A pulcritude da honestidade

Primeiramente, esclareço que pulcritude é uma palavra que não é muito usada, mas que significa uma coisa muito bela e também uma forma de beleza sublime e especial. Sua raiz etimológica está na palavra “pulchra”, originária do Latim, que significa bela.

 Adentrando o assunto, que será tratado neste post, constatei que os estudiosos da vida, obra e pensamento de São Tomás de Aquino, ficam abismados ante as virtudes, a erudição e cultura  daquele que é conhecido como Doutor Angélico, pela pureza e inteligência angelical que ornavam a sua personalidade.

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Pode-se afirmar que  ele tratou de todas as matérias e disciplinas então conhecidas, com uma maestria, concisão e profundidade jamais superadas, sequer rivalizadas por nenhum outro pensador.

E isto tudo aliado a uma humildade e simplicidade de pasmar!

Contam os seus historiadores que diante de uma questão insolúvel, ele que era frade dominicano colocava sua cabeça dentro do Sacrário, que guardava a Hóstia consagrada e assim permanecia por longo tempo , até que fosse iluminado diretamente por Deus sacramentado! E ele dizia que assim ele aprendia mais do que horas e horas estudando e pesquisando em livros.

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E entre tantos assuntos, ele aprofundou e discorreu com exímia sabedoria e pulcritude  sobre a honra, a honestidade e também sobre vício oposto a estas virtudes, que é a desonestidade, que para ele  nada mais é   do que a falha de caráter (Suma de Teologia vol. IV, Parte II – IIb.

Lecionava o “ Aquinate”, como também o chamavam e chamam até hoje,  que

 “ a honestidade é um estado de honradez. Aquele que é digno de honra é honesto  e vice-versa. A honra tem que ver com a excelência e esta é entendida como uma disposição de caráter em direção ao que é ótimo e digno de admiração. Ora, essas são as características da virtude; logo, a honestidade coincide com a virtude. Aquele que é honesto é digno de honra e esta é o reconhecimento da excelência de alguém”.

Que definições e explicitações fantásticas, não é mesmo? Ajudam-nos a pensar, a raciocinar, a nos esforçar e a nos elevar, em suma, e isto é bom! Tira-nos da preguiça mental, da inércia, da mediocridade! E assim vamos subindo aquele monte hipotético, a que nos referimos no primeiro post.

Mas continuemos escutando o Doutor Angélico:

“A honestidade consiste na similitude entre a eleição interna e os   comportamentos externos, num caso e noutro orientados para a excelência, o bem e o belo. É por isso  que é apropriado dizer-se de alguém honesto que é também uma pessoa boa e bela. É bonito ser-se honesto. É feio ser desonesto. Aquele que é honesto é bom. O desonesto é mau porque revela uma profunda falha de caráter.”

Sim, amigos, a beleza mais eminente é a interior, e a feiura que verdadeiramente repele é  a de caráter!

E  São Tomás arremata de forma magnífica e contundente:

“Uma sociedade que tolera a desonestidade é uma sociedade intrinsecamente desonesta”.

Nossa! Se ele vivesse no século XXI, o que diria da situação do Mundo?

São Tomas estudou também sobre a relação da honestidade com a temperança, e outras virtudes, mas  hoje não vou tratar  desse tema.

  Mas, vejamos o que ele diz ainda sobre a honestidade:

“Chama-se honesto ao que tem uma certa beleza subordinada à razão. Ora o ordenado segundo a razão é naturalmente conveniente ao homem. Pois, cada um naturalmente se deleita com o que lhe é conveniente. Por isso, o honesto é naturalmente deleitável ao homem, como  o prova o Filósofo ao tratar dos atos de virtude” (S. Th, II, II, Q, 145).

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Ou seja, em minha modesta opinião, ele afirma que tudo que é honesto contém uma beleza, pois está ordenado segundo a razão e é conveniente ao homem, o que vale dizer que a honestidade causa uma felicidade de situação, em suma, acarreta uma paz de espírito, profundamente deleitável e aprazível.

Via de consequência, o desonesto acarreta efeitos contrários: é feio, desordenado, inquietante e perturbador.

Na Bíblia Sagrada encontramos ensinamentos sobre o honesto  em vários dos seus Livros, mas  a título de ilustração, citamos apenas as passagens abaixo:

“ Constrói sua casa como a casa da da aranha,como a choupana que o vigia constrói.

Deita-se rico, mas é pela última vez.

Quando abre os olhos, já deixou de sê-lo.” (Jó 27,18-19)

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“Melhor é, portanto, a condição de um homem honesto que não tem ídolos, pois assim estará sempre isento de confusão. (Baruc 6, 72)

“Se o mau renunciar à sua malícia para praticar o bem e ser honesto, ele viverá por essa razão .” (Ezequiel 33, 19)

O modelo perfeito e acabado da pulcritude da  honestidade  foi  Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo Deus e Homem verdadeiro possuía em Si todas as virtudes em grau inexcedível de perfeição, e por causa disto foi rejeitado pelos sacerdotes e doutores da Lei , traído por um de seus discípulos e acabou sendo condenado à morte e morte de Cruz! Mas como sabemos, Ele ressuscitou ao terceiro dia, e agora se encontra ao lado de Deus Pai, donde há de vir à terra para julgar os vivos e os mortos, como rezamos  no Credo.

E uma das representações mais eloquentes das suas virtudes , e portanto da honestidade, no seu sentido mais amplo e completo, é a Imagem do seu Sagrado Coração, daí porque a colocamos como ícone do presente post. E Ele nos legou ainda um modelo ainda mais próximo de nós, que é o Imaculado Coração de Maria que está pronto a nos socorrer sempre.

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Portanto, digamos sempre: ” Sagrado Coração de Jesus, fazei meu coração semelhante ao Vosso!”

” Doce Coração de Maria, sede meu refúgio e proteção”!

Ou, simplesmente, ” Sagrado Coração de Jesus e de Maria, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro!”

Sim, meus irmãos, na situação em que se encontra a humanidade, só podemos esperar que venha do Céu, uma solução verdadeira e duradoura, e que restaure o senso do ser, do certo e do errado, em suma, a luz da razão dos homens e mulheres, iluminando-a pelo farol da Fé, da Esperança e da Caridade!

E para corroborar com tantas reflexões filosóficas e teológicas, em torno da honestidade, deixamos-lhe uma bela e simples historinha, intitulada:

“A recompensa da honestidade”

A alegria sempre esteve presente no lar de Henrique, pela harmonia que ali reinava. Como bom chefe de família, trabalhava incansavelmente para sustentá-la. Porém, conseguia, com esforço, só o necessário para uma vida sem muita folga. Não obstante, com sua esposa e filhos eram muito estimados na aldeia, pelas demonstrações que davam de virtude. Na verdade, a devoção a Jesus Sacramentado era o centro da família e daí emanavam as bênçãos para aquela humilde morada.

Entretanto, uma profunda tristeza veio abalar tão abençoada família: sendo acometido por uma doença mortal, depois de gastar suas economias com remédios e hospital, Henrique deixou a esposa, Helena, e seus três filhos na miséria. Antes, contudo, de exalar o último suspiro, quis dar aos seus um conselho simples, mas precioso:

– Em qualquer circunstância da vida, nunca deixem de invocar Aquele que é Todo-Poderoso. Na Eucaristia está o remédio para qualquer aflição.

Após sua partida para a eternidade, quem sustentaria a família? Os filhos ainda não tinham idade para trabalhar e Helena, devido aos cuidados com o marido, também ficara com a saúde abalada, sem condições para tanto. Por isso, em pouco tempo, não havia na casa sequer um pouco de farinha… Estavam a um passo da indigência completa. A viúva, desamparada em tal situação, não encontrou outra saída senão mendigar pelas redondezas. Não faltaram almas generosas que se enternecessem, à vista de sua dor. No entanto, o obtido não era suficiente.

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Um dia, estando com os filhos para rezarem o terço como o faziam todas as tardes, entre lágrimas, dona Helena não resistiu e desabafou-lhes suas angústias:

– Meus filhos, estamos passando por momentos difíceis! Comove-me pensar que nem sequer temos o indispensável para sobreviver. Sua mãe não é capaz de trabalhar, e mendigar não traz muitos resultados…

Mateus, o mais velho, julgando-se responsável e adulto, quis tranquilizá-la:

– Não se preocupe, mamãe, sou grande e já posso trabalhar. Amanhã vou percorrer a aldeia em busca de serviço. Assim, poderei sustentar a família!

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– Agradeço sua boa disposição, meu Mateus – disse a bondosa mãe -, mas você só tem dez anos!…

Luísa, a segunda filha, procurou consolá-la, dizendo-lhe:

– Mamãe, não se aflija, lembre-se do que o padre disse no domingo: Deus é protetor dos órfãos e das viúvas. Ele nunca vai deixar de nos amparar. Se Ele nos mandou o sofrimento, é porque nos ama!

– Sim, confie em Jesus – acrescentou Pedro, o pequenino. Papai disse que é na Eucaristia onde está o remédio para todas as aflições!

Reconfortada pelas palavras dos filhos, dona Helena, logo pela manhã, dirigiu-se à igreja a fim de implorar auxílio a Jesus, presente na Sagrada Hóstia. Já ao entrar no recinto sagrado foi inundada por enorme consolação, pois o Santíssimo estava exposto, criando um ambiente acolhedor, cheio de graças e de bênçãos. Ajoelhando-se junto ao altar, passou longas horas externando suas dores ao Divino Redentor e suplicando-lhe misericórdia.

Estava tão entretida em suas orações, que nem sequer percebeu a entrada de dois homens na igreja. Eram empregados do fazendeiro mais rico da região, os quais, após terem passado pelo banco para retirar uma boa quantia de dinheiro do patrão, quiseram visitar o Santíssimo Sacramento.

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Completada a visita, retiraram-se, montando logo em seus cavalos, pois estavam atrasados com suas obrigações. Nesse ínterim, a viúva também foi saindo, e viu desprender-se e cair um saco volumoso da cavalgadura deles. Pesarosa,
a boa senhora tomou-o agilmente para devolvê-lo, não conseguindo, porém, devido à rapidez com que se distanciaram.

Dona Helena percebeu ter uma grande fortuna nas mãos e pensou: “Ah! Se tivesse a metade disso… tudo em casa estaria resolvido… Poderia me curar e trabalhar para sustentar meus pequenos!”.

Não se deixando seduzir pelas moedas que pareciam palpitar naquele saco, no mesmo instante, foi entregá-lo ao sacristão, depois de ter-lhe explicado o ocorrido, pois, na aldeia era costume, quando aconteciam fatos similares, entregar os objetos perdidos à secretaria paroquial. Com a consciência tranquila, regressou para casa com a alma em

Os empregados, somente ao chegarem à fazenda deram-se conta da falta do dinheiro. Cheio de aflição, um deles foi narrar ao patrão o sucedido, creditando-lhe que, por certo, havia caído por onde passaram. O patrão, muito piedoso, resolveu ir à igreja com o intuito de rezar para encontrar o objeto perdido. Chegou pouco tempo depois de a viúva haver se retirado. Aproximando-se do Santíssimo Sacramento, implorou a ajuda do Senhor dos senhores, pois naquele dinheiro estava o salário de seus empregados e, apesar de ser rico, esta falta ia desequilibrar seus negócios.

Impulsionado por uma graça, dirigiu-se à sacristia a fim de perguntar ao sacristão se, por acaso, não havia visto o valioso saco. Este lhe respondeu afirmativamente, e devolveu-lhe seu dinheiro, explicando ter sido uma pobre viúva sua grande benfeitora. Comovido diante da honestidade da boa mulher, quis agradecê-la, indo até sua residência.

Lá chegando, soube da história de sua vida. Condoído por sua situação e tocado por sua honestidade – que nem a extrema necessidade conseguiu abalar -, deu-lhe todo o saco como recompensa. A miséria de dona Helena pôde ser suprimida, ela cuidou da saúde e conseguiu sustentar a família dignamente.

De igual modo, o bom patrão também premiou seu servo, por lhe haver demonstrado tanta honestidade, assumindo o caso e sendo veraz em contar-lhe o sucedido, não inventando nenhuma desculpa ou falsa razão pelo desaparecimento das moedas. Por isso, o fez administrador de sua fazenda.

Este é o modo como Nosso Senhor retribui a todos aqueles que O buscam para adorá-lo e fazer-Lhe companhia no Santíssimo Sacramento!

(Revista Arautos do Evangelho, Maio/2012, n. 125, p. 46-47)

Você meu irmão, você minha irmã, que têm filhos ou netos, ou sobrinhos, e quem sabe é um professor ou uma professora, repassem essa historinha, que pode ser útil para a formação deles.

Deixo, ainda para vocês um pensamento do escritor francês Charles Perrault que nos legou belíssimas histórias infantis, conhecidas no mundo inteiro, muitas delas povoadas de fadas, a exemplo de “Branca de Neve”, a “Gata Borralheira”, “O Gato de Botas”, entre outras, que a par da beleza e das lições de vida que contêm, proporcionam aos seus leitores, mormente crianças e jovens, momentos de salutar e rico entretenimento.

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Referência de pesquisa:

Suma Teológica

Bíblia Sagrada, Ave Maria

Revista Arautos do Evangelho, maio/2012, n. 125

 

 

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Passeio de canoa – Comemoração do 1º ano de existência do Blog!

Naquela tarde, refrescada pelo cair de uma brisa agradável e amena, me encantava com aquelas canoinhas, em meio a uma ou outra de maior porte, umas engalanadas com velas coloridas, outras não,  deslizando pelos mares da Baía de Todos os Santos, cujas águas , ora  de  um verde esmeralda, ora de um  azul profundo, em outros trechos  menos fortes,   ofereciam a todos que contemplavam tão belo cenário, rico de movimentos, luzes e matizes  coloridos, uma sensação de bem estar e refrigério. Não sei por que, mas me fez  lembrar um  pouco os belos arco-íris que, por vezes assistimos  em nossa cidade!

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Naquele cais, onde estávamos, aproveitei para saborear um delicioso acarajé e um abará, quitutes típicos de nossa Cidade, apreciados por todos que aqui vêm , e fiquei admirando aquele visual paradisíaco,  deitando um pouco minha observação sobre as canoas e refletindo sobre o seu valor, sua beleza e utilidade.

E foi assim que pensei, estimados leitores, que seria muito interessante estudar e pesquisar sobre esse transporte que tem origem nos  primórdios da História da humanidade,  e que foi e é, tão útil ainda em nossos dias.

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E ao  completar nosso Blog, neste mês de agosto, um ano de existência, fizemos uma retrospectiva do nosso trabalho e verificamos que essa classe de tema é muito apreciada, pois aborda costumes e ambientes relacionados à identidade  de  nosso povo.

A vocês caros leitores, ao tempo em que agradeço pela participação e comentários, espero que os conhecimentos, informações e considerações, deste Blog, tenham   contribuído para aumentar em todos a esperança , fé , a vontade de bem viver no amor e seguimento  de Nosso Senhor Jesus Cristo e também e no apreço e admiração às tradições tão ricas e belas de nosso País.

Em 20.09.2016,  lançamos o post “Saveiros da Bahia” e em 19.02.2017, “ O jangadeiro e sua jangada”,  que foram e continuam sendo muito acessados, o que revela a apetência, e porque não, a preferência do público leitor sobre esta espécie de assunto. Por isso, achei oportuno publicar um post sobre as canoas, que juntamente com os saveiros e as jangadas são os primeiros e mais importantes meios de transporte aquático, utilizados na maioria dos países de todos os continentes, mas de modo muito especial, em nosso querido Brasil.

E assim o fazendo, completamos uma trilogia de posts sobre as embarcações mais primitivas e importantes, na história  e evolução dos transportes aquáticos.

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Se é verdade que  as canoas não têm o charme e o balanço dos saveiros, tampouco a audácia e a intrepidez das jangadas, têm uma praticidade e uma utilidade indiscutíveis, e  sua beleza, mormente quando pintadas e engalanadas  com velas.

Segundo os estudiosos do assunto, as canoas foram as primeiras embarcações criadas pelo homem para os seus deslocamentos sobre as águas e surgiram primeiro nas regiões em que havia árvores altas com troncos fortes e de bom diâmetro que possibilitavam serem cortados e escavados, primeiramente, através da utilização do fogo e utensílios de pedras e em seguida por objetos  cortantes de metais, de modo a amoldá-los a uma conformação apta a equilibrar-se sobre as águas, e servir de rudimentar meio de transporte sobre as superfícies líquidas.

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Vejamos o que nos diz o excelente artigo “Com Quantos Paus se faz uma Canoa? “, do Museu Nacional do Mar, que vamos utilizar muito neste post:

“ Para navegar, ou seja, atravessar uma superfície líquida sem se molhar, o homem pré-histórico uniu vários pedaços de paus, depois escavou um tronco criando a canoa, primeiro barco verdadeiro”

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“ Descobertos os metais, tornou-se muito mais fácil a escavação de toras de madeira. Com a evolução permitiu que o homem aperfeiçoasse suas ferramentas e trabalhasse a madeira de modo a obter  peças com seções esbeltas, o que era impossível de ser feito com fogo e pedras.

Surgiram as ripas e as tábuas e, com elas o desmembramentos dos barcos em estrutura autônomas,  como as cavernas cobertas e os cascos.

Nesta nova configuração, os troncos reduziram-se às quilhas das modernas embarcações de madeiras. Estavam criados os barcos propriamente ditos dos quais derivam os modernos transatlânticos   de aço e os imensos navios de transporte, de guerra ou passageiros”.

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Que impressionante, hem? Mas ninguém sabe ou  se lembra disto, não é mesmo?

Quanto ao nome CANOA, os primeiros europeus que o ouviram, foram os tripulantes da expedição de Cristóvão Colombo, ao aportarem em terras americanas, da boca dos índios que se acercaram   das naus espanholas em suas primitivas embarcações. Em seguida, os espanhóis o incorporaram ao seu vocabulário do qual se expandiu para Portugal, França, e Inglaterra, e outros países, cada qual adaptando-o às suas características linguísticas próprias.

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No caso específico do Brasil, quando os portugueses aqui chegaram, nossos índios já utilizavam canoas  bastante  rústicas, as quais foram aperfeiçoadas pelos lusitanos e posteriormente sofreram mudanças pelos africanos.

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As canoas, juntamente com os saveiros , foram muito utilizadas como meio de transporte de pessoas, de produtos e mercadorias, em todo território brasileiro, tanto em nosso litoral quanto em nossos rios navegáveis, como o Amazonas, Rio Negro, São Francisco e em outros de menor porte.

Há registros de canoas bem grandes, que atingiam,pasmem! 12 metros , ou até mais do que isto,  e eram propulsionadas com 20 remeiros de cada bordo.

O Pe. Leonardo Nunes, Jesuíta que veio ao Brasil com Tomé de Souza, refere que viu várias canoas, cada uma com 30 ou 40 remeiros, mais velozes do que os navios mais ligeiros daquela época. E eram canoas de um pau só!

“O Brasil é o País que possui a maior variedade de canoas,  a saber: canoas bordadas e a de borda lisa, no sul/sudeste; as chacreiras, no Rio Grande do Sul; a canoa baiana, considerada “ a rainha das canoas brasileiras”, as canoas costeiras e as montarias do Maranhão.”

Também no interior do Brasil é grande a variedade. Na Amazônia destaque para as canoas indígenas construídas com cascas de árvores ou escavadas em tronco, estas, apresentadas na sala da Amazônia aqui no Museu Nacional do Mar. No Pantanal, as famosas Chalanas são parte do cotidiano de milhares de pessoas. As do Rio São Francisco, coloridas e velozes, estão as mais conhecidas do Brasil. Elas são apresentadas na Sala do Rio São Francisco, espaço específico para estas canoas singulares” (Art. Cit.)

E você sabia  por que as canoas da  Bahia,  são consideradas as rainhas das canoas do Brasil?

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Canoa de duas velas

Isso se deve  à opinião do  Almirante Alves Câmara, “ expert” no  assunto,como se vê pelo texto abaixo:

“  Derivadas de africanas, grandes troncos de mais de onze metros escavados com absoluta precisão, criam formas de extraordinária beleza estética, com fundos chatos e proas e polpas lançadas bem avante do barco. No Recôncavo Baiano, essas maravilhosas embarcações são dotadas de grandes mastros e velas latinas ( as mesmas das caravelas) e de um tipo de bolina que foi muito utilizado pelos holandeses ao longo dos séculos XVII e XVIII. Tantos detalhes náuticos conferem às canoas baianas especiais condições de navegabilidade”( Art.Cit)

Merecem também um registro especial, as canoas bordadas do Rio Grande do Sul por sua beleza e personalidade. Com efeito, essas canoas com suas variedade de cores e plasticidade estão entre as mais belas do mundo.

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 Canoa bordada

Vale registrar. ainda, as famosas chalanas do Pantanal, que inspiraram a famosa canção popular com este mesmo nome.chalana.jpg

Mas o fato é que as variedades das nossas canoas se estendem por todo o Brasil, e até os dias atuais, sobretudo com seus aperfeiçoamentos e modernizações, às vezes em detrimento de seu perfil característico, vão tendo sua utilidade, a par de darem uma nota agradável e evidenciadora de riquezas da alma de nosso povo.

Como dito antes, a canoa de nossos índios sofreu alterações e acréscimos dos portugueses e dos africanos, ou seja passou a ser um produto típico do amálgama das três raças que formaram nosso povo.

E não podíamos concluir, sem dizer uma palavra sobre o canoeiro, que já foi e continua sendo objeto de poesias, crônicas e canções, que buscam retratar o perfil daquele homem forte, destemido, calmo, e ao mesmo tempo cheio de esperança na Providência Divina, que nunca deixa faltar o pão de cada dia para aquele que nEla confia e que vive literalmente aquele ditado que todos conhecemos: “ Deus ajuda a quem cedo madruga”!

Assim canta Arlindo Júnior em “ A saga do canoeiro” :

Vai um canoeiro, nos braços do rio,

Velho canoeiro, vai. já vai canoeiro. 

Vai um canoeiro, no murmúrio do rio,

No silêncio da mata, vai. já vai canoeiro.

Já vai canoeiro, nas curvas que o remo dá. já vai canoeiro

Já vai canoeiro, no remanso da travessia. já vai canoeiro.

Enfrenta o banzeiro nas ondas dos rios,

E das correntezas vai o desafio. já vai canoeiro.

Da tua canoa, o teu pensamento:

Apenas chegar, apenas partir. já vai canoeiro.

Teu corpo cansado de grandes viagens.

Já vai canoeiro.

Tuas mãos calejadas do remo a remar.

Já vai canoeiro.

Da tua canoa de tantas remadas.

Já vai canoeiro.

O porto distante,

O teu descansar….  

Eu sou, eu sou.

Sou, sou, sou, sou canoeiro. Canoeiro, vai! (2x)

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Como dito acima, com esse post , concluímos uma trilogia das primeiras e principais embarcações utilizadas por nosso povo,  que muito contribuíram para o desenvolvimento e formação de seus costumes, dos seus tipos humanos, fortes, rijos e muito característicos, como o são o saveirista, o jangadeiro  e o canoeiro!

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Referência de pesquisa:

http://www.museunacionaldomar.com.br/estrutura/canoas.htm

Rosas e Orquídeas, Brasil e Colômbia.

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Depois de um lapso de tempo considerável durante o qual tive de me ocupar de afazeres variados e até certo ponto exaustivos, vou paulatinamente voltando à rotina   e    retomando as reflexões e pesquisas em torno de temas que entretêm o espírito e que nos fazem subir a paragens mais altas e a partir daí  descortinarmos panoramas belos e aprazíveis ou  simplesmente nos determos na apreciação de criaturas que nosso bom Deus preparou e reservou para nós e que estão sempre a nosso alcance.

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Eu confesso que gosto muito das flores, das suas formas, cores e perfumes de uma variedade, matizes e nuances verdadeiramente espetaculares! Desde a violeta, da ” dois irmãos” (que nome genial! ), da florzinha do bredo, passando pela “dama da noite”, pelas tulipas até a rainha delas que a meu ver é a rosa. Gosto muito das  desconcertantes orquídeas e recentemente adquiri uma espécie numa loja especializada, mas infelizmente a floração não se adaptou ao local e murchou.

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Mas, não faz mal. Vou adquiri outra bem bonita e tomar todos os cuidados com ela.

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Estava com estas cogitações sobre as flores, quando encontrei nos meus arquivos  um artigo bem interessante justamente sobre as rosas  e as orquídeas que há um tempo atrás um  amigo sacerdote havia me oferecido, no qual era feita   uma associação de ideias com o Brasil e a Colômbia, país que somente agora vai despertando afluência de turistas de várias partes do mundo e sobretudo do Brasil, pelos seus encantos naturais, sua história e monumentos artísticos.

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Cartagena – Colômbia

 

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E assim, comecei um estudo sobre a Colômbia e fiquei com vontade de conhecê-la juntamente com o Chile e o Peru.

Isto posto, desejo-lhe, caro leitor, uma ótima leitura.

   Rosa e orquídea — dois gêneros de beleza

                               ”  Para meu gosto pessoal, eu dou a primazia a duas flores. A primeira evidentemente é a rosa. Uma rosa perfeita e acabada é uma glória, uma beleza, uma maravilha, uma ordenação como não há igual.

Depois das rosas — é uma opinião ainda mais pessoal — elejo as orquídeas. É um tipo de flor que viceja maravilhosamente no Brasil, mas, pelo que ouvi dizer, floresce ainda mais belamente na Colômbia. É um gênero de beleza profundamente diferente da rosa.

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Catedral de Las Lajas – Colômbia

A rosa traz consigo o esplendor da ordem. Suas pétalas postas em ordem obedecem a um raciocínio. Nela não há nada de previsto, não é planificada. Mas dir-se-ia que um poeta a planificou. Deus Nosso Senhor a planejou, a destinou. Tudo nela é ordenado, estabelecido, arranjado. Ela exala o perfume que é conforme à sua forma de beleza — da ordem prevista, racional e explícita. Ela é uma soberba explicitação do conceito de beleza.

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Isto não se pode dizer da orquídea. A orquídea é rara e singular. Ela prega surpresas, suas pétalas se movem quase como num balé vegetal. Movem-se em direções inimagináveis, que se compõem em torno da parte central e variam de flor para flor. A parte central da orquídea é sempre de uma beleza magnífica e surpreendente. Por exemplo, brancas na orla e depois de um vermelho e de um roxo aprofundado e que chega até a uma parte misteriosa dentro, onde se tem a impressão de que há um vermelhíssimo sublime que não se mostra, por uma espécie de recato. É próprio às coisas verdadeiramente muito superiores a não se exibirem; enquanto as coisas charlatanescas se exibem.

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Há formas de orquídeas incomparáveis, mas todas com a beleza do fantasioso, do inesperado, de uma alta distinção, que parece dizer a quem as vê: “Confessa que tu não me imaginavas e que eu sou muito superior a tudo quanto tu pensavas”. Há um quê de “não me toques” na orquídea, que faz parte de outra família de beleza. Não é a beleza de desordem, mas dessas formas superiores de ordem, que o raciocínio não constrói e que só a fantasia sabe compor. Isto está muito de acordo com o espírito das nações latino-americanas e que eu creio que são, sobretudo, na forma de espírito de duas nações psicologicamente muito parecidas: Brasil e Colômbia.

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Colômbia

Às vezes, quando eu ouço contar de “colombiadas”, eu me lembro de “brasileiradas”. O capricho, o inesperado, o entusiasmo; também, às vezes, o ressentimento, a vingança, conforme a ocasião a violência, mas seguida logo depois de uma reconciliação afetuosa. Todo este vai-e-vem temperamental, eu vejo de comum entre o brasileiro e o colombiano. E ali está a orquídea a marcar dessa maneira as peculiaridades do espírito dos povos que a Providência suscitou.” (Plinio Correa de Oliveira)

Que reflexões belas e  profundas !

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Salvador – Brasil
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Cartagena

Não deixe que fique tarde, meu filho!

Fiz o propósito de colocar para os estimados leitores tudo que fosse belo,  especialmente quando o texto nos diz alguma coisa, e que toque  nosso coração.

Recebi de um amigo algo que achei muito lindo e  quero compartilhar com vocês , pois  encerra uma mensagem  de amor e  confiança em Maria Mãe de Jesus, que é um verdadeiro oceano de bondade!

O título é o mesmo que foi dado ao post: “Não deixe que fique tarde, meu filho!”

Antes de fazer a leitura, contemple calmamente a foto e deixe que ela fale ao seu coração!

 

 

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“Eu nunca tinha visto uma imagem de Nossa Senhora que parecesse assim tão viva, tão acolhedora, tão receptiva, em uma palavra, tão maternal! Que mãos abençoadas a do artista que a fez. Estou impressionado! Parece nos dizer: diga, meu filho, o que você deseja, o que você precisa, quais são as suas angústias, os seus sofrimentos. Eu estou aqui pronta para lhe atender, mas é preciso que você diga, que você me peça. Acaso você nunca leu nos Evangelhos que Meu Filho no alto da cruz me fez também a sua mãe? Eu sou, portanto, verdadeiramente a sua mãe. Eu não entendo porque você fica aí parado no seu canto de dor e não me diz nada. Sim, claro, você não precisa me dizer algo para que eu saiba, porque eu conheço o seu coração.

Mas uma coisa que Eu não consigo suplantar é a sua vontade, porque Deus criou todos os homens livres. O que eu posso fazer é o que estou fazendo agora, lhe dar uma graça para que você abra o seu coração e volte para Mim o seu olhar. O meu já está posto em você, Eu o observo desde sempre, mas será que você faz o mesmo comigo? Eu o tenho visto sempre de costas para mim, nem meu nome você pronuncia … Então você não quer a minha ajuda?Ang Mahal na Birheng Maria at ang Sanggol na Hesus.jpg

Quando você era pequeno, ou seja, quando você não tinha o uso da razão, eu podia carregá-lo, mas agora que você está grande, cheio de vontades, eu não posso, não tenho esse poder.

Ah, meu filho, quanto amor represado no meu coração à espera de que você se volte para mim. Se não for hoje, poderá ser outro dia, poderá até ser no final dos seus dias. Eu estarei sempre aqui, como você me vê agora, à sua espera, rezando por você, concedendo-lhe graças que você nem imagina, mas vai chegar uma hora que será necessário que você abra o seu coração para que eu nele possa entrar. Sem isto, meu filho, não tenho como conduzi-lo a Meu Filho que está no Céu. Mas lembre-se: só é tarde para quem é morto. Não deixe que fique tarde!” ( Marco Antonio Machado)

E quem é o Filho dEla, senão o nosso amado Senhor do Bonfim!

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Caros leitores, diante dessas palavras tão lindas que sentimos haver brotado do  mais profundo do coração desse nosso irmão,  sendo uma pessoa mariana que ama muito a Mãe de Deus, senti uma grande emoção, pois Ela é também a Mãe de todos os homens  e mulheres que habitam o universo, e até de quem  não a reconhece como mãe,  Ela o é.

Ela que viveu e padeceu os piores sofrimentos que uma pessoa poderia sofrer,  por isso a justo título chamada nossa Corredentora, está sempre de braços abertos para perdoar , apaziguar e  a todos receber de braços abertos, pois esta é a sua missão.

Você que nesse momento precisa de ajuda para resolver problemas pessoais difíceis e até humanamente falando impossíveis, não hesite em pedir a essa Mãe que Deus nos deu de presente e que está no Céu rogando e pedindo a Seu Filho por  cada um de nós e por esse mundo tão precisado de amparo e proteção!

Peçamos amigos , peçamos as suas graças,  que Ela nos atenderá, pois  NUNCA  se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à sua proteção e invocado o seu socorro, tivesse sido por Ela desamparado, como rezamos na oração intitulada “Lembrai-Vos” .

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P.S. – E antes de concluir, queremos deixar consignada a nossa homenagem aos avós, que são tão importantes para a manutenção da unidade e benquerença das famílias e causa de alegria e carinho dos netos, e o fazemos nas pessoas de São Joaquim e de Sant’Ana, pais da Virgem Maria e avós queridíssimos de Jesus, que são celebrados na liturgia da Igreja Católica no dia 26 de Julho, razão pela qual, neste mesmo dia festejamos e louvamos nossos avós.

São Joaquim e San’Ana, protegei e amparai nossos avós!

As expressões do silêncio – Parte 2

Não é ocioso ressaltar que não estamos afirmando que Deus não se manifeste aos homens de outras formas, a depender das circunstâncias e de alguma lição que Ele queira nos dar. E que Ele não esteja em calorosas manifestações de convívios familiares e fraternais ou de entusiasmos expressos por meio de palmas, por exemplo, ou  até mesmo em uma parada militar, ao som de músicas marciais, entre outras situações.

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Mas sim que o silêncio é um estado de espírito que deve permear todas as nossas atividades e que a ele temos que reservar momentos especiais e generosos, que mantenham a guarda do nosso coração e o “tônus” da nossa alma e que restaurem, ademais, as nossas energias orgânicas e espirituais, após esforços mais intensos que tenhamos sido obrigados a desenvolver.

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O fato é que Deus ama o silêncio e dele se serve, habitualmente, para se comunicar conosco. Um famoso autor francês, Padre Thomas de Saint- Laurent, escreveu um opúsculo, denominado “Livro da Confiança”, que inicia com as seguintes palavras:

“Voz de Cristo, voz misteriosa da graça que ressoais no silêncio dos corações, Vós murmurais no fundo das nossas consciências palavras de doçura e de paz.”

De Maria, a Mãe de Jesus, lemos no Evangelho de São Lucas ( 2, 51), que ouvia as palavras do Seu Divino Filho e “ guardava todas essas coisas no Seu Coração”, porque o mantinha sempre em silêncio, na escuta dos sussurros Divinos.

Vale lembrar, outrossim, que, nada obstante o Seu amor ao silêncio, Jesus quis estar presente nas Bodas de Caná , com Sua Mãe e seus discípulos, demonstrando assim o seu apreço à instituição da família, e que ali realizou o seu primeiro milagre, na ordem da graça, transformando a água contida em seis alentadas talhas, no melhor vinho de todos os tempos!

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Bodas de Caná

Isto posto, penso que os excertos do artigo abaixo transcritos vão complementar as reflexões ora deduzidas e as que foram feitas na primeira parte deste post, que aliás foi muito visualizada.

Desejo-lhes um bom proveito da leitura.

A VOZ DO SILÊNCIO

“Quem de nós conheceu as acaloradas discussões nas praças ou até mesmo as tradicionais conversas em família? Ou tem o costume de buscar uma boa leitura para passar uma tranquila tarde de entretenimento?

Infelizmente, não muitos. Somos a geração dos smartphones, ipods, tablets… Os momentos de alegre convívio ou de plácido recolhimento parecem ter sido relegados por nossa sociedade tecnológica a um passado já remoto. Não seria, portanto, anacrônico falar sobre a voz do silêncio ao mundo atual?

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Muito ao contrário! Este nosso mundo da comunicação instantânea precisa, mais do que nunca, de sua fecundidade e do esplendor nele escondido.

A expressividade de certos silêncios

O silêncio não pode ser considerado apenas por seu aspecto negativo, ou seja, a simples exclusão de palavras ou aparente falta de comunicação, pois ele, tantas vezes, muito fala. Esta é uma verdade conhecida pela experiência pessoal. Em inúmeras ocasiões de nossa vida deixamos transparecer o que se passa em nosso interior pelo silêncio. Por meio dele afirmamos, negamos, consentimos, reprovamos ou manifestamos nossa alegria ou recriminação em relação a algo, às vezes com mais significado do que se tivéssemos pronunciado algumas frases.

Deste modo, o silêncio é um extraordinário instrumento capaz de transmitir, em várias ocasiões, mais ideias do que as próprias palavras.

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Interior da Saint Chapelle

 Jesus mesmo, na hora de sua Crucifixão, depois de dirigir aquelas imorredouras palavras ao bom ladrão – “hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23, 43) -, ofereceu um frio silêncio ao mau ladrão, que lhe valeu mais do que um colossal discurso. “Quanta expressividade tem o silêncio de uma pessoa como Nosso Senhor Jesus Cristo!”.

E que dizer do silêncio de Jesus em face da insolência e prepotência de Herodes ( Lucas, 23, 8-9),que Lhe fez” muitas perguntas,mas Jesus nada respondeu”?

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O silêncio de Jesus em face de Herodes

Afastar-se do bulício para ouvir a Deus

O Antigo Testamento relata, por exemplo, a prescrição divina aos israelitas, dada a Moisés, de “apresentarem suas ofertas ao Senhor no deserto” (Lv 7, 38), o qual é símbolo de isolamento, solidão e silêncio. E conta que Judite, ao enviuvar-se, tinha feito “no andar superior de sua casa um quarto reservado para si, no qual se conservava retirada com suas criadas” (Jt 8, 5). Ali, no recolhimento, fazia penitência e jejuns, em uma vida de relacionamento com Deus.

Com efeito, para viver de Deus, com Ele e para Ele, muitas ­pessoas abandonam o bulício do mundo e abraçam o isolamento, pois assim se escuta melhor sua voz. “Os maiores Santos evitavam, quanto podiam, a companhia dos homens, e escolhiam viver para Deus”.2 Não é sem razão que São João da Cruz ensina: “Uma Palavra disse o Pai, que foi seu Filho; e di-la sempre em eterno silêncio e em silêncio há de ser ouvida pela alma”.

Deus nos fala e nos ouve no silêncio

No silêncio age, portanto, o Espírito Santo nas almas. O padre Plus cita uma eloquente descrição desta ação do Paráclito, na pena de Santa Maria Madalena de Pazzi: “[Ele] fala sem articular palavras e todos ouvem seu divino silêncio. […] Sem necessidade de estar atento, ouve a menor palavra dita no mais íntimo do coração”.paz1300x400.jpg

É perfeitamente compreendido por Deus nosso silêncio, sendo, ademais, um dos meios que Ele usa com maior frequência para relacionar-Se com as suas criaturas inteligentes e revelar-lhes as maravilhas que só podem ser entendidas na sacralidade e tranquilidade sublime da atmosfera sobrenatural.

Quais são estas maravilhas que Deus nos revela através do silêncio? A que Ele nos convida? Em belas e poéticas palavras, interpreta o Prof. de História Contemporánea e pensador católico, Plinio Corrêa de Oliveira o convite divino recebido pela alma que se recolhe:

“Ouve-me, porque o timbre de minha voz é grave e suave… Ouve-me, porque o que eu tenho a te dizer eleva a alma, descansa e entretém. Ouve-me, porque as minhas palavras põem na tua alma um certo refrigério, uma certa luz, uma certa paz que tu tinhas esquecido que existe, e que agora, quando te fala, te convida para as solidões maravilhosas de que tinhas perdido a lembrança e a saudade… […] Mas à força de falares com o silêncio, tu mesmo começas a ser um daqueles que, pelo silêncio, falam! Teu silêncio interior faz-te ouvir palavras também, e tu começas a entender, a dizer dentro de ti mesmo, que não é uma recordação que isso traz: é uma esperança! São os dias vindouros que te esperam na sua glória!”. (Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2016, n. 169, pp. 36-37)Blue-Water-thumb-920x575-115076.jpg

 

Portanto, reservemos alguns momentos de silêncio em nossas vidas e veremos que boa decisão tomamos e como nos tornaremos mais calmos, eficientes e felizes, e mais próximos de Deus!

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Notre Dame de Montreal

E não nos perturbemos se o mar, o deserto e os montes não estiverem ao nosso alcance, pois acima de tudo o que importa é que os vejamos como símbolos de ambientes propícios ao nosso encontro com Deus!

 

As expressões do Silêncio – Parte 1

Quando Jesus queria descansar e conversar com o Pai, Ele buscava 3 cenários: o mar, o deserto e os montes. É verdade que cada um deles tem suas características e significados próprios e eu me arriscaria a dizer que o mar descansa sobretudo por sua beleza, matizes, profundidades e imensidão, além de nos acalentar com seu movimento;  o deserto, por seu isolamento e mistérios que encerra; e os montes por nos elevarem para o alto onde o ar é mais puro e diáfano e nos sentimos mais próximos de Deus. Mas, os três têm algo em comum: propiciam-nos um afastamento do burburinho, da agitação e dos problemas do quotidiano de nossas vidas, que muitas vezes nos embaralham e nos impedem de olhar para o alto e de enxergar melhor e com mais profundidade a realidade; em última análise, nos três cenários antes mencionados, nós desfrutamos de uma situação de paz , de quietude e de silêncio, indispensável para o nosso equilíbrio psicofísico.

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E muito mais do que isto: eles são muito importantes para escutarmos a Voz de Deus, conversarmos melhor com Ele, e sermos por Ele orientados!

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  Assim, devemos buscar a Deus no silêncio, na meditação, na oração, em lugares e momentos nos quais nossa mente esteja livre para a contemplação e que sejam, ademais, um verdadeiro refúgio e refrigério para nossa alma.

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Estava com esses pensamentos, quando recebi de um amigo da família um texto bem interessante sobre o silêncio que me levou a pesquisar mais sobre o assunto, e na  segunda parte desse tema, partilharei com vocês algumas reflexões, contidas em dois artigos que, para mim se completam, e que poderão ser de grande utilidade, para enfrentarmos os desafios do tempo presente.

Ainda a propósito do silêncio, continuei a meditar  e constatei o seguinte: o silêncio é um bem muito precioso e indispensável que está presente em muitas situações e atividades de nosso existir, senão vejamos:

– nos hospitais, os doentes necessitam dele para se acalmarem e convalescerem

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–  nos estudos, precisamos do silêncio;

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–  nos concertos musicais, é uma exigência do público aficionado;

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–  nas salas de aula, é fundamental para o aprendizado dos alunos e desenvolvimento das ideias dos mestres;

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– nas cerimônias litúrgicas, a exemplo de uma Missa, a par da proclamação da Palavra de Deus, é um elemento importantíssimo em diversos momentos da celebração, indicados inclusive nas rubricas do Missal usado pelo sacerdote;

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– como homenagem póstuma, em sessões do mundo político, institucional e em competições esportivas;

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–  em nossos momentos e horas de descanso, é um fator muito importante para desfrutarmos de um repouso e/ou de um sono fácil e restaurador e para isso existe, inclusive, a chamada Lei do silêncio, infelizmente tão desrespeitada nos dias atuais;ABRENOVA.jpg

 

– para a nossa saúde física e mental, também precisamos do silêncio, ao passo que o barulho e os ruídos, tão frequentes em nossas metrópoles, muito acertadamente denominados como “poluição ambiental sonora”, podem nos causar distúrbios de várias ordens.

 

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E os exemplos poderiam se multiplicar.

Na Sagrada Escritura, há uma passagem, em I Reis 19, 11-12, que diz:” …neste momento passou diante do Senhor um vento impetuoso e violento que fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento, a terra tremeu; mas o Senhor não estava no tremor de terra”

 E que “ passado o tremor de terra, acendeu-se um fogo,mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma brisa ligeira.”

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 E aí, então, Elias ouviu a Voz de Deus.

Ou seja, Deus somente se fez presente e pôde falar a Elias, quando se fez silêncio. E assim Ele continua a agir, somente assim Ele se comunica e se doa a nós.

Por tudo quanto dito acima, podemos considerar o silêncio como um verdadeiro amigo, que devemos tratar com muito apreço, para que tenhamos uma vida bem mais saudável e mais próxima do nosso Bom Deus!

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Espero que essa leitura faça bem a você caríssimo leitor e lhe possibilite colher  preciosos frutos.

Não perca a segunda parte!!!

São João Batista, o Precursor de Jesus Cristo!

Caríssimos irmãos e irmãs, vivemos um período difícil, conturbado e caótico, pois o homem deu as costas ao Criador. Mas, penso que ainda há esperança e que vale a pena rezarmos e lutarmos por esse mundo, na expectativa de um milagre, o milagre da conversão das almas, para encontrarmos Cristo, a Luz do Mundo.

É com esse desejo e essa esperança, que me encanta, ainda, falar sobre o São João e o que significa essa festa tão comemorada, especialmente em nosso Nordeste.

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Tive a felicidade de viver inesquecíveis momentos em que as crianças gostam de estar pertinho da fogueira vendo-a queimar, de alimentar o fogo com gravetos, abanando-a, para em seguida assar o milho verde, tarefa desempenhada a contento, mesmo, somente por alguns poucos entendidos, para não deixar o milho “sapecar”, mas ficar bem tostadinho.

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E ficarmos ali, naquele aconchego, naquela quenturinha, em torno da fogueira;   também tive a felicidade de  soltar balõezinhos e ver  soltarem  balões multicoloridos bem maiores, que, após  terem suas buchas acesas, cuidadosamente, para não queimarem seus “panos” de papel-seda com os quais eram artisticamente preparados meses antes, iam se inflando e subiam, uns lentamente, outros, “vai mas não vai” , mas

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acabavam indo; alguns outros, subiam rápida e garbosamente, cada um mais lindo que o outro, sob aplausos e gritos de entusiasmo; e maravilhados, ficávamos olhando para o Céu estrelado também enfeitado com outros balões, soltados alhures, aos quais o nosso se unia, buscando sempre e cada vez mais as alturas, até que o perdíamos de vista!

Havia uma tristeza geral quando o balão queimava, mas logo era superada com a subida exitosa de um outro! Quantas e tantas músicas eram inspiradas pelos balões! Por exemplo: “cai cai balão, cai e cai balão, aqui na minha mão,  não cai não, não cai não, cai na rua do sabão”.

Como sabemos, os balões foram proibidos por razões de segurança, o que compreendemos, mas deixaram uma grande saudade.

Mas além da fogueira e dos balões , os fogos de artifício também tinham seu papel na noite de São João e eram de espécies e efeitos diversos: traque de massa, chuveirinho, lágrimas, estrelinha, vulcão, cobrinha elétrica, as bombas entre muitos outros fogos de nomes muito interessantes, e para todos os gostos, idades e espaços disponíveis.

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 Não é preciso dizer como eles alegravam, como ainda alegram, as noites joaninas! Mas como nada é perfeito, as queimaduras eram e são muito frequentes e por vezes sérias, por isso todo cuidado é pouco.

A propósito da fogueira muito se poderia dizer sobre sua origem,  simbolismos e finalidade. Resumidamente, aduzimos ser um dos usos mais antigos inventados pelo homem, para promover e manter o fogo aceso, simbolizando a fé e o amor a Deus ; e para  finalidades diversas:   cozinhar e assar alimentos;  aquecer e esquentar a água; temperar o ferro e o aço e  afastar os animais selvagens, etc.

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Quanto ao simbolismo, conta uma tradição piedosa que os pais de São João Batista, Zacarias e Isabel, prometeram à Virgem Maria e Mãe de Jesus que para avisá-la do nascimento do Batista, mandariam acender uma bela fogueira, cujo fogo e rolos de fumaça seriam o sinal do nascimento do Precursor de Jesus!

Como não poderia deixar de ser, os ambientes eram também ornados de acordo com o espírito e características da festividade: a mesa era coberta com uma bela e longa toalha, estampada com bico bordado, sobre a qual eram dispostas  variedades de iguarias: fubá de milho,  bolo de aipim, bolo de tapioca, canjica, pé de moleque, amendoim cozido, um delicioso escondidinho, mingau de milho, tapioca torrada, e um belo pernil assado, queijo de “cuia”, licores diversos, não podendo faltar o de jenipapo, de longe o preferido,  tudo isso ao som de  músicas típicas, entre outras “ a fogueira está queimando em homenagem a São João….

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Nossa! bolo de aipim na palha da banana, canjica, que fenomenal!

Até hoje, muitas dessas tradições e delícias fazem sucesso em muitas cidades do nosso querido Brasil, o que é muito salutar.

 Com o passar do tempo, outras coisas folclóricas foram se inserindo nesse contexto, como as quadrilhas, originárias da França, o casamento na roça.

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Quadrilha Junina

Mas, essa festa não teria sentido se apenas se restringisse aos folguedos e aos “comes e bebes”, pois, na verdade, a razão de ser da festividade para todos os cristãos, é o aniversário de nascimento do grande São João Batista, purificado ainda no ventre de sua mãe, Santa Isabel, em razão da visita da Virgem Maria que trazia em seu seio sacrossanto o Menino Jesus, e que se tornou o precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo; daquele que disse não ser digno de desamarrar as sandálias do Messias, daquele que o próprio Jesus disse não haver maior entre os simples homens  nascidos de uma mulher!

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Igreja São João Batista – SC

A Igreja é repleta de grandes homens e mulheres que aqui viveram e  que deixaram testemunhos de fé, de coragem , de coerência e exemplo de vida e santidade para todos nós.  E são João é um dos exemplos mais fascinantes e radicais, pela sua pureza e humildade.

Na verdade, como já dissemos em outros posts, este mundo em que vivemos está enfermo,  e está numa situação em certo sentido pior do que no tempo da torre de Babel, pois as pessoas não se entendem, os países também não, ninguém acredita nem confia em mais ninguém, e a tão sonhada paz é cada vez mais uma miragem, na qual, também, ninguém mais acredita.

Li em um artigo do Professor Filipe Aquino  sobre o Martírio de São João Batista o seguinte:

“ A lição de João Batista, mártir da fé e da moral não pode ser esquecida nem escondida. Muitos na Igreja foram mártires em situações semelhantes por denunciarem a imoralidade de sua época. Hoje, esta imoralidade é maior ainda, ferindo o Coração de Deus, calcando aos pés o Evangelho, profanando a vida das mulheres, das crianças não nascidas, da família, da dignidade humana. Quem será o João Batista de hoje a pregar contra aborto, a eutanásia, a pornografia deslavada,  a malversação do dinheiro público?”  E tantas outras aberrações!

 Mas vamos seguindo e endireitando as nossas vidas, pedindo a Deus perdão e misericórdia por nossos pecados e do mundo inteiro, como rezamos no Terço da Misericórdia, e o grande e humilde retorno da humanidade à Casa Paterna.

sao_joao.jpgSim, vamos pedir ao nosso São João Batista que interceda junto a Deus pelo nosso País e pelo Mundo inteiro e que faça florescer a justiça e um Mundo novo e que ele abra uma janela em nossos corações para que a fé e a esperança penetrem e que possamos seguir os passos de Jesus.

Após essas considerações, no mês de junho somos agraciados por Deus, por termos 4 varões da Igreja Católica que são festejados: no dia 13, Santo Antônio,  no  dia 24, São João Batista e no dia 29, São Pedro  e São Paulo, que também é comemorado neste mesmo dia, mas poucas pessoas sabem.

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A São Pedro, Nosso Senhor Jesus Cristo entregou as chaves de Sua Igreja, e ele permanece vivo e representado em todos os seus sucessores, que são os Papas, até os dias atuais; já São Paulo é chamado o Apóstolo dos gentios, pois foi aquele a quem Jesus instruiu durante 3 anos seguidos e que recebeu a grande missão de evangelizar os povos estrangeiros e que não conheciam o Deus verdadeiro, a exemplo dos coríntios, os tessalonicences ,os filipenses, os efésios, entre outros. E ele o fez de modo exímio e ardoroso!

Portanto, no dia 29 de junho lembremo-nos dessas duas colunas da Igreja e peçamos-lhes graças e favores especiais.

Mas o fato é que os dois santos mais festejados, atualmente, na Bahia são Santo Antônio e São João, muito embora São Pedro o seja em algumas cidades, até mais fortemente que São João, também com, tríduos,  fogueiras e fogos, etc.

 Segundo  o Evangelho de Lucas 1: 36, 56-57)  João nasceu  6 meses antes do nascimento de Jesus.

 João Batista é o único santo, além da Virgem Maria, de quem se celebra o nascimento tanto para a terra, quanto para o céu. Segundo os Evangelhos, é o maior dos profetas ( Lc 7,) porque pôde apresentar o Cordeiro de Deus que tira o  pecado do mundo ( Jo 1, 29, 36). Sua vocação extraordinária é repleta de júbilo messiânico e prepara o nascimento de Jesus (cf,Lc 1, 14, 58). João é o precursor  de Cristo pela palavra e pela santidade de vida.

Conhecido como  “ aquele que  gritava no deserto” e anunciava a chegada do  Salvador. Depois dele não houve mais profeta em Israel.

Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre e sua vestimenta era de pele de carneiro.

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São João Batista foi preso em razão das suas pregações e do seu testemunho de fé e de integridade de vida e por ter tido a coragem de dizer não à pretensão de Herodes  Antipas de casar-se com sua cunhada, prática proibida pela Lei de Moisés, vigente à época. A final, foi degolado a mando de Herodes, que assim o fez para atender a uma infame solicitação da filha de Herodíades  e sua cabeça foi trazida numa bandeja, em meio a um dissoluto festim.

Seu corpo foi enterrado por seus seguidores, mas sua voz jamais deixou de ser ouvida e obedecida pelos discípulos fiéis ao Cordeiro de Deus, Nosso Senhor Jesus, e de outro lado, também continuou sendo ouvida e temida, com verdadeiro pavor, pelos que O rejeitaram! Juntemo-nos aos primeiros e seremos verdadeiramente felizes!

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Mas, voltemos a falar sobre a origem, ambientes e costumes do São João:

Essas festas existem desde o período pré- gregoriano, como manifestações pagãs, em comemoração à grande fertilidade da terra, às boas colheitas na época do denominado solstício de verão, que ocorria, coincidentemente, no dia 24 de junho, que para os cristãos, era o dia do nascimento de São João.

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Cabeça de São João Batista. Na Catedral Amiens, na França.

 E então, Igreja, que ao longo dos séculos, sempre soube aproveitar todos os costumes sadios e belos dos diversos povos que evangelizou, deu-lhes um sentido maior e cristão.

É uma festa muito alegre, própria do espírito dos nordestinos e como cai sempre no período do frio, enormes fogueiras são armadas e acesas, para que todos possam se aquecer ao seu redor. A fogueira já estava presente nas celebrações juninas feitas pelos pagãos e indígenas, mas também ganhou um significado cristão, como mencionado mais acima.

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 As músicas juninas variam de uma região para outra. No nordeste, as composições do sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga, a exemplo de “Olha Pro Céu” e “Asa Branca.” No Sudeste, temos João de Barro e Adalberto Ribeiro, celebrizados com a “Capelinha de Melão.”

Trazida ao Brasil pela Corte Portuguesa, a festa de São João, que na Península Ibérica tinha e ainda tem um caráter mais devocional, sofreu em nossa Terra um processo de aclimatização. Ganhou elementos simbólicos, que lhe deram uma de dramatúrgico, como exemplo a: quadrilha. “Derivada da dança da nobreza cortesã francesa – há referências disso nas expressões  anarrié, anavantu –  (ela não existe nas festas de  São João  em outros lugares do mundo”) afirma o sociólogo Edson Farias da Universidade de Brasília.

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Festas São João – Cidade de Braga – Portugal

 

O mesmo acontece com o casamento caipira, que reforça a ideia de regionalidade. “Marcadamente, há uma cena tradicional nordestina: o pai é uma espécie de coronel, o noivo,   um caipira, roceiro, sertanejo, e a noiva uma caipira e o pároco a figura do Padim Ciço”

Quanto às roupas coloridas caipiras ou saiolas são uma clara referência ao povo campestre que povoou o Nordeste do Brasil e podem-se encontrar muitíssimas semelhanças no modo de vestir caipira no Brasil e em Portugal.

As decorações dos arraiais iniciaram-se em Portugal junto com as novidades que, na época dos descobrimentos, os portugueses trouxeram da Ásia, tais como os enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora. Aqui no Brasil, foi proibido o uso dos balões, por motivo de segurança. Em Portugal, são usados os balões na cidade do Porto, com muita abundância e o céu se enche  com milhares deles durante a noite.

No Canadá, em Quebec, a celebração do Dia do São João foi trazida para a Nova França pelos primeiros colonizadores franceses. Grandes fogueiras eram acesas à noite.

São João era festejado com entusiasmo nas aldeias Jesuíticas no Brasil, provavelmente porque as fogueiras e tochas acesas pelos missionários provocavam grande efeito sobre os indígenas. Embora a festa tenha absorvido elementos das culturas indígenas e mais tarde africanas, a hegemonia da tradição europeia e portuguesa é evidente.

 É a tradição, com suas  raízes, a religiosidade, a identidade cultural de diversos  povos com seus costumes que tornam essa festa atraente, alegre, unindo o profano  e o religioso, tendo no centro a devoção a São João.

A par da origem e inspiração religiosa, é um espetáculo de cores, sabores , comidas e musicalidade, tudo com muita alegria, que se mistura com suas histórias, e dão continuidade a essa tão bela e apreciada  tradição, em suma, são ambientes e costumes da nossa civilização! E não podemos deixar que seja descaracterizada e até mesmo conspurcada, com a a introdução de práticas feias e bizarras, que não guardam nenhuma relação com o seu espírito e suas mais genuínas e belas tradições.

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Santo Antônio
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São João Batista
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São Pedro

 

 

 

 

 

 

 

E para finalizar, cantemos:

“Viva João Batista, viva o precursor,

Porque João Batista, anunciava o Salvador,

Porque João Batista, anunciava o Salvador!”

 Biblia Sagrada

Professor Filipe Aquino, O Martírio de São João Batista

Wikipédia

 

Glorioso Santo Antônio

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Vista da Igreja de Santo Antônio da Barra

Começava sempre às 18 horas. Mas, muito antes desse horário, ainda no período da manhã, iniciavam os preparativos para a ornamentação e arranjo do altar. E, como não poderia deixar  de ser  os “comes e bebes”, bem característicos – bolos de milho e de aipim, canjica, amendoim cozido, entre outros itens juninos, e o licorzinho de genipapo ( de longe, o preferido) e o de maracujá, que tinha também os seus apreciadores e apreciadoras, para o depois das orações e cânticos. Estávamos em pleno período da Trezena de Santo Antônio, que transcorria de 31 de maio a 13 de junho de cada ano!

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Interior da belíssima Igreja de Santo Antônio de Pádua na ladeira da Barra em Salvador

Minha família era muito devota dele, especialmente a minha mãe.  Durante a trezena, geralmente à noite,  em nossa casa, rezavam-se preces e orações ao mais querido Santo dos brasileiros, entremeadas com cânticos variados e apropriados para os diversos momentos desta prática devocional popular, riquíssima, praticada em vários Estados do Brasil, e de modo muito especial, na Bahia, cujo povo é criativo, expansivo e  e fiel às tradições católicas, transmitidas de geração a geração.

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Basílica de Santo Antônio de Pádua, Itália

Mas, a trezena, segundo me disseram, seria própria, se não, exclusiva, da Bahia . Todavia, aprofundando as pesquisas, na verdade, esta devoção teve origem em Bolonha na Itália, em 1617 e foi trazida para o Brasil pelos Portugueses e se espalhou por todo o País, de modo especial na Bahia, que mantém viva esta tradição.

Que costume interessante e que nome curioso:  trezena!

Mas, como dizia, minha mãe Neuza preparava tudo com esmero:  com ajudantes , vizinhas e parentes “construía” um altar bem alto, que atingia o forro da casa,  cujo acesso somente era possível utilizando-se de uma  escada comprida. E neste altar era entronizada uma bela Imagem do nosso querido Santo, de  onde ele visualizava e distribuía graças e mercês aos seus devotos.

 Eram noites de muita devoção, fé, esperança e alegria naquela casa antiga, onde havia um corredor longo de ladrilhos estampados, encerados  e burnidos com um escovão, de modo especial, durante estes dias da Trezena,  para brilharem mais intensamente.

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Interior da Basílica de Santo Antônio de Pádua

A casa tinha que ficar  impecável, pois era grande a frequência dos devotos e a cada dia homenageava- se uma família do nosso círculo de amizade. E havia muitas orações e cânticos ardorosos e alegres em louvor desse  insigne homem da Igreja de Deus, “o Grande Santo Antonio, Santo universal, que ampara os aflitos contra todo mal”, como cantam os seus devotos.

Mas era tudo muito ordenado em meio à expansividade do coração: oração introdutória, hino de entrada, leitura de fatos da vida do Santo e de trecho da Bíblia, reflexão, oração do Pai-Nosso, da Ave Maria, e do Glória, invocações e incensação ao Santo, e oração final, tudo  em meio a cânticos próprios para cada momento , como dito acima! Tudo isto é uma inequívoca demonstração da sabedoria popular, uma belíssima e autêntica tradição que permanece até os dias de hoje.

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Imagem de Santo Antônio que pertenceu aos meus pais.

Como se vê, desde a mais tenra idade fui apresentada a Santo Antônio, que é  um dos meus Santos preferidos e tive a graça de ter ficado com uma belíssima Imagem dele, que está comigo, há   mais de 20 anos e agora mesmo, acabei de rezar com meu marido e Antônia, o décimo dia da Trezena.

Feitas tais considerações, falemos um pouco sobre o Varão Lusitano.

Santo extraordinário, eficiente intercessor, conhecido como Pai dos pobres, Arca da Aliança, entre outras denominações dadas a Ele.

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Nos dias atuais em que vivemos, carecemos, na vida pública, de  exemplos edificantes, de líderes autênticos e de bons formadores da opinião pública, em que pese honrosas exceções, geralmente postas de lado ou objeto de um inexplicável silêncio ou até de chicanas e calúnias, a figura de Santo Antônio desponta como um Farol que precisa ser visto em sua completude e sob seus diversos ângulos, alguns desconhecidos ou, quem sabe, não ressaltados por muitos dos seus biógrafos.

Como seríamos felizes  se tivéssemos alguns Antônios pelo mundo, ou, se os que existem fossem divulgados , conhecidos e seguidos!  Se tal ocorresse, certamente o mundo se encontraria em outra situação, pois o santo é um “alter Christus” , um outro Cristo.

Antônio era um exímio pregador, tinha uma grande capacidade de comunicação com as multidões , conhecido também como  Varão Evangélico. Possuía  a Sagrada Escritura e a doutrina católica no seu coração fervoroso e cheio do amor a Deus. Na verdade estimados irmãos, Ele era uma tocha de entusiasmo quando pregava: Ele passava para as multidões o verdadeiro amor a Deus e às suas Leis orientando como deveriam  os homens  caminhar para o Criador e assim alcançarem  um dia, o Céu.  Sim, exortava e arrastava   multidões  para Jesus, nosso Caminho, Verdade , Luz  e Vida.Imagem relacionada

E o segredo disso tudo era a sua vida de oração e de penitência, sua humildade profunda e sua pureza ilibada, enfim as virtudes e dons do Espírito, plantados em sua alma e que lhe davam uma grande sede de almas e o desejo de conduzi-las a Jesus, por meio de Maria de quem era um grande devoto.

 Sim, conhecendo sua vida, somos estimulados a segui-lo, praticando a caridade,  cultivando o gosto pela  oração, e  a crescermos na Fé.

Esta é a única “fórmula” para obtermos o fim das   guerras, do terrorismo, dos  ódios, das violências e das mortes violentas.

Os milagres que nosso Glorioso Santo Antonio operou, ao longo de sua curta mas profícua existência, são  emocionantes vejamos alguns:

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. Sermão aos peixes – Na cidade de Rimini, ao norte da Itália, as pessoas mantinham-se indiferentes à pregação de Frei Antônio, envolvidas pelas mentiras dos hereges. Certo dia, meditando e refletindo sobre esse abandono e inapetência do povo, Antônio resolveu pregar junto ao mar. De repente, viu-se cercado por um grande cardume de peixes, que  silenciosamente acompanhava sua palavra. Antônio elogiou seus ouvintes falando sobre o sentido do peixe na Sagrada Escritura. As pessoas ao verem isto, ficaram envergonhadas e passaram a ouvir as prédicas de Frei Antônio.

. Veneno em sua comida –  Certo dia alguns hereges, procurando fazê-lo  calar-se e testar sua santidade, colocaram veneno em sua comida. Frei Antônio fez o sinal da cruz sobre o alimento, comeu-o e nada sofreu para surpresa de seus perseguidores.

Resultado de imagem para aparicao menino jesus para santo antonioAparição do Menino Jesus – Hospedado na casa de uma família amiga, à noite o dono da casa percebeu uma luz muito forte no quarto de Antônio. Vencido pela curiosidade, o homem foi espiar e viu o Menino Jesus sentado no colo do frei, com os bracinhos enlaçando seu pescoço, em animada conversa. Por isso que se canta na Trezena: “Bem merecestes ter com amor em Vossos braços o Salvador!”

. Milagre da Bilocação * – no domingo de  Páscoa, enquanto pregava na Catedral, Santo Antônio lembrou-se de que fora designado para entoar o Aleluia na missa que se celebrava naquele momento na igreja do convento franciscano. Não querendo faltar com a obediência e não podendo descer do púlpito, parou um pouco, calou-se como se estivesse retomando a respiração e, nesse momento, foi milagrosamente visto no Coro de seu convento, entoando o Aleluia. Todos presenciaram esse milagre da bilocação e logo espalhou-se  a fama de santo taumaturgo.

Imagem relacionada. O jumento se curva diante da Eucaristia – Durante uma pregação, cujo tema era a Eucaristia, levantou-se um homem dizendo:

“Eu acreditarei que Cristo está realmente presente na Hóstia Consagrada quando vir o meu jumento ajoelhar-se diante da custódia com o Santíssimo Sacramento” O Santo aceitou o desafio. Deixaram o pobre jumento três dias sem comer. No momento e lugar pré-estabelecido, apresentou-se Antônio, que passara esses dias em intenso espírito de oração, com a Custódia do Santíssimo Sacramento nas mão, e o herege com o seu jumento que já não aguentava manter-se em pé devido ao forçado jejum. Mesmo meio-morto de fome, deixou de lado a apetitosa pastagem que lhe era oferecida pelo seu dono, para se ajoelhar diante do Santíssimo Sacramento.

O nome de nascença do nosso Santo era Fernando Antônio de Bulhões,  que nasceu em Lisboa, Portugal, em 15 de agosto do ano de 1195. De família nobre e rica, era filho único de Martinho de Bulhões, oficial do exército de Dom Afonso e de Tereza Taveira.

 De boa índole, inclinado à piedade, sua educação espiritual e intelectual  foi  confiada aos cônegos agostinianos desde os 7 anos de idade.  Antonio gostava de estudar e de ficar recolhido.

Entrou aos 15 anos no colégio dos cônegos regulares de Santo Agostinho. Em apenas nove meses aprofundou tanto o estudo da Sagrada Escritura que foi chamado mais tarde por Gregório IX “ Arca do Testamento”. Uniu à cultura teológica a filosófica e científica.

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Mosteiro de São Vicente de Fora

 Aos 19 anos ingressou no Mosteiro de São Vicente de Fora, onde se tornou Cônego Regular da Ordem de Santo Agostinho. Em 1212, Fernando é transferido para o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde se aprimorou na leitura da Bíblia e da  literatura patrística, científica e clássica.

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Claustros do Mosteiro de Santa Cruz

Em 1219 é ordenado sacerdote onde iniciou a elaboração de uma importante obra: Os Sermões Dominicais.

Foi em Coimbra que conheceu alguns Frades Menores Franciscanos, do “conventinho ” de Santo Antão dos Olivais .Eles atraíram a sua atenção pelos seus trajes, sua vida humilde, de serviço e penitência que levavam, contando apenas com a esmola das pessoas para sobreviverem, conforme os ideais de Francisco de Assis.

Com a morte de cinco mártires franciscanos decapitados em Marrocos, o jovem coração de Fernando, sensibilizou-se profundamente e ele trocou o hábito agostiniano pela túnica e a corda franciscanas. Mudou seu nome para Antonio, em homenagem a Santo Antão, outro grande e fascinante santo, que merece ser lembrado em um outro post.

Em 1220, após  breve período  de noviciado em Olivais, motivado pelo amor de Cristo, partiu para África, em missão apostólica. Caiu doente e teve que retornar. Na viagem de retorno, uma tempestade desviou o barco para Messina, província da região da Sicília, no sul da Itália.

Iniciou, assim, uma vida eremítica e abraçou radicalmente o ideal franciscano –  a pobreza, a austeridade, a humildade, o jejum  e a oração.

Quando falou pela primeira vez em público,  solicitado pelo superior de  Forli, encantou a todos por seu profundo conhecimento bíblico e teológico, exposto com lógica e clareza. Informado pelo provincial,  Francisco, o “Poverello” de Assis – mandou  que Antonio estudasse teologia para dedicar-se a pregação.

Em 1223, Francisco de Assis autoriza a Antonio fundar uma Escola de Pregadores e Teólogos Franciscanos, e assim escreveu Francisco para Antonio: “ Apraz-me  que ensines teologia aos frades, esperando que, por tal estudo, não extingam o espírito de santa oração e devoção, como está contido na Regra”.

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Santo Antônio e São Francisco de Assis

Em 1224, foi para Provença, na França, onde havia surgido a heresia albigense, que defendia a fundação de uma nova igreja.  Conhecido, também, como Martelo dos Hereges, recebeu a missão de combater esta heresia e o fez com sucesso.

O Papa Emérito Bento XVI  assim se refere a esse grande Santo:

“ Antônio nos recorda que a oração precisa de uma atmosfera de silêncio, que não coincide com o afastamento do barulho externo,  mas é experiência interior, que procura evitar as distrações provocadas pelas preocupações da alma. Para Santo Antonio, a oração se compõe de quatro atitudes indispensáveis que, no latim, definem-se como obsecratio, oratio, postulatio, gratiarum actio. Poderíamos traduzi-las assim “  abrir com confiança o próprio coração a  Deus, conversar afetuosamente com Ele, apresentar-lhe as próprias necessidades,louvá-lo e agradecer-lhe”

Em 1230, solicitou dispensa ao Papa de sua funções como provincial para dedicar-se à pregação, reservando um tempo maior para  contemplação e a oração no mosteiro que fundara em Pádua. Voltado para os necessitados, envolveu-se também com questões políticas, chegando a viajar para Verona para pedir a libertação dos prisioneiros  guelfos, sob a dominação do tirano Ezzelino – prefeito de Pádua. Combateu, também, a agiotagem.

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Língua incorrupta de Santo Antônio em Pádua

Nosso amado Frei Antônio sentindo-se fraco e pressentindo  que Deus o estava chamando, quis visitar o eremitério de Camposanpiero, nos arredores de Pádua. Levado por seus irmãos, não conseguiu retornar ao mosteiro franciscano.

No Convento das Clarissas, em Arcella (subúrbio de Pádua), Frei Antônio recebeu os  últimos sacramentos, despediu-se de todos e ainda cantou o bendito:

“ Ó Virgem Gloriosa que estais acima das estrelas…” Depois ergueu os olhos para o céu e disse: “ Estou vendo o Senhor”. Pouco depois morreu. Era dia 13 de junho de 1231 e Antônio contava apenas 36 anos de idade.

Nesse momento em Lisboa, sua terra natal, os sinos repicaram sozinhos, anunciando a entrada desse grande santo nos Céus. As crianças gritavam “o santo morreu, o santo morreu”.

O corpo de Antônio foi levado e sepultado pelos fiéis na igreja de Nossa Senhora. E depois sua fama de santidade foi-se espalhando pela terra a fora.

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Translado do corpo de Santo Antônio

O Papa Gregório IX, onze meses depois da sua morte, no dia 30 de maio de 1232,distinguiu-o como teólogo, místico,   asceta e, sobretudo, notável orador e taumaturgo.

Seus restos mortais repousam desde 1263 na Basílica de Santo Antônio de Pádua, construída em sua memória logo após a sua canonização.

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Quando sua tumba foi aberta para o translado, sua língua estava incorrupta, e São Boaventura, presente naquele ato, disse que o milagre era a prova de que sua pregação fora inspirada por Deus. E assim permanece até hoje, exposta na Capela das Relíquias da Basílica.

Tenhamos, pois, uma grande devoção a esse insigne Santo, imitando suas virtudes,  pois Ele  tem uma afeição muito especial ” aos brasileiros que seus milagres cantam por séculos inteiros! Amém!

E Viva Santo Antônio! Viva!

 

 

 

Das estrelas às batatas

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Durante um período de minha  juventude,  fazia com meus pais, passeios   pelas praias de Stella Maris.

Visual paradisíaco!

Com efeito!

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O mar  de um azul estupendo com aquelas ondas brancas e ligeiras, que após concluírem o seu percurso se desmanchavam espumejantes nas areias da praia;  sobre nossas cabeças, o céu anil, enfeitado  com nuvens ora diáfanas outras vezes assemelhadas a carneirinhos ou algodões, faziam-nos sentir agraciados por Deus.  E o mar! Não bastasse a sua beleza feérica e restauradora, que riqueza de alimentos naquelas águas azuis!

Resultado de imagem para sanhaco do coqueiroDesfrutávamos aquele espetáculo, ouvindo, ademais, o assobiar suave dos ventos, que também nos faziam chegar o cheiro forte  e marcante da maresia,   os farfalhares das folhas dos coqueiros, douradas pelos raios do sol, e que lá no alto onde se encontravam,   pareciam  dançar, ao som dos cantos de afinados sanhaços!   Eram manifestações  de uma natureza esplendorosa, e eu ali,  apreciando e fruindo aqueles  cenários marinhos encantadores, com que Deus prodigalizou os baianos!

Sim, as praias de Salvador são belíssimas, como também o são as praias de todos os Estados situados na Costa do Brasil, cada uma com seu encanto e suas características próprias.Resultado de imagem para mar revolto de stella maris

Em face de tais lembranças, veio à minha mente uma passagem muito linda do Livro de Gênesis, na qual Deus concede a todos os  seus filhos, uma variedade de plantas, ervas, vegetais, árvores frutíferas, para se encantarem e se alimentarem. Imagem relacionada

Diz nosso Deus:

“Eis que vos dou toda erva que dá semente sobre a terra e todas as árvores frutíferas que contêm em si  mesmas a sua semente para que vos sirvam de alimento” (Gênesis 1,29)Resultado de imagem para mar aberto com peixes

E na sua  infinita bondade e  incansável misericórdia, nos presenteou com a criação do  mar , com  suas plantas, corais , peixes,   e  animais diversos, dando ao homem e à mulher o direito e o dever de bem cuidar e  de se utilizar de tudo isto.

 Sim, Ele disse:”  Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda terra” (Gênesis 1,26)

Lendo essas passagens da Bíblia, que nos mostra que tudo que temos  vem das  mãos de Deus, lembrei-me, de novo,  dos belos passeios, a que já me referi,  que fiz quando ainda era adolescente, com meus saudosos pais e familiares que levavam um fogareiro e assavam coisas diversas,  entre as quais, algo muito saboroso e conhecido de todos, que é a batata.Resultado de imagem para peixe assado no fogareiro

Diante de tamanha riqueza, abundância e variedade de elementos e  ingredientes que Deus proporcionou, gratuitamente, ao homem, devemos, todos dias, agradecer  por essa fartura de alimentos que temos  e que foi criada e dada por Ele.

 Lemos na História Sagrada,  que Ele ordenou  ao grande Moisés que libertasse seu povo da escravidão do Egito e que o conduzisse à Terra Prometida onde abundaria leite, mel, uvas, figos, romãs, amêndoas, azeitonas, além de leguminosas, como favas e lentilhas, e diversos tipos de grãos, como trigo e cevada em abundância.download (1)

“ O Senhor, teu Deus, vai conduzir-te a uma terra excelente (…); uma terra de trigo e de cevada, de vinhas, de figueiras, de romãzeiras, de óleo de oliva e de Mel”.( Deuteronômio, 8, 7-8)

  Toda a prodigiosa quantidade e variedade de alimentos, que provêm da terra, nos foram dadas por Ele, e todo o ininterrupto processo evolutivo, que  vai desde a semente que é colhida e que lançada à terra, nela germina, e em seguida se desenvolve até produzir folhas, flores, frutos ou grãos, é um  espetacular e continuado milagre realizado por nosso Bom Deus, e que nós em nossa cegueira não enxergamos nem Lhe agradecemos.

E a nossa batata, tão prosaica, também se insere nesse contexto, como veremos mais abaixo ao tratarmos da sua origem.

O Professor Plinio Correa de Oliveira, com a sua proverbial acuidade de pensamento, comentando certa feita uma observação de um escritor francês, assim se exprimiu: o homem deve saber descer das estrelas às batatas, pois se disto não for capaz, não será digno das estrelas nem das batatas! Considero genial tal observação e pensando nela é que vou tentar  descer da sublimidade presente nos últimos posts sobre a Mãe e as aparições de Fátima – no caso, as Estrelas,  para… descermos às batatas.

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Batata Inglesa

No mundo da gastronomia,  o que se faz com este tubérculo, a batata chamada inglesa, é de uma variedade  muito grande. Quem não gosta, por exemplo, da batatinha frita, hoje , aliás, incluída no índex “tirânico” e oscilante das dietas gastronômicas, como já o foi durante muitos anos, o também tão saboroso ovo de galinha, graças a Deus reabilitado, de forma consagradora, na medida em que já pode ser consumido, diariamente e em quantidades consideráveis!

  Mas vamos conhecer um pouco sobre a batata inglesa e a batata doce, a  história de cada uma,  onde elas surgiram, quem primeiro as cultivou, como chegaram em nossas mesas, seus nutrientes, e porque devemos comê-las!

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Comecemos pela batata inglesa:

Sabe quantos tipos de batatas  chamadas inglesas existem, amigos? Não sabem? Eu também não sabia, até que empreendi minhas pesquisas, cujos resultados seguem abaixo:

A batata ostenta  cerca de 500 variedades espalhadas em praticamente todos os lugares do mundo.

 A batata, batata inglesa, que é a mais conhecida e utilizada em todo o mundo sob formas variadas, ora chamada batatinha ou pataca, por vezes escorva, papa ou semilha (solanum tuberosum)  – é um tubérculo da família das “solanáceas.”  A planta adulta tem entre sessenta e cem centímetros de altura, possui flores e frutos e produz um tubérculo comestível rico em amido, um carboidrato. Os nomes podem referir-se tanto ao tubérculo comestível quanto à planta como um todo.

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Cordilheira dos Andes

A batata tem sua origem nas Cordilheira dos Andes, onde está situado o Lago Titicaca, e foi levada para outras regiões do mundo por colonizadores europeus.

A batata começou a ser utilizada por civilizações  andinas, há cerca de oito mil anos, e seu cultivo foi aperfeiçoado pelos Incas que já utilizavam técnica de irrigação, por volta de 200 a.C. .

No século XVI, quando estiveram nas Américas e a conheceram, os espanhóis, retornando à Espanha  logo introduziram-na neste País  tornando-se um alimento muito importante.  Antes do final do  referido século , as famílias dos marinheiros bascos começaram a cultivar batatas ao longo da Costa Biscaia, no norte da Espanha.

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Golfo da Biscaia

 A história conta que Sir Walter Raleigh a introduziu na Irlanda em 1589 em 40 hectares de terra perto de Cork. Demorou quase quatro décadas para se espalhar para o resto da Europa. O que é mais importante, tornou-se conhecido que as batatas continham a maioria das vitaminas necessárias  ao sustento do homem.

 Na década de 1840, um grande surto de praga abateu-se sobre a batata, causando uma doença em tão útil e valiosa planta, alastrando-se por toda a Europa, acabando com a cultura de batatas em muitos países.

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Irlanda

A classe trabalhadora irlandesa que vivia em grande parte das batatas, quando a praga chegou nesse País, viu seu principal alimento básico desaparecer. Essa fome deixou muitas famílias, sem escolha a não ser lutar para sobreviver ou emigrar para fora da Irlanda. Durante esse período , quase um milhão  de pessoas morreram de fome ou de doenças  dela decorrentes. E mais de um milhão de pessoas deixaram a Irlanda, migrando principalmente para o Canadá e os Estados Unidos. Mas, felizmente, esta dramática situação foi superada e a batata difundiu-se por toda parte, como um precioso alimento!

  Ainda segundo a história, inicialmente os europeus a consideraram “maligna”, graças à sua semelhança com a família da mandrágora e da beladona, potencialmente venenosas. Mas, logo foram constatados a sua benignidade e seu valor alimentar.

Atualmente, os principais produtores  mundiais são: China, Polônia, Índia, Rússia e Estados UnidosResultado de imagem para PLANTACAO DE BATATA

Na Europa, são utilizados, entre outros, os seguintes tipos de batatas:

A “Russet” é cheia de amido com a casca marrom  e a polpa branca;

a “Waxy Round White” que tem casca macia e clara e polpa branca;

 a “Long White” tem níveis médios de amido, formato oval e casca fina e clara.

 Essas batatas têm textura firme e cremosa. As que  possuem casca vermelha também têm a polpa branca e são consideradas as”novas batatas”; a” Starchy Yellow Flesh” tem uma textura densa e cremosa, e parece amanteigada quando cozida. Temos a “Blue” e a “Purple”, originárias da América do Sul, que  têm um sabor de noz e  uma polpa que varia do azul-escuro ao lavanda e branco.

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As  batatas têm grandes variedades de cores, cascas e de polpas. É uma riqueza o que se faz com as batatas. Diversas cozinhas pelo mundo a fora, com seus grandes mestres em culinária, a utilizam de diversas e espetaculares formas,  em pratos  saborosíssimos,  combinam a  batata com o  molho de iogurte, fazem  “souflé”  de batatas, rocambole de batatas, batatas gratinadas, torta de batatas com requeijão cremoso,  até (pasmem!) moqueca de batata com ovo e  camarão seco,  pão de batata-baroa, bolinho de batatas, “shimeji” no vinho e batata palha, batata frita, batata recheada.  É uma infinidade de pratos, cada um mais saboroso do que o outro.

No Brasil destacam-se as variedades :Imagem relacionada

“Monalisa” e “Bintje”, esta última indicada  para preparar  batata “palha” ou “chip”.

 Na Região Sudeste despontam:

 Batata”Asterix “– é aquela com casca  rosa bem escura e bem grossa, e contém vitamina C , minerais e fibra dietética.

Batata “Baraka” – é a que parece mais suja de todas, não tem vitamina, nenhum valor nutricional.

 Batata “Baroa” – compridinha com a casca amarela  tipo a mandioquinha super grudenta, contém fósforo, vitamina A b C, além de ser boa para digestão e ter poder anti-inflamatório.

Batata Agata – a mais fácil de achar e a mais produzida no Brasil ( correspondente a 60%  da produção nacional) É uma batata fotogênica( realmente, é bonita e de pele lisa e limpa), mas não tem nada de  especial nessa batata, relativamente ao teor de vitaminas.

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Batata Ágata, a fotogênica

 

 

Batata Yacon-  por fora parece com batata doce, mas dentro é bem mais alaranjada. Também é mais adocicada, é muito boa para diabéticos, pois ajuda no controle da glicose no sangue. Tem muitas fibras e proteínas.

Depois de termos feito algumas considerações a respeito da batata inglesa vejamos  algo agora sobre a batata doce que  é um  tubérculo considerado outra riqueza que Deus a “escondeu” na terra,  para que o homem um  dia a descobrisse,  a cultivasse, e fizesse chegar  em nossas mesas.

 Algo interessante que eu não sabia, é que a batata doce pertence a família “Convolvulaceae”, um grupo de plantas com flores no formato de corneta. Ela não é da família  das batatas Solanaceae.

Há cerca de 400 tipos dessa batata, que apresenta a casca variando do roxo ao branco, passando pelo vermelho, laranja e amarelo. E a polpa  pode ser branca, laranja ou amarela, com textura firme e seca e úmida.

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Cristóvão Colombo

Os estudos revelam, como visto acima, que a batata origina-se  da América andina e é o vegetal mais antigo conhecido pelos humanos – vestígios desse alimento foram encontrados em cavernas peruanas que datam, aproximadamente, 10 mil anos.

 

Resultado de imagem para batata doceA batata doce foi levada para a Europa por Cristóvão Colombo, após sua primeira viagem ao Novo Mundo. Exploradores portugueses a levaram para África, a Índia, a Indonésia e o Sul da Ásia, e os espanhóis para Filipinas, no século XVI.

É bom comer batata doce?

Sim, rica em fibras, ela também é fonte de ferro, vitamina C e potássio, além de apresentar alto teor de vitamina E, conter vitamina C e A.

É um dos alimentos mais nutritivos do mundo. A batata doce é um carboidrato complexo de baixo índice glicêmico, o que significa que sua absorção é mais lenta, liberando glicose na corrente sanguínea aos poucos e sem estimular muito hormônio chamado insulina ( responsável pelo aumento da fome e pelo acúmulo de gorduras).

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Tipo de batata doce

A batata doce contém ômega 3, ácidos graxos, magnésio, fósforo, potássio, sódio, zinco e as vitaminas A, B, C, K e E.  Ela é considerada uma excelente fonte de compostos naturais que trazem muitos benefícios à saúde conhecidos como betacaroteno e antocianina.

Nossa! Que “santo” vegetal é esse, caros amigos! Vamos comer batata doce e não deixemos faltar em nossas mesas, não é verdade?

Algumas curiosidades:

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Cultivo Inca

Os Incas colocavam esse tubérculo sobre ossos quebrados para curá-los. Batatas inteiras eram carregadas para prevenir reumatismo e consumidas com outros alimentos, para prevenir indigestão.

E mais ainda:  estudos com humanos mostraram que lecitinas, como as encontradas na batata, aderem a receptores em membranas de células cancerígenas, levando-as à apoptose e à citotoxicidade,  inibindo o crescimento de tumores.

Portanto, devemos consumi-las buscando aquelas que nos tragam benefícios a nossa saúde e também usá-las com a casca pois é onde encontramos maior concentração de vitaminas.

Mas agora deixemos de lado esses aspectos , para dizermos que entre os pratos mais saborosos engendrados pelo homem figuram uma grande quantidade nos quais são utilizadas as batatas e podemos dizer que sem elas a culinária não seria o que é.

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Temos um rocambole de batata inglesa com camarão , que é uma delícia, que é  bem caseiro. Vejamos sua receita:Resultado de imagem para rocambole de batata

Ingredientes:  batata, gema, manteiga, farinha de trigo, tempero verde, cebola, tomate, pimenta a gosto, farinha de rosca e  leite.

Modo de fazer: Cozinham-se as batatas e  as espreme no espremedor, e as reserva em uma vasilha funda. À parte, cortam-se os temperos e se recheiam os mesmos na frigideira  até murcharem, e colocam-se os camarões e  se os refoga nesse tempero por 6 minutos  e em seguida retiram-se do fogo e  se os reserva.

Na vasilha das batatas jogam-se um pouco de farinha de trigo, as gemas, a manteiga e o leite grosso ( em pó), mistura-se  e prova-se o sal.

Pega-se uma assadeira e  se a pincela com manteiga e coloca-se a farinha para untar e abre-se a batata na assadeira e coloca-se para cozinhar no forno,  e depois desenforma em cima de uma papel filme ou sobre um pano úmido com farinha de rosca.   Coloca-se o recheio dentro da massa e em seguida se a enrola  e deixa que esfrie para  ser colocada em um prato. Enfeita-se-o com alface e camarões na parte de cima. À parte faz-se um molho de tomates e se o joga por cima com queijo ralado. Nossa! Prato fenomenal!

Referências:

Bíblia Sagrada

minhamarmitatem.com.br

https://pi.m.wikipedia.org

https//PT.m.wikipedia.org.wiki batatas

101 Alimentos que podem salvar sua vida, David Grotto

Fátima, o Farol de Deus!

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Imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima que verteu lágrimas em Nova Orleans em 17 de Julho de 1972

Como estamos ainda no mês de maio , sentindo no coração as graças e bênçãos do dia  13, no qual comemoramos o Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, e ainda sob os eflúvios das emoções do dia das Mães, ocorrido no último domingo, quero compartilhar com todos vocês um artigo sobre as Aparições e as Mensagens de Nossa Senhora de Fátima , na minha modesta opinião, muito bom e esclarecedor , entre tantos outros bons artigos que vão surgindo sobre tão fascinante e momentoso tema, porque dá uma dimensão profética e universal deste acontecimento, de uma atualidade cada vez mais candente.

No fundo, Fátima é a manifestação de amor e misericórdia da Mãe de Deus e nossa em relação aos seus amadíssimos filhos e filhas, que somos todos nós, na antevisão dos gravíssimos perigos e castigos que já estamos vivendo e de outros cada vez mais próximos. Que o digam o recente ataque cibernético e a tensão Estados Unidos- Coreia do Norte!

O Papa Francisco já disse que vivemos uma Terceira Guerra Mundial fragmentada.
Muitos estudiosos do assunto afirmam que Fátima é o Farol que nos faz ver e compreender os tão confusos dias que vivemos e que aponta para um porto seguro e cheio de esperança: O Triunfo do Coração Imaculado de Maria!

Isto posto, desejo-lhes uma ótima e proveitosa leitura !

O REINO DE MARIA – A grande profecia de Fátimaprocissão 3.jpg

“ No início do século XX, quando apenas começava a se delinear, timidamente, o esboço de um mundo que nasceria da vitória dos Aliados na Primeira Guerra Mundial, verificou-se um dos fatos mais notáveis da História Contemporânea: aparece a Mãe de Deus e traz à humanidade uma Mensagem. E esta Mensagem sobreveio num momento crucial. A impiedade e a impureza se alastravam por todo o orbe, a tal ponto que, para sacudir os homens, eclodira uma verdadeira hecatombe que fora a própria Grande Guerra, como a Virgem Santíssima afirmou aos pastorinhos. Todavia, a conflagração terminaria algum tempo depois de suas aparições, dando aos pecadores oportunidade de emenda.

Portanto, o que Nossa Senhora advertia na Cova da Iria era a existência de uma prodigiosa crise na sociedade, a qual, no fundo, não era senão a consequência de uma crise religiosa, que desembocaria numa catástrofe mais moral do que política. Ela seria um flagelo para a humanidade, se esta não desse ouvidos à voz da Rainha dos profetas. E, neste caso, àquele mal se sucederiam outros: guerras e perseguições à Igreja e ao Papa, martírios, várias nações seriam aniquiladas. Nossa Senhora indicava, assim, a extensão de uma calamidade que se alastraria pela terra, ao cabo da qual, porém, o Imaculado Coração d’Ela triunfaria.

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Basílica de São Pedro

A crise moral continua a se acentuar.

Apesar do aviso claríssimo de Nossa Senhora, a crise moral, de 1917 para cá, não fez mais que acentuar-se. As modas, as leis e os costumes cada vez mais abertamente estão defendendo o crime, o pecado, a aversão à Lei de Deus, frutos de uma cultura laica e materialista.

Está sendo instaurada uma completa inversão de valores, uma ordem de coisas que propicia o vício e dificulta a prática da virtude. E o motivo central desta profunda crise é, sem dúvida, o abandono da Religião. A humanidade já não vive mais em função de seu Criador, mas de si mesma. Esqueceu-se de que seu fim nesta terra é amar a Deus e conquistar a salvação das almas.
Diante de quadro tão dramático, como esperar que não venha sobre o mundo uma intervenção regeneradora?
Como poderia Deus ignorar a imensa crise na qual o mundo está submerso, pela maldade dos homens? Uma mudança da sociedade rumo à verdadeira conversão vai se tornando mais improvável. E à medida que caminhamos para o paroxismo da degradação moral, mais provável também é a efetivação dos castigos profetizados por Nossa Senhora.
Isso posto, resta-nos voltar o nosso olhar para uma luz que brilha no horizonteResultado de imagem para LUZ NO HORIZONTE dos acontecimentos atuais, e que nos convida a confiar na promessa feita por Ela há cem anos: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.

O triunfo do Imaculado Coração de Maria será propriamente o Reino de Maria, ou seja, o ápice da História, quando o preciosíssimo Sangue de Cristo, derramado para nossa redenção, produzirá seus melhores frutos.

São Luís Maria Grignion de Montfort e o Reino de Maria

Porém, por que um Reino de Nossa Senhora? Porque “foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio d’Ela que Ele deve reinar no mundo”, ensina o grande mariólogo São Luís Maria Grignion de Montfort, em seu Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem.

Contudo, poder-se-ia perguntar: se o próprio Jesus Cristo disse a Pilatos que seu Reino não era deste mundo (cf. Jo 18, 36), como explicar um reinado d’Ele através de sua Mãe Santíssima aqui na terra? Não estaria São Luís Grignion se referindo ao reinado de Nossa Senhora na eternidade, findados os séculos? Ou ao seu título de Rainha do Céu e da terra,

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Nossa Senhora do Bonsucesso m

o qual Ela recebeu tão logo subiu aos Céus e foi coroada pela Santíssima Trindade? Não. O que São Luís Grignion afirma, quando fala de um reinado temporal de Maria, é que Ela será, de fato, Rainha dos homens e exercerá sobre a humanidade um governo efetivo.

Nessa época, diz ele, “as almas respirarão Maria, como os corpos respiram o ar”. Será uma nova era histórica, na qual a graça habitará no coração da maioria dos homens, e estes serão dóceis à ação do Espírito Santo, através da devoção a Maria: “Ocorrerão coisas maravilhosas neste mundo, onde o Espírito Santo, encontrando sua querida Esposa como que reproduzida nas almas, virá sobre elas abundantemente e as cumulará de seus dons, particularmente do dom de sabedoria, para operar as maravilhas da graça”. Será um tempo feliz, um “século de Maria, no qual inúmeras almas escolhidas e obtidas do Altíssimo por Ela, perdendo-se a si mesmas no abismo de seu interior, se tornarão cópias vivas de Maria, para amar e glorificar Jesus Cristo”.

Sem embargo, como tudo isso se efetivará, se vemos nosso mundo num estado tão lastimável? Até temos dificuldade de imaginar uma era na qual reinem entre os homens a virtude e a aspiração pela santidade…

É ainda São Luís Grignion de Montfort quem nos explica como se dará esta maravilha, numa das mais admiráveis orações que já foi composta por alguém, sua Oração Abrasada: “O Reino especial de Deus Pai durou até ao dilúvio e terminou por um dilúvio de água; o Reino de Jesus Cristo terminou por um dilúvio de sangue, mas o vosso Reino, Espírito do Pai e do Filho, continua até o presente e será terminado por um dilúvio de fogo, de amor e de justiça”. Deverá cair sobre a terra uma chuva do fogo abrasador do
Espírito Santo que transformará as almas, tal como se deu com os Apóstolos (cf. At 2, 3), reunidos no Cenáculo com Maria Santíssima depois da Ascensão de Jesus (cf. At 1, 14), nos primórdios da Igreja nascente. De medrosos e covardes que foram durante a Paixão de Nosso Senhor, transformaram-se em heróis da Fé, destemidos e dispostos a tudo, para ir por todo o mundo e pregar “o Evangelho a toda criatura” (Mc 16 ,15). Por isso, podemos dizer, com São Luís Grignion, que a vida da Igreja é um Pentecostes

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Pentecostes

prolongado, no qual o Reino do Espírito Santo se soma ao Reino de Cristo, como este se somou ao Reino de Deus Pai. E nesse Reino previsto por ele, a sociedade temporal crescerá tanto em dignidade que os homens, ainda que vivendo nesta terra de exílio, serão semelhantes aos habitantes do Céu.

Maria: Rainha no sentido mais excelso.

Resultado de imagem para nossa senhora coroada pela santissima trindade como rainha do ceu e da terraA realidade dos fatos nos mostra que a sociedade moderna é como um edifício em ruínas, sobretudo se comparado aos tempos em que “a filosofia do Evangelho governava os Estados”, nas palavras de Leão XIII em sua Encíclica Immortale Dei. No entanto, é certo que a restauração dessas ruínas será gloriosa, pois o Reino de Maria será a plenitude do Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, uma vez que a devoção a Nossa Senhora é a devoção, a misericórdia e o amor de Nosso Senhor levados ao último dos requintes.
Não será, entretanto, só um tempo em que a filosofia do Evangelho governará os povos; indo ainda mais longe, será a edificação da Cidade de Deus descrita por Santo Agostinho,(8) na qual a cultura, a civilização, o Estado e a família, enfim, todos os elementos que constituem a vida neste mundo viverão do amor a Deus.

Diz belamente São Bernardo que Nossa Senhora, por ser a “Rainha dos Céus, é misericordiosa. E, sobretudo, é a Mãe do Filho Unigênito de Deus. Não há nada que nos convença mais da grandeza de seu poder ou de sua piedade, a não ser que alguém pudesse duvidar da honra que o Filho de Deus tributa à sua Mãe”. Assim, esta nova era histórica deverá chamar-se, com toda propriedade, Reino de Maria, justamente porque as graças que a Igreja receberá virão por meio d’Aquela que é a Medianeira de todas as graças. E será mesmo necessário que a devoção a Nossa Senhora seja plena, como Ela disse em Fátima ser o desejo de Deus, para que haja o triunfo de seu Imaculado Coração.

Ora, quando a devoção a Ela é plena, é porque Ela reina e é Rainha no sentido mais excelso; logo, é o Reino de Maria. O Reino de Maria será, por conseguinte, a glória de Deus, de sua Mãe Santíssima e da Santa Igreja Católica; a bem dizer será um esplendor tal da luz da virtude que sobrepujará, em domínio, o que foram as trevas desta época em que vivemos: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20) Ele deverá conter em si uma reparação de todo o mal praticado no passado, e sobretudo em nossos dias, realizando, afinal, a vontade de Deus nesta terra, como ela é realizada no Céu.

Plenitude e perfeição da Igreja

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Sainte Chapelle, França

Na Mensagem de Fátima, portanto, fica patente que a vinda do Reino de Maria é algo irreversível. Mas não apenas isso, o reinado da Virgem Santíssima trará consigo uma nova plenitude e perfeição à Igreja, pois à punição seguir-se-á a misericórdia: o Reino de Maria virá por um ato de clemência de Nossa Senhora, uma vez que a afirmação “meu Imaculado Coração triunfará” significa dizer que a misericórdia e a bondade de Nossa Senhora triunfarão.

Depois de obter para o mundo um castigo regenerador, Ela o cumula de dons. O Reino de Maria será, assim, uma grande reconciliação, indispensável para que a Igreja alcance a perfeição a que foi chamada. Teria sido contrário aos planos da Providência que Nosso Senhor não atingisse a plenitude de seu desenvolvimento físico, moral e intelectual, em sua humanidade santíssima, antes da morte de Cruz, pois Ele não poderia ter vindo ao mundo sem completar o seu curso, sem chegar à sua perfeição, tal como se deu.

Partindo do princípio de que tudo o que diz respeito a Nosso Senhor pode e deve ser aplicado ao seu Corpo Místico, também não estaria de acordo com os planos da Providência que o mundo terminasse sem que a Igreja atingisse a perfeição a que foi chamada. Ora, no passado, em nenhuma época histórica depois de Cristo, ela chegou ao seu apogeu de perfeição; logo, a perfeição ainda terá de vir e nada a poderá impedir. Por tal razão, o desejo do advento do Reino de Maria deve estar presente na alma de todo católico, como um sopro da graça, uma certeza posta na alma por ação do Espírito Santo, pois aquele que perde esta esperança é como se deixasse o amor a Deus ir embora de seu coração.

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Uma inexorável lei da História

Considerando tudo o que foi analisado, ninguém é capaz de negar que o mundo se encontra numa crise sem precedentes, denunciada pela própria Mãe de Deus, em Fátima. Esta crise, cujo âmbito de ação é o próprio homem, seja no campo moral, religioso ou social, tende a avançar rumo a seu trágico fim. Diante de um quadro tão dramático, seríamos tentados a pensar não haver solução para o problema, se não nos lembrássemos da afirmação do Apóstolo: “Tudo posso n’Aquele que me conforta” (Fl 4, 13). Nesse sentido, se olharmos para a trama da História, veremos que inúmeras vezes o número de fiéis ficou reduzido a um resto que, fortalecido pela graça, levantou a bandeira da verdade e da ortodoxia. Isto pode ser comprovado inclusive pelas Sagradas Escrituras, que revelam muitas ocasiões em que Deus faz ressurgir o bem a partir de um punhado de bons. Com efeito, é conhecido o nome misterioso dado por Isaías ao seu primeiro filho, a bem dizer um nome de caráter profético: “Sear-Jasub” (Is 7, 3), que significa um resto voltará.

Seria como se Deus tivesse o plano de conduzir a humanidade para um determinado rumo; esta, porém, prevarica e Ele traça um novo plano, escolhendo os poucos fiéis que restaram para seus instrumentos e fazendo surgir algo ainda melhor. Se analisamos a História Sagrada, vemos que depois da queda de Adão e sua consequente expulsão do Paraíso, sucederam-se pecados tais entre os homens que foi preciso um castigo divino para destruir tudo: o dilúvio. Deus, todavia, separa um resto: Noé e sua família. E, ao
concluir com ele uma aliança, a terra é novamente povoada.

A prevaricação dos homens na construção da Torre de Babel foi como que um segundo pecado original. Daí sobreveio outro castigo divino: a dispersão dos povos e a confusão das línguas. Deus, mais uma vez, chama um justo, Abraão, para ser o pai de um povo que escolhe para Si, e firma com ele nova aliança, iniciando uma era patriarcal entre seus eleitos. Tais episódios conferem uma singular beleza à História.

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Sacrifício de Isaac, Catedral de Salvador

E o processo recomeça com uma maravilha superior: a promessa de que deste povo nascerá o Messias, de uma Virgem que conceberá e dará à luz o Filho de Deus (cf. Is 7, 14). Não obstante, o povo eleito e amado pelo Altíssimo viola muitas e muitas vezes a aliança, revolta-se contra seu Criador e vai se afundando numa decadência contínua, até “a plenitude dos tempos” (Gal 4, 4), quando se dá o nascimento do Messias. Sim, do Messias que foi entregue para ser morto por seu próprio povo, em “morte de Cruz” (Fl 2, 8)! Outra vez o plano divino parece não se realizar, pois Deus aplica sua justiça e dispersa o povo hebraico, mas serve-Se de um resto de fiéis deste Israel amado para fundar a sua Igreja, que espalha o bom odor do Evangelho por toda a face da terra, e se estabelece uma nova vitória divina. No entanto, com a decadência da Idade Média os bons foram se enfraquecendo, apesar de algumas tentativas de soerguimento, e chegamos aos nossos dias numa aparente derrota do bem.

O melhor vinho vem no fim

Assim, se Deus operou coisas tão extraordinárias no passado, é certo que Ele as fará nos tempos futuros, e até maiores. E dando uma interpretação de caráter sobrenatural a toda esta perspectiva histórica, podemos afirmar que, depois de muito derrotado e muito esmagado, o bem ressurgirá com novo vigor. Alguém poderia objetar, perguntando: como se prova que o Reino de Maria é irreversível? Com a lógica da fé, respondemos que o mal tem que chegar ao seu paroxismo, como o filho pródigo do Evangelho, ao comer das bolotas dos porcos (cf. Lc 15, 11-20), para cair em si e retornar à casa do pai, à verdade da Fé.

O mesmo Evangelho nos ensina, ainda, que “se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12, 24). Há, por conseguinte, um misterioso dinamismo da Divina Providência, pelo qual é preciso que o fruto apodreça e morra para que a semente se liberte. Analogamente, é necessário que o ciclo de decadência do mundo moderno chegue a seu fim e se destrua a si mesmo, como a doença que desaparece ao levar o doente à morte.Resultado de imagem para sagrado coração de jesus e sagrado coracao de maria

Ademais, foi Maria Santíssima quem, nas Bodas de Caná, obteve de Nosso Senhor o milagre da transformação da água em vinho. E se é verdade que o mestre-sala disse para o noivo que ele havia deixado o melhor vinho para o final (cf. Jo 2, 9-10), bem poderemos exclamar, cheios de encanto e gratidão para com Nosso Senhor: “Vós deixastes as vossas melhores graças, Vós deixastes os vossos
melhores favores para o fim da História do mundo”.

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Bodas de Caná

As Bodas de Caná, primeiro dos sinais feitos por Jesus a rogos de sua Mãe, são a mais clara pré-figura do Reino de Maria. Nele surgirá, qual vinho novo, uma sociedade admiravelmente superior a tudo o que possamos imaginar. Para utilizar uma bela metáfora de Dr. Plinio, será como “um lírio nascido no lodo, durante a noite e sob a tempestade”, também a rogos d’Aquela que é a Rainha do Céu e da terra.”

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Bibliografia:

Livro Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem de São Luis Griggnion de Montfort.

Artigo transcrito da Revista Arautos do Evangelho,  mês de maio de 2017.