Passeio de canoa – Comemoração do 1º ano de existência do Blog!

Naquela tarde, refrescada pelo cair de uma brisa agradável e amena, me encantava com aquelas canoinhas, em meio a uma ou outra de maior porte, umas engalanadas com velas coloridas, outras não,  deslizando pelos mares da Baía de Todos os Santos, cujas águas , ora  de  um verde esmeralda, ora de um  azul profundo, em outros trechos  menos fortes,   ofereciam a todos que contemplavam tão belo cenário, rico de movimentos, luzes e matizes  coloridos, uma sensação de bem estar e refrigério. Não sei por que, mas me fez  lembrar um  pouco os belos arco-íris que, por vezes assistimos  em nossa cidade!

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Naquele cais, onde estávamos, aproveitei para saborear um delicioso acarajé e um abará, quitutes típicos de nossa Cidade, apreciados por todos que aqui vêm , e fiquei admirando aquele visual paradisíaco,  deitando um pouco minha observação sobre as canoas e refletindo sobre o seu valor, sua beleza e utilidade.

E foi assim que pensei, estimados leitores, que seria muito interessante estudar e pesquisar sobre esse transporte que tem origem nos  primórdios da História da humanidade,  e que foi e é, tão útil ainda em nossos dias.

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E ao  completar nosso Blog, neste mês de agosto, um ano de existência, fizemos uma retrospectiva do nosso trabalho e verificamos que essa classe de tema é muito apreciada, pois aborda costumes e ambientes relacionados à identidade  de  nosso povo.

A vocês caros leitores, ao tempo em que agradeço pela participação e comentários, espero que os conhecimentos, informações e considerações, deste Blog, tenham   contribuído para aumentar em todos a esperança , fé , a vontade de bem viver no amor e seguimento  de Nosso Senhor Jesus Cristo e também e no apreço e admiração às tradições tão ricas e belas de nosso País.

Em 20.09.2016,  lançamos o post “Saveiros da Bahia” e em 19.02.2017, “ O jangadeiro e sua jangada”,  que foram e continuam sendo muito acessados, o que revela a apetência, e porque não, a preferência do público leitor sobre esta espécie de assunto. Por isso, achei oportuno publicar um post sobre as canoas, que juntamente com os saveiros e as jangadas são os primeiros e mais importantes meios de transporte aquático, utilizados na maioria dos países de todos os continentes, mas de modo muito especial, em nosso querido Brasil.

E assim o fazendo, completamos uma trilogia de posts sobre as embarcações mais primitivas e importantes, na história  e evolução dos transportes aquáticos.

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Se é verdade que  as canoas não têm o charme e o balanço dos saveiros, tampouco a audácia e a intrepidez das jangadas, têm uma praticidade e uma utilidade indiscutíveis, e  sua beleza, mormente quando pintadas e engalanadas  com velas.

Segundo os estudiosos do assunto, as canoas foram as primeiras embarcações criadas pelo homem para os seus deslocamentos sobre as águas e surgiram primeiro nas regiões em que havia árvores altas com troncos fortes e de bom diâmetro que possibilitavam serem cortados e escavados, primeiramente, através da utilização do fogo e utensílios de pedras e em seguida por objetos  cortantes de metais, de modo a amoldá-los a uma conformação apta a equilibrar-se sobre as águas, e servir de rudimentar meio de transporte sobre as superfícies líquidas.

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Vejamos o que nos diz o excelente artigo “Com Quantos Paus se faz uma Canoa? “, do Museu Nacional do Mar, que vamos utilizar muito neste post:

“ Para navegar, ou seja, atravessar uma superfície líquida sem se molhar, o homem pré-histórico uniu vários pedaços de paus, depois escavou um tronco criando a canoa, primeiro barco verdadeiro”

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“ Descobertos os metais, tornou-se muito mais fácil a escavação de toras de madeira. Com a evolução permitiu que o homem aperfeiçoasse suas ferramentas e trabalhasse a madeira de modo a obter  peças com seções esbeltas, o que era impossível de ser feito com fogo e pedras.

Surgiram as ripas e as tábuas e, com elas o desmembramentos dos barcos em estrutura autônomas,  como as cavernas cobertas e os cascos.

Nesta nova configuração, os troncos reduziram-se às quilhas das modernas embarcações de madeiras. Estavam criados os barcos propriamente ditos dos quais derivam os modernos transatlânticos   de aço e os imensos navios de transporte, de guerra ou passageiros”.

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Que impressionante, hem? Mas ninguém sabe ou  se lembra disto, não é mesmo?

Quanto ao nome CANOA, os primeiros europeus que o ouviram, foram os tripulantes da expedição de Cristóvão Colombo, ao aportarem em terras americanas, da boca dos índios que se acercaram   das naus espanholas em suas primitivas embarcações. Em seguida, os espanhóis o incorporaram ao seu vocabulário do qual se expandiu para Portugal, França, e Inglaterra, e outros países, cada qual adaptando-o às suas características linguísticas próprias.

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No caso específico do Brasil, quando os portugueses aqui chegaram, nossos índios já utilizavam canoas  bastante  rústicas, as quais foram aperfeiçoadas pelos lusitanos e posteriormente sofreram mudanças pelos africanos.

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As canoas, juntamente com os saveiros , foram muito utilizadas como meio de transporte de pessoas, de produtos e mercadorias, em todo território brasileiro, tanto em nosso litoral quanto em nossos rios navegáveis, como o Amazonas, Rio Negro, São Francisco e em outros de menor porte.

Há registros de canoas bem grandes, que atingiam,pasmem! 12 metros , ou até mais do que isto,  e eram propulsionadas com 20 remeiros de cada bordo.

O Pe. Leonardo Nunes, Jesuíta que veio ao Brasil com Tomé de Souza, refere que viu várias canoas, cada uma com 30 ou 40 remeiros, mais velozes do que os navios mais ligeiros daquela época. E eram canoas de um pau só!

“O Brasil é o País que possui a maior variedade de canoas,  a saber: canoas bordadas e a de borda lisa, no sul/sudeste; as chacreiras, no Rio Grande do Sul; a canoa baiana, considerada “ a rainha das canoas brasileiras”, as canoas costeiras e as montarias do Maranhão.”

Também no interior do Brasil é grande a variedade. Na Amazônia destaque para as canoas indígenas construídas com cascas de árvores ou escavadas em tronco, estas, apresentadas na sala da Amazônia aqui no Museu Nacional do Mar. No Pantanal, as famosas Chalanas são parte do cotidiano de milhares de pessoas. As do Rio São Francisco, coloridas e velozes, estão as mais conhecidas do Brasil. Elas são apresentadas na Sala do Rio São Francisco, espaço específico para estas canoas singulares” (Art. Cit.)

E você sabia  por que as canoas da  Bahia,  são consideradas as rainhas das canoas do Brasil?

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Canoa de duas velas

Isso se deve  à opinião do  Almirante Alves Câmara, “ expert” no  assunto,como se vê pelo texto abaixo:

“  Derivadas de africanas, grandes troncos de mais de onze metros escavados com absoluta precisão, criam formas de extraordinária beleza estética, com fundos chatos e proas e polpas lançadas bem avante do barco. No Recôncavo Baiano, essas maravilhosas embarcações são dotadas de grandes mastros e velas latinas ( as mesmas das caravelas) e de um tipo de bolina que foi muito utilizado pelos holandeses ao longo dos séculos XVII e XVIII. Tantos detalhes náuticos conferem às canoas baianas especiais condições de navegabilidade”( Art.Cit)

Merecem também um registro especial, as canoas bordadas do Rio Grande do Sul por sua beleza e personalidade. Com efeito, essas canoas com suas variedade de cores e plasticidade estão entre as mais belas do mundo.

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 Canoa bordada

Vale registrar. ainda, as famosas chalanas do Pantanal, que inspiraram a famosa canção popular com este mesmo nome.chalana.jpg

Mas o fato é que as variedades das nossas canoas se estendem por todo o Brasil, e até os dias atuais, sobretudo com seus aperfeiçoamentos e modernizações, às vezes em detrimento de seu perfil característico, vão tendo sua utilidade, a par de darem uma nota agradável e evidenciadora de riquezas da alma de nosso povo.

Como dito antes, a canoa de nossos índios sofreu alterações e acréscimos dos portugueses e dos africanos, ou seja passou a ser um produto típico do amálgama das três raças que formaram nosso povo.

E não podíamos concluir, sem dizer uma palavra sobre o canoeiro, que já foi e continua sendo objeto de poesias, crônicas e canções, que buscam retratar o perfil daquele homem forte, destemido, calmo, e ao mesmo tempo cheio de esperança na Providência Divina, que nunca deixa faltar o pão de cada dia para aquele que nEla confia e que vive literalmente aquele ditado que todos conhecemos: “ Deus ajuda a quem cedo madruga”!

Assim canta Arlindo Júnior em “ A saga do canoeiro” :

Vai um canoeiro, nos braços do rio,

Velho canoeiro, vai. já vai canoeiro. 

Vai um canoeiro, no murmúrio do rio,

No silêncio da mata, vai. já vai canoeiro.

Já vai canoeiro, nas curvas que o remo dá. já vai canoeiro

Já vai canoeiro, no remanso da travessia. já vai canoeiro.

Enfrenta o banzeiro nas ondas dos rios,

E das correntezas vai o desafio. já vai canoeiro.

Da tua canoa, o teu pensamento:

Apenas chegar, apenas partir. já vai canoeiro.

Teu corpo cansado de grandes viagens.

Já vai canoeiro.

Tuas mãos calejadas do remo a remar.

Já vai canoeiro.

Da tua canoa de tantas remadas.

Já vai canoeiro.

O porto distante,

O teu descansar….  

Eu sou, eu sou.

Sou, sou, sou, sou canoeiro. Canoeiro, vai! (2x)

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Como dito acima, com esse post , concluímos uma trilogia das primeiras e principais embarcações utilizadas por nosso povo,  que muito contribuíram para o desenvolvimento e formação de seus costumes, dos seus tipos humanos, fortes, rijos e muito característicos, como o são o saveirista, o jangadeiro  e o canoeiro!

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Referência de pesquisa:

http://www.museunacionaldomar.com.br/estrutura/canoas.htm

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Aceitam um cafezinho ?

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Certo dia, encontrávamo-nos, eu e meu esposo, em um restaurante, com casais de amigos, quando, após o jantar, o “maître” nos perguntou: aceitam um cafezinho? Respondi logo: aceito, sim, com creme “chantilly”, ao que ele, gentilmente, respondeu: “pois não, senhora”. E os demais foram fazendo seus pedidos, conforme a preferência de cada um.

Passado algum tempo, veio o garçom com uma bandeja com cafezinhos, fumegantes, servidos em belas xicarazinhas de louça branca, com frisos dourados . Alguns cafés eram com creme e outros, não. Exalavam um aroma muito agradável.Resultado de imagem para cafeteria no brasil

Sorvemos, lentamente, os cafezinhos, e ficamos maravilhados com os sabores. E todos começamos a especular qual seria a sua marca.

Indagavam alguns: será que é brasileiro? Outros arriscavam: lembra o café italiano!   E assim cada um ia dizendo algo, mas, na verdade, ninguém acertou.

Chamei o “maître” e perguntei-lhe, de forma discreta, e ele respondeu: “Café Baronesa Gourmet Premium” – Campeão – 10ª Edição, Melhores Cafés de São Paulo, escolhido como o melhor café de São Paulo, safra de 2013!

 Nossa! Verdade?! Excelente senhor! Obrigada pela informação. E assim ficamos sabendo a marca e a procedência daquele deliciosíssimo café.Resultado de imagem para cafe de fazenda

Foi nessa oportunidade que me dispus a conhecer um pouco sobre essa bebida tão marcante e tão apreciada por tantas e tantas pessoas, de todas as partes do mundo.

Não faltam oportunidades em nossas vidas para tomarmos um cafezinho, quais sejam: em nossa própria casa,  em um  shopping, na casa de alguém da nossa família, com amigos ou amigas, numa lanchonete, ou no trabalho, em empresas ou repartições públicas, e há quem diga que o funcionário público é movido a cafezinho!

O café colonial,  que delícia! Ele também tem sua origem na mesa de muitos agricultores que povoaram as mais diversas regiões agrícolas do mundo. Na verdade, todos nós podemos preparar um café matinal saboroso, e com quitutes que agradam a todos. Não precisa ser tão refinado! As coisas simples têm o seu sabor especial e caseiro, pois são recheadas de amor.

Tudo em nossa vida, quando fazemos com amor tem um valor especialíssimo. Mesmo que seja com ovos, pães, geleias e cuscuz de milho, iguarias que encontramos com mais facilidade nas mesas brasileiras, o café combina muito bem, e faz parte do dia a dia das pessoas.

Quanto ao café colonial, este teve sua origem principalmente no Rio Grande do Sul, em uma região de forte colonização e influência alemã e italiana. Nas casas, ainda são servidos os cafés saborosos, principalmente os da tarde. Eles representam de forma bastante fiel um pouco da tradição e da história destas duas culturas.

O fato é que essa bebida agrada a todas as pessoas no mundo inteiro. Com efeito,  em todos os lugares em que vamos, tanto no Brasil, como no exterior, o café é muito  estimado, pois é uma bebida que estimula nosso psiquismo, principalmente quando precisamos ficar com a mente mais ativa, em nossas horas de  estudos, por exemplo, ou no desempenho de atividades que exigem  uma maior atenção, e assim por diante.

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Maquina antiga de café

Amigos  leitores, vamos então  empreender uma  viagem hipotética, para conhecermos sua história, sua origem, bem como sua performance.

Vocês sabiam que  o café é o segundo  produto mais comercializado no mundo, perdendo apenas para o Petróleo?

Ele vem de uma árvore perene que produz “ cerejas” vermelhas… de café.

O processo de produção dos grãos do café tem início com a remoção da pele das “cerejas” para revelar os seus “grãos” verdes. Depois, esses grãos são secos e torrados, resultando nos grãos de cor marrom.Resultado de imagem para cafe carregado

A maior parte do café consumida vem das variedades, “arábica” ou “robusta”. O café “arábica” representa 70% da produção mundial. Tem sabor suave e é aromático.

 Já o café “robusta”, vem do sul da Ásia e do Brasil: tem um gosto um pouco amargo e contém cerca de 50% mais cafeína do que o arábica.

A sua história começou no século IX. Ele é originário das terras altas da Etiópia e difundiu-se no mundo inteiro, através do Egito e da Europa.

 Mas, ao contrário do que se acredita, a palavra “ café” não é originária de Kaffa – local de origem da planta – e sim da palavra árabe “qahwa”, que significa “vinho”, devido à importância que a planta passou a ter para o mundo árabe.Resultado de imagem para cafeteria de paris

O café sempre foi popular no Oriente Médio,  mas levou um certo tempo até que o mesmo ocorresse na Europa.

Inicialmente, dizem alguns historiadores, os cristãos acreditavam que o café fosse maligno, até que o Papa Clemente VIII o experimentou, achou ótimo e o abençoou. Isso deu início à cultura das lojas de café, que logo se espalharam pela Itália,  França, Inglaterra e as Américas.

Há uma lenda  muito conhecida e interessante sobre o surgimento do café, que o torna mais  saboroso ainda:

Havia um pastor da Absínia (atual Etiópia), chamado Kaldi, que observou que suas ovelhas ficavam mais espertas e alegres quando comiam as folhas e frutos de uma arvorezinha, que havia nas imediações do pasto, a respeito da qual não tinha informações sobre suas propriedades, não sabendo sequer como se chamava. Resolveu ele experimentar os frutos, que pareciam cerejas, e sentiu maior vivacidade e disposição para tocar o seu trabalho. Um monge da região, informado sobre o fato, começou a utilizar uma infusão preparada com aqueles frutos, que afastavam o sono enquanto fazia suas orações. A partir daí o café começou a ser consumido pela população do lugarejo.

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Produção em Minas Gerais

O café é cultivado em 53 países, todos localizados no hemisfério Sul, na linha do Equador, entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio – esta região também é conhecida como “cinturão do café”.

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Café da manhã em Veneza

O Brasil é o maior produtor mundial do café, seguido pela Colômbia, México, Guatemala, Costa Rica, Quênia, Indonésia, Iêmen  e Vietnã.

Estimados irmãos e irmãs, vocês sabiam que o café é  considerado uma das bebidas mais antioxidantes do mundo?

Estudos científicos chegaram a essa conclusão. Ele não contém vitaminas e minerais, mas as suas propriedades antioxidantes são excepcionais.

Contém fitoquímicos, como ácidos clorogênicos, com benefícios  antioxidantes similares aos encontrados em frutas e vegetais que podem melhorar o metabolismo da glicose .

Uma xícara normal de café comum contém entre 60 e 130 mg de cafeína, um estimulante que pode ajudar a manter o estado de alerta e a melhorar a performance atlética, mas o seu excesso pode causar tremor e irritabilidade.

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Moedor de café antigo

Segundo os pesquisadores  do café,  ele tem propriedades que beneficiam a saúde.

Foi feito um estudo com mais de um milhão de pessoas, e  o consumo da cafeína  foi associado a um risco menor do desenvolvimento de mal de Parkinson em homens,  mas não em mulheres.

Resultado de imagem para cafes sendo servidosTambém foram feitos estudos com  125 mil pessoas, e verificou-se que uma xícara  de café por dia reduzia em 20% o risco de cirrose alcoólica,  e quatro xícaras diárias, em 80%!

Foi constatado, também, com homens idosos, que o consumo de três xícaras de café por dia reduz a perda de memória.

Achei essa informação muito importante para todos nós.

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Os primeiros cafés de Vitória

Agora, quem  tem máquinas de café em casa, preste atenção:

“Para selecionar os grãos mais saborosos, certifique-se que eles foram torrados e moídos recentemente. Os grãos devem  ser fragrantes e livres de quaisquer quebras. Quanto mais escuro, mais forte e amargo é o sabor.

Algumas pessoas não se dão bem com café, pois o estômago reclama.

“Os fenóis, e não os ácidos fenólicos podem ser os responsáveis. Atualmente, já estão disponíveis  cafés com ácido reduzido”.

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Plantio de café em Minas Gerais

Vocês sabiam que apesar de o Brasil ser o maior produtor mundial de café,  e o segundo maior mercado consumidor, “ele continua ainda longe de alcançar a Itália e Alemanha, maiores exportadores do mundo, quando se trata de café industrializado? A Alemanha é também a maior compradora do café verde (em grãos) brasileiro”.

“Seu cultivo, processamento, comercialização, transporte e  mercado proporcionam milhões de empregos em todo o mundo”.

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Solar Café em Salvador

Os estados  de Minas Gerais, S. Paulo e Paraná  lideram  a produção do café no Brasil, devido ao clima e  temperatura que são ideais para o cultivo  desse produto agrícola.

Falamos acima, da planta, do fruto, do processo industrial para a  obtenção dos grãos do café dos  maiores produtores mundiais e assuntos  correlatos.

Vejamos, agora, o café sob outros aspectos.

Um certa feita tive oportunidade de ler Resultado de imagem para processamento cafeum artigo na Folha de  São Paulo, de autoria do Professor Plinio Corrêa de Oliveira, em que narrava uma certa viagem que havia feito e as observações sobre o café, que achei muito interessantes.

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Cafeteria em Curitiba

Vejamos o  que ele diz em uma parte de seu artigo:

“Um homem de espírito  e iniciativa instalou ali (em Curitiba) um café, em um quiosque todo de vidro. Não porém um Café qualquer. No modo  de preparar nossa rubiácea, usou  ele nada menos do que vinte e cinco variedades. Entretido, corro os olhos em diagonal pela lista desses modos. Entre os cafés quentes não podia deixar de estar o “ café  chantilly”, seguido entre outros por um enigmático “café escocês”, daquela Escócia que não produz café. Um pomposo “Café Royal”, e um espirituoso “café society”. Os cafés frios vêm comandados,  como também é natural, pelo “café vienense.” Mas o batalhão é menor. São seis, ao passo que os quentes,  são doze. Depois dos  frios e dos quentes, figuram sete rotulados como “outros.” Como será o “licor creme de café”?  No que se diferenciará do simples “licor de café”? E como serão os “confeitos de café”? O fato é que tudo isto encantou o povo. E o estabelecimento vive cheio”.

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Café gelado com sorvete

E o autor prossegue:

“A diversificação que um homem de generosa fantasia soube fazer  com o café, e que em larga medida se poderia fazer com tantas de nossas frutas e, “mutatis mutandis”, com nossas incontáveis flores. E quantas riquezas de nossa alma assim mais facilmente se explicitariam?

À luz das analogias de um verdadeiro simbolismo católico, num simultâneo e glorioso labor de alma de nosso povo, quanta magnificência diante de nós se desenrolaria!”.

E ele conclui dizendo algo muito profundo:

“Se alguém me dissesse que tudo isto não passa de devaneios porque não  resolve o problema do combustível, eu responderia com uma boa gargalhada. Pois um Brasil cristãmente desenvolvido não se define principalmente como uma imensa frota de motores, mas como uma imensa família de almas”.

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Cafeteria brasileira

Em outras palavras, as manifestações culturais da alma de um povo, nos seus mais variados modos, são riquezas  que devem ser apreciadas e estimuladas, porque contribuem possantemente para a formação de ambientes e costumes saudáveis e aprazíveis, em suma, porque são fundamentais para um convívio social ameno e fraterno ,e  para a consecução do verdadeiro progresso e de uma  autêntica e duradoura civilização.

 E para ilustrar o que acima foi dito,  citamos alguns Cafés muito  famosos e conhecidos no mundo:

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New York Café

Cafés europeus: Café Florian, Café Mogiana, Cerrado Mineiro, Café Majestic, Café Imperial, New York Café,  Café de La Paix, Café de Flore, Café Saint Regis, Café Verlet, Café Le Procope ( um dos mais antigos de Paris),  Le Select, Café Fouquet’s.. Café Gambrinus ( Napóles), Café Tortoni (Buenos Aires), Café Greco (Roma).

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Mas nós também temos Cafés de alto nível:

Santo Grão, Coffe Lab. Madame Dorvilliers, Martins Café, Café Baronesa, Café Colombo (Rio de Janeiro), Café Brasileiro Gourmet.

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Como vimos, o café tem sido um  pretexto para a elaboração de vários  e engenhosos modos de servi-lo e para a edificação de artísticos  estabelecimentos, tanto no Brasil, como em vários países em todo o mundo.

E não somente isto. Qualquer cidade do interior do nosso País, e de outros países, possui em suas vias públicas, o chamado “Cafezinho da esquina”, que dá vida à cidade e  espandonga a monotonia que muitas vezes quer  azedar a nossa                                                                                                     existência.

Aliás, o café está servido, estão me chamando, aceitam um cafezinho?

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Bibliografia:

http://www.hoteldifratelli.com.br

http://www.elhombre.com.br

( pt.m.wikipedia.org)

Sindicafé-mg.com.br

Top10mais,org

Folha de São Paulo, artigo de Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, julho de 1970.

101 Alimentos que podem salvar sua vida, David Grotto

O jangadeiro e sua jangada

Queridos irmãos e irmãs, hoje, vamos tratar de um tema muito atraente e fascinante para nós brasileiros, de modo especial, os nordestinos. a saber: o jangadeiro e sua  jangada.
Segundo constatei em minhas pesquisas, quem melhor tratou do assunto objeto do presente post, foi o escritor potiguar, Luis Câmara Cascudo, autor de várias obras que versam sobre ambientes, costumes e tradições de nosso povo e que é considerado um dos pilares da construção da identidade brasileira,no seu livro ¨Jangada – uma pesquisa etnográfica¨.6417524_zmf5L.jpeg

Com base nesta leitura e em outras fontes, apresentamos abaixo um resumo que coubesse nos estreitos limites de um post, entremeando alguns modestos comentários de nossa lavra.
Segundo Câmara Cascudo, a jangada é a embarcação mais antiga do mundo. Todos os povos marítimos da antiguidade conheceram-na e a utilizaram, como um veículo de pesca e de heroísmo. Ulisses já a fabricava com suas próprias mãos, conforme narra Homero, na Odisseia.
Os portugueses encontraram-na na Índia, de onde transportaram o termo para o Brasil. Mas, nossos índios já a usavam , chamando-a  “igabeba” ou “piperi”.

Imaginemos o mar revolto, com ondas fortes, o sol queimando a pele de quem tem o leme nas suas mãos, e no meio daquele cenário belíssimo, vai o jangadeiro com sua jangada navegando, navegando, e driblando as correntezas do mar, que querem derrubá-lo, mas não conseguem e aquela singela barca, super pitoresca, ousada, seguindo seu destino, pelas águas às vezes verdes, da cor de uma esmeralda e outras vezes, azuladas como uma turmalina, ou até mesmo de um escuro profundo, dos mares do Nordeste brasileiro.
Outras vezes, vai navegando na placidez de um mar calmo e sedoso, mais parecendo um esqui deslizando sobre uma grande planície recoberta de uma camada diáfana e brilhosa de neve !jangada (1).jpg
E os protagonistas desta narração, como vimos, são intrépidos jangadeiros, com suas jangadas, que se lançam ao mar aberto, onde vão pescar, para seu sustento e do de sua família , colocando à venda os peixes excedentes, que conseguem capturar, tudo isto com um simples barco de “ seis paus, e de fora para dentro, duas mimburas, dois bordos e dois meios”.

Para leigos como nós, tais expressões não dizem muita coisa, se não conversamos com um jangadeiro e não examinamos de perto uma jangada; se não apreciamos cenários marítimos, tão ao alcance de quem mora no litoral dos estados nordestinos, quando então podemos visualizar um pontinho branco naquele oceano imenso que vai crescendo à medida em que se vai aproximando da terra, até se configurar como um charmosa jangada conduzida por um corajoso jangadeiro, formando um conjunto indissociável; ou, se ao menos, não damos uma mergulhada na literatura existente, de modo especial, os escritos de Câmara Cascudo, antes mencionado, e Revistas de Marinha e de sites especializados, que conseguem explicitar os elementos básicos de uma jangada digamos, convencional, a saber:fortaleza_jangada.jpg

“ Os bordos são de madeira mais grossa e fazem marcada saliência em baixo da embarcação. Os meios são os mais delgados. As mimburas, pouco mais encorpadas que o meios”
Ademais, as simples, belas e versáteis jangadas e suas graciosas e engenhosas velas, são adaptadas para suportarem os açoites dos ventos.” Os furos de velas permitem e regulam a fina do ângulo do mastro com o rumo desejado”.
Mas, não é simples navegar numa jangada.  É preciso ter um conhecimento experimental e grande do mar, conhecer os seus segredos; os recifes, os bancos de areia, o vento, para evitar deslocamentos perigosos.

O jangadeiro tem um conhecimento empírico, mas perfeito, do mar, dos pontos cardeais, embora não os conheça com esses nomes, dos ventos e do firmamento, e com base nele orienta suas atividades pesqueiras.
Por outro lado, sabem subir nela, guiá-la com maestria e segurança, e o que é mais importante, gostam dela. E assim, podem cantar com Dorival Caymi:IMG_5992.Paulo_Rios.JPG
¨Minha jangada vai sair pro mar,
Vou trabalhar meu bem querer,
Se Deus quiser quando eu voltar do mar,
Um peixe bom eu vou Trazer.
Meus companheiros também vão voltar,
E a Deus do Céu, vamos agradecer¨

Não sei não, mas eu penso que uma jangada não se compreende sem um jangadeiro .

E,  de outro lado, um jangadeiro só se sente verdadeiramente realizado, quando se acha velejando a sua jangada, em alto mar, sob um Céu de brigadeiro, assimilando em seu corpo raios de um sol, que parecem lhe ser mais clementes do que o são em relação a outros mortais.

E naquela imensidão de mar que lembra o infinito, ele se sente como se estivesse só, ele e Deus, a quem eleva uma prece singela, rogando sua proteção.

Conforme se colhe de depoimentos prestados a repórteres de vários jornais e revistas, os jangadeiros reconhecem que têm uma vida árdua e difícil, sobretudo nos tempos atuais, em razão de uma concorrência desproporcional que enfrentam com barcos pesqueiros de médio e grande porte, mas sempre afirmam que gostam do que fazem e não escondem o fascínio que o mar com suas belezas exercem sobre eles.Resultado de imagem para jangadas

Esse arrojo dos jangadeiros em busca do mar alto, para ali lançarem seus anzóis e suas redes, faz-nos lembrar o que Jesus disse uma vez a Pedro, após haverem, este e seus companheiros, passado uma noite cansativa e malograda de pescaria, no Lago de Genesaré:
¨DUC IN ALTUM ( Lc 5,4), ou seja, lancem de novo suas redes em águas mais profundas!

E após vencerem um momento de perplexidade, obedeceram àquela divina VOZ e qual foi o resultado? Conseguiram pescar uma variedade e quantidade de peixes tão grande, que as redes quase se romperam!

E assim devemos nós também fazer em nossa vida: mesmo nas situações mais difíceis e de solução aparentemente impossível, à falta de meios humanos, ouçamos e obedeçamos, docilmente, sempre, a VOZ de Nosso Senhor Jesus e, confiando no seu poder e bondade infinitas, prossigamos, com arrojo e perseverança, nossa caminhada,  certos de que obteremos a vitória!

Importa salientar que as jangadas foram aperfeiçoadas e, atualmente, são mais seguras que em tempos passados , quando se fazia uma pescaria artesanal e sem uma previsão mais segura das condições meteorológicas, sem embargo do conhecimento experimental do jangadeiro, e sem uma fiscalização da Marinha. E isso tornava a atividade mais perigosa, pois os jangadeiros podiam naufragar com mais facilidade, arriscando-se em alto mar, sujeitos a tempestades e a outras intempéries.Resultado de imagem para jangadas

Quando acontecia um naufrágio, perdiam seu material de pesca e o pescado, pois eles para salvarem-se a si próprios e a embarcação, tinham que desistir do material e dos peixes.

Mas, mesmo nos dias de hoje, a pesca com jangadas sempre apresenta riscos que desafiam a coragem, o talento e o fascínio dos jangadeiros que não abrem mão deste instrumento que lhes proporciona o seu ganha-pão e momentos de uma solidão que os aproximam de Deus e que temperam de heroísmo e felicidade o seu existir.

Os pescadores do litoral nordestino, principalmente os do Ceará e Rio Grande do Norte, que trabalhavam antigamente com a pesca artesanal, com embarcações de tronco, com técnicas indígenas de cordoamento silvestre, desenvolveram um estilo de velas triangular que permitem a navegação enfrentar os ventos fortes das correntes das Guianas, e avançar para o alto mar, podendo desenvolver de maneira mais adequada a sua pesca .

E para quem gosta de detalhes técnicos ou, quem sabe, um dia possuir ou até mesmo construir uma jangada, um artigo publicado na Revista de Marinha de junho/julho 2000, traz os seguintes dados:
“ É certo que a jangada brasileira não é a mesma de há décadas atrás, deixou de ser uns toros amarrados para dar lugar a uma construção naval, em tábuas revestidas e aparelho, capa e subcapa.Resultado de imagem para jangadas

A jangada de hoje é um barco largo de fundo chato sem encolamento que se curva na zona da popa para albergar uma quilha terminada em cadaste de leme.
A proa afia para cima de modo a reduzir a fricção no elemento líquido. Os bordos são baixos e fecham num convés soldado ao costado com pés de carneiro ao centro, fazendo da embarcação uma espécie de flutuador ou quase uma prancha de¨ surf¨ de dimensões maiores, completamente oca e inafundável.
Move-se graças a uma vela triangular latina arvorada em mastro inclinado e envergada em carangueja. Usa-se o leme ordinário quando veleja e remo de espadela quando manobra nas lagunas ou vara na praia.

Para bolinar, ou evitar o caimento, o jangadeiro utiliza um pranchão móvel que serve de patilhão.Resultado de imagem para jangadas
Uma prancha simples faz de assento ao tripulante, enquanto um grande cesto negro serve de depósito do pescado e noutro vai a linha e os anzóis com a chumbada e a isca”

Nossas jangadas também servem hoje como atração turística proporcionando um passeio agradável e cada jangadeiro tem suas histórias encantadoras para contar a quem chega no cais ou à beira mar, para experimentar o que é navegar numa jangada.

Com o crescimento do turismo, a Marinha do Brasil fiscaliza essas embarcações e seus condutores, para a segurança de todos.
Como vimos, estimados irmãos, é simplesmente fantástico e deve ser emocionante demais navegar em uma jangada. Alguma vez na sua vida, você imaginou-se passeando de jangada, pela Baía de Todos os Santos, ou na Lagoinha, no Ceará?

Eu, particularmente, gostaria muito de fazer um dia tal passeio, apesar de ter muito medo do mar. Sinto até, um calafrio no corpo só de imaginar! Nossa, mas imagino-me numa jangada, o vento soprando e nos levando e levando sempre mais, mar a dentro e a viagem de regresso terminando com um belíssimo pôr do sol!Imagem relacionada
Fontes de pesquisa:

http://www.travessa.com.br/jangada-uma-pesquisa-etnografica/artigo/1e8fcf21-4eae-44c1-a7aa-5587ef212aa9
http://www.ocarete.org.br/povos-tradicionais/jangadeiros/
Revista de Marinha, jun/jul, 2000.
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/ventos-e-firmamento-guiam-jangadeiros-no-mar-do-ceara-1.729400

O Ornato

 

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Caríssimos irmãos e irmãs, brasileiros, portugueses, americanos, Irlandeses, Colombianos, Tailandeses, Peruanos e de outros países desse nosso planeta, onde, para nossa alegria, já temos numerosos leitores, o que muitíssimo nos honra!

Há dias em nossa vida, que tiramos para arrumar coisas dentro de nossa casa, que precisam ser arrumadas. Por exemplo,: papéis, livros, revistas, jornais.

Foi, justamente, em um dia desses que encontrei uma revista da qual sou assinante, e folheando-a, deparei-me com um assunto que me despertou muita curiosidade.

Fiquei entusiasmada, ao tempo que imediatamente pensei, que seria uma ótima matéria para o próximo post.

Tema que todos vocês vão perceber que vivenciamos no seio de nossa  vida em família, no trabalho, em restaurantes e até nos esportes, enfim nos ambientes mais diversos que frequentamos.

Vejamos alguns excertos deste interessante artigo, cujo titulo é o seguinte:

“Ornato, elemento fundamental da vida”.

Resultado de imagem para piano de calda de madeira“Cultivar e promover o ornato como sendo uma expressão da infinita beleza do Criador é valioso serviço que se presta ao próprio Deus. Em suas várias formas, o adorno torna a vida terrena mais suportável; é o verniz que “enfeita as condições por  vezes árdua da existência humana exilada do paraíso”.

Elementos da “doçura de viver”.

“Nesse sentido, surpreendeu-me a objeção que ouvi, certa vez, contra os sabores dos cremes dentais. Por trivial que seja o exemplo, vem a propósito para ilustrar nosso assunto.

Com efeito, censurava o objetante o fato de os produtores de dentifrícios introduzirem elementos variados para torná-los mais agradáveis, “Pura demagogia”, dizia ele:

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Pois bastaria que o creme tivesse as propriedades indispensáveis para limpar os dentes e precavê-los contra as cáries.

A mistura de sabores visa unicamente explorar a sensibilidade degustativa das pessoas, levando-as a usar mais do que o necessário e, em conseqüência, aumentar a venda de seus produtos.

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¨Isso é uma fraude”.

A objeção, como disse, surpreendente, pois a maioria das pessoas, ao escovar seus dentes, não se pergunta porque a  pasta é agradável e lhe deixa o hálito saudável. Se fosse o contrário, sim, estranhariam.

Penso eu que, essa questão e outras semelhantes se relacionam com o que se chama em francês “La douceur de vivre  –  a doçura de viver.

Em última análise, se um fabricante de pasta de dentes encontrasse um meio de torná-la mais saborosa, agiria bem,  independente do lucro, aliás legítimo, que o produto lhe granjeasse.

Porque há um feitio de almas chamadas pela Providência a fazer parte dos servidores do ornato. Elas se comprazem em ornar a existência humana e até são capazes de fazer sacrifícios pessoais para  ver a vida adornada enquanto adornada.

Essa atitude tem sua mais alta razão de ser, se entendemos o ornato como uma expressão de algo  que reflete a  Deus. Duas quantidades que refletem uma terceira, refletem-se entre si.

Ora, o ornato reflete uma coisa: esta reflete a Deus; logo, ornato reflete a Deus.

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Portanto, ser um apóstolo do ornato é ser um apóstolo de Deus. Uma ilação, a meu ver irretorquível¨.

Vemos, assim, caros irmãos, como o autor, partindo de uma simples e prosaica pasta de dentes, tece considerações que os filósofos chamam metafísicas, e chama a nossa atenção para a importância do ornato em todas as atividades, relações sociais e circunstâncias de nossa existência, como dito acima.

Por exemplo, como é importante a polidez nas conversas e no trato social, que se tornam mais agradáveis e belos com a polidez, e têm que ver diretamente com a virtude da caridade e do amor ao próximo.

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O ornato realça  a beleza das coisas, assim como o verniz salienta a nobreza e a qualidade da madeira.

E para concluir, com base ainda nas reflexões do autor, temos que  uma vida social vivida com ornato é um reflexo do relacionamento dos bem aventurados entre si e com Deus no Céu e um antegozo do convívio no Paraíso.

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Esses belíssimos comentários foram feitos pelo grande pensador católico, Professor Plinio Corrêa de Oliveira, no artigo citado acima,que se encontra na Revista Dr. Plinio, ano XI, n, 128, novembro 2008.

E não se diga que o ornato, o requinte e um certo luxo, seja privilégio das classes mais abastadas, pois no pensamento do Papa Pio XII, “o povo e multidão amorfa ou, como se costuma dizer, massa, são dois conceitos diversos.O povo vive e move-se por vida própria; a massa é em si mesma inerte e não pode mover-se senão por um elemento extrínseco..

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O povo vive da plenitude da vida dos homens que o compõem, cada um dos quais – na sua própria situação e do modo que lhe é próprio – é uma pessoa cônscia de suas próprias responsabilidades e de suas próprias convicções. A massa, pelo contrário, espera o impulso que lhe vem de fora, fácil joguete nas mãos de quem quer que lhe explore os instintos e as impressões, pronta a seguir, sucessivamente, hoje esta, amanhã aquela bandeira”

.Aliás,  de forma pitoresca e mordaz, sentenciou o falecido  Joãozinho Trinta, da Escola de Samba Beija-Flor:

“O povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”!Resultado de imagem para mulher de acaraje vestida a rigor                                 Resultado de imagem para traje tipico gaucho

Outrossim, o trajes típicos dos diversos países e regiões do mundo, evidenciam como o ornato é uma afirmação da própria identidade do povo.

Aqui no Brasil, por exemplo, os diversos estados que compõem o nosso País possuem trajes característicos que retratam a sua alma e identidade.

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Para citar dois exemplos, como marcante e pitoresco, temos o traje do boiadeiro gaúcho e as vestimentas tradicionais da negra baiana que soube, em meio às agruras da escravidão, se impor com uma indumentária rica, majestosa e imponente, como um modo de chamar  a atenção para a dignidade e grandeza da raça negra, como se pode verificar através de uma visita ao Museu Costa Pinto situado no Corredor da Vitória em nossa Capital.

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Também, no esporte, verificamos como os diversos clubes do mundo inteiro  se rivalizam no campo do ornato, cada um buscando apresentar os mais belos uniformes, como um modo de expressar as tradições do Clube , atrair a atenção dos espectadores e despertar o orgulho da sua torcida. O mesmo ocorre com as seleções dos diversos países como exemplificamos abaixo.

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Isto fica evidenciado, também, pelo apuro e bom gosto com que as pessoas do povo ornamentam seus lares.

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Com efeito, dá gosto de vermos e admirarmos as casas dos povos de diversas regiões, não só do Brasil, mas de outros Países.

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De tudo quanto foi dito e visto com as ilustrações acima, podemos afirmar que o ornato é algo que está ao alcance de todas as classes sociais e tem que ver muito mais com a alma, o interior das pessoas, do que com as suas condições sociais e financeiras e é fundamental para o respeito , a benquerença e a alegria nas relações sociais.

 

O mundo das carruagens !

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Famosa carruagem da coroação do Rei Carlos X da França

Há coisas amigos e amigas, que nos atraem como um ímã, e despertam em nós um desejo de melhor conhecê-las e buscar sempre mais informações a respeito delas.

Ocorre isso comigo a respeito das carruagens. Sempre tive curiosidade de pesquisar sobre esse assunto. Pois, achava atraente e elegante esta modalidade de transporte  muito usado em épocas passadas e na atualidade em alguns países, em situações especiais.

Não esqueço, jamais, o maravilhamento que tive quando conheci as carruagens do Museu Imperial de Petrópolis!

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Museu Imperial de Petrópolis

Antes de entrarmos diretamente no assunto, uma pergunta aflorou em minha mente: Na antiguidade, como as  pessoas  se locomoviam de um lugar para  outro, ou se quisermos usar uma linguagem atual, como se dava a mobilidade rural e a urbana?

Como sabemos, nos primórdios, andava-se a pé, em seguida, usavam-se como meio de transporte, animais como cavalos, mulas e jumentos; em seguida, as pessoas de melhores condições eram carregadas em redes, por escravos, como se vê pela foto abaixo.

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Rede

E com o passar do tempo, foram-se descobrindo novas modalidades de transportes que ofereciam mais conforto, segurança e ligeireza, num primeiro momento para uso de pessoas mais abastadas e que paulatinamente,  foram se estendendo a outras faixas da população.

Surgem, então, as cadeirinhas, chamadas no Brasil de Arruar, que eram uma adaptação da rede: a princípio, com uma cobertura acima do varal e depois com a instalação de um piso.

E para cobrir trajetos maiores, começa-se a usar as Liteiras, com espaço para duas pessoas as quais foram utilizadas, aqui no Brasil, até o inicio do século XX, nas regiões rurais do País.

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Cadeirinha de arruar

 

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Liteira

 

 

 

Desde tem-pos relativamente remotos, o homem utilizou carros sobre rodas, a exemplo das Bigas dos romanos.

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Biga romana

A  partir do Renascimento, por volta do século XV, é que surge o Coche na Hungria,  e dois séculos após, a Berlinda ,(palavra muito usada aqui na Bahia para designar um jogo infanto-juvenil,  e para dizer que uma pessoa está no centro das atenções), mas na verdade, a Berlinda é um veículo que surgiu na cidade de Berlim, na Alemanha, e que representou um grande avanço, e uma busca do homem em aliar conforto a uma maior rapidez e elegância de forma.

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Coche

Desponta em seguida a Carruagem, mais cômoda que a Berlinda e o Coche, e acrescida de lanternas e com a boleia (banco do cocheiro), mais elevada, o que permitia uma condução também mais segura. Tudo isto  está muito bem descrito no site do Museu Histórico Nacional, http://www.museuhistoriconacional.com

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Berlinda

Mas, acima de tudo, a carruagem é, nas suas mais variadas formas, cores e tamanhos, um belíssimo e charmoso carro sobre rodas, puxado por cavalos, disciplinados e ligeiros, que parece agradar a todos os gostos e que está muito associada a fabulosas histórias e contos de fadas. Quem não conhece as histórias do Gato de botas e da Cinderela?

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Carruagem da Cinderela

Também, acho que todos nós já vimos algum tipo de carruagem  em filmes históricos ou, na atualidade, em cerimônias civis de alguns países, a exemplo do que ocorre na Inglaterra.

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Carruagem inglesa

Vejo, em minha modesta opinião, a Carruagem como um esforço do homem para sublimar, para enobrecer, um simples meio de transporte e assim tornar a vida mais bela e agradável de ser vivida, o que os franceses chamam doucer de vivre – doçura de viver, ajudando o homem a viver com alegria e a enfrentar com determinação as dificuldades do quotidiano.

Por exemplo, as carruagens do Ancien Regime (séculos XVII-XVIII) na França, pareciam bombonieres para carregar homens, delas espargindo um ar de leveza, distinção e elegância, quando passavam pelas ruas, em meio ao tropel de belos cavalos.

E para ilustrar o quanto dito acima, deixo-lhe fotos de belas carruagens, entre as quais a pertencente a D. Pedro II, Imperador do Brasil, e que se encontra no Museu Imperial de Petrópolis, para que os amigos e amigas, com sua fértil imaginação, empreendam uma viagem pelo mundo do maravilhoso, inocente e belo, o mundo das carruagens!

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Carruagem de Dom Pedro ll
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Carruagem existente no Museu de Lisboa

Na Inglaterra, a carruagem continua prestigiada: No dia 9 de novembro do corrente ano, a Rainha Elisabeth II estreou sua nova carruagem denominada Diamond Jubilee Coach, postada abaixo, na Abertura do Parlamento.

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P.S: A nova carruagem é uma espécie de museu ambulante. Tem madeira de um antigo navio de guerra de Henry VIII, do navio HMS Victory, do Almirante Nelson, de partes da Abadia de Westminster e até da macieira que inspirou a teoria da relatividade de Sir Isaac Newton. Trata-se da segunda carruagem de estado construída nos últimos 100 anos. Fonte : http://mapadelondres.org/rainha-carruagem-abertura-parlamento/

Curiosidades da culinária

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Caríssimos, vocês sabiam que o espinafre é da mesma família da beterraba e da acelga?

Pois bem, para aqueles que não sabem, quero compartilhar um pouco do que aprendi sobre o espinafre.

Segundo os entendidos, o espinafre surgiu na antiga Pérsia. No século VII, chegou até a China, sendo conhecido como “a erva da Pérsia”. No século XI, foi introduzido na Espanha, pelos mouros, e era chamado na Inglaterra de “vegetal espanhol”. Os maiores produtores comerciais de espinafre são os Estados Unidos e a Holanda.

Dentre as qualidades do espinafre, podemos destacar as seguintes:

– excelente fonte de fibras, vitamina K, minerais – como cálcio, ferro, magnésio, e manganês – e em folato, uma vitamina B solúvel em água, necessária para a boa função cognitiva.

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– rico em vitamina A e compostos relacionados como o betacaroteno, zeaxantina e a luteína, carotenóide que age como proteção do olho.

Pode-se dizer que o espinafre é um santo vegetal. Muitos estudos foram feitos com animais alimentando-se de espinafre e foi constatado que o seu consumo auxilia no combate e tratamento de determinadas doenças. Por exemplo: no câncer de próstata –  o antioxidante das folhas do espinafre diminuiu o ritmo de câncer de próstata tanto em animais como em seres humanos; ajuda a não desenvolver a catarata. Na verdade, é um vegetal que em relação a outros tem maior efeito antiproliferação.

Como vegetal tão importante  na nossa alimentação deixo com vocês uma receita:

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Plantio de espinafre nos EUA

Arroz com espinafre:

Ingredientes: arroz, espinafre, azeite extravirgem, alho, manteiga, salsinha, queijo ralado.

Modo de fazer: machuque o alho e jogue na panela, Coloque,a manteiga, azeite de oliva e recheie até muchar, e jogue o arroz, coloque sal,  mexa e ponha água cobrindo o arroz. Se precisar põe um pouco mais de água, após cozinhar, reserva. Pegue uma frigideira machuque o alho, uma cebola picada recheie e jogue o espinafre lavado dentro, refogue e jogue na panela do arroz e misture.

Fiquei tão encantada com esse vegetal de ponta e que nos traz tantos benefícios,  que na mesma hora, levantei e fui a geladeira para verificar se tinha ou não espinafre.  É até para rir, não é ? Santo remédio!

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FIGO

Quanto ao figo, será que essa fruta é saudável para nós? Sim, amigos, é saudável e como! Se recomenda que se coma.  Os estudiosos e cientistas, que estudaram essa fruta, confirmaram seu benefício.

 O figo é uma fruta que surgiu desde tempos antigos e bíblicos. Diz a bíblia: “Abriram-se, então  os olhos de ambos ( Adão e Eva) e percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si”, Gênesis 3-7.

A Turquia e a Grécia são os maiores produtores mundiais desta fruta.

Devemos comer figo porque ele contém fibras, potássio, cálcio, magnésio e ferro, além de ser uma grande fonte de polifenóis, substâncias de plantas que ajudam a combater doenças. Tem antioxidantes, de qualidade superior. Ajuda na digestão, pois tem fibras e contém enzimas digestivas.

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Serve para o controle de peso, pois, por conter muita fibra, ajuda as pessoas a se sentirem “cheias” mais rapidamente e reduz a absorção de calorias. Muito bom para diabetes – o tipo de fibra encontrada no figo pode diminuir as chances de desenvolver diabetes melito não-dependente de insulina (tipo2), reduzindo  a digestão e a absorção de açucares nas comidas. Doenças cardíacas – antioxidantes chamados fenóis, encontrados especificamente em figos secos, reduzem o dano e as mutações de células individuais no corpo, possivelmente, oferecendo um efeito de proteção  contra doenças cardíacas e câncer.

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Falando nas qualidades do figo, aproveito para compartilhar com vocês uma receita com essa importante fruta.

FRANGO MARROQUINO COM FIGOS

Ingredientes do molho:

1 ½  xícara  de cebola picada, 2 colheres de sopa de gengibre fresco ralado, 2 colheres de sopa de azeite de oliva extravirgem, ½ colher de chá de coentro em pó,  ½  colher de cominho  em pó,  1 ½ xícara  de molho de tomate, 2 xícaras de batata sem pele, cortadas em cubos,  1 ½   de figos frescos ou secos, cortados ao meio.

Ingredientes para o frango:

1 k de frango cortado em cubos, ¼ de xícara de azeite extravirgem, ½ xícara de coentro fresco, picado, sal e pimenta a gosto.

Refogue a cebola e o gengibre em 2 colheres de sopa de  azeite. Acrescente o cominho e o coentro, misturando até que as especiarias estejam  cozidas, cozinhe as batatas separadas e junte o restante dos ingredientes  do molho e  refogue.  Coloque  o figo por último, prove o sal e reserve. Em uma panela larga, aqueça  em fogo médio, ¼ de xícara de azeite. Acrescente o frango, e deixe dourar. Despeje o molho sobre o frango e  sirva com arroz.

Bom Apetite!

A pescaria luminosa

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Um dia, por volta das 5 h da tarde ,    encontrava-me  sentada debaixo do tamarineiro plantado  na Avenida Beira Mar, em Itapagipe, em frente ao prédio , onde boa parte de minha família morou.

 Meu avô Aurélio quando  mais jovem, já casado, construiu  esse prédio de três andares, no lugar onde havia sua antiga casa Ele ocupava a parte térrea. Na parte de cima, moravam duas tias ,  irmãs da minha mãe Neuza: Minha tia e madrinha Marina e  minha tia Marinalva, que carinhosamente chamávamos Dinha e Vavinha .

 Estava  absorta, olhando  alguns pescadores que esperavam a maré vazante,   para poderem entrar  mar  adentro, portando em uma das mãos, jererés, bocapiu ( sacola de feira artesanal feita de palha de coqueiro) ou colfo (espécie de cesto de fibra natural ou palha de coqueiro com cobertura),  um arpão ou bicheira  e um candeeiro o archote na outra mão, pois o sol começava a se esconder e a noite a chegar, de modo suave e gradativo, enquanto a lua cheia se erguia lentamente, espargindo seus raios prateados sobre as águas.

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Dentro de pouco tempo, aquele remansoso e belo trecho do mar, que se estendia de Mont Serrat à Penha, ficou repleto de pontos luminosos,  com a lua majestosa alumiando a noite, constituindo tudo, um cenário muito belo e digno da admiração de pessoas de bom gosto, como era o caso de D. Rosinha, moradora daquela  Avenida, que não se cansava de chamar a atenção   dos seus familiares e dos amigos que visitavam sua casa em dias que tais, para a beleza deste  espetáculo .

 Os pescadores percorriam uma razoável extensão do mar, inicialmente, com a água batendo um pouco acima dos seus tornozelos e tinham como limite a denominada coroa, localizada cerca de 300m, à frente, formada de pedras naturais,   onde existiam corais, algas, peixes variados e coloridos, pequenos polvos , siris exóticos, entre outros habitantes da flora e fauna marinhas. Depois da coroa o mar já era mais forte e  profundo e todos aqueles pescadores respeitavam este limite.

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Coroa de pedras

Ademais, todos deveriam estar atentos para o tempo em que a maré permitia uma pescaria segura – de 1 hora e meia a 2 horas, pois quando  começava a encher, era hora de retornar  para a praia, a fim de se  evitar ser pegado de surpresa pelo volume e a força das águas que vinham com a enchente da maré.

Mas, o que se conseguia pescar, afinal? Isto dependia da maré. Mas geralmente,  pescavam-se alguns tipos de peixes, a exemplo de raias, chamadas treme-treme e viola, excelentes para uma moqueca, o budião azul, que bem filetado é uma verdadeira delícia; camarões; o arisco siri branco , o caxangá, valente e ligeiro, e o siri bóia , de maior tamanho e muito saboroso, além do inigualável siri mole. Os pescadores  mais hábeis, conseguiam, até, capturar polvos.

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Todavia, quem gostava de praticar tal pescaria, devia estar sempre  calçado, pois existe no local um peixe chamado Niquim,   que possui em seu dorso um esporão através do qual inocula um veneno muito forte quando alguém tem a infelicidade de nele pisar descalço , veneno este  que causa, no mesmo instante, dores fortíssimas, seguidas de febre alta,  e só após o uso de medicamentos e muito repouso , é que se fica curado.

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Niquim

Meu marido Renato, e meus cunhados Zé Claudio, Marcelo e Humberto,  e meu irmão Alfredo , quando mais jovens. conquanto não fossem grandes pescadores,  realizavam essas pescarias e conseguiam trazer alguns produtos do mar, sobretudo tremes-tremes e siris-bóias .  Nossa, irmãos! Que coisa boa, divertida,  e que tempo maravilhoso!

 Hoje , ainda se realizam tais pescarias, mas não em  tão grande número.

Certa feita, resolvi  participar com alguns familiares de uma dessas pescarias e foi uma experiência inesquecível, sobretudo porque demoramo-nos mais do que devíamos no mar, e quando nos demos conta, a enchente já iniciara e tivemos que voltar rapidamente em direção à praia e assim, felizmente, não passamos por uma situação de risco de vida, mas foram momentos  de aflição, quando percebi  que estávamos  longe da praia. Eu gritava: vamos embora ligeiro, pelo amor de Deus!  Levamos um susto daqueles!

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Porém, além dos peixes, catavam-se vários tipos de mariscos, a exemplo dos chumbinhos, dos pitorescos canivetes, dos graúdos e saborosos rala-cocos, sem se esquecer dos búzios das mais variadas formas, tamanhos, texturas e cores, os quais abundavam nas coroas de areia, também existentes em tão encantadora porção de mar.

Não menos belo e pitoresco era o retorno de toda aquela gente , carregando de volta os seus cestos contendo os produtos da sua aventura pesqueira, e portando os seus lampiões acesos, num ritmo orgânico e cadenciado, e  com a alma feliz  em que pese um certo cansaço do corpo, após haverem experimentado momentos tão simples e ao mesmo tempo tão agradáveis.

                                                                   rala-cocos

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P.S.  No próximo post deixarei receitas de casquinha de siri, moqueca de siri, polvo e raia.

Dom na Panela

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Gostaria, hoje, de compartilhar com vocês algumas  lembranças que tenho bem guardadas no coração.

Quando ainda jovem, chegava da escola, cansada e com muita fome, e logo dava uma passadinha na cozinha e fazia à minha mãe ou a alguma das suas auxiliares  a pergunta de sempre:

O que temos para comer hoje ?

E minha mãe ou  Marta respondia:

Almoço muito gostoso! E eu indagava:  o que é?

Hoje, temos uma galinha de molho pardo, acompanhada de arroz e batatas!

Que maravilha!  Que delícia esse prato preparado com galinha de quintal, como era chamada nessa época. Ou então, o malassado de minha mãe Neuza! Mais delicioso ainda. Muitos de vocês conhecem ou já ouviram falar  desse prato. Aquele filé   mal passado com sangue escorrendo,   a carne rosada por dentro, escurinha ou cor de cobre na parte de cima,sem ser queimada. Cebolas em rodelas recheadas no vinho, com suflê de batatas ou batatas ao forno passadas na manteiga e tiras de bacon por cima.

São tantas lembranças boas que o coração chega a palpitar de emoção. Tenho certeza de que vocês também vão lembrar alguns   desses momentos  fantásticos  vividos no aconchego da família , lembranças que o tempo não apaga.

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Recordar  é viver diz o ditado  popular.

Quando eu estava em casa, na verdade gostava de ficar olhando e apreciando a mistura dos ingredientes (sem agrotóxico, tudo natural), e ali ia prestando atenção como minha mãe  e nossas queridas e lembradas cozinheiras que  trabalhavam na casa dos meus pais, cozinhavam bem.

 Agradeço a  Deus  por me ter dado curiosidade e apetência para tal coisa, pois cozinhar é  uma arte que exige estudo,  criatividade, pois você precisa combinar  diversos ingredientes, mas,  tem  um,  que  é o mais importante,   que é  o amor com que você faz estas coisas. Detalhe: eu só fui pôr em prática este dom depois de casada, e segundo meu marido, eu fui uma boa aprendiz.

A cozinha de minha mãe era muito asseada e bem ordenada e tinha um cheiro agradável de coisas gostosas. Aproveitei bastante aquela culinária saborosa,  pois tudo que se fazia era com esmero, dedicação e amor no coração.  Minha mãe tinha prazer  em servir bem,  a quem quer que chegasse a sua casa.

Outro aspecto importante na culinária: Fazer bem feita a comida e arrumar bem uma mesa; servir com classe e educação,  outra  qualidade para se admirar e que isto eu adquiri com minha mãe.

Mas, vamos trocar idéias, experiências, a respeito desta arte tão bela e empolgante que é a culinária.

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Queridos irmãos e irmãs, vocês  sabiam que os italianos já comiam massa desde os tempos da Roma Imperial?  Verdade!

Diz a História que Cícero gostava  muito de laganum , a fita  achatada de massa , que hoje  em dia chamamos de tagliatelle. E  na Idade Média ,  Tasso conta como um estalajadeiro inventou o tortellini . E assim por diante, até chegarmos a essa variedade fabulosa de massas, cada qual mais deliciosa que a outra e  apreciada no mundo inteiro.

Mas já que somos brasileiros, falemos da nossa cozinha  que é muito vasta e variada. Na verdade, mesclada com  tantas culturas diferentes , mas podemos dizer que sua origem tem três  raízes principais:  africana,  indígena e portuguesa.

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E segundo os historiadores da arte culinária, entre os quais Guilherme Radel, a cozinha baiana está entre as melhores do Brasil.

Somos ricos de bons pratos e podemos  realizar um jantar, com um pernil de carneiro, regado  a vinho tinto ou branco,  ouvindo  as  quatro estações  de Vivaldi, ou almoçarmos à beira mar ,  deliciando-nos com uma comida baiana regada com uma cerveja geladinha.

Temos tudo  para agradar a todos os paladares,  dos mais sofisticados  aos mais  simples, e para as circunstâncias as mais diversas .

Como salienta o mesmo autor já citado, a culinária é uma arte que  eleva o espírito, é uma fonte inesgotável que  educa, acalma e dá alegria ao nosso intelecto. Aprimora os nossos gostos e nos  enriquece.

Platão  elevou a arte da  cozinha à mais alta dignidade e chegou a compará-la à oratória, que,  ao lado do teatro e da poesia,  estavam no cume das atividades intelectuais em Atenas,  louvando “ os que guisam e apresentam bem as idéias e os alimentos.¨

 Podemos dizer sem medo de errar que saber apreciar uma boa comida, sobretudo junto com familiares e amigos, é um verdadeiro ato de ação de graças que rendemos ao nosso Criador, que nos deu o paladar e  inteligência para degustarmos um prato saboroso.

E para finalizar, deixo para vocês duas receitas:

Tortellini com berinjela Exibindo 20161004_202747.jpg

500 g de tortellini de queijo fesco  e espinafre, 60ml de óleo, Alho a gosto, 1 pimentão vermelho em quadrado, 500g de berinjela em cubos pequenos, 500g de tomates esmagados, 250ml de caldo de legumes, 200 g de manjerição fresco picado

Cozinhe a massa al dente,  escorra e reserve. Aqueça o óleo numa frigideira, junte o alho, pimentão,  e deixe  nesse recheio um pouco, coloque as berinjelas, os tomates,  o caldo de legumes e deixa cozinhar um pouco, até os legumes ficarem macios, por último o manjericão. Após esse molho ficar pronto ,prove o sal e jogue na massa.

Arroz de Hauçá Resultado de imagem

2 xícaras de arroz,  ½  kg de charque, 1 xícara de camarão seco descascados e moídos, 2 cebolas, alho a gosto, pimenta fresca a gosto e azeite de dendê, sal.

Coloque o charque de molho de véspera, no dia seguinte lave e afervente e cozinhe até que fique macio e recheie o mesmo na sua  própria gordura. Cozinhe o arroz em água e sal de forma que ele fique com liga. A parte frite o camarão moído, junto com a cebola, alho, pimenta e um pouco de dendê, para obter o molho do acarajé. Coloque  o arroz branco num pirex  e no centro coloque o molho do acarajé e contornando o arroz o charque frito,

Esse é assunto tão vasto que ainda voltaremos a ele em outras oportunidades.

PS: Dom na Panela é o nome do restaurante de nossa família, localizado na AV. Magalhães Neto, vizinho ao ACBEU. Seguem abaixo, fotos de alguns pratos do Restaurante.

Os saveiros da Bahia

 

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Hoje, vamos tratar de um tema muito interessante, sobretudo para quem mora ou morou, como eu, na Cidade Baixa.

Lembro-me da feirinha da Baixa do Bonfim, em dias de sábado, onde se encontravam mercadorias diversas: a farinha de mandioca bem torradinha, o beiju acondicionado na folha verde de bananeira e  os docinhos de banana na palha seca, frutas variadas, entre outras delícias, trazidas pelos saveiros, vindos das Cidades do Recôncavo baiano.

Os saveiros  tiveram seu momento de apogeu no mar da  Baía de Todos os Santos e em rios do Recôncavo, sobretudo o encantador Paraguaçu, levando e trazendo  pessoas e mercadorias das cidades históricas ali encastoadas ,   para Salvador, e viceversa, desde a época do Brasil-Colônia, de modo especial durante o ciclo da cana-de-açúcar .

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Era, certamente, muito pitoresco vê-los singrando o mar da Bahia, leves, charmosos econômicos e simplesmente movidos  apenas pela força do vento.

Foram fundamentais para a economia do Estado. Eram responsáveis pelo transporte de mercadorias e cargas pesadas entre as cidades do Recôncavo como Maragojipe,  Cachoeira,  São Félix e Nazaré da Farinhas.

Mas teve grande importância na Independência da Bahia . Com efeito, a flotilha formada por saveiros, de João das Botas, combateu e expulsou a esquadra de Madeira de Melo, famoso comandante português, das águas da Baía de Todos os Santos.

No início do século XX, mais de mil saveiros navegavam pela nossa Baía. Com o passar dos anos, chegando ao século em que vivemos, 26 embarcações deste tipo, que fizeram sua história na Bahia, continuam resistindo para não acabar sua saga e afirmar a sua importância e utilidade  perante  as  mentes do nosso povo,  principalmente na região do recôncavo, em cidades como Maragojipe e Caxixis, que tiveram o bom senso de dar continuidade a esse meio de transporte.

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Todos os anos escolhe-se uma data para comemorar-se a festa dos saveiros, na qual, a Baía de Todos os Santos fica enfeitada com sua presença, cada qual ostentando velas multicoloridas içadas em seus altaneiros mastros.

Cada saveiro tem um nome, geralmente gracioso e pitoresco a exemplo do Sombra da Lua, que chega ao porto da capital baiana às quintas feiras e retorna para o cais de Maragojipe,  aos sábados pela manhã, levando e trazendo encomendas como geladeiras, fogões, sacos de farinha.E de Caxixi, parte o saveiro de nome Da Vida,  transportando obras e produtos artesanais, que serão comercializados na feira de São Joaquim. No seu retorno, leva diversos produtos e encomendas para aquela Cidade.

Sabemos, caros amigos e amigas, que para manter a tradição dos saveiros, os trabalhos isolados não são suficientes. É necessário um trabalho conjunto. Nesse sentido, alguns meios de comunicação já tiveram essa iniciativa e livros já foram escritos contando a história dessas embarcações.

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Vale a pena conhecer o livro Viva o Saveiro- Patrimônio Naval da Bahia ao qual está anexo um vídeo belíssimo sobre os saveiros da Bahia.

O escritor pernambucano Odorico Tavares, talvez tenha sido quem melhor entendeu a importância, o charme e os Imponderáveis do Saveiro baiano, como emerge dos excertos extraídos do Livro antes mencionado, abaixo transcritos:

“Ninguém pode fugir à fascinação dos saveiros. Sem eles, a beleza deste golfo que é a própria história de quatrocentos anos de grandeza do Brasil seria incompleta. Desde que se plantou aqui a bandeira da civilização, os saveiros têm trazido sua contribuição de utilidade e de beleza. Vejam-se os versos dos primeiros poetas e já os saveiros eram mencionados. Busquem-se as coleções dos primeiros poemas aqui publicados e já se encontrarão menções às embarcações que figuram como característica dos mares do Recôncavo Baiano.”.

E em seguida faz esta genial observação:

“Não se procure a definição de saveiros nos dicionários porque os pobres donos da língua sempre se repetem uns aos outros e dão os saveiros como meras embarcações fluviais. O sentido vivo e humano da embarcação baiana está nos versos dos seus poetas, nos seus cancioneiros, na boca dos tocadores de violão. De poesia e de canto é a história do saveiro baiano.”.

Não poderia concluir essa postagem sem dizer uma pequena palavra sobre o graminho e sobre os mastro dos saveiros.

Apesar da enorme variedade de saveiros construídos ao longo da história para usos diferenciados, em diferentes estaleiros e por diversos mestres, eles sempre possuíram uma impressionante homogeneidade de forma. E o responsável por isso é o graminho, uma peça de madeira similar ao ábaco, que serve para orientar o construtor do barco.

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Trazido da Índia pelos portugueses, mas com origens no antigo Egito e na China milenar, o graminho é, ao olhar do leigo, apenas uma tábua riscada. Para os que sabem usá-lo, contém parâmetros que dotam o artesão, de forma simples e compreensiva, de um volume de informações técnicas – estruturais e funcionais –, que são fundamentais para a construção da embarcação.

E por que os mastros de saveiros raramente quebram? “Conta-se que os mestres da construção naval costumavam esperar o momento certo – a lua cheia – para buscar a madeira que daria forma ao mastro mais resistente. Cortada no período de força da lua, ela era enterrada na lama dos mangues por um longo período de cura.

A importância da fase da lua no corte da madeira se justifica por um fator físico, de influência da lua sobre os líquidos. Com a lua cheia, uma quantidade maior de seiva é preservada no organismo da madeira, dando-lhe uma qualidade superior e menos ressecada do que aquela tirada em outro período.”

Tais informações foram obtidas no site http://www.museunacionaldomar.com.br/estrutura/bahia.htm

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Concluindo: se você quiser saber o que é um saveiro, se tiver espírito de aventura e quiser experimentar a sensação agradável e emocionante de ser por ele conduzido, vá até a rampa do Mercado Modelo e acerte com um saveirista um passeio pelas águas da Baía de Todos os Santos, e saia bordejando e admirando algumas das suas encantadoras Ilhas, e ao retornar não deixe de nos contar suas impressões.

Não sei, mas acho que embarcações desse tipo, podem voltar a ter, num futuro não muito distante, um papel importante como meio de transporte alternativo.  E o graminho um instrumento muito procurado.

Carro de boi

carro-de-bois

Muitos, certamente, já ouviram falar, sobre o carro de boi. Será que alguma vez tiveram oportunidade de subir em um deles?  E sair passeando, até uma feira, comprar coisas para a casa da fazenda, ou até mesmo sair a trabalho, ou acompanhando pessoas ao centro da cidade!

Sim, pois o carro de bois pode ser utilizado para carregar materiais de construção, produtos agrícolas, animais ou pessoas.  Nossa!  Imaginei-me subindo em um que tinha também todas essas finalidades!  Chamado ”cambona”, em algumas regiões do interior do Brasil e foi uma experiência imaginativa muito boa!

Vejam, nosso primeiro governador do Brasil, Tomé de Souza, em 1549, trouxe consigo carpinteiros e carreiros práticos, para a cidade de Salvador para implantá-los  adequadamente no Brasil.  Estes últimos também  eram conhecidos pelo nome pitoresco:  cantador, pelo  seu ¨canto¨ ao tocar os bois.

Algumas pessoas não gostam do seu sonido monótono e as vezes estridente.  Mas outras, o admiram como uma música.

De qualquer sorte, lá se vai o nosso carro de bois,  sob as batutas  dos carreiros  que mal  tocam nos lombos  ou nos pescoços  dos bois  com suas varas compridas, para incentivá-los  a prosseguirem as longas e árduas jornadas, carregando lenha, deixando aquele cheirinho bom  de madeira  verde,  seus feixes  de milho nos quais o sol bate e  ilumina!  Às vezes, exalando odor agradável de mato, avançando morosamente com aquele rangido das rodas virando canção, deixando a criançada feliz ao vê-lo passar.

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Na época da colonização, teve papel fundamental, movimentando a indústria açucareira da roça ao engenho, do engenho às cidades. No período compreendido entre o século XVI e XVII, funcionou levando materiais de construção para o interior,  carregando pau brasil e produtos agrícolas,  produzidos nas lavouras interioranas.

No Brasil Colônia, transportava famílias de um povoado a outro, era indispensável nas fazendas.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, os carros de boi levavam para a argentina e Uruguai produtos agrícolas.  Na guerra do Paraguai, transportavam munições e  mantimentos e serviram também como ambulâncias!

Aqui na Bahia, o carro de boi teve um papel importante, como carruagem para a nobreza rural brasileira; carregava banda de músicos,  levava as famílias para as festas de Natal e de Fim de Ano,  e era muitas vezes ornamentado, para finalidades diversas.

No período de inverno, muitas vezes as águas das chuvas atolavam suas rodas, sendo então socorridos por uma junta de bois.

Suas rodas tinham um nome curioso, cocões, as quais precisavam ser bem lubrificadas para evitar ruídos estridentes e desagradáveis e terem bom desempenho.

É curioso saber que muitos artesãos, no Brasil e nesse mundo afora, tiveram o bom senso de conservar esse eficiente e poético meio de transporte, construindo novos carros de bois mais  perfeitos,  funcionais e sofisticados .

Mesmo onde não são mais utilizados, suas peças servem de decoração em casas de fazendas, chácaras e lojas.

Os versos populares abaixo, traduzem de forma singela o encanto do carro de bois :

“Carro de boi vai,

gemendo lá na escuridão,

suas grandes rodas

fazendo profundas marcas

no chão. Vai levantando

poeira vermelha,

poeira do meu sertão “

Há momentos em que eu fico pensando:

Vive-se mais em paz nas zonas rurais, nas cidades interioranas, onde as pessoas são mais simples,  vivem uma vida mais cadenciada, sem o frenesi das cidades grandes, onde podem escutar a musicalidade do silêncio tão importante para encontrarmos o repouso mental! A vida é mais calma, mais de acordo com a ordem natural das coisas, as horas, os dias e as semanas parecem demorar mais, ficamos mais imunes às mais diversas modalidades de poluição, e assim estamos aptos a melhor desenvolvermos as nossas atividades laborativas, bem como a aproveitarmos as oportunidade de contemplação, admiração e de enlevo em face das maravilhas da criação.

EscravosComCarroDeBoi

E dentro deste ambiente bucólico, o nosso carro de bois se insere como uma luva, pelo que ele tem de rústico, cantante, ritmado e poético.

Paremos um pouco: imaginemos que estamos numa fazenda daqueles tempos e de repente ouvimos um canto que vai rompendo pouco a pouco o silêncio e logo visualizamos um carro de boi; acenemos para o carreiro e peçamos uma carona e deixemo-nos conduzir a regiões que nunca sonhávamos existir, naquele andar cadenciado, calmo e ao som daquele canto dos carreiros acompanhado do zumbido das rodas do carro e do tropel dos cascos dos valorosos bois, que têm nomes pitorescos e o que é mais interessante, atendem por eles, e constataremos como é verdadeiro o ditado popular: recordar é viver!

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