O monge e o rouxinol

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Hoje, quero contar uma linda  história para vocês, que, certamente, agradará, a  crianças como também  a adultos.

Somos  atualmente carentes e órfãos de histórias bonitas e encantadoras. Pois,  no mundo virtual em que vivemos,  onde  tudo é  muito artificial  e sem sabor, talvez o próprio irmão que nesse momento esteja lendo,  sinta no coração,  um certo vazio,  e também um  desejo de conhecer histórias diferentes, atrativas e inocentes, e que nos  proporcionem, e a nossos filhos,   momentos de enlevo  e felicidade.

Os italianos têm uma frase muito interessante e que eu gosto muito em face de algumas histórias: ¨Si non é vero…ben  trovato¨, que traduzindo para o português quer dizer:  ¨Se não é verdade foi bem contado.¨

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Portanto, não importa se o fato narrado na história é verdadeiro, mas o que importa é  a mensagem que ele encerra.

Era uma vez, um jovem monge,  chamado Urbano, piedoso e  diligente, que tendo se tornado bibliotecário do mosteiro, entregou-se à função de corpo e alma.  Zelava pelos livros, estudava muito, e gostava de ler especialmente a Sagrada Escritura.

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Um dia, porém, deparou-se  com um versículo do Salmo 89  que muito o intrigou:

“Porque mil anos, diante de Vós, são como o dia de ontem, que já passou, como uma só vigília da noite¨

Esta passagem do Salmo  fixou-se em sua mente, passando a incomodá-lo desde aquele momento.

Aconteceu que numa tarde, após terminar seu trabalho, desceu ele da biblioteca para o belo e  luminoso claustro. Ao olhar para o jardim, viu um lindo rouxinol pousado no ramo de um arbusto, que se pôs a cantar do modo mais belo que se possa imaginar.

O monge aproximou-se da avezinha, e quando ia pegá-la, ela  voou para um galho próximo, cantando mais forte e mais claro. Em certo momento, voou sobre o  pequeno muro do mosteiro, e o monge lhe foi ao encalço, saindo pelo portãozinho do jardim.

O jovem embrenhou-se no bosque próximo, mas após caminhar um pouco, deixou de ouvir o rouxinol e o perdeu de vista. Resolveu, então, voltar apressado, pois não tinha pedido  autorização  para sair, e os sinos do mosteiro já tocavam o Ángelus da tarde.

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Viu pelo caminho árvores enormes, das quais não se recordava. Bem, certamente estivera tão atraído pelo canto e pela beleza do rouxinol, que não as percebera. Contudo, ao avistar o mosteiro, ficou espantado . Teria errado o caminho? Mas andara tão pouco! Fato é que a muralha  era bem mais alta, e não tinha o portãozinho. Enfim, o momento não era de pensar muito nisto, mas correr até o portão principal, entrar rápido e explicar ao abade o que acontecera.

Ao chegar, foi atendido por um porteiro que não conhecia, o qual não o queria deixar passar. Urbano forçou a entrada e seguiu rápido em direção ao jardim e….

— Oh surpresa! – este estava completamente mudado!

Correu os olhos pelo claustro e não o reconheceu: portas novas, mosaicos que nunca vira… Pelo menos a sólida igreja monacal continuava ali ao lado, contudo, era ladeada por várias construções enormes que –  tinha certeza –   nunca haviam estado ali.

Desconfiado de que estivesse sonhando, dirigiu-se a um monge que cuidava das plantas e quase bradou:

“Irmão, o que aconteceu?

Como foi que tudo aqui mudou de repente?

O outro o olhou intrigado e riu:   “Ora, estou aqui  há vinte anos e nunca vi nada diferente. Mas, meu irmão ancião, permita-me perguntar de onde vem o senhor?¨ Urbano retrucou

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“ Por que me chama de ancião? Tenho no máximo  a metade de sua idade?!”

Perguntou o outro: “ Metade da minha idade?!” – perguntou o outro “ O senhor com esse cabelo e esta barba tão brancos?¨

Urbano, caindo em si, sentiu-se fraquejar, abaixou a cabeça, e só então, notou a longa barba, branca como a neve, que lhe descia até a  altura da cintura.

Que situação difícil e confusa para Urbano naquele momento, não é verdade? Como entender tudo aquilo!   Seria um sonho? Um pesadelo!?  Pediu ajuda de Deus, para mostrar a ele o que se passava.

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Sem entender mais nada, saiu a perambular pelos corredores, estranhando, que todos se  afastavam dele como se estivessem vendo um fantasma.

Em certo momento, viu caminhar em sua direção um grupo  de monges, com o abade à frente o qual, levantando alto um crucifixo, disse-lhe solenemente:Resultado de imagem para monge

“ Ó ALMA DO OUTRO MUNDO, EM NOME DE JESUS CRISTO, PARAI E DIZEI, O QUE DESEJAIS AQUI, EM NOSSA ABADIA?

Vejam caros irmãos!  Que situação para ele!  E o mesmo respondeu:

“ EU SOU DAQUI DESSE LUGAR, CADÊ  O ABADE FELIX, CADÊ MEUS IRMÃOS DE HÁBITO? ESTRANHOS  SÃO VOCÊS!

A surpresa era geral!

Nisto, um jovem monge se adiantou e disse ao abade: “ ISTO ME ESTÁ FAZENDO LEMBRAR ALGO QUE LI NUM DIÁRIO DO  MOSTEIRO. PEÇO LICENÇA PARA IR BUSCÁ-LO”. Em dois minutos estava  de volta  com o grosso volume, bastante envelhecido,  abriu-o  e leu em voz alta:

“NESTE ANO DE 1607 –  FAZ TREZENTOS ANOS!  –  URBANO, JOVEM BIBLIOTECÁRIO DO MOSTEIRO DESAPARECEU SEM DEIXAR RASTRO, NÃO SE SABE SE SAIU DA VIDA MONACAL OU SE FICOU LOUCO”

Urbano, com os olhos banhados em lágrimas,  voz trêmula, suspirou  e disse:

“Oh, ROUXINOL, ENTÃO ERA ESSA A SUA MENSAGEM?

EU O SEGUI, EM TRÊS MINUTOS, PARA OUVIR SEU BELO CANTO, E TRÊS SÉCULOS SE PASSARAM! ERA A CANÇÃO DO CÉU QUE EU OUVIA!

 COMO O TEMPO DE NOSSAS VIDAS NÃO É NADA EM COMPARAÇÃO COM A ETERNIDADE! AGORA EU A COMPREENDO E LOUVO A DEUS”

Espero que todos possamos meditar um pouquinho sobre a mensagem que trata do tempo, e do grande e insondável mistério da eternidade!

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2 comentários em “O monge e o rouxinol

  1. Essa parábola nos fala da morte do corpo e eternidade da alma. Urbano, na hora de sua morte, certamente por ser um homem santo, no “caminho para o Céu” ouviu o belo canto do rouxinol e o seguiu; o tempo naquela dimensão não existe e por isso, o que seriam três minutos para ele, eram, em verdade, trezentos anos. O seu retorno ao mosteiro nos remete a duas possibilidades: na primeira, Urbano teria sonhado com sua morte e sua alma teria sido conduzida por um anjo na forma de um rouxinol; na segunda, Urbano, teria morrido e de alguma forma Deus lhe teria permitido voltar ao seu antigo mosteiro para constatar que a eternidade da alma existe e que ele, por mérito, ganhara o reino do Céu, onde existe espaço do tempo.

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