Dor e Glória

OLHAR DE TRISTEZA

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 Sempre que O fitava, percebia que a expressão do seu olhar era carregada de dor e tristeza e me indagava porque todos os artistas que  esculpiram ou pintaram  sua imagem colocavam, a par da mesma expressão de sofrimento, os olhos entreabertos ou fechados, os lábios também ligeiramente abertos, e um imponderável que me deixava perplexa: era um semblante magnifico de reprovação, tristeza e dor e de uma bondade indizível. Era  Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador, pregado  na Cruz!

Sentia uma admiração, enlevo e respeito, por aquele Crucificado da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que era realmente de uma perfeição divina e na minha opinião, quem o fez foram provavelmente anjos ou então um artista muito piedoso por eles ajudados.

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Como vivemos num século marcado por tragédias, crimes chocantes, desvarios causados pelas drogas, que vão destruindo a vida de muitos jovens, pela anarquia governamental, a desonestidade que tomou conta de nosso país e pela falta de fé e de esperança, e mais do que isto, pelo ódio ao sagrado, ao belo e ao divino, busquei respostas para esses dramas e essas posturas de alma, que vão crescendo vertiginosamente e fui encontrá-las olhando e admirando Nosso Senhor na Cruz, nela cravado pelos próprios homens a quem veio redimir do pecado.

Sim, Jesus me fez compreender que o homem ao rejeitá-lo fica privado dos auxílios da divina graça e, uma vez obscurecida a sua razão e enfraquecida sua vontade, ele dá vazão a todas as tendências e paixões desregradas instaladas em seu coração em consequência da imensa tragédia que se abateu sobre todo gênero humano, que foi o pecado original. Ou seja, se o homem rejeitou e levou à morte o Homem-Deus, ele é capaz de chegar aos maiores absurdos se se julga bastante a si próprio e autossuficiente.

Sim, prezados amigos, a raiz de todos os males e do pecado é o orgulho.

E prossegui as minhas pesquisas e estudos sobre a questão e acabei deparando-me com um artigo escrito em 1985, intitulado “Tristeza, dor e majestade” do grande pensador católico, o Professor Plinio Corrêa do Oliveira, fruto de sua contemplação de uma belíssima escultura de Jesus Crucificado, o qual está repleto de altas e eloquentes considerações que nos ajudam a compreender alguns mistérios que marcam a nossa existência.

 

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Shakespeare

Já dizia o escritor Shakespeare que “há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. E entre tantos e tantos mistérios, assoma o  denominado “mistério da iniquidade”.

E se é verdade que ante um mistério da Fé que não compreendemos, devemos, antes de tudo, nele crer, isto não significa dizer que não devamos, com humildade, estudá-lo, meditá-lo e nos aprofundarmos em estudos e explicações de pessoas santas e sábias, que logram tirar alguns véus que o envolvem e  assim nos aproximam do seu significado mais profundo. E é o que o Dr. Plinio consegue fazê-lo com suas reflexões sobre “Tristeza, dor e majestade”.

“Tristeza, dor e majestade expressas num Crucifixo

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A manifestação de tristeza de Nosso Senhor apresentada neste belo Crucifixo é pungente: os lábios abertos, os dentes separados, o queixo ligeiramente caído, dando a impressão de tal abandono de forças que há uma carência de energias até para manter cerrados os lábios. O olhar é distante, pairando na consideração de outra coisa muito diversa e que O enche de tristeza.

O artista soube muito bem representar os cabelos de Nosso Senhor: não propriamente penteados, porque não teria propósito, depois de tudo quanto Ele sofreu, representá-los ordenadamente. Mas são apresentados lindamente desgrenhados! De maneira que eles formam cachos lindíssimos! A barba é tão pequena, que não seria possível esculpi-la revolta. Ela cai ordenadamente para emoldurar o rosto.

Analisando a coroa de espinhos, podem-se perceber os grandes espinhos que transpassaram a fronte de Nosso Senhor. Acima do olho esquerdo nota-se uma machucadura terrível. Tem-se a impressão de que um espinho ali penetrou, deixando um furo horrível!

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Vê-se o sangue que corre… Mas, com quanta delicadeza ele escorre ao longo do corpo divino! De maneira a formar longos filetes, aparecendo na ponta de cada um deles um rubi!

Sempre, desde menino, o que mais me impressionou em Nosso Senhor Jesus Cristo foi a sua dor. Estivesse Ele crucificado ou não. Tanto numa atitude como nas imagens do Sagrado Coração, em que o Divino Redentor O mostra aos homens, quanto entre os doutores do Templo, o que me chamava a atenção era a dor. E dor que confere ao sofrimento aquele matiz de majestade, de sabedoria profunda, de transcendência em relação a tudo. Mas, também, de bondade que chega até o último ser, até o último pecador. Isto foi o que sempre, de modo muitíssimo especial, me atraiu nEle e me levou a adorá-Lo.

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Não custei a perceber que tal disposição de alma estava em diametral oposição à alegria de fandango, doida, tonta, agitada e sedenta de pecado, que dominava a minha época de menino, com a difusão da atmosfera de Hollywood, do cinema moderno… Então, era uma alegria má. E eu ficava colocado entre a tristeza e a má alegria.

Entretanto, naquela época, eu não sabia discernir bem entre a boa e a má alegria.

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Foi necessário o transcurso de anos para eu perceber o seguinte: aqueles que partilham a tristeza de Nosso Senhor são os verdadeiramente alegres desta vida! E aqueles que se apresentam alegres com Satanás são, na realidade, os tristes neste mundo. E, apesar de ser verdadeiro o fato de vivermos numa época de tanto pecado e tanta ignomínia – que arrancou lágrimas de Nossa Senhora na sua aparição em La Salette, e postulou a Mensagem de Fátima, com tudo o que ela contém – parece-me que o verdadeiro católico pode ter sua alma alegre. Mas que tal alegria nunca deve prescindir de um certo véu de tristeza. De tristeza digna, tristeza nobre, varonil, como quem acompanha Nosso Senhor até o alto da Cruz!

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De onde a ideia seguinte: a vida, para ser conduzida de modo católico, deve trazer consigo esse traço de grandeza e de seriedade, sem o qual ela não vale nada. A vida humana é uma participação na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eu tenho que sofrer como Ele sofreu. E quanto mais eu padecer, tanto melhor será, porque terei tido maior honra em me achegar mais a Ele.

Que a Virgem Santíssima nos ajude a conservar tais reflexões bem no fundo de nossas almas, pois aproximamo-nos de tempos em que desconhecemos como será o dia de amanhã.

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Espreitar-nos-á a dor?

Talvez! Mas devemos estar certos de um ponto: se nos espreita a dor, aguarda-nos também a glória!

 

Fonte de consulta:

Revista  Dr. Plínio

 

 

 

 

 

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A família, a televisão e o perversor

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Caríssimos irmãos e irmãs , no momento encontram-se em ebulição alguns assuntos (  exposições de “arte” , filmes blasfemos e grotescos e outras aberrações atingindo até crianças) que têm provocado os mais acirrados debates, seja nos órgãos da mídia, digamos convencional, quer nas denominadas redes sociais, que cada vez mais vão se impondo como um veículo democrático das mais diversas opiniões, dos mais diversos matizes, de boa ou má qualidade, comprometidas ou não com a verdade. Felizmente que nosso povo tem se posicionado, majoritariamente, contra tais aberrações!

Poderíamos dizer que tais assuntos estão relacionados aos seguintes temas: à família,  à cultura, à liberdade de expressão e seus limites.

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E assim julguei por bem me posicionar, e trazer à baila algum contributo que possa trazer luzes e suscitar sérias e graves reflexões para o debate.

No   tocante à família, já tratamos do tema em vários outros posts anteriores e é extreme de dúvidas que se trata de uma instituição de origem divina, conforme se lê no Livro do Gênesis e por isso mesmo é a “celula mater” da sociedade. E é nela que nascem, se desenvolvem ,  se consolidam e se destilam as virtudes que, de seu turno vão engendrar os costumes, as tradições, enfim a cultura e as civilizações.

No que concerne ao conceito de cultura,  é lugar comum dizer-se que é o conjunto das manifestações de um povo  nas mais variadas atividades do agir humano: na música, no teatro,  na gastronomia, na poesia e na literatura, nas danças, esculturas, pinturas, nas vestimentas e adornos,  enfim, nos diversos ramos do conhecimento, etc.

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No entanto, a rigor, para que essas expressões possam merecer tal nome, devem estar sempre relacionadas e sempre buscar o favorecimento dos princípios da verdade, do bem e do belo.

Muitas vezes ouvi dizer que a arte é a expressão do belo. Em outras palavras, conforme refletimos nos posts “A pulcritude do belo” e “Há esperança?”, uma sociedade deve buscar sempre o aprimoramento do espírito, a Virtude, ou seja, a Honestidade.

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Tratando do tema, o Professor Plinio Correa de Oliveira, em conferência  publicada pela revista Catolicismo nº 51, de Março 1955, teceu o seguinte comentário: “Entretanto, podemos considerar seriamente o assunto, tomando a palavra “cultura” nos mil significados de que ela se reveste na linguagem de tantos povos, classes sociais e escolas de pensamento, e começando por mostrar que em todas estas acepções a “cultura” contém sempre um elemento basilar invariável, isto é, o aprimoramento do espírito humano.

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Dr. Plinio

No âmago da noção de aprimoramento, está a ideia de que todo homem tem em seu espírito qualidades susceptíveis de desenvolvimento, e defeitos passíveis de repressão. O aprimoramento tem pois dois aspectos: um, positivo, e que significa crescimento do que é bom, e outro negativo, ou seja, a poda do que é mau”.

O que vale dizer, que cultura não é tudo aquilo que o homem produz ou realiza, porquanto para sua caracterização é necessário que contenha sempre o aspecto positivo que implica o aperfeiçoamento do que é bom e a poda do que é mau e nocivo. E logo se vê que as

manifestações a que algumas pessoas chamaram de expressão cultural, não passam de manifestações de ódio metafísico a Deus e ao que é sagrado e explosões de anticultura.

Portanto a liberdade de expressão será legítima e sadia se for exercida com responsabilidade e comprometida com a verdade, respeitando os direitos alheios e imbuída do escopo de fazer o bem e favorecer a prática das virtudes.

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E, por conseguinte, não poderá ser aceita nem digna de tal nome, se atentar de forma ignóbil e preconceituosa contra os princípios elementares do respeito à vida, à dignidade e honra de crianças, e às crenças e símbolos que, além de representativos de pessoas sagradas e verdadeiras, como o são Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora, são venerados e amados pela imensa maioria de nossa população!

Destarte, não e não, a essas explosões de ódio e blasfêmias ao Sagrado; ao atentado ao pudor, à inocência e à dignidade de crianças e aliás, também da maioria de nossa população; ao feio e grotesco, que jamais serão justificados por uma minoria insignificante de pessoas e por alguns órgãos de nossa imprensa, sob o infundado e sofístico pretexto de liberdade de expressão.

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Feitas tais colocações preliminares, deixo-lhes um artigo do já falecido D. Lucas Moreira Neves, que foi Cardeal Arcebispo de Salvador (de 1987 a 1998), o qual foi publicado na edição do Jornal do Brasil, de 13 de janeiro de 1993.

São palavras duras de um dos mais influentes e respeitados Cardeais da Igreja Católica que chegou a ocupar  no Vaticano o  importantíssimo cargo de Prefeito  da Congregação  para os Bispos, mas utilíssimas para um…. quem sabe, exame de consciência nacional e mudança de atitudes e de rumo, enquanto é tempo, pois com Deus não se brinca!

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“J’accuse! – A escola de criminalidade e violência que se tornou a televisão brasileira.

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Dom Lucas Moreira Neves

Do polêmico manifesto de Emile Zola estou plagiando somente o título – e, se puder, a veemência. Fora isso, não pretendo revisitar nesta crônica o clamoroso affaire Dreyfus. O meu j’accuse é assestado contra a televisão brasileira. E o lanço como brasileiro preocupado com meu País e como bispo responsável por grande número de fiéis.

Não quero, de modo algum, generalizar. Estou pronto a excetuar da minha acusação o canal dedicado à educação e cultura e os programas que, nos diferentes canais, contribuem para o crescimento e a elevação cultural e humana da população.

Feito isso, e tomando por testemunhas a sociedade brasileira em geral, os pais de família e os educadores em particular, os pastores de Igrejas e líderes religiosos, eu acuso a televisão brasileira pelos seus muitos delitos.

Acuso-a de descumprir sistematicamente as funções em vista das quais obteve do governo uma concessão: informar, educar, cultivar, formar consciência e divertir. Em vez disso, ávida somente de pontos no Ibope e de faturamento, ela não hesita em apelar aos instintos mais baixos do homem. Seu pecado mais grave é o que concerne à educação por ser esta a necessidade e as exigências fundamentais no nosso País. Com raras e louváveis exceções, a tevê brasileira não só  (não) educa, mas, com requinte de perversidade, deseduca. Abusando dos seus recursos técnicos, do seu poder de persuasão e de penetração nos lares do País inteiro, ela destrói o que outras instâncias pedagógicas e educativas, a duras penas, procuram construir.

Acuso a televisão brasileira de ministrar copiosamente à sua clientela os dois ingredientes que, por um curioso fenômeno, andam sempre juntos: a violência e a pornografia. A primeira é servida em filmes para todas as idades. A segunda impera, solta, em qualquer gênero televisivo: telenovelas, entrevistas, programas ditos humorísticos, spots publicitários e clips de propaganda. Há cerca de três anos, em artigo no JB, o editor e jornalista Sérgio Lacerda denunciava que, com sua enxurrada de pornografia, a TV brasileira está formando uma geração de voyeurs.

Acuso a televisão do nosso País de estar utilizando aparelhagens e equipamentos sofisticados com o objetivo de imbecilizar faixas inteiras da população. Uma geração de debilóides. O processo se torna consternador e inquietante quando, a pretexto de humor, um instrumento de educação, como a escola, se transforma em “escolinha”, onde o mau gosto, a idiotice, o achincalhe são dados em pasto a crianças, adolescentes e jovens em formação. Em matéria de humor televisivo, aliás, poucos o analisaram tão profundamente como Moacyr Werneck de Castro, ao apontá-lo como verdadeira regressão à infância, por meio de um ‘repertório de boçalidades’ (Humor na Televisão, JB 06/07/91).

Acuso a TV brasileira de ser demolidora dos mais autênticos e inalienáveis valores morais, sejam eles pessoais ou sociais, familiares, éticos, religiosos e espirituais. Demolidora porque não somente zomba deles, mas os dissolve na consciência do telespectador e propõe, em seu lugar, os piores contravalores. Neste sentido, é assustadora a empresa de demolição da família e dos mais altos valores familiares – amor, fidelidade, respeito mútuo, renúncia, dom de si – realizada quotidianamente, sobretudo pelas telenovelas. Em lugar disso, o deboche e a dissolução, o adultério, o incesto.

Acuso a TV brasileira de ser corruptora de menores, em virtude de programas da mais baixa categoria moral, pelas cenas e pelo palavreado, em horários em que crianças estão diante da caixa mágica.

Acuso-a de atentar contra o que há de mais sagrado, como seja, a vida. Não há muitos dias, em programa reprisado, milhares de espectadores viram e ouviram, no diálogo entre um talkman e uma jovem de vinte anos a mais explícita apologia do aborto e o não velado incitamento à supressão de vidas humanas no seu nascedouro.

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Acuso-a de disseminar, em programas vários, idéias, crenças, práticas e ritos ligados a cultos os mais estranhos. Ela se torna, deste modo, veículo para a difusão de magia, inclusive magia negra, satanismo, rituais nocivos ao equilíbrio psíquico.

Acuso a TV brasileira de destilar em sua programação e instilar nos telespectadores, inclusive jovens e adolescentes, uma concepção totalmente aética da vida: triunfo da esperteza, do furto, do ganho fácil, do estelionato. Neste sentido, merecem uma análise à parte as telenovelas brasileiras sob o ponto de vista psicossocial, moral, religioso.

Quando foi que, pela última vez, uma novela brasileira abordou temas como os meninos de rua, os sem-teto e sem-trabalho, os marginalizados em geral? Qual foi a novela que propôs ideais nobres de serviço ao próximo e de construção de uma comunidade melhor?404674_10150647049415850_506470849_11208315_863731189_n.jpg

Em lugar disso, as telenovelas oferecem à população empobrecida, como modelo e ideal, as aventuras de uma burguesia em decomposição, mas de algum modo atraente.

 

Acuso, enfim, a televisão brasileira de instigar à violência: ‘A televisão brasileira terá de procurar dentro de si as causas da violência que ela desencadeou e de que foi vítima’ (Editorial Estrelas candentes, JB, 06/01/93). ’Já se chamou a atenção para o fato de que o crescimento de rede monopolística da televisão coincida com o crescimento da violência no país e jamais se chegará no âmago da questão enquanto a própria televisão se recusar a assumir sua responsabilidade’ (Editorial Limites da dor, JB, 08/01/93). Ela não pode procurar álibis quando essa violência produz frutos amargos. Quem matou, há dias, uma jovem atriz? Seria ingenuidade não indiciar e não mandar ao banco dos réus uma co-autora do assassinato: a TV brasileira. A novela das oito. E – sinto ter que dizê-lo – a própria novela De corpo e alma”.

Cardeal, e ex-Primaz do Brasil Dom Lucas Moreira Neves (+ in memoriam)

Artigo publicado em 13 de janeiro de 1993 no Jornal do Brasil

No Evangelho de São Mateus, há uma passagem na qual fica patenteada a gravidade do escândalo praticado contra crianças e o castigo que Jesus promete a quem lhe der causa.

São Mateus 18:1-7:

“1. Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Quem é o maior no Reino dos céus?

  1. Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse:
  2. Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus;

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  1. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus.
  2. E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe.
  3. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.
  4. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!”

E para completar esta reflexão em torno de situação tão grave que atinge o Brasil e muitos outros países, atualmente, transcrevo abaixo palavras do Papa Paulo VI, que deixam clara a existência do demônio e de sua atuação perversora sobre o mundo, as quais lançam ainda mais luzes  sobre a questão do mal e sobre o mistério da iniquidade.

Mas quero encerrar o presente post registrando a minha confiança em que Deus fará cessar esse estado de coisas no qual se debate o mundo, pois foi o próprio Jesus que nos prometeu: “ Confiança! Confiança! Eu venci o mundo!”

E também porque Nossa Senhora nos assegurou em Fátima: “ Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

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Paulo VI

“Quais são, atualmente, as maiores dificuldades da Igreja? Não vos cause espanto nossa resposta, como simplista ou mesmo como supersticiosa e irreal: uma das maiores necessidades é a defesa contra aquele mal que denominamos demônio. […]

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Realidade terrível, misteriosa e assustadora

O mal não é apenas uma deficiência, mas sim uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Terrível realidade. Misteriosa e assustadora.

Sai do âmbito do ensinamento bíblico e eclesiástico quem se nega a reconhecer a existência desta realidade, interpretando-a como um princípio que existe por si, sem ter, como toda criatura, sua origem em Deus; ou então a explica como uma pseudorrealidade, uma personificação conceptual e fantástica das causas desconhecidas de nossas desgraças.

O problema do mal – analisado em sua complexidade e em sua absurdidade em relação à nossa racionalidade unilateral – torna-se assim obsessivo, constituindo a mais forte das dificuldades para compreendermos o cosmos sob o ponto de vista religioso. Não sem razão sofreu Santo Agostinho durante anos: “Quærebam unde malum, et non erat exitus – Eu procurava de onde vinha o mal, e não encontrava explicação” (Confissões, VII, 5; 7; 11).

Eis, portanto, a importância que adquire advertirmos o mal para uma correta concepção cristã do mundo, da vida e da salvação.

Ameaça assinalada em muitíssimas passagens do Novo Testamento

Primeiro, no desenvolvimento da história evangélica, quem não se recorda da página densíssima de significados da tríplice tentação de Cristo, no início de sua vida pública? Ou dos muitos episódios evangélicos nos quais o demônio se encontra com o Senhor e aparece nos seus ensinamentos? E como não haveríamos de recordar que ­Jesus Cristo, referindo-se três vezes ao demônio como seu adversário, o qualifica como “príncipe deste mundo” (Jo 12, 31; 14, 30; 16, 11)?

Diversas passagens do Evangelho nos indicam que não se trata de um só demônio, mas de muitos; um, porém, é o principal: satanás, que significa o adversário, o inimigo; e muitos outros com ele, todos criaturas de Deus, mas decaídas e condenadas, por terem sido rebeldes; todo um mundo misterioso, convulsionado por um drama infelicíssimo, do qual conhecemos muito pouco.

Fissuras através das quais pode facilmente penetrar

O demônio está na origem da primeira desgraça da humanidade; foi ele o tentador falacioso e fatal do primeiro pecado, o pecado original. Por essa queda de Adão, o demônio adquiriu certo domínio sobre o homem, do qual só a Redenção de Cristo nos pôde libertar.

É uma história que ainda se desdobra: recordemos os exorcismos do Batismo e as frequentes referências da Sagrada Escritura e da Liturgia ao agressivo e opressor “poder das trevas”. É o inimigo número um, é o tentador por excelência. Sabemos, assim, que esse ser tenebroso e perturbador existe realmente e continua agindo com aleivosa astúcia; é o inimigo oculto que semeia erros e desventuras na história humana. […]

Numerosos são os que hoje preferem exibir-se como fortes e livres de preconceitos, assumir ares positivistas, e depois dão fé a tantas gratuitas superstições de magias ou populares; pior ainda, abrir a própria alma – a própria alma batizada, visitada muitas vezes pela presença eucarística e habitada pelo Espírito Santo! – às licenciosas experiências dos sentidos, às deletérias experiências dos estupefacientes, como também às seduções ideológicas dos erros da moda, fissuras estas através das quais pode o maligno facilmente penetrar e alterar a mentalidade humana.

Não quero dizer que todo pecado seja devido diretamente à ação diabólica; mas é verdade que quem não se vigia com certo rigor moral expõe-se à influência do mysterium iniquitatis, ao qual se refere São Paulo, e que torna problemática a alternativa de nossa salvação.

“O mundo todo jaz sob o maligno”

Nossa doutrina se torna incerta, por estar obscurecida pelas mesmas trevas que circundam o demônio. Mas nossa curiosidade, excitada pela certeza da sua multíplice existência, torna-se legítima com duas perguntas. Existem sinais, e quais, da presença da ação diabólica? E quais são os meios de defesa contra tão insidioso perigo?

A resposta à primeira pergunta requer muita cautela, embora os sinais do maligno pareçam por vezes tornar-se evidentes. Podemos supor sua sinistra ação onde a negação de Deus se mostra radical, sutil e absurda, onde a mentira se afirma hipócrita e poderosa contra a verdade evidente, onde o amor é extinto por um egoísmo frio e cruel, onde o nome de Cristo é impugnado com ódio consciente e rebelde, onde o espírito do Evangelho é mistificado e negado, onde o desespero se afirma como a última palavra, etc.

Mas é um diagnóstico por demais amplo e difícil, que não pretendemos aprofundar e autenticar agora, não carente, entretanto, de dramático interesse para todos; a ele também a literatura moderna dedicou páginas famosas.

O problema do mal continua sendo uma das maiores e permanentes questões para o espírito humano, inclusive após a vitoriosa resposta dada pelo próprio Jesus Cristo. “Sabemos – escreve o Evangelista São João – que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o maligno” (I Jo 5, 19).

A defesa decisiva é a graça

À outra pergunta – qual defesa, qual remédio opor à ação do demônio? – a resposta é mais fácil de formular, embora continue difícil de concretizar. Podemos dizer que tudo quanto nos resguarda do pecado, nos defende ipso facto do inimigo invisível. A defesa decisiva é a graça. A inocência adquire um aspecto de fortaleza.

Além disso, cada um se recorda de quanto a pedagogia apostólica simbolizou na armadura de um soldado as virtudes que podem tornar invulnerável o cristão. O cristianismo deve ser militante; deve ser vigilante e forte; e deve por vezes recorrer a algum exercício ascético especial para afastar certas incursões diabólicas. Isto nos ensina Jesus, indicando o remédio “na oração e no jejum” (Mc 9, 29). E o Apóstolo sugere a linha mestra a seguir: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem” (Rm 12, 21; cf. Mt 13, 29).

Conscientes, pois, das adversidades nas quais se encontram hoje as almas, a Igreja e o mundo, procuraremos dar sentido e eficácia à habitual invocação de nossa principal oração: “Pai nosso… livrai-nos do mal!”. ²

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A  Família é Divina

Beato Paulo VI. Excertos da Audiência geral de 15/11/1972 – Tradução: Arautos do Evangelho

Leia mais em: https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/18/;

Revista Catolicismo nº 51, de Março 1955;

A pulcritude da honestidade

Primeiramente, esclareço que pulcritude é uma palavra que não é muito usada, mas que significa uma coisa muito bela e também uma forma de beleza sublime e especial. Sua raiz etimológica está na palavra “pulchra”, originária do Latim, que significa bela.

 Adentrando o assunto, que será tratado neste post, constatei que os estudiosos da vida, obra e pensamento de São Tomás de Aquino, ficam abismados ante as virtudes, a erudição e cultura  daquele que é conhecido como Doutor Angélico, pela pureza e inteligência angelical que ornavam a sua personalidade.

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Pode-se afirmar que  ele tratou de todas as matérias e disciplinas então conhecidas, com uma maestria, concisão e profundidade jamais superadas, sequer rivalizadas por nenhum outro pensador.

E isto tudo aliado a uma humildade e simplicidade de pasmar!

Contam os seus historiadores que diante de uma questão insolúvel, ele que era frade dominicano colocava sua cabeça dentro do Sacrário, que guardava a Hóstia consagrada e assim permanecia por longo tempo , até que fosse iluminado diretamente por Deus sacramentado! E ele dizia que assim ele aprendia mais do que horas e horas estudando e pesquisando em livros.

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E entre tantos assuntos, ele aprofundou e discorreu com exímia sabedoria e pulcritude  sobre a honra, a honestidade e também sobre vício oposto a estas virtudes, que é a desonestidade, que para ele  nada mais é   do que a falha de caráter (Suma de Teologia vol. IV, Parte II – IIb.

Lecionava o “ Aquinate”, como também o chamavam e chamam até hoje,  que

 “ a honestidade é um estado de honradez. Aquele que é digno de honra é honesto  e vice-versa. A honra tem que ver com a excelência e esta é entendida como uma disposição de caráter em direção ao que é ótimo e digno de admiração. Ora, essas são as características da virtude; logo, a honestidade coincide com a virtude. Aquele que é honesto é digno de honra e esta é o reconhecimento da excelência de alguém”.

Que definições e explicitações fantásticas, não é mesmo? Ajudam-nos a pensar, a raciocinar, a nos esforçar e a nos elevar, em suma, e isto é bom! Tira-nos da preguiça mental, da inércia, da mediocridade! E assim vamos subindo aquele monte hipotético, a que nos referimos no primeiro post.

Mas continuemos escutando o Doutor Angélico:

“A honestidade consiste na similitude entre a eleição interna e os   comportamentos externos, num caso e noutro orientados para a excelência, o bem e o belo. É por isso  que é apropriado dizer-se de alguém honesto que é também uma pessoa boa e bela. É bonito ser-se honesto. É feio ser desonesto. Aquele que é honesto é bom. O desonesto é mau porque revela uma profunda falha de caráter.”

Sim, amigos, a beleza mais eminente é a interior, e a feiura que verdadeiramente repele é  a de caráter!

E  São Tomás arremata de forma magnífica e contundente:

“Uma sociedade que tolera a desonestidade é uma sociedade intrinsecamente desonesta”.

Nossa! Se ele vivesse no século XXI, o que diria da situação do Mundo?

São Tomas estudou também sobre a relação da honestidade com a temperança, e outras virtudes, mas  hoje não vou tratar  desse tema.

  Mas, vejamos o que ele diz ainda sobre a honestidade:

“Chama-se honesto ao que tem uma certa beleza subordinada à razão. Ora o ordenado segundo a razão é naturalmente conveniente ao homem. Pois, cada um naturalmente se deleita com o que lhe é conveniente. Por isso, o honesto é naturalmente deleitável ao homem, como  o prova o Filósofo ao tratar dos atos de virtude” (S. Th, II, II, Q, 145).

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Ou seja, em minha modesta opinião, ele afirma que tudo que é honesto contém uma beleza, pois está ordenado segundo a razão e é conveniente ao homem, o que vale dizer que a honestidade causa uma felicidade de situação, em suma, acarreta uma paz de espírito, profundamente deleitável e aprazível.

Via de consequência, o desonesto acarreta efeitos contrários: é feio, desordenado, inquietante e perturbador.

Na Bíblia Sagrada encontramos ensinamentos sobre o honesto  em vários dos seus Livros, mas  a título de ilustração, citamos apenas as passagens abaixo:

“ Constrói sua casa como a casa da da aranha,como a choupana que o vigia constrói.

Deita-se rico, mas é pela última vez.

Quando abre os olhos, já deixou de sê-lo.” (Jó 27,18-19)

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“Melhor é, portanto, a condição de um homem honesto que não tem ídolos, pois assim estará sempre isento de confusão. (Baruc 6, 72)

“Se o mau renunciar à sua malícia para praticar o bem e ser honesto, ele viverá por essa razão .” (Ezequiel 33, 19)

O modelo perfeito e acabado da pulcritude da  honestidade  foi  Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo Deus e Homem verdadeiro possuía em Si todas as virtudes em grau inexcedível de perfeição, e por causa disto foi rejeitado pelos sacerdotes e doutores da Lei , traído por um de seus discípulos e acabou sendo condenado à morte e morte de Cruz! Mas como sabemos, Ele ressuscitou ao terceiro dia, e agora se encontra ao lado de Deus Pai, donde há de vir à terra para julgar os vivos e os mortos, como rezamos  no Credo.

E uma das representações mais eloquentes das suas virtudes , e portanto da honestidade, no seu sentido mais amplo e completo, é a Imagem do seu Sagrado Coração, daí porque a colocamos como ícone do presente post. E Ele nos legou ainda um modelo ainda mais próximo de nós, que é o Imaculado Coração de Maria que está pronto a nos socorrer sempre.

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Portanto, digamos sempre: ” Sagrado Coração de Jesus, fazei meu coração semelhante ao Vosso!”

” Doce Coração de Maria, sede meu refúgio e proteção”!

Ou, simplesmente, ” Sagrado Coração de Jesus e de Maria, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro!”

Sim, meus irmãos, na situação em que se encontra a humanidade, só podemos esperar que venha do Céu, uma solução verdadeira e duradoura, e que restaure o senso do ser, do certo e do errado, em suma, a luz da razão dos homens e mulheres, iluminando-a pelo farol da Fé, da Esperança e da Caridade!

E para corroborar com tantas reflexões filosóficas e teológicas, em torno da honestidade, deixamos-lhe uma bela e simples historinha, intitulada:

“A recompensa da honestidade”

A alegria sempre esteve presente no lar de Henrique, pela harmonia que ali reinava. Como bom chefe de família, trabalhava incansavelmente para sustentá-la. Porém, conseguia, com esforço, só o necessário para uma vida sem muita folga. Não obstante, com sua esposa e filhos eram muito estimados na aldeia, pelas demonstrações que davam de virtude. Na verdade, a devoção a Jesus Sacramentado era o centro da família e daí emanavam as bênçãos para aquela humilde morada.

Entretanto, uma profunda tristeza veio abalar tão abençoada família: sendo acometido por uma doença mortal, depois de gastar suas economias com remédios e hospital, Henrique deixou a esposa, Helena, e seus três filhos na miséria. Antes, contudo, de exalar o último suspiro, quis dar aos seus um conselho simples, mas precioso:

– Em qualquer circunstância da vida, nunca deixem de invocar Aquele que é Todo-Poderoso. Na Eucaristia está o remédio para qualquer aflição.

Após sua partida para a eternidade, quem sustentaria a família? Os filhos ainda não tinham idade para trabalhar e Helena, devido aos cuidados com o marido, também ficara com a saúde abalada, sem condições para tanto. Por isso, em pouco tempo, não havia na casa sequer um pouco de farinha… Estavam a um passo da indigência completa. A viúva, desamparada em tal situação, não encontrou outra saída senão mendigar pelas redondezas. Não faltaram almas generosas que se enternecessem, à vista de sua dor. No entanto, o obtido não era suficiente.

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Um dia, estando com os filhos para rezarem o terço como o faziam todas as tardes, entre lágrimas, dona Helena não resistiu e desabafou-lhes suas angústias:

– Meus filhos, estamos passando por momentos difíceis! Comove-me pensar que nem sequer temos o indispensável para sobreviver. Sua mãe não é capaz de trabalhar, e mendigar não traz muitos resultados…

Mateus, o mais velho, julgando-se responsável e adulto, quis tranquilizá-la:

– Não se preocupe, mamãe, sou grande e já posso trabalhar. Amanhã vou percorrer a aldeia em busca de serviço. Assim, poderei sustentar a família!

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– Agradeço sua boa disposição, meu Mateus – disse a bondosa mãe -, mas você só tem dez anos!…

Luísa, a segunda filha, procurou consolá-la, dizendo-lhe:

– Mamãe, não se aflija, lembre-se do que o padre disse no domingo: Deus é protetor dos órfãos e das viúvas. Ele nunca vai deixar de nos amparar. Se Ele nos mandou o sofrimento, é porque nos ama!

– Sim, confie em Jesus – acrescentou Pedro, o pequenino. Papai disse que é na Eucaristia onde está o remédio para todas as aflições!

Reconfortada pelas palavras dos filhos, dona Helena, logo pela manhã, dirigiu-se à igreja a fim de implorar auxílio a Jesus, presente na Sagrada Hóstia. Já ao entrar no recinto sagrado foi inundada por enorme consolação, pois o Santíssimo estava exposto, criando um ambiente acolhedor, cheio de graças e de bênçãos. Ajoelhando-se junto ao altar, passou longas horas externando suas dores ao Divino Redentor e suplicando-lhe misericórdia.

Estava tão entretida em suas orações, que nem sequer percebeu a entrada de dois homens na igreja. Eram empregados do fazendeiro mais rico da região, os quais, após terem passado pelo banco para retirar uma boa quantia de dinheiro do patrão, quiseram visitar o Santíssimo Sacramento.

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Completada a visita, retiraram-se, montando logo em seus cavalos, pois estavam atrasados com suas obrigações. Nesse ínterim, a viúva também foi saindo, e viu desprender-se e cair um saco volumoso da cavalgadura deles. Pesarosa,
a boa senhora tomou-o agilmente para devolvê-lo, não conseguindo, porém, devido à rapidez com que se distanciaram.

Dona Helena percebeu ter uma grande fortuna nas mãos e pensou: “Ah! Se tivesse a metade disso… tudo em casa estaria resolvido… Poderia me curar e trabalhar para sustentar meus pequenos!”.

Não se deixando seduzir pelas moedas que pareciam palpitar naquele saco, no mesmo instante, foi entregá-lo ao sacristão, depois de ter-lhe explicado o ocorrido, pois, na aldeia era costume, quando aconteciam fatos similares, entregar os objetos perdidos à secretaria paroquial. Com a consciência tranquila, regressou para casa com a alma em

Os empregados, somente ao chegarem à fazenda deram-se conta da falta do dinheiro. Cheio de aflição, um deles foi narrar ao patrão o sucedido, creditando-lhe que, por certo, havia caído por onde passaram. O patrão, muito piedoso, resolveu ir à igreja com o intuito de rezar para encontrar o objeto perdido. Chegou pouco tempo depois de a viúva haver se retirado. Aproximando-se do Santíssimo Sacramento, implorou a ajuda do Senhor dos senhores, pois naquele dinheiro estava o salário de seus empregados e, apesar de ser rico, esta falta ia desequilibrar seus negócios.

Impulsionado por uma graça, dirigiu-se à sacristia a fim de perguntar ao sacristão se, por acaso, não havia visto o valioso saco. Este lhe respondeu afirmativamente, e devolveu-lhe seu dinheiro, explicando ter sido uma pobre viúva sua grande benfeitora. Comovido diante da honestidade da boa mulher, quis agradecê-la, indo até sua residência.

Lá chegando, soube da história de sua vida. Condoído por sua situação e tocado por sua honestidade – que nem a extrema necessidade conseguiu abalar -, deu-lhe todo o saco como recompensa. A miséria de dona Helena pôde ser suprimida, ela cuidou da saúde e conseguiu sustentar a família dignamente.

De igual modo, o bom patrão também premiou seu servo, por lhe haver demonstrado tanta honestidade, assumindo o caso e sendo veraz em contar-lhe o sucedido, não inventando nenhuma desculpa ou falsa razão pelo desaparecimento das moedas. Por isso, o fez administrador de sua fazenda.

Este é o modo como Nosso Senhor retribui a todos aqueles que O buscam para adorá-lo e fazer-Lhe companhia no Santíssimo Sacramento!

(Revista Arautos do Evangelho, Maio/2012, n. 125, p. 46-47)

Você meu irmão, você minha irmã, que têm filhos ou netos, ou sobrinhos, e quem sabe é um professor ou uma professora, repassem essa historinha, que pode ser útil para a formação deles.

Deixo, ainda para vocês um pensamento do escritor francês Charles Perrault que nos legou belíssimas histórias infantis, conhecidas no mundo inteiro, muitas delas povoadas de fadas, a exemplo de “Branca de Neve”, a “Gata Borralheira”, “O Gato de Botas”, entre outras, que a par da beleza e das lições de vida que contêm, proporcionam aos seus leitores, mormente crianças e jovens, momentos de salutar e rico entretenimento.

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Referência de pesquisa:

Suma Teológica

Bíblia Sagrada, Ave Maria

Revista Arautos do Evangelho, maio/2012, n. 125

 

 

Glorioso Santo Antônio

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Vista da Igreja de Santo Antônio da Barra

Começava sempre às 18 horas. Mas, muito antes desse horário, ainda no período da manhã, iniciavam os preparativos para a ornamentação e arranjo do altar. E, como não poderia deixar  de ser  os “comes e bebes”, bem característicos – bolos de milho e de aipim, canjica, amendoim cozido, entre outros itens juninos, e o licorzinho de genipapo ( de longe, o preferido) e o de maracujá, que tinha também os seus apreciadores e apreciadoras, para o depois das orações e cânticos. Estávamos em pleno período da Trezena de Santo Antônio, que transcorria de 31 de maio a 13 de junho de cada ano!

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Interior da belíssima Igreja de Santo Antônio de Pádua na ladeira da Barra em Salvador

Minha família era muito devota dele, especialmente a minha mãe.  Durante a trezena, geralmente à noite,  em nossa casa, rezavam-se preces e orações ao mais querido Santo dos brasileiros, entremeadas com cânticos variados e apropriados para os diversos momentos desta prática devocional popular, riquíssima, praticada em vários Estados do Brasil, e de modo muito especial, na Bahia, cujo povo é criativo, expansivo e  e fiel às tradições católicas, transmitidas de geração a geração.

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Basílica de Santo Antônio de Pádua, Itália

Mas, a trezena, segundo me disseram, seria própria, se não, exclusiva, da Bahia . Todavia, aprofundando as pesquisas, na verdade, esta devoção teve origem em Bolonha na Itália, em 1617 e foi trazida para o Brasil pelos Portugueses e se espalhou por todo o País, de modo especial na Bahia, que mantém viva esta tradição.

Que costume interessante e que nome curioso:  trezena!

Mas, como dizia, minha mãe Neuza preparava tudo com esmero:  com ajudantes , vizinhas e parentes “construía” um altar bem alto, que atingia o forro da casa,  cujo acesso somente era possível utilizando-se de uma  escada comprida. E neste altar era entronizada uma bela Imagem do nosso querido Santo, de  onde ele visualizava e distribuía graças e mercês aos seus devotos.

 Eram noites de muita devoção, fé, esperança e alegria naquela casa antiga, onde havia um corredor longo de ladrilhos estampados, encerados  e burnidos com um escovão, de modo especial, durante estes dias da Trezena,  para brilharem mais intensamente.

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Interior da Basílica de Santo Antônio de Pádua

A casa tinha que ficar  impecável, pois era grande a frequência dos devotos e a cada dia homenageava- se uma família do nosso círculo de amizade. E havia muitas orações e cânticos ardorosos e alegres em louvor desse  insigne homem da Igreja de Deus, “o Grande Santo Antonio, Santo universal, que ampara os aflitos contra todo mal”, como cantam os seus devotos.

Mas era tudo muito ordenado em meio à expansividade do coração: oração introdutória, hino de entrada, leitura de fatos da vida do Santo e de trecho da Bíblia, reflexão, oração do Pai-Nosso, da Ave Maria, e do Glória, invocações e incensação ao Santo, e oração final, tudo  em meio a cânticos próprios para cada momento , como dito acima! Tudo isto é uma inequívoca demonstração da sabedoria popular, uma belíssima e autêntica tradição que permanece até os dias de hoje.

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Imagem de Santo Antônio que pertenceu aos meus pais.

Como se vê, desde a mais tenra idade fui apresentada a Santo Antônio, que é  um dos meus Santos preferidos e tive a graça de ter ficado com uma belíssima Imagem dele, que está comigo, há   mais de 20 anos e agora mesmo, acabei de rezar com meu marido e Antônia, o décimo dia da Trezena.

Feitas tais considerações, falemos um pouco sobre o Varão Lusitano.

Santo extraordinário, eficiente intercessor, conhecido como Pai dos pobres, Arca da Aliança, entre outras denominações dadas a Ele.

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Nos dias atuais em que vivemos, carecemos, na vida pública, de  exemplos edificantes, de líderes autênticos e de bons formadores da opinião pública, em que pese honrosas exceções, geralmente postas de lado ou objeto de um inexplicável silêncio ou até de chicanas e calúnias, a figura de Santo Antônio desponta como um Farol que precisa ser visto em sua completude e sob seus diversos ângulos, alguns desconhecidos ou, quem sabe, não ressaltados por muitos dos seus biógrafos.

Como seríamos felizes  se tivéssemos alguns Antônios pelo mundo, ou, se os que existem fossem divulgados , conhecidos e seguidos!  Se tal ocorresse, certamente o mundo se encontraria em outra situação, pois o santo é um “alter Christus” , um outro Cristo.

Antônio era um exímio pregador, tinha uma grande capacidade de comunicação com as multidões , conhecido também como  Varão Evangélico. Possuía  a Sagrada Escritura e a doutrina católica no seu coração fervoroso e cheio do amor a Deus. Na verdade estimados irmãos, Ele era uma tocha de entusiasmo quando pregava: Ele passava para as multidões o verdadeiro amor a Deus e às suas Leis orientando como deveriam  os homens  caminhar para o Criador e assim alcançarem  um dia, o Céu.  Sim, exortava e arrastava   multidões  para Jesus, nosso Caminho, Verdade , Luz  e Vida.Imagem relacionada

E o segredo disso tudo era a sua vida de oração e de penitência, sua humildade profunda e sua pureza ilibada, enfim as virtudes e dons do Espírito, plantados em sua alma e que lhe davam uma grande sede de almas e o desejo de conduzi-las a Jesus, por meio de Maria de quem era um grande devoto.

 Sim, conhecendo sua vida, somos estimulados a segui-lo, praticando a caridade,  cultivando o gosto pela  oração, e  a crescermos na Fé.

Esta é a única “fórmula” para obtermos o fim das   guerras, do terrorismo, dos  ódios, das violências e das mortes violentas.

Os milagres que nosso Glorioso Santo Antonio operou, ao longo de sua curta mas profícua existência, são  emocionantes vejamos alguns:

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. Sermão aos peixes – Na cidade de Rimini, ao norte da Itália, as pessoas mantinham-se indiferentes à pregação de Frei Antônio, envolvidas pelas mentiras dos hereges. Certo dia, meditando e refletindo sobre esse abandono e inapetência do povo, Antônio resolveu pregar junto ao mar. De repente, viu-se cercado por um grande cardume de peixes, que  silenciosamente acompanhava sua palavra. Antônio elogiou seus ouvintes falando sobre o sentido do peixe na Sagrada Escritura. As pessoas ao verem isto, ficaram envergonhadas e passaram a ouvir as prédicas de Frei Antônio.

. Veneno em sua comida –  Certo dia alguns hereges, procurando fazê-lo  calar-se e testar sua santidade, colocaram veneno em sua comida. Frei Antônio fez o sinal da cruz sobre o alimento, comeu-o e nada sofreu para surpresa de seus perseguidores.

Resultado de imagem para aparicao menino jesus para santo antonioAparição do Menino Jesus – Hospedado na casa de uma família amiga, à noite o dono da casa percebeu uma luz muito forte no quarto de Antônio. Vencido pela curiosidade, o homem foi espiar e viu o Menino Jesus sentado no colo do frei, com os bracinhos enlaçando seu pescoço, em animada conversa. Por isso que se canta na Trezena: “Bem merecestes ter com amor em Vossos braços o Salvador!”

. Milagre da Bilocação * – no domingo de  Páscoa, enquanto pregava na Catedral, Santo Antônio lembrou-se de que fora designado para entoar o Aleluia na missa que se celebrava naquele momento na igreja do convento franciscano. Não querendo faltar com a obediência e não podendo descer do púlpito, parou um pouco, calou-se como se estivesse retomando a respiração e, nesse momento, foi milagrosamente visto no Coro de seu convento, entoando o Aleluia. Todos presenciaram esse milagre da bilocação e logo espalhou-se  a fama de santo taumaturgo.

Imagem relacionada. O jumento se curva diante da Eucaristia – Durante uma pregação, cujo tema era a Eucaristia, levantou-se um homem dizendo:

“Eu acreditarei que Cristo está realmente presente na Hóstia Consagrada quando vir o meu jumento ajoelhar-se diante da custódia com o Santíssimo Sacramento” O Santo aceitou o desafio. Deixaram o pobre jumento três dias sem comer. No momento e lugar pré-estabelecido, apresentou-se Antônio, que passara esses dias em intenso espírito de oração, com a Custódia do Santíssimo Sacramento nas mão, e o herege com o seu jumento que já não aguentava manter-se em pé devido ao forçado jejum. Mesmo meio-morto de fome, deixou de lado a apetitosa pastagem que lhe era oferecida pelo seu dono, para se ajoelhar diante do Santíssimo Sacramento.

O nome de nascença do nosso Santo era Fernando Antônio de Bulhões,  que nasceu em Lisboa, Portugal, em 15 de agosto do ano de 1195. De família nobre e rica, era filho único de Martinho de Bulhões, oficial do exército de Dom Afonso e de Tereza Taveira.

 De boa índole, inclinado à piedade, sua educação espiritual e intelectual  foi  confiada aos cônegos agostinianos desde os 7 anos de idade.  Antonio gostava de estudar e de ficar recolhido.

Entrou aos 15 anos no colégio dos cônegos regulares de Santo Agostinho. Em apenas nove meses aprofundou tanto o estudo da Sagrada Escritura que foi chamado mais tarde por Gregório IX “ Arca do Testamento”. Uniu à cultura teológica a filosófica e científica.

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Mosteiro de São Vicente de Fora

 Aos 19 anos ingressou no Mosteiro de São Vicente de Fora, onde se tornou Cônego Regular da Ordem de Santo Agostinho. Em 1212, Fernando é transferido para o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde se aprimorou na leitura da Bíblia e da  literatura patrística, científica e clássica.

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Claustros do Mosteiro de Santa Cruz

Em 1219 é ordenado sacerdote onde iniciou a elaboração de uma importante obra: Os Sermões Dominicais.

Foi em Coimbra que conheceu alguns Frades Menores Franciscanos, do “conventinho ” de Santo Antão dos Olivais .Eles atraíram a sua atenção pelos seus trajes, sua vida humilde, de serviço e penitência que levavam, contando apenas com a esmola das pessoas para sobreviverem, conforme os ideais de Francisco de Assis.

Com a morte de cinco mártires franciscanos decapitados em Marrocos, o jovem coração de Fernando, sensibilizou-se profundamente e ele trocou o hábito agostiniano pela túnica e a corda franciscanas. Mudou seu nome para Antonio, em homenagem a Santo Antão, outro grande e fascinante santo, que merece ser lembrado em um outro post.

Em 1220, após  breve período  de noviciado em Olivais, motivado pelo amor de Cristo, partiu para África, em missão apostólica. Caiu doente e teve que retornar. Na viagem de retorno, uma tempestade desviou o barco para Messina, província da região da Sicília, no sul da Itália.

Iniciou, assim, uma vida eremítica e abraçou radicalmente o ideal franciscano –  a pobreza, a austeridade, a humildade, o jejum  e a oração.

Quando falou pela primeira vez em público,  solicitado pelo superior de  Forli, encantou a todos por seu profundo conhecimento bíblico e teológico, exposto com lógica e clareza. Informado pelo provincial,  Francisco, o “Poverello” de Assis – mandou  que Antonio estudasse teologia para dedicar-se a pregação.

Em 1223, Francisco de Assis autoriza a Antonio fundar uma Escola de Pregadores e Teólogos Franciscanos, e assim escreveu Francisco para Antonio: “ Apraz-me  que ensines teologia aos frades, esperando que, por tal estudo, não extingam o espírito de santa oração e devoção, como está contido na Regra”.

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Santo Antônio e São Francisco de Assis

Em 1224, foi para Provença, na França, onde havia surgido a heresia albigense, que defendia a fundação de uma nova igreja.  Conhecido, também, como Martelo dos Hereges, recebeu a missão de combater esta heresia e o fez com sucesso.

O Papa Emérito Bento XVI  assim se refere a esse grande Santo:

“ Antônio nos recorda que a oração precisa de uma atmosfera de silêncio, que não coincide com o afastamento do barulho externo,  mas é experiência interior, que procura evitar as distrações provocadas pelas preocupações da alma. Para Santo Antonio, a oração se compõe de quatro atitudes indispensáveis que, no latim, definem-se como obsecratio, oratio, postulatio, gratiarum actio. Poderíamos traduzi-las assim “  abrir com confiança o próprio coração a  Deus, conversar afetuosamente com Ele, apresentar-lhe as próprias necessidades,louvá-lo e agradecer-lhe”

Em 1230, solicitou dispensa ao Papa de sua funções como provincial para dedicar-se à pregação, reservando um tempo maior para  contemplação e a oração no mosteiro que fundara em Pádua. Voltado para os necessitados, envolveu-se também com questões políticas, chegando a viajar para Verona para pedir a libertação dos prisioneiros  guelfos, sob a dominação do tirano Ezzelino – prefeito de Pádua. Combateu, também, a agiotagem.

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Língua incorrupta de Santo Antônio em Pádua

Nosso amado Frei Antônio sentindo-se fraco e pressentindo  que Deus o estava chamando, quis visitar o eremitério de Camposanpiero, nos arredores de Pádua. Levado por seus irmãos, não conseguiu retornar ao mosteiro franciscano.

No Convento das Clarissas, em Arcella (subúrbio de Pádua), Frei Antônio recebeu os  últimos sacramentos, despediu-se de todos e ainda cantou o bendito:

“ Ó Virgem Gloriosa que estais acima das estrelas…” Depois ergueu os olhos para o céu e disse: “ Estou vendo o Senhor”. Pouco depois morreu. Era dia 13 de junho de 1231 e Antônio contava apenas 36 anos de idade.

Nesse momento em Lisboa, sua terra natal, os sinos repicaram sozinhos, anunciando a entrada desse grande santo nos Céus. As crianças gritavam “o santo morreu, o santo morreu”.

O corpo de Antônio foi levado e sepultado pelos fiéis na igreja de Nossa Senhora. E depois sua fama de santidade foi-se espalhando pela terra a fora.

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Translado do corpo de Santo Antônio

O Papa Gregório IX, onze meses depois da sua morte, no dia 30 de maio de 1232,distinguiu-o como teólogo, místico,   asceta e, sobretudo, notável orador e taumaturgo.

Seus restos mortais repousam desde 1263 na Basílica de Santo Antônio de Pádua, construída em sua memória logo após a sua canonização.

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Quando sua tumba foi aberta para o translado, sua língua estava incorrupta, e São Boaventura, presente naquele ato, disse que o milagre era a prova de que sua pregação fora inspirada por Deus. E assim permanece até hoje, exposta na Capela das Relíquias da Basílica.

Tenhamos, pois, uma grande devoção a esse insigne Santo, imitando suas virtudes,  pois Ele  tem uma afeição muito especial ” aos brasileiros que seus milagres cantam por séculos inteiros! Amém!

E Viva Santo Antônio! Viva!

 

 

 

A Mãe de todas as mães!

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Nossa Senhora Imperial da China

Estamos no mês de maio e  esse mês é   considerado o mês mais bonito do ano, pois  ele tem algo de especial, eu diria mesmo, algo de imponderável, e coincidentemente, o seu segundo domingo, é dedicado às mães,

 

Vamos, estimados irmãos, falar um pouco sobre essa palavra “mãe”, que considero sublime, por  designar aquela pessoa especialíssima, que nos gerou, criou, educou, formou e nos preparou para a vida, e é sempre o alento para enfrentarmos e vencermos com dignidade e fortaleza  as nossas dificuldades,  nunca desanimarmos, dando a volta por cima, caminhando com passos largos  para um  dia sermos e nos tornarmos homens e mulheres honrados, tementes a Deus, bem orientados na vida ( já notaram que orientado, provém de oriente, ponto do horizonte onde nasce o sol ?) e felizes, verdadeiramente ,  na medida em que isto é possível neste vale de lágrimas em que vivemos.

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Aparição de Nossa Senhora aos pastorzinhos

Isso é o que desejam todas as mães, dignas deste abençoado e apaziguante nome, que geraram filhos de forma responsável e que lutam bravamente para que eles alcancem aquilo que, como dito acima, todo ser inteligente e que ama a si próprio busca: a felicidade.

 

É verdade que vemos, atualmente,  fatos que mostram o contrário do que afirmamos,  mas são, a meu ver, lamentáveis exceções.

Na verdade, estamos tratando das mães  com “M” maiúsculo, as verdadeiras Mães, de todas as raças, cores e condições socioeconômicas.

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Nossa Senhora de Czestochowa, Rainha da Polônia

Uma mãe é comparável a uma bela flor, geralmente, a uma rosa, mas a uma rosa sem espinhos!

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É  aquela mulher que sempre está pronta para nos dar a mão, socorrer-nos e amparar-nos.

A palavra  mãe é  sinônimo  de puro  e belo amor, doação, dedicação e socorro  aos filhos.

Resultado de imagem para galinha com pintinhosAté no reino animal, vemos manifestações eloquentes do amor materno, e para mim o mais emblemático, é o da galinha com seus pintainhos, a qual chega a enfrentar um gavião para defendê-los! O próprio Jesus, uma certa feita se comparou a esta tão simples ave e a nós como seus pintainhos! Que bonito! Bonito e reconfortante!

Na verdade, Deus é tão bom, tão bom, que na sua misericórdia nos deu , também como Mãe, a sua própria Mãe, que é a Mãe das mães. Vejam bem, isto que eu digo não é uma figura de retórica não. Isto é uma verdade bíblica, manifestada de forma inefável e insofismável, naquela frase sublime do Nosso Divino Mestre Jesus, que no alto da Cruz, pouco antes de morrer, deixou-nos a maior herança que poderia doar-nos, a saber:

“ Mulher , eis aí o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe”.( Jo.19, 27-27)

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Lembro-me como se fosse hoje quando perdi a minha mãe Neuza; senti um vazio profundo, uma enorme ferida que se formou dentro do meu coração, como se não houvesse mais cura. A dor da perda e a saudade, saudade que passou a ser como que infinita.

Talvez você que está lendo estas linhas tenha passado por isso  e  compreende perfeitamente esse sentimento.

E  esta ausência indizível só foi amenizada e superada, através das orações a minha Mãe do Céu. Sim, fui melhorando, melhorando, confiando em Deus, na sua misericórdia, e sempre pedindo muito a ajuda de Nossa Senhora.

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Nossa Senhora da Piedade

Ela sendo a Mãe dos homens a nós doada  pelo próprio  Jesus, não é uma Mãe distante, alheia às nossas necessidades e perigos. Muito pelo contrário!

À semelhança do que fez nas Bodas de Caná, Ela é a primeira a perceber as nossas aflições e carências e logo intercede em nosso favor e fica imensamente feliz quando a Ela recorremos pois, Medianeira Universal de todas as graças e favores de Deus, pode dar-nos e quer dar-nos  em abundância, tudo de que necessitamos, tanto no plano material quanto no espiritual, desde quando seja bom para nossa felicidade eterna!

Por isso, é frequente dizermos: “Nossa Senhora me ajude, me socorra, ajude a meu esposo, a meus filhos, me ajude a resolver tal problema… “ Durante a nossa vida, quantos momentos nos encontramos em aflição e dificuldades, não é mesmo,  meus amigos e amigas!?

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Estamos nos aproximando  do dia 13 de maio,  em que celebraremos o Centenário da Primeira Aparição de Nossa Senhora, aos três pastorzinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, em Fátima, Portugal!

Resultado de imagem para 3 pastorinho de fatimaTrata-se, na verdade,  de  um dos  acontecimentos mais importantes, do século XX e quem sabe, da História da Humanidade, depois do Nascimento, Vida, Paixão e Morte e Ressurreição de Jesus, e dos demais mistérios que a eles se sucederam. E isto porque em face da gravíssima situação em que se encontrava o Mundo, no início do Século XX,  imerso em uma terrível e fratricida Guerra Mundial, que acabou ceifando a vida de  9 milhões de  pessoas , deixando 30 milhões de feridos; um mundo também  sacudido por outras não menos graves convulsões e revoluções,  a exemplo do ateísmo  militante e sectário, que desembocou na Revolução comunista da Rússia,Resultado de imagem para revolucao comunista russa
e em apostasias de governos de outros países, inclusive  o de Portugal, cujo Presidente do Ministério, Afonso Costa proibiu ,  de modo ímpio e delirante, o ensino do cristianismo nas escolas, expulsou as ordens religiosas e pretendia estabelecer no País o ateísmo mais radical; um  mundo assolado pelo racionalismo, pelo positivismo, ceticismo, e por outros tantos ismos, urdidos pelo demônio, com o único intuito de afastar os homens de Deus e de Nosso Senhor Jesus e de seus divinos ensinamentos; ademais, um  mundo que chafurdava no gozo da vida, na imoralidade, manifestada, já naquele tempo por  modas imorais, censuradas, inclusive por Nossa Senhora em uma de suas Aparições. Para não alongar mais, fiquemos por aqui.

Imagem relacionadaMas o fato é que Nossa Senhora, constatando quadro tão grave e preocupante, e tão ofensivo a Nosso Senhor e ensejador de um castigo de proporções apocalípticas, que propiciasse o aplacamento do Justiça Divina, na qualidade de Mãe de Deus e Nossa, com a permissão do Seu Divino Filho, desceu do Céu para dar-nos um Aviso , fazer uma Promessa ,indicar os meios para sua realização e Proclamar uma Profecia!

O Aviso: se o Mundo continuasse a ofender Nosso Senhor seria seriamente punido de seus crimes, por meio de conflitos, guerras, perseguições à Igreja, etc.

A Promessa:

Se a humanidade se convertesse, verdadeiramente, e deixasse, consequentemente, de ofender a Deus, a guerra terminaria e viria a Paz para o Mundo.

E para tanto indicou os remédios para se alcançar tão apaziguante promessa:

– Recitação do terço, para obtermos a nossa salvação e a conversão dos pecadores

– Devoção dos  Primeiros Sábados de 5 meses seguidos, para desagravar o Coração de Nossa Senhora pelos ultrajes e sacrilégios com os quais Ele é ofendido

– Consagração da Rússia, pelo Santo Padre o Papa, com os Bispos do Mundo Inteiro, ao Imaculado Coração de Nossa Senhora.

Imagem relacionada-A Devoção ao Imaculado Coração de Nossa Senhora.

Proclamação Profética:

“Por Fim o Meu Imaculado Coração Triunfará”

Ocorre que apenas algumas poucas pessoas deram ouvido às advertências e pedidos de Nossa Senhora, enquanto que a humanidade e sobretudo os povos de origem e tradições católicas, fizeram ouvidos de mercador aos apelos maternos de Nossa Senhora, quando não os rejeitaram, frontalmente, o que levou o Papa Bento XVI a afirmar que a Europa, cujos países outrora formaram, em torno do Papa a Cristandade, era um Continente que voltara as costas para Deus.

Em consequência, o Mundo cada vez mais foi se precipitando no abismo da sua autodestruição e do caos, do ódio a Deus, da perda da Fé, da desesperança e do desamor, em suma, da infelicidade inexorável.

Diante do quadro acima, certamente muito mais mais grave do que  o  da época das Aparições de Fátima, o que diria Nossa  Nossa Senhora se hoje retornasse ao Mundo?

Ela que disse,  na 1ª Aparição, que viria a Fátima uma sétima vez?

Tudo leva a supor que seriam palavras muitíssimo mais candentes e urgentes. Façamos cada um de nós uma reflexão e exame de consciência de nossos atos, para que  Deus tenha misericórdia de cada um de nós e desse mundo imerso no pecado.

Deus é misericordioso, e sempre aceita nosso  pedido de perdão, desde que seja verdadeiro e contrito.Resultado de imagem para foto de nossa senhora de fatima

 Façamos como o filho pródigo, não percamos a esperança, e neste Centenário das Aparições, façamos um atento exame de consciência,  peçamos perdão a Deus por nossos pecados, lacunas e insuficiências, façamos propósitos de emenda, permaneçamos firmes na Fé, correspondamos inteiramente aos apelos de Nossa Senhora, ainda que venhamos a sofrer com isto, rezemos incessantemente por nós mesmos, por nossos parentes e amigos e pela conversão dos pecadores do mundo inteiro. E confiemos no Triunfo do Imaculado Coração de Nossa Senhora, que nada mais será do que o Reino dEla e por Ela profetizado  que será  também,  o cumprimento do pedido que os católicos fazemos, há dois mil anos, quando rezamos o Pai- Nosso:

“Venha a nós o Vosso reino e seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu.”

Termino, comunicando aos nossos estimados leitores que o próximo post, aborda  um artigo sobre Fátima, que na minha modesta opinião, é um dos mais profundos e belos  entre tantos que  tratam sobre tão momentoso tema.

Fiquem com Jesus e Maria e aceitem o presente post como uma homenagem a todas as MÃES do Mundo!

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Bibliografia: Bíblia Sagrada, Edição Ave Maria

Fátima, Aurora do Terceiro Milênio, de João S. Clá Dias

Obs: A primeira foto do post retrata Nossa Senhora da Confiança, conhecida na Itália como Madonna Della Fiducia, que se encontra no Seminário Maior de Roma

 

Cristo Ressuscitou!

downloadAmados irmãos e irmãs, celebramos no último domingo, a Festa da Páscoa, na qual passamos  dos benditos sofrimentos e Morte do nosso bom  Jesus para as graças, luzes, bênçãos e alegrias da sua Ressurreição!

Vamos relembrar o que diz  o Apóstolo São Pedro: ( 1 Pedro  1, 3,5,8, 9)

“ 3- Bendito Seja Deus, Pai  de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos faz nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, que não se mancha  nem murcha e que é reservada para vós nos céus.

8- Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para  vós fonte de alegria indizível e gloriosa,

9- pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.”

Podemos dizer, estimados irmãos e  irmãs, bem alto com todas as forças de nosso coração, como nossos irmãos católicos da Alemanha:

“Aleluia, Aleluia Cristo Ressuscitou! Resultado de imagem para sepulcro fechado

Sim, verdadeiramente Ressuscitou, Aleluia, Aleluia”

E para aumentarmos, ainda mais a nossa fé,  não podemos deixar de citar estas palavras de Jesus para São Tomé:

“ Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creram sem ter visto! ( Jo 20,29)
Resultado de imagem para jesus ressurreto Como sabemos, Jesus foi sepultado, e três dias após a sua morte, Maria Madalena foi visitar o túmulo, quem sabe para flori-lo e perfumá-lo, ou porque sentia profundamente uma santa saudade de Jesus, mas encontrou a pedra do sepulcro removida e saiu correndo  para avisar os discípulos. João e Pedro correram até o túmulo e  constataram ausência de Jesus , os panos postos no chão e o Sudário que estivera cobrindo o rosto de Jesus em um lugar à parte e comunicaram o que viram aos seus irmãos.
Imagem relacionadaEntretanto, Maria Madalena ficou nas imediações do sepulcro e chorava, quando, resolveu olhar para dentro do sepulcro avistando dois anjos vestidos de branco que lhe perguntaram porque ela chorava. Ela respondeu: “ porque levaram o meu senhor e não sei onde o puseram”. Em seguida,voltou-se para trás e viu Jesus em pé mas não o reconheceu. Então Jesus perguntou-lhe: “ Mulher, porque choras? Quem procuras?” Pensando que fosse o jardineiro, Maria respondeu: Se fostes tu que o tiraste, dize-me onde o puseste e eu irei buscar”.
Respondeu Jesus : “ Maria!” Ao ouvir aquela voz, ela voltou-se e exclamou em hebraico: “ Rabôni” que quer dizer: Mestre. Maria Madalena, após ouvir algumas outras santas palavras de Jesus, saiu correndo para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor, e contou-lhes o que Ele lhe havia dito.

Jesus aparece aos seus discípulos.Resultado de imagem para maria madalena ve nosso senhor

(João 20, 19-31)

Resultado de imagem para jesus ressurreto“19- Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo  dos judeus, as portas do  lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles,  disse: “A paz  esteja convosco” 20, Depois dessas  palavras mostrou-lhes as mãos e o lado.Imagem relacionada

21- Novamente, Jesus disse: “ A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22- E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “ recebei o Espírito Santo. 23- A quem perdoardes os pecados, eles lhes  serão perdoados; a quem os  não perdoardes, eles[i] serão retidos”. 24- Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25- Os outros discípulos contaram-lhe depois: “ Vimos o Senhor”. Ele disse: “ Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei
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26-  Após oito dias, encontraram-se novamente os discípulos reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas,  Jesus  pôs-se no meio deles e disse: “ A paz esteja convosco”. 27- Depois disse a Tomé: “ Põe teu dedo aqui e olha minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”.  28- Tomé respondeu: ´Meu Senhor e meu Deus”. 29-  Jesus lhe disse:

“ Acreditaste porque me vistes.

“ Bem Aventurados os que creram sem terem visto!” “

Que alegria, pois, para todos nós cristãos estarmos celebrando, desde o ultimo Domingo,  essa retumbante vitória  de Jesus, pois se não houvesse ocorrido a Ressurreição, nossa fé seria vã, como afirma São Paulo.

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Nossa Senhora com os discípulos no Cenáculo

Aliás,  desde  a denominada Vigília Mãe , mais conhecida como a Vigília Pascal, no Sábado Santo, já começamos a prelibar as inexcedíveis alegrias da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, mistério que se comemora, de modo especial,  no Domingo da Páscoa, mas cujas graças e bênçãos  se prolongam, em sua inteireza, por mais 50 dias, dada a sua importância decisiva na ação salvífica de Jesus, mediante as inúmeras celebrações litúrgicas que se sucedem, com beleza e variedade!Resultado de imagem para celebraçao pascal

Aliás, merecem , também, um registro especial a sacralidade e a pulcritude das celebrações da Semana Santa, que vão num crescendo até atingir o Domingo da Páscoa, ou seja, meus irmãos, elas fazem MEMÓRIA dos mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, atualizando todas as graças, luzes e bênçãos que os cercam, produzindo em nós efeitos extraordinários e profundos, tanto maiores quanto forem nosso espírito de Fé ,  nosso amor a Jesus, e  na companhia de sua amantíssima Mãe.

Um grande doutor em Teologia Bíblica da atualidade, Scott Hahn,  que era pastor presbiteriano, converteu-se ao Catolicismo, após  assistir, meio furtivamente, à celebração de uma Missa e fazer, por uma ação da graça, uma correlação entre as suas cerimônias e orações e os textos bíblicos, de modo especial  o Livro do Apocalipse de São João. É dele a afirmação insofismável, de que não se pode cogitar de uma religião que não possua uma liturgia.

Um dia, quem sabe, trataremos deste assunto.

Mas, concluamos o assunto sobre que versa este Post.

A palavra “Páscoa” significa Passagem.

Entre o povo Judeu a Páscoa era uma das mais solenes festas da Antiga Lei.Resultado de imagem para moises tirando o povo do egito

Sabe quem instituiu essa festa? O grande Moisés, e a mandado do próprio Deus, como podemos ver no livro do Êxodo, que narra a saída de Moisés com os judeus do Egito.

Assim, o povo judeu celebrava, todo ano, esta passagem, esta saída, esta libertação milagrosa do jugo dos egípcios, de que Moisés foi instrumento , conduzindo a sua gente pelo deserto, durante 40 anos, rumo à terra prometida – Canaã, onde jorrava leite e mel.Resultado de imagem para moises tirando o povo do egito

A Páscoa simbolizava também uma emenda de vida. Para os cristãos celebrar a Páscoa significa comemorar o oferecimento do Senhor Jesus de sua própria Vida para nos libertar do pecado e dar-nos a oportunidade da Vida Eterna. Deixa, pois, de ser um mero rito e abre nosso horizonte para a vida, que se torna plena de sentido com a doação do nosso Senhor Deus. Na celebração de cada Missa, são celebrados da forma mais perfeita e eficaz, todos os mistérios pascais.

A Páscoa não é simplesmente uma festa entre outras:

Ela é a “ festa das festas”, “ a solenidade das solenidades”, assim como a Eucaristia é o Sacramento dos Sacramentos.  Santo  Atanásio a denomina como “ O Grande Domingo”, isto porque “ o mistério da Ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra nosso velho tempo com  seu poder até que tudo Lhe seja submetido”, conforme explica o Catecismo da Igreja Católica.Resultado de imagem para santo atanasio

E é por esta razão que o dia do Senhor, para os cristãos, desde os primórdios da Igreja, deixou de ser o sábado, passou a ser  o domingo – daí o nome -, dia da semana em que Jesus ressuscitou.

Na sequência da Missa do Domingo de Páscoa, cantamos um cântico que exprime de forma poética e penetrante este Mistério, qual seja:

1-“ Cantai, cristãos afinal: salve,  ó vítima pascal, Cordeiro inocente, o Cristo abriu-nos do Pai o aprisco.

2-Por toda ovelha imolado, do mundo lava o pecado.

Duelo forte e mais forte: é a vida que enfrenta a morte.

3-O rei da vida, cativo é morto, mas reina vivo!

Responde, pois, ó Maria: no teu caminho o que havia?

4-“Vi Cristo Ressuscitado, o túmulo abandonado, os anjos da cor do sol,

dobrado ao chão o lençol…

5-O Cristo que leva aos Céus, caminha à frente dos seus!”

Ressuscitou de verdade.

O Rei, Ó cristo, Piedade!

Uma santa e abençoada Páscoa para todos!

Bibliografia:

Bíblia Sagrada

Catecismo da Igreja Católica

https://www.arautos.org/

http://www.cancaonova.com/

Revista Arautos do Evangelho.

 

O Poder e as Maravilhas do Rosário

 Resultado de imagem para criança rezando terçoComo estamos ainda no clima da Quaresma, aproximando-nos  da Semana Santa e da Páscoa, quando então   celebraremos a Ressurreição do Senhor, cantaremos as glórias de Jesus e a Vida que Renasce,   achei  interessante,  continuarmos nessa clave de  reflexão e  meditação de temas espirituais.

  E veio-me à mente falar um pouco sobre o Rosário de Maria Santíssima.

 Quero compartilhar com todos,   as verdadeiras maravilhas contidas nesta oração, enfatizar  o  seu valor extraordinário e poderoso, e as bênçãos que atrai para quem a recita, com dignidade,  de joelhos ( aqueles que podem),  mas também de outras formas,  de pé, caminhando ou até mesmo sentado, mas sempre com  com atenção e compostura, evitando distrações voluntárias e com devoção. Aliás, o êxito e os frutos de nossas ações sempre dependem da concentração e disciplina, com que as fazemos, não é mesmo?Resultado de imagem para criança negra rezando terço

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Comecei a ter apreço ao Rosário,  quando em determinado momento de minha vida encontrei-me  em situação muito difícil. Aos poucos, fui desfrutando  e me deixando  penetrar por aquelas meditações e orações que  me acalmavam muitíssimo, mantinham meu equilíbrio psíquico e me infundiam coragem , paciência e confiança.

 E como precisamos destas virtudes nesse mundo caótico em que vivemos, onde não se tem tranquilidade  e segurança, por estarmos imersos em crises de ordens diversas e cercados de violências constantes e crimes que se multiplicam  barbaramente, sem que se vislumbre uma solução verdadeira, para diminuir ou acabar com esse males e apreensões! Resultado de imagem para arautos do evangelho rezando terço

Assim,  caríssimos irmãos e irmãs,    comecei  naquele período,  aí entre os anos 80 e 90,  a sentir uma devoção muito grande  pelo Terço –  que designa ou o instrumento com o qual se recita o Rosário ou a recitação da terça parte dele, originariamente, – como será melhor explicado mais adiante.

Ao mesmo tempo, senti um desejo muito forte de propagá-lo, ainda sem ter uma ideia mais completa do seu poder e da sua eficácia. E através dele, resolvi agradecer a Nossa Senhora uma grande graça –  uma exitosa cirurgia  de córnea a que se submeteu meu filho mais velho, o Moisés – fazendo peregrinações com uma bela Imagem de Nossa Senhora das Graças que, há mais de 30 anos guarda nossa Chácara, denominada Sorriso de Maria.

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 Visitava as casas, acompanhada do Moisés ou  de uma filha e por vezes , do meu marido, portando a mencionada Imagem, difundindo a devoção a Maria, por meio da recitação e meditação dos mistérios de um terço. Foram tempos de graças inesquecíveis!

  O Rosário significa uma bela e esplendorosa  Coroa de Rosas que colocamos sobre a fronte  da Virgem Maria.

A rainha das flores é a rosa. Cada Ave-Maria que se reza é  uma rosa que oferecemos a Maria Santíssima, Rainha do Céu e da Terra, e o conjunto de 203 Ave-Marias e 21 Pai-Nossos,  é essa belíssima Coroa de que lhes falei, que o povo de Deus denominou Rosário.

E Nossa Senhora, ao ser assim presenteada  oferece essa Coroa ao seu Divino Filho Jesus, que também muito se compraz com ela!


Imagem relacionadaE quem reza um Terço, por seu turno, é como se colocasse um Diadema sobre a fronte de Nossa Senhora.

Importa esclarecer que, originariamente, no Rosário contemplavam-se 3 grupos de mistérios, cada qual integrado de 50 Ave-Marias e 5 Pai-Nossos, totalizando 150 Ave-Marias e 15 Pai-Nossos, além do Pai Nosso e das 3 Ave Marias introdutórios, consoante explicitado anteriormente. Daí o nome terço, que correspondia à terça parte do  Rosário, mas que permaneceu  para designar a recitação das 50 Ave Marias e os 5 Pai Nossos, mesmo após o Papa João Paulo II, haver acrescentado mais um grupo de mistérios denominados Luminosos, como ficará detalhado mais adiante. 

O  terço( falo agora desse instrumento celestial)  é composto de uma  Cruz seguida de uma conta, à qual sucede um grupo de três contas , vindo em seguida, uma conta separada, precedendo 1 grupo de 10 contas bem próximas, e assim, sucessivamente, atéResultado de imagem para terços explicativos do rosario completar 5 grupos idênticos, sempre intercalados por uma conta, todas inseridas  em elos de uma corrente que confluem numa medalha alusiva a Nossa Senhora. As contas podem ser de madeira, pedras, metais. resinas ou material sintético apropriado. Na verdade, há terços que são de um beleza extraordinária, outros bem simples, e a escolha depende do feitio de alma de cada pessoa. Há inclusive, terços feitos de pétalas de rosas prensadas e por isso bastante perfumados.

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Como surgiu o Rosário

No ano de 1214, a região meridional da França vinha sendo assolada pela terrível heresia dos Albigenses , que levou  a nação francesa a ser o teatro de inúmeras e sangrentas batalhas entre católicos e albigenses.

Resultado de imagem para sao domingos recebendo rosarioDiante de tal situação, o grande São Domingos fez tudo que estava ao seu alcance para converter aqueles hereges  que entre outras barbaridades, eram contra o casamento.

Mas seus esforços foram em vão, até que movido por uma inspiração divina, adentrou numa grande e profunda floresta, próxima  de Toulouse e ali passou três dias e três noites, em contínua oração e penitência, implorando uma graça especial de Deus, e acabou por cair semimorto.
Mas eis que então, Maria Santíssima resplandecente de glória lhe aparece entregando-lhe o Rosário, assegurando-lhe que através dele obteria a conversão daqueles corações endurecidos. E assim aconteceu.

Neste mesmo dia, São Domingos entrou na Catedral e exortou a todos que ali estavam presentes, que  se convertessem e recorressem à intercessão de Nossa Senhora, por meio da recitação do santo Rosário. E a partir de então o que fora impossível com pregações, debates e armas, resolveu-se através de tão aparentemente simples,  mas na verdade,  poderoso e eficaz instrumento celestial.

Como devemos rezar o Rosário ou o Terço:

Fazemos o Sinal da Cruz, damos as intenções e em seguida:
Na Cruz, rezamos o Credo;  na primeira conta um  Pai-Nosso, nas três contas seguintes, louvamos a Maria, como Filha dileta do Pai, Mãe admirável do Filho e como Esposa do Espírito Santo. E a cada  grupo  de 1 conta seguida de 10 contas, rezamos 1 Pai Nosso e 10 Ave Marias, até completar 5 Pai Nossos e 50 Ave Marias, finalizando na medalha de Nossa Senhora, conforme explicado acima, com a recitação de uma Salve-Rainha.

Lembro queridos irmãos e irmãs, que em 1980, o  Papa João Paulo II respondeu a uma pergunta que lhe fizeram: Qual o segredo de Fátima. Ele respondeu: ” Muitos querem sabê-lo somente por curiosidade e sensacionalismo.Resultado de imagem para joao paulo ll rezando terço

” Pretendem deste modo satisfazer apenas a curiosidade. E isso é muito perigoso se, ao mesmo tempo, não se procura fazer nada para o mal. Aqui está o remédio contra o mal. Rezai-o, rezai-o, e não façais mais perguntas. Confiai tudo o resto à Mãe de Deus. Estejamos preparados, fortes e confiemos em Cristo e Sua Mãe. Rezemos o terço muitas vezes. Assim, ainda que pareça que fazemos pouco, de facto fazemos muito”

É uma oração humilde e   simples como nossa Mãe do Céu, mas é uma arma poderosa que nos protege contra o maligno.

É a oração que nos acalenta o coração trazendo a serenidade de que tanto necessitamos para viver.

No Santo Rosário,  nós enunciamos e meditamos, os principais mistérios ou episódios do nascimento, da vida, morte e glória de  Nosso Senhor Jesus Cristo  bem como mistérios correlatos,  dedicados à Sua Mãe Santíssima.  É uma oração fundamentada na Bíblia e na Tradição Apostólica, penhor seguro de salvação! Depois da santa Missa é a oração mais perfeita e mais agradável a Deus.

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 Os Santos Mistérios do Rosário:

  Os Mistérios gozosos: rezamos nas segundas-feiras e nos sábados

 Primeiro mistério: Anunciação do Anjo Gabriel a Maria; segundo Mistério:  Visita de Maria a sua prima Isabel; Terceiro Mistério: Nascimento de Jesus na Gruta de Belém; quarto Mistério : Apresentação do Menino Jesus no Templo; quinto Mistério : O encontro do Menino Jesus no Templo.

Mistérios luminososrezamos nas quintas-feiras

  Primeiro Mistério : O Batismo do Senhor;  segundo Mistério: As Bodas de Caná;  terceiro Mistério : O Anúncio do Evangelho;  quarto Mistério: A Transfiguração de Jesus no Monte Tabor;  quinto Mistério: A  Instituição da Eucaristia.

Mistérios Dolorosos: rezamos  nas terças e sextas-feiras.

 Primeiro Mistério : A Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras;  segundo Mistério : A flagelação de Jesus;  terceiro Mistério :  Jesus é Coroado de espinhos;  quarto Mistério : Jesus carrega a Cruz para o Monte Calvário;  quinto Mistério : A Crucifixão, sofrimento e morte de Jesus.

Mistérios gloriosos : nas quartas-feiras e nos Domingos.

 Primeiro Mistério : A Ressurreição de Jesus;  segundo Mistério : A ascenção de Jesus ao Céu;  terceiro Mistério : A  descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos no Cenáculo;   quarto  Mistério: A Assunção de Maria Santíssima aos Céu;  quinto Mistério :  A Coroação de Nossa Senhora como Rainha do Céu e da Terra
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Vejamos o que dizem os Papas   sobre o Santo Rosário:

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Pio IX

Pio IX: “ Assim como São Domingos se valeu do Rosário como de uma espada para destruir a nefanda heresia dos albigenses, assim também hoje os fiéis exercitados no uso desta arma – que é a reza quotidiana do Rosário – facilmente conseguirão destruir os monstruosos erros e impiedades que por todas as partes se levantam” (Encíclica Egregiis de 3.12.1856)

” Depois de Deus, disse, pomos toda a nossa confiança na Virgem Santíssima! Estamos cheios de Alegria ao pensar que, como outrora, Ela há-de  destruir os erros monstruosos do nosso século, afastar e frustar os ataques sacrílegos da impiedade, contando que os fiéis  recitem sempre e muitas vezes, o santo Rosário”

Papa São Pio X ” O Rosário é a mais bela e a mais preciosa de todas as orações à Medianeira de todas as graças: é a prece que mais toca o coração da Mãe de Deus. Rezai-o todos os as”.

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Pio X

Papa Pio XII “ É que bem sabemos quão grande eficácia e força tem a reza do terço para impetrar o materno auxílio da Virgem Santíssima.”

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Pio XII 

Papa Leão XIII: “ Quanto deve ser suave para ela o ver-nos e o escutar-nos, enquanto entrelaçamos em coroa, pedidos para nós justíssimos e louvores para ela belíssimos!”

Papa Emérito Bento XVI: “ No mundo atual tão dispersivo, esta oração (a do Rosário) ajuda a colocar  Cristo no centro, como fazia a Virgem, que meditava interiormente tudo o que se dizia do seu Filho, e depois o que Ele fazia e  dizia”.

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Leão XIII

E os Santos também não pouparam palavras de louvor e apreço ao Santo Rosário, como vemos abaixo:

São Tomás de Aquino: “ Devemos lutar, como se  fosse num campo de batalha, para a aquisição de todas as virtudes que o Santo Rosário nos incita imitar.”

São João Bosco: “ Provai recitar o Terço distribuído nos momentos livres do dia. Uma parte de manhã, ao levantar, uma mais à tarde, uma antes  do almoço. Dois minutos de vez em quando para uma parte,não custa nada! Mas é necessário recitar todos os dias, como empenho de amor a nossa Mãe Celeste.”

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São Luis G. Monfort

o Luis Grignion de Montfort: “ Para bem rezar o Rosário,não há necessidade de gosto, nem de consolação, nem de suspiros,nem de arroubos, nem de lágrimas, nem de aplicação contínua da imaginação. São suficientes a Fé pura e a boa intenção.”

 “ O Rosário é para todos uma fonte de benefícios inapreciáveis. Eleva-nos insensivelmente ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo, purifica as nossas almas do pecado,abrasa-nos de amor a Nosso   Senhor e enriquece-nos de graças e de méritos.”

Os privilégios, indulgências, graças e bênçãos concedidas à recitação do Rosário são tantos e tantos, que serão citados em um outro post. Aguardem!

E concluamos, cantando o seguinte verso da conhecidíssima canção “ A treze de maio”, a saber:

“ A Virgem nos manda o Terço rezar/ Assim, diz, meus filhos:/ Virei vos salvar”

 

Sim, o Rosário é um penhor de salvação, um sinal de predestinação para quem o reza, é um fator de união das famílias, e é o meio mais eficaz  para se obter a conversão dos pecadores e a verdadeira Paz de que tanto necessita o Mundo!

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Bibliografia:

( WWW.pnslourdes,com.br)

Fátima, Aurora do Terceiro Milênio, João S. Clá Dias

A Via Sacra

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Esperávamos  chegar as 15 horas para ouvir o sino da casa tocar, blin, blin blin, pois isto significava que ia começar a Via Sacra.

Era uma expectativa grande, e cada um de nós  faria a leitura  de uma das 15 estações percorridas por  Nosso Senhor Jesus Cristo, rumo ao Calvário, onde foi crucificado e morreu, para salvar todos os homens e mulheres.

Era um silêncio profundo e uma concentração muito grande da parte de quem estava presente, inclusive das crianças,   pois iríamos reviver todo o caminho percorrido por Nosso Senhor, em sua Paixão, acompanhado  por Sua Mãe, Nossa Senhora, que  sofria,  profundamente, como que carregando, também, o pesado madeiro, sentindo a mesma dor sentida por Seu filho,  e seu coração sangrava,  embora misticamente.Resultado de imagem para imagem sacra de jesus sendo flagelado

Ela esteve aos pés da Cruz, até o último momento,  sustentando e sendo amparada por São João Evangelista, que permaneceu  ao seu lado.

Então irmãos e irmãs, ficava no exercício da Via Crucis   imaginando-me eu como mãe, vendo um filho meu passar por tudo aquilo!

Eu não suportaria, não teria forças.

 Acho que nenhuma de nós,  irmãs,  que não queremos que nada aconteça aos nossos filhos,  aguentaria.

Resultado de imagem para 3a queda de jesus cristoFechemos os olhos, por alguns instantes, e imaginemos, cada um de nós vivendo esses momentos!

E a emoção  tomava conta do meu coração  quando ouvia, por exemplo,  essas  palavras, constantes da IV estação da Via Sacra, quais sejam:

O encontro de Jesus com sua Mãe

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“Quem, senhora, vendo-vos assim em pranto, ousaria perguntar porque chorais?

Nem a terra, nem o mar, nem todo o firmamento, poderiam servir de termo de comparação à vossa dor.

Vossa dor maior não foi por contemplar os inexprimíveis padecimentos  corpóreos de Vosso Divino Filho. Que são os males do corpo em comparação com os da alma?

Se Jesus sofresse todos aqueles tormentos, mas ao seu lado houvesse corações compassivos! Se o ódio mais estúpido, mais injusto, mais alvar, não ferisse o Sagrado Coração (de Jesus) enormemente mais do que o peso da cruz e dos maus tratos feriam o Corpo de Nosso Senhor!

Mas a manifestação tumultuosa do ódio e da ingratidão daqueles a quem Ele tinha amado: a dois passos, estava um leproso a quem havia curado,  mas longe, um cego a quem tinha restituído a vista e  pouco além, um sofredor a quem tinha devolvido paz. E todos pediam a sua morte, todos!”

Resultado de imagem para veronica enxugandoCaríssimos irmãos e irmãs, estamos  no período  da Quaresma que teve seu inicio na quarta -feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa.

 É preciso dizer  aos irmãos, mesmo a quem , nesse momento esteja lendo esse post, e já conheça o assunto, que conclua a leitura, pois algum proveito lhe advirá.

Sabe por quê?

Porque  trata-se de uma questão de  fundamental  importância para nossa vida, a saber: não podemos deixar que Jesus tenha sofrido em vão todos os tormentos de sua Paixão, pois ali estávamos, também nós, de alguma forma aumentando os seus sofrimentos e Ele, agora, passa por nós, como que implorando  a conversão para que endireitemos nossas vidas ou para que progridamos no amor  a Deus e ao nosso próximo.

Façamos como Simão Cireneu que o ajudou a carregar o pesado Madeiro, unindo os sofrimentos de nossa existência aos padecimentos de valor  infinito do nosso Salvador, como vemos na  5a. estação da VIA CRUCIS.

Ademais, a meditação sobre os sofrimentos de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, prepara-nos para compreendermos e nos beneficiarmos das graças e alegrias inefáveis da Ressurreição , ou seja da santa Páscoa que se aproxima. Diz  a famosa frase: “Per crucem, ad lucem”. Ou seja, através da Cruz encontraremos a Luz.

Prossigamos nossa reflexão.

Assim, nos diz o sacerdote, quando impõe em nossas testas as cinzas, como sacramento de penitência:

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“Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó hás de voltar” (Gn 3,19)

 “Lembra-te de teu fim,e jamais pecarás” (Eclo 7, 40)

Meus  queridos irmãos e irmãs, é primordial que todos nós tenhamos  consciência de que a vida aqui é passageira, e que um dia terá fim.

 No mundo em que vivemos,  não se veem muitas e verdadeiras conversões para Deus, ao contrário, é uma minoria pequeníssima que abre seu coração para uma mudança de vida.Resultado de imagem para milagres de jesus

E isto é muito triste, não é mesmo?

Nesse período que antecede a Semana Santa, chamado Quaresma, devemos lembrar e meditar sobre a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.

E o que é mesmo a Quaresma? Quaresma é uma palavra que provém do Latim – QUADRAGÉSIMA – ou seja ,quarenta dias. É o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa do Senhor Jesus, que passou 40 dias, em oração e penitência, no deserto, sofrendo , rezando ao Pai e vencendo as tentações do demônio.

São dias de reconciliação e conversão que devem ser cultivados por cada um de nós.  Sim, se d’Ele nos afastamos ou nos esquecemos, se praticamos algo grave e estamos em estado de pecado, precisamos da reconciliação com Deus. E fazermos firme propósito de emenda de vida. Essa é a penitência principal e que mais agrada a Deus. Um coração arrependido e humilhado, como implora o Rei David no Salmo 50.

Como fazemos isso? Rezando a Ele,  fazendo orações, oferecendo esmolas a quem necessita, fazendo abstinência de carne e jejuns nos dias estabelecidos pela Igreja, e  assim poderemos reparar nossos erros, orgulhos e vaidades.

 Nós fazemos exercícios, caminhadas e dietas, para emagrecermos, e para mantermos boas condições psicofísicas, enfim para gozarmos de saúde, não é mesmo?

 E isto,  generosamente, e sem nos queixarmos. Vamos tentar fazer o mesmo neste período quaresmal?

 Devemos seguir  os conselhos de São Paulo em sua  segunda carta aos Coríntios, na qual Ele nos incentiva a vivermos na graça de Deus: “ Em nome de Cristo, vos rogamos: reconciliai-vos com Deus” (II Cor, 5, 20).

 E com toda razão, pois o pecado nos afasta de D’Ele, tornando necessária a nossa reconciliação , como dito acima.Imagem relacionada

Jesus morreu pregado na cruz para redimir a humanidade. Só o sangue do Homem Deus ,Nosso Senhor Jesus teria o mérito infinito para redimir o pecado original e as ofensas cometidas pelos homens, desde  a época de Adão e Eva até os dias de hoje.

 Sua morte na cruz foi o meio escolhido para restituir à humanidade transviada a plena amizade com Deus.

Nesse Tempo forte de graças, as  boas obras que praticamos devem ser feitas discretamente, sem que outros vejam e as aprovem. Devem ser praticadas para agradar a Deus, pois  foi Ele que nos criou e a Ele devemos tudo que temos de bom na vida.

A Quaresma, irmãos, é um tempo de penitência, próprio para a revisão de nossas vidas, com propósitos de mudanças e de sincera conversão.

Sabe  o porquê  disso, irmãos? Resultado de imagem para cirineu ajuda jesus a carregar a cruz

Porque o pecado nos desvia do caminho do bem e nos leva a um mundo de trevas e amarguras.

Jesus ajudado pelo Cirineu a levar a Cruz  ( V estação)

Converter-se é nós aceitarmos nossos erros , pedirmos perdão a Deus, através de uma confissão sincera a um Sacerdote , e darmos um rumo certo à nossa vida, limpando a alma do que há de mal nela, e seguirmos a estrada estreita, mas luminosa que nos conduz  a Deus. E quando passarmos desta vida para a Eternidade, receberemos o prêmio demasiadamente grande que é Ele.

 Vamos, estimados irmãos e irmãs, vale a pena meditarmos sobre isto.

Por outro lado, a Confissão é um tesouro que Deus colocou à nossa disposição, para perdoar nossos pecados.Resultado de imagem para a descida de jesus na cruz

Disseram-me, uma vez, que os japoneses, que em sua grossa maioria praticam outras religiões, admiram muito a Confissão que nos é ministrada pelos nossos sacerdotes, pois, por meio dela nós temos certeza de que somos perdoados de nossas faltas por nosso Bom Deus e sentimos uma grande e consoladora paz de espírito.

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 Vivamos, pois, irmãos e irmãs, essa Quaresma de um modo novo , abrindo-nos para as graças de conversão que Jesus, por meio de Nossa Mãe do Céu nos concede, e veremos que boa opção fizemos e que felicidade veremos inundar a nossa alma, pois como disse antes, Per Crucem ad Lucem! E essa verdade experimentaremos , plenamente, nas alegrias da Páscoa, ou seja, na Ressurreição de Nosso Senhor!

Bibliografia:

Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria

Via  Sacra (Plínio Corrêa de Oliveira)

Padre Guerra, EP

http://www.arautos.org/secoes/artigos/doutrina/espiritualidade/quaresma-tempo-de-penitencia-e-reconciliacao-2-140971

http://cleofas.com.br/qual-e-a-origem-da-quaresma/

Irmã Dulce

Primeira parte

¨O que fazer para mudar o mundo?

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O amor pode, sim, vencer o egoísmo.  O amor supera todos os obstáculos, todos os sacrifícios. Por mais que realizemos, nada se compara ao que Deus faz por nós.

A miséria é falta de amor entre as pessoas.

Não agrada a Deus a insensibilidade¨

¨Só com amor, fé e dedicação é possível transformar a realidade em que vivemos.

O amor constrói e solidifica. Tudo seria melhor se houvesse mais amor¨

Quanta sabedoria encerram estas simples e profundas palavras de Irmã Dulce, atualmente  Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, após ser beatificada por Bento XVI.

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Por isso, julguei que não haveria nada melhor e mais apropriado para iniciar o presente post a ela dedicado, do que tais palavras.

Com efeito, se todos os homens pensassem como Irmã Dulce, o mundo seria diferente.

Nós somos carentes de exemplos vivos de bondade e caridade para com o próximo. e o exemplo de Maria Rita, seu nome de batismo, deve ser lembrado e meditado, a todo instante, neste mundo tão egoísta e materialista.

Sim, devemos admirar e imitar, respeitadas as possibilidades  e condições de cada um , o exemplo dela,  seja por meio de orações,  sacrifícios e doações  ou através de outras modalidades de gestos concretos de caridade.

Com efeito, se no coração de cada homem ou de cada mulher, existisse uma Irmã Dulce, o mundo seria muito melhor, pois a luz de Cristo estaria iluminando as mentes e bem orientando as suas ações.Resultado de imagem para irma dulce

Por esta razão, sinto-me muito feliz de poder escrever algumas linhas sobre uma pessoa possuidora de uma alma muito bela que  viveu em nosso meio, a quem eu tive a alegria de conhecer, pessoalmente , e que passou a vida inteira  amando e se doando aos mais precisados, nos quais via Jesus.

Enfrentou grandes tempestades, e qual barquinho em meio a ondas agitadas,quando parecia que iria afundar, buscava o auxílio certo em Nossa Senhora e Santo Antônio, com quem conversava confiante e filialmente.

De outro lado, contou com a valiosa ajuda e apoio de algumas pessoas, a exemplo de seu pai, sua tia  Madaleninha e irmãs de hábito, entre outras..

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Houve momentos em que se sentia caminhando  nas areias de um deserto árido, que lhe parecia desprovido de um oásis que lhe desse um refrigério.

Todavia, conseguiu vencer, iluminada pelo farol de uma Fé inabalável e por uma Voz interior que lhe dizia para avançar sempre e não recuar jamais, pois à semelhança de São Paulo, estava certa de que,  após combater o bom combate e percorrer todo o estádio, um prêmio demasiadamente  grande  lhe  estava reservado.

E ela continuou firme, forte, com garra e  fôlego, mesmo quando só contava com um terço da capacidade respiratória,  com seu jeitinho de ser manso e pertinaz, o qual desarmava as mais obstinadas resistências e desconfianças , como aliás está muito bem retratado no filme sobre a sua vida, recém lançado,  até receber um sim que se traduziria em um apoio importante  para a sua obra.

Sim, recebera um chamado forte e irresistível do seu JESUS. Viveu de forma experimental as bem aventuranças evangélicas, pois via e sentia que JESUS estava ¨disfarçado¨ em seus pobres, órfãos e desamparados, carentes do pão material, mas sobretudo do espiritual, que distribuía com seu exemplo, jamais abandonando seu característico e inconfundível hábito de freira que evidenciava sua vocação.

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Sim, queridos irmãos e irmãs, muitas vezes nos é apresentado um perfil incompleto da pessoa de Irmã Dulce, da sua visão e do objetivo da sua obra, e da origem das suas luzes e forças para prosseguir na caminhada e chegar ao ápice de sua vocação.

Apresentamos, abaixo, um breve resumo de sua história, extraído e adaptado, do livro Irmã Dulce, 1ª, edição,São Paulo, ARNSG, 2012, do Pe. Hamilton José Naville,  para a conhecermos melhor:

Maria Rita, mais tarde Irmã Dulce, nasceu em Salvador, na Bahia, no dia 26 de maio de 1914. Seu pai era dentista, professor da Universidade Federal da Bahia. Atendia a pacientes da alta sociedade, como também percorria os bairros pobres de Salvador, tratando gratuitamente de muitas pessoas carentes. A sua família era profundamente católica e caridosa.

E aqui nós vemos o papel importantíssimo da família que segue as máximas do Evangelho, na formação das crianças e adolescentes e que amanhã se tornarão médicos, juízes, engenheiros, religiosos, sacerdotes, que serão sal da terra e luz no mundo,  como o foi Dulce dos Pobres.

A  sua mãe, Dulce, faleceu quando ia dar a luz ao sexto filho. Dr. Augusto e seus filhos muito sofreram com perda tão precoce.

Pouco antes de morrer, a sua mãe deu-lhe uma medalha de Santo Antônio que ela guardou consigo até a hora da sua morte, penhor da proteção do denominado Amigo da Pobreza.

Dr. Augusto, vendo as crianças muito sofridas, pediu para duas tias irem morar com eles e assim ajudar na criação de seus filhos e amenizar tão grande perda.

Apesar disso, Maria Rita teve uma infância sadia e feliz. Brincou bastante. Gostava de jogar bola, de música e de soltar pipa. Ela era uma ótima aluna, boa filha e boa irmã e ia com seu pai e sua família assistir partidas de futebol, no Campo da Graça, aos domingos.

Até completar 13 anos, continuava a viver aquela vida feliz, voltada preponderantemente para os divertimentos.

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Certo dia, sua tia Madaleninha que muito a ajudara na sua educação, chamou-a para uma conversa e disse-lhe: “Mariinha, você está com uma idade na qual já é necessário conhecer algumas situações dolorosas vividas pelas pessoas pobres”, convidando-a acompanhá-la nas visitas que fazia aos indigentes, aos domingos. Muito dócil,  Mariinha aceitou de bom grado.

Passou também a frequentar  reuniões no Apostolado da Oração e a partir de então houve uma mudança profunda em sua vida. Não conseguia dormir à noite, pensando em toda a pobreza e sofrimento que via a cada visita que fazia com sua tia, levando roupas, alimentos e remédios para os necessitados, muitos dos quais nem casa possuíam. Passou a recebê-los também em seu próprio lar, onde distribuía mantimentos, fazia curativos e oferecia remédios a todos que a procuravam.

Segunda parte

Ao completar 15 anos, nasceu no coração de Maria Rita o desejo de tornar-se religiosa, mas, atendendo a solicitação de seus familiares, concluiu a Escola Normal, vindo a formar-se em professora. Foi nesta época, que solicitou à superiora do Convento de Freiras Franciscanas, sua admissão como postulante.

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Seu pai, embora sofrendo muito, deu autorização para que a filha se tornasse religiosa.

E foi assim que ela ingressou no Convento das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, que ficava na cidade de São Cristovão, em Sergipe.

Seu grande sonho finalmente se realizava, pois apesar da vida de sacrifícios e muitas orações, trabalhos, estudos e refeições simples, no Convento , Maria Rita estava sempre alegre e nunca se recusou a cumprir uma tarefa, esforçando-se, ainda, para ajudar as outras postulantes.

Fazia tudo com espírito de humildade e do serviço ao próximo, com a maior perfeição possível, esperando o momento de dar mais um passo na sua vocação, o que ocorreu no dia 15 de agosto de 1933, quando, na presença do seu amado pai,  foi admitida como noviça. E foi nesse dia que trocou de nome, vindo a chamar-se Irmã Dulce, em homenagem à sua querida  mãe.

Seu noviciado durou um ano, e no dia 15 de agosto de 1934, Irmã Dulce fez seus primeiros votos como religiosa, e ficou sabendo que voltaria para Salvador, com a missão de trabalhar no então Sanatório Espanhol, hoje, Hospital Espanhol, o que lhe deu muita alegria, pois estaria perto de seu pai e de seus queridos familiares.

Irmã Dulce passou um período de muita alegria cuidando dos seus doentes queridos, mas foi  transferida do Hospital para o Colégio Santa Bernadete, em Itapagipe, e foi lá que a vi pela primeira vez, para dedicar-se ao ensino de crianças, mas isso não funcionou, pois ela tinha pena de repreender os alunos e de dar-lhes notas baixas.

Logo, suas superioras perceberam que ela não se adaptava às funções de professora e lhe deram a incumbência de dar aulas de catequese às crianças e aos jovens da região, além de prestar ajuda aos mais pobres.

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Era a mão da Providência Divina que a colocava no caminho da sua vocação.

Irmã Dulce dedicou-se de corpo e alma a essa tarefa, trabalhando sem descanso, vindo a organizar um curso noturno para os operários, além de conseguir autorização dos donos das fábricas para dar aulas de catecismo aos trabalhadores,  durante o horário de almoço.

Nisto, estimados irmãos, vemos a sua sede de almas e a sua felicidade em realizar a missão que lhe fora dada por Deus de levar a Luz da Fé, o conforto e o carinho aos corações dos mais carentes.

Neste trabalho de evangelização nas fábricas e nos arredores do Colégio Santa Bernadete, Irmã Dulce percebeu que aquelas pessoas precisavam de formação religiosa e cultural, educação  e saúde. Ela queria ajudá-los, mas não sabia por onde começar.

Longe de desanimar, ela intensificou suas orações a Nossa Senhora e a Santo Antonio, e multiplicou seus esforços de evangelização, procurando também chegar às famílias daquelas pessoas necessitadas.

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E foi assim que montou um pequeno consultório numa velha casa, e conseguiu médicos voluntários que passaram a cuidar dos doentes, enquanto ela, muito embora debilitada por causa da sua frágil saúde, percorria as feiras, lojas e farmácias de  Salvador, ligava para amigos da sua família pedindo doações de remédios, alimentos e roupas, tudo em nome de Jesus para os seus pobres.

Também nessa época, com o apoio das Congregações Marianas, ela criou uma Associação de Operários, onde os trabalhadores poderiam com apenas 1 cruzeiro, ter assistência médica, desfrutar de atividades culturais, educativas e de lazer.

Mas houve um fato decisivo para a consolidação da vocação e da própria obra de Irmã Dulce.

Uma tarde, quando saía do consultório, deparou-se com um menino que lhe implorava: “Irmã, por favor, não me deixe morrer na rua, me ajude!”

Após lhe dar um remédio, percebendo que a criança necessitava de um abrigo, e não tendo onde albergá-lo, cobriu-o com um avental de médico e levou-o para um lugar chamado Ilha dos Ratos, onde havia uma casa desocupada e nela se instalou com o menino.

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Ocorre que outros doentes, ao se darem conta da presença de Irmã Dulce naquele local, começaram a ali se instalar, também. Logo, porém, apareceu o dono da casa que, ao ver aquela situação dramática, permitiu-lhe que ficasse na casa com seus doentes, até encontrar um outro local.

Ao deixar o local, Irmã Dulce colocou seus doentes nas arcadas da colina onde está situada a Igreja do Bonfim, mas não pôde continuar ali, pelo que acomodou-se, como podia, ela e seus protegidos, no Mercado do Peixe, de instalações precárias, até se estabelecer no galinheiro do Convento das Irmãs Missionárias.

Testemunhos da época asseveram que, de início, houve relutância da superiora que acabou sendo desarmada e vencida pelo jeito meigo e desconcertante de nossa Santa, mas indagou-lhe o que ia ser feito com as galinhas, ao que a mesma teria respondido, de modo jocoso: “vão para a panela, para matar fome dos meus pobres!”

A superiora sorriu e tanto ela quanto as suas irmãs de religião, passaram a ajudá-la na assistência aos seus desvalidos.

Com o passar dos anos, o povo foi percebendo que havia a mão de Deus naquela incipiente obra e as ajudas começaram a chegar. Ademais, Irmã Dulce continuou pedindo ajuda, sobretudo de empresários, que sensibilizados e arrastados pelo seu exemplo, credibilidade e determinação, passaram a dar contribuições que possibilitaram a construção de um Hospital, para atender indigentes que não eram atendidos nem por hospitais públicos.

Como dito mais acima, Irmã Dulce passou por muitas dificuldades, desprezos e humilhações, mas tudo aceitava com humildade e paciência.

Certo dia, cumpria sua rotina de pedir doações e ao dirigir-se a um comerciante, estendeu-lhe a mão e este enraivado, cuspiu-a. Irmã Dulce não se perturbou, e, com um sorriso, disse-lhe: “Isto é para mim. E para os meus pobres? O senhor pode oferecer alguma coisa?” O homem ficou tão desconcertado e arrependido, e vendo Deus naquela frágil freirinha, deu-lhe um grande donativo e passou a ser um grande apoiador de sua obra.

O Papa São João Paulo II esteve com Irmã Dulce, em 1980, em visita ao Brasil, durante a celebração eucarística, à qual compareceram mais de 500 mil pessoas, que gritavam o seu nome quando esta se ajoelhou diante do Papa.Resultado de imagem para JOAO PAULO LL NO LEITO IRMA DULCE

Em outubro de 1991, quando veio novamente ao Brasil, o mesmo Papa fez questão de visitar Irmã Dulce que se encontrava gravemente enferma no Hospital Santo Antônio, por ela fundado, abençoando-a paternalmente e dirigindo-lhe palavras de conforto.

Após meses de sofrimento aceito com amor e paciência, no dia 13/03/1992, às 16h45m, o Anjo Bom da Bahia, descansou em paz em sua cela de religiosa.

Irmã Dulce foi beatificada por Bento XVI, após a confirmação do milagre que realizou em favor de Cláudia Santos e a Cerimônia de sua Beatificação ocorreu no dia 22 de maio de 2011, em Missa campal, celebrada no Parque de Exposiçõesde Salvador, na qual estiveram presentes cerca de 70 mil pessoas.

Outros tantos milagres e fatos extraordinários já foram realizados, mediante a intercessão dela, mas a Igreja examina cuidadosamente aqueles que lhe são submetidos.

Todavia, a continuidade da sua Obra também pode ser considerada um milagre, quem sabe o maior de todos que já realizou, por isso esperamos que, muito em breve, venha ela a ser canonizada pela Igreja.

Imagem relacionadaApenas para que se tenha uma idéia do porte das Obras Sociais Irmã Dulce, entidade filantrópica sem fins lucrativos, é composto de 17 núcleos, entre os quais figuram 5  Hospitais , a saber:

Hospital Santo Antônio, Hospital da Criança, Hospital do Oeste, Hospital Dr. Mário Dourado Sobrinho e Hospital Eurides Santana.

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Merecem registro ainda o Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres e o seu Memorial, ambos localizados no Largo de Roma em Salvador.

Podendo, não deixem de visitá-los.

Bem- Aventurada Dulce dos Pobres, rogai por nós!

O Milagre de Lourdes

Estimados irmãos e  irmãs, amanhã, 11 de fevereiro de 2017, faz 159 anos da Primeira Aparição de Nossa Senhora na Cidade de Lourdes, França, data de uma importância  ímpar para os católicos, e seguramente, para homens, mulheres e crianças do mundo inteiro, na medida em que este pedaço do Céu na Terra, atrai nada mais nada menos do que cerca de cinco milhões de pessoas, anualmente, que para ali se dirigem, em busca de uma cura para suas enfermidades ou uma consolação para os seus padecimentos, ou até mesmo o maior de todos os milagres, uma conversão interior. Por essa razão, muito embora já houvéssemos elaborado um post com outro tema, achamos por bem oferecer-lhes um presente especial, a saber: um belíssimo artigo publicado na Revista Arautos do Evangelho, de fevereiro de 2011, a seguir transcrito:

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“Ao contemplar a história das aparições de Nossa Senhora de Lourdes, na gruta de Massabielle, nossos olhos se voltam para a menina a quem Ela falou. Sua vida, transcorrida em acrisolada virtude, expressa com eloquência porque Deus “escondeu estas coisas aos sábios e prudentes, e as revelou aos pequeninos” (Lc 10, 21). Lourdes! Onde encontraremos os termos que alcancem exprimir tudo quanto esse nome significa para a piedade católica no mundo inteiro? Quem poderá traduzir em palavras o ambiente de paz que envolve a gruta sagrada na qual, há 159* anos, a Santíssima Virgem apareceu à humilde Bernadette e inaugurou, de modo definitivo, um novo vínculo com a humanidade sedenta de refrigério e paz? Por desígnio da Divina Providência, a esse lugar associou-se uma ação intensa da graça, especialmente capaz de transmitir aos milhares de peregrinos, vindos de longe, a certeza interior de serem suas preces benignamente ouvidas, seus dramas apaziguados, e suas esperanças fortalecidas.

Com efeito, ao longo deste século e meio, as ásperas rochas de Massabielle tornaram-se palco das mais espetaculares conversões e curas, legando à Santa Igreja Católica um tesouro espiritual de valor incalculável.

Em Lourdes fatos se revestem de uma grandiosidade peculiar, diante da qual nossa língua emudece. Ali está, diante de nós, a sublimidade do milagre. Entretanto, não se pode falar de Lourdes sem nos lembrarmos com veneração da personagem ligada de modo indissociável a essa história de bênçãos e misericórdias.

A modesta pastorinha a quem Nossa Senhora apareceu é o primeiro e maior prodígio de Lourdes: ela simboliza a íntegra fidelidade aos apelos de conversão e penitência, que naqueles dias foram lançados pela Rainha dos Céus, os quais haveriam de chegar aos mais longínquos recantos da Terra.

                                                   Infância marcada pela Fé

nsa-lourdes-08-221x300Bernadette nasceu num século de profundas transformações. Animada, de um lado, pelo surto de devoção mariana que o pontificado do Beato Pio IX estava suscitando, a segunda metade do século XIX presenciava o avanço insolente do ateísmo e do materialismo.

Os espíritos estavam divididos e, a fim de agir precisamente nessa encruzilhada da História, Maria Santíssima quis servir-se da filha primogênita do casal Soubirous.

Quão distantes, porém, desta sorte de considerações, estavam François e Louise, em 7 de janeiro de 1844! Nascia-lhes a filha Bernadette, no Moinho Bolly, nas cercanias de Lourdes, durante os dias felizes de fartura ali transcorridos. A menina foi batizada, recebendo o nome de sua madrinha Bernard, ao qual se acrescentou o da Senhora que haveria de lhe aparecer. Marie- Bernard, eis como se chamava Bernadette, sem escapar do diminutivo carinhoso que a acompanharia para o resto da vida.

No Moinho Bolly transcorreu sua primeira infância, marcada por uma religiosidade autêntica e sincera. Além da freqüência aos Sacramentos, a oração em conjunto aos pés do crucifixo e uma exímia prática dos princípios cristãos correspondiam a um dever moral para aquele casal de camponeses. Bernadette cresceu, por assim dizer, respirando a santa Fé Católica do mesmo modo que respirava o puro ar da montanhosa região dos Pirineus.

                     nsa-lourdes-07-201x300.jpgA miséria visitou o lar dos Soubirous

A época era difícil e os negócios de François Soubirous iam mal. Quando Bernadette tinha 8 anos, mudaramse para um moinho mais simples, e ao cabo de três anos alugaram uma cabana à beira da estrada. Já crescida, ela acompanhava os progressivos insucessos dos pais e enfrentava, com admirável resignação, a situação de indigência a que se viram reduzidos em 1856, a ponto de terem de mudar para o antigo cárcere da rua Petits- Fosées: um cubículo úmido e pestilento, que as autoridades locais haviam julgado inadequado até mesmo para os presos.

A pobreza era ali completa. O cômodo media menos de 20 m² e a família não possuía absolutamente nada, além da mobília mais indispensável e das roupas. A luz do Sol nunca penetrava no recinto, marcado pela grade da janela e pelo ferrolho da pesada porta – reminiscências do antigo calabouço. Ali vivia o casal Soubirous e as quatro crianças, constantemente atormentados pela fome. Quando conseguia comprar pão, a mãe o dividia entre os pequenos, que ainda assim se sentiam insaciados. Bernadette, não raras vezes, privava-se de sua pequena porção em favor dos mais novos, sem nunca demonstrar o menor descontentamento por isso.

À noite, sem conseguir dormir, atormentada pela asma, Bernadette chorava. A causa principal daquele desafogo, porém, não eram a doença ou as duras privações materiais.

O único desejo da angelical menina era fazer a Primeira Comunhão, mas a necessidade de cuidar dos irmãos e da casa a impedia de freqüentar o catecismo, de aprender a ler e escrever e até de falar francês. De fato, quando a Santíssima Virgem lhe dirigiu a palavra, o fez em patois, o dialeto da região de Lourdes. Se Bernadette desejou algo para si, nos dias de sua infância, foi apenas receber o Santíssimo Sacramento, o Senhor ofendido pelos pecados dos homens, que ela aprendera tão cedo a consolar.

                                                    Dias de pastoreio em Bartrès

As poucas vezes que Bernadette freqüentou as aulas de catecismo em Lourdes foram malogradas, porque não conseguia acompanhar as demais crianças, bem mais novas e adiantadas que ela. Louise Soubirous preocupava-se com a filha, de treze anos, que ainda não fizera a Primeira Comunhão, e resolveu pedir à amiga Marie Lagües que a recebesse em Bartrès – vilarejo não muito distante de Lourdes – a fim de que Bernadette lá pudesse freqüentar as aulas de catecismo.

Por consideração e amizade, Marie Lagües a recebeu em sua casa, mas não foi tão fiel à promessa quanto seria de se esperar. Logo ocupou Bernadette nos serviços da casa e no cuidado das crianças. E seu marido encontrou nela a pastora ideal para seu rebanho de cordeiros. Foi nesse período que Bernadette solidificou-se na oração, durante as longas horas transcorridas no mais completo silêncio em meio ao privilegiado panorama pirenaico. Contemplativa, ela montava um pequeno altar em honra da Santíssima Virgem e aí passava horas de grande fervor recitando o Rosário, a única oração que conhecia.

Um fato passado com Bernadette por essa época demonstra a pureza cristalina de seu coração. Certo dia, quando François Soubirous foi visitar a filha, encontrou-a triste e cabisbaixa. Perguntou-lhe o que a afligia.

– Todos os meus cordeiros têm as costas verdes – respondeu ela.

O pai, percebendo tratar-se da marca posta por um negociante, fez um ameno gracejo: – Eles têm as costas verdes porque comeram muita erva.

– E podem morrer? – perguntou assustada Bernadette.

– Talvez…

Penalizada, ela começou a chorar no mesmo instante. O pai, então, contou-lhe a verdade: – Vamos, não chores. Foi o negociante que os marcou assim.

Mais tarde, quando a chamaram de boba por ter acreditado em semelhante brincadeira, sua resposta constituiu uma demonstração involuntária de sua elevada virtude: – Eu nunca menti; não podia supor que aquilo que o meu pai me dizia não era verdade.

Os dias se escoavam lentamente na pequena aldeia, havendo completado sete meses que Bernadette lá chegara. Quanta esperança de aproximar- se da Mesa Eucarística trazia na chegada, e que decepção experimentava agora, após poucas aulas de insignificante instrução! Aquela espera interminável a afligia, mas, como tudo na vida do homem, foi permitida por Nosso Senhor.

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“Sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça” (Eclo 2, 3). Essas palavras, desconhecidas para Bernadette, significam exatamente o modo como Deus procedeu a seu respeito. Ao mesmo tempo que a graça inspirava em sua alma um ardente desejo das coisas do alto, estas pareciam ser-lhe tiradas. Com isso, seu anseio se robustecia, e tudo o que era terreno ia se afigurando como pouca coisa aos seus olhos, cada vez mais aptos para compreender as realidades sobrenaturais.

Como costuma ocorrer com as almas que Deus prova por meio de longas esperas, estavam-lhe reservadas grandes graças.

                                                             Celestial surpresa

De volta à casa paterna, Bernadette retomou os antigos afazeres. Na manhã inolvidável de 11 de fevereiro de 1858, saiu com a irmã Toinette e a amiga Jeanne Abadie para o bosque, a fim de recolherem gravetos para a lareira e ossos para vender a fim de comprarem algum alimento. Andaram bastante até chegarem à gruta de Massabielle, onde Bernadette nunca havia estado. Enquanto as vivazes meninas atravessavam a água gelada do rio Gave, Bernadette se preparava para fazer o mesmo.

Eis sua própria narração do que então sucedeu: “Escutei um barulho, como se fosse um rumor. Então, virei a cabeça para o lado do prado; vi que as árvores absolutamente não se mexiam. Continuei a descalçar-me. Escutei de novo o mesmo barulho. Levantei a cabeça, olhando para a gruta. Avistei uma Senhora toda de branco, com um vestido branco, um cinto azul e uma rosa amarela sobre cada pé, da cor da corrente do seu terço: as contas do terço eram brancas”.

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Era a Santíssima Virgem sorrindo-lhe, e chamando-a para se aproximar d’Ela. Temerosa, Bernadette não se adiantou, mas puxou o terço e começou a rezar. O mesmo fez a “linda Senhora”, a qual embora sem mover os lábios, a acompanhava com seu próprio terço. Após o término do Rosário, Ela desapareceu.

A impressão causada por essa primeira aparição em Bernadette foi profunda. Sem reconhecer nEla a Mãe celeste, a menina sentia-se irresistivelmente atraída por figura tão amável e admirável, na qual não podia parar de pensar. Quando uma freira lhe perguntou, anos mais tarde, na enfermaria do convento, se a Senhora era bela, ela respondeu: – Sim! Tão bela que, quando se vê uma vez, deseja-se a morte só para tornar a vê-la!

                 Dezoito encontros em Massabielle

nsa-lourdes-05-300x225.jpgPor mais que Bernadette tivesse pedido segredo às suas duas companheiras, às quais contou o que vira, elas não se mantiveram caladas por muito tempo. Logo, dezenas de pessoas comentavam na vizinhança o sobrenatural acontecimento. E era apenas o começo: a impressionante popularidade das aparições assumiram proporções tais, que no dia 4 de março, estavam junto a Bernadette nada menos que vinte mil peregrinos.

Antes de cada visita de Nossa Senhora, Bernadette sentia irresistível desejo de ir a Massabielle. Assim aconteceu nos dias 14 e 18 de fevereiro, quando um pressentimento interior a conduziu até a gruta. Na segunda aparição, a Virgem Santíssima permaneceu novamente em silêncio; disse algo apenas no dia 18, conforme no-lo narra a obediente menina: “A Senhora só me falou na terceira vez. Ela perguntou-me se eu queria ir lá durante quinze dias. Eu respondi que sim, depois que pedisse licença a meus pais”.

A quinzena de aparições, que se deu entre 18 de fevereiro e 4 de março, com exceção dos dias 22 e 26, constituiu o cerne da mensagem confiada a Bernadette. A cada dia multiplicava- se o número dos assistentes que empreendiam penosas viagens, atraídos pelos celestiais colóquios. Embora mais ninguém além de Bernadette visse a “Senhora”, todos sentiam Sua presença e se comoviam com os êxtases da camponesa.

– Ela não parecia ser deste mundo – disse uma testemunha.

As palavras de Nossa Senhora não foram muitas, mas de expressivo significado. Disse a Bernadette no mesmo dia 18: “Não prometo fazer-te feliz neste mundo, mas sim no outro”. E nas outras vezes: “Eu quero que venha aqui muita gente”. “Pede a Deus pelos pecadores! Beije a terra pelos pecadores!”. “Penitência, penitência, penitência!” “Vá e diga aos padres que construam aqui uma capela. Quero que todos venham em procissão”.

Ainda durante a quinzena, a Rainha dos Céus confiou três segredos e ensinou uma oração a Bernadette, a qual ela recitou com insuperável fervor todos os dias de sua vida. Após um longo silêncio a respeito de sua identidade, a Senhora revelou seu nome a Bernadette na 16ª aparição, em 25 de março de 1858: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Era uma solene confirmação do dogma proclamado pelo Beato Pio IX, quatro anos antes; a pureza da doutrina seria coroada, daqui por diante, pela beleza dos milagres.

                                        Transformada por Nossa Senhora

nsa-lourdes-04.jpgUm dos critérios de prudência adotados pela Santa Igreja para verificar a autenticidade de revelações como as que recebeu Bernadette, consiste em observar atentamente a conduta dos videntes. Neles, se reflete invariavelmente a veracidade e o teor do que dizem ver: seu testemunho pessoal é decisivo.

No caso de Lourdes, tal como depois sucedeu com os pastorinhos de Fátima, a mudança operada em Bernadette pode ser considerada um milagre da graça. Seus gestos, modos, palavras e, sobretudo sua piedade adquiririam indescritível brilho pelo contato com a Rainha dos Céus: “Na sua atitude, nos seus traços fisionômicos, via-se que a sua alma estava arrebatada. Que paz profunda! Que serenidade! Que elevada contemplação! O olhar da criança para a aparição não era menos maravilhoso que o seu sorriso. Era impossível imaginar algo tão puro, tão suave, tão amável…”.

Após os êxtases, ela mantinha a clave de sublimidade que a pervadira: o modo como fazia o sinal-da-cruz, sua compostura durante a oração e sua fineza de trato, aliados à simplicidade, eram mais distintos que os de qualquer dama que tivesse passado a vida inteira exercitando-se na arte do “savoir-plaire”.

“Não escapa aos pais que se operou nela uma transformação no decorrer deste último mês. Não foram vãs para ela a contemplação e as lições celestes. […] Tendo visto chorar a Senhora de Massabielle pelo pecado e pelos pecadores, esta criança analfabeta compreendeu o grande dever da penitência e da oração”.

Até mesmo o Pe. Peyramale, o pároco de Lourdes, célebre pela desconfiança em relação a todos os fatos ocorridos com Bernadette, confessou: “tudo nela evolui de maneira impressionante”.

                                                        Respondendo aos magistrados

Os espíritos céticos estavam à espreita dos acontecimentos. Sumamente irritados pela afluência multitudinária à gruta, diziam: “É incrível quererem fazer-nos crer em aparições em pleno século XIX”. Tais homens colocavam suas esperanças mais em seus “modernos” inventos que na onipotência de Deus: “É estupidez e obscurantismo admitir a possibilidade de aparições e milagres na época do telégrafo elétrico e da máquina a vapor”.

Foi diante de autoridades com essa mentalidade que Bernadette teve de depor três vezes no curto período de uma semana, ainda durante a quinzena das aparições. Durante os intermináveis inquéritos em que a crivaram de perguntas capciosas, Bernadette ouviu coisas brutais: “Vamos prender-te! O que é que vais procurar à gruta? Por que fazes correr tanta gente? Vamos meter-te na prisão! Matar-te-emos na prisão!”. Chamaram-na de mentirosa, visionária, louca. A tudo isso ela apenas respondia com a verdade, suportando esses sofrimentos com humildade e doçura. Suas respostas acertadas confundiram os magistrados, que nunca tiveram qualquer motivo legal para prendê-la.

A opinião final que formaram a respeito de Bernadette, e que enviaram ao Ministro da Justiça de então, foi esta: “Segundo o reduzido número daqueles que pretendem ter a seu lado o bom senso, a razão e a ciência, Bernadette Soubirous é portadora de uma enfermidade mental conhecida: está sendo vítima de alucinações, apenas isto!”. Teriam eles, como pretendiam, a razão do seu lado? A resposta não demorou a se tornar clara.

                                          A fonte milagrosa e o chamado à expiação

Na aparição de 25 de fevereiro, a Santíssima Virgem disse a Bernadette: “Vai beber à fonte”. Bernadette foi ao rio Gave e bebeu. Contudo, não era ao rio que Ela se referia, mas sim a um canto da gruta onde havia apenas água suja. A menina cavou e bebeu.

nsa-lourdes-03.jpgDaquela nascente obscura brotou discretamente a água milagrosa, que dali a alguns dias borbulhava em abundância para maravilhamento de todos.Os doentes não demoraram em servir-se dela e as curas inexplicáveis se iniciaram em 1º de março. Enfermos desenganados “pela razão e pela ciência” viam seus males desaparecer num instante, e os argumentos de inúmeros corações reticentes se transformavam em cânticos de fé.

Mas, quando Bernadette, mais tarde, serviu- se da água para suas penosas doenças, ela não lhe foi eficaz. Perguntaram, então: – Essa água cura os outros doentes: por que não te cura a ti? – Talvez a Santíssima Virgem queira que eu sofra – foi a sua resposta. De fato, a sua vocação era sofrer e expiar pela conversão dos pecadores. A água da fonte não era para ela.

Essa filha predileta de Maria compreendeu com profundidade sua singular missão. Tudo quanto haveria de padecer física e moralmente dali em diante – o que não foi pouco – ela desejava unir aos méritos infinitos do Redentor crucificado, para que fosse pleno o efeito das graças derramadas na gruta. Nunca um murmúrio, uma queixa ou um ato de impaciência se desprendeu de seus resignados lábios, afeitos de modo heróico ao silêncio e à imolação.

                                                            No Asilo e em Nevers

nsa-lourdes-02-300x241.jpgApós o ciclo das aparições, todos queriam ver Bernadette e tocá-la. Pediam-lhe bênçãos, roubavam relíquias… Homens ilustres empreendiam longas viagens para conhecê-la e altas figuras eclesiásticas não escondiam sua admiração diante dela.

Todavia, quanto a faziam sofrer por causa disso! Em sua acrisolada humildade, Bernadette sentia-se incomodada perante tantas manifestações de deferência. Seu maior desejo era ser esquecida, queria que apenas a Virgem Santíssima fosse objeto de enlevo e amor.

Em Lourdes, ela viveu ainda nove anos no Asilo, administrado pelas Irmãs de Caridade e da Instrução Cristã, de Nevers. Ajudava no atendimento aos doentes, nos serviços da cozinha, na atenção às crianças. Aos 23 anos partiu para a Casa-Mãe da Congregação, em Nevers, desejando avidamente a vida de recolhimento e oração: – Vim aqui para esconder-me – disse ela.

Seus treze anos de vida religiosa foram vincados pela prática de todas as virtudes. De modo especial, o desprendimento de si mesma e o amor ao sofrimento. Desse período, passou nove anos de ininterruptas enfermidades: a asma inclemente, um doloroso tumor no joelho, que evoluiu até uma terrível cárie dos ossos. No dia 16 de abril de 1879, aos 35 anos de idade, ela entregou sua alma ao Criador.

                                       “Encontrar-me-eis junto ao rochedo”

Seus restos mortais incorruptos constituem um dos mais belos vestígios da felicidade eterna que Deus tenha outorgado aos pobres mortais neste Vale de Lágrimas. Intocado, puro, angélico é o corpo de Bernadette, diante do qual o peregrino sente-se atraído a passar horas seguidas em oração, levantando-se depois com a doce impressão de ter penetrado na felicidade eterna de que goza a vidente de Massabielle.

Ali estão, cerrados, mas eloqüentes, os olhos que outrora contemplaram a Santíssima Virgem, a nos ensinar que os únicos a serem exaltados são os mansos e humildes de coração; a nos lembrar que, para realizar Suas grandes obras, Deus não precisa das forças humanas, mas sim da fidelidade à voz de Sua graça.

Sabemos que a missão de Bernadette não terminou. A ação benfazeja de sua intercessão se faz sentir junto à gruta, conforme ela mesma predisse: “Encontrar-me-eis junto ao rochedo que tanto amo”. Que ela nos obtenha, neste ano do jubileu das aparições, uma confiança inquebrantável no poder dAquela que disse: “Eu sou a Imaculada Conceição”.”

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P.S 1: Merece registro a belíssima procissão luminosa que ocorre, habitualmente, nesta abençoada cidade, conforme se verifica pela foto abaixo.

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P.S 2: Sugerimos, ainda, aos queridos leitores que assistam ao belíssimo filme ” A canção de Bernadete “, que se encontra disponível na internet.

P.S 3: Existe em Lourdes, o Bureau des Constatations Médicales, ou seja, uma comissão de médicos das mais variadas especialidades, com a finalidade de analisar as curas extraordinárias que ocorrem na gruta. Atualmente existe um rol de 7.000 curas inexplicadas reconhecidas em Lourdes. Todavia,  a Igreja Católica, com sua prudência multissecular, só declarou como sendo milagres, 69 casos. Na verdade, sem medo de errar, já devem ter ocorrido sem registros, se não centenas, mas ao menos, dezenas de milhares de curas, sem se falar no maior milagre que é aquele que ocorre no silêncio do coração das pessoas.