Santa Cecília, padroeira dos músicos, rogai por nós!

 

sung-mass-88.jpeg

 Caríssimos irmãos e irmãs,    senti-me  inspirada a republicar o post sobre Santa Cecília, ilustrando-o com novas e belas fotos, pois hoje se celebra a história de sua vida luminosa,  que deixou para sempre  neste mundo tão carente de almas puras e inocentes, exemplos e lições maravilhosos.

A Igreja considera tão eminente sua santidade que a inclui no rol das sete santas que são individualmente mencionadas no Missal Romano! Isto não é pouca coisa!

Estimados irmãos e irmãs, por tais razões é que reitero minha  homenagem e admiração por esta jovem chamada Cecília, que ficou conhecida, há quase mil e oitocentos anos, como  Santa Cecília, patrona dos músicos. Você que se chama Cecília, ou tem alguma pessoa da família ou amiga com esse nome, você que canta  ou  toca algum  instrumento, vale  a pena  conhecer um pouco  sobre vida dessa grande Santa. Eu e meu marido, particularmente, a temos como intercessora, pois integramos um Coral e nutrimos um apreço muito grande à música.

Cecília nasceu em Roma no século III.Resultado de imagem para SANTA CECILIA

O amigo ou amiga que nesse momento está lendo essas linhas,  e que toque algum instrumento,  saiba que, segundo alguns autores,  Cecília era uma exímia tocadora  de  harpa, sobretudo de uma harpa mística , cujas cordas são os seus dons e virtudes que emitem melodias celestiais que louvam a Deus e inflamam de caridade nossos corações.

Essa linda jovem converteu-se ao cristianismo, e passou a assistir as missas celebradas pelo Papa Urbano, na Via Ápia. Esse local amigos, era rodeado de pobres, a quem Cecília ajudava de forma caridosa, eficiente e bela.  Esse seu gesto de amor aos pobres, essa  sua doação aos necessitados, fez Cecília tornar-se  muito conhecida e admirada.

Era filha de um senador de Roma e sua família era nobre. Foi prometida em casamento a um jovem chamado Valeriano, com quem se casou mais tarde e que foi por ela convertido ao cristianismo juntamente com seu irmão Tibúrcio, ambos pagãos. Valeriano sabedor do voto de virgindade de Cecília, aceitou essa decisão de sua esposa.

22-de-novembro-dia-de-santa-cecilia-mensagem-jacareí9.jpg

Tão extraordinária era Cecília que quando abria a boca para falar, todos ficavam em êxtase! Eram palavras que saíam de sua boca cheias de sabedoria, bondade, resignação, paciência e amor a Deus. Nada queria desse mundo, a não ser fazer o bem às pessoas especialmente aos pobres.

Sabem meus irmãos, no mundo de hoje, em que assistimos através dos noticiários dos  meios de comunicação de modo geral, tantas barbaridades  sendo cometidas,  tantos abusos, que dão a impressão de que a humanidade está enferma,  sentimo-nos órfãos  de bons exemplos! E como é gratificante saber que existiram no mundo pessoas assim!.

Cecília cantava com sua voz de anjo para Deus:

“Senhor, guardai sem manchas o meu corpo e minha alma, para que não seja confundida”

Sua voz ressoava até o infinito celestial!

Assim, através de sua voz melodiosa e  angelical, ficou conhecida como a padroeira dos que cantam e tocam, bem como intercessora do povo de Deus, de um modo geral.

santa cecilia1.jpg

Mas, voltando ao breve relato de sua vida, naquela época, Almachio, prefeito de Roma, soube da conversão dos dois irmãos, Valeriano e Tibúrcio, realizada por Cecília. E esse homem perverso quis pegar toda a fortuna deles. Só que eles já a haviam distribuído, quase toda, aos pobres.

Que coisa bonita!  Distribuir tudo para os pobres!

É importante conhecer um pouco sobre a vida deles, principalmente as suas ações de ajuda espiritual e material aos  mais necessitados.  A Igreja é rica em  exemplos  como estes, que são como  fonte de águas cristalinas que refrigeram nossas almas.

Ela era nobre, rica, tinha tudo, no entanto nada queria, a não ser fazer o bem.  É incrível!   Fico pensando, que coisa maravilhosa, ter existido alguém com tantas virtudes e pureza de alma.

santa cecilia 06.jpg
Igreja de Santa Cecília – SP

É simplesmente celestial!

Mas retornemos ao assunto: o Prefeito mandou prendê-la em um balneário de águas quentes do seu próprio castelo, logo na entrada dos vapores. Ali seria asfixiada pelo vapores ferventes que aqueciam as águas. Ninguém conseguiria ficar ali um minuto sequer, era morte certa.  Para surpresa de todos, milagrosamente, nada lhe aconteceu.  

E ela continuou falando de Deus, de Jesus Cristo, que dava sentido à vida, realizando inúmeras conversões e milagres que Deus operava por meio dela.

Enfurecido, o Prefeito mandou que a entregassem ao carrasco para que fosse decapitada. Ocorre que o verdugo deu três machadadas no seu pescoço, mas não conseguiu cortar-lhe a cabeça.

Cecília permaneceu viva por três dias deitada no leito, enquanto rezava a Deus, e tinha palavras de consolo para quem dela se aproximava.

Antes de morrer, pediu ao Papa que distribuísse o resto de seus bens aos pobres e que no terreno da sua casa construísse uma igreja.

Resultado de imagem para MARTIRIO DE SANTA CECILI

Foi enterrada na Catacumba de São Calixto e logo passou a ser venerada como mártir.

Seu túmulo ficou séculos desaparecido.  Ela apareceu ao Papa Pascoal, entre 817 e 824, e depois desse grande acontecimento seu túmulo foi encontrado e…., maravilha: o seu corpo estava intacto, ao lado do de Valeriano (esposo) e de Tibúrcio irmão deste.

Detalhe importante: Santa Cecília foi morta porque manteve-se fiel à sua Fé no Deus Uno e Trino, testemunhada para todo sempre pela posição dos dedos de suas mãos, a saber: os da mão esquerda indicavam um ( Um só Deus) e os da mão direita três( as Três Pessoas da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo) , como se pode observar facilmente pela Imagem abaixo!

No ano de 1599, o Cardeal Sfondrati, mandou  abrir seu túmulo e seu corpo foi encontrado na mesma posição, como  o Papa Pascoal  havia encontrado.

Sua festa é comemorada no dia 22 de novembro, dia dos músicos e da música.

Salve Santa Cecília, e rogai por nós!Resultado de imagem para MARTIRIO DE SANTA CECILI

Obs:consta que Santa Cecília está entre os santos que têm mais Igrejas dedicadas à  veneração  dos fiéis.

Fontes de pesquisa:

Disponível em: http://www.cruzterrasanta.com.br

Disponível em: http://www.arautos.org.com.br

Anúncios

Dor e Glória

OLHAR DE TRISTEZA

Cruxifixo_SRM 02.jpg

 Sempre que O fitava, percebia que a expressão do seu olhar era carregada de dor e tristeza e me indagava porque todos os artistas que  esculpiram ou pintaram  sua imagem colocavam, a par da mesma expressão de sofrimento, os olhos entreabertos ou fechados, os lábios também ligeiramente abertos, e um imponderável que me deixava perplexa: era um semblante magnifico de reprovação, tristeza e dor e de uma bondade indizível. Era  Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador, pregado  na Cruz!

Sentia uma admiração, enlevo e respeito, por aquele Crucificado da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que era realmente de uma perfeição divina e na minha opinião, quem o fez foram provavelmente anjos ou então um artista muito piedoso por eles ajudados.

14.jpg

Como vivemos num século marcado por tragédias, crimes chocantes, desvarios causados pelas drogas, que vão destruindo a vida de muitos jovens, pela anarquia governamental, a desonestidade que tomou conta de nosso país e pela falta de fé e de esperança, e mais do que isto, pelo ódio ao sagrado, ao belo e ao divino, busquei respostas para esses dramas e essas posturas de alma, que vão crescendo vertiginosamente e fui encontrá-las olhando e admirando Nosso Senhor na Cruz, nela cravado pelos próprios homens a quem veio redimir do pecado.

Sim, Jesus me fez compreender que o homem ao rejeitá-lo fica privado dos auxílios da divina graça e, uma vez obscurecida a sua razão e enfraquecida sua vontade, ele dá vazão a todas as tendências e paixões desregradas instaladas em seu coração em consequência da imensa tragédia que se abateu sobre todo gênero humano, que foi o pecado original. Ou seja, se o homem rejeitou e levou à morte o Homem-Deus, ele é capaz de chegar aos maiores absurdos se se julga bastante a si próprio e autossuficiente.

Sim, prezados amigos, a raiz de todos os males e do pecado é o orgulho.

E prossegui as minhas pesquisas e estudos sobre a questão e acabei deparando-me com um artigo escrito em 1985, intitulado “Tristeza, dor e majestade” do grande pensador católico, o Professor Plinio Corrêa do Oliveira, fruto de sua contemplação de uma belíssima escultura de Jesus Crucificado, o qual está repleto de altas e eloquentes considerações que nos ajudam a compreender alguns mistérios que marcam a nossa existência.

 

william-shakespeare-dramaturgo.jpg
Shakespeare

Já dizia o escritor Shakespeare que “há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. E entre tantos e tantos mistérios, assoma o  denominado “mistério da iniquidade”.

E se é verdade que ante um mistério da Fé que não compreendemos, devemos, antes de tudo, nele crer, isto não significa dizer que não devamos, com humildade, estudá-lo, meditá-lo e nos aprofundarmos em estudos e explicações de pessoas santas e sábias, que logram tirar alguns véus que o envolvem e  assim nos aproximam do seu significado mais profundo. E é o que o Dr. Plinio consegue fazê-lo com suas reflexões sobre “Tristeza, dor e majestade”.

“Tristeza, dor e majestade expressas num Crucifixo

SDP018034SL.jpg

A manifestação de tristeza de Nosso Senhor apresentada neste belo Crucifixo é pungente: os lábios abertos, os dentes separados, o queixo ligeiramente caído, dando a impressão de tal abandono de forças que há uma carência de energias até para manter cerrados os lábios. O olhar é distante, pairando na consideração de outra coisa muito diversa e que O enche de tristeza.

O artista soube muito bem representar os cabelos de Nosso Senhor: não propriamente penteados, porque não teria propósito, depois de tudo quanto Ele sofreu, representá-los ordenadamente. Mas são apresentados lindamente desgrenhados! De maneira que eles formam cachos lindíssimos! A barba é tão pequena, que não seria possível esculpi-la revolta. Ela cai ordenadamente para emoldurar o rosto.

Analisando a coroa de espinhos, podem-se perceber os grandes espinhos que transpassaram a fronte de Nosso Senhor. Acima do olho esquerdo nota-se uma machucadura terrível. Tem-se a impressão de que um espinho ali penetrou, deixando um furo horrível!

Crucifixo SRM 01.jpg

Vê-se o sangue que corre… Mas, com quanta delicadeza ele escorre ao longo do corpo divino! De maneira a formar longos filetes, aparecendo na ponta de cada um deles um rubi!

Sempre, desde menino, o que mais me impressionou em Nosso Senhor Jesus Cristo foi a sua dor. Estivesse Ele crucificado ou não. Tanto numa atitude como nas imagens do Sagrado Coração, em que o Divino Redentor O mostra aos homens, quanto entre os doutores do Templo, o que me chamava a atenção era a dor. E dor que confere ao sofrimento aquele matiz de majestade, de sabedoria profunda, de transcendência em relação a tudo. Mas, também, de bondade que chega até o último ser, até o último pecador. Isto foi o que sempre, de modo muitíssimo especial, me atraiu nEle e me levou a adorá-Lo.

IMG_6501.jpg

Não custei a perceber que tal disposição de alma estava em diametral oposição à alegria de fandango, doida, tonta, agitada e sedenta de pecado, que dominava a minha época de menino, com a difusão da atmosfera de Hollywood, do cinema moderno… Então, era uma alegria má. E eu ficava colocado entre a tristeza e a má alegria.

Entretanto, naquela época, eu não sabia discernir bem entre a boa e a má alegria.

cruz2-229x300.jpg

Foi necessário o transcurso de anos para eu perceber o seguinte: aqueles que partilham a tristeza de Nosso Senhor são os verdadeiramente alegres desta vida! E aqueles que se apresentam alegres com Satanás são, na realidade, os tristes neste mundo. E, apesar de ser verdadeiro o fato de vivermos numa época de tanto pecado e tanta ignomínia – que arrancou lágrimas de Nossa Senhora na sua aparição em La Salette, e postulou a Mensagem de Fátima, com tudo o que ela contém – parece-me que o verdadeiro católico pode ter sua alma alegre. Mas que tal alegria nunca deve prescindir de um certo véu de tristeza. De tristeza digna, tristeza nobre, varonil, como quem acompanha Nosso Senhor até o alto da Cruz!

DSC07581.jpg

De onde a ideia seguinte: a vida, para ser conduzida de modo católico, deve trazer consigo esse traço de grandeza e de seriedade, sem o qual ela não vale nada. A vida humana é uma participação na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eu tenho que sofrer como Ele sofreu. E quanto mais eu padecer, tanto melhor será, porque terei tido maior honra em me achegar mais a Ele.

Que a Virgem Santíssima nos ajude a conservar tais reflexões bem no fundo de nossas almas, pois aproximamo-nos de tempos em que desconhecemos como será o dia de amanhã.

0A1 papa uganda.jpg

Espreitar-nos-á a dor?

Talvez! Mas devemos estar certos de um ponto: se nos espreita a dor, aguarda-nos também a glória!

 

Fonte de consulta:

Revista  Dr. Plínio

 

 

 

 

 

A família, a televisão e o perversor

108.jpg

Caríssimos irmãos e irmãs , no momento encontram-se em ebulição alguns assuntos (  exposições de “arte” , filmes blasfemos e grotescos e outras aberrações atingindo até crianças) que têm provocado os mais acirrados debates, seja nos órgãos da mídia, digamos convencional, quer nas denominadas redes sociais, que cada vez mais vão se impondo como um veículo democrático das mais diversas opiniões, dos mais diversos matizes, de boa ou má qualidade, comprometidas ou não com a verdade. Felizmente que nosso povo tem se posicionado, majoritariamente, contra tais aberrações!

Poderíamos dizer que tais assuntos estão relacionados aos seguintes temas: à família,  à cultura, à liberdade de expressão e seus limites.

theholyfamily-1.jpg

E assim julguei por bem me posicionar, e trazer à baila algum contributo que possa trazer luzes e suscitar sérias e graves reflexões para o debate.

No   tocante à família, já tratamos do tema em vários outros posts anteriores e é extreme de dúvidas que se trata de uma instituição de origem divina, conforme se lê no Livro do Gênesis e por isso mesmo é a “celula mater” da sociedade. E é nela que nascem, se desenvolvem ,  se consolidam e se destilam as virtudes que, de seu turno vão engendrar os costumes, as tradições, enfim a cultura e as civilizações.

No que concerne ao conceito de cultura,  é lugar comum dizer-se que é o conjunto das manifestações de um povo  nas mais variadas atividades do agir humano: na música, no teatro,  na gastronomia, na poesia e na literatura, nas danças, esculturas, pinturas, nas vestimentas e adornos,  enfim, nos diversos ramos do conhecimento, etc.

aniversario_do_theatro_municipal__os_pequenos_mozart_1__low__arquivo_tmrj_14072011__credito_vania_laranjeira_1436821100.jpg

No entanto, a rigor, para que essas expressões possam merecer tal nome, devem estar sempre relacionadas e sempre buscar o favorecimento dos princípios da verdade, do bem e do belo.

Muitas vezes ouvi dizer que a arte é a expressão do belo. Em outras palavras, conforme refletimos nos posts “A pulcritude do belo” e “Há esperança?”, uma sociedade deve buscar sempre o aprimoramento do espírito, a Virtude, ou seja, a Honestidade.

polojoalheiro.jpg

Tratando do tema, o Professor Plinio Correa de Oliveira, em conferência  publicada pela revista Catolicismo nº 51, de Março 1955, teceu o seguinte comentário: “Entretanto, podemos considerar seriamente o assunto, tomando a palavra “cultura” nos mil significados de que ela se reveste na linguagem de tantos povos, classes sociais e escolas de pensamento, e começando por mostrar que em todas estas acepções a “cultura” contém sempre um elemento basilar invariável, isto é, o aprimoramento do espírito humano.

images (1).jpg
Dr. Plinio

No âmago da noção de aprimoramento, está a ideia de que todo homem tem em seu espírito qualidades susceptíveis de desenvolvimento, e defeitos passíveis de repressão. O aprimoramento tem pois dois aspectos: um, positivo, e que significa crescimento do que é bom, e outro negativo, ou seja, a poda do que é mau”.

O que vale dizer, que cultura não é tudo aquilo que o homem produz ou realiza, porquanto para sua caracterização é necessário que contenha sempre o aspecto positivo que implica o aperfeiçoamento do que é bom e a poda do que é mau e nocivo. E logo se vê que as

manifestações a que algumas pessoas chamaram de expressão cultural, não passam de manifestações de ódio metafísico a Deus e ao que é sagrado e explosões de anticultura.

Portanto a liberdade de expressão será legítima e sadia se for exercida com responsabilidade e comprometida com a verdade, respeitando os direitos alheios e imbuída do escopo de fazer o bem e favorecer a prática das virtudes.

137222.jpg

E, por conseguinte, não poderá ser aceita nem digna de tal nome, se atentar de forma ignóbil e preconceituosa contra os princípios elementares do respeito à vida, à dignidade e honra de crianças, e às crenças e símbolos que, além de representativos de pessoas sagradas e verdadeiras, como o são Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora, são venerados e amados pela imensa maioria de nossa população!

Destarte, não e não, a essas explosões de ódio e blasfêmias ao Sagrado; ao atentado ao pudor, à inocência e à dignidade de crianças e aliás, também da maioria de nossa população; ao feio e grotesco, que jamais serão justificados por uma minoria insignificante de pessoas e por alguns órgãos de nossa imprensa, sob o infundado e sofístico pretexto de liberdade de expressão.

joelhos.JPG

Feitas tais colocações preliminares, deixo-lhes um artigo do já falecido D. Lucas Moreira Neves, que foi Cardeal Arcebispo de Salvador (de 1987 a 1998), o qual foi publicado na edição do Jornal do Brasil, de 13 de janeiro de 1993.

São palavras duras de um dos mais influentes e respeitados Cardeais da Igreja Católica que chegou a ocupar  no Vaticano o  importantíssimo cargo de Prefeito  da Congregação  para os Bispos, mas utilíssimas para um…. quem sabe, exame de consciência nacional e mudança de atitudes e de rumo, enquanto é tempo, pois com Deus não se brinca!

mi_11182716551346.jpg

“J’accuse! – A escola de criminalidade e violência que se tornou a televisão brasileira.

domlucasmoreiraneves.jpg
Dom Lucas Moreira Neves

Do polêmico manifesto de Emile Zola estou plagiando somente o título – e, se puder, a veemência. Fora isso, não pretendo revisitar nesta crônica o clamoroso affaire Dreyfus. O meu j’accuse é assestado contra a televisão brasileira. E o lanço como brasileiro preocupado com meu País e como bispo responsável por grande número de fiéis.

Não quero, de modo algum, generalizar. Estou pronto a excetuar da minha acusação o canal dedicado à educação e cultura e os programas que, nos diferentes canais, contribuem para o crescimento e a elevação cultural e humana da população.

Feito isso, e tomando por testemunhas a sociedade brasileira em geral, os pais de família e os educadores em particular, os pastores de Igrejas e líderes religiosos, eu acuso a televisão brasileira pelos seus muitos delitos.

Acuso-a de descumprir sistematicamente as funções em vista das quais obteve do governo uma concessão: informar, educar, cultivar, formar consciência e divertir. Em vez disso, ávida somente de pontos no Ibope e de faturamento, ela não hesita em apelar aos instintos mais baixos do homem. Seu pecado mais grave é o que concerne à educação por ser esta a necessidade e as exigências fundamentais no nosso País. Com raras e louváveis exceções, a tevê brasileira não só  (não) educa, mas, com requinte de perversidade, deseduca. Abusando dos seus recursos técnicos, do seu poder de persuasão e de penetração nos lares do País inteiro, ela destrói o que outras instâncias pedagógicas e educativas, a duras penas, procuram construir.

Acuso a televisão brasileira de ministrar copiosamente à sua clientela os dois ingredientes que, por um curioso fenômeno, andam sempre juntos: a violência e a pornografia. A primeira é servida em filmes para todas as idades. A segunda impera, solta, em qualquer gênero televisivo: telenovelas, entrevistas, programas ditos humorísticos, spots publicitários e clips de propaganda. Há cerca de três anos, em artigo no JB, o editor e jornalista Sérgio Lacerda denunciava que, com sua enxurrada de pornografia, a TV brasileira está formando uma geração de voyeurs.

Acuso a televisão do nosso País de estar utilizando aparelhagens e equipamentos sofisticados com o objetivo de imbecilizar faixas inteiras da população. Uma geração de debilóides. O processo se torna consternador e inquietante quando, a pretexto de humor, um instrumento de educação, como a escola, se transforma em “escolinha”, onde o mau gosto, a idiotice, o achincalhe são dados em pasto a crianças, adolescentes e jovens em formação. Em matéria de humor televisivo, aliás, poucos o analisaram tão profundamente como Moacyr Werneck de Castro, ao apontá-lo como verdadeira regressão à infância, por meio de um ‘repertório de boçalidades’ (Humor na Televisão, JB 06/07/91).

Acuso a TV brasileira de ser demolidora dos mais autênticos e inalienáveis valores morais, sejam eles pessoais ou sociais, familiares, éticos, religiosos e espirituais. Demolidora porque não somente zomba deles, mas os dissolve na consciência do telespectador e propõe, em seu lugar, os piores contravalores. Neste sentido, é assustadora a empresa de demolição da família e dos mais altos valores familiares – amor, fidelidade, respeito mútuo, renúncia, dom de si – realizada quotidianamente, sobretudo pelas telenovelas. Em lugar disso, o deboche e a dissolução, o adultério, o incesto.

Acuso a TV brasileira de ser corruptora de menores, em virtude de programas da mais baixa categoria moral, pelas cenas e pelo palavreado, em horários em que crianças estão diante da caixa mágica.

Acuso-a de atentar contra o que há de mais sagrado, como seja, a vida. Não há muitos dias, em programa reprisado, milhares de espectadores viram e ouviram, no diálogo entre um talkman e uma jovem de vinte anos a mais explícita apologia do aborto e o não velado incitamento à supressão de vidas humanas no seu nascedouro.

aborto-no-brasil05.jpg

Acuso-a de disseminar, em programas vários, idéias, crenças, práticas e ritos ligados a cultos os mais estranhos. Ela se torna, deste modo, veículo para a difusão de magia, inclusive magia negra, satanismo, rituais nocivos ao equilíbrio psíquico.

Acuso a TV brasileira de destilar em sua programação e instilar nos telespectadores, inclusive jovens e adolescentes, uma concepção totalmente aética da vida: triunfo da esperteza, do furto, do ganho fácil, do estelionato. Neste sentido, merecem uma análise à parte as telenovelas brasileiras sob o ponto de vista psicossocial, moral, religioso.

Quando foi que, pela última vez, uma novela brasileira abordou temas como os meninos de rua, os sem-teto e sem-trabalho, os marginalizados em geral? Qual foi a novela que propôs ideais nobres de serviço ao próximo e de construção de uma comunidade melhor?404674_10150647049415850_506470849_11208315_863731189_n.jpg

Em lugar disso, as telenovelas oferecem à população empobrecida, como modelo e ideal, as aventuras de uma burguesia em decomposição, mas de algum modo atraente.

 

Acuso, enfim, a televisão brasileira de instigar à violência: ‘A televisão brasileira terá de procurar dentro de si as causas da violência que ela desencadeou e de que foi vítima’ (Editorial Estrelas candentes, JB, 06/01/93). ’Já se chamou a atenção para o fato de que o crescimento de rede monopolística da televisão coincida com o crescimento da violência no país e jamais se chegará no âmago da questão enquanto a própria televisão se recusar a assumir sua responsabilidade’ (Editorial Limites da dor, JB, 08/01/93). Ela não pode procurar álibis quando essa violência produz frutos amargos. Quem matou, há dias, uma jovem atriz? Seria ingenuidade não indiciar e não mandar ao banco dos réus uma co-autora do assassinato: a TV brasileira. A novela das oito. E – sinto ter que dizê-lo – a própria novela De corpo e alma”.

Cardeal, e ex-Primaz do Brasil Dom Lucas Moreira Neves (+ in memoriam)

Artigo publicado em 13 de janeiro de 1993 no Jornal do Brasil

No Evangelho de São Mateus, há uma passagem na qual fica patenteada a gravidade do escândalo praticado contra crianças e o castigo que Jesus promete a quem lhe der causa.

São Mateus 18:1-7:

“1. Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Quem é o maior no Reino dos céus?

  1. Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse:
  2. Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus;

image84.png

  1. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus.
  2. E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe.
  3. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.
  4. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!”

E para completar esta reflexão em torno de situação tão grave que atinge o Brasil e muitos outros países, atualmente, transcrevo abaixo palavras do Papa Paulo VI, que deixam clara a existência do demônio e de sua atuação perversora sobre o mundo, as quais lançam ainda mais luzes  sobre a questão do mal e sobre o mistério da iniquidade.

Mas quero encerrar o presente post registrando a minha confiança em que Deus fará cessar esse estado de coisas no qual se debate o mundo, pois foi o próprio Jesus que nos prometeu: “ Confiança! Confiança! Eu venci o mundo!”

E também porque Nossa Senhora nos assegurou em Fátima: “ Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

1214918570511.jpg
Paulo VI

“Quais são, atualmente, as maiores dificuldades da Igreja? Não vos cause espanto nossa resposta, como simplista ou mesmo como supersticiosa e irreal: uma das maiores necessidades é a defesa contra aquele mal que denominamos demônio. […]

quaresmajpg.jpg

Realidade terrível, misteriosa e assustadora

O mal não é apenas uma deficiência, mas sim uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Terrível realidade. Misteriosa e assustadora.

Sai do âmbito do ensinamento bíblico e eclesiástico quem se nega a reconhecer a existência desta realidade, interpretando-a como um princípio que existe por si, sem ter, como toda criatura, sua origem em Deus; ou então a explica como uma pseudorrealidade, uma personificação conceptual e fantástica das causas desconhecidas de nossas desgraças.

O problema do mal – analisado em sua complexidade e em sua absurdidade em relação à nossa racionalidade unilateral – torna-se assim obsessivo, constituindo a mais forte das dificuldades para compreendermos o cosmos sob o ponto de vista religioso. Não sem razão sofreu Santo Agostinho durante anos: “Quærebam unde malum, et non erat exitus – Eu procurava de onde vinha o mal, e não encontrava explicação” (Confissões, VII, 5; 7; 11).

Eis, portanto, a importância que adquire advertirmos o mal para uma correta concepção cristã do mundo, da vida e da salvação.

Ameaça assinalada em muitíssimas passagens do Novo Testamento

Primeiro, no desenvolvimento da história evangélica, quem não se recorda da página densíssima de significados da tríplice tentação de Cristo, no início de sua vida pública? Ou dos muitos episódios evangélicos nos quais o demônio se encontra com o Senhor e aparece nos seus ensinamentos? E como não haveríamos de recordar que ­Jesus Cristo, referindo-se três vezes ao demônio como seu adversário, o qualifica como “príncipe deste mundo” (Jo 12, 31; 14, 30; 16, 11)?

Diversas passagens do Evangelho nos indicam que não se trata de um só demônio, mas de muitos; um, porém, é o principal: satanás, que significa o adversário, o inimigo; e muitos outros com ele, todos criaturas de Deus, mas decaídas e condenadas, por terem sido rebeldes; todo um mundo misterioso, convulsionado por um drama infelicíssimo, do qual conhecemos muito pouco.

Fissuras através das quais pode facilmente penetrar

O demônio está na origem da primeira desgraça da humanidade; foi ele o tentador falacioso e fatal do primeiro pecado, o pecado original. Por essa queda de Adão, o demônio adquiriu certo domínio sobre o homem, do qual só a Redenção de Cristo nos pôde libertar.

É uma história que ainda se desdobra: recordemos os exorcismos do Batismo e as frequentes referências da Sagrada Escritura e da Liturgia ao agressivo e opressor “poder das trevas”. É o inimigo número um, é o tentador por excelência. Sabemos, assim, que esse ser tenebroso e perturbador existe realmente e continua agindo com aleivosa astúcia; é o inimigo oculto que semeia erros e desventuras na história humana. […]

Numerosos são os que hoje preferem exibir-se como fortes e livres de preconceitos, assumir ares positivistas, e depois dão fé a tantas gratuitas superstições de magias ou populares; pior ainda, abrir a própria alma – a própria alma batizada, visitada muitas vezes pela presença eucarística e habitada pelo Espírito Santo! – às licenciosas experiências dos sentidos, às deletérias experiências dos estupefacientes, como também às seduções ideológicas dos erros da moda, fissuras estas através das quais pode o maligno facilmente penetrar e alterar a mentalidade humana.

Não quero dizer que todo pecado seja devido diretamente à ação diabólica; mas é verdade que quem não se vigia com certo rigor moral expõe-se à influência do mysterium iniquitatis, ao qual se refere São Paulo, e que torna problemática a alternativa de nossa salvação.

“O mundo todo jaz sob o maligno”

Nossa doutrina se torna incerta, por estar obscurecida pelas mesmas trevas que circundam o demônio. Mas nossa curiosidade, excitada pela certeza da sua multíplice existência, torna-se legítima com duas perguntas. Existem sinais, e quais, da presença da ação diabólica? E quais são os meios de defesa contra tão insidioso perigo?

A resposta à primeira pergunta requer muita cautela, embora os sinais do maligno pareçam por vezes tornar-se evidentes. Podemos supor sua sinistra ação onde a negação de Deus se mostra radical, sutil e absurda, onde a mentira se afirma hipócrita e poderosa contra a verdade evidente, onde o amor é extinto por um egoísmo frio e cruel, onde o nome de Cristo é impugnado com ódio consciente e rebelde, onde o espírito do Evangelho é mistificado e negado, onde o desespero se afirma como a última palavra, etc.

Mas é um diagnóstico por demais amplo e difícil, que não pretendemos aprofundar e autenticar agora, não carente, entretanto, de dramático interesse para todos; a ele também a literatura moderna dedicou páginas famosas.

O problema do mal continua sendo uma das maiores e permanentes questões para o espírito humano, inclusive após a vitoriosa resposta dada pelo próprio Jesus Cristo. “Sabemos – escreve o Evangelista São João – que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o maligno” (I Jo 5, 19).

A defesa decisiva é a graça

À outra pergunta – qual defesa, qual remédio opor à ação do demônio? – a resposta é mais fácil de formular, embora continue difícil de concretizar. Podemos dizer que tudo quanto nos resguarda do pecado, nos defende ipso facto do inimigo invisível. A defesa decisiva é a graça. A inocência adquire um aspecto de fortaleza.

Além disso, cada um se recorda de quanto a pedagogia apostólica simbolizou na armadura de um soldado as virtudes que podem tornar invulnerável o cristão. O cristianismo deve ser militante; deve ser vigilante e forte; e deve por vezes recorrer a algum exercício ascético especial para afastar certas incursões diabólicas. Isto nos ensina Jesus, indicando o remédio “na oração e no jejum” (Mc 9, 29). E o Apóstolo sugere a linha mestra a seguir: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem” (Rm 12, 21; cf. Mt 13, 29).

Conscientes, pois, das adversidades nas quais se encontram hoje as almas, a Igreja e o mundo, procuraremos dar sentido e eficácia à habitual invocação de nossa principal oração: “Pai nosso… livrai-nos do mal!”. ²

jesus-family.jpg
A  Família é Divina

Beato Paulo VI. Excertos da Audiência geral de 15/11/1972 – Tradução: Arautos do Evangelho

Leia mais em: https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/18/;

Revista Catolicismo nº 51, de Março 1955;

São Pio X: você o conhece?

Caríssimos irmãos e irmãs, gostaria de compartilhar  um assunto muito importante  e  muito propício para o momento e que tem tudo a ver com o tema do último post e de outros anteriores. E deparei-me com ele pesquisando sobre o papel que tiveram alguns homens e mulheres muito especiais na  História da humanidade. Homens e mulheres autênticos e por isto mesmo marcantes e cujos semblantes retratavam de forma luminosa e inequívoca suas personalidades, mas que não são muito conhecidos.

E foi assim que ” descobri” um personagem que atraiu fortemente a minha atenção: trata-se do Papa São Pio X, que conduziu a Barca de Pedro de 4 de agosto 1903 a 20 de agosto de 1914. Nascido a 2 de junho de 1835, em Riese, na Itália, era o segundo de 10 filhos de uma família  de camponeses, e que desde cedo manifestou uma forte vocação para o sacerdócio, que conseguiu corresponder à custa de muitos sacrifícios de seus pais que eram muito pobres. Foi ordenado sacerdote em 1858, nomeado Bispo de Mântua em 10 de novembro de 1884 e Patriarca de Veneza, em 1896. Foi eleito Papa com 55 dos 60 votos possíveis naquele conclave. Relutou muito em aceitar a sua escolha como Papa, devido à sua grande humildade.

Contam os historiadores, que tomou dinheiro emprestado para comprar sua passagem de volta a Veneza, quando viajou para o conclave em Roma, pois jamais esperava que viesse a ser eleito Papa! E contam ainda os estudiosos que os demais Cardeais só compraram a passagem de ida…

Escolheu  como lema do seu Pontificado “Renovar todas as coisas em Cristo”. E realmente tudo fez neste sentido, valendo ressaltar que foi ele que instituiu a Comunhão frequente e precoce, para crianças com uso da razão, por isso é chamado o Papa da Eucaristia;  ministrava aulas de catecismo para as crianças de Roma e procurava visitar todos os habitantes da cidade, em meio a importantes aperfeiçoamentos na Liturgia e no campo do Direito Canônico.

Foi o primeiro Papa a ser canonizado após a a canonização de São Pio V, que ocorreu em 22 de maio de 1712.

Teria muito , mas muito mesmo, para falar sobre este grande Pontífice, mas fica para uma outra ocasião.

Hoje, quero deixar-lhes algumas santas palavras  e sábios conselhos e orientações deste Varão da Igreja , um  Papa santo,  fiel conselheiro, que seguia à risca as palavras do Divino Mestre: ” SIM, SE É SIM; NÃO, SE É NÃO. TUDO  O QUE PASSA ALÉM DISTO VEM DO MALIGNO’ (MATEUS 5, 34-37)

Acompanhem-nos , pois, caríssimos irmãos, na leitura e meditação destes ensinamentos de São Pio X, contidos em alguns excertos da sua Carta Encíclica “Acerbo nimis”, de 15/04/1905, muito apropriados para os dias atuais .

“Os insondáveis desígnios de Deus elevaram nossa pequenez ao cargo de Supremo Pastor de toda a grei de Cristo em dias bem críticos e amargos, nos quais o antigo inimigo ronda em torno deste rebanho, armando-lhe ciladas como com tão pérfidas astúcias que, hoje mais que nunca, parece ter-se cumprido aquela profecia do Apóstolo aos anciãos da Igreja de Éfeso:

Bosco-Portrait.jpg
São João Bosco

‘ Sei que (…) se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho” (At 20,29).

Não há quem, animado pelo zelo da glória divina deixe de investigar as causas e razões deste mal  que ataca a religião; e como cada qual encontra causas e razões diferentes,, propõe meios também diferentes  conforme sua opinião pessoal, para defender ou restaurar o Reino de Deus na Terra. Sem proscrever, Veneráveis irmãos, os pareceres dos demais, nós nos alinhamos com aqueles que atribuem sobretudo à ignorância das coisas divinas a atual depressão e debilidade das almas, das quais resultam os maiores males.

file_94127_jose_anchieta-botton.jpg
Padre José de Anchieta ensinando

NÃO HÁ CONHECIMENTO DE DEUS NA TERRA

Esta opinião concorda inteiramente com o que o próprio Deus declarou  por meio do profeta Oseias:

2696024484_2a0955f4f9.jpg

“Não há conhecimento de Deus na Terra. A maldição a mentira, o homicídio, o roubo e o adultério inundaram tudo; o sangue se acrescenta ao sangue; por isso a terra se cobrirá de luto e desfalecerão todos os seus habitantes”(4,1-3)

” Quão lamentáveis e fundadas são hoje, infelizmente, as lamentações a propósito da existência, de um grande número de pessoas, no povo cristão, que vivem na  inteira ignorância das coisas que devem ser conhecidas para se conseguir a eterna salvação!

papa_sao_pio_X_celebra_santa_missa.jpg

Ao dizer “povo cristão”, não nos referimos só aos homens da classe popular, ou seja, àqueles aos quais serve de desculpa o fato de, por estarem sujeitos a patrões exigentes, mal conseguirem ocupar-se de si mesmos e de seu repouso. Falamos também, e principalmente, daqueles aos quais não falta entendimento nem cultura, ao contrário, possuem grande erudição profana, mas, no relativo à Religião, vivem de modo temerário e imprudente. Difícil será ponderar quão espessas são as trevas que os envolvem e –  pior ainda – a tranquilidade com que nelas permanecem!

Em nada se preocupam por Deus, soberano autor e moderador de todas as coisas, nem pela sabedoria da Fé cristã. E assim, nada sabem da Encarnação do Verbo de Deus nem da Redenção por Ele levada a cabo; nada também da graça, principal meio de obter a eterna salvação; nada do Augusto Sacrifício nem dos Sacramentos, pelos quais conseguimos e conservamos a graça. (…)

Isto posto, Veneráveis Irmãos, perguntamos:

– Que há de surpreendente no fato de serem tão grandes e aumentarem  a cada dia a corrupção dos costumes e sua depravação, não só em nações bárbaras, mas até em povos que ostentam o nome de cristãos? (…)

NECESSIDADE DA FORMAÇÃO RELIGIOSA

Benedito_Calixto_-_Estácio_de_Sá_em_São_Vicente,_1565_(detalhe_1).jpg

Longe estamos de afirmar que a malícia da alma e a corrupção dos costumes não podem coexistir com o conhecimento da Religião. Prouvera a Deus que a experiência não demonstrasse isto com tanta frequência! Entendemos, porém, que, quando as espessas trevas da ignorância envolvem o espírito, nem pode ser reta a vontade  nem são os costumes. Quem caminha com os olhos abertos pode sem dúvida desviar-se da senda direita e segura mas o cego, este está em sério risco de perder-se.

Além disso, enquanto não se apagou inteiramente a chama da Fé, resta ainda a esperança de uma emenda na corrupção dos costumes; quando, porém, à depravação se junta  o desconhecimento da Fé, não há mais remédio, está aberto o caminho da ruína”.

Permitam-me interromper a transcrição das palavras do Papa, mas esta explicitação que ele faz neste último parágrafo é muito profunda e lança luzes para entendermos a crise que  se agrava a cada momento no mundo inteiro, pois a humanidade padece de uma depravação dos costumes sem nenhum precedente na sua História aliada a uma ignorância e por vezes a uma ausência inacreditável em relação aos conhecimentos mais elementares da Fé.

Lembro-me agora de uma reunião que assisti há muito tempo, na qual o palestrante afirmou que uma das maiores tragédias que aconteceu no Brasil foi a injusta e absurda expulsão dos Jesuítas, em 1759, a mando de D. José I, sob a influência do ímpio Marquês de Pombal. Sim, porque o povo brasileiro vinha sendo alvo de uma ação civilizadora, educativa e formativa por parte dos valorosos filhos de Santo Inácio e, de repente, deu-se esse corte que perdurou por muitos anos e cujos efeitos negativos refletem hoje nos campos da educação, da cultura e no da formação religiosa , moral e cívica de nosso povo.

Mas voltemos à leitura das palavras de São Pio X:

“Uma vez que da ignorância da Religião procedem tantos e tão graves prejuízos, e,  por outro lado, são grandes a necessidade e a utilidade da formação  religiosa – pois ninguém pode cumprir as obrigações do cristão se não as conhece -,  convém averiguar agora a quem compete a tarefa de preservar as almas dessa fatal ignorância  e proporcionar-lhes tão indispensável ciência.

sao_pio_x.jpg

O MAIS GRAVE  DEVER DE QUALQUER SACERDOTE

Tal averiguação Veneráveis Irmãos, não oferece dificuldade alguma, pois esse gravíssimo dever incumbe aos pastores de almas, os quais, em virtude do mandato do próprio Cristo, têm a efetiva obrigação de conhecer e apascentar as ovelhas a eles confiadas. Ora, apascentar é, antes de tudo ensinar: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu Coração, que vos apascentarão com ciência e com a doutrina” (Jr 3, 15).

Assim falava Jeremias, inspirado por Deus. E por isso dizia o Apóstolo São Paulo: “ Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho” (I Cor 1,  17). Adverte,  desta forma, que o principal ministério de todos quantos exercem de algum modo o governo da Igreja consiste em instruir os fiéis nas coisas sagradas.

Parece-nos inútil acrescentar novas provas da excelência desse ministério e de sua importância aos olhos de Deus. Por certo, grandes louvores recebe do Senhor a piedade  que nos move a aliviar as humanas misérias; mas quem pode negar que maior louvor merecem o zelo e os esforços empregados em procurar para os homens os bens celestiais, e não as transitórias vantagens materiais?

21_04_2015__10_58_5478105b7778985d8603e122255b12bc826c974_640x480.jpg
São Pio de Pietrelcina

Nada pode ser mais desejável nem mais agradável a Jesus Cristo, o Salvador das almas, que disse de Si mesmo, pelos lábios de Isaías:

sermao-da-montanha.jpg

“Enviou-Me para anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Is 61, 1; Lc 4, 18).

Mas uma vez peço licença para sublinhar um outro ponto, muito importante da Encíclica em apreço, qual seja a importância da pregação da Palavra de Deus, que emerge das palavras de São Paulo e da primazia do espiritual sobre o material, aspecto que por ser tão óbvio, pareceria desnecessário frisar, mas que na prática é esquecido ou deixado de lado, por vivermos  num mundo marcado pelo pragmatismo, pelo ateísmo prático, quando não por uma noção deturpada e sentimental do que seja a Caridade.

Retomemos o fio da meada:

“Importa muito, Veneráveis Irmãos, acentuar bem aqui, e insistir neste ponto:

Para qualquer sacerdote, é este o dever mais grave, mais restrito, a cumprir. Pois quem negará que no sacerdote a santidade de vida deve progredir unida à ciência?

“Nos lábios do sacerdote deve estar o depósito da ciência” ( Mt 2, 7), (…)

Se é coisa vã  procurar colher onde não se semeou, como se pode esperar boas obras  de gerações que não foram oportunamente instruídas na doutrina cristã?

Daí concluímos que se em nossos dias a Fé enlanguesce até parecer quase morta em uma grande maioria, é porque foi cumprida com negligência, ou de todo omitida, a obrigação de ensinar as verdades contidas no catecismo.” ( Revista Arautos do Evangelho, maio de 2016)

jcm650-3.jpg

Caríssimos irmãos, as palavras  do grande São Pio X  nos deixam matéria para várias  reflexões que podem nos ajudar a compreender melhor a realidade que vivemos e, sobretudo, para corrigirmos nossas faltas e amoldarmos nossa mentalidade e nossas práticas aos ensinamentos de Nosso Senhor e ao magistério da Igreja e, por via de consequência, a cooperarmos , efetivamente, para a educação e formação de nossos filhos e de quem esteja, de algum modo, no âmbito de nossas relações sociais, sendo homens e mulheres de Fé , sequiosos da Palavra de Deus e de levá-la ao nosso próximo!

São Pio X, rogai por nós!

E concluímos, prestando nossa homenagem a Nossa Senhora da Conceição Aparecida,  Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil,  no Tricentenário de sua Aparição, rogando-lhe a sua ajuda e proteção especiais, para todo povo brasileiro!

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

estampa-n-senhora-de-aparecida-estampa.jpg

 

 

Há esperança?

Diante de tantas notícias  que nos causam perplexidades, tristezas e apreensões,  provenientes de todas as partes do mundo,  inclusive de todas regiões do  nosso querido Brasil, tão cantado em versos e prosas, terra com  riquezas naturais e panoramas extraordinários, com seus seis estuantes biomas,  cada um com suas   peculiaridades próprias, vamos vivendo  sobressaltados pelos escândalos e desatinos de nossos homens e mulheres públicos, das mais diversas instituições , e de todos os escalões, deixando-nos sem referenciais   e sem sabermos mais em quem acreditar e confiar, salvo honrosas exceções.

E tudo isso nos faz relembrar as palavras inesquecíveis de Rui Barbosa no seu discurso  ao Senado no ano de 1914 , do qual  repasso para os caríssimos leitores, alguns trechos,  por conterem palavras tão sábias e atuais, e num certo sentido proféticas, que  vale a pena lermos e meditarmos.

DISCURSO DE RUI BARBOSA NO SENADO, EM 1914

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

rui_barbosa_de_tanto_ver_triunfar_as_nulidades_de_tanto_lk7jj8m.jpg

Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime, o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade gerais”.

Pedro_II_of_Brazil_1850-thumb-800x1065-166306.jpg
D. Pedro II, no auge de sua vida pública

É bom que se esclareça que Rui Barbosa quando fala em “uma sentinela vigilante”, ele se refere a Dom Pedro II, que foi Imperador do Brasil, durante 49 anos e que sem dúvida foi o melhor período da nossa história, sob todos os pontos de vista, assunto que em breve trataremos neste blog, demonstrando como falaciosa e injusta é a afirmação de que o Brasil sempre foi um país corrupto, atrasado e falto de bons políticos e respeitados estadistas.

E assim conclui o famoso estadista baiano:

“E nessa destruição geral de nossas instituições, a maior de todas as ruínas, Senhores, é a ruína da justiça, colaborada pela ação dos homens públicos, pelo interesse dos nossos partidos, pela influência constante dos nossos Governos. E nesse esboroamento da justiça, a mais grave de todas as ruínas é a falta de penalidade aos criminosos confessos, é a falta de punição quando se aponta um crime que envolve um nome poderoso, apontado, indicado, que todos conhecem …”

(Rui Barbosa – Discursos Parlamentares – Obras Completas – Vol. XLI – 1914 – TOMO III – pág. 86/87)

E de 1914 para os tempos atuais, a situação só fez piorar, e eu não sei com  que palavras Rui Barbosa a descreveria se vivo estivesse.

Não obstante imersos numa crise  e provação sem precedentes, mas pressentindo e confiando contra toda esperança humana, no fundo de nosso coração, em que Deus nos fará  reencontrar o rumo certo, o fio da meada, perdido em determinado momento de nossa História, prosseguimos nossa jornada.

Sim, pois nascemos como País, sob o sinal da Santa Cruz, aliás  já bordada nas velas das ousadas caravelas de Cabral  e que também foi plantada em nosso solo, no primeiro ato público aqui celebrado – a Missa oficiada por Frei Henrique Soares de Coimbra – a qual foi assistida por portugueses, e índios, que sem dificuldade aceitaram a Fé católica que lhes foi ofertada pelos insignes missionários que vieram com o bravo navegador lusitano e logo após pelos santos e abnegados Nóbrega e Anchieta e seus companheiros jesuítas, que realizaram uma obra de evangelização e de civilização inigualável e idelével!

caravelas.jpg   primeira-missa.jpg

Pois não adiantaria nada possuirmos  grandes riquezas e sermos uma grande potência em termos políticos e econômicos perante o concerto das Nações, se não tivéssemos a Fé N’Aquele que é o nosso Caminho, Verdade e Vida, Nosso Senhor Jesus Cristo, Luz do Mundo!

Sim, de que vale ao homem conquistar o mundo inteiro se vier a  perder sua alma, e assim ficar privado do  bom Deus, por toda eternidade?

Sim, nós bem sabemos e temos consciência de que por mais que vivamos neste mundo e que por mais bens e recursos tenhamos, isto não durará para sempre. E assim, tudo o que  construímos, as riquezas que acumulamos, todo o cuidado que temos com nossa saúde – e o devemos ter -, nada impedirá que um dia deixemos este mundo, e nos apresentemos diante de Deus. E  neste sentido, nós somos apenas os administradores temporários destes bens, pois, em última análise, nada é nosso, tudo pertence a Deus. Ele nos dá e tira quando quer, mas  o dia nós não o sabemos. “ Lembra-te de que tu és pó e ao pó tu voltarás”, assim diz o sacerdote quando impõe as cinzas em nossa fronte, na Missa de Quarta-feira de Cinzas.

Completando  este raciocínio, devemos viver pensando um pouco nessa realidade, e acredito que você que agora está lendo este post , vai perceber que não estou dizendo uma coisa sem sentido, mas sim uma realidade vivida por todo  homem e toda mulher  neste vale de lágrimas, que é a Terra, sobretudo neste crucial momento histórico, em que a humanidade inteira está decidindo por Cristo ou contra Cristo.

Por outro lado,  quando leio notícias sobre a tensão entre a Coreia do Norte, de um lado, e de outro, os Estados Unidos e a Coreia do Sul, fico temendo a eclosão de uma guerra nuclear que pode assumir proporções apocalípticas!

E fiquei a pensar como surgiram as bombas atômicas e fui pesquisar.

Ernest Rutherford, físico inglês que viveu entre os anos de 1871 e 1937, fez inúmeras pesquisas investigativas sobre a estrutura do átomo.

Com essas descobertas os cientistas perceberam que era possível criar uma reação em cadeia com capacidade para gerar grandes quantidades de energia e que, se ela ocorresse de forma descontrolada, em uma fração de segundos a liberação de energia seria gigantesca, provocando dessa forma uma explosão de  alto poder destrutivo.

E assim foi inventada uma arma terrível: as bombas atômicas, cujo poder destrutivo é altíssimo.

bomba_atomica.jpg

Daí em diante, as grandes potências foram desenvolvendo e  armazenando armas nucleares, para a eventualidade de uma guerra, no que foram imitadas por países menos poderosos.

Os efeitos  de uma dessas bombas são verdadeiramente catastróficos! Que o digam Nagasaki e Hiroshima, duas cidades japonesas arrasadas com as bombas sobre elas lançadas pelos americanos, na Segunda Guerra Mundial. Morreram cerca de 200 mil pessoas e um número incalculável ficaram  feridas e ou com sequelas, sem se falar nos enormes estragos materiais e ambientais. Graças ao bom Deus e à  pertinácia do povo japonês elas foram reconstruídas em tempo recorde e são hoje duas modernas e prósperas cidades!

tmp636417826852175872.jpg      CL49YCDWwAA7cKT.png

Por outro lado, parece que a própria natureza está revoltada com os pecados dos homens,  que  são a causa mais profunda de todos os castigos que Deus manda ou permite desabem sobre o mundo. Há uma passagem no Livro do Gênesis que diz:”  Colocarei o meu arco nas nuvens.”  Santo Ambrósio observa  que a Escritura não diz a flecha, mas o arco para nos fazer compreender que é o  pecador que, pelas suas iniquidades, coloca a flecha sobre o arco e excita Deus a castigá-la. Como queremos , pois, ver-nos livres dos flagelos, se não deixarmos de irritar o céu e ofender ao Criador?

estrada-japao-950.jpg

E  as barbaridades morais e ambientais praticadas pelo homem  vão provocando fenômenos dos mais variados  em todas as regiões de nosso Planeta, a saber: incêndios na Noruega e em Portugal; inundações na China;  sucessivos e inesperados furacões, que atingem grau máximo, na região do Caribe, América Central e costa sudeste dos Estados Unidos; fortíssimos e devastadores terremotos no México; iceberg gigante, de um trilhão de toneladas !!!, que se desprende da plataforma de gelo no Pólo Antártico,cujo itinerário e consequências são imprevisíveis; calor nunca sentido na Europa, com sensação térmica de 53 graus, apelidado pelos europeus com um nome terrível – Lúcifer, entre muitos outros fatos e fenômenos que nos deixam assustados e apreensivos. E aqui em nosso Brasil, além das alterações climáticas nunca vistas, calor no Sudeste e frio no Nordeste, até terremoto tivemos, no Paraná!

82276799511151457.jpg  furacoesestadosunidos-1200x600.jpg

_93279983_larsenc_photo_2016315_lrg.jpg

Tem um ditado francês que diz:  ” Chassez le naturel,  il revient  au galop”  que pode ser  traduzida para o português, como:” contrarie  a natureza e rapidamente ela dá o troco”.

Quanto à segurança,  violência e  criminalidade, aqui tomadas no seu sentido mais amplo e profundo, crescem, se não em todos, mas seguramente, na maior parte dos países. Na Europa, sob a forma dos contínuos atentados, que mantêm a população em estado de tensão e pavor constante e crescente; na América do Sul, de modo especial no nosso Brasil, e em, países de outros continentes, a exemplo do México, através do “mata-mata” (homicídios de todos os gêneros) irracional e brutal, e por aí vai.

E isto sem se falar na impiedade, associada a uma imoralidade avassaladora e que tem a insolência de exigir foro de cidadania, e que investe contra quem ousa professar a sua Fé e os princípios do amor a Deus, do respeito aos seus mandamentos, ao direito natural , em contraposição a toda forma de pecado, aberrações , perversões , idolatrias, heresias e manifestações de pseudo-cultura atentatórias aos legítimos sentimentos religiosos, como foi a malsinada “mostra” ocorrida em Porto Alegre, e que estadeiam em todo mundo.

Graças a Deus, a 2a. Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, atendendo à ação movida em boa hora pelos partidos da oposição, suspendeu a blasfema , grotesca e preconceituosa exibição.

Ante este quadro, me vêm também à mente algumas profecias sérias que li recentemente, entre as quais as de Nossa Senhora de Fátima, já citadas nos posts “A Mãe de todas as mães ” e ” Fátima – Farol de Deus”, as de Nossa Senhora de La Salette, do Padre Pio de Pietrelcina e da Bem Aventurada Anna Maria Taigi, entre muitas outras, que predizem acontecimentos impressionantes, como se pode verificar por alguns  excertos da Profecia de La Salette, de 03 de julho de 1851, abaixo transcritos:

 

PROFECIA DE NOSSA SENHORA “DE LA SALETTE”

A060_LASalette.jpg

“Deus vai golpear de modo inaudito. Ai dos habitantes da Terra. Deus vai esgotar sua cólera, e ninguém poderá fugir a tantos males acumulados”.

“Os chefes, os condutores do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência. E o demônio obscureceu suas inteligências”.

“Deus permitirá à velha serpente introduzir divisões entre os que reinam, em todas as sociedades e em todas as famílias. Sofrer-se-ão tormentos físicos e morais. Deus abandonará os homens a si mesmos e enviará castigos que se sucederão durante mais de trinta e cinco anos.

“A sociedade está na iminência dos flagelos mais terríveis e dos maiores acontecimentos. Deve-se esperar ser governado por uma chibata de ferro e beber o cálice da cólera de Deus”.

“No ano de 1864, Lúcifer e um grande número de demônios serão soltos do inferno. Eles abolirão a fé pouco a pouco, até nas pessoas consagradas a Deus. Eles as cegarão de tal maneira que, salvo uma graça particular, adquirirão o espírito desses maus anjos. Várias casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas.”

“Os maus livros abundarão sobre a Terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em tudo o que se refere ao serviço de Deus. Eles terão grandíssimo poder sobre a natureza.

“Tendo sido esquecida a santa fé em Deus, cada indivíduo desejará guiar-se por si próprio e ser superior a seus semelhantes. Serão abolidos os poderes civis e eclesiásticos.

“Toda ordem e toda justiça serão calcados aos pés. Não se verá outra coisa senão homicídios, ódio, inveja, mentira e discórdia, sem amor pela pátria e sem amor pela família.

“Os maus estenderão toda sua malícia. Até nas casas as pessoas matar-se-ão e massacrar-se-ão mutuamente”.

“Ao primeiro golpe de sua espada fulgurante [refere-se a Deus], as montanhas e a natureza inteira tremerão de espanto, porque as desordens e os crimes dos homens transpassarão a abóbada celeste. Paris será queimada, e Marselha engolida [pelas águas”].

“Várias grandes cidades serão abaladas e tragadas por tremores de terra. Crer-se-á que tudo está perdido. Só se verão homicídios, e se ouvirão apenas ruídos de armas e blasfêmias”.

 

“Então será feita a paz, a reconciliação de Deus com os homens. Jesus Cristo será servido, adorado e glorificado. A caridade florescerá por toda parte.

“Os novos reis serão o braço direito da Santa Igreja, a qual será forte, humilde, piedosa, pobre, zelosa e imitadora das virtudes de Jesus Cristo.

“A Terra será atingida por toda espécie de flagelos (além da peste e da fome, que serão gerais). Haverá guerras até a última guerra, que será movida pelos dez reis do Anticristo, cujo objetivo será o mesmo e serão os únicos a governarem o mundo”.

“Antes que isto aconteça, haverá uma espécie de falsa paz no mundo. Não se pensará em outra coisa, senão em se divertir. Os maus se entregarão a toda sorte de pecados”.

“Mas os filhos da Santa Igreja, os filhos da fé, meus verdadeiros imitadores, acreditarão no amor de Deus e nas virtudes que me são mais caras. Felizes essas almas humildes conduzidas pelo Espírito Santo! Eu combaterei junto a elas até que atinjam a plenitude da idade”.

“A natureza exige vingança por causa dos homens e estremece de pavor, na espera do que deve acontecer à Terra emporcalhada de crimes. Tremei, ó Terra, vós que fizestes profissão de servir a Jesus Cristo, mas que no vosso íntimo adorais a vós próprios.

“As estações mudarão, a terra só dará maus frutos, os astros perderão seus movimentos regulares, a Lua não projetará senão uma débil luz avermelhada. A água e o fogo darão ao globo terrestre movimentos convulsivos e horríveis tremores de terra, que engolirão montanhas, cidades, etc..

“Eu dirijo um premente apelo à Terra. Apelo aos verdadeiros discípulos do Deus vivo que reina nos Céus. Apelo aos verdadeiros imitadores de Jesus Cristo feito homem, o único e verdadeiro Salvador dos homens.

“Apelo aos meus filhos, meus verdadeiros devotos, aqueles que se deram a mim para que eu os conduza a meu divino Filho, aqueles que levo por assim dizer nos meus braços, que vivem de meu espírito.

“Enfim, apelo aos Apóstolos dos Últimos Tempos, aos fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo.

“É chegado o tempo para que eles saiam e venham iluminar a Terra. Ide e mostrai-vos como meus filhos amados. Estou convosco e em vós, contanto que vossa fé seja a luz que vos ilumina nestes dias de desgraças.

“Que vosso zelo vos faça como que famintos da glória e honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, pequeno número que isto vedes, pois aí está o tempo dos tempos, o fim dos fins.

Jesus-caminha-consoco.jpg

“Todo o universo será tomado de terror, e muitos se deixarão seduzir, porque não adoraram o verdadeiro Cristo vivo entre eles. Chegou a hora, o sol se obscurece, só a fé viverá.

“Então a água e o fogo purificarão a Terra e consumirão todas as obras do orgulho dos homens, e tudo será renovado. Deus será servido e glorificado”.

768x1024-nazare.jpg

E o que nos resta fazer diante da situação em que nos encontramos, para a qual não vemos uma saída, do ponto de vista humano?  Muito simples: voltarmo-nos humildemente para Deus, por meio de Sua Mãe Santíssima, pedirmos perdão pelos nossos pecados e os pecados do mundo inteiro e através de preces e orações confiantes e perseverantes, sacrifícios e penitências, implorarmos sua intervenção misericordiosa, e a instauração na Terra do Reino dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, Reino onde imperarão a Ordem, a Justiça e a Paz!

 

Neste sentido, recomendo que rezemos diariamente o Santo Terço, pois é o meio indicado por Nossa Senhora, para obtermos a nossa salvação, a conversão dos pecadores e a verdadeira paz para o Mundo.

bnak-jk0f1dzyk3cv02r1sqh872_tjxj5kt74gcrjvallajdlwaq031fkllsbpgrx3nwckh_9ptjpbnogflb91bo0w9d.jpg

E como hoje é o dia dedicado aos arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, peçamos a estes nossos poderosos intercessores que guardem, protejam e iluminem a humanidade para que esta se volte, por meio de Nossa Senhora, para Aquele que é a verdadeira esperança: Nosso Senhor Jesus Cristo!

Portanto há sim esperança, aliás mais do que esperança, a certeza de que o Bem triunfará sobre o mal!

arcanjos.jpg

A pulcritude da honestidade

Primeiramente, esclareço que pulcritude é uma palavra que não é muito usada, mas que significa uma coisa muito bela e também uma forma de beleza sublime e especial. Sua raiz etimológica está na palavra “pulchra”, originária do Latim, que significa bela.

 Adentrando o assunto, que será tratado neste post, constatei que os estudiosos da vida, obra e pensamento de São Tomás de Aquino, ficam abismados ante as virtudes, a erudição e cultura  daquele que é conhecido como Doutor Angélico, pela pureza e inteligência angelical que ornavam a sua personalidade.

farol.jpg

Pode-se afirmar que  ele tratou de todas as matérias e disciplinas então conhecidas, com uma maestria, concisão e profundidade jamais superadas, sequer rivalizadas por nenhum outro pensador.

E isto tudo aliado a uma humildade e simplicidade de pasmar!

Contam os seus historiadores que diante de uma questão insolúvel, ele que era frade dominicano colocava sua cabeça dentro do Sacrário, que guardava a Hóstia consagrada e assim permanecia por longo tempo , até que fosse iluminado diretamente por Deus sacramentado! E ele dizia que assim ele aprendia mais do que horas e horas estudando e pesquisando em livros.

thomas_aquinas2.jpg

E entre tantos assuntos, ele aprofundou e discorreu com exímia sabedoria e pulcritude  sobre a honra, a honestidade e também sobre vício oposto a estas virtudes, que é a desonestidade, que para ele  nada mais é   do que a falha de caráter (Suma de Teologia vol. IV, Parte II – IIb.

Lecionava o “ Aquinate”, como também o chamavam e chamam até hoje,  que

 “ a honestidade é um estado de honradez. Aquele que é digno de honra é honesto  e vice-versa. A honra tem que ver com a excelência e esta é entendida como uma disposição de caráter em direção ao que é ótimo e digno de admiração. Ora, essas são as características da virtude; logo, a honestidade coincide com a virtude. Aquele que é honesto é digno de honra e esta é o reconhecimento da excelência de alguém”.

Que definições e explicitações fantásticas, não é mesmo? Ajudam-nos a pensar, a raciocinar, a nos esforçar e a nos elevar, em suma, e isto é bom! Tira-nos da preguiça mental, da inércia, da mediocridade! E assim vamos subindo aquele monte hipotético, a que nos referimos no primeiro post.

Mas continuemos escutando o Doutor Angélico:

“A honestidade consiste na similitude entre a eleição interna e os   comportamentos externos, num caso e noutro orientados para a excelência, o bem e o belo. É por isso  que é apropriado dizer-se de alguém honesto que é também uma pessoa boa e bela. É bonito ser-se honesto. É feio ser desonesto. Aquele que é honesto é bom. O desonesto é mau porque revela uma profunda falha de caráter.”

Sim, amigos, a beleza mais eminente é a interior, e a feiura que verdadeiramente repele é  a de caráter!

E  São Tomás arremata de forma magnífica e contundente:

“Uma sociedade que tolera a desonestidade é uma sociedade intrinsecamente desonesta”.

Nossa! Se ele vivesse no século XXI, o que diria da situação do Mundo?

São Tomas estudou também sobre a relação da honestidade com a temperança, e outras virtudes, mas  hoje não vou tratar  desse tema.

  Mas, vejamos o que ele diz ainda sobre a honestidade:

“Chama-se honesto ao que tem uma certa beleza subordinada à razão. Ora o ordenado segundo a razão é naturalmente conveniente ao homem. Pois, cada um naturalmente se deleita com o que lhe é conveniente. Por isso, o honesto é naturalmente deleitável ao homem, como  o prova o Filósofo ao tratar dos atos de virtude” (S. Th, II, II, Q, 145).

confessoestrela.jpg

Ou seja, em minha modesta opinião, ele afirma que tudo que é honesto contém uma beleza, pois está ordenado segundo a razão e é conveniente ao homem, o que vale dizer que a honestidade causa uma felicidade de situação, em suma, acarreta uma paz de espírito, profundamente deleitável e aprazível.

Via de consequência, o desonesto acarreta efeitos contrários: é feio, desordenado, inquietante e perturbador.

Na Bíblia Sagrada encontramos ensinamentos sobre o honesto  em vários dos seus Livros, mas  a título de ilustração, citamos apenas as passagens abaixo:

“ Constrói sua casa como a casa da da aranha,como a choupana que o vigia constrói.

Deita-se rico, mas é pela última vez.

Quando abre os olhos, já deixou de sê-lo.” (Jó 27,18-19)

140.jpg

“Melhor é, portanto, a condição de um homem honesto que não tem ídolos, pois assim estará sempre isento de confusão. (Baruc 6, 72)

“Se o mau renunciar à sua malícia para praticar o bem e ser honesto, ele viverá por essa razão .” (Ezequiel 33, 19)

O modelo perfeito e acabado da pulcritude da  honestidade  foi  Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo Deus e Homem verdadeiro possuía em Si todas as virtudes em grau inexcedível de perfeição, e por causa disto foi rejeitado pelos sacerdotes e doutores da Lei , traído por um de seus discípulos e acabou sendo condenado à morte e morte de Cruz! Mas como sabemos, Ele ressuscitou ao terceiro dia, e agora se encontra ao lado de Deus Pai, donde há de vir à terra para julgar os vivos e os mortos, como rezamos  no Credo.

E uma das representações mais eloquentes das suas virtudes , e portanto da honestidade, no seu sentido mais amplo e completo, é a Imagem do seu Sagrado Coração, daí porque a colocamos como ícone do presente post. E Ele nos legou ainda um modelo ainda mais próximo de nós, que é o Imaculado Coração de Maria que está pronto a nos socorrer sempre.

formacao_maria-estritamente-ligada-a-cristo.jpg

Portanto, digamos sempre: ” Sagrado Coração de Jesus, fazei meu coração semelhante ao Vosso!”

” Doce Coração de Maria, sede meu refúgio e proteção”!

Ou, simplesmente, ” Sagrado Coração de Jesus e de Maria, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro!”

Sim, meus irmãos, na situação em que se encontra a humanidade, só podemos esperar que venha do Céu, uma solução verdadeira e duradoura, e que restaure o senso do ser, do certo e do errado, em suma, a luz da razão dos homens e mulheres, iluminando-a pelo farol da Fé, da Esperança e da Caridade!

E para corroborar com tantas reflexões filosóficas e teológicas, em torno da honestidade, deixamos-lhe uma bela e simples historinha, intitulada:

“A recompensa da honestidade”

A alegria sempre esteve presente no lar de Henrique, pela harmonia que ali reinava. Como bom chefe de família, trabalhava incansavelmente para sustentá-la. Porém, conseguia, com esforço, só o necessário para uma vida sem muita folga. Não obstante, com sua esposa e filhos eram muito estimados na aldeia, pelas demonstrações que davam de virtude. Na verdade, a devoção a Jesus Sacramentado era o centro da família e daí emanavam as bênçãos para aquela humilde morada.

Entretanto, uma profunda tristeza veio abalar tão abençoada família: sendo acometido por uma doença mortal, depois de gastar suas economias com remédios e hospital, Henrique deixou a esposa, Helena, e seus três filhos na miséria. Antes, contudo, de exalar o último suspiro, quis dar aos seus um conselho simples, mas precioso:

– Em qualquer circunstância da vida, nunca deixem de invocar Aquele que é Todo-Poderoso. Na Eucaristia está o remédio para qualquer aflição.

Após sua partida para a eternidade, quem sustentaria a família? Os filhos ainda não tinham idade para trabalhar e Helena, devido aos cuidados com o marido, também ficara com a saúde abalada, sem condições para tanto. Por isso, em pouco tempo, não havia na casa sequer um pouco de farinha… Estavam a um passo da indigência completa. A viúva, desamparada em tal situação, não encontrou outra saída senão mendigar pelas redondezas. Não faltaram almas generosas que se enternecessem, à vista de sua dor. No entanto, o obtido não era suficiente.

primeira-eucaristia-656x1024.jpg

Um dia, estando com os filhos para rezarem o terço como o faziam todas as tardes, entre lágrimas, dona Helena não resistiu e desabafou-lhes suas angústias:

– Meus filhos, estamos passando por momentos difíceis! Comove-me pensar que nem sequer temos o indispensável para sobreviver. Sua mãe não é capaz de trabalhar, e mendigar não traz muitos resultados…

Mateus, o mais velho, julgando-se responsável e adulto, quis tranquilizá-la:

– Não se preocupe, mamãe, sou grande e já posso trabalhar. Amanhã vou percorrer a aldeia em busca de serviço. Assim, poderei sustentar a família!

image.png

– Agradeço sua boa disposição, meu Mateus – disse a bondosa mãe -, mas você só tem dez anos!…

Luísa, a segunda filha, procurou consolá-la, dizendo-lhe:

– Mamãe, não se aflija, lembre-se do que o padre disse no domingo: Deus é protetor dos órfãos e das viúvas. Ele nunca vai deixar de nos amparar. Se Ele nos mandou o sofrimento, é porque nos ama!

– Sim, confie em Jesus – acrescentou Pedro, o pequenino. Papai disse que é na Eucaristia onde está o remédio para todas as aflições!

Reconfortada pelas palavras dos filhos, dona Helena, logo pela manhã, dirigiu-se à igreja a fim de implorar auxílio a Jesus, presente na Sagrada Hóstia. Já ao entrar no recinto sagrado foi inundada por enorme consolação, pois o Santíssimo estava exposto, criando um ambiente acolhedor, cheio de graças e de bênçãos. Ajoelhando-se junto ao altar, passou longas horas externando suas dores ao Divino Redentor e suplicando-lhe misericórdia.

Estava tão entretida em suas orações, que nem sequer percebeu a entrada de dois homens na igreja. Eram empregados do fazendeiro mais rico da região, os quais, após terem passado pelo banco para retirar uma boa quantia de dinheiro do patrão, quiseram visitar o Santíssimo Sacramento.

santissima eucaristia.jpg

Completada a visita, retiraram-se, montando logo em seus cavalos, pois estavam atrasados com suas obrigações. Nesse ínterim, a viúva também foi saindo, e viu desprender-se e cair um saco volumoso da cavalgadura deles. Pesarosa,
a boa senhora tomou-o agilmente para devolvê-lo, não conseguindo, porém, devido à rapidez com que se distanciaram.

Dona Helena percebeu ter uma grande fortuna nas mãos e pensou: “Ah! Se tivesse a metade disso… tudo em casa estaria resolvido… Poderia me curar e trabalhar para sustentar meus pequenos!”.

Não se deixando seduzir pelas moedas que pareciam palpitar naquele saco, no mesmo instante, foi entregá-lo ao sacristão, depois de ter-lhe explicado o ocorrido, pois, na aldeia era costume, quando aconteciam fatos similares, entregar os objetos perdidos à secretaria paroquial. Com a consciência tranquila, regressou para casa com a alma em

Os empregados, somente ao chegarem à fazenda deram-se conta da falta do dinheiro. Cheio de aflição, um deles foi narrar ao patrão o sucedido, creditando-lhe que, por certo, havia caído por onde passaram. O patrão, muito piedoso, resolveu ir à igreja com o intuito de rezar para encontrar o objeto perdido. Chegou pouco tempo depois de a viúva haver se retirado. Aproximando-se do Santíssimo Sacramento, implorou a ajuda do Senhor dos senhores, pois naquele dinheiro estava o salário de seus empregados e, apesar de ser rico, esta falta ia desequilibrar seus negócios.

Impulsionado por uma graça, dirigiu-se à sacristia a fim de perguntar ao sacristão se, por acaso, não havia visto o valioso saco. Este lhe respondeu afirmativamente, e devolveu-lhe seu dinheiro, explicando ter sido uma pobre viúva sua grande benfeitora. Comovido diante da honestidade da boa mulher, quis agradecê-la, indo até sua residência.

Lá chegando, soube da história de sua vida. Condoído por sua situação e tocado por sua honestidade – que nem a extrema necessidade conseguiu abalar -, deu-lhe todo o saco como recompensa. A miséria de dona Helena pôde ser suprimida, ela cuidou da saúde e conseguiu sustentar a família dignamente.

De igual modo, o bom patrão também premiou seu servo, por lhe haver demonstrado tanta honestidade, assumindo o caso e sendo veraz em contar-lhe o sucedido, não inventando nenhuma desculpa ou falsa razão pelo desaparecimento das moedas. Por isso, o fez administrador de sua fazenda.

Este é o modo como Nosso Senhor retribui a todos aqueles que O buscam para adorá-lo e fazer-Lhe companhia no Santíssimo Sacramento!

(Revista Arautos do Evangelho, Maio/2012, n. 125, p. 46-47)

Você meu irmão, você minha irmã, que têm filhos ou netos, ou sobrinhos, e quem sabe é um professor ou uma professora, repassem essa historinha, que pode ser útil para a formação deles.

Deixo, ainda para vocês um pensamento do escritor francês Charles Perrault que nos legou belíssimas histórias infantis, conhecidas no mundo inteiro, muitas delas povoadas de fadas, a exemplo de “Branca de Neve”, a “Gata Borralheira”, “O Gato de Botas”, entre outras, que a par da beleza e das lições de vida que contêm, proporcionam aos seus leitores, mormente crianças e jovens, momentos de salutar e rico entretenimento.

charles_perrault_a_honestidade_mais_cedo_ou_mais_tarde_lzoynr7.jpg

Referência de pesquisa:

Suma Teológica

Bíblia Sagrada, Ave Maria

Revista Arautos do Evangelho, maio/2012, n. 125

 

 

Passeio de canoa – Comemoração do 1º ano de existência do Blog!

Naquela tarde, refrescada pelo cair de uma brisa agradável e amena, me encantava com aquelas canoinhas, em meio a uma ou outra de maior porte, umas engalanadas com velas coloridas, outras não,  deslizando pelos mares da Baía de Todos os Santos, cujas águas , ora  de  um verde esmeralda, ora de um  azul profundo, em outros trechos  menos fortes,   ofereciam a todos que contemplavam tão belo cenário, rico de movimentos, luzes e matizes  coloridos, uma sensação de bem estar e refrigério. Não sei por que, mas me fez  lembrar um  pouco os belos arco-íris que, por vezes assistimos  em nossa cidade!

barragem-6-canoas.jpg

Naquele cais, onde estávamos, aproveitei para saborear um delicioso acarajé e um abará, quitutes típicos de nossa Cidade, apreciados por todos que aqui vêm , e fiquei admirando aquele visual paradisíaco,  deitando um pouco minha observação sobre as canoas e refletindo sobre o seu valor, sua beleza e utilidade.

E foi assim que pensei, estimados leitores, que seria muito interessante estudar e pesquisar sobre esse transporte que tem origem nos  primórdios da História da humanidade,  e que foi e é, tão útil ainda em nossos dias.

982165-27102015-dsc_5217_1.jpg

E ao  completar nosso Blog, neste mês de agosto, um ano de existência, fizemos uma retrospectiva do nosso trabalho e verificamos que essa classe de tema é muito apreciada, pois aborda costumes e ambientes relacionados à identidade  de  nosso povo.

A vocês caros leitores, ao tempo em que agradeço pela participação e comentários, espero que os conhecimentos, informações e considerações, deste Blog, tenham   contribuído para aumentar em todos a esperança , fé , a vontade de bem viver no amor e seguimento  de Nosso Senhor Jesus Cristo e também e no apreço e admiração às tradições tão ricas e belas de nosso País.

Em 20.09.2016,  lançamos o post “Saveiros da Bahia” e em 19.02.2017, “ O jangadeiro e sua jangada”,  que foram e continuam sendo muito acessados, o que revela a apetência, e porque não, a preferência do público leitor sobre esta espécie de assunto. Por isso, achei oportuno publicar um post sobre as canoas, que juntamente com os saveiros e as jangadas são os primeiros e mais importantes meios de transporte aquático, utilizados na maioria dos países de todos os continentes, mas de modo muito especial, em nosso querido Brasil.

E assim o fazendo, completamos uma trilogia de posts sobre as embarcações mais primitivas e importantes, na história  e evolução dos transportes aquáticos.

CPCE (2)_0.JPG

Se é verdade que  as canoas não têm o charme e o balanço dos saveiros, tampouco a audácia e a intrepidez das jangadas, têm uma praticidade e uma utilidade indiscutíveis, e  sua beleza, mormente quando pintadas e engalanadas  com velas.

Segundo os estudiosos do assunto, as canoas foram as primeiras embarcações criadas pelo homem para os seus deslocamentos sobre as águas e surgiram primeiro nas regiões em que havia árvores altas com troncos fortes e de bom diâmetro que possibilitavam serem cortados e escavados, primeiramente, através da utilização do fogo e utensílios de pedras e em seguida por objetos  cortantes de metais, de modo a amoldá-los a uma conformação apta a equilibrar-se sobre as águas, e servir de rudimentar meio de transporte sobre as superfícies líquidas.

34in6l1.jpg

Vejamos o que nos diz o excelente artigo “Com Quantos Paus se faz uma Canoa? “, do Museu Nacional do Mar, que vamos utilizar muito neste post:

“ Para navegar, ou seja, atravessar uma superfície líquida sem se molhar, o homem pré-histórico uniu vários pedaços de paus, depois escavou um tronco criando a canoa, primeiro barco verdadeiro”

boats-1516594_960_720.jpg      Por do sol lagoa canoa(2).JPG

“ Descobertos os metais, tornou-se muito mais fácil a escavação de toras de madeira. Com a evolução permitiu que o homem aperfeiçoasse suas ferramentas e trabalhasse a madeira de modo a obter  peças com seções esbeltas, o que era impossível de ser feito com fogo e pedras.

Surgiram as ripas e as tábuas e, com elas o desmembramentos dos barcos em estrutura autônomas,  como as cavernas cobertas e os cascos.

Nesta nova configuração, os troncos reduziram-se às quilhas das modernas embarcações de madeiras. Estavam criados os barcos propriamente ditos dos quais derivam os modernos transatlânticos   de aço e os imensos navios de transporte, de guerra ou passageiros”.

navio-de-cruzeiro-liberty-of-the-seas-1399923492242_615x300.jpg

Que impressionante, hem? Mas ninguém sabe ou  se lembra disto, não é mesmo?

Quanto ao nome CANOA, os primeiros europeus que o ouviram, foram os tripulantes da expedição de Cristóvão Colombo, ao aportarem em terras americanas, da boca dos índios que se acercaram   das naus espanholas em suas primitivas embarcações. Em seguida, os espanhóis o incorporaram ao seu vocabulário do qual se expandiu para Portugal, França, e Inglaterra, e outros países, cada qual adaptando-o às suas características linguísticas próprias.

ontdekkingsreis01.jpg

No caso específico do Brasil, quando os portugueses aqui chegaram, nossos índios já utilizavam canoas  bastante  rústicas, as quais foram aperfeiçoadas pelos lusitanos e posteriormente sofreram mudanças pelos africanos.

Vasco_da_Gama.JPG

As canoas, juntamente com os saveiros , foram muito utilizadas como meio de transporte de pessoas, de produtos e mercadorias, em todo território brasileiro, tanto em nosso litoral quanto em nossos rios navegáveis, como o Amazonas, Rio Negro, São Francisco e em outros de menor porte.

Há registros de canoas bem grandes, que atingiam,pasmem! 12 metros , ou até mais do que isto,  e eram propulsionadas com 20 remeiros de cada bordo.

O Pe. Leonardo Nunes, Jesuíta que veio ao Brasil com Tomé de Souza, refere que viu várias canoas, cada uma com 30 ou 40 remeiros, mais velozes do que os navios mais ligeiros daquela época. E eram canoas de um pau só!

“O Brasil é o País que possui a maior variedade de canoas,  a saber: canoas bordadas e a de borda lisa, no sul/sudeste; as chacreiras, no Rio Grande do Sul; a canoa baiana, considerada “ a rainha das canoas brasileiras”, as canoas costeiras e as montarias do Maranhão.”

Também no interior do Brasil é grande a variedade. Na Amazônia destaque para as canoas indígenas construídas com cascas de árvores ou escavadas em tronco, estas, apresentadas na sala da Amazônia aqui no Museu Nacional do Mar. No Pantanal, as famosas Chalanas são parte do cotidiano de milhares de pessoas. As do Rio São Francisco, coloridas e velozes, estão as mais conhecidas do Brasil. Elas são apresentadas na Sala do Rio São Francisco, espaço específico para estas canoas singulares” (Art. Cit.)

E você sabia  por que as canoas da  Bahia,  são consideradas as rainhas das canoas do Brasil?

15657312_0d715459d4.jpg
Canoa de duas velas

Isso se deve  à opinião do  Almirante Alves Câmara, “ expert” no  assunto,como se vê pelo texto abaixo:

“  Derivadas de africanas, grandes troncos de mais de onze metros escavados com absoluta precisão, criam formas de extraordinária beleza estética, com fundos chatos e proas e polpas lançadas bem avante do barco. No Recôncavo Baiano, essas maravilhosas embarcações são dotadas de grandes mastros e velas latinas ( as mesmas das caravelas) e de um tipo de bolina que foi muito utilizado pelos holandeses ao longo dos séculos XVII e XVIII. Tantos detalhes náuticos conferem às canoas baianas especiais condições de navegabilidade”( Art.Cit)

Merecem também um registro especial, as canoas bordadas do Rio Grande do Sul por sua beleza e personalidade. Com efeito, essas canoas com suas variedade de cores e plasticidade estão entre as mais belas do mundo.

11525786.jpg

 Canoa bordada

Vale registrar. ainda, as famosas chalanas do Pantanal, que inspiraram a famosa canção popular com este mesmo nome.chalana.jpg

Mas o fato é que as variedades das nossas canoas se estendem por todo o Brasil, e até os dias atuais, sobretudo com seus aperfeiçoamentos e modernizações, às vezes em detrimento de seu perfil característico, vão tendo sua utilidade, a par de darem uma nota agradável e evidenciadora de riquezas da alma de nosso povo.

Como dito antes, a canoa de nossos índios sofreu alterações e acréscimos dos portugueses e dos africanos, ou seja passou a ser um produto típico do amálgama das três raças que formaram nosso povo.

E não podíamos concluir, sem dizer uma palavra sobre o canoeiro, que já foi e continua sendo objeto de poesias, crônicas e canções, que buscam retratar o perfil daquele homem forte, destemido, calmo, e ao mesmo tempo cheio de esperança na Providência Divina, que nunca deixa faltar o pão de cada dia para aquele que nEla confia e que vive literalmente aquele ditado que todos conhecemos: “ Deus ajuda a quem cedo madruga”!

Assim canta Arlindo Júnior em “ A saga do canoeiro” :

Vai um canoeiro, nos braços do rio,

Velho canoeiro, vai. já vai canoeiro. 

Vai um canoeiro, no murmúrio do rio,

No silêncio da mata, vai. já vai canoeiro.

Já vai canoeiro, nas curvas que o remo dá. já vai canoeiro

Já vai canoeiro, no remanso da travessia. já vai canoeiro.

Enfrenta o banzeiro nas ondas dos rios,

E das correntezas vai o desafio. já vai canoeiro.

Da tua canoa, o teu pensamento:

Apenas chegar, apenas partir. já vai canoeiro.

Teu corpo cansado de grandes viagens.

Já vai canoeiro.

Tuas mãos calejadas do remo a remar.

Já vai canoeiro.

Da tua canoa de tantas remadas.

Já vai canoeiro.

O porto distante,

O teu descansar….  

Eu sou, eu sou.

Sou, sou, sou, sou canoeiro. Canoeiro, vai! (2x)

Amazônia Canoeiro.jpg

Como dito acima, com esse post , concluímos uma trilogia das primeiras e principais embarcações utilizadas por nosso povo,  que muito contribuíram para o desenvolvimento e formação de seus costumes, dos seus tipos humanos, fortes, rijos e muito característicos, como o são o saveirista, o jangadeiro  e o canoeiro!

a-luzitania-1 (1).jpg

Referência de pesquisa:

http://www.museunacionaldomar.com.br/estrutura/canoas.htm

Rosas e Orquídeas, Brasil e Colômbia.

     hqdefault (1).jpg

Depois de um lapso de tempo considerável durante o qual tive de me ocupar de afazeres variados e até certo ponto exaustivos, vou paulatinamente voltando à rotina   e    retomando as reflexões e pesquisas em torno de temas que entretêm o espírito e que nos fazem subir a paragens mais altas e a partir daí  descortinarmos panoramas belos e aprazíveis ou  simplesmente nos determos na apreciação de criaturas que nosso bom Deus preparou e reservou para nós e que estão sempre a nosso alcance.

orquídea-vanda.jpg                  Imagem-de-rosas-vermelhas.jpg

Eu confesso que gosto muito das flores, das suas formas, cores e perfumes de uma variedade, matizes e nuances verdadeiramente espetaculares! Desde a violeta, da ” dois irmãos” (que nome genial! ), da florzinha do bredo, passando pela “dama da noite”, pelas tulipas até a rainha delas que a meu ver é a rosa. Gosto muito das  desconcertantes orquídeas e recentemente adquiri uma espécie numa loja especializada, mas infelizmente a floração não se adaptou ao local e murchou.

d37483b70bf3031016cc6f4a98210c19.jpg             Como-Cultivar-Orquídeas-em-Casa-e1457152800831.jpg

Mas, não faz mal. Vou adquiri outra bem bonita e tomar todos os cuidados com ela.

por-que-uma-orquidea-nao-floresce-2.jpg  placa-orquídeas.jpg    64f9bf1362e38049a7cd56a0ba1206f4--floribunda-roses-orange-roses.jpg

Estava com estas cogitações sobre as flores, quando encontrei nos meus arquivos  um artigo bem interessante justamente sobre as rosas  e as orquídeas que há um tempo atrás um  amigo sacerdote havia me oferecido, no qual era feita   uma associação de ideias com o Brasil e a Colômbia, país que somente agora vai despertando afluência de turistas de várias partes do mundo e sobretudo do Brasil, pelos seus encantos naturais, sua história e monumentos artísticos.

colombia-11.jpg
Cartagena – Colômbia

 

10-10-CRISTO-REDENTOR.jpg

E assim, comecei um estudo sobre a Colômbia e fiquei com vontade de conhecê-la juntamente com o Chile e o Peru.

Isto posto, desejo-lhe, caro leitor, uma ótima leitura.

   Rosa e orquídea — dois gêneros de beleza

                               ”  Para meu gosto pessoal, eu dou a primazia a duas flores. A primeira evidentemente é a rosa. Uma rosa perfeita e acabada é uma glória, uma beleza, uma maravilha, uma ordenação como não há igual.

Depois das rosas — é uma opinião ainda mais pessoal — elejo as orquídeas. É um tipo de flor que viceja maravilhosamente no Brasil, mas, pelo que ouvi dizer, floresce ainda mais belamente na Colômbia. É um gênero de beleza profundamente diferente da rosa.

catedral-de-Las-Lajas.jpg
Catedral de Las Lajas – Colômbia

A rosa traz consigo o esplendor da ordem. Suas pétalas postas em ordem obedecem a um raciocínio. Nela não há nada de previsto, não é planificada. Mas dir-se-ia que um poeta a planificou. Deus Nosso Senhor a planejou, a destinou. Tudo nela é ordenado, estabelecido, arranjado. Ela exala o perfume que é conforme à sua forma de beleza — da ordem prevista, racional e explícita. Ela é uma soberba explicitação do conceito de beleza.

b7f92b0113fc474d3203a4c90dc89dee.jpg

Isto não se pode dizer da orquídea. A orquídea é rara e singular. Ela prega surpresas, suas pétalas se movem quase como num balé vegetal. Movem-se em direções inimagináveis, que se compõem em torno da parte central e variam de flor para flor. A parte central da orquídea é sempre de uma beleza magnífica e surpreendente. Por exemplo, brancas na orla e depois de um vermelho e de um roxo aprofundado e que chega até a uma parte misteriosa dentro, onde se tem a impressão de que há um vermelhíssimo sublime que não se mostra, por uma espécie de recato. É próprio às coisas verdadeiramente muito superiores a não se exibirem; enquanto as coisas charlatanescas se exibem.

por-que-uma-orquidea-nao-floresce-15.jpg

Há formas de orquídeas incomparáveis, mas todas com a beleza do fantasioso, do inesperado, de uma alta distinção, que parece dizer a quem as vê: “Confessa que tu não me imaginavas e que eu sou muito superior a tudo quanto tu pensavas”. Há um quê de “não me toques” na orquídea, que faz parte de outra família de beleza. Não é a beleza de desordem, mas dessas formas superiores de ordem, que o raciocínio não constrói e que só a fantasia sabe compor. Isto está muito de acordo com o espírito das nações latino-americanas e que eu creio que são, sobretudo, na forma de espírito de duas nações psicologicamente muito parecidas: Brasil e Colômbia.

cartagena1428942202.jpg
Colômbia

Às vezes, quando eu ouço contar de “colombiadas”, eu me lembro de “brasileiradas”. O capricho, o inesperado, o entusiasmo; também, às vezes, o ressentimento, a vingança, conforme a ocasião a violência, mas seguida logo depois de uma reconciliação afetuosa. Todo este vai-e-vem temperamental, eu vejo de comum entre o brasileiro e o colombiano. E ali está a orquídea a marcar dessa maneira as peculiaridades do espírito dos povos que a Providência suscitou.” (Plinio Correa de Oliveira)

Que reflexões belas e  profundas !

ElevadorLacerda.jpg
Salvador – Brasil
colombia-01.jpg
Cartagena

Não deixe que fique tarde, meu filho!

Fiz o propósito de colocar para os estimados leitores tudo que fosse belo,  especialmente quando o texto nos diz alguma coisa, e que toque  nosso coração.

Recebi de um amigo algo que achei muito lindo e  quero compartilhar com vocês , pois  encerra uma mensagem  de amor e  confiança em Maria Mãe de Jesus, que é um verdadeiro oceano de bondade!

O título é o mesmo que foi dado ao post: “Não deixe que fique tarde, meu filho!”

Antes de fazer a leitura, contemple calmamente a foto e deixe que ela fale ao seu coração!

 

 

unnamed.jpg

“Eu nunca tinha visto uma imagem de Nossa Senhora que parecesse assim tão viva, tão acolhedora, tão receptiva, em uma palavra, tão maternal! Que mãos abençoadas a do artista que a fez. Estou impressionado! Parece nos dizer: diga, meu filho, o que você deseja, o que você precisa, quais são as suas angústias, os seus sofrimentos. Eu estou aqui pronta para lhe atender, mas é preciso que você diga, que você me peça. Acaso você nunca leu nos Evangelhos que Meu Filho no alto da cruz me fez também a sua mãe? Eu sou, portanto, verdadeiramente a sua mãe. Eu não entendo porque você fica aí parado no seu canto de dor e não me diz nada. Sim, claro, você não precisa me dizer algo para que eu saiba, porque eu conheço o seu coração.

Mas uma coisa que Eu não consigo suplantar é a sua vontade, porque Deus criou todos os homens livres. O que eu posso fazer é o que estou fazendo agora, lhe dar uma graça para que você abra o seu coração e volte para Mim o seu olhar. O meu já está posto em você, Eu o observo desde sempre, mas será que você faz o mesmo comigo? Eu o tenho visto sempre de costas para mim, nem meu nome você pronuncia … Então você não quer a minha ajuda?Ang Mahal na Birheng Maria at ang Sanggol na Hesus.jpg

Quando você era pequeno, ou seja, quando você não tinha o uso da razão, eu podia carregá-lo, mas agora que você está grande, cheio de vontades, eu não posso, não tenho esse poder.

Ah, meu filho, quanto amor represado no meu coração à espera de que você se volte para mim. Se não for hoje, poderá ser outro dia, poderá até ser no final dos seus dias. Eu estarei sempre aqui, como você me vê agora, à sua espera, rezando por você, concedendo-lhe graças que você nem imagina, mas vai chegar uma hora que será necessário que você abra o seu coração para que eu nele possa entrar. Sem isto, meu filho, não tenho como conduzi-lo a Meu Filho que está no Céu. Mas lembre-se: só é tarde para quem é morto. Não deixe que fique tarde!” ( Marco Antonio Machado)

E quem é o Filho dEla, senão o nosso amado Senhor do Bonfim!

santo-pedido.jpg

Caros leitores, diante dessas palavras tão lindas que sentimos haver brotado do  mais profundo do coração desse nosso irmão,  sendo uma pessoa mariana que ama muito a Mãe de Deus, senti uma grande emoção, pois Ela é também a Mãe de todos os homens  e mulheres que habitam o universo, e até de quem  não a reconhece como mãe,  Ela o é.

Ela que viveu e padeceu os piores sofrimentos que uma pessoa poderia sofrer,  por isso a justo título chamada nossa Corredentora, está sempre de braços abertos para perdoar , apaziguar e  a todos receber de braços abertos, pois esta é a sua missão.

Você que nesse momento precisa de ajuda para resolver problemas pessoais difíceis e até humanamente falando impossíveis, não hesite em pedir a essa Mãe que Deus nos deu de presente e que está no Céu rogando e pedindo a Seu Filho por  cada um de nós e por esse mundo tão precisado de amparo e proteção!

Peçamos amigos , peçamos as suas graças,  que Ela nos atenderá, pois  NUNCA  se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à sua proteção e invocado o seu socorro, tivesse sido por Ela desamparado, como rezamos na oração intitulada “Lembrai-Vos” .

file_125893_joaquim_ana_top.jpg

P.S. – E antes de concluir, queremos deixar consignada a nossa homenagem aos avós, que são tão importantes para a manutenção da unidade e benquerença das famílias e causa de alegria e carinho dos netos, e o fazemos nas pessoas de São Joaquim e de Sant’Ana, pais da Virgem Maria e avós queridíssimos de Jesus, que são celebrados na liturgia da Igreja Católica no dia 26 de Julho, razão pela qual, neste mesmo dia festejamos e louvamos nossos avós.

São Joaquim e San’Ana, protegei e amparai nossos avós!

As expressões do silêncio – Parte 2

Não é ocioso ressaltar que não estamos afirmando que Deus não se manifeste aos homens de outras formas, a depender das circunstâncias e de alguma lição que Ele queira nos dar. E que Ele não esteja em calorosas manifestações de convívios familiares e fraternais ou de entusiasmos expressos por meio de palmas, por exemplo, ou  até mesmo em uma parada militar, ao som de músicas marciais, entre outras situações.

Guarda Suíça - historiasylvio.blogspot.com.br.jpg

Mas sim que o silêncio é um estado de espírito que deve permear todas as nossas atividades e que a ele temos que reservar momentos especiais e generosos, que mantenham a guarda do nosso coração e o “tônus” da nossa alma e que restaurem, ademais, as nossas energias orgânicas e espirituais, após esforços mais intensos que tenhamos sido obrigados a desenvolver.

saúde-familia_1.jpg

O fato é que Deus ama o silêncio e dele se serve, habitualmente, para se comunicar conosco. Um famoso autor francês, Padre Thomas de Saint- Laurent, escreveu um opúsculo, denominado “Livro da Confiança”, que inicia com as seguintes palavras:

“Voz de Cristo, voz misteriosa da graça que ressoais no silêncio dos corações, Vós murmurais no fundo das nossas consciências palavras de doçura e de paz.”

De Maria, a Mãe de Jesus, lemos no Evangelho de São Lucas ( 2, 51), que ouvia as palavras do Seu Divino Filho e “ guardava todas essas coisas no Seu Coração”, porque o mantinha sempre em silêncio, na escuta dos sussurros Divinos.

Vale lembrar, outrossim, que, nada obstante o Seu amor ao silêncio, Jesus quis estar presente nas Bodas de Caná , com Sua Mãe e seus discípulos, demonstrando assim o seu apreço à instituição da família, e que ali realizou o seu primeiro milagre, na ordem da graça, transformando a água contida em seis alentadas talhas, no melhor vinho de todos os tempos!

bodas-de-cana.jpg
Bodas de Caná

Isto posto, penso que os excertos do artigo abaixo transcritos vão complementar as reflexões ora deduzidas e as que foram feitas na primeira parte deste post, que aliás foi muito visualizada.

Desejo-lhes um bom proveito da leitura.

A VOZ DO SILÊNCIO

“Quem de nós conheceu as acaloradas discussões nas praças ou até mesmo as tradicionais conversas em família? Ou tem o costume de buscar uma boa leitura para passar uma tranquila tarde de entretenimento?

Infelizmente, não muitos. Somos a geração dos smartphones, ipods, tablets… Os momentos de alegre convívio ou de plácido recolhimento parecem ter sido relegados por nossa sociedade tecnológica a um passado já remoto. Não seria, portanto, anacrônico falar sobre a voz do silêncio ao mundo atual?

images.jpg

Muito ao contrário! Este nosso mundo da comunicação instantânea precisa, mais do que nunca, de sua fecundidade e do esplendor nele escondido.

A expressividade de certos silêncios

O silêncio não pode ser considerado apenas por seu aspecto negativo, ou seja, a simples exclusão de palavras ou aparente falta de comunicação, pois ele, tantas vezes, muito fala. Esta é uma verdade conhecida pela experiência pessoal. Em inúmeras ocasiões de nossa vida deixamos transparecer o que se passa em nosso interior pelo silêncio. Por meio dele afirmamos, negamos, consentimos, reprovamos ou manifestamos nossa alegria ou recriminação em relação a algo, às vezes com mais significado do que se tivéssemos pronunciado algumas frases.

Deste modo, o silêncio é um extraordinário instrumento capaz de transmitir, em várias ocasiões, mais ideias do que as próprias palavras.

stcpl750.jpg
Interior da Saint Chapelle

 Jesus mesmo, na hora de sua Crucifixão, depois de dirigir aquelas imorredouras palavras ao bom ladrão – “hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23, 43) -, ofereceu um frio silêncio ao mau ladrão, que lhe valeu mais do que um colossal discurso. “Quanta expressividade tem o silêncio de uma pessoa como Nosso Senhor Jesus Cristo!”.

E que dizer do silêncio de Jesus em face da insolência e prepotência de Herodes ( Lucas, 23, 8-9),que Lhe fez” muitas perguntas,mas Jesus nada respondeu”?

400px-Duccio_di_Buoninsegna_027a.jpg
O silêncio de Jesus em face de Herodes

Afastar-se do bulício para ouvir a Deus

O Antigo Testamento relata, por exemplo, a prescrição divina aos israelitas, dada a Moisés, de “apresentarem suas ofertas ao Senhor no deserto” (Lv 7, 38), o qual é símbolo de isolamento, solidão e silêncio. E conta que Judite, ao enviuvar-se, tinha feito “no andar superior de sua casa um quarto reservado para si, no qual se conservava retirada com suas criadas” (Jt 8, 5). Ali, no recolhimento, fazia penitência e jejuns, em uma vida de relacionamento com Deus.

Com efeito, para viver de Deus, com Ele e para Ele, muitas ­pessoas abandonam o bulício do mundo e abraçam o isolamento, pois assim se escuta melhor sua voz. “Os maiores Santos evitavam, quanto podiam, a companhia dos homens, e escolhiam viver para Deus”.2 Não é sem razão que São João da Cruz ensina: “Uma Palavra disse o Pai, que foi seu Filho; e di-la sempre em eterno silêncio e em silêncio há de ser ouvida pela alma”.

Deus nos fala e nos ouve no silêncio

No silêncio age, portanto, o Espírito Santo nas almas. O padre Plus cita uma eloquente descrição desta ação do Paráclito, na pena de Santa Maria Madalena de Pazzi: “[Ele] fala sem articular palavras e todos ouvem seu divino silêncio. […] Sem necessidade de estar atento, ouve a menor palavra dita no mais íntimo do coração”.paz1300x400.jpg

É perfeitamente compreendido por Deus nosso silêncio, sendo, ademais, um dos meios que Ele usa com maior frequência para relacionar-Se com as suas criaturas inteligentes e revelar-lhes as maravilhas que só podem ser entendidas na sacralidade e tranquilidade sublime da atmosfera sobrenatural.

Quais são estas maravilhas que Deus nos revela através do silêncio? A que Ele nos convida? Em belas e poéticas palavras, interpreta o Prof. de História Contemporánea e pensador católico, Plinio Corrêa de Oliveira o convite divino recebido pela alma que se recolhe:

“Ouve-me, porque o timbre de minha voz é grave e suave… Ouve-me, porque o que eu tenho a te dizer eleva a alma, descansa e entretém. Ouve-me, porque as minhas palavras põem na tua alma um certo refrigério, uma certa luz, uma certa paz que tu tinhas esquecido que existe, e que agora, quando te fala, te convida para as solidões maravilhosas de que tinhas perdido a lembrança e a saudade… […] Mas à força de falares com o silêncio, tu mesmo começas a ser um daqueles que, pelo silêncio, falam! Teu silêncio interior faz-te ouvir palavras também, e tu começas a entender, a dizer dentro de ti mesmo, que não é uma recordação que isso traz: é uma esperança! São os dias vindouros que te esperam na sua glória!”. (Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2016, n. 169, pp. 36-37)Blue-Water-thumb-920x575-115076.jpg

 

Portanto, reservemos alguns momentos de silêncio em nossas vidas e veremos que boa decisão tomamos e como nos tornaremos mais calmos, eficientes e felizes, e mais próximos de Deus!

notre-dame-basilica-montreal-interior-main.jpg
Notre Dame de Montreal

E não nos perturbemos se o mar, o deserto e os montes não estiverem ao nosso alcance, pois acima de tudo o que importa é que os vejamos como símbolos de ambientes propícios ao nosso encontro com Deus!