São João Batista, o Precursor de Jesus Cristo!

Caríssimos irmãos e irmãs, vivemos um período difícil, conturbado e caótico, pois o homem deu as costas ao Criador. Mas, penso que ainda há esperança e que vale a pena rezarmos e lutarmos por esse mundo, na expectativa de um milagre, o milagre da conversão das almas, para encontrarmos Cristo, a Luz do Mundo.

É com esse desejo e essa esperança, que me encanta, ainda, falar sobre o São João e o que significa essa festa tão comemorada, especialmente em nosso Nordeste.

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Tive a felicidade de viver inesquecíveis momentos em que as crianças gostam de estar pertinho da fogueira vendo-a queimar, de alimentar o fogo com gravetos, abanando-a, para em seguida assar o milho verde, tarefa desempenhada a contento, mesmo, somente por alguns poucos entendidos, para não deixar o milho “sapecar”, mas ficar bem tostadinho.

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E ficarmos ali, naquele aconchego, naquela quenturinha, em torno da fogueira;   também tive a felicidade de  soltar balõezinhos e ver  soltarem  balões multicoloridos bem maiores, que, após  terem suas buchas acesas, cuidadosamente, para não queimarem seus “panos” de papel-seda com os quais eram artisticamente preparados meses antes, iam se inflando e subiam, uns lentamente, outros, “vai mas não vai” , mas

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acabavam indo; alguns outros, subiam rápida e garbosamente, cada um mais lindo que o outro, sob aplausos e gritos de entusiasmo; e maravilhados, ficávamos olhando para o Céu estrelado também enfeitado com outros balões, soltados alhures, aos quais o nosso se unia, buscando sempre e cada vez mais as alturas, até que o perdíamos de vista!

Havia uma tristeza geral quando o balão queimava, mas logo era superada com a subida exitosa de um outro! Quantas e tantas músicas eram inspiradas pelos balões! Por exemplo: “cai cai balão, cai e cai balão, aqui na minha mão,  não cai não, não cai não, cai na rua do sabão”.

Como sabemos, os balões foram proibidos por razões de segurança, o que compreendemos, mas deixaram uma grande saudade.

Mas além da fogueira e dos balões , os fogos de artifício também tinham seu papel na noite de São João e eram de espécies e efeitos diversos: traque de massa, chuveirinho, lágrimas, estrelinha, vulcão, cobrinha elétrica, as bombas entre muitos outros fogos de nomes muito interessantes, e para todos os gostos, idades e espaços disponíveis.

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 Não é preciso dizer como eles alegravam, como ainda alegram, as noites joaninas! Mas como nada é perfeito, as queimaduras eram e são muito frequentes e por vezes sérias, por isso todo cuidado é pouco.

A propósito da fogueira muito se poderia dizer sobre sua origem,  simbolismos e finalidade. Resumidamente, aduzimos ser um dos usos mais antigos inventados pelo homem, para promover e manter o fogo aceso, simbolizando a fé e o amor a Deus ; e para  finalidades diversas:   cozinhar e assar alimentos;  aquecer e esquentar a água; temperar o ferro e o aço e  afastar os animais selvagens, etc.

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Quanto ao simbolismo, conta uma tradição piedosa que os pais de São João Batista, Zacarias e Isabel, prometeram à Virgem Maria e Mãe de Jesus que para avisá-la do nascimento do Batista, mandariam acender uma bela fogueira, cujo fogo e rolos de fumaça seriam o sinal do nascimento do Precursor de Jesus!

Como não poderia deixar de ser, os ambientes eram também ornados de acordo com o espírito e características da festividade: a mesa era coberta com uma bela e longa toalha, estampada com bico bordado, sobre a qual eram dispostas  variedades de iguarias: fubá de milho,  bolo de aipim, bolo de tapioca, canjica, pé de moleque, amendoim cozido, um delicioso escondidinho, mingau de milho, tapioca torrada, e um belo pernil assado, queijo de “cuia”, licores diversos, não podendo faltar o de jenipapo, de longe o preferido,  tudo isso ao som de  músicas típicas, entre outras “ a fogueira está queimando em homenagem a São João….

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Nossa! bolo de aipim na palha da banana, canjica, que fenomenal!

Até hoje, muitas dessas tradições e delícias fazem sucesso em muitas cidades do nosso querido Brasil, o que é muito salutar.

 Com o passar do tempo, outras coisas folclóricas foram se inserindo nesse contexto, como as quadrilhas, originárias da França, o casamento na roça.

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Quadrilha Junina

Mas, essa festa não teria sentido se apenas se restringisse aos folguedos e aos “comes e bebes”, pois, na verdade, a razão de ser da festividade para todos os cristãos, é o aniversário de nascimento do grande São João Batista, purificado ainda no ventre de sua mãe, Santa Isabel, em razão da visita da Virgem Maria que trazia em seu seio sacrossanto o Menino Jesus, e que se tornou o precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo; daquele que disse não ser digno de desamarrar as sandálias do Messias, daquele que o próprio Jesus disse não haver maior entre os simples homens  nascidos de uma mulher!

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Igreja São João Batista – SC

A Igreja é repleta de grandes homens e mulheres que aqui viveram e  que deixaram testemunhos de fé, de coragem , de coerência e exemplo de vida e santidade para todos nós.  E são João é um dos exemplos mais fascinantes e radicais, pela sua pureza e humildade.

Na verdade, como já dissemos em outros posts, este mundo em que vivemos está enfermo,  e está numa situação em certo sentido pior do que no tempo da torre de Babel, pois as pessoas não se entendem, os países também não, ninguém acredita nem confia em mais ninguém, e a tão sonhada paz é cada vez mais uma miragem, na qual, também, ninguém mais acredita.

Li em um artigo do Professor Filipe Aquino  sobre o Martírio de São João Batista o seguinte:

“ A lição de João Batista, mártir da fé e da moral não pode ser esquecida nem escondida. Muitos na Igreja foram mártires em situações semelhantes por denunciarem a imoralidade de sua época. Hoje, esta imoralidade é maior ainda, ferindo o Coração de Deus, calcando aos pés o Evangelho, profanando a vida das mulheres, das crianças não nascidas, da família, da dignidade humana. Quem será o João Batista de hoje a pregar contra aborto, a eutanásia, a pornografia deslavada,  a malversação do dinheiro público?”  E tantas outras aberrações!

 Mas vamos seguindo e endireitando as nossas vidas, pedindo a Deus perdão e misericórdia por nossos pecados e do mundo inteiro, como rezamos no Terço da Misericórdia, e o grande e humilde retorno da humanidade à Casa Paterna.

sao_joao.jpgSim, vamos pedir ao nosso São João Batista que interceda junto a Deus pelo nosso País e pelo Mundo inteiro e que faça florescer a justiça e um Mundo novo e que ele abra uma janela em nossos corações para que a fé e a esperança penetrem e que possamos seguir os passos de Jesus.

Após essas considerações, no mês de junho somos agraciados por Deus, por termos 4 varões da Igreja Católica que são festejados: no dia 13, Santo Antônio,  no  dia 24, São João Batista e no dia 29, São Pedro  e São Paulo, que também é comemorado neste mesmo dia, mas poucas pessoas sabem.

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A São Pedro, Nosso Senhor Jesus Cristo entregou as chaves de Sua Igreja, e ele permanece vivo e representado em todos os seus sucessores, que são os Papas, até os dias atuais; já São Paulo é chamado o Apóstolo dos gentios, pois foi aquele a quem Jesus instruiu durante 3 anos seguidos e que recebeu a grande missão de evangelizar os povos estrangeiros e que não conheciam o Deus verdadeiro, a exemplo dos coríntios, os tessalonicences ,os filipenses, os efésios, entre outros. E ele o fez de modo exímio e ardoroso!

Portanto, no dia 29 de junho lembremo-nos dessas duas colunas da Igreja e peçamos-lhes graças e favores especiais.

Mas o fato é que os dois santos mais festejados, atualmente, na Bahia são Santo Antônio e São João, muito embora São Pedro o seja em algumas cidades, até mais fortemente que São João, também com, tríduos,  fogueiras e fogos, etc.

 Segundo  o Evangelho de Lucas 1: 36, 56-57)  João nasceu  6 meses antes do nascimento de Jesus.

 João Batista é o único santo, além da Virgem Maria, de quem se celebra o nascimento tanto para a terra, quanto para o céu. Segundo os Evangelhos, é o maior dos profetas ( Lc 7,) porque pôde apresentar o Cordeiro de Deus que tira o  pecado do mundo ( Jo 1, 29, 36). Sua vocação extraordinária é repleta de júbilo messiânico e prepara o nascimento de Jesus (cf,Lc 1, 14, 58). João é o precursor  de Cristo pela palavra e pela santidade de vida.

Conhecido como  “ aquele que  gritava no deserto” e anunciava a chegada do  Salvador. Depois dele não houve mais profeta em Israel.

Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre e sua vestimenta era de pele de carneiro.

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São João Batista foi preso em razão das suas pregações e do seu testemunho de fé e de integridade de vida e por ter tido a coragem de dizer não à pretensão de Herodes  Antipas de casar-se com sua cunhada, prática proibida pela Lei de Moisés, vigente à época. A final, foi degolado a mando de Herodes, que assim o fez para atender a uma infame solicitação da filha de Herodíades  e sua cabeça foi trazida numa bandeja, em meio a um dissoluto festim.

Seu corpo foi enterrado por seus seguidores, mas sua voz jamais deixou de ser ouvida e obedecida pelos discípulos fiéis ao Cordeiro de Deus, Nosso Senhor Jesus, e de outro lado, também continuou sendo ouvida e temida, com verdadeiro pavor, pelos que O rejeitaram! Juntemo-nos aos primeiros e seremos verdadeiramente felizes!

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Mas, voltemos a falar sobre a origem, ambientes e costumes do São João:

Essas festas existem desde o período pré- gregoriano, como manifestações pagãs, em comemoração à grande fertilidade da terra, às boas colheitas na época do denominado solstício de verão, que ocorria, coincidentemente, no dia 24 de junho, que para os cristãos, era o dia do nascimento de São João.

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Cabeça de São João Batista. Na Catedral Amiens, na França.

 E então, Igreja, que ao longo dos séculos, sempre soube aproveitar todos os costumes sadios e belos dos diversos povos que evangelizou, deu-lhes um sentido maior e cristão.

É uma festa muito alegre, própria do espírito dos nordestinos e como cai sempre no período do frio, enormes fogueiras são armadas e acesas, para que todos possam se aquecer ao seu redor. A fogueira já estava presente nas celebrações juninas feitas pelos pagãos e indígenas, mas também ganhou um significado cristão, como mencionado mais acima.

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 As músicas juninas variam de uma região para outra. No nordeste, as composições do sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga, a exemplo de “Olha Pro Céu” e “Asa Branca.” No Sudeste, temos João de Barro e Adalberto Ribeiro, celebrizados com a “Capelinha de Melão.”

Trazida ao Brasil pela Corte Portuguesa, a festa de São João, que na Península Ibérica tinha e ainda tem um caráter mais devocional, sofreu em nossa Terra um processo de aclimatização. Ganhou elementos simbólicos, que lhe deram uma de dramatúrgico, como exemplo a: quadrilha. “Derivada da dança da nobreza cortesã francesa – há referências disso nas expressões  anarrié, anavantu –  (ela não existe nas festas de  São João  em outros lugares do mundo”) afirma o sociólogo Edson Farias da Universidade de Brasília.

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Festas São João – Cidade de Braga – Portugal

 

O mesmo acontece com o casamento caipira, que reforça a ideia de regionalidade. “Marcadamente, há uma cena tradicional nordestina: o pai é uma espécie de coronel, o noivo,   um caipira, roceiro, sertanejo, e a noiva uma caipira e o pároco a figura do Padim Ciço”

Quanto às roupas coloridas caipiras ou saiolas são uma clara referência ao povo campestre que povoou o Nordeste do Brasil e podem-se encontrar muitíssimas semelhanças no modo de vestir caipira no Brasil e em Portugal.

As decorações dos arraiais iniciaram-se em Portugal junto com as novidades que, na época dos descobrimentos, os portugueses trouxeram da Ásia, tais como os enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora. Aqui no Brasil, foi proibido o uso dos balões, por motivo de segurança. Em Portugal, são usados os balões na cidade do Porto, com muita abundância e o céu se enche  com milhares deles durante a noite.

No Canadá, em Quebec, a celebração do Dia do São João foi trazida para a Nova França pelos primeiros colonizadores franceses. Grandes fogueiras eram acesas à noite.

São João era festejado com entusiasmo nas aldeias Jesuíticas no Brasil, provavelmente porque as fogueiras e tochas acesas pelos missionários provocavam grande efeito sobre os indígenas. Embora a festa tenha absorvido elementos das culturas indígenas e mais tarde africanas, a hegemonia da tradição europeia e portuguesa é evidente.

 É a tradição, com suas  raízes, a religiosidade, a identidade cultural de diversos  povos com seus costumes que tornam essa festa atraente, alegre, unindo o profano  e o religioso, tendo no centro a devoção a São João.

A par da origem e inspiração religiosa, é um espetáculo de cores, sabores , comidas e musicalidade, tudo com muita alegria, que se mistura com suas histórias, e dão continuidade a essa tão bela e apreciada  tradição, em suma, são ambientes e costumes da nossa civilização! E não podemos deixar que seja descaracterizada e até mesmo conspurcada, com a a introdução de práticas feias e bizarras, que não guardam nenhuma relação com o seu espírito e suas mais genuínas e belas tradições.

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Santo Antônio
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São João Batista
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São Pedro

 

 

 

 

 

 

 

E para finalizar, cantemos:

“Viva João Batista, viva o precursor,

Porque João Batista, anunciava o Salvador,

Porque João Batista, anunciava o Salvador!”

 Biblia Sagrada

Professor Filipe Aquino, O Martírio de São João Batista

Wikipédia

 

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2 comentários em “São João Batista, o Precursor de Jesus Cristo!

  1. Dentre todas as festas brasileiras, as que mais me encantam são as juninas. Como dito no texto, a temperatura mais fria, as fogueiras, fogos, a diversidade de pratos típicos, o forró, tudo isso envolve os participantes. Pena que de algum tempo para cá nossas festas vem sendo desfiguradas com a introdução do axé e do abominável sertanejo. O que era espontâneo, autêntico, virou uma parafernália que nada tem a ver com forró. É tão bom ouvir um trio nordestino tocando as lindas músicas juninas; as quadrilhas; o forró; os arraiás preparados com bandeirolas; balões; as casas abertas para oferecer licor, canjica, bolos, amebdoim, milho cozido e assado; as crianças soltando foguetes… Importante falar sobre nossas tradições, como faz Kátia. Quem sabe, ocorre uma reviravolta e todo aquele ambiente e costumes voltam para nos alegrar.

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    1. Realmente, você tem razão quando salienta que o São João autêntico de outrora, vem sofrendo uma palatina descaracterizacao em muitos ambientes. E que, todos nós que o conhecemos bem, devemos fazer o que tiver ao nosso alcance para preservá-lo. Obrigada pela valiosa participação.

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