São Pio X: você o conhece?

Caríssimos irmãos e irmãs, gostaria de compartilhar  um assunto muito importante  e  muito propício para o momento e que tem tudo a ver com o tema do último post e de outros anteriores. E deparei-me com ele pesquisando sobre o papel que tiveram alguns homens e mulheres muito especiais na  História da humanidade. Homens e mulheres autênticos e por isto mesmo marcantes e cujos semblantes retratavam de forma luminosa e inequívoca suas personalidades, mas que não são muito conhecidos.

E foi assim que ” descobri” um personagem que atraiu fortemente a minha atenção: trata-se do Papa São Pio X, que conduziu a Barca de Pedro de 4 de agosto 1903 a 20 de agosto de 1914. Nascido a 2 de junho de 1835, em Riese, na Itália, era o segundo de 10 filhos de uma família  de camponeses, e que desde cedo manifestou uma forte vocação para o sacerdócio, que conseguiu corresponder à custa de muitos sacrifícios de seus pais que eram muito pobres. Foi ordenado sacerdote em 1858, nomeado Bispo de Mântua em 10 de novembro de 1884 e Patriarca de Veneza, em 1896. Foi eleito Papa com 55 dos 60 votos possíveis naquele conclave. Relutou muito em aceitar a sua escolha como Papa, devido à sua grande humildade.

Contam os historiadores, que tomou dinheiro emprestado para comprar sua passagem de volta a Veneza, quando viajou para o conclave em Roma, pois jamais esperava que viesse a ser eleito Papa! E contam ainda os estudiosos que os demais Cardeais só compraram a passagem de ida…

Escolheu  como lema do seu Pontificado “Renovar todas as coisas em Cristo”. E realmente tudo fez neste sentido, valendo ressaltar que foi ele que instituiu a Comunhão frequente e precoce, para crianças com uso da razão, por isso é chamado o Papa da Eucaristia;  ministrava aulas de catecismo para as crianças de Roma e procurava visitar todos os habitantes da cidade, em meio a importantes aperfeiçoamentos na Liturgia e no campo do Direito Canônico.

Foi o primeiro Papa a ser canonizado após a a canonização de São Pio V, que ocorreu em 22 de maio de 1712.

Teria muito , mas muito mesmo, para falar sobre este grande Pontífice, mas fica para uma outra ocasião.

Hoje, quero deixar-lhes algumas santas palavras  e sábios conselhos e orientações deste Varão da Igreja , um  Papa santo,  fiel conselheiro, que seguia à risca as palavras do Divino Mestre: ” SIM, SE É SIM; NÃO, SE É NÃO. TUDO  O QUE PASSA ALÉM DISTO VEM DO MALIGNO’ (MATEUS 5, 34-37)

Acompanhem-nos , pois, caríssimos irmãos, na leitura e meditação destes ensinamentos de São Pio X, contidos em alguns excertos da sua Carta Encíclica “Acerbo nimis”, de 15/04/1905, muito apropriados para os dias atuais .

“Os insondáveis desígnios de Deus elevaram nossa pequenez ao cargo de Supremo Pastor de toda a grei de Cristo em dias bem críticos e amargos, nos quais o antigo inimigo ronda em torno deste rebanho, armando-lhe ciladas como com tão pérfidas astúcias que, hoje mais que nunca, parece ter-se cumprido aquela profecia do Apóstolo aos anciãos da Igreja de Éfeso:

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São João Bosco

‘ Sei que (…) se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho” (At 20,29).

Não há quem, animado pelo zelo da glória divina deixe de investigar as causas e razões deste mal  que ataca a religião; e como cada qual encontra causas e razões diferentes,, propõe meios também diferentes  conforme sua opinião pessoal, para defender ou restaurar o Reino de Deus na Terra. Sem proscrever, Veneráveis irmãos, os pareceres dos demais, nós nos alinhamos com aqueles que atribuem sobretudo à ignorância das coisas divinas a atual depressão e debilidade das almas, das quais resultam os maiores males.

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Padre José de Anchieta ensinando

NÃO HÁ CONHECIMENTO DE DEUS NA TERRA

Esta opinião concorda inteiramente com o que o próprio Deus declarou  por meio do profeta Oseias:

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“Não há conhecimento de Deus na Terra. A maldição a mentira, o homicídio, o roubo e o adultério inundaram tudo; o sangue se acrescenta ao sangue; por isso a terra se cobrirá de luto e desfalecerão todos os seus habitantes”(4,1-3)

” Quão lamentáveis e fundadas são hoje, infelizmente, as lamentações a propósito da existência, de um grande número de pessoas, no povo cristão, que vivem na  inteira ignorância das coisas que devem ser conhecidas para se conseguir a eterna salvação!

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Ao dizer “povo cristão”, não nos referimos só aos homens da classe popular, ou seja, àqueles aos quais serve de desculpa o fato de, por estarem sujeitos a patrões exigentes, mal conseguirem ocupar-se de si mesmos e de seu repouso. Falamos também, e principalmente, daqueles aos quais não falta entendimento nem cultura, ao contrário, possuem grande erudição profana, mas, no relativo à Religião, vivem de modo temerário e imprudente. Difícil será ponderar quão espessas são as trevas que os envolvem e –  pior ainda – a tranquilidade com que nelas permanecem!

Em nada se preocupam por Deus, soberano autor e moderador de todas as coisas, nem pela sabedoria da Fé cristã. E assim, nada sabem da Encarnação do Verbo de Deus nem da Redenção por Ele levada a cabo; nada também da graça, principal meio de obter a eterna salvação; nada do Augusto Sacrifício nem dos Sacramentos, pelos quais conseguimos e conservamos a graça. (…)

Isto posto, Veneráveis Irmãos, perguntamos:

– Que há de surpreendente no fato de serem tão grandes e aumentarem  a cada dia a corrupção dos costumes e sua depravação, não só em nações bárbaras, mas até em povos que ostentam o nome de cristãos? (…)

NECESSIDADE DA FORMAÇÃO RELIGIOSA

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Longe estamos de afirmar que a malícia da alma e a corrupção dos costumes não podem coexistir com o conhecimento da Religião. Prouvera a Deus que a experiência não demonstrasse isto com tanta frequência! Entendemos, porém, que, quando as espessas trevas da ignorância envolvem o espírito, nem pode ser reta a vontade  nem são os costumes. Quem caminha com os olhos abertos pode sem dúvida desviar-se da senda direita e segura mas o cego, este está em sério risco de perder-se.

Além disso, enquanto não se apagou inteiramente a chama da Fé, resta ainda a esperança de uma emenda na corrupção dos costumes; quando, porém, à depravação se junta  o desconhecimento da Fé, não há mais remédio, está aberto o caminho da ruína”.

Permitam-me interromper a transcrição das palavras do Papa, mas esta explicitação que ele faz neste último parágrafo é muito profunda e lança luzes para entendermos a crise que  se agrava a cada momento no mundo inteiro, pois a humanidade padece de uma depravação dos costumes sem nenhum precedente na sua História aliada a uma ignorância e por vezes a uma ausência inacreditável em relação aos conhecimentos mais elementares da Fé.

Lembro-me agora de uma reunião que assisti há muito tempo, na qual o palestrante afirmou que uma das maiores tragédias que aconteceu no Brasil foi a injusta e absurda expulsão dos Jesuítas, em 1759, a mando de D. José I, sob a influência do ímpio Marquês de Pombal. Sim, porque o povo brasileiro vinha sendo alvo de uma ação civilizadora, educativa e formativa por parte dos valorosos filhos de Santo Inácio e, de repente, deu-se esse corte que perdurou por muitos anos e cujos efeitos negativos refletem hoje nos campos da educação, da cultura e no da formação religiosa , moral e cívica de nosso povo.

Mas voltemos à leitura das palavras de São Pio X:

“Uma vez que da ignorância da Religião procedem tantos e tão graves prejuízos, e,  por outro lado, são grandes a necessidade e a utilidade da formação  religiosa – pois ninguém pode cumprir as obrigações do cristão se não as conhece -,  convém averiguar agora a quem compete a tarefa de preservar as almas dessa fatal ignorância  e proporcionar-lhes tão indispensável ciência.

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O MAIS GRAVE  DEVER DE QUALQUER SACERDOTE

Tal averiguação Veneráveis Irmãos, não oferece dificuldade alguma, pois esse gravíssimo dever incumbe aos pastores de almas, os quais, em virtude do mandato do próprio Cristo, têm a efetiva obrigação de conhecer e apascentar as ovelhas a eles confiadas. Ora, apascentar é, antes de tudo ensinar: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu Coração, que vos apascentarão com ciência e com a doutrina” (Jr 3, 15).

Assim falava Jeremias, inspirado por Deus. E por isso dizia o Apóstolo São Paulo: “ Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho” (I Cor 1,  17). Adverte,  desta forma, que o principal ministério de todos quantos exercem de algum modo o governo da Igreja consiste em instruir os fiéis nas coisas sagradas.

Parece-nos inútil acrescentar novas provas da excelência desse ministério e de sua importância aos olhos de Deus. Por certo, grandes louvores recebe do Senhor a piedade  que nos move a aliviar as humanas misérias; mas quem pode negar que maior louvor merecem o zelo e os esforços empregados em procurar para os homens os bens celestiais, e não as transitórias vantagens materiais?

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São Pio de Pietrelcina

Nada pode ser mais desejável nem mais agradável a Jesus Cristo, o Salvador das almas, que disse de Si mesmo, pelos lábios de Isaías:

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“Enviou-Me para anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Is 61, 1; Lc 4, 18).

Mas uma vez peço licença para sublinhar um outro ponto, muito importante da Encíclica em apreço, qual seja a importância da pregação da Palavra de Deus, que emerge das palavras de São Paulo e da primazia do espiritual sobre o material, aspecto que por ser tão óbvio, pareceria desnecessário frisar, mas que na prática é esquecido ou deixado de lado, por vivermos  num mundo marcado pelo pragmatismo, pelo ateísmo prático, quando não por uma noção deturpada e sentimental do que seja a Caridade.

Retomemos o fio da meada:

“Importa muito, Veneráveis Irmãos, acentuar bem aqui, e insistir neste ponto:

Para qualquer sacerdote, é este o dever mais grave, mais restrito, a cumprir. Pois quem negará que no sacerdote a santidade de vida deve progredir unida à ciência?

“Nos lábios do sacerdote deve estar o depósito da ciência” ( Mt 2, 7), (…)

Se é coisa vã  procurar colher onde não se semeou, como se pode esperar boas obras  de gerações que não foram oportunamente instruídas na doutrina cristã?

Daí concluímos que se em nossos dias a Fé enlanguesce até parecer quase morta em uma grande maioria, é porque foi cumprida com negligência, ou de todo omitida, a obrigação de ensinar as verdades contidas no catecismo.” ( Revista Arautos do Evangelho, maio de 2016)

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Caríssimos irmãos, as palavras  do grande São Pio X  nos deixam matéria para várias  reflexões que podem nos ajudar a compreender melhor a realidade que vivemos e, sobretudo, para corrigirmos nossas faltas e amoldarmos nossa mentalidade e nossas práticas aos ensinamentos de Nosso Senhor e ao magistério da Igreja e, por via de consequência, a cooperarmos , efetivamente, para a educação e formação de nossos filhos e de quem esteja, de algum modo, no âmbito de nossas relações sociais, sendo homens e mulheres de Fé , sequiosos da Palavra de Deus e de levá-la ao nosso próximo!

São Pio X, rogai por nós!

E concluímos, prestando nossa homenagem a Nossa Senhora da Conceição Aparecida,  Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil,  no Tricentenário de sua Aparição, rogando-lhe a sua ajuda e proteção especiais, para todo povo brasileiro!

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

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4 comentários em “São Pio X: você o conhece?

  1. Boa noite ! Excelente e no momento que estou assistindo à missa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do nosso Brasil. Parabéns, Renato e Katia, estou acompanhando o blog e mais uma vez muito feliz!!! Nossa Senhora Aparecida rogai e tende piedade de nós. Fraterno abraço do irmão, Valeriano Santiago

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  2. Nesse mundo cru, materialista e pragmático em que vivemos , falar sobre transcendência e santidade, pode parecer inocuo, mas não é. Se diante de tanta tecnologia e pragmatismo, nós, homens e mulheres, nos sentimos carentes, órfaos, podemos então concluir que somos carentes das coisas de Deus. Por isso, falar em santidade é muito importante, pois, apesar de aparentmente estéril, ante exemplos como o do Papa Santo, nossos corações podem germinar o verdadeiro amor fraterno. Continue postando esses assuntos tão raros hoje em dia, porque no deserto existem os oásis que nos oferece água, sombra e alimento.

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    1. Caríssimo cunhado Zé, realmente por mais que o mundo esteja nesta situacão tão bem descrita por você, felizmente que Deus ama profundamente suas criaturas e de modo especial os homens, em relação aos quais Ele nunca desiste e está sempre pronto a perdoar, ainda que para tanto tenha por vezes, que impor misericordiosos castigos, está sempre pronto a fazer novas, abençoadas e paternais aliancas. Este tem sido o seu proceder ao longo da história e a todo momento, através das santas missas, nas quais renova a Eterna Alianca de Deus com os Homens, daí o valor infinito de cada missa.

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