deve ser enumerado entre os maiores mistérios de nossa fé.

Que uma humilde mulher, descendente de Adão como nós, se torne Mãe de Deus, é um mistério tão sublime de elevação do homem e de condescendência divina, que deixa atônita qualquer inteligência, angélica ou humana, no séculos e na eternidade.

Maria, verdadeira Mãe de Deus

Para que uma mulher possa dizer-se verdadeiramente mãe, é necessário que subministre à sua prole, por via de geração, uma natureza semelhante (ou seja, consubstancial) à sua.

Suposta esta óbvia noção da maternidade, não é tão difícil compreender-se de que modo a Virgem Santíssima possa ser chamada verdadeira Mãe de Cristo, tendo Ela subministrado a Cristo, por via de geração, uma natureza semelhante à sua, ou seja, a natureza humana.

A dificuldade surge, porém, quando se procura compreender de que modo a Virgem Santíssima pode ser chamada verdadeira Mãe de Deus, pois não se vê bem, à primeira vista, de que modo Deus possa ser aqui gerado. Não obstante isso, se se observar atentamente, as duas fórmulas: Mãe de Cristo e Mãe de Deus, se equivalem, pois significam a mesma realidade e são, por isso, perfeitamente sinônimas. Nossa Senhora, com efeito, não é denominada Mãe de Deus no sentido de que houvesse gerado a Divindade (ou seja, a natureza divina do Verbo) e sim no sentido de que gerou, segundo a humanidade, a divina pessoa do verbo.

O sujeito da geração e da filiação não é a natureza, mas a pessoa. Ora, a divina pessoa do Verbo foi unida à natureza humana, subministrada pela Virgem Santíssima, desde o primeiro instante da concepção; de modo que a natureza humana de Cristo não esteve jamais terminada, nem mesmo por um instante, pela personalidade humana, mas sempre subsistiu, desde o primeiro momento de sua existência, na pessoa divina do Verbo. Este e não outro é o verdadeiro conceito da maternidade divina, tal como foi definida pelo Concílio de Éfeso, em 431.

Em suma, “Maria concebeu realmente e deu à luz segundo a carne à pessoa divina de Cristo (única pessoa que há nEle), e, por conseguinte, é e deve ser chamada com toda propriedade Mãe de Deus.

Não importa que Maria não haja concebido a natureza divina enquanto tal (tampouco as outras mães concebem a alma de seus filhos), já que essa natureza divina subsiste no Verbo eternamente e é, por conseguinte, anterior à existência de Maria. Ela, porém, concebeu uma pessoa – como todas as demais mães -, e como essa pessoa, Jesus, não era humana, mas divina, segue-se logicamente que Maria concebeu segundo a carne a pessoa divina de Cristo, e é, portanto, real e verdadeiramente Mãe de Deus.

O testemunho da Escritura

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A Sagrada Escritura nos diz explicitamente que a Virgem Santíssima é verdadeira Mãe de Jesus (Mt, II, 1; Lc. II, 37-48; Jo. II, 1; At. I, 14). Com efeito, Jesus nos é apresentado como concebido pela Virgem (Lc. I, 31) e nascido da Virgem (Lc. II, 7-12). Mas, Jesus é verdadeiro Deus, como resulta do seu próprio e explícito testemunho, pela fé apostólica da Igreja, pelo testemunho de São João, etc. Para se poder negar sua divindade, não há outro caminho senão rasgar todas as páginas do Novo Testamento.

Ora, se Maria é verdadeira Mãe de Jesus e Jesus é verdadeiro Deus, segue-se necessariamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus.

São Paulo ensina explicitamente que, “chegada a plenitude dos tempos, Deus mandou seu Filho, feito de uma mulher” (Gal. IV, 4). Por estas palavras, manifesta-se claramente que Aquele que foi gerado ab aeterno pelo Pai é o mesmo que foi, depois, gerado no tempo pela Mãe; mas Aquele que foi gerado ab aeterno pelo Pai é Deus, o Verbo. Portanto, também o que foi gerado no tempo pela Mãe é Deus, o Verbo.

Ainda mais clara e explícita, em seu vigor sintético, é a expressão de Santa Isabel. Respondendo à saudação que Maria lhe dirigira. Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo, disse, cheia de admiração: “E como me é dado que a Mãe de meu Senhor venha a mim?” (Lc I, 43).

A expressão meu Senhor é, evidentemente, sinônimo de Deus, pois que, em seguida, Isabel acrescenta: “Cumprir-se-ão em Ti todas as coisas que te foram ditas da parte do Senhor”, ou seja, da parte de Deus. Isabel, portanto, inspirada pelo Espírito Santo, proclamou explicitamente que Maria é verdadeira Mãe de Deus.

A voz da tradição

Toda a tradição cristã, a partir dos tempos apostólicos, é uma proclamação contínua desta verdade mariológica fundamental. Nos dois primeiros séculos, os Padres ensinaram que Maria concebeu e deu à luz a Deus. No terceiro século, começa o uso do termo que se tornou clássico: Theotokos, ou seja, Mãe de Deus.

No século IV, mesmo antes do Concílio de Éfeso, a expressão Mãe de Deus se tornara tão comum entre os cristãos, que dava nos nervos do Imperador Juliano, o Apóstata, o qual se lamentava de os cristãos não se cansarem nunca de chamar a Maria de Mãe de Deus. João de Antioquia aconselhava a seu amigo Nestório para não insistir demasiado em negar este título, a fim de evitar tumulto do povo. O próprio Alexandre de Hierápolis, cognominado de outro Nestório, reconhecia que a expressão Mãe de Deus estava em uso entre os cristãos desde muito tempo.

A exultação mesma que os fiéis demonstraram, quando a maternidade divina foi definida solenemente como dogma de fé, comprova até à evidência quão profundamente na alma estava radicada essa verdade fundamental na alma daqueles antigos cristãos. Por isso, no sentir do Pe. Terrien, “as definições dos concílios não introduziram um novo dogma, mas foram antes a sanção oficial da fé da Igreja, motivada pelas sacrílegas negações dos inovadores.” (Pequeno Ofício da Imaculada Conceição comentado, Monsenhor João Clá Dias, EP, Artpress, São Paulo,1997, p. 365 à 367)” 

Peçamos, pois, a tão bondosa e poderosa Mãe, tudo, mas tudo mesmo, de que necessitamos para bem caminhar neste Ano de 2018!

 

 

A Medalha Milagrosa

Hoje, 27 de novembro de 2017, faz 187 anos da aparição de Nossa Senhora a uma jovem e humilde freira, chamada Catarina Labouré, na Capela do Convento das Irmãs de Caridade, localizada na Rue de Bac, na famosa cidade de Paris, capital da França.

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Convento da Rue de Bac

 Na verdade, Nossa Senhora já lhe aparecera antes, no mesmo longínquo ano de 1830, atendendo um inocente, mas ardoroso desejo que nutria em sua alma, desde que uma Irmã de hábito lhe falara dos santos e de modo especial de Nossa Senhora, enfatizando a necessidade de termos uma grande devoção à Nossa Mãe do Céu.

Assim ela descreve o que aconteceu:

“A Madre Marta nos falara sobre a devoção aos santos, em particular sobre a devoção à Santíssima Virgem – o que me deu desejo de vê-La – e me deitei com esse pensamento: que nessa noite mesmo, eu veria minha Boa Mãe. Como nos haviam distribuído um pedaço do roquete de linho de São Vicente, cortei a metade e a engoli, adormecendo com o pensamento de que São Vicente me obteria a graça de contemplar a Santíssima Virgem.

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Enfim, às onze e meia da noite, ouvi alguém me chamar:

– Irmã Labouré! Irmã Labouré!

Acordando, abri a cortina e vi um menino de quatro a cinco anos, vestido de branco, que me disse:

– Levantai-vos depressa e vinde à Capela! A Santíssima Virgem vos espera.

Logo me veio o pensamento de que as outras irmãs iam me ouvir. Mas, o menino me disse:

– Ficai tranquila, são onze e meia; todas estão profundamente adormecidas. Vinde, eu vos espero.

Vesti-me depressa e me dirigi para o lado do menino, que permanecera de pé sem se afastar da cabeceira de meu leito. Eu o segui. Sempre à minha esquerda, ele lançava raios de claridade por todos os lugares onde passávamos, nos quais os candeeiros estavam acesos, o que muito me espantava. Porém, muito mais surpresa fiquei ao entrar na capela: logo que o menino tocou a porta com a ponta do dedo, ela se abriu. E meu espanto foi ainda mais completo quando vi todas as velas e castiçais acesos, o que me recordava a missa de meia-noite. Entretanto, eu não via a Santíssima Virgem.

O menino me conduziu para dentro do santuário, até o lado da cadeira do diretor espiritual*. Ali me ajoelhei, enquanto o menino continuou de pé. Como o tempo de espera estava me parecendo longo, olhei para a galeria para ver se as irmãs encarregadas da vigília noturna não passavam por ali.

Por fim, chegou o momento. O menino me alertou, dizendo:

– Eis a Santíssima Virgem! Ei-La!”

Nesse instante, Catarina ouve um ruído, como o frufru de um vestido de seda, vindo do alto da galeria. Levanta os olhos e vê uma senhora com um traje cor de marfim, que se prosterna diante do altar e vem se sentar na cadeira do Padre Diretor.

A vidente estava na dúvida se Aquela era Nossa Senhora. O menino, então, não mais com timbre infantil, mas com voz de homem e em tom autoritário, disse:

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– Eis a Santíssima Virgem!

A Irmã Catarina recordaria depois:

Dei um salto para junto d’Ela, ajoelhando-me ao pé do altar, com as mãos apoiadas nos joelhos de Nossa Senhora… Ali se passou o momento mais doce de minha vida. Ser-me-ia impossível exprimir tudo quanto senti.

Ela disse como me devo conduzir face a meu diretor espiritual, como me comportar em meus sofrimentos vindouros, mostrando-me com a mão esquerda o pé do altar, onde eu devo vir me lançar e expandir meu coração. Lá receberei todas as consolações de que necessito. Eu Lhe perguntei o que significavam todas as coisas que vira e Ela me explicou tudo:” ( vide “A Medalha Milagrosa –Histórias e celestiais promessas”, de autoria do Monsenhor João S. Clá Dias)

E nesta oportunidade, Nossa Senhora lhe disse coisas muito sérias e profetizou acontecimentos envolvendo a França, mas com importante significado para o mundo inteiro, conforme narrado pela santa vidente:

“- Minha filha, Deus quer te encarregar de uma missão. Terás muito que sofrer, porém hás de suportar, pensando que o farás para a glória de Deus. Saberás (discernir) o que é de Deus. Serás atormentada, até pelo que disseres a quem está encarregado de te dirigir. Serás contraditada, mas terás a graça. Não temas. Dize tudo com confiança e simplicidade. Serás inspirada em tuas orações. O tempo atual é muito ruim. Calamidades vão se abater sobre a França. O trono será derrubado. O mundo inteiro se verá transtornado por males de todo tipo (a Santíssima Virgem tinha um ar muito entristecido ao dizer isso). Mas venham ao pé deste altar: aí as graças serão derramadas sobre todas as pessoas, grandes e pequenas, particularmente sobre aquelas que as pedirem com confiança e fervor. O perigo será grande, porém não deves temer: Deus e São Vicente protegerão esta Comunidade”. ( Op. Cit)

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Rei Carlos X

As Profecias da Mãe de Deus se cumpriram, deixando patente a seriedade e autenticidade da Aparição.

Com efeito, uma semana depois dessa bendita noite eclodiu nas ruas de Paris a Revolução de 1830, e em meio a desordens sociais e políticas, o Rei Carlos X foi derrubado do trono “e por toda parte se verificaram manifestações de um anticlericalismo violento e incontrolável, com igrejas profanadas, cruzes lançadas por terra, comunidades religiosas invadidas, devastadas e destruídas, sacerdotes perseguidos e maltratados. No entanto, Nossa Senhora preservou os Padres Lazaristas e as Filhas da Caridade, Congregações fundadas por São Vicente de Paulo”.(cf. op, cit)

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Revolução de 1830

Outras profecias feitas por Nossa Senhora também se cumpriram à risca, tempos depois. A mais terrível foi a de que o Arcebispo de Paris seria morto, o que veio a ocorrer 40 anos após, no ano de 1870, como consequência de uma guerra fratricida, na qual a Alemanha derrotou a França, desencadeando em Paris violentas convulsões político-sociais perpetradas por um movimento conhecido sob o nome de “Comuna”. Tais desordens deram lugar a  novas e crueis perseguições religiosas, nas quais o Arcebispo de Paris, Monsenhor Darboy, que houvera sido encarcerado, foi brutalmente fuzilado no cárcere, e em seguida foram assassinados vinte dominicanos e outros clérigos, além de soldados. Em meio a tudo isto, mais uma vez, as Congregações fundadas por São Vicente de Paulo atravessaram incólumes, e quando tudo parecia perdido, Santa Catarina dizia a suas irmãs: “Esperai” – dizia – “a Virgem velará por nós…nãos nos acontecerá nenhum mal”.

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Santa Catarina Labouré

Mas voltemos à aparição de 27 de novembro de 1830, pois foi nela que Nossa Senhora doou para o mundo inteiro, um presente valiosíssimo associado a uma promessa pervadida de amor e misericórdia para quem o aceitasse e usasse do modo que prescreveu a Santa Catarina, qual seja : a Medalha Milagrosa!

Sim, meus irmãos e minhas irmãs, Nossa Senhora fiel ao legado que seu Divino Filho Lhe deu, do alto da Cruz, próximo de sua Morte, ou seja, todos os homens e mulheres, naquele momento representados pelo Apóstolo amado São João, como filhos seus, não cessou uma fração de segundo sequer de cuidar, proteger, admoestar e interceder por nós como Mãe amorosa e previdente, mediante todos os meios, vindo ao Mundo, em diversas oportunidades, como se acha consignado em documentos e monumentos  fidedignos e insofismáveis existentes na História de todos os Países! Que o digam Lourdes, La Salette, Saragoça, Fátima, Guadalupe, Las Lajas, Aparecida, Círio de Nazaré, entre centenas de outras devoções! E em todos os sítios  onde  Ela aparece ou suscita uma devoção, mediante alguma circunstância especial,  ocorrem milagres portentosos ou silenciosos, que a cada ano atraem milhões de devotos, visitantes e curiosos, que vão em busca de um auxílio, de um consolo , de uma cura, de um conselho, enfim, de um favor de nossa Mãe do Céu!

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São Vicente de Paulo – Fundador da Congregação das Irmãs de Caridade

E as Aparições da Rue de Bac, de 1830, de modo específico a Segunda delas, se inserem nesse agir constante, maternal e eficaz de Nossa Senhora em prol de seus filhos, que peregrinam em meio a toda sorte de perigos, tentações e sofrimentos, neste vale de lágrimas que é a vida aqui na terra, ajudando-os a conquistar a paz  e a Vida Eterna.

Assim relata Santa Catarina como se deu e o que disse Nossa Senhora, na Segunda Aparição:

“Quatro meses transcorreram desde aquela prodigiosa noite em que Santa Catarina contemplara pela primeira vez a Santíssima Virgem. Na inocente alma da religiosa cresciam as saudades daquele bendito encontro e o desejo intenso de que lhe fosse concedido de novo o augusto favor de rever a Mãe de Deus. E foi atendida.

Era 27 de novembro de 1830, sábado. Às cinco e meia da tarde, as Filhas da Caridade encontravam-se reunidas na sua capela da rue du Bac para o costumeiro período de meditação. Reinava perfeito silêncio nas fileiras das freiras e noviças. Como as demais, Catarina se mantinha em profundo recolhimento. De súbito…

Pareceu-me ouvir, do lado da galeria, um ruído como o” frufru” de um vestido de seda. Tendo olhado para esse lado, vi a Santíssima Virgem à altura do quadro de São José. De estatura média, sua face era tão bela que me seria impossível dizer sua beleza.

A Santíssima Virgem estava de pé, trajando um vestido de seda branco-aurora, feito segundo o modelo que se chama à la Vierge, mangas lisas, com um véu branco que Lhe cobria a cabeça e descia de cada lado até embaixo. Sob o véu, vi os cabelos repartidos ao meio, e por cima uma renda de mais ou menos três centímetros de altura, sem franzido, isto é, apoiada ligeiramente sobre os cabelos. O rosto bastante descoberto, os pés pousados sobre uma meia esfera. Nas mãos, elevadas à altura do estômago de maneira muito natural, Ela trazia uma esfera de ouro que representava o globo terrestre. Seus olhos estavam voltados para o Céu… Seu rosto era de uma incomparável formosura. Eu não saberia descrevê-lo…

De repente, percebi em seus dedos anéis revestidos de belíssimas pedras preciosas, cada uma mais linda que a outra, algumas maiores, outras menores, lançando raios para todos os lados, cada qual mais estupendo que o outro. Das pedras maiores partiam os mais magníficos fulgores, alargando-se à medida que desciam, o que enchia toda a parte inferior do lugar. Eu não via os pés de Nossa Senhora.

Nesse momento, quando eu estava contemplando a Santíssima Virgem, Ela baixou os olhos, fitando-me. E uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração, dizendo estas palavras:

– A esfera que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França… e cada pessoa em particular…

Não sei exprimir o que senti e o que vi nesse instante: o esplendor e a cintilação de raios tão maravilhosos…

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– Estes (raios) são o símbolo das graças que Eu derramo sobre as pessoas que mas pedem – acrescentou Nossa Senhora, fazendo-me compreender quão agradável é rezar a Ela, quanto Ela é generosa para com seus devotos, quantas graças concede às pessoas que Lhas rogam, e que alegria Ela sente ao concedê-las.

– Os anéis dos quais não partem raios (dirá depois a Santíssima Virgem), simbolizam as graças que se esquecem de me pedir.

Nesse momento formou-se um quadro em torno de Nossa Senhora, um pouco oval, no alto do qual estavam as seguintes palavras: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”, escritas em letras de ouro.

Uma voz se fez ouvir então, dizendo-me:

– Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança…

Nesse instante, o quadro me pareceu girar e vi o reverso da medalha: no centro, o monograma da Santíssima Virgem, composto pela letra “M” encimada por uma cruz, a qual tinha uma barra em sua base. Embaixo figuravam os Corações de Jesus e de Maria, o primeiro coroado de espinhos, e o outro, transpassado por um gládio. Tudo desapareceu como algo que se extingue, e fiquei repleta de bons sentimentos, de alegria e de consolação”. ( Op. Cit.)

Nossa Senhora ainda apareceu uma terceira vez a Santa Catarina, em meio a raios de luz, causando-lhe uma inexprimível alegria, valendo destacar uma voz, que nesta oportunidade Catarina ouviu no fundo de seu coração: “estes raios são símbolo das graças que a Santíssima Virgem obtém para as pessoas que Lhas pedem”.

Não foi fácil a Santa Catarina conseguir que o seu confessor, o Padre Aladel, atendesse o pedido de Nossa Senhora. Todavia, em 1832, o sacerdote enfim cedeu aos seus rogos e levou o caso ao Arcebispo de Paris, Dom Quelen  que autorizou fosse cunhada e em seguida reproduzida a Medalha Milagrosa. À primeira cunhagem de 1500 medalhas, sucederam-se milhões de outras e até hoje as reproduções se multiplicam, tal é o  poder de atração da medalha e sua aceitação em todo o orbe. E assim, abriu-se um cortejo interminável de graças e milagres que certamente irão até os fins dos tempos. O primeiro deles foi debelar a cólera, que se abateu sobre a França, em 1832, ceifando a vida de milhares de pessoas.

Como se observa pela foto abaixo, a medalha é em formato ovalado, contendo representações e símbolos, em ambos os lados.

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No lado principal:

Nossa Senhora: Maria aparece esmagando a cabeça da serpente. É a mulher que esmaga a cabeça da serpente, que é o demônio, já estava predita na Bíblia, no livro do Gênesis: “Porei inimizade entre ti e a mulher… Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás, em vão, morder-lhe o calcanhar”. Deus declara iniciada a luta entre o bem e o mal. Essa luta é vencida por Jesus Cristo, o “novo Adão”, juntamente com Maria, a corredentora, a “nova Eva”. É em Maria que se cumpre essa sentença de Deus: a mulher finalmente esmagará a cabeça da serpente, para que não mais a morte, sobretudo da alma, pudesse escravizar os homens.

Os raios: Simbolizam as graças que Nossa Senhora derrama sobre os seus devotos. A Santa Igreja, por isso, a chama Tesoureira de Deus.

Do outro lado da Medalha:

As 12 estrelas: Correspondem aos doze apóstolos e representam a Igreja. Simbolizam as 12 tribos de Israel. Maria Santíssima também é saudada como “Estrela do Mar” na oração Ave, Stella Maris.

O coração cercado de espinhos: É o Sagrado Coração de Jesus. Foi Maria quem o formou em seu ventre. Nosso Senhor prometeu a Santa Margarida Maria Alacoque a graça da vida eterna aos devotos do seu Sagrado Coração, que simboliza o seu infinito e ilimitado Amor.

O coração transpassado por uma espada: É o Imaculado Coração de Maria, inseparável ao de Jesus: mesmo nas horas difíceis de Sua Paixão e Morte na Cruz, Ela estava lá, compartilhando da Sua dor, sendo a nossa corredentora.

O M: Significa Maria. Esse M sustenta o travessão e a Cruz, que representam o Calvário. Essa simbologia indica a íntima ligação de Maria e Jesus na História da salvação.

O travessão e a Cruz: Simbolizam o calvário. Para a doutrina católica, a Santa Missa é a perpetuação do sacrifício do Calvário, portanto, ressaltam a importância do Sacrifício Eucarístico na vida do cristão.

O ideal é que se peça a um sacerdote que abençoe a medalha, a fim de que seus efeitos sejam mais amplos. Por outro lado, não podemos perder de vista que a medalha milagrosa como o escapulário do Carmo, o “Agnus Dei”, entre outros objetos de piedade congêneres, não é um amuleto. De forma nenhuma. Ela é um sacramental, isto é um sinal sensível aprovado e abençoado pela Igreja Católica, para que nos auxilie em nossa vida espiritual nos predispondo a amarmos mais a Deus, a nos aproximarmos dos Sacramentos, etc. E para isso é preciso que a usemos com respeito e devoção desejando receber de Deus, por meio de Nossa Senhora, as graças e favores que ela significa, osculando-a sempre e repetindo a jaculatória nela inscrita: “Ó Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!”.

Consoante dito mais acima, os efeitos causados pelo uso adequado da Medalha Milagrosa  são tanto de ordem espiritual quanto material, e muitos deles se passam silenciosamente nos corações de quem a usa piedosamente.

Mas os testemunhos de graças, favores e milagres são incontáveis.

Para não me alongar muito, deixo-lhes apenas três, a saber:

  • Conversão do jovem Ratisbonne

“Os prodígios da misericórdia divina operados através da Medalha correram de boca em boca por toda a França. Em poucos anos, já se difundia pelo mundo inteiro a notícia de que Nossa Senhora havia indicado pessoalmente a uma freira, Filha da Caridade, o modelo de uma medalha que mereceu imediatamente o nome de “Milagrosa”, pois imensos e copiosos eram os favores celestiais alcançados pelos que a usavam com confiança, segundo a promessa da Santíssima Virgem.

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Em 1839, mais de dez milhões de medalhas já circulavam pelos cinco continentes, e os registros de milagres chegavam de todos os lados: Estados Unidos, Polônia, China, Etiópia…

Nenhum, porém, causou tanta surpresa e admiração quanto o noticiado pela imprensa em 1842: um jovem banqueiro, aparentado com a riquíssima família Rotschild, judeu de raça e religião, indo a Roma com olhos críticos em relação à Fé Católica, converteu-se subitamente na Igreja de Santo André delle Fratte. A Santíssima Virgem lhe aparecera com as mesmas características da Medalha Milagrosa: “Ela nada disse, mas eu compreendi tudo”, declarou Afonso Tobias Ratisbonne, que logo rompeu um promissor noivado e se tornou, no mesmo ano, noviço jesuíta. Mais tarde se ordenou sacerdote e prestou relevantes serviços à Santa Igreja, sob o nome de Padre Afonso Maria Ratisbonne.

Quatro dias antes de sua feliz conversão, o jovem israelita aceitara, por bravata, a imposição de seu amigo, o Barão de Bussières: prometera rezar todo dia um Lembrai-vos (conhecida oração composta por São Bernardo) e levar ao pescoço uma Medalha Milagrosa. E ele a trazia consigo quando Nossa Senhora lhe aparece.”(op. cit.)

  • Rochefort e a Santíssima Virgem

“Cassagnac  relatou o incidente do duelo que ele travou com Rochefort, a propósito de um artigo por este escrito sobre Maria Antonieta:

“Era o dia 1º de janeiro. Caíam enormes flocos de neve, e o branco manto subia até os joelhos. Entregaram- me o revólver para carregar as seis balas, que Rochefort havia ferozmente exigido, e eu tinha aceito com a despreocupação da juventude e, talvez, a certeza de que não seria necessário usá-las todas, devendo uma só ser suficiente.

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Rochefort atirou e errou o alvo. Eu atirei. Rochefort caiu. Julguei-o morto, pois a bala o atingiu onde eu tinha visado: em pleno quadril. Destino singular o de Rochefort! Ele é quase sempre ferido em duelo.

“Os assistentes o rodearam. Muito surpreso, o médico constatou que, em vez de ser atravessado de lado a lado, como deveria fatalmente ter acontecido, ele não recebeu mais do que uma violentíssima contusão. Portanto, a bala havia sido desviada. O que a desviara? O médico procurou e, cada vez mais surpreso, mostrou-nos uma medalha furada pela bala, medalha da Virgem que uma mão amiga tinha costurado secretamente na cintura da calça.

“Sem essa milagrosa medalha, Rochefort teria caído morto.”

  • Pessoa curada do câncer

“Agradeço a Nossa Senhora por interceder junto a Jesus Cristo e curar minha irmã de câncer que estava em vários órgãos do corpo (metástase).

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Pedi ajuda à nossa Mãe Santíssima, e Ela foi indicando os caminhos que tínhamos que seguir. A minha irmã fez a cirurgia retirando o útero e ovário, e fez seis sessões de quimioterapia. Quando se preparava para a segunda cirurgia para a retirada de mais um órgão, veio a graça: NOS EXAMES NÃO CONSTATARAM NADA.

Obrigada minha Mãe querida. Obrigada Jesus. Te amo muito.

Estamos muito felizes, eu e toda a minha família. – Luiza de Marillac”. (conforme postagem no site http://www.adf.org.br/home/um-testemunho-milogroso-de-cura-do-cancer/)

Portanto não percam a oportunidade de adquirir uma medalha milagrosa hoje ainda e de solicitar a um Padre que a abençoe, e em seguida a coloque em seu pescoço, ou em uma parte adequada da sua roupa ou de sua carteira, e peçam graças especiais a Nossa Senhora das Graças sob cujo título A louvamos, de modo especial neste dia, e me contem depois. Experimentem fazer isto e me contem depois.

Ofereçam, também, a Medalha a alguém que esteja passando por uma necessidade ou provação, que esteja doente,  descrente ou desanimado, expliquem o significado dela, e peçam-lhe que a use. Trata-se de um excelente benefício que fazemos ao nosso próximo.

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Importa salientar que o corpo de Santa Catarina se encontra incorrupto e pode ser visto e venerado sob o altar existente na capela do Convento da Ruc du Bac. Certamente uma homenagem prestada por Deus a uma tão grande Santa que teve o privilégio, em vida, de ver, conversar com Nossa Senhora e de apoiar delicadamente seus braços no santíssimo colo da Mãe de Deus e o que é mais importante, de em tudo fazer a vontade de Deus!

“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, rogai por nós!

Santa Catarina Labouré, rogai por nós!

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Santa Cecília, padroeira dos músicos, rogai por nós!

 

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 Caríssimos irmãos e irmãs,    senti-me  inspirada a republicar o post sobre Santa Cecília, ilustrando-o com novas e belas fotos, pois hoje se celebra a história de sua vida luminosa,  que deixou para sempre  neste mundo tão carente de almas puras e inocentes, exemplos e lições maravilhosos.

A Igreja considera tão eminente sua santidade que a inclui no rol das sete santas que são individualmente mencionadas no Missal Romano! Isto não é pouca coisa!

Estimados irmãos e irmãs, por tais razões é que reitero minha  homenagem e admiração por esta jovem chamada Cecília, que ficou conhecida, há quase mil e oitocentos anos, como  Santa Cecília, patrona dos músicos. Você que se chama Cecília, ou tem alguma pessoa da família ou amiga com esse nome, você que canta  ou  toca algum  instrumento, vale  a pena  conhecer um pouco  sobre vida dessa grande Santa. Eu e meu marido, particularmente, a temos como intercessora, pois integramos um Coral e nutrimos um apreço muito grande à música.

Cecília nasceu em Roma no século III.Resultado de imagem para SANTA CECILIA

O amigo ou amiga que nesse momento está lendo essas linhas,  e que toque algum instrumento,  saiba que, segundo alguns autores,  Cecília era uma exímia tocadora  de  harpa, sobretudo de uma harpa mística , cujas cordas são os seus dons e virtudes que emitem melodias celestiais que louvam a Deus e inflamam de caridade nossos corações.

Essa linda jovem converteu-se ao cristianismo, e passou a assistir as missas celebradas pelo Papa Urbano, na Via Ápia. Esse local amigos, era rodeado de pobres, a quem Cecília ajudava de forma caridosa, eficiente e bela.  Esse seu gesto de amor aos pobres, essa  sua doação aos necessitados, fez Cecília tornar-se  muito conhecida e admirada.

Era filha de um senador de Roma e sua família era nobre. Foi prometida em casamento a um jovem chamado Valeriano, com quem se casou mais tarde e que foi por ela convertido ao cristianismo juntamente com seu irmão Tibúrcio, ambos pagãos. Valeriano sabedor do voto de virgindade de Cecília, aceitou essa decisão de sua esposa.

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Tão extraordinária era Cecília que quando abria a boca para falar, todos ficavam em êxtase! Eram palavras que saíam de sua boca cheias de sabedoria, bondade, resignação, paciência e amor a Deus. Nada queria desse mundo, a não ser fazer o bem às pessoas especialmente aos pobres.

Sabem meus irmãos, no mundo de hoje, em que assistimos através dos noticiários dos  meios de comunicação de modo geral, tantas barbaridades  sendo cometidas,  tantos abusos, que dão a impressão de que a humanidade está enferma,  sentimo-nos órfãos  de bons exemplos! E como é gratificante saber que existiram no mundo pessoas assim!.

Cecília cantava com sua voz de anjo para Deus:

“Senhor, guardai sem manchas o meu corpo e minha alma, para que não seja confundida”

Sua voz ressoava até o infinito celestial!

Assim, através de sua voz melodiosa e  angelical, ficou conhecida como a padroeira dos que cantam e tocam, bem como intercessora do povo de Deus, de um modo geral.

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Mas, voltando ao breve relato de sua vida, naquela época, Almachio, prefeito de Roma, soube da conversão dos dois irmãos, Valeriano e Tibúrcio, realizada por Cecília. E esse homem perverso quis pegar toda a fortuna deles. Só que eles já a haviam distribuído, quase toda, aos pobres.

Que coisa bonita!  Distribuir tudo para os pobres!

É importante conhecer um pouco sobre a vida deles, principalmente as suas ações de ajuda espiritual e material aos  mais necessitados.  A Igreja é rica em  exemplos  como estes, que são como  fonte de águas cristalinas que refrigeram nossas almas.

Ela era nobre, rica, tinha tudo, no entanto nada queria, a não ser fazer o bem.  É incrível!   Fico pensando, que coisa maravilhosa, ter existido alguém com tantas virtudes e pureza de alma.

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Igreja de Santa Cecília – SP

É simplesmente celestial!

Mas retornemos ao assunto: o Prefeito mandou prendê-la em um balneário de águas quentes do seu próprio castelo, logo na entrada dos vapores. Ali seria asfixiada pelo vapores ferventes que aqueciam as águas. Ninguém conseguiria ficar ali um minuto sequer, era morte certa.  Para surpresa de todos, milagrosamente, nada lhe aconteceu.  

E ela continuou falando de Deus, de Jesus Cristo, que dava sentido à vida, realizando inúmeras conversões e milagres que Deus operava por meio dela.

Enfurecido, o Prefeito mandou que a entregassem ao carrasco para que fosse decapitada. Ocorre que o verdugo deu três machadadas no seu pescoço, mas não conseguiu cortar-lhe a cabeça.

Cecília permaneceu viva por três dias deitada no leito, enquanto rezava a Deus, e tinha palavras de consolo para quem dela se aproximava.

Antes de morrer, pediu ao Papa que distribuísse o resto de seus bens aos pobres e que no terreno da sua casa construísse uma igreja.

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Foi enterrada na Catacumba de São Calixto e logo passou a ser venerada como mártir.

Seu túmulo ficou séculos desaparecido.  Ela apareceu ao Papa Pascoal, entre 817 e 824, e depois desse grande acontecimento seu túmulo foi encontrado e…., maravilha: o seu corpo estava intacto, ao lado do de Valeriano (esposo) e de Tibúrcio irmão deste.

Detalhe importante: Santa Cecília foi morta porque manteve-se fiel à sua Fé no Deus Uno e Trino, testemunhada para todo sempre pela posição dos dedos de suas mãos, a saber: os da mão esquerda indicavam um ( Um só Deus) e os da mão direita três( as Três Pessoas da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo) , como se pode observar facilmente pela Imagem abaixo!

No ano de 1599, o Cardeal Sfondrati, mandou  abrir seu túmulo e seu corpo foi encontrado na mesma posição, como  o Papa Pascoal  havia encontrado.

Sua festa é comemorada no dia 22 de novembro, dia dos músicos e da música.

Salve Santa Cecília, e rogai por nós!Resultado de imagem para MARTIRIO DE SANTA CECILI

Obs:consta que Santa Cecília está entre os santos que têm mais Igrejas dedicadas à  veneração  dos fiéis.

Fontes de pesquisa:

Disponível em: http://www.cruzterrasanta.com.br

Disponível em: http://www.arautos.org.com.br

Dor e Glória

OLHAR DE TRISTEZA

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 Sempre que O fitava, percebia que a expressão do seu olhar era carregada de dor e tristeza e me indagava porque todos os artistas que  esculpiram ou pintaram  sua imagem colocavam, a par da mesma expressão de sofrimento, os olhos entreabertos ou fechados, os lábios também ligeiramente abertos, e um imponderável que me deixava perplexa: era um semblante magnifico de reprovação, tristeza e dor e de uma bondade indizível. Era  Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador, pregado  na Cruz!

Sentia uma admiração, enlevo e respeito, por aquele Crucificado da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que era realmente de uma perfeição divina e na minha opinião, quem o fez foram provavelmente anjos ou então um artista muito piedoso por eles ajudados.

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Como vivemos num século marcado por tragédias, crimes chocantes, desvarios causados pelas drogas, que vão destruindo a vida de muitos jovens, pela anarquia governamental, a desonestidade que tomou conta de nosso país e pela falta de fé e de esperança, e mais do que isto, pelo ódio ao sagrado, ao belo e ao divino, busquei respostas para esses dramas e essas posturas de alma, que vão crescendo vertiginosamente e fui encontrá-las olhando e admirando Nosso Senhor na Cruz, nela cravado pelos próprios homens a quem veio redimir do pecado.

Sim, Jesus me fez compreender que o homem ao rejeitá-lo fica privado dos auxílios da divina graça e, uma vez obscurecida a sua razão e enfraquecida sua vontade, ele dá vazão a todas as tendências e paixões desregradas instaladas em seu coração em consequência da imensa tragédia que se abateu sobre todo gênero humano, que foi o pecado original. Ou seja, se o homem rejeitou e levou à morte o Homem-Deus, ele é capaz de chegar aos maiores absurdos se se julga bastante a si próprio e autossuficiente.

Sim, prezados amigos, a raiz de todos os males e do pecado é o orgulho.

E prossegui as minhas pesquisas e estudos sobre a questão e acabei deparando-me com um artigo escrito em 1985, intitulado “Tristeza, dor e majestade” do grande pensador católico, o Professor Plinio Corrêa do Oliveira, fruto de sua contemplação de uma belíssima escultura de Jesus Crucificado, o qual está repleto de altas e eloquentes considerações que nos ajudam a compreender alguns mistérios que marcam a nossa existência.

 

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Shakespeare

Já dizia o escritor Shakespeare que “há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. E entre tantos e tantos mistérios, assoma o  denominado “mistério da iniquidade”.

E se é verdade que ante um mistério da Fé que não compreendemos, devemos, antes de tudo, nele crer, isto não significa dizer que não devamos, com humildade, estudá-lo, meditá-lo e nos aprofundarmos em estudos e explicações de pessoas santas e sábias, que logram tirar alguns véus que o envolvem e  assim nos aproximam do seu significado mais profundo. E é o que o Dr. Plinio consegue fazê-lo com suas reflexões sobre “Tristeza, dor e majestade”.

“Tristeza, dor e majestade expressas num Crucifixo

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A manifestação de tristeza de Nosso Senhor apresentada neste belo Crucifixo é pungente: os lábios abertos, os dentes separados, o queixo ligeiramente caído, dando a impressão de tal abandono de forças que há uma carência de energias até para manter cerrados os lábios. O olhar é distante, pairando na consideração de outra coisa muito diversa e que O enche de tristeza.

O artista soube muito bem representar os cabelos de Nosso Senhor: não propriamente penteados, porque não teria propósito, depois de tudo quanto Ele sofreu, representá-los ordenadamente. Mas são apresentados lindamente desgrenhados! De maneira que eles formam cachos lindíssimos! A barba é tão pequena, que não seria possível esculpi-la revolta. Ela cai ordenadamente para emoldurar o rosto.

Analisando a coroa de espinhos, podem-se perceber os grandes espinhos que transpassaram a fronte de Nosso Senhor. Acima do olho esquerdo nota-se uma machucadura terrível. Tem-se a impressão de que um espinho ali penetrou, deixando um furo horrível!

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Vê-se o sangue que corre… Mas, com quanta delicadeza ele escorre ao longo do corpo divino! De maneira a formar longos filetes, aparecendo na ponta de cada um deles um rubi!

Sempre, desde menino, o que mais me impressionou em Nosso Senhor Jesus Cristo foi a sua dor. Estivesse Ele crucificado ou não. Tanto numa atitude como nas imagens do Sagrado Coração, em que o Divino Redentor O mostra aos homens, quanto entre os doutores do Templo, o que me chamava a atenção era a dor. E dor que confere ao sofrimento aquele matiz de majestade, de sabedoria profunda, de transcendência em relação a tudo. Mas, também, de bondade que chega até o último ser, até o último pecador. Isto foi o que sempre, de modo muitíssimo especial, me atraiu nEle e me levou a adorá-Lo.

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Não custei a perceber que tal disposição de alma estava em diametral oposição à alegria de fandango, doida, tonta, agitada e sedenta de pecado, que dominava a minha época de menino, com a difusão da atmosfera de Hollywood, do cinema moderno… Então, era uma alegria má. E eu ficava colocado entre a tristeza e a má alegria.

Entretanto, naquela época, eu não sabia discernir bem entre a boa e a má alegria.

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Foi necessário o transcurso de anos para eu perceber o seguinte: aqueles que partilham a tristeza de Nosso Senhor são os verdadeiramente alegres desta vida! E aqueles que se apresentam alegres com Satanás são, na realidade, os tristes neste mundo. E, apesar de ser verdadeiro o fato de vivermos numa época de tanto pecado e tanta ignomínia – que arrancou lágrimas de Nossa Senhora na sua aparição em La Salette, e postulou a Mensagem de Fátima, com tudo o que ela contém – parece-me que o verdadeiro católico pode ter sua alma alegre. Mas que tal alegria nunca deve prescindir de um certo véu de tristeza. De tristeza digna, tristeza nobre, varonil, como quem acompanha Nosso Senhor até o alto da Cruz!

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De onde a ideia seguinte: a vida, para ser conduzida de modo católico, deve trazer consigo esse traço de grandeza e de seriedade, sem o qual ela não vale nada. A vida humana é uma participação na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eu tenho que sofrer como Ele sofreu. E quanto mais eu padecer, tanto melhor será, porque terei tido maior honra em me achegar mais a Ele.

Que a Virgem Santíssima nos ajude a conservar tais reflexões bem no fundo de nossas almas, pois aproximamo-nos de tempos em que desconhecemos como será o dia de amanhã.

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Espreitar-nos-á a dor?

Talvez! Mas devemos estar certos de um ponto: se nos espreita a dor, aguarda-nos também a glória!

 

Fonte de consulta:

Revista  Dr. Plínio

 

 

 

 

 

A família, a televisão e o perversor

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Caríssimos irmãos e irmãs , no momento encontram-se em ebulição alguns assuntos (  exposições de “arte” , filmes blasfemos e grotescos e outras aberrações atingindo até crianças) que têm provocado os mais acirrados debates, seja nos órgãos da mídia, digamos convencional, quer nas denominadas redes sociais, que cada vez mais vão se impondo como um veículo democrático das mais diversas opiniões, dos mais diversos matizes, de boa ou má qualidade, comprometidas ou não com a verdade. Felizmente que nosso povo tem se posicionado, majoritariamente, contra tais aberrações!

Poderíamos dizer que tais assuntos estão relacionados aos seguintes temas: à família,  à cultura, à liberdade de expressão e seus limites.

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E assim julguei por bem me posicionar, e trazer à baila algum contributo que possa trazer luzes e suscitar sérias e graves reflexões para o debate.

No   tocante à família, já tratamos do tema em vários outros posts anteriores e é extreme de dúvidas que se trata de uma instituição de origem divina, conforme se lê no Livro do Gênesis e por isso mesmo é a “celula mater” da sociedade. E é nela que nascem, se desenvolvem ,  se consolidam e se destilam as virtudes que, de seu turno vão engendrar os costumes, as tradições, enfim a cultura e as civilizações.

No que concerne ao conceito de cultura,  é lugar comum dizer-se que é o conjunto das manifestações de um povo  nas mais variadas atividades do agir humano: na música, no teatro,  na gastronomia, na poesia e na literatura, nas danças, esculturas, pinturas, nas vestimentas e adornos,  enfim, nos diversos ramos do conhecimento, etc.

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No entanto, a rigor, para que essas expressões possam merecer tal nome, devem estar sempre relacionadas e sempre buscar o favorecimento dos princípios da verdade, do bem e do belo.

Muitas vezes ouvi dizer que a arte é a expressão do belo. Em outras palavras, conforme refletimos nos posts “A pulcritude do belo” e “Há esperança?”, uma sociedade deve buscar sempre o aprimoramento do espírito, a Virtude, ou seja, a Honestidade.

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Tratando do tema, o Professor Plinio Correa de Oliveira, em conferência  publicada pela revista Catolicismo nº 51, de Março 1955, teceu o seguinte comentário: “Entretanto, podemos considerar seriamente o assunto, tomando a palavra “cultura” nos mil significados de que ela se reveste na linguagem de tantos povos, classes sociais e escolas de pensamento, e começando por mostrar que em todas estas acepções a “cultura” contém sempre um elemento basilar invariável, isto é, o aprimoramento do espírito humano.

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Dr. Plinio

No âmago da noção de aprimoramento, está a ideia de que todo homem tem em seu espírito qualidades susceptíveis de desenvolvimento, e defeitos passíveis de repressão. O aprimoramento tem pois dois aspectos: um, positivo, e que significa crescimento do que é bom, e outro negativo, ou seja, a poda do que é mau”.

O que vale dizer, que cultura não é tudo aquilo que o homem produz ou realiza, porquanto para sua caracterização é necessário que contenha sempre o aspecto positivo que implica o aperfeiçoamento do que é bom e a poda do que é mau e nocivo. E logo se vê que as

manifestações a que algumas pessoas chamaram de expressão cultural, não passam de manifestações de ódio metafísico a Deus e ao que é sagrado e explosões de anticultura.

Portanto a liberdade de expressão será legítima e sadia se for exercida com responsabilidade e comprometida com a verdade, respeitando os direitos alheios e imbuída do escopo de fazer o bem e favorecer a prática das virtudes.

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E, por conseguinte, não poderá ser aceita nem digna de tal nome, se atentar de forma ignóbil e preconceituosa contra os princípios elementares do respeito à vida, à dignidade e honra de crianças, e às crenças e símbolos que, além de representativos de pessoas sagradas e verdadeiras, como o são Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora, são venerados e amados pela imensa maioria de nossa população!

Destarte, não e não, a essas explosões de ódio e blasfêmias ao Sagrado; ao atentado ao pudor, à inocência e à dignidade de crianças e aliás, também da maioria de nossa população; ao feio e grotesco, que jamais serão justificados por uma minoria insignificante de pessoas e por alguns órgãos de nossa imprensa, sob o infundado e sofístico pretexto de liberdade de expressão.

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Feitas tais colocações preliminares, deixo-lhes um artigo do já falecido D. Lucas Moreira Neves, que foi Cardeal Arcebispo de Salvador (de 1987 a 1998), o qual foi publicado na edição do Jornal do Brasil, de 13 de janeiro de 1993.

São palavras duras de um dos mais influentes e respeitados Cardeais da Igreja Católica que chegou a ocupar  no Vaticano o  importantíssimo cargo de Prefeito  da Congregação  para os Bispos, mas utilíssimas para um…. quem sabe, exame de consciência nacional e mudança de atitudes e de rumo, enquanto é tempo, pois com Deus não se brinca!

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“J’accuse! – A escola de criminalidade e violência que se tornou a televisão brasileira.

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Dom Lucas Moreira Neves

Do polêmico manifesto de Emile Zola estou plagiando somente o título – e, se puder, a veemência. Fora isso, não pretendo revisitar nesta crônica o clamoroso affaire Dreyfus. O meu j’accuse é assestado contra a televisão brasileira. E o lanço como brasileiro preocupado com meu País e como bispo responsável por grande número de fiéis.

Não quero, de modo algum, generalizar. Estou pronto a excetuar da minha acusação o canal dedicado à educação e cultura e os programas que, nos diferentes canais, contribuem para o crescimento e a elevação cultural e humana da população.

Feito isso, e tomando por testemunhas a sociedade brasileira em geral, os pais de família e os educadores em particular, os pastores de Igrejas e líderes religiosos, eu acuso a televisão brasileira pelos seus muitos delitos.

Acuso-a de descumprir sistematicamente as funções em vista das quais obteve do governo uma concessão: informar, educar, cultivar, formar consciência e divertir. Em vez disso, ávida somente de pontos no Ibope e de faturamento, ela não hesita em apelar aos instintos mais baixos do homem. Seu pecado mais grave é o que concerne à educação por ser esta a necessidade e as exigências fundamentais no nosso País. Com raras e louváveis exceções, a tevê brasileira não só  (não) educa, mas, com requinte de perversidade, deseduca. Abusando dos seus recursos técnicos, do seu poder de persuasão e de penetração nos lares do País inteiro, ela destrói o que outras instâncias pedagógicas e educativas, a duras penas, procuram construir.

Acuso a televisão brasileira de ministrar copiosamente à sua clientela os dois ingredientes que, por um curioso fenômeno, andam sempre juntos: a violência e a pornografia. A primeira é servida em filmes para todas as idades. A segunda impera, solta, em qualquer gênero televisivo: telenovelas, entrevistas, programas ditos humorísticos, spots publicitários e clips de propaganda. Há cerca de três anos, em artigo no JB, o editor e jornalista Sérgio Lacerda denunciava que, com sua enxurrada de pornografia, a TV brasileira está formando uma geração de voyeurs.

Acuso a televisão do nosso País de estar utilizando aparelhagens e equipamentos sofisticados com o objetivo de imbecilizar faixas inteiras da população. Uma geração de debilóides. O processo se torna consternador e inquietante quando, a pretexto de humor, um instrumento de educação, como a escola, se transforma em “escolinha”, onde o mau gosto, a idiotice, o achincalhe são dados em pasto a crianças, adolescentes e jovens em formação. Em matéria de humor televisivo, aliás, poucos o analisaram tão profundamente como Moacyr Werneck de Castro, ao apontá-lo como verdadeira regressão à infância, por meio de um ‘repertório de boçalidades’ (Humor na Televisão, JB 06/07/91).

Acuso a TV brasileira de ser demolidora dos mais autênticos e inalienáveis valores morais, sejam eles pessoais ou sociais, familiares, éticos, religiosos e espirituais. Demolidora porque não somente zomba deles, mas os dissolve na consciência do telespectador e propõe, em seu lugar, os piores contravalores. Neste sentido, é assustadora a empresa de demolição da família e dos mais altos valores familiares – amor, fidelidade, respeito mútuo, renúncia, dom de si – realizada quotidianamente, sobretudo pelas telenovelas. Em lugar disso, o deboche e a dissolução, o adultério, o incesto.

Acuso a TV brasileira de ser corruptora de menores, em virtude de programas da mais baixa categoria moral, pelas cenas e pelo palavreado, em horários em que crianças estão diante da caixa mágica.

Acuso-a de atentar contra o que há de mais sagrado, como seja, a vida. Não há muitos dias, em programa reprisado, milhares de espectadores viram e ouviram, no diálogo entre um talkman e uma jovem de vinte anos a mais explícita apologia do aborto e o não velado incitamento à supressão de vidas humanas no seu nascedouro.

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Acuso-a de disseminar, em programas vários, idéias, crenças, práticas e ritos ligados a cultos os mais estranhos. Ela se torna, deste modo, veículo para a difusão de magia, inclusive magia negra, satanismo, rituais nocivos ao equilíbrio psíquico.

Acuso a TV brasileira de destilar em sua programação e instilar nos telespectadores, inclusive jovens e adolescentes, uma concepção totalmente aética da vida: triunfo da esperteza, do furto, do ganho fácil, do estelionato. Neste sentido, merecem uma análise à parte as telenovelas brasileiras sob o ponto de vista psicossocial, moral, religioso.

Quando foi que, pela última vez, uma novela brasileira abordou temas como os meninos de rua, os sem-teto e sem-trabalho, os marginalizados em geral? Qual foi a novela que propôs ideais nobres de serviço ao próximo e de construção de uma comunidade melhor?404674_10150647049415850_506470849_11208315_863731189_n.jpg

Em lugar disso, as telenovelas oferecem à população empobrecida, como modelo e ideal, as aventuras de uma burguesia em decomposição, mas de algum modo atraente.

 

Acuso, enfim, a televisão brasileira de instigar à violência: ‘A televisão brasileira terá de procurar dentro de si as causas da violência que ela desencadeou e de que foi vítima’ (Editorial Estrelas candentes, JB, 06/01/93). ’Já se chamou a atenção para o fato de que o crescimento de rede monopolística da televisão coincida com o crescimento da violência no país e jamais se chegará no âmago da questão enquanto a própria televisão se recusar a assumir sua responsabilidade’ (Editorial Limites da dor, JB, 08/01/93). Ela não pode procurar álibis quando essa violência produz frutos amargos. Quem matou, há dias, uma jovem atriz? Seria ingenuidade não indiciar e não mandar ao banco dos réus uma co-autora do assassinato: a TV brasileira. A novela das oito. E – sinto ter que dizê-lo – a própria novela De corpo e alma”.

Cardeal, e ex-Primaz do Brasil Dom Lucas Moreira Neves (+ in memoriam)

Artigo publicado em 13 de janeiro de 1993 no Jornal do Brasil

No Evangelho de São Mateus, há uma passagem na qual fica patenteada a gravidade do escândalo praticado contra crianças e o castigo que Jesus promete a quem lhe der causa.

São Mateus 18:1-7:

“1. Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Quem é o maior no Reino dos céus?

  1. Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse:
  2. Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus;

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  1. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus.
  2. E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe.
  3. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.
  4. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!”

E para completar esta reflexão em torno de situação tão grave que atinge o Brasil e muitos outros países, atualmente, transcrevo abaixo palavras do Papa Paulo VI, que deixam clara a existência do demônio e de sua atuação perversora sobre o mundo, as quais lançam ainda mais luzes  sobre a questão do mal e sobre o mistério da iniquidade.

Mas quero encerrar o presente post registrando a minha confiança em que Deus fará cessar esse estado de coisas no qual se debate o mundo, pois foi o próprio Jesus que nos prometeu: “ Confiança! Confiança! Eu venci o mundo!”

E também porque Nossa Senhora nos assegurou em Fátima: “ Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

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Paulo VI

“Quais são, atualmente, as maiores dificuldades da Igreja? Não vos cause espanto nossa resposta, como simplista ou mesmo como supersticiosa e irreal: uma das maiores necessidades é a defesa contra aquele mal que denominamos demônio. […]

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Realidade terrível, misteriosa e assustadora

O mal não é apenas uma deficiência, mas sim uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Terrível realidade. Misteriosa e assustadora.

Sai do âmbito do ensinamento bíblico e eclesiástico quem se nega a reconhecer a existência desta realidade, interpretando-a como um princípio que existe por si, sem ter, como toda criatura, sua origem em Deus; ou então a explica como uma pseudorrealidade, uma personificação conceptual e fantástica das causas desconhecidas de nossas desgraças.

O problema do mal – analisado em sua complexidade e em sua absurdidade em relação à nossa racionalidade unilateral – torna-se assim obsessivo, constituindo a mais forte das dificuldades para compreendermos o cosmos sob o ponto de vista religioso. Não sem razão sofreu Santo Agostinho durante anos: “Quærebam unde malum, et non erat exitus – Eu procurava de onde vinha o mal, e não encontrava explicação” (Confissões, VII, 5; 7; 11).

Eis, portanto, a importância que adquire advertirmos o mal para uma correta concepção cristã do mundo, da vida e da salvação.

Ameaça assinalada em muitíssimas passagens do Novo Testamento

Primeiro, no desenvolvimento da história evangélica, quem não se recorda da página densíssima de significados da tríplice tentação de Cristo, no início de sua vida pública? Ou dos muitos episódios evangélicos nos quais o demônio se encontra com o Senhor e aparece nos seus ensinamentos? E como não haveríamos de recordar que ­Jesus Cristo, referindo-se três vezes ao demônio como seu adversário, o qualifica como “príncipe deste mundo” (Jo 12, 31; 14, 30; 16, 11)?

Diversas passagens do Evangelho nos indicam que não se trata de um só demônio, mas de muitos; um, porém, é o principal: satanás, que significa o adversário, o inimigo; e muitos outros com ele, todos criaturas de Deus, mas decaídas e condenadas, por terem sido rebeldes; todo um mundo misterioso, convulsionado por um drama infelicíssimo, do qual conhecemos muito pouco.

Fissuras através das quais pode facilmente penetrar

O demônio está na origem da primeira desgraça da humanidade; foi ele o tentador falacioso e fatal do primeiro pecado, o pecado original. Por essa queda de Adão, o demônio adquiriu certo domínio sobre o homem, do qual só a Redenção de Cristo nos pôde libertar.

É uma história que ainda se desdobra: recordemos os exorcismos do Batismo e as frequentes referências da Sagrada Escritura e da Liturgia ao agressivo e opressor “poder das trevas”. É o inimigo número um, é o tentador por excelência. Sabemos, assim, que esse ser tenebroso e perturbador existe realmente e continua agindo com aleivosa astúcia; é o inimigo oculto que semeia erros e desventuras na história humana. […]

Numerosos são os que hoje preferem exibir-se como fortes e livres de preconceitos, assumir ares positivistas, e depois dão fé a tantas gratuitas superstições de magias ou populares; pior ainda, abrir a própria alma – a própria alma batizada, visitada muitas vezes pela presença eucarística e habitada pelo Espírito Santo! – às licenciosas experiências dos sentidos, às deletérias experiências dos estupefacientes, como também às seduções ideológicas dos erros da moda, fissuras estas através das quais pode o maligno facilmente penetrar e alterar a mentalidade humana.

Não quero dizer que todo pecado seja devido diretamente à ação diabólica; mas é verdade que quem não se vigia com certo rigor moral expõe-se à influência do mysterium iniquitatis, ao qual se refere São Paulo, e que torna problemática a alternativa de nossa salvação.

“O mundo todo jaz sob o maligno”

Nossa doutrina se torna incerta, por estar obscurecida pelas mesmas trevas que circundam o demônio. Mas nossa curiosidade, excitada pela certeza da sua multíplice existência, torna-se legítima com duas perguntas. Existem sinais, e quais, da presença da ação diabólica? E quais são os meios de defesa contra tão insidioso perigo?

A resposta à primeira pergunta requer muita cautela, embora os sinais do maligno pareçam por vezes tornar-se evidentes. Podemos supor sua sinistra ação onde a negação de Deus se mostra radical, sutil e absurda, onde a mentira se afirma hipócrita e poderosa contra a verdade evidente, onde o amor é extinto por um egoísmo frio e cruel, onde o nome de Cristo é impugnado com ódio consciente e rebelde, onde o espírito do Evangelho é mistificado e negado, onde o desespero se afirma como a última palavra, etc.

Mas é um diagnóstico por demais amplo e difícil, que não pretendemos aprofundar e autenticar agora, não carente, entretanto, de dramático interesse para todos; a ele também a literatura moderna dedicou páginas famosas.

O problema do mal continua sendo uma das maiores e permanentes questões para o espírito humano, inclusive após a vitoriosa resposta dada pelo próprio Jesus Cristo. “Sabemos – escreve o Evangelista São João – que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o maligno” (I Jo 5, 19).

A defesa decisiva é a graça

À outra pergunta – qual defesa, qual remédio opor à ação do demônio? – a resposta é mais fácil de formular, embora continue difícil de concretizar. Podemos dizer que tudo quanto nos resguarda do pecado, nos defende ipso facto do inimigo invisível. A defesa decisiva é a graça. A inocência adquire um aspecto de fortaleza.

Além disso, cada um se recorda de quanto a pedagogia apostólica simbolizou na armadura de um soldado as virtudes que podem tornar invulnerável o cristão. O cristianismo deve ser militante; deve ser vigilante e forte; e deve por vezes recorrer a algum exercício ascético especial para afastar certas incursões diabólicas. Isto nos ensina Jesus, indicando o remédio “na oração e no jejum” (Mc 9, 29). E o Apóstolo sugere a linha mestra a seguir: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem” (Rm 12, 21; cf. Mt 13, 29).

Conscientes, pois, das adversidades nas quais se encontram hoje as almas, a Igreja e o mundo, procuraremos dar sentido e eficácia à habitual invocação de nossa principal oração: “Pai nosso… livrai-nos do mal!”. ²

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A  Família é Divina

Beato Paulo VI. Excertos da Audiência geral de 15/11/1972 – Tradução: Arautos do Evangelho

Leia mais em: https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/18/;

Revista Catolicismo nº 51, de Março 1955;

São Pio X: você o conhece?

Caríssimos irmãos e irmãs, gostaria de compartilhar  um assunto muito importante  e  muito propício para o momento e que tem tudo a ver com o tema do último post e de outros anteriores. E deparei-me com ele pesquisando sobre o papel que tiveram alguns homens e mulheres muito especiais na  História da humanidade. Homens e mulheres autênticos e por isto mesmo marcantes e cujos semblantes retratavam de forma luminosa e inequívoca suas personalidades, mas que não são muito conhecidos.

E foi assim que ” descobri” um personagem que atraiu fortemente a minha atenção: trata-se do Papa São Pio X, que conduziu a Barca de Pedro de 4 de agosto 1903 a 20 de agosto de 1914. Nascido a 2 de junho de 1835, em Riese, na Itália, era o segundo de 10 filhos de uma família  de camponeses, e que desde cedo manifestou uma forte vocação para o sacerdócio, que conseguiu corresponder à custa de muitos sacrifícios de seus pais que eram muito pobres. Foi ordenado sacerdote em 1858, nomeado Bispo de Mântua em 10 de novembro de 1884 e Patriarca de Veneza, em 1896. Foi eleito Papa com 55 dos 60 votos possíveis naquele conclave. Relutou muito em aceitar a sua escolha como Papa, devido à sua grande humildade.

Contam os historiadores, que tomou dinheiro emprestado para comprar sua passagem de volta a Veneza, quando viajou para o conclave em Roma, pois jamais esperava que viesse a ser eleito Papa! E contam ainda os estudiosos que os demais Cardeais só compraram a passagem de ida…

Escolheu  como lema do seu Pontificado “Renovar todas as coisas em Cristo”. E realmente tudo fez neste sentido, valendo ressaltar que foi ele que instituiu a Comunhão frequente e precoce, para crianças com uso da razão, por isso é chamado o Papa da Eucaristia;  ministrava aulas de catecismo para as crianças de Roma e procurava visitar todos os habitantes da cidade, em meio a importantes aperfeiçoamentos na Liturgia e no campo do Direito Canônico.

Foi o primeiro Papa a ser canonizado após a a canonização de São Pio V, que ocorreu em 22 de maio de 1712.

Teria muito , mas muito mesmo, para falar sobre este grande Pontífice, mas fica para uma outra ocasião.

Hoje, quero deixar-lhes algumas santas palavras  e sábios conselhos e orientações deste Varão da Igreja , um  Papa santo,  fiel conselheiro, que seguia à risca as palavras do Divino Mestre: ” SIM, SE É SIM; NÃO, SE É NÃO. TUDO  O QUE PASSA ALÉM DISTO VEM DO MALIGNO’ (MATEUS 5, 34-37)

Acompanhem-nos , pois, caríssimos irmãos, na leitura e meditação destes ensinamentos de São Pio X, contidos em alguns excertos da sua Carta Encíclica “Acerbo nimis”, de 15/04/1905, muito apropriados para os dias atuais .

“Os insondáveis desígnios de Deus elevaram nossa pequenez ao cargo de Supremo Pastor de toda a grei de Cristo em dias bem críticos e amargos, nos quais o antigo inimigo ronda em torno deste rebanho, armando-lhe ciladas como com tão pérfidas astúcias que, hoje mais que nunca, parece ter-se cumprido aquela profecia do Apóstolo aos anciãos da Igreja de Éfeso:

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São João Bosco

‘ Sei que (…) se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho” (At 20,29).

Não há quem, animado pelo zelo da glória divina deixe de investigar as causas e razões deste mal  que ataca a religião; e como cada qual encontra causas e razões diferentes,, propõe meios também diferentes  conforme sua opinião pessoal, para defender ou restaurar o Reino de Deus na Terra. Sem proscrever, Veneráveis irmãos, os pareceres dos demais, nós nos alinhamos com aqueles que atribuem sobretudo à ignorância das coisas divinas a atual depressão e debilidade das almas, das quais resultam os maiores males.

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Padre José de Anchieta ensinando

NÃO HÁ CONHECIMENTO DE DEUS NA TERRA

Esta opinião concorda inteiramente com o que o próprio Deus declarou  por meio do profeta Oseias:

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“Não há conhecimento de Deus na Terra. A maldição a mentira, o homicídio, o roubo e o adultério inundaram tudo; o sangue se acrescenta ao sangue; por isso a terra se cobrirá de luto e desfalecerão todos os seus habitantes”(4,1-3)

” Quão lamentáveis e fundadas são hoje, infelizmente, as lamentações a propósito da existência, de um grande número de pessoas, no povo cristão, que vivem na  inteira ignorância das coisas que devem ser conhecidas para se conseguir a eterna salvação!

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Ao dizer “povo cristão”, não nos referimos só aos homens da classe popular, ou seja, àqueles aos quais serve de desculpa o fato de, por estarem sujeitos a patrões exigentes, mal conseguirem ocupar-se de si mesmos e de seu repouso. Falamos também, e principalmente, daqueles aos quais não falta entendimento nem cultura, ao contrário, possuem grande erudição profana, mas, no relativo à Religião, vivem de modo temerário e imprudente. Difícil será ponderar quão espessas são as trevas que os envolvem e –  pior ainda – a tranquilidade com que nelas permanecem!

Em nada se preocupam por Deus, soberano autor e moderador de todas as coisas, nem pela sabedoria da Fé cristã. E assim, nada sabem da Encarnação do Verbo de Deus nem da Redenção por Ele levada a cabo; nada também da graça, principal meio de obter a eterna salvação; nada do Augusto Sacrifício nem dos Sacramentos, pelos quais conseguimos e conservamos a graça. (…)

Isto posto, Veneráveis Irmãos, perguntamos:

– Que há de surpreendente no fato de serem tão grandes e aumentarem  a cada dia a corrupção dos costumes e sua depravação, não só em nações bárbaras, mas até em povos que ostentam o nome de cristãos? (…)

NECESSIDADE DA FORMAÇÃO RELIGIOSA

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Longe estamos de afirmar que a malícia da alma e a corrupção dos costumes não podem coexistir com o conhecimento da Religião. Prouvera a Deus que a experiência não demonstrasse isto com tanta frequência! Entendemos, porém, que, quando as espessas trevas da ignorância envolvem o espírito, nem pode ser reta a vontade  nem são os costumes. Quem caminha com os olhos abertos pode sem dúvida desviar-se da senda direita e segura mas o cego, este está em sério risco de perder-se.

Além disso, enquanto não se apagou inteiramente a chama da Fé, resta ainda a esperança de uma emenda na corrupção dos costumes; quando, porém, à depravação se junta  o desconhecimento da Fé, não há mais remédio, está aberto o caminho da ruína”.

Permitam-me interromper a transcrição das palavras do Papa, mas esta explicitação que ele faz neste último parágrafo é muito profunda e lança luzes para entendermos a crise que  se agrava a cada momento no mundo inteiro, pois a humanidade padece de uma depravação dos costumes sem nenhum precedente na sua História aliada a uma ignorância e por vezes a uma ausência inacreditável em relação aos conhecimentos mais elementares da Fé.

Lembro-me agora de uma reunião que assisti há muito tempo, na qual o palestrante afirmou que uma das maiores tragédias que aconteceu no Brasil foi a injusta e absurda expulsão dos Jesuítas, em 1759, a mando de D. José I, sob a influência do ímpio Marquês de Pombal. Sim, porque o povo brasileiro vinha sendo alvo de uma ação civilizadora, educativa e formativa por parte dos valorosos filhos de Santo Inácio e, de repente, deu-se esse corte que perdurou por muitos anos e cujos efeitos negativos refletem hoje nos campos da educação, da cultura e no da formação religiosa , moral e cívica de nosso povo.

Mas voltemos à leitura das palavras de São Pio X:

“Uma vez que da ignorância da Religião procedem tantos e tão graves prejuízos, e,  por outro lado, são grandes a necessidade e a utilidade da formação  religiosa – pois ninguém pode cumprir as obrigações do cristão se não as conhece -,  convém averiguar agora a quem compete a tarefa de preservar as almas dessa fatal ignorância  e proporcionar-lhes tão indispensável ciência.

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O MAIS GRAVE  DEVER DE QUALQUER SACERDOTE

Tal averiguação Veneráveis Irmãos, não oferece dificuldade alguma, pois esse gravíssimo dever incumbe aos pastores de almas, os quais, em virtude do mandato do próprio Cristo, têm a efetiva obrigação de conhecer e apascentar as ovelhas a eles confiadas. Ora, apascentar é, antes de tudo ensinar: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu Coração, que vos apascentarão com ciência e com a doutrina” (Jr 3, 15).

Assim falava Jeremias, inspirado por Deus. E por isso dizia o Apóstolo São Paulo: “ Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho” (I Cor 1,  17). Adverte,  desta forma, que o principal ministério de todos quantos exercem de algum modo o governo da Igreja consiste em instruir os fiéis nas coisas sagradas.

Parece-nos inútil acrescentar novas provas da excelência desse ministério e de sua importância aos olhos de Deus. Por certo, grandes louvores recebe do Senhor a piedade  que nos move a aliviar as humanas misérias; mas quem pode negar que maior louvor merecem o zelo e os esforços empregados em procurar para os homens os bens celestiais, e não as transitórias vantagens materiais?

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São Pio de Pietrelcina

Nada pode ser mais desejável nem mais agradável a Jesus Cristo, o Salvador das almas, que disse de Si mesmo, pelos lábios de Isaías:

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“Enviou-Me para anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Is 61, 1; Lc 4, 18).

Mas uma vez peço licença para sublinhar um outro ponto, muito importante da Encíclica em apreço, qual seja a importância da pregação da Palavra de Deus, que emerge das palavras de São Paulo e da primazia do espiritual sobre o material, aspecto que por ser tão óbvio, pareceria desnecessário frisar, mas que na prática é esquecido ou deixado de lado, por vivermos  num mundo marcado pelo pragmatismo, pelo ateísmo prático, quando não por uma noção deturpada e sentimental do que seja a Caridade.

Retomemos o fio da meada:

“Importa muito, Veneráveis Irmãos, acentuar bem aqui, e insistir neste ponto:

Para qualquer sacerdote, é este o dever mais grave, mais restrito, a cumprir. Pois quem negará que no sacerdote a santidade de vida deve progredir unida à ciência?

“Nos lábios do sacerdote deve estar o depósito da ciência” ( Mt 2, 7), (…)

Se é coisa vã  procurar colher onde não se semeou, como se pode esperar boas obras  de gerações que não foram oportunamente instruídas na doutrina cristã?

Daí concluímos que se em nossos dias a Fé enlanguesce até parecer quase morta em uma grande maioria, é porque foi cumprida com negligência, ou de todo omitida, a obrigação de ensinar as verdades contidas no catecismo.” ( Revista Arautos do Evangelho, maio de 2016)

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Caríssimos irmãos, as palavras  do grande São Pio X  nos deixam matéria para várias  reflexões que podem nos ajudar a compreender melhor a realidade que vivemos e, sobretudo, para corrigirmos nossas faltas e amoldarmos nossa mentalidade e nossas práticas aos ensinamentos de Nosso Senhor e ao magistério da Igreja e, por via de consequência, a cooperarmos , efetivamente, para a educação e formação de nossos filhos e de quem esteja, de algum modo, no âmbito de nossas relações sociais, sendo homens e mulheres de Fé , sequiosos da Palavra de Deus e de levá-la ao nosso próximo!

São Pio X, rogai por nós!

E concluímos, prestando nossa homenagem a Nossa Senhora da Conceição Aparecida,  Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil,  no Tricentenário de sua Aparição, rogando-lhe a sua ajuda e proteção especiais, para todo povo brasileiro!

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

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Há esperança?

Diante de tantas notícias  que nos causam perplexidades, tristezas e apreensões,  provenientes de todas as partes do mundo,  inclusive de todas regiões do  nosso querido Brasil, tão cantado em versos e prosas, terra com  riquezas naturais e panoramas extraordinários, com seus seis estuantes biomas,  cada um com suas   peculiaridades próprias, vamos vivendo  sobressaltados pelos escândalos e desatinos de nossos homens e mulheres públicos, das mais diversas instituições , e de todos os escalões, deixando-nos sem referenciais   e sem sabermos mais em quem acreditar e confiar, salvo honrosas exceções.

E tudo isso nos faz relembrar as palavras inesquecíveis de Rui Barbosa no seu discurso  ao Senado no ano de 1914 , do qual  repasso para os caríssimos leitores, alguns trechos,  por conterem palavras tão sábias e atuais, e num certo sentido proféticas, que  vale a pena lermos e meditarmos.

DISCURSO DE RUI BARBOSA NO SENADO, EM 1914

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

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Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime, o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade gerais”.

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D. Pedro II, no auge de sua vida pública

É bom que se esclareça que Rui Barbosa quando fala em “uma sentinela vigilante”, ele se refere a Dom Pedro II, que foi Imperador do Brasil, durante 49 anos e que sem dúvida foi o melhor período da nossa história, sob todos os pontos de vista, assunto que em breve trataremos neste blog, demonstrando como falaciosa e injusta é a afirmação de que o Brasil sempre foi um país corrupto, atrasado e falto de bons políticos e respeitados estadistas.

E assim conclui o famoso estadista baiano:

“E nessa destruição geral de nossas instituições, a maior de todas as ruínas, Senhores, é a ruína da justiça, colaborada pela ação dos homens públicos, pelo interesse dos nossos partidos, pela influência constante dos nossos Governos. E nesse esboroamento da justiça, a mais grave de todas as ruínas é a falta de penalidade aos criminosos confessos, é a falta de punição quando se aponta um crime que envolve um nome poderoso, apontado, indicado, que todos conhecem …”

(Rui Barbosa – Discursos Parlamentares – Obras Completas – Vol. XLI – 1914 – TOMO III – pág. 86/87)

E de 1914 para os tempos atuais, a situação só fez piorar, e eu não sei com  que palavras Rui Barbosa a descreveria se vivo estivesse.

Não obstante imersos numa crise  e provação sem precedentes, mas pressentindo e confiando contra toda esperança humana, no fundo de nosso coração, em que Deus nos fará  reencontrar o rumo certo, o fio da meada, perdido em determinado momento de nossa História, prosseguimos nossa jornada.

Sim, pois nascemos como País, sob o sinal da Santa Cruz, aliás  já bordada nas velas das ousadas caravelas de Cabral  e que também foi plantada em nosso solo, no primeiro ato público aqui celebrado – a Missa oficiada por Frei Henrique Soares de Coimbra – a qual foi assistida por portugueses, e índios, que sem dificuldade aceitaram a Fé católica que lhes foi ofertada pelos insignes missionários que vieram com o bravo navegador lusitano e logo após pelos santos e abnegados Nóbrega e Anchieta e seus companheiros jesuítas, que realizaram uma obra de evangelização e de civilização inigualável e idelével!

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Pois não adiantaria nada possuirmos  grandes riquezas e sermos uma grande potência em termos políticos e econômicos perante o concerto das Nações, se não tivéssemos a Fé N’Aquele que é o nosso Caminho, Verdade e Vida, Nosso Senhor Jesus Cristo, Luz do Mundo!

Sim, de que vale ao homem conquistar o mundo inteiro se vier a  perder sua alma, e assim ficar privado do  bom Deus, por toda eternidade?

Sim, nós bem sabemos e temos consciência de que por mais que vivamos neste mundo e que por mais bens e recursos tenhamos, isto não durará para sempre. E assim, tudo o que  construímos, as riquezas que acumulamos, todo o cuidado que temos com nossa saúde – e o devemos ter -, nada impedirá que um dia deixemos este mundo, e nos apresentemos diante de Deus. E  neste sentido, nós somos apenas os administradores temporários destes bens, pois, em última análise, nada é nosso, tudo pertence a Deus. Ele nos dá e tira quando quer, mas  o dia nós não o sabemos. “ Lembra-te de que tu és pó e ao pó tu voltarás”, assim diz o sacerdote quando impõe as cinzas em nossa fronte, na Missa de Quarta-feira de Cinzas.

Completando  este raciocínio, devemos viver pensando um pouco nessa realidade, e acredito que você que agora está lendo este post , vai perceber que não estou dizendo uma coisa sem sentido, mas sim uma realidade vivida por todo  homem e toda mulher  neste vale de lágrimas, que é a Terra, sobretudo neste crucial momento histórico, em que a humanidade inteira está decidindo por Cristo ou contra Cristo.

Por outro lado,  quando leio notícias sobre a tensão entre a Coreia do Norte, de um lado, e de outro, os Estados Unidos e a Coreia do Sul, fico temendo a eclosão de uma guerra nuclear que pode assumir proporções apocalípticas!

E fiquei a pensar como surgiram as bombas atômicas e fui pesquisar.

Ernest Rutherford, físico inglês que viveu entre os anos de 1871 e 1937, fez inúmeras pesquisas investigativas sobre a estrutura do átomo.

Com essas descobertas os cientistas perceberam que era possível criar uma reação em cadeia com capacidade para gerar grandes quantidades de energia e que, se ela ocorresse de forma descontrolada, em uma fração de segundos a liberação de energia seria gigantesca, provocando dessa forma uma explosão de  alto poder destrutivo.

E assim foi inventada uma arma terrível: as bombas atômicas, cujo poder destrutivo é altíssimo.

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Daí em diante, as grandes potências foram desenvolvendo e  armazenando armas nucleares, para a eventualidade de uma guerra, no que foram imitadas por países menos poderosos.

Os efeitos  de uma dessas bombas são verdadeiramente catastróficos! Que o digam Nagasaki e Hiroshima, duas cidades japonesas arrasadas com as bombas sobre elas lançadas pelos americanos, na Segunda Guerra Mundial. Morreram cerca de 200 mil pessoas e um número incalculável ficaram  feridas e ou com sequelas, sem se falar nos enormes estragos materiais e ambientais. Graças ao bom Deus e à  pertinácia do povo japonês elas foram reconstruídas em tempo recorde e são hoje duas modernas e prósperas cidades!

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Por outro lado, parece que a própria natureza está revoltada com os pecados dos homens,  que  são a causa mais profunda de todos os castigos que Deus manda ou permite desabem sobre o mundo. Há uma passagem no Livro do Gênesis que diz:”  Colocarei o meu arco nas nuvens.”  Santo Ambrósio observa  que a Escritura não diz a flecha, mas o arco para nos fazer compreender que é o  pecador que, pelas suas iniquidades, coloca a flecha sobre o arco e excita Deus a castigá-la. Como queremos , pois, ver-nos livres dos flagelos, se não deixarmos de irritar o céu e ofender ao Criador?

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E  as barbaridades morais e ambientais praticadas pelo homem  vão provocando fenômenos dos mais variados  em todas as regiões de nosso Planeta, a saber: incêndios na Noruega e em Portugal; inundações na China;  sucessivos e inesperados furacões, que atingem grau máximo, na região do Caribe, América Central e costa sudeste dos Estados Unidos; fortíssimos e devastadores terremotos no México; iceberg gigante, de um trilhão de toneladas !!!, que se desprende da plataforma de gelo no Pólo Antártico,cujo itinerário e consequências são imprevisíveis; calor nunca sentido na Europa, com sensação térmica de 53 graus, apelidado pelos europeus com um nome terrível – Lúcifer, entre muitos outros fatos e fenômenos que nos deixam assustados e apreensivos. E aqui em nosso Brasil, além das alterações climáticas nunca vistas, calor no Sudeste e frio no Nordeste, até terremoto tivemos, no Paraná!

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Tem um ditado francês que diz:  ” Chassez le naturel,  il revient  au galop”  que pode ser  traduzida para o português, como:” contrarie  a natureza e rapidamente ela dá o troco”.

Quanto à segurança,  violência e  criminalidade, aqui tomadas no seu sentido mais amplo e profundo, crescem, se não em todos, mas seguramente, na maior parte dos países. Na Europa, sob a forma dos contínuos atentados, que mantêm a população em estado de tensão e pavor constante e crescente; na América do Sul, de modo especial no nosso Brasil, e em, países de outros continentes, a exemplo do México, através do “mata-mata” (homicídios de todos os gêneros) irracional e brutal, e por aí vai.

E isto sem se falar na impiedade, associada a uma imoralidade avassaladora e que tem a insolência de exigir foro de cidadania, e que investe contra quem ousa professar a sua Fé e os princípios do amor a Deus, do respeito aos seus mandamentos, ao direito natural , em contraposição a toda forma de pecado, aberrações , perversões , idolatrias, heresias e manifestações de pseudo-cultura atentatórias aos legítimos sentimentos religiosos, como foi a malsinada “mostra” ocorrida em Porto Alegre, e que estadeiam em todo mundo.

Graças a Deus, a 2a. Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, atendendo à ação movida em boa hora pelos partidos da oposição, suspendeu a blasfema , grotesca e preconceituosa exibição.

Ante este quadro, me vêm também à mente algumas profecias sérias que li recentemente, entre as quais as de Nossa Senhora de Fátima, já citadas nos posts “A Mãe de todas as mães ” e ” Fátima – Farol de Deus”, as de Nossa Senhora de La Salette, do Padre Pio de Pietrelcina e da Bem Aventurada Anna Maria Taigi, entre muitas outras, que predizem acontecimentos impressionantes, como se pode verificar por alguns  excertos da Profecia de La Salette, de 03 de julho de 1851, abaixo transcritos:

 

PROFECIA DE NOSSA SENHORA “DE LA SALETTE”

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“Deus vai golpear de modo inaudito. Ai dos habitantes da Terra. Deus vai esgotar sua cólera, e ninguém poderá fugir a tantos males acumulados”.

“Os chefes, os condutores do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência. E o demônio obscureceu suas inteligências”.

“Deus permitirá à velha serpente introduzir divisões entre os que reinam, em todas as sociedades e em todas as famílias. Sofrer-se-ão tormentos físicos e morais. Deus abandonará os homens a si mesmos e enviará castigos que se sucederão durante mais de trinta e cinco anos.

“A sociedade está na iminência dos flagelos mais terríveis e dos maiores acontecimentos. Deve-se esperar ser governado por uma chibata de ferro e beber o cálice da cólera de Deus”.

“No ano de 1864, Lúcifer e um grande número de demônios serão soltos do inferno. Eles abolirão a fé pouco a pouco, até nas pessoas consagradas a Deus. Eles as cegarão de tal maneira que, salvo uma graça particular, adquirirão o espírito desses maus anjos. Várias casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas.”

“Os maus livros abundarão sobre a Terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em tudo o que se refere ao serviço de Deus. Eles terão grandíssimo poder sobre a natureza.

“Tendo sido esquecida a santa fé em Deus, cada indivíduo desejará guiar-se por si próprio e ser superior a seus semelhantes. Serão abolidos os poderes civis e eclesiásticos.

“Toda ordem e toda justiça serão calcados aos pés. Não se verá outra coisa senão homicídios, ódio, inveja, mentira e discórdia, sem amor pela pátria e sem amor pela família.

“Os maus estenderão toda sua malícia. Até nas casas as pessoas matar-se-ão e massacrar-se-ão mutuamente”.

“Ao primeiro golpe de sua espada fulgurante [refere-se a Deus], as montanhas e a natureza inteira tremerão de espanto, porque as desordens e os crimes dos homens transpassarão a abóbada celeste. Paris será queimada, e Marselha engolida [pelas águas”].

“Várias grandes cidades serão abaladas e tragadas por tremores de terra. Crer-se-á que tudo está perdido. Só se verão homicídios, e se ouvirão apenas ruídos de armas e blasfêmias”.

 

“Então será feita a paz, a reconciliação de Deus com os homens. Jesus Cristo será servido, adorado e glorificado. A caridade florescerá por toda parte.

“Os novos reis serão o braço direito da Santa Igreja, a qual será forte, humilde, piedosa, pobre, zelosa e imitadora das virtudes de Jesus Cristo.

“A Terra será atingida por toda espécie de flagelos (além da peste e da fome, que serão gerais). Haverá guerras até a última guerra, que será movida pelos dez reis do Anticristo, cujo objetivo será o mesmo e serão os únicos a governarem o mundo”.

“Antes que isto aconteça, haverá uma espécie de falsa paz no mundo. Não se pensará em outra coisa, senão em se divertir. Os maus se entregarão a toda sorte de pecados”.

“Mas os filhos da Santa Igreja, os filhos da fé, meus verdadeiros imitadores, acreditarão no amor de Deus e nas virtudes que me são mais caras. Felizes essas almas humildes conduzidas pelo Espírito Santo! Eu combaterei junto a elas até que atinjam a plenitude da idade”.

“A natureza exige vingança por causa dos homens e estremece de pavor, na espera do que deve acontecer à Terra emporcalhada de crimes. Tremei, ó Terra, vós que fizestes profissão de servir a Jesus Cristo, mas que no vosso íntimo adorais a vós próprios.

“As estações mudarão, a terra só dará maus frutos, os astros perderão seus movimentos regulares, a Lua não projetará senão uma débil luz avermelhada. A água e o fogo darão ao globo terrestre movimentos convulsivos e horríveis tremores de terra, que engolirão montanhas, cidades, etc..

“Eu dirijo um premente apelo à Terra. Apelo aos verdadeiros discípulos do Deus vivo que reina nos Céus. Apelo aos verdadeiros imitadores de Jesus Cristo feito homem, o único e verdadeiro Salvador dos homens.

“Apelo aos meus filhos, meus verdadeiros devotos, aqueles que se deram a mim para que eu os conduza a meu divino Filho, aqueles que levo por assim dizer nos meus braços, que vivem de meu espírito.

“Enfim, apelo aos Apóstolos dos Últimos Tempos, aos fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo.

“É chegado o tempo para que eles saiam e venham iluminar a Terra. Ide e mostrai-vos como meus filhos amados. Estou convosco e em vós, contanto que vossa fé seja a luz que vos ilumina nestes dias de desgraças.

“Que vosso zelo vos faça como que famintos da glória e honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, pequeno número que isto vedes, pois aí está o tempo dos tempos, o fim dos fins.

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“Todo o universo será tomado de terror, e muitos se deixarão seduzir, porque não adoraram o verdadeiro Cristo vivo entre eles. Chegou a hora, o sol se obscurece, só a fé viverá.

“Então a água e o fogo purificarão a Terra e consumirão todas as obras do orgulho dos homens, e tudo será renovado. Deus será servido e glorificado”.

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E o que nos resta fazer diante da situação em que nos encontramos, para a qual não vemos uma saída, do ponto de vista humano?  Muito simples: voltarmo-nos humildemente para Deus, por meio de Sua Mãe Santíssima, pedirmos perdão pelos nossos pecados e os pecados do mundo inteiro e através de preces e orações confiantes e perseverantes, sacrifícios e penitências, implorarmos sua intervenção misericordiosa, e a instauração na Terra do Reino dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, Reino onde imperarão a Ordem, a Justiça e a Paz!

 

Neste sentido, recomendo que rezemos diariamente o Santo Terço, pois é o meio indicado por Nossa Senhora, para obtermos a nossa salvação, a conversão dos pecadores e a verdadeira paz para o Mundo.

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E como hoje é o dia dedicado aos arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, peçamos a estes nossos poderosos intercessores que guardem, protejam e iluminem a humanidade para que esta se volte, por meio de Nossa Senhora, para Aquele que é a verdadeira esperança: Nosso Senhor Jesus Cristo!

Portanto há sim esperança, aliás mais do que esperança, a certeza de que o Bem triunfará sobre o mal!

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A pulcritude da honestidade

Primeiramente, esclareço que pulcritude é uma palavra que não é muito usada, mas que significa uma coisa muito bela e também uma forma de beleza sublime e especial. Sua raiz etimológica está na palavra “pulchra”, originária do Latim, que significa bela.

 Adentrando o assunto, que será tratado neste post, constatei que os estudiosos da vida, obra e pensamento de São Tomás de Aquino, ficam abismados ante as virtudes, a erudição e cultura  daquele que é conhecido como Doutor Angélico, pela pureza e inteligência angelical que ornavam a sua personalidade.

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Pode-se afirmar que  ele tratou de todas as matérias e disciplinas então conhecidas, com uma maestria, concisão e profundidade jamais superadas, sequer rivalizadas por nenhum outro pensador.

E isto tudo aliado a uma humildade e simplicidade de pasmar!

Contam os seus historiadores que diante de uma questão insolúvel, ele que era frade dominicano colocava sua cabeça dentro do Sacrário, que guardava a Hóstia consagrada e assim permanecia por longo tempo , até que fosse iluminado diretamente por Deus sacramentado! E ele dizia que assim ele aprendia mais do que horas e horas estudando e pesquisando em livros.

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E entre tantos assuntos, ele aprofundou e discorreu com exímia sabedoria e pulcritude  sobre a honra, a honestidade e também sobre vício oposto a estas virtudes, que é a desonestidade, que para ele  nada mais é   do que a falha de caráter (Suma de Teologia vol. IV, Parte II – IIb.

Lecionava o “ Aquinate”, como também o chamavam e chamam até hoje,  que

 “ a honestidade é um estado de honradez. Aquele que é digno de honra é honesto  e vice-versa. A honra tem que ver com a excelência e esta é entendida como uma disposição de caráter em direção ao que é ótimo e digno de admiração. Ora, essas são as características da virtude; logo, a honestidade coincide com a virtude. Aquele que é honesto é digno de honra e esta é o reconhecimento da excelência de alguém”.

Que definições e explicitações fantásticas, não é mesmo? Ajudam-nos a pensar, a raciocinar, a nos esforçar e a nos elevar, em suma, e isto é bom! Tira-nos da preguiça mental, da inércia, da mediocridade! E assim vamos subindo aquele monte hipotético, a que nos referimos no primeiro post.

Mas continuemos escutando o Doutor Angélico:

“A honestidade consiste na similitude entre a eleição interna e os   comportamentos externos, num caso e noutro orientados para a excelência, o bem e o belo. É por isso  que é apropriado dizer-se de alguém honesto que é também uma pessoa boa e bela. É bonito ser-se honesto. É feio ser desonesto. Aquele que é honesto é bom. O desonesto é mau porque revela uma profunda falha de caráter.”

Sim, amigos, a beleza mais eminente é a interior, e a feiura que verdadeiramente repele é  a de caráter!

E  São Tomás arremata de forma magnífica e contundente:

“Uma sociedade que tolera a desonestidade é uma sociedade intrinsecamente desonesta”.

Nossa! Se ele vivesse no século XXI, o que diria da situação do Mundo?

São Tomas estudou também sobre a relação da honestidade com a temperança, e outras virtudes, mas  hoje não vou tratar  desse tema.

  Mas, vejamos o que ele diz ainda sobre a honestidade:

“Chama-se honesto ao que tem uma certa beleza subordinada à razão. Ora o ordenado segundo a razão é naturalmente conveniente ao homem. Pois, cada um naturalmente se deleita com o que lhe é conveniente. Por isso, o honesto é naturalmente deleitável ao homem, como  o prova o Filósofo ao tratar dos atos de virtude” (S. Th, II, II, Q, 145).

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Ou seja, em minha modesta opinião, ele afirma que tudo que é honesto contém uma beleza, pois está ordenado segundo a razão e é conveniente ao homem, o que vale dizer que a honestidade causa uma felicidade de situação, em suma, acarreta uma paz de espírito, profundamente deleitável e aprazível.

Via de consequência, o desonesto acarreta efeitos contrários: é feio, desordenado, inquietante e perturbador.

Na Bíblia Sagrada encontramos ensinamentos sobre o honesto  em vários dos seus Livros, mas  a título de ilustração, citamos apenas as passagens abaixo:

“ Constrói sua casa como a casa da da aranha,como a choupana que o vigia constrói.

Deita-se rico, mas é pela última vez.

Quando abre os olhos, já deixou de sê-lo.” (Jó 27,18-19)

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“Melhor é, portanto, a condição de um homem honesto que não tem ídolos, pois assim estará sempre isento de confusão. (Baruc 6, 72)

“Se o mau renunciar à sua malícia para praticar o bem e ser honesto, ele viverá por essa razão .” (Ezequiel 33, 19)

O modelo perfeito e acabado da pulcritude da  honestidade  foi  Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo Deus e Homem verdadeiro possuía em Si todas as virtudes em grau inexcedível de perfeição, e por causa disto foi rejeitado pelos sacerdotes e doutores da Lei , traído por um de seus discípulos e acabou sendo condenado à morte e morte de Cruz! Mas como sabemos, Ele ressuscitou ao terceiro dia, e agora se encontra ao lado de Deus Pai, donde há de vir à terra para julgar os vivos e os mortos, como rezamos  no Credo.

E uma das representações mais eloquentes das suas virtudes , e portanto da honestidade, no seu sentido mais amplo e completo, é a Imagem do seu Sagrado Coração, daí porque a colocamos como ícone do presente post. E Ele nos legou ainda um modelo ainda mais próximo de nós, que é o Imaculado Coração de Maria que está pronto a nos socorrer sempre.

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Portanto, digamos sempre: ” Sagrado Coração de Jesus, fazei meu coração semelhante ao Vosso!”

” Doce Coração de Maria, sede meu refúgio e proteção”!

Ou, simplesmente, ” Sagrado Coração de Jesus e de Maria, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro!”

Sim, meus irmãos, na situação em que se encontra a humanidade, só podemos esperar que venha do Céu, uma solução verdadeira e duradoura, e que restaure o senso do ser, do certo e do errado, em suma, a luz da razão dos homens e mulheres, iluminando-a pelo farol da Fé, da Esperança e da Caridade!

E para corroborar com tantas reflexões filosóficas e teológicas, em torno da honestidade, deixamos-lhe uma bela e simples historinha, intitulada:

“A recompensa da honestidade”

A alegria sempre esteve presente no lar de Henrique, pela harmonia que ali reinava. Como bom chefe de família, trabalhava incansavelmente para sustentá-la. Porém, conseguia, com esforço, só o necessário para uma vida sem muita folga. Não obstante, com sua esposa e filhos eram muito estimados na aldeia, pelas demonstrações que davam de virtude. Na verdade, a devoção a Jesus Sacramentado era o centro da família e daí emanavam as bênçãos para aquela humilde morada.

Entretanto, uma profunda tristeza veio abalar tão abençoada família: sendo acometido por uma doença mortal, depois de gastar suas economias com remédios e hospital, Henrique deixou a esposa, Helena, e seus três filhos na miséria. Antes, contudo, de exalar o último suspiro, quis dar aos seus um conselho simples, mas precioso:

– Em qualquer circunstância da vida, nunca deixem de invocar Aquele que é Todo-Poderoso. Na Eucaristia está o remédio para qualquer aflição.

Após sua partida para a eternidade, quem sustentaria a família? Os filhos ainda não tinham idade para trabalhar e Helena, devido aos cuidados com o marido, também ficara com a saúde abalada, sem condições para tanto. Por isso, em pouco tempo, não havia na casa sequer um pouco de farinha… Estavam a um passo da indigência completa. A viúva, desamparada em tal situação, não encontrou outra saída senão mendigar pelas redondezas. Não faltaram almas generosas que se enternecessem, à vista de sua dor. No entanto, o obtido não era suficiente.

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Um dia, estando com os filhos para rezarem o terço como o faziam todas as tardes, entre lágrimas, dona Helena não resistiu e desabafou-lhes suas angústias:

– Meus filhos, estamos passando por momentos difíceis! Comove-me pensar que nem sequer temos o indispensável para sobreviver. Sua mãe não é capaz de trabalhar, e mendigar não traz muitos resultados…

Mateus, o mais velho, julgando-se responsável e adulto, quis tranquilizá-la:

– Não se preocupe, mamãe, sou grande e já posso trabalhar. Amanhã vou percorrer a aldeia em busca de serviço. Assim, poderei sustentar a família!

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– Agradeço sua boa disposição, meu Mateus – disse a bondosa mãe -, mas você só tem dez anos!…

Luísa, a segunda filha, procurou consolá-la, dizendo-lhe:

– Mamãe, não se aflija, lembre-se do que o padre disse no domingo: Deus é protetor dos órfãos e das viúvas. Ele nunca vai deixar de nos amparar. Se Ele nos mandou o sofrimento, é porque nos ama!

– Sim, confie em Jesus – acrescentou Pedro, o pequenino. Papai disse que é na Eucaristia onde está o remédio para todas as aflições!

Reconfortada pelas palavras dos filhos, dona Helena, logo pela manhã, dirigiu-se à igreja a fim de implorar auxílio a Jesus, presente na Sagrada Hóstia. Já ao entrar no recinto sagrado foi inundada por enorme consolação, pois o Santíssimo estava exposto, criando um ambiente acolhedor, cheio de graças e de bênçãos. Ajoelhando-se junto ao altar, passou longas horas externando suas dores ao Divino Redentor e suplicando-lhe misericórdia.

Estava tão entretida em suas orações, que nem sequer percebeu a entrada de dois homens na igreja. Eram empregados do fazendeiro mais rico da região, os quais, após terem passado pelo banco para retirar uma boa quantia de dinheiro do patrão, quiseram visitar o Santíssimo Sacramento.

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Completada a visita, retiraram-se, montando logo em seus cavalos, pois estavam atrasados com suas obrigações. Nesse ínterim, a viúva também foi saindo, e viu desprender-se e cair um saco volumoso da cavalgadura deles. Pesarosa,
a boa senhora tomou-o agilmente para devolvê-lo, não conseguindo, porém, devido à rapidez com que se distanciaram.

Dona Helena percebeu ter uma grande fortuna nas mãos e pensou: “Ah! Se tivesse a metade disso… tudo em casa estaria resolvido… Poderia me curar e trabalhar para sustentar meus pequenos!”.

Não se deixando seduzir pelas moedas que pareciam palpitar naquele saco, no mesmo instante, foi entregá-lo ao sacristão, depois de ter-lhe explicado o ocorrido, pois, na aldeia era costume, quando aconteciam fatos similares, entregar os objetos perdidos à secretaria paroquial. Com a consciência tranquila, regressou para casa com a alma em

Os empregados, somente ao chegarem à fazenda deram-se conta da falta do dinheiro. Cheio de aflição, um deles foi narrar ao patrão o sucedido, creditando-lhe que, por certo, havia caído por onde passaram. O patrão, muito piedoso, resolveu ir à igreja com o intuito de rezar para encontrar o objeto perdido. Chegou pouco tempo depois de a viúva haver se retirado. Aproximando-se do Santíssimo Sacramento, implorou a ajuda do Senhor dos senhores, pois naquele dinheiro estava o salário de seus empregados e, apesar de ser rico, esta falta ia desequilibrar seus negócios.

Impulsionado por uma graça, dirigiu-se à sacristia a fim de perguntar ao sacristão se, por acaso, não havia visto o valioso saco. Este lhe respondeu afirmativamente, e devolveu-lhe seu dinheiro, explicando ter sido uma pobre viúva sua grande benfeitora. Comovido diante da honestidade da boa mulher, quis agradecê-la, indo até sua residência.

Lá chegando, soube da história de sua vida. Condoído por sua situação e tocado por sua honestidade – que nem a extrema necessidade conseguiu abalar -, deu-lhe todo o saco como recompensa. A miséria de dona Helena pôde ser suprimida, ela cuidou da saúde e conseguiu sustentar a família dignamente.

De igual modo, o bom patrão também premiou seu servo, por lhe haver demonstrado tanta honestidade, assumindo o caso e sendo veraz em contar-lhe o sucedido, não inventando nenhuma desculpa ou falsa razão pelo desaparecimento das moedas. Por isso, o fez administrador de sua fazenda.

Este é o modo como Nosso Senhor retribui a todos aqueles que O buscam para adorá-lo e fazer-Lhe companhia no Santíssimo Sacramento!

(Revista Arautos do Evangelho, Maio/2012, n. 125, p. 46-47)

Você meu irmão, você minha irmã, que têm filhos ou netos, ou sobrinhos, e quem sabe é um professor ou uma professora, repassem essa historinha, que pode ser útil para a formação deles.

Deixo, ainda para vocês um pensamento do escritor francês Charles Perrault que nos legou belíssimas histórias infantis, conhecidas no mundo inteiro, muitas delas povoadas de fadas, a exemplo de “Branca de Neve”, a “Gata Borralheira”, “O Gato de Botas”, entre outras, que a par da beleza e das lições de vida que contêm, proporcionam aos seus leitores, mormente crianças e jovens, momentos de salutar e rico entretenimento.

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Referência de pesquisa:

Suma Teológica

Bíblia Sagrada, Ave Maria

Revista Arautos do Evangelho, maio/2012, n. 125

Passeio de canoa – Comemoração do 1º ano de existência do Blog!

Naquela tarde, refrescada pelo cair de uma brisa agradável e amena, me encantava com aquelas canoinhas, em meio a uma ou outra de maior porte, umas engalanadas com velas coloridas, outras não,  deslizando pelos mares da Baía de Todos os Santos, cujas águas , ora  de  um verde esmeralda, ora de um  azul profundo, em outros trechos  menos fortes,   ofereciam a todos que contemplavam tão belo cenário, rico de movimentos, luzes e matizes  coloridos, uma sensação de bem estar e refrigério. Não sei por que, mas me fez  lembrar um  pouco os belos arco-íris que, por vezes assistimos  em nossa cidade!

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Naquele cais, onde estávamos, aproveitei para saborear um delicioso acarajé e um abará, quitutes típicos de nossa Cidade, apreciados por todos que aqui vêm , e fiquei admirando aquele visual paradisíaco,  deitando um pouco minha observação sobre as canoas e refletindo sobre o seu valor, sua beleza e utilidade.

E foi assim que pensei, estimados leitores, que seria muito interessante estudar e pesquisar sobre esse transporte que tem origem nos  primórdios da História da humanidade,  e que foi e é, tão útil ainda em nossos dias.

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E ao  completar nosso Blog, neste mês de agosto, um ano de existência, fizemos uma retrospectiva do nosso trabalho e verificamos que essa classe de tema é muito apreciada, pois aborda costumes e ambientes relacionados à identidade  de  nosso povo.

A vocês caros leitores, ao tempo em que agradeço pela participação e comentários, espero que os conhecimentos, informações e considerações, deste Blog, tenham   contribuído para aumentar em todos a esperança , fé , a vontade de bem viver no amor e seguimento  de Nosso Senhor Jesus Cristo e também e no apreço e admiração às tradições tão ricas e belas de nosso País.

Em 20.09.2016,  lançamos o post “Saveiros da Bahia” e em 19.02.2017, “ O jangadeiro e sua jangada”,  que foram e continuam sendo muito acessados, o que revela a apetência, e porque não, a preferência do público leitor sobre esta espécie de assunto. Por isso, achei oportuno publicar um post sobre as canoas, que juntamente com os saveiros e as jangadas são os primeiros e mais importantes meios de transporte aquático, utilizados na maioria dos países de todos os continentes, mas de modo muito especial, em nosso querido Brasil.

E assim o fazendo, completamos uma trilogia de posts sobre as embarcações mais primitivas e importantes, na história  e evolução dos transportes aquáticos.

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Se é verdade que  as canoas não têm o charme e o balanço dos saveiros, tampouco a audácia e a intrepidez das jangadas, têm uma praticidade e uma utilidade indiscutíveis, e  sua beleza, mormente quando pintadas e engalanadas  com velas.

Segundo os estudiosos do assunto, as canoas foram as primeiras embarcações criadas pelo homem para os seus deslocamentos sobre as águas e surgiram primeiro nas regiões em que havia árvores altas com troncos fortes e de bom diâmetro que possibilitavam serem cortados e escavados, primeiramente, através da utilização do fogo e utensílios de pedras e em seguida por objetos  cortantes de metais, de modo a amoldá-los a uma conformação apta a equilibrar-se sobre as águas, e servir de rudimentar meio de transporte sobre as superfícies líquidas.

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Vejamos o que nos diz o excelente artigo “Com Quantos Paus se faz uma Canoa? “, do Museu Nacional do Mar, que vamos utilizar muito neste post:

“ Para navegar, ou seja, atravessar uma superfície líquida sem se molhar, o homem pré-histórico uniu vários pedaços de paus, depois escavou um tronco criando a canoa, primeiro barco verdadeiro”

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“ Descobertos os metais, tornou-se muito mais fácil a escavação de toras de madeira. Com a evolução permitiu que o homem aperfeiçoasse suas ferramentas e trabalhasse a madeira de modo a obter  peças com seções esbeltas, o que era impossível de ser feito com fogo e pedras.

Surgiram as ripas e as tábuas e, com elas o desmembramentos dos barcos em estrutura autônomas,  como as cavernas cobertas e os cascos.

Nesta nova configuração, os troncos reduziram-se às quilhas das modernas embarcações de madeiras. Estavam criados os barcos propriamente ditos dos quais derivam os modernos transatlânticos   de aço e os imensos navios de transporte, de guerra ou passageiros”.

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Que impressionante, hem? Mas ninguém sabe ou  se lembra disto, não é mesmo?

Quanto ao nome CANOA, os primeiros europeus que o ouviram, foram os tripulantes da expedição de Cristóvão Colombo, ao aportarem em terras americanas, da boca dos índios que se acercaram   das naus espanholas em suas primitivas embarcações. Em seguida, os espanhóis o incorporaram ao seu vocabulário do qual se expandiu para Portugal, França, e Inglaterra, e outros países, cada qual adaptando-o às suas características linguísticas próprias.

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No caso específico do Brasil, quando os portugueses aqui chegaram, nossos índios já utilizavam canoas  bastante  rústicas, as quais foram aperfeiçoadas pelos lusitanos e posteriormente sofreram mudanças pelos africanos.

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As canoas, juntamente com os saveiros , foram muito utilizadas como meio de transporte de pessoas, de produtos e mercadorias, em todo território brasileiro, tanto em nosso litoral quanto em nossos rios navegáveis, como o Amazonas, Rio Negro, São Francisco e em outros de menor porte.

Há registros de canoas bem grandes, que atingiam,pasmem! 12 metros , ou até mais do que isto,  e eram propulsionadas com 20 remeiros de cada bordo.

O Pe. Leonardo Nunes, Jesuíta que veio ao Brasil com Tomé de Souza, refere que viu várias canoas, cada uma com 30 ou 40 remeiros, mais velozes do que os navios mais ligeiros daquela época. E eram canoas de um pau só!

“O Brasil é o País que possui a maior variedade de canoas,  a saber: canoas bordadas e a de borda lisa, no sul/sudeste; as chacreiras, no Rio Grande do Sul; a canoa baiana, considerada “ a rainha das canoas brasileiras”, as canoas costeiras e as montarias do Maranhão.”

Também no interior do Brasil é grande a variedade. Na Amazônia destaque para as canoas indígenas construídas com cascas de árvores ou escavadas em tronco, estas, apresentadas na sala da Amazônia aqui no Museu Nacional do Mar. No Pantanal, as famosas Chalanas são parte do cotidiano de milhares de pessoas. As do Rio São Francisco, coloridas e velozes, estão as mais conhecidas do Brasil. Elas são apresentadas na Sala do Rio São Francisco, espaço específico para estas canoas singulares” (Art. Cit.)

E você sabia  por que as canoas da  Bahia,  são consideradas as rainhas das canoas do Brasil?

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Canoa de duas velas

Isso se deve  à opinião do  Almirante Alves Câmara, “ expert” no  assunto,como se vê pelo texto abaixo:

“  Derivadas de africanas, grandes troncos de mais de onze metros escavados com absoluta precisão, criam formas de extraordinária beleza estética, com fundos chatos e proas e polpas lançadas bem avante do barco. No Recôncavo Baiano, essas maravilhosas embarcações são dotadas de grandes mastros e velas latinas ( as mesmas das caravelas) e de um tipo de bolina que foi muito utilizado pelos holandeses ao longo dos séculos XVII e XVIII. Tantos detalhes náuticos conferem às canoas baianas especiais condições de navegabilidade”( Art.Cit)

Merecem também um registro especial, as canoas bordadas do Rio Grande do Sul por sua beleza e personalidade. Com efeito, essas canoas com suas variedade de cores e plasticidade estão entre as mais belas do mundo.

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 Canoa bordada

Vale registrar. ainda, as famosas chalanas do Pantanal, que inspiraram a famosa canção popular com este mesmo nome.chalana.jpg

Mas o fato é que as variedades das nossas canoas se estendem por todo o Brasil, e até os dias atuais, sobretudo com seus aperfeiçoamentos e modernizações, às vezes em detrimento de seu perfil característico, vão tendo sua utilidade, a par de darem uma nota agradável e evidenciadora de riquezas da alma de nosso povo.

Como dito antes, a canoa de nossos índios sofreu alterações e acréscimos dos portugueses e dos africanos, ou seja passou a ser um produto típico do amálgama das três raças que formaram nosso povo.

E não podíamos concluir, sem dizer uma palavra sobre o canoeiro, que já foi e continua sendo objeto de poesias, crônicas e canções, que buscam retratar o perfil daquele homem forte, destemido, calmo, e ao mesmo tempo cheio de esperança na Providência Divina, que nunca deixa faltar o pão de cada dia para aquele que nEla confia e que vive literalmente aquele ditado que todos conhecemos: “ Deus ajuda a quem cedo madruga”!

Assim canta Arlindo Júnior em “ A saga do canoeiro” :

Vai um canoeiro, nos braços do rio,

Velho canoeiro, vai. já vai canoeiro. 

Vai um canoeiro, no murmúrio do rio,

No silêncio da mata, vai. já vai canoeiro.

Já vai canoeiro, nas curvas que o remo dá. já vai canoeiro

Já vai canoeiro, no remanso da travessia. já vai canoeiro.

Enfrenta o banzeiro nas ondas dos rios,

E das correntezas vai o desafio. já vai canoeiro.

Da tua canoa, o teu pensamento:

Apenas chegar, apenas partir. já vai canoeiro.

Teu corpo cansado de grandes viagens.

Já vai canoeiro.

Tuas mãos calejadas do remo a remar.

Já vai canoeiro.

Da tua canoa de tantas remadas.

Já vai canoeiro.

O porto distante,

O teu descansar….  

Eu sou, eu sou.

Sou, sou, sou, sou canoeiro. Canoeiro, vai! (2x)

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Como dito acima, com esse post , concluímos uma trilogia das primeiras e principais embarcações utilizadas por nosso povo,  que muito contribuíram para o desenvolvimento e formação de seus costumes, dos seus tipos humanos, fortes, rijos e muito característicos, como o são o saveirista, o jangadeiro  e o canoeiro!

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Referência de pesquisa:

http://www.museunacionaldomar.com.br/estrutura/canoas.htm

Rosas e Orquídeas, Brasil e Colômbia.

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Depois de um lapso de tempo considerável durante o qual tive de me ocupar de afazeres variados e até certo ponto exaustivos, vou paulatinamente voltando à rotina   e    retomando as reflexões e pesquisas em torno de temas que entretêm o espírito e que nos fazem subir a paragens mais altas e a partir daí  descortinarmos panoramas belos e aprazíveis ou  simplesmente nos determos na apreciação de criaturas que nosso bom Deus preparou e reservou para nós e que estão sempre a nosso alcance.

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Eu confesso que gosto muito das flores, das suas formas, cores e perfumes de uma variedade, matizes e nuances verdadeiramente espetaculares! Desde a violeta, da ” dois irmãos” (que nome genial! ), da florzinha do bredo, passando pela “dama da noite”, pelas tulipas até a rainha delas que a meu ver é a rosa. Gosto muito das  desconcertantes orquídeas e recentemente adquiri uma espécie numa loja especializada, mas infelizmente a floração não se adaptou ao local e murchou.

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Mas, não faz mal. Vou adquiri outra bem bonita e tomar todos os cuidados com ela.

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Estava com estas cogitações sobre as flores, quando encontrei nos meus arquivos  um artigo bem interessante justamente sobre as rosas  e as orquídeas que há um tempo atrás um  amigo sacerdote havia me oferecido, no qual era feita   uma associação de ideias com o Brasil e a Colômbia, país que somente agora vai despertando afluência de turistas de várias partes do mundo e sobretudo do Brasil, pelos seus encantos naturais, sua história e monumentos artísticos.

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Cartagena – Colômbia

 

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E assim, comecei um estudo sobre a Colômbia e fiquei com vontade de conhecê-la juntamente com o Chile e o Peru.

Isto posto, desejo-lhe, caro leitor, uma ótima leitura.

   Rosa e orquídea — dois gêneros de beleza

                               ”  Para meu gosto pessoal, eu dou a primazia a duas flores. A primeira evidentemente é a rosa. Uma rosa perfeita e acabada é uma glória, uma beleza, uma maravilha, uma ordenação como não há igual.

Depois das rosas — é uma opinião ainda mais pessoal — elejo as orquídeas. É um tipo de flor que viceja maravilhosamente no Brasil, mas, pelo que ouvi dizer, floresce ainda mais belamente na Colômbia. É um gênero de beleza profundamente diferente da rosa.

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Catedral de Las Lajas – Colômbia

A rosa traz consigo o esplendor da ordem. Suas pétalas postas em ordem obedecem a um raciocínio. Nela não há nada de previsto, não é planificada. Mas dir-se-ia que um poeta a planificou. Deus Nosso Senhor a planejou, a destinou. Tudo nela é ordenado, estabelecido, arranjado. Ela exala o perfume que é conforme à sua forma de beleza — da ordem prevista, racional e explícita. Ela é uma soberba explicitação do conceito de beleza.

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Isto não se pode dizer da orquídea. A orquídea é rara e singular. Ela prega surpresas, suas pétalas se movem quase como num balé vegetal. Movem-se em direções inimagináveis, que se compõem em torno da parte central e variam de flor para flor. A parte central da orquídea é sempre de uma beleza magnífica e surpreendente. Por exemplo, brancas na orla e depois de um vermelho e de um roxo aprofundado e que chega até a uma parte misteriosa dentro, onde se tem a impressão de que há um vermelhíssimo sublime que não se mostra, por uma espécie de recato. É próprio às coisas verdadeiramente muito superiores a não se exibirem; enquanto as coisas charlatanescas se exibem.

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Há formas de orquídeas incomparáveis, mas todas com a beleza do fantasioso, do inesperado, de uma alta distinção, que parece dizer a quem as vê: “Confessa que tu não me imaginavas e que eu sou muito superior a tudo quanto tu pensavas”. Há um quê de “não me toques” na orquídea, que faz parte de outra família de beleza. Não é a beleza de desordem, mas dessas formas superiores de ordem, que o raciocínio não constrói e que só a fantasia sabe compor. Isto está muito de acordo com o espírito das nações latino-americanas e que eu creio que são, sobretudo, na forma de espírito de duas nações psicologicamente muito parecidas: Brasil e Colômbia.

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Colômbia

Às vezes, quando eu ouço contar de “colombiadas”, eu me lembro de “brasileiradas”. O capricho, o inesperado, o entusiasmo; também, às vezes, o ressentimento, a vingança, conforme a ocasião a violência, mas seguida logo depois de uma reconciliação afetuosa. Todo este vai-e-vem temperamental, eu vejo de comum entre o brasileiro e o colombiano. E ali está a orquídea a marcar dessa maneira as peculiaridades do espírito dos povos que a Providência suscitou.” (Plinio Correa de Oliveira)

Que reflexões belas e  profundas !

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Salvador – Brasil
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Cartagena